quinta-feira, setembro 28, 2006

28 de Setembro contra o inevitável!

A história é escrita pelos vencedores que uma vez chegados ao poder justificam o lance com a inevitabilidade dos acontecimentos! A ideia é perigosa e pretende fazer crer que o dia de amanhã será sempre melhor que o de ontem! Assim, e no limite, só para citar dois exemplos, a bomba de Hiroshima tornou-se inevitável e a invasão do Iraque também! E o mundo ficou melhor, conclui o mesmo raciocínio!
Contra esta lógica, contra os chamados ‘ventos da história’, se rebelaram num dia 28 de Setembro de 1974 muitos portugueses, a maior parte eram jovens, que não queriam abdicar do sonho de um Portugal ultramarino. Por serem jovens não pensavam em si, sentiam-se responsáveis pelas populações africanas, temiam uma catástrofe. Só isso.
Foram a jogo e perderam.
Ganharam os que hoje se sentam no Parlamento, os que ocupam as magistraturas, os que ao longo de trinta anos se instalaram em Belém.
O mar foi trocado por Bruxelas; as inevitáveis guerras civis aconteceram em todos os territórios que administrámos durante séculos; e até naqueles, como Timor, onde não existia a sombra de qualquer conflito, conseguiram os vencedores de Setembro de 74, ali semear a guerra e a discórdia!
África é hoje um continente assolado pela fome e pela destruição...sem fim à vista! As populações que foram enganadas, ou pura e simplesmente obrigadas a aceitar as ‘actuais independências’, abandonam o continente em massa, arriscando a morte na viagem!
Era também contra isto que aqueles jovens se manifestavam, agrupando-se para o efeito em pequenos partidos de que hoje poucos se lembram, que o tempo injustamente esqueceu.
Nada tenho contra o desenvolvimento, contra a verdadeira independência, mas pergunto, se era este o inevitável desfecho daquele dia em que lutámos contra o ‘inevitável’!

terça-feira, setembro 26, 2006

Portugal – Espanha

Começaram os jogos ibéricos!
O primeiro a entrar em campo foi Sócrates protagonizando em Madrid um confronto de estilos entre a moda italiana do corte e costura e a mesma linha, mas sem costura, de Zapatero. Um empate.
Preparado o terreno foi então a vez de Cavaco.
Uma deslocação difícil à vizinha Espanha, sem corda ao pescoço porque desnecessária, mas em comitiva comercial com o objectivo de surpreender a Dinastia dos Bourbon, com um GPS português!
E de que serve ao Rei um GPS, perguntam Vocês! Não faço a mínima ideia, mas sempre deu para mostrar que pode contar com a região autónoma portucalense na área das tecnologias de ponta.
Os jogos prosseguiram ontem à noite com a visita do antigo primeiro-ministro das Espanhas, José Maria Aznar, que revelou estar em magnífica forma! Devolveu com grande á vontade todas as bolas que a nossa Fátima lhe atirou. Relatemos alguns dos lances mais emocionantes:
- Depois de repetir o que todos sabemos, que governou a Espanha como se mais ninguém existisse na Ibéria, porque de facto não existia, Aznar deixou no ar a ideia de que essa política era para continuar, e independente do sono profundo em que jaz o vizinho do lado. O Atlântico (e arredores) é ou vai ser espanhol!
- Respondeu Portugal por intermédio de Ernãni Lopes explicando isso mesmo: se não valorizarmos de imediato as vantagens específicas que a História nos legou, estaremos condenados a servir de passadeira aos interesses estratégicos de nuestros hermanos, em terras de África e de Vera Cruz. E viva o velho!
A plateia agitou-se. Estavam lá quase todos os responsáveis pela divergência que todos os dias se acentua, estavam bem dispostos e nutridos, vê-se que a vida lhes tem corrido bem.
O resto do encontro foi irrelevante desde que se percebeu que a diferença entre o avanço espanhol e o atraso português, era uma questão de regime, mas que não se podia dizer isso!
Já no prolongamento, houve um último momento de excitação na plateia: Fátima divulgou o resultado de um inquérito que afirmava que 27% dos inquiridos admitiam que era melhor sermos todos espanhóis.
Os jogos prosseguem em Almeirim em data a definir.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Na estrada real

“Mas o Rei está apenas oculto, na ilha de encantos que é cada um de nós, e espera que a ele nos submetamos para que surja e salve; basta que acorde na alma de um de nós, para que também desperte nas almas que se perdem de tristeza e de dó pelas aldeias da Península, pela savanas de África, pelos palmares da Índia, pelas favelas de Paris ou pelas avenidas da Alemanha. Basta que num se erga; o Povo é ele e dele. Forças nenhumas se lhe poderão opor se ele próprio não provocar a batalha e se toda a sua coragem se concentrar, não em agredir, mas em se afirmar e em ser pacientemente, mas sem concessões, persistentemente, mas sem dureza, todo na tarefa, mas sem interesse seu, o guia que se espera, heróico e lúcido, ousado e calmo, aventureiro e lento. Todos em el-rei, el-rei em todos; e sem Rei nenhum, que o não precisamos para nada, pois o Rei o somos”.

Agostinho da Silva, in ‘Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I’.
(Lido no - “Viva a República! Viva o Rei!”, de Tereza Sabugosa)

terça-feira, setembro 19, 2006

Postal de Setembro

Falavas da primavera sem saber, no tom dos teus olhos azulados, nas certezas impossíveis, na juventude da tua boca expressiva, nos dentes brancos do teu sorriso, mas querias dizer outra coisa que só eu ouvi no silêncio das palavras inocentes!
É assim...disseste, e não era assim concerteza.

Que sabes tu da primavera, da marcha inexorável do tempo, do fim do amor!
O que sabes desta estação descendente, que desce sem apelo nem agravo!

Mas o que interessa isso agora!

Coração ao alto, vou nascer amanhã, quem viver verá, no provérbio certeiro, na frase batida, a escrita fingida... de um sentir verdadeiro.

domingo, setembro 17, 2006

O fim de um princípio

O Sumo Pontífice deve representar a concórdia e a paz universal, é esse um princípio do Cristianismo, que os homens tentam prosseguir no sobressalto dos séculos.
Uma Paz Justa.
Por isso Bento XVI veio explicar o sentido das suas palavras quando evocou um episódio antigo, ocorrido em Bizâncio, onde o Imperador Manuel II, da dinastia dos Paleólogos, criticava a ‘conversão pela espada’.
Nada mais do que isto e logo se levantaram clamores do lado do Islão exigindo desculpas e retratações! Ridículas e encomendadas, por certo.
Já hoje, e a seguir à intervenção de Sua Santidade, desfeito o equívoco, a Irmandade Muçulmana do Egipto apressou-se a encerrar o assunto aceitando as explicações do Papa.
No entanto, penso que podemos tirar duas ilacções deste acontecimento:
Em primeiro lugar, uma clara advertência da Igreja Católica ao mundo muçulmano, repetindo que não aceita a violência como método, nem a conversão por esse método.
Em segundo lugar, e sossegando esse mesmo mundo muçulmano, repete também a necessidade de combater o ateísmo ocidental, com todas as suas consequências.
Afinal, a verdadeira Cruzada apostólica que Bento XVI definiu como prioridade do seu Pontificado.
Ámen.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Governo ou semi-reboque?

Administrar é prever, dizia o professor numa aula qualquer da minha juventude. E prosseguia, um bom governo deve antecipar-se à crise, mas se ela inadvertidamente chegar, tem que ser firme e resoluto.
São recordações pessoais, nada disto tem a ver com o Governo que temos.
O primeiro-ministro ganhou esporas por ser teimoso (alguns viram ali firmeza), quando foi ministro do ambiente, mas onde verdadeiramente se notabilizou, usando com mestria o poder da televisão, foi como comentador benfiquista. Aliás, as relações entre o futebol e a política, melhor, entre tudo aquilo que gira à volta do futebol e tudo aquilo que gira á volta da política, não podem escapar ao conhecimento do engenheiro Sócrates na medida em que esteve no centro da candidatura de Portugal ao Euro 2004.
É para além disso, um confesso adepto do Benfica e a sua pública declaração de interesses, pouco mais regista que uma série de acções do mesmo clube!
Isto não envolve qualquer suspeita mas a constatação de um facto: o nosso primeiro-ministro não pode alegar ignorância do fenómeno nem dos seus perceptíveis contornos ou desvios e por isso estranha-se que só agora, com a casa arrombada, apareça a tomar medidas num frenesim tão evidente quanto disparatado!
Descobriu o Governo alguma coisa de novo? Não eram do seu conhecimento e do seu interesse, os fortes indícios de corrupção que todos admitem existir à volta de uma actividade que movimenta milhões, que serve de biombo para traficar tudo e mais alguma coisa!
Foi então apanhado de surpresa!?
E agora, perante reveladoras escutas telefónicas, face à evidência dos factos, o que tenciona fazer?
Fazer mais leis? Acabar com as escutas, afinal para muitos, o verdadeiro busílis do problema?! Proibir os magistrados de fazerem parte de associações de mau porte?
Ou será que estamos na presença, mais uma vez, da ponta do iceberg, onde a corrupção desportiva aparece como a má da fita, quando a outra, a que está por baixo e bem escondida, é muito maior!
Não adianta fazer pactos, mudar leis ou proibir pessoas, é preciso corrigir o sistema que perpetua situações para além do que é admissível. É preciso indagar como se escolhem as pessoas para os cargos e não andar à procura de virtudes e defeitos nas mesmas pessoas.
Chega de propaganda.
Não existe gente séria, quando o regime não é sério. E se existir, afasta-se, não participa em jogos sujos.
Estou a falar da política, não estou a falar de futebol.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Levanta-te e chora

Um país, se quiserem, um regime, quando chega à fase das anedotas por atacado, diz-me a lembrança, que está vazio por dentro e por fora, esgotou-se. Mas não é bem disso que quero falar, o que me anda a incomodar ‘long time ago’, são aqueles bonequinhos da ‘contra – informação’, um sucesso piadético da nossa praça, mas que a mim não me enganam.
Pronto, ‘eu sei que sou chato, que este meu samba é mesmo muito chato’, riam à vontade com os bonecos, desliguem o blog, divirtam-se!
Que eu não deixo de protestar.
Isto aqui chama-se ‘interregno’, para quem não perceba, é um espaço de oposição a este regime decadente e estúpido, que nos empobrece, que nos esvazia a memória, em suma, que nos infantiliza. Há quem não dê importância a isso, eu dou.
Voltando aos bonecos afirmo: estão ao serviço da situação, branqueiam, limpam aqui, sujam além, utilizam o nacional-porreirismo para inocentar este e aquele, nunca criticam o governo, nunca criticam verdadeiramente o compadrio reinante.
Exemplo:
Que dizer do prosseguimento da bonecada com os falsificadores de resultados, Valentim e companhia, senão um claro intuito de banalizar a batota e os batoteiros! Que mensagem transmitem para fora?
Normalidade de condutas! Pouca gravidade dos factos! Sim, porque estamos a falar de factos comprovados em escutas telefónicas autorizadas.
O que pretende o canal público de televisão com esta farsa?
Aceito que deve provocar gargalhadas alvares a muita gente, mas não podemos deixar de considerar como uma tentativa para esvaziar o conceito de delito que está indiscutivelmente presente nos factos que têm vindo a público!
O exemplo está dado e termino: o humor verdadeiramente crítico não funciona assim, tem outras asas e outras premissas.
Isto é o nacional-porreirismo no seu melhor...e sem qualquer graça.

terça-feira, setembro 12, 2006

Virar de página

Estamos mal, vivemos cada vez pior, a propaganda não chega para as necessidades da população. As pessoas evitam olhar a realidade de frente, fingem que não percebem que o futuro é uma parede fechada – não há passagem! Refugiamo-nos nas prateleiras do supermercado, nas viagens de sonho, nos pequenos nadas transformados em momentos de glória.

A crise de valores existe por toda a parte, é certo, a sociedade securitária confirma que a vida humana não vale um vintém!
Onde é que nos perdemos?
O senhor da terra apareceu na televisão a explicar que está a construir um novo ‘gulag’! Absolutamente necessário, disse. Os argumentos são convincentes – os terroristas existem e reproduzem-se, o que é que podemos fazer!? Não posso adiantar mais nada.
Segredo de justiça.

sábado, setembro 09, 2006

O Pacto Mateus

Mateus, jogador de futebol angolano, contínuo amador nas horas vagas, mal sabias tu que serias o responsável pelo fulminante ‘pacto de silêncio’ que PS e PSD resolveram celebrar, com o louvável intuito de distrair a opinião pública e fingir que algo vai mudar na republica dos compadres.
Estás a ver Mateus, porque é que és tão importante!? Na tua ingenuidade, diz-me lá uma coisa – que País é que aguenta, que Governo é que tem estômago para assistir impávido à permanente notícia de que Portugal é um palco de batota, com direito a desmentidos que são autênticas confissões de fraude organizada, um espectáculo transmitido em directo pela televisão, a bater recordes de audiência!
Tens que admitir que era preciso acabar com a tua novela (e a do apito ressuscitado) para dar um cheirinho de seriedade a tudo isto.
É claro que ‘isto’ não é fácil de compreender e digerir por quem tenha a memória a funcionar. Tu não te lembras, Mateus, mas este ‘pacto de justiça’ era uma velha ambição dos políticos, incomodados com as escutas e a possibilidade, felizmente evitada a tempo, de poderem ser incomodados pela justiça. Mas havia na altura procuradores desavindos, juízes desalinhados, jornalistas abelhudos, não era portanto possível fabricar qualquer pacto, até porque o povoléu andava desconfiado que tal acordo se destinava a abafar processos, como o da Casa Pia, e os figurões não se atreveram a avançar.
Agora que esses processos repousam em paz, era o momento propício para dar um sinal à população de que a república está atenta e que pretende pôr a justiça a funcionar.
Não percebi, Mateus – Estás a perguntar-me se não concordo com a necessidade de uma reforma profunda na justiça portuguesa?! Se não concordo com a redução substancial das dilações processuais?! Com a redução de admissibilidade de pedidos por dívidas comerciais?! Com a reorganização dos tribunais?! Com garantias de separação de poderes que o Tribunal Constitucional não dá?!
Claro que concordo, Mateus.
Mas tu acreditas, que sem uma mudança de regime, sem a introdução de um árbitro que não faça parte dos compadres, que será possível mudar alguma coisa nesta terra?!
Estás a ver, Mateus, tu também não acreditas.

quarta-feira, setembro 06, 2006

A nossa selecção

Esta é a nossa selecção, aquela pela qual vale a pena gritarmos, estamos com ela em todos os momentos, há imenso tempo, dá gosto vê-los actuar! Analisemos o seu desempenho, um por um, os seus pontos fortes, os pontos menos fortes, não pensem em pontos fracos, porque efectivamente não existem! Vamos lá então:
Valentim está de parabéns, é o delírio da pequenada, fez o seu número de forma irrepreensível e a culpa não é dele se votam nele. Descobriu-se e desuniu-se um pouco quando insistiu na recomposição da Comissão Disciplinar da Liga, querendo fazer passar a ideia de ilegalidade (ou seria deslealdade!) por parte de Adriano Afonso. Compreende-se que esteja de alma e coração com o juiz Gomes da Silva, seu colega no ‘apito’, assim como se compreende que não lhe faça confusão que o filho de um dirigente do Gil Vicente possa votar em causa própria! Esteve igual a si próprio.
Sobre Madaíl já não sei o que dizer! A FIFA deve ter a mesma opinião. Para a história, fica o contrato entre Scolari e a Federação, onde existe uma cláusula de rescisão por parte de Scolari, no caso de Madaíl deixar de ser presidente da Federação!!! Será que Madaíl vai enveredar pela carreira de seleccionador, ou dá-se por satisfeito, mantendo-se como adjunto de Scolari?!
O Secretário de Fafe, perdão, de Estado, é um homem bem intencionado mas com muito azar! Quis dar um puxão de orelhas em Madaíl e Valentim, mas o major rufião virou-lhe o dente e quem acabou por levar nas orelhas foi o Laurentino! De resto, este promissor secretário, fez o que lhe competia: arredondou o discurso, teve uns arrufos de soberania, mas nada de grave.
Já o empertigado Arnaut, também não deve trazer grandes preocupações à FIFA e por uma simples razão: ele é desta e da contrária. Patriota nato, está com Bruxelas de alma e coração, e não admite por isso quaisquer limitações à nossa soberania por parte da FIFA! Madaíl ainda quis protestar, explicar, mas ninguém prestou atenção.
No fundo, este Arnaut é um pândego! Está preocupado com o exagero das sanções da FIFA, provávelmente a pensar no Sporting, mas o Madaíl lá teve a caridade de lhe explicar que não são sanções, é sanção, e consiste em excluir um dos seus filiados, neste caso a Federação Portuguesa de Futebol, quando este filiado não cumpre as normas a que está obrigado!
Não sei se o Arnaut a esta hora já percebeu!
Claro que a selecção não está completa, falta gente do norte, andam mais ariscos ultimamente, talvez alguma lesão difícil de cicatrizar, quem sabe!
Em contrapartida, quem aparece sempre é o Vieira! Desta vez ao telefone, para confirmar o seu permanente apoio ao Major Valentim. Uma constante no passado recente, nada de confusões.
A mim é que me faz uma certa confusão a súbita omnipresença deste Vieira, coincidindo, só pode ser coincidência, com as notícias sobre o misterioso ‘caso Mantorras’! De facto, não há dia nem sítio onde o sujeito não apareça!
E assim termina mais um programa sobre a nossa selecção.

segunda-feira, setembro 04, 2006

Pobres e mal agradecidos

O exercício de público maquiavelismo que o professor Marcelo vem exibindo, a partir do canal público de televisão, sobre o famigerado ‘caso Mateus’, tem apenas um nome e apelido no vocabulário corrente: um mau exemplo.
Para quem o viu recentemente na Alemanha, cachecol ao pescoço, pelos vistos pouco apertado, frequentando alegremente uma prova organizada pela FIFA, não pode deixar de concluir que há indivíduos em que não podemos confiar. E a confiança, é como se sabe, a base de uma qualquer competição desportiva, desde o berlinde ao futebol.
Marcelo saberá de leis, e eu não, será um génio nesta capoeira de galinhas, onde eu nem milho posso comer, mas sempre me convenci que a verdadeira inteligência tem de aproximar-se da humildade, assim como deve afastar-se da vaidade e do oportunismo. Por isso entendo que o Direito deve estar ao serviço do bem comum, não é uma ideologia, nem tão pouco pode prestar-se a engenhosas elucubrações para subverter princípios sem os quais seria impossível dar um passo, sem termos de imediato um recurso à perna.
O desporto, ao contrário de outras actividades, não tolera a batota, não sobrevive muito tempo com ela, e o Gil Vicente fez batota, facto indiscutível. Admito, como já escrevi, que o professor Marcelo não tenha a noção do que é fazer batota, muita gente não tem, admito por isso que esteja convencido que o acto de inscrição de um jogador, impedido pelos regulamentos de o fazer, possa ser entendido como um acto meramente administrativo, sem qualquer influência no desenrolar da competição desportiva. Admito que labore nesse erro tremendo porque não tem aquilo a que chamo ‘espírito competitivo’, mas não admito que não tenha a humildade de delegar nas competentes instâncias desportivas, ao menos, a definição do conceito sobre o que é ou não é – ‘estritamente desportivo’! Não admito, por ofender a inteligência comum, que insista em colocar essa decisão nas mãos de um qualquer juiz, sempre diferente, e sem a necessária preparação para entender a especificidade do fenómeno desportivo. Isso não admito, nem entendo.
Por fim e prova real do que defendo, usar o canal público, para sistematicamente, fazer a apologia das pretensões de uma das partes contra as pretensões e interesses da outra ou das outras, é simplesmente...batota.
Como será batota querer participar, de bandeirinha e cachecol, nas provas organizadas pela FIFA, mantendo processos de intenção sobre as respectivas regras!

sexta-feira, setembro 01, 2006

Maré-cheia

Umas curtíssimas férias, belíssimos dias, as tardes na praia, anos de vida, e poucas notícias como convêm. Apenas uma curiosidade fugaz pelo ‘caso Mateus’, que fecha ao rubro a época balnear.
Sou parte nesta história, herança belenense que não desarma, e dir-se-á que o tema não reúne elevação suficiente para um interregno, pois é questão estritamente desportiva, e como tal deve ser tratada nos locais próprios e pelos órgãos competentes. Como se vê é impossível escapar-lhe, e sem querer vou repetindo argumentos, pois de argumentos se constrói esta terra... sem argumentos que lhe valham, para além da consabida vontade de uns quantos, mais teimosos e perseverantes do que nós.
Os telejornais abrem com o ‘caso Mateus’, em que todos se ameaçam e ameaçam ter razão, mas nós já sabemos como tudo vai acabar: pela surra, de fininho, sem grandes estragos, o Gil Vicente vai para a Liga de Honra, com a necessária compreensão pela sua luta estóica contra a maldade do mundo que a própria FIFA encarna! E pronto.
Se pudéssemos passar sem ela, não me refiro à vaidade, mas á FIFA, se pudéssemos passar sem a selecção das bandeirinhas, sem os três clubes do estado, sem as grandes finais em que vamos todos, sem a glória das medalhas que a FIFA nos dá! Se pudéssemos organizar por aqui, uma FUFA ou uma FOFA, à nossa maneira, com as regras que a gente gosta, a ganhar sempre, não queríamos saber da FIFA para nada, seríamos os primeiros a trair esta prepotente organização a que só pertencemos porque nos dá jeito.
Muito bem, e que outras novidades perdi?!
Nada de importante a não ser este problema de última hora relacionado com a nossa participação na força internacional que vai para o Líbano: então não querem lá ver que serão os castelhanos a comandar o nosso minúsculo contingente!
Isso nunca, quando vamos a algum sítio, nem que seja um português sozinho, só aceitamos ser comandados pelos ingleses, até porque já estamos habituados.
Mas a praia, repito, estava óptima.

sábado, agosto 26, 2006

“Sobre o nosso entendimento dos deveres do Estado”

“O Estado existe, não para proteger os vícios pessoais, mas para promover o bem de todos, porquanto o seu dever mais elevado está ligado justamente ao preceito da caridade: ajudar os débeis, defender os oprimidos, fazer o bem àqueles que vivem em dificuldade (...). A ordem natural baseia-se sobre o extermínio recíproco ou, no melhor dos casos, sobre uma mútua limitação dos homens. A ordem moral é baseada na recíproca solidariedade e a expressão primeira e mais simples de tal ordem é a ajuda gratuita, a beneficência desinteressada.”

Vladimir Soloviev

“...O mundo inteiro indiferente com a desgraça daqueles dezanove anos. O primeiro dever da civilização é evitar que fiquem os desgraçados pelo caminho!
Os desgraçados são a vergonha da humanidade, são a desonra da civilização!
Mas a vida passava-se lá muito acima disto tudo, ocupada com a vida de todos, indiferente á vida de cada um.”

Almada Negreiros


Salas de chuto

“Parece ser um problema nascido mais da imaginação das juventudes partidárias e do BE do que da atenção à realidade;
O partido do Governo parece estar mais comprometido com compromissos tácticos do que convicto da bondade de tal medida;
Se as Salas de Chuto pretendem diminuir os riscos de contágio com o HIV+ erram o alvo. Os eventuais dependentes contagiáveis pretenderam outra coisa que não ser elencados e identificados. Entre os toxicodependentes que eventualmente se encontrem disponíveis para frequentar as Salas de Chuto contam-se sobretudo os já doentes com HIV+;
Por outro lado pensar que assim se consegue trazer para a rede de saúde os mais degradados é esquecer que faz parte da sua própria atitude aproveitar-se da rede de saúde pública para não sair. Dos bairros degradados saem os que são perseguidos pela delinquência associada à sua marginalidade e não os que o Estado ajuda a serem marginais;
Pode-se suspeitar que existam interesses corporativos associados às estruturas técnicas do Estado que pretendam ver avançar esta hipotética nova frente de trabalho;

Sugestão:

Estude-se qual seria efectivamente a eventual população que frequentaria as Salas de Chuto através de um organismo independente das estruturas estatais (por exemplo, através de Gabinetes de Estudo das Universidades);”

Com a devida vénia, pela oportunidade e interesse que o assunto merece, o Interregno volta a publicar parte de um texto da autoria da Associação Vale de Acór, comunidade terapêutica para o tratamento de toxicodependentes.

quarta-feira, agosto 23, 2006

Jardim cercado

Nos Açores é diferente, a descontinuidade territorial, as muitas ilhas com as suas rivalidades, perdem unidade e são mais fáceis de domar. A Madeira e o seu cacique é que são o problema desta terceira república que em má hora se lembrou das regiões autónomas, com tudo o que isso acarreta de independência e desenvolvimento.
Estão visivelmente arrependidos.
O homem é inconveniente, não faz vénias ao continente, exige e ameaça com o nosso dinheiro, nosso é uma força de expressão, talvez não seja nosso, mas dele não é concerteza!
E agora que o país está quase na linha, domesticado, sobrevivente em euros sem poder reclamar, sem alternativa, disponível para se sacrificar até ao fim por este caminho sem rumo que lhe foi generosamente traçado, não podemos tolerar dissidências.
Sigamos pois no cerco ao relapso madeirense, arremedo de feudalismo que nunca tivemos nem podemos ter, ele bem sabe a nossa sina, por isso vamos em frente, retiremos-lhe os meios com que se pavoneia, que lhe têm valido vitórias atrás de vitórias!
Vamos sufocá-lo, será obrigado a render-se.
Nessa tarefa patriótica, feita em nome da nossa velha república unitária, contamos com apoio generalizado da população continental, até de sectores insuspeitos, de outras áreas políticas, nas direitas, no centro, entre os chamados independentes, porque ninguém tolera a independência do líder da Madeira!
Afinal que argumentos tem o homem? Qual a razão de tanta popularidade entre os seus?
Aplicou bem o dinheiro que lhe deram? Talvez, atendendo a que a Madeira passou a ser considerada em termos europeus uma região mais desenvolvida e por consequência com o acesso ao crédito mais dificultado. Tanto pior para ele! Os relatórios internacionais também parecem confirmar um forte ritmo de crescimento que se tem verificado.
Mas isso que interessa comparado com o prejuízo que representa para a república a estridência enervante desse sujeito. Um mau exemplo para os desertificados ‘distritos’ do continente.
Resta-nos sonhar, acordar a imaginação, e que saudades, a consolação que teríamos se em lugar de um cacique, tivéssemos vários como este, espalhados por esse império perdido, a reclamar insistentemente mais e mais verbas, vergastando o continente pelos seus erros, desconfiando do poder central, mas com plena confiança da sua gente!
Sinal de que tínhamos merecido a herança...e que ainda tínhamos mão nela.

Post-scriptum: ‘Cacique’ significa chefe independente.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Sebastianismo do Sertão

“Daqui de cima, no pavimento superior, pela janela gradeada da Cadeia onde estou preso, vejo os arredores da nossa indomável Vila sertaneja. O sol treme na vista, reluzindo nas pedras mais próximas. Da terra agreste, espinhenta e pedregosa, batida pelo Sol esbrazeado, parece desprender-se um sopro ardente, que tanto pode ser o arquejo de gerações e gerações de Cangaceiros, de rudes Beatos e Profetas, assassinados durante anos e anos entre essas pedras selvagens, como pode ser a respiração dessa Fera estranha, a Terra – esta Onça-Parda em cujo dorso habita a Raça piolhosa dos homens. Pode ser, também, a respiração fogosa dessa outra Fera, a Divindade, Onça-Malhada que é dona da Parda, e que, há milénios, acicata a nossa Raça, puxando-a para o alto, para o Reino e para o Sol.

Daqui de cima, porém, o que vejo agora é a tripla face, de Paraíso, Purgatório e Inferno, do Sertão. Para os lados do poente, longe, azulada pela distância, a Serra do Pico, com a enorme Tapeorá, cuja areia é cheia de cristais despedaçados que faíscam ao Sol, grandes Cajueiros, com seus frutos vermelhos e cor de ouro. Para o outro lado, o do nascente, o da estrada de Campina Grande e Estaca-Zero, vejo pedaços esparsos e agrestes de tabuleiro, coberto de Marmeleiros secos e Xiquexiques. Finalmente, para os lados do norte, vejo pedras, lajedos e serrotes, cercando a nova Vila e cercados deles mesmos por Favelas espinhentas e Urtigas, parecendo enormes Lagartos cinzentos, malhadas de negro e ferrugem, lagartos venenosos, adormecidos, estirados ao Sol e abrigando Cobras, Gaviões e outros bichos ligados à crueldade da Onça do Mundo.
Aí, talvez por causa da situação em que me encontro, preso na Cadeia, o Sertão, sob o sol fagulhante do meio-dia, me aparece, ele todo, como uma enorme Cadeia, dentro da qual, entre muralhas de serras pedregosas que lhe servissem de muro inexpugnável a apertar suas fronteiras, estivéssemos todos nós, aprisionados e acusados, aguardando as decisões da Justiça, sendo que, a qualquer momento, a Onça-Malhada do Divino pode se precipitar sobre nós, para nos sangrar, ungir e consagrar pela destruição”.

Do romance “A Pedra do Reino” de Ariano Suassuna.
In Revista “Portugueses” (Maio/Junho 1989)

sábado, agosto 19, 2006

Um país pequeno

Abri e fechei a televisão, demorei-me uns segundos, talvez um minuto a olhar para a entrevista memorial sobre Marcelo Caetano. Até poderia ter interesse, Ana Maria Caetano explicava, a uma atenta e serviçal Judite de Sousa, algumas das peripécias vividas por seu pai nos momentos subsequentes ao 25 de Abril de 1974.
Mas aquela pequena tentação de revelar um distanciamento político entre Marcelo Caetano e o Almirante Américo Tomás, seu companheiro de exílio e infortúnio, a palavra ‘ultras’ ao de leve pronunciada, foi o suficiente para desligar a televisão e perder de vista o rosto ainda bonito da filha do último primeiro-ministro do Estado Novo.
Que raio de país, que raio de gente, incapaz de se manter solidária na hora da derrota, sempre pronta a saltar para o carro dos vencedores!
Quando nem sequer há vencedores, mas uma longa lista de traições, deserções, de gestos que a história não vai lembrar quanto mais dignificar, tão parecidos que parecem irmãos gémeos de outros golpes que passam por revoluções na posterior propaganda.
A própria entrevista é disso prova e argumento. Então não havia ninguém convencido do que estava a fazer! Da bondade do caminho trilhado! Estavam todos contrariados?
E do outro lado, do lado de Abril, a necessidade de expiar o embuste, de alargar responsabilidades, de justificar alguns excessos imprevistos, o pecado da descolonização a comprometer tudo e todos, e a confirmar essa realidade inelutável: não há oposição em Portugal!
Ela só parece existir enquanto não nos aproximamos o suficiente do orçamento de estado, depois, segue-se oportuna reciclagem e o início de uma viagem vertiginosa até ao outro lado da barricada...Que afinal não é barricada nenhuma!
Um país a fingir, cada vez mais pequeno, que não consegue fazer justiça a ninguém.
E que sem perceber mantém o hábito das conversas em família, no canal público, aos Domingos, a cargo de um afilhado de Marcelo Caetano!

quarta-feira, agosto 16, 2006

Sem representação

À força de quererem separar a Igreja do Estado, e não interessa agora discutir o motivo ou os motivos que estiveram e estão na origem desta escolha política, as sociedades ocidentais deixaram sem representação um dos aspectos essenciais da natureza humana: a sua religiosidade!
Embrenhada nas profundezas culturais de determinada comunidade, essa mesma religiosidade acabava por estar politicamente representada no chefe de estado monárquico, na sua qualidade de vínculo histórico, que assim resolvia, melhor ou pior, o complexo de tensões sociais entre os diversos agentes políticos e religiosos, conseguindo por seu lado mobilizar estes últimos para a concórdia geral, na medida em que os envolvia na prossecução dos objectivos comuns dessa mesma comunidade.
Esta razoável harmonia, correspondente a uma identidade clara e indiscutível, sofreu como se sabe, um primeiro grande revés com a chamada reforma protestante que assim quebrou a unidade, que atravessou séculos, de obediência ao Sumo Pontífice.
A partir daqui é fácil perceber o declínio da Europa bem como todas as sequelas que hoje nos confundem e dividem, com o laicismo premente, de natureza fundamentalista, a empurrar-nos, mais e mais, para um buraco escuro donde será difícil sermos resgatados.
É neste contexto que temos que entender a nossa emergente incapacidade para lidar com culturas diferentes, como o Islão por exemplo, que se recusa a seguir o modelo ocidental já que não admite cortar com Deus ao nível da representação do Estado.
Curioso é neste ponto notarmos, e já não é a primeira vez que o faço notar, que os grandes apóstolos do laicismo e da separação da Igreja do Estado, e também por isso, os grandes adversários do Islão, são os países onde não existe uma separação nítida entre a religião e o Estado!!! Refiro-me naturalmente a Israel, Inglaterra e Estados Unidos, pois claro. Bastava este facto, para qualquer um desconfiar das respectivas promessas políticas, agora imaginem os muçulmanos!
É de facto caricato, por absurdo, tudo o que se passa à nossa volta: os americanos e os ingleses armados em cruzados, eles que não obedecem à única Entidade que as convocou no passado e que teria legitimidade para as convocar no presente – o Papa, que aliás tem condenado firmemente este tipo de ‘cruzadas’. E por outro lado não deixa de ser estranho que nesta ‘cruzada’ surja como aliado dos tais ‘cruzados’, um povo que a história assinala como responsável pela própria crucificação de Cristo!
Tudo isto é muito difícil de compreender!
E termino como comecei: se tudo aquilo que tem natureza política, aspira naturalmente a ser representado, também é verdade que essa representação quando é ilegítima ou quando é reprimida, suscita um movimento reactivo de quem se sente amordaçado, movimento que se torna rápidamente incontrolável, e está sempre disponível para afrontar a falsa cultura dominante em surpreendentes ‘tsunamis’!
Não vale a pena depois chamar-lhes terroristas.

domingo, agosto 13, 2006

“Mudam-se os tempos...”

A comunicação social faz parte do país, são organizações onde trabalham pessoas normais, há muita gente envolvida, veteranos e jovens que se engalfinham para ‘dar’ as mesmas notícias, aquelas novidades saídas do funil de duas ou três agências noticiosas, também elas ligadas à máquina de propaganda das multinacionais que todos conhecemos.
Os chamados repórteres de guerra, salvo raríssimas excepções, acompanham os exércitos vencedores e vão declamando, em pose de grande imparcialidade, as banalidades que lhes impingem.
Jornalismo de reportagem, fora da segurança do politicamente correcto, não existe, ou se existe, não chega ao grande público, que se mantém fiel, em permanente estado de ansiedade, e vai consumindo doses cavalares de patranhas infantis, que lê nos jornais, que passam na televisão, sempre na secreta esperança de que surja algo que possa mudar as suas vidas!
Esperamos em vão.
Alguns exemplos, tristes exemplos, diga-se:
O fogo devasta o país como habitualmente nesta época quente, mas agora ninguém se lembra de pedir responsabilidades ao governo! Pelo contrário é o próprio governo que acusa os portugueses de serem os culpados pelos incêndios que lavram por todo o território! Extraordinária conclusão, quando se sabe que prossegue a desertificação interior, e que os pinheiros, sozinhos, não se conseguem defender.
Mas regressemos por um momento aos tempos de Durão Barroso e Santana Lopes, quando o mesmo fogo consumia a floresta lusitana, para recordar que não havia dia nem hora em que se não questionasse o governo e o primeiro-ministro sobre qualquer fagulha que se reacendesse, sobre alguma falha nos meios de combate aos incêndios, medindo e comparando, a palmo, a área ardida, confrontando promessas eleitorais de acabar com os fogos de Verão em Portugal!
Onde estão os jornalistas dessa época? Onde estão as televisões que não davam descanso ao governo?
Desapareceram!?
Pode o ministro Costa repreender à vontade os portugueses que emigraram para Loures ou Massamá, e que se esqueceram ir fazer os convenientes ‘aceiros’ lá na terrinha de onde fugiram, fugindo à miséria; pode enfim o elegante Sócrates fazer as corridinhas que quiser por Copacabana, que nenhum jornalista português o irá incomodar com o fogo pátrio.
Mudam-se os tempos...mas nós não mudamos.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Totalitarismo à vista

Uso um título emprestado para ver se consigo retratar este insólito tempo em que somos obrigados a revelar identidade de corpo e alma para com os novos benfeitores da Terra. Não podemos ocultar nada, até a bolsa de viagem tem que ser transparente.
Para nosso bem.
Os inimigos são invisíveis, existem concerteza porque lançam o pânico e a morte à sua volta, estão por todo o lado, sabemos apenas que são islamitas, e mais recentemente, foram caracterizados como ‘islamitas fascistas’, uma variante até aqui desconhecida, com aliados no Irão e na Síria, e partilham entre si um ódio visceral a Israel e aos Estados Unidos!
É tudo quanto se sabe, ou pelo menos é tudo quanto podemos saber.
A Inglaterra, grande aliada dos americanos na reconstrução de um ‘novo médio oriente’, também está na linha de fogo, como se viu pela gigantesca operação policial despoletada em todos os aeroportos do Reino Unido, pelas inúmeras detenções, pelo incómodo a quem pretendia viajar de avião, fosse para onde fosse, mas principalmente para os Estados Unidos.
Procuramos terroristas, é a palavra de ordem, a autorização, o aval, que permite prender, interrogar, isolar, transportar e esconder pessoas suspeitas de pertencerem às tenebrosas organizações que se dedicam à prática do terrorismo. O terrorismo é a doença do século, e qualquer pessoa pode ser infectada por esse vírus mortífero, e sendo assim, todos somos suspeitos.
As origens da epidemia são vagas e não interessa agora discuti-las, porque ‘em tempo de guerra não se limpam armas’, confidenciou um alto responsável que não quis ser identificado.
Entretanto Israel prossegue na sua ‘cruzada’ contra o terrorismo. No Líbano também não há inocentes.
Exagerei na descrição mas os indícios não mentem, e os métodos também não: isto lembra-me qualquer coisa e não é coisa boa.

terça-feira, agosto 08, 2006

“Senhor dá-nos um Rei...”

“Samuel, dá-nos um rei como têm as outras nações...”, foi assim que o povo hebreu se exprimiu, farto de querelas e divisões, ansiando por uma referência de unidade. “Faz o que eles pedem” disse-lhe o Senhor.
Podemos extrair deste episódio bíblico, ocorrido muitos séculos antes do nascimento de Cristo, aquilo que é óbvio e os factos todos os dias comprovam:
Sem um símbolo, sem um referencial único, os povos não se conseguem estabilizar nem progredir, minados por questiúnculas internas, habilmente aproveitadas pelos seus inimigos externos, e com isso vão adiando sistematicamente as melhores soluções para os seus problemas.
Na maior parte dos casos, incapazes de se entenderem dentro das suas fronteiras, acabam por tentar construir uma falsa unidade fora delas, invadindo e agredindo outros povos, inventando um inimigo exterior, disfarçando, ou se quiserem exportando desta maneira os seus problemas domésticos.
Isto é teoria política básica, mas infelizmente e por ser básica está sempre a verificar-se, está sempre a acontecer, e pior, está a acontecer-nos a nós!
Desmobilizados, cada um para seu lado, os portugueses sentem o mesmo que eu sinto: um país à deriva, sem representação una e fiável, alguém que sobreleve as facções e que reconheçamos como imagem da Pátria.
Não há, não temos, ou se temos, não queremos ter!
Mas hoje queria falar-vos desta guerra sem fim que opõe o Islão a Israel, ao Ocidente, aos Estados Unidos, à Rússia, à China, e a outros incertos. A verdade é que no meio desta confusão apraz-me registar que são as monarquias islâmicas, aquelas que dão maiores sinais de moderação, e que asseguram alguma estabilidade e desenvolvimento internos.
Estou a lembrar-me de Marrocos, da Jordânia e até da própria Arábia Saudita, como podia ter-me lembrado da Pérsia no tempo do Xá ou do Afeganistão no tempo do Rei Zaer Sha!
Reparem que não fiz nem tenciono fazer qualquer comentário ou referência à chamada ‘democracia para exportação’ assunto que já abordei e desmascarei largamente aqui no Interregno e que toda a gente percebe que se trata da última artimanha imperialista para ‘dividir e reinar...sobre o petróleo’!
Eu faço referência á monarquia, àquela que une e evita, ou pelo menos reduz, o apetite voraz dos tubarões do costume. Essa realmente tem-se revelado muito mais eficaz e benigna quer reduzindo os riscos de guerra, quer assegurando alguma sementeira em favor da paz.
Tenho insistido neste ponto que me parece importante: o Rei, na sua qualidade de representante da história, e quando legítimo, limita a preponderância dos sacerdotes diminuindo os factores ligados ao fundamentalismo religioso. Esta vantagem não a tem mais nenhum agente político, e numa região como o médio oriente, em lugar de andarmos a pregar a ‘democracia americana’, seria mais sensato advogar o regresso de regimes ancorados na tradição já que transmitem outra seriedade e serenidade nas relações internas e internacionais.
O que se aconselha portanto a essa legião de ‘benfeitores’, americanos, russos, chineses, ingleses, franceses, e israelitas por outros motivos, é mais paciência e menos apetite. Não tenham medo porque o petróleo é para vender, não é para consumo interno dos países do médio oriente.
E já que aqui estamos, uma pergunta directa: E tu, oh Israel, que tal um Rei?
Era capaz de ser bom para ti e para os teus vizinhos. Outra credibilidade e independência às posições e interesses do estado judaico, trazia concerteza.