sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gripe

Uma doença inútil, daquelas que não mata mas mói, interrompeu o autor do Interregno e desligou-me do mundo. Não sei o que terá acontecido entretanto aos vencedores do referendo, não sei se Salazar continua à frente de Cunhal, ou se o Aristides tem vindo a recuperar terreno, como também não sei o que se passa na China, país de conversa obrigatória numa globalização que se preze. Do Belenenses, como dos outros clubes que não merecem notícia diária, deduzo, seguindo o ditado pessimista – “pas de nouvelles, bonnes nouvelles”!
Uma das vantagens desta gripe global é o isolamento que provoca no paciente, a necessidade de tossir sozinho, de assoar-se eternamente em bom recato, são, apesar de tudo, sensações que revelam algum direito à intimidade, e que ainda estão fora da regulamentação oficial. Mas nada que me sossegue.
Imaginei, ou foi sonho febril, que estas doenças passarão no futuro a ter um tratamento adequado por parte do estado, de forma a diminuir os impactos negativos sobre a saúde pública, sobre a produtividade, e sobre o emprego.
Para além da vacinação obrigatória, sujeita a coima para os relapsos, a gripe, uma vez denunciada, deverá seguir as melhores práticas em uso na Europa, acabando-se de vez com as mesinhas antiquadas, do género chá de limão com mel, ou o tradicional – ‘avinha-te, abifa-te e abafa-te’, expedientes próprios de um país atrasado e que apenas resultaram com os nossos avós.
No meu delírio, nada disto vai vingar daqui para a frente, incluindo avós e netos, a vida será superiormente organizada entre o centro comercial e o centro de saúde, mas sempre com uma televisão por perto, em ordem a orientar o potencial paciente.
As melhoras.

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