sexta-feira, Junho 17, 2005

Pois sim, pois não...

Um parente chegado, um dos que melhor me explicou porque é que eu era monárquico, pessoa dada a frases e sínteses fulgurantes, disse-me uma vez que – “os portugueses só chegaram á Índia porque não usavam a dialéctica anglo-saxónica do sim e do não!”
Ao contrário, a linguagem hesitante e confusa (também para os próprios) do “pois não” a querer dizer “sim” ou vice-versa, tinha-lhes permitido estabelecer “pontes” e “margens de diálogo” inimagináveis e imprevisíveis. Penso que os “brandos costumes” também andam por aí – tal como o facto geográfico do cabo “Finis terrae” – o que tudo somado ou subtraído terá contribuído para enformar este peculiar comportamento lusitano.
Os mais intransigentes esclarecem que esse tipo comportamental anda associado aos “invertebrados” e adiantam a esse propósito alguma bibliografia. – “Pois sim”, também não deixam de ter razão, e a comprová-lo o facto de os portugueses terem quase todos “problemas de coluna”! Já para não falar de outras maleitas ancestrais.
Mas sejamos justos – Com a espinha dorsal a prumo e com a linguagem corajosa do sim e do não, nós até éramos capazes de chegar à Índia – agora, não nos aguentávamos lá 500 anos!
Também não se pode querer tudo...

N.B. Afonso de Albuquerque e um ou outro Vice-Rei foram as excepções que confirmaram a regra.

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