terça-feira, novembro 18, 2014

Um canto lusitano

O traço indispensável
O desenho rápido
Nem mais nem menos
A exagerar para menos
De propósito
As imagens eram palavras
As palavras eram imagens
E as perguntas, messiânicas,
Qual é a linguagem do pensamento humano?!
O português, não há engano!

Irrequieto ou inquieto
Mau ouvinte
Tinha muito pra dizer
A síntese faiscante
Mais tarde lancinante
O génio presente
A busca fremente
Num palco de ilusões
O tempo era dele
Sem contemplações

Ensinou-me e aprendi
Fui discípulo, tradutor
Provávelmente traidor
Viajámos sem navio
Houvesse calor ou frio
Zanguei-me, zangou-se
Não me lembro do que fosse
Chegada a hora, partiu
Há-de viver no meu canto
Neste recanto que é meu!

João Sousa Menezes, em 17 de Novembro de 2014


(memória do tio Álvaro Dentinho) 

3 comentários:

Miguel Ponce Dentinho disse...

Meu Querido João,

Poema só teu.

Sorte só nossa pela possibilidade de partilha.

Obrigado.

Grande abraço do teu primo Miguel

José Ponce Dentinho disse...

Obrigado João. De facto as perspectivas são diferentes dos diversos ângulos. Todas felizes. Abraço. Zé Dentinho

Inez Dentinho disse...

Discordo do Miguel: poema todo nosso, de tal modo verdadeiro. Obrigada.
Bj Inez