segunda-feira, outubro 30, 2006

Assim vai o mundo

Lula ganhou a segunda volta das eleições e mantém-se como Presidente da República do Brasil. A vitória, incontestável, dividiu mais uma vez o país em duas partes, tantas quantos os candidatos, ou seja, em cada dez brasileiros que votaram, seis apostam no Lula, e quatro gostam mais do candidato com nome difícil.
A divisão estende-se ao próprio território, pois sabemos que o Nordeste votou maioritáriamente no tucano, enquanto que Lula obteve a maioria dos votos na região onde nasceu.
No seu discurso, o vencedor dividiu a população entre mais carenciados e menos carenciados, prometendo mais atenção aos primeiros.
Finalmente e para que tudo acabe em beleza, as previsões indicam que os brasileiros vão continuar a emigrar para a Europa e Estados Unidos em busca de melhores condições de vida!

No Iraque, a violência prossegue, abrindo caminho para a democracia! Uma bomba rebentou ontem em Sadr City vitimando cerca de sessenta pessoas e ferindo mais de uma centena. A origem do atentado não se conhece mas os iraquianos não têm dúvidas – a culpa é dos invasores americanos.

Em França, os ‘jovens’, insatisfeitos com ‘não se sabe bem o quê’, continuam a incendiar viaturas e a assassinar pessoas inocentes. O primeiro-ministro francês, que gosta de comemorar a tomada da Bastilha, ameaça agora prender todos os que prosseguirem com estes actos criminosos.

A Europa sitiada de Durão Barroso, quer uniformizar o mercado da energia, única maneira, disse, de fazer frente aos sitiantes.

Em Portugal, o Belenenses ganhou na Vila das Aves aproximando-se assim dos clubes da segunda circular, que por sua vez não foram felizes nas respectivas deslocações. Assinale-se que no jogo das Antas, o brasileiro Andersson fracturou o perónio, vítima de uma entrada muito dura do benfiquista Katsouranis, lance que não foi sancionado pelo árbitro e que a comunicação social se encarregou de escamotear!

quinta-feira, outubro 26, 2006

Sócrates, esse desconhecido!

Não existem razões para duvidarmos de Sócrates.
Sócrates é um cidadão honrado, não faz mais porque não pode, não devemos ser injustos para com este homem.
Confesso que desconfiei da sua eleição, imaginei um enorme biombo articulado, capaz de esconder vários processos judiciais incómodos para o regime. A composição do governo não me sossegou, vi os amigos do injustiçado Ferro, vi os rostos das escutas!
Mas Sócrates é por certo um homem honrado e animou-me com a promessa dos alka seltzers fora das farmácias, frustrando assim esta azia duradoura!
Tem sido infeliz na propaganda, e porque a realidade é feroz, as más notícias chegam todos os dias a casa dos portugueses: nas reformas sobe a idade e não o valor; as taxas moderadoras renascem; a electricidade é práticamente um imposto; as ‘scuts’, afinal, pagam portagem; o programa eleitoral não é bem assim; etc. etc.
Mas Sócrates é por certo um homem honrado.
É ele o engenheiro-chefe ou arquitecto deste promissor país de emigrantes e imigrantes!
Portugal está na moda – não há africano, ucraniano ou sul-americano que não nos procure, e com eles, vem o necessário investimento em segurança, saúde, habitação, mais subsídios, mais etc. e etc.
É o que podemos chamar uma imigração de incentivos – que nos obriga a gastar, sem destino ou fim à vista! E como os portugueses não conseguem viver com os salários que pagam a estes imigrantes de luxo, lá teremos que continuar a emigrar para países mais desenvolvidos que o nosso!
É uma verdadeira transfusão populacional, último grito em modernidade e bem-estar, o milagre do pleno emprego, os imigrantes para cá e os portugueses para lá!
Mas Sócrates é um homem honrado e nesse sentido já fez aprovar legislação que nos coloca entre os países mais evoluídos do mundo – refiro-me às salas de chuto, onde o estado português se propõe ajudar os dependentes a permanecerem dependentes!
E para quem o acusa de proteger a imagem, ei-lo que dá sinais de vida para anunciar o empenhamento pessoal na próxima campanha pelo ‘sim’ ao aborto!
Fica claro que ninguém pode, em consciência, duvidar dos propósitos de Sócrates!
Por isso, portugueses, a pergunta é simples – o que fazemos com este homem que apenas se engana e nos engana?
Vamos continuar a sustentar as suas manhas, a astúcia com que se esconde da verdade, a propaganda com que assola os justos?
A decisão é vossa.

terça-feira, outubro 24, 2006

A factura

A factura de electricidade que aterrorizou o país veio à televisão falar com Fátima. Usa barba, é uma sumidade, e afinal é amigo do consumidor!
Explicou que só representa 25% do total da factura e que o grosso da coluna diz respeito à produção (65%), valor inelutável porque assente em contrato com o Estado.
Também ficámos a saber que os restantes 10% nada têm a ver com os custos da electricidade! São verbas para benefício de várias entidades, como câmaras municipais, energias renováveis, algumas rubricas difíceis de descodificar, até a taxa de televisão lá foi parar!
Para que tudo ficasse mais claro, o Deco de serviço ainda confirmou que estes ‘subsídios’, que saem directamente do bolso do consumidor doméstico, têm vindo a agravar-se nos últimos tempos!
Estou esclarecido, mas Fátima não. A cada intervenção só se lembrava da calote antárctica a derreter e da imperiosa necessidade de pouparmos electricidade! Mas para quê, se mais de 75% da factura é independente do consumo final!
Ou seja, por mais que eu poupe, a factura aumenta sempre!
Foi neste estado de espírito que resolvi poupar-me poupando energia. Desliguei a televisão.

domingo, outubro 22, 2006

O véu socialista

Nada tenho contra o véu islâmico, respeito, gosto de ver, ou seja, de não ver, o mistério que ele encerra sempre me fascinou! Também não quero integrar ninguém pelos meus hábitos, esperando apenas a reciprocidade de não me obrigarem a usar turbante. Aliás, integrar, para mim, significa aceitar o outro, não própriamente obrigar o outro.
Feito o intróito analisemos a mistificação socialista, serapilheira a fingir de véu, serradura para os meus olhos, que recomeçou com esta lei agora aprovada sobre a “interrupção voluntária da gravidez” até às dez semanas. Reparem que escrevi ‘ivg’ e não aborto, porque a sociedade infantil e mal-educada que estamos a construir, é muito sensível!
Eu é que continuo pouco disponível para enfiar barretes! Vou enfiando alguns mas nada de exageros.
Passando ao largo de outras questões, sem dúvida importantes, vejamos o que se esconde sob ‘o manto diáfano da fantasia’:
Não foi por acaso que o ministro Correia de Campos veio a público dizer que o Serviço Nacional de Saúde estava preparado para responder às consequências da lei! Isto deve significar que já não existem doentes em listas de espera para intervenções cirúrgicas, e sendo assim as tais ‘gravidezes indesejadas’ podem então ocupar os hospitais públicos ou subsidiados para corresponderem aos pedidos de ‘ivg’! A gravidez ainda não é uma doença, para lá caminhamos, mas enquanto não for, santa paciência, não quero acreditar que um verdadeiro doente possa continuar em fila de espera enquanto se fazem abortos pagos por todos os contribuintes!
Mas, o véu de serapilheira esconde ainda outra manobra real:
Não é também por acaso que já se fala em alterar o código deontológico dos médicos, por certo para eliminar um último obstáculo à consumação do aborto legal – refiro-me naturalmente à ‘objecção de consciência’ que hoje protege os médicos de praticarem homicídios contra a sua vontade. Está por certo na forja um novo conceito de “acto médico” que assim inviabilize qualquer recusa em realizar intervenções cirúrgicas, que por serem legais, passam a condicionar o citado código deontológico.
Palpita-me que o próximo referendo é só mais um passo. Uma coisa é certa, estes camaradas laicos, republicanos e socialistas que gostamos de eleger vão continuar a violentar a nossa consciência.

sexta-feira, outubro 20, 2006

Doce canto furibundo

Doce canto furibundo, desta noite sem luar, és capaz de ser poeta, leva o canto até ao mar...
Do mar venho eu, quem pode ser arrais de tal embarcação!
Ponho o pé em terra e logo sou assaltado – sinto a mão pesada no meu bolso leve, grito, não é ninguém, se protesto ainda oiço – é para teu bem!
Triste sina, negro fado, deste canto furibundo, és capaz de ser poeta, leva o canto até ao fundo...
No fundo estou eu, quem me acode!
Puseram ontem um cavalo na cidade, um cavalo de pau, nada de novo.
De lá saíram como antigamente um grego e um cartaginês. Aníbal estava hirto e tisnado pelo sol. O grego era Sócrates mas não era filósofo.
Cavaqueavam.
O que combinaram não sei, ficou no segredo dos deuses. O grego parecia determinado e tomou rapidamente conta da situação. O truque, o mesmo de sempre: trazia um ramo de oliveira numa das mãos e uma boina na outra. Prometeu um chouriço a quem lhe desse um porco e a população, conformada, aceitou!
Aníbal ainda ajudou, deu uma volta com a boina e satisfeito acenou.
Doce canto furibundo, minha rosa sem jardim, és capaz de ser poeta, leva a cruz até ao fim...
Mas que mal fiz eu ao mundo para merecer sorte assim!

quinta-feira, outubro 19, 2006

“O Aborto”

“Aproximando-se uma nova consulta popular sobre a liberalização do aborto, importa a este jornal tomar uma posição sobre a matéria. Que só pode ser uma – opor-se a toda a forma de violação do Quinto Mandamento: não matarás.
Mas impõe-se também que como seu Director eu aqui especifique e fundamente a orientação que nesta matéria, imprimo no jornal.

O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa disse, há dias, que este referendum “não é um problema religioso”.
E não é. Os problemas religiosos dirimem-se entre a consciência do crente e o seu Deus. Não em diplomas legais ou consultas populares.
Assim, a legalização do aborto é um problema de cidadania a resolver num Estado Laico. Mas sendo esse estado laico formado por milhões de cidadãos cristãos, natural é que estes projectem nas suas opções de voto uma idiossincrasia que tem como intocável o valor da vida humana. São opções pessoais que não se podem confundir com intromissões do plano religioso com o plano pessoal.

Filho e produto da chamada cultura ocidental de raiz greco-latina (caldeada, é certo por uma transmissão judaico-cristã), assumo orgulhosamente todas as conquistas da civilização resultante dessa cultura, nomeadamente o direito à vida, a defesa dos mais fracos e dos sem voz e uma concepção de Estado defensor destes valores e seu porta-voz.
Por isso sou contra a morte de seres humanos. Estejam eles onde estiverem: dentro ou fora do ventre materno ou (por maioria de razão) comprovadamente inocentes, como são todos os nascituros. Por razões culturais e não confessionais.

Quero eu dizer com isto e para que tudo fique claro:
Se, por absurdo, a Igreja permitisse o aborto, eu continuaria, em nome da cultura e da civilização ocidental, a considerá-lo um homicídio de inocentes indefesos. E a pugnar para que o Estado de que sou cidadão (e não hóspede) assegure a sua defesa e impeça os atentados. Não é a punição dos culpados que me move. É a defesa dos inocentes e dos indefesos.

Por isso vou abrir as páginas deste jornal às pessoas que – com estas ou outras razões – entendem que o aborto é homicídio. Mas vamos parar de dizer que esta questão é religiosa”.

Com a devida vénia – Jornal “A Ordem” de 19/10/06
M. Moura Pacheco – Director

quarta-feira, outubro 18, 2006

Lições de unidade

“A formação do Estado Imperial Brasileiro remete à colonização portuguesa que diferentemente da colonização do seu vizinho ibérico, une numa só nação todas as capitanias gerais. Em 1825, o Brasil, não mais uma colónia, conta com 18 províncias, as quais, após o desfecho da Confederação do Equador, compõem um único país. Em oposição, a colónia espanhola possui à época quatro vice-reinados e quatro capitanias gerais, que se transformam, ainda no século XIX, em 17 países independentes entre si”.

Um excerto lido ao acaso sobre a formação da grande nação brasileira, que me fez lembrar um dia da independência:
Celebrávamos o 1º de Dezembro num jantar de ‘conjurados’ e já no fim, na hora dos discursos, o deputado brasileiro Cunha Bueno, que tinha sido convidado para o evento, quis falar e virando-se para o Duque de Bragança ali presente, agradeceu ao Rei D. João VI, seu trisavô, a unidade e grandeza do Brasil! Uma lição de história que não esqueço.
Nesta hora em que mais uma vez se joga o destino daquele grande país, só me ocorre repetir o que peço para Portugal:
Deus guarde o Brasil.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Lusofonia da crise

Decorrem em Macau os Jogos da Lusofonia.
Passaram trinta anos sobre a revolução de Abril e subsequente descolonização!
Que sentimentos estamos a viver? São bons ou são maus?
Lusofonia é bom mas é curto.
O que se vive em Macau é mais do que lusofonia, ali a maioria dos habitantes não fala português, mas talvez subsista o laço da convivência secular. Essa convivência é que permitiu a realização dos jogos.
Os jogos não fabricam lusofonia, a convivência sim.
A convivência tem por base um destino comum, uma qualquer convergência de interesses, interesses diversos assentes numa garantia de perenidade.
Sabemos quem garantiu essa convergência no passado, foi a Instituição Real.
Quem pode hoje dar essa garantia?
Saudações monárquicas.

quarta-feira, outubro 11, 2006

Dúvida fatal

Estou de facto indeciso sobre o tema!
Temos os discursos da corrupção na tomada de posse do Procurador. Temos o ataque à Madeira. Temos uma série de coisas sem importância!
Também podia estar quieto, não escrever nada, poupava-se tempo e paciência, mas fui apanhado em falso.
Ouvi aquilo outra vez, a pergunta fatal: então meninos quem foi o maior português de todos os tempos?! Traduzi para o melhor, porque à primeira vista, não me pareceu uma questão de centímetros.
Era o som familiar da sociedade recreativa dos comemorativos, era a primordial impotência que se apresta para mais um concurso da televisão! São os nossos óscares e não fazemos a coisa por menos – vale tudo, desde o Afonso Henriques até ao Sócrates português. Também valem os naturalizados, como por exemplo o Obikvelu. Se não estiver bem escrito não faz mal.
O tema tem de ser este.
O que me faz espécie, é a ideia em si, de onde terá partido, o que pretende obter! Será uma ingenuidade, uma parvoíce, ou querem embalsamar algum contemporâneo! Ou será simplesmente mais uma manifestação de nacionalismo bacoco!
Preciso de investigar e começo por uma hipótese: os autores de tão estupenda ideia devem ter em mente um arquétipo de qual seria o português ideal, e esse perfil não se pode afastar muito dos seus heróis do quotidiano.
Podemos imaginar: - o género não interessa, masculino ou feminino desde que não seja convicto; há-de votar pelo aborto; será laico e republicano; mora no bloco central; é democrata desde pequenino; europeu até à medula; divorciado ou mãe solteira; benfica ou sporting; etc. e etc.
Se não me enganei, podemos eliminar oito séculos de história, para fixarmos a nossa atenção nos vultos da república!
Mário Soares ou Maria Elisa?
Amália Rodrigues era católica e do Belenenses, não serve.
Afonso Costa é grande candidato e responde práticamente a todos itens! Só não sei se era divorciado!
Mas pode acontecer uma surpresa contra curricular, e então talvez ganhe Salazar.
Convenhamos que face à concorrência não é difícil.
Saudações monárquicas.

sexta-feira, outubro 06, 2006

A república de Cavaco

Bem, antes de começarmos, diz-me lá uma coisa, votaste no homem? Sim, tu que te dizes monárquico ou pelo menos, dás a entender que não és completamente jacobino, responde, votaste no homem?
O melhor é não dizeres nada, já chega de desgraças! Olha, a única consolação que tiro deste cinco de Outubro, sabes qual é?! Ainda não envelheci o suficiente para não me irritar, para não me apetecer atirar com o apara-lápis contra a televisão, afinal sou novo, estou vivo, agradeço a esta república de imbecis (e mentirosos), este súbito e periódico rejuvenescimento!
E a ignorância! Meu Deus, incomensurável, maior que a palavra! E o Cavaco sentadinho cá fora, no Largo da Câmara, mais republicano que os republicanos, no trono, à espera de adesão popular que felizmente não aconteceu. Valha-nos isso, a população está intoxicada mas já não ressaca.
Pode alguém fazer-me o encarecido favor de levar uns recados para o professor de Boliqueime? É por bem.
Então é assim, na expressão feliz da nossa ignorância:
A um maçon assumido como Soares, ou encapotado como tantos outros, admitimos que goste de celebrar a republica como forma de justificar erros passados, afinal, tem as suas referências na carbonária, no regicídio, nas perseguições à Igreja Católica, o ídolo é Afonso Costa, a média são três governos por ano, equivalentes a outros tantos golpes ou revoluções, etc.etc!
Mas com franqueza, quanto mais não seja por respeito à sua base eleitoral de apoio, convinha que o professor Cavaco fosse mais discreto e sobretudo mais inteligente. O senhor quer ser o presidente de todos os portugueses e ontem passou o dia a criar divisões, a insultar a memória de muitos de cuja herança se vangloria! É um contra senso, e o senhor ainda não percebeu.
Não percebeu que quando comemora a vitória da república sobre a monarquia, para além do acto absurdo de estar a celebrar uma guerra civil, não percebeu que está a transmitir a mensagem que o regime monárquico foi mau para os portugueses! Não acha que isso corresponde a uma tremenda estupidez, o que era o menos, se não tivesse consequências deseducativas sobre a população, muito em especial sobre os mais jovens, hoje, cada vez mais arredados da política!
Então Portugal não se fez em monarquia? O senhor que é professor, não pode dar de si próprio uma imagem tão infeliz! Os portugueses esperam de si esclarecimento, nunca confusão, ainda menos propaganda enganosa.
O que poderia então ter feito?
O regime republicano tem defensores e argumentos, o senhor pode naturalmente ser republicano e uma vez empossado na chefia de Estado também pode, com toda a frontalidade, exprimir a convicção de que neste momento, a república, é o regime que melhor serve os interesses de Portugal. O que não pode é participar em festins comemorativos de uma das repúblicas, a primeira; ignorar a segunda por conveniência de serviço; e tudo isto, com o ar triunfal de quem tem as quotas em dia, da terceira. Isso não pode, nem deve.
Porquê?
Porque se esqueceu da minha representação e porque Portugal não começou em 1910. Mas pode acabar, se continuar assim.
Saudações monárquicas.

Notícias do Condado

Aqui, na região autónoma portucalense, está tudo bem.
O projecto, iniciado no dia 5 de Outubro de 1910, tem vindo a cumprir todas as etapas previstas e quando faltam apenas quatro anos para o centenário, podemos afirmar com segurança, e porque não, com alguma satisfação, que o objectivo final será alcançado em pleno!
Não vos vou maçar com detalhes mas recordar apenas as linhas mestras que nortearam tão brilhante tarefa:
Eliminado o Rei, como calculam o grande obstáculo ao desenvolvimento do projecto, foi então relativamente fácil descaracterizar a população, retirando-lhe referências, até entrar num processo irreversível de perda de identidade.
Houve resistências compreensíveis que tiveram o apoio de forças retrógradas como a Igreja Católica, houve também a necessidade de refrear algumas reformas durante a ditadura, mas nunca tivemos dúvidas sobre a certeza do caminho traçado.
Hoje, e é para isso que quero chamar a vossa atenção, resolvida a questão colonial, e sujeitos aos beneficios de Bruxelas, conseguimos finalmente o efeito redutor que sempre desejámos, ou seja, estamos reduzidos à nossa expressão mais simples! É com isso que nos devemos regozijar, juntando a nossa voz à voz daqueles portugueses, e já são muitos, que querem ser espanhóis!
E pasmem, ironia das ironias, não se importam de ser monárquicos desde que o próximo Rei se chame Filipe!
Viva a república.

quarta-feira, outubro 04, 2006

A Mónica arrependida

Aquilo era um ritual para além do ordinário da Missa! No adro da Igreja de São Mamede esperávamos a saída das ‘Mónicas’, e lá vinham aquelas miúdas giríssimas, sempre acompanhadas pelos pais, ele, um senhor distinto, a mãe, uma senhora linda! Era um momento para ver passar a beleza.
Passaram mil anos e estou a ver uma delas na televisão. Está a confessar-se! Ou estará a justificar-se?
Penso que entrou decididamente nessa fase da vida em que a lucidez vai tomando conta dos nossos erros, vai desarrumando umas coisas que pareciam arrumadas e vice-versa. É natural.
Mas ainda hesita, não consegue assumir as suas origens, ainda tem vergonha de alguma coisa e por isso expulsa demónios com endereço errado!
Sem saber, este produto do Salazarismo, critica Salazar onde o ditador acerta! Sabemos hoje que quis contrariar o sistema mas que teve medo de perder o poder nessa guerra. Filomena Mónica não percebeu. Aliás, na crítica generalizada que faz a Portugal e aos portugueses denuncia as más companhias! Assemelha-se aos intelectuais queirosianos que diziam mal de tudo e de todos! Que também tinham vergonha das suas origens. E como praticavam a inacção, ai de quem se atrevesse a fazer alguma coisa.
Esta filha de Rousseau, escreveu ‘Os filhos de Rousseau’, uma crítica à educação de Abril, como já tinha criticado a educação do Estado Novo! Não percebeu que somos todos jacobinos, e por causa disso, a direita e a esquerda não se distinguem. Também por isso somos todos republicanos. A Filomena Mónica também é.
Fica provado que a beleza não chega para superar complexos.
Mas haja esperança, é uma pessoa inteligente, e vai por certo vencer os desafios que ainda a atormentam, o maior dos quais nunca conseguiu disfarçar naquela espécie de monólogo – a reconciliação com a Igreja Católica, de que faz parte, como eu próprio testemunhei na minha juventude.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Meu Brasil, brasileiro...

“Uma vez mais o povo brasileiro é chamado a tomar decisões que irão afectar de forma crucial a vida do país...”, releio num ‘guia’ do plebiscito que em 21 de Abril de 1993 decidiu pela permanência da república contra as expectativas da monarquia.
Escolheu, está escolhido, não há lugar para lamentações, apenas uma crítica ás perguntas então feitas, que confundiram, mais que esclareceram os eleitores!
Lembrei-me deste acontecimento porque sou monárquico, porque estou convencido que os brasileiros perderam aí uma oportunidade de ouro para acertarem contas com a história, para se tornarem de novo um país de topo no concerto das nações, como aconteceu no tempo de D. Pedro de Alcântara, o seu último imperador.
Hoje há eleições no Brasil, eleições que provávelmente não irão decidir absolutamente nada: ganhe um ou outro dos candidatos, o Brasil vai continuar a ser um país com ouro, petróleo e outras matérias-primas essenciais; com espaço imenso e um enorme potencial de desenvolvimento, mas os brasileiros vão continuar a ter que emigrar; as gritantes desigualdades sociais vão acentuar-se também; a insegurança e a violência, não vão diminuir!
Estas são certezas que se abrigam no íntimo de cada eleitor!
Por isso daqui de Portugal te lanço o desafio:
Acorda Brasil, puxa pela memória, afasta a propaganda enganosa, regressa à tua tradição monárquica. Precisas de um símbolo de unidade, um árbitro acima das facções, que bem poderia ser o Rei de Portugal se ele existisse, (se Portugal existisse!), mas não existindo, escolhe um Príncipe do Grão-Pará na Casa de Vassouras ou na de Petrópolis, e prepara então esse jovem para as futuras tarefas da Chefia de Estado.
Se o fizeres Brasil, verás que o futuro será brasileiro.

quinta-feira, setembro 28, 2006

28 de Setembro contra o inevitável!

A história é escrita pelos vencedores que uma vez chegados ao poder justificam o lance com a inevitabilidade dos acontecimentos! A ideia é perigosa e pretende fazer crer que o dia de amanhã será sempre melhor que o de ontem! Assim, e no limite, só para citar dois exemplos, a bomba de Hiroshima tornou-se inevitável e a invasão do Iraque também! E o mundo ficou melhor, conclui o mesmo raciocínio!
Contra esta lógica, contra os chamados ‘ventos da história’, se rebelaram num dia 28 de Setembro de 1974 muitos portugueses, a maior parte eram jovens, que não queriam abdicar do sonho de um Portugal ultramarino. Por serem jovens não pensavam em si, sentiam-se responsáveis pelas populações africanas, temiam uma catástrofe. Só isso.
Foram a jogo e perderam.
Ganharam os que hoje se sentam no Parlamento, os que ocupam as magistraturas, os que ao longo de trinta anos se instalaram em Belém.
O mar foi trocado por Bruxelas; as inevitáveis guerras civis aconteceram em todos os territórios que administrámos durante séculos; e até naqueles, como Timor, onde não existia a sombra de qualquer conflito, conseguiram os vencedores de Setembro de 74, ali semear a guerra e a discórdia!
África é hoje um continente assolado pela fome e pela destruição...sem fim à vista! As populações que foram enganadas, ou pura e simplesmente obrigadas a aceitar as ‘actuais independências’, abandonam o continente em massa, arriscando a morte na viagem!
Era também contra isto que aqueles jovens se manifestavam, agrupando-se para o efeito em pequenos partidos de que hoje poucos se lembram, que o tempo injustamente esqueceu.
Nada tenho contra o desenvolvimento, contra a verdadeira independência, mas pergunto, se era este o inevitável desfecho daquele dia em que lutámos contra o ‘inevitável’!

terça-feira, setembro 26, 2006

Portugal – Espanha

Começaram os jogos ibéricos!
O primeiro a entrar em campo foi Sócrates protagonizando em Madrid um confronto de estilos entre a moda italiana do corte e costura e a mesma linha, mas sem costura, de Zapatero. Um empate.
Preparado o terreno foi então a vez de Cavaco.
Uma deslocação difícil à vizinha Espanha, sem corda ao pescoço porque desnecessária, mas em comitiva comercial com o objectivo de surpreender a Dinastia dos Bourbon, com um GPS português!
E de que serve ao Rei um GPS, perguntam Vocês! Não faço a mínima ideia, mas sempre deu para mostrar que pode contar com a região autónoma portucalense na área das tecnologias de ponta.
Os jogos prosseguiram ontem à noite com a visita do antigo primeiro-ministro das Espanhas, José Maria Aznar, que revelou estar em magnífica forma! Devolveu com grande á vontade todas as bolas que a nossa Fátima lhe atirou. Relatemos alguns dos lances mais emocionantes:
- Depois de repetir o que todos sabemos, que governou a Espanha como se mais ninguém existisse na Ibéria, porque de facto não existia, Aznar deixou no ar a ideia de que essa política era para continuar, e independente do sono profundo em que jaz o vizinho do lado. O Atlântico (e arredores) é ou vai ser espanhol!
- Respondeu Portugal por intermédio de Ernãni Lopes explicando isso mesmo: se não valorizarmos de imediato as vantagens específicas que a História nos legou, estaremos condenados a servir de passadeira aos interesses estratégicos de nuestros hermanos, em terras de África e de Vera Cruz. E viva o velho!
A plateia agitou-se. Estavam lá quase todos os responsáveis pela divergência que todos os dias se acentua, estavam bem dispostos e nutridos, vê-se que a vida lhes tem corrido bem.
O resto do encontro foi irrelevante desde que se percebeu que a diferença entre o avanço espanhol e o atraso português, era uma questão de regime, mas que não se podia dizer isso!
Já no prolongamento, houve um último momento de excitação na plateia: Fátima divulgou o resultado de um inquérito que afirmava que 27% dos inquiridos admitiam que era melhor sermos todos espanhóis.
Os jogos prosseguem em Almeirim em data a definir.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Na estrada real

“Mas o Rei está apenas oculto, na ilha de encantos que é cada um de nós, e espera que a ele nos submetamos para que surja e salve; basta que acorde na alma de um de nós, para que também desperte nas almas que se perdem de tristeza e de dó pelas aldeias da Península, pela savanas de África, pelos palmares da Índia, pelas favelas de Paris ou pelas avenidas da Alemanha. Basta que num se erga; o Povo é ele e dele. Forças nenhumas se lhe poderão opor se ele próprio não provocar a batalha e se toda a sua coragem se concentrar, não em agredir, mas em se afirmar e em ser pacientemente, mas sem concessões, persistentemente, mas sem dureza, todo na tarefa, mas sem interesse seu, o guia que se espera, heróico e lúcido, ousado e calmo, aventureiro e lento. Todos em el-rei, el-rei em todos; e sem Rei nenhum, que o não precisamos para nada, pois o Rei o somos”.

Agostinho da Silva, in ‘Ensaios sobre Cultura e Literatura Portuguesa e Brasileira I’.
(Lido no - “Viva a República! Viva o Rei!”, de Tereza Sabugosa)

terça-feira, setembro 19, 2006

Postal de Setembro

Falavas da primavera sem saber, no tom dos teus olhos azulados, nas certezas impossíveis, na juventude da tua boca expressiva, nos dentes brancos do teu sorriso, mas querias dizer outra coisa que só eu ouvi no silêncio das palavras inocentes!
É assim...disseste, e não era assim concerteza.

Que sabes tu da primavera, da marcha inexorável do tempo, do fim do amor!
O que sabes desta estação descendente, que desce sem apelo nem agravo!

Mas o que interessa isso agora!

Coração ao alto, vou nascer amanhã, quem viver verá, no provérbio certeiro, na frase batida, a escrita fingida... de um sentir verdadeiro.

domingo, setembro 17, 2006

O fim de um princípio

O Sumo Pontífice deve representar a concórdia e a paz universal, é esse um princípio do Cristianismo, que os homens tentam prosseguir no sobressalto dos séculos.
Uma Paz Justa.
Por isso Bento XVI veio explicar o sentido das suas palavras quando evocou um episódio antigo, ocorrido em Bizâncio, onde o Imperador Manuel II, da dinastia dos Paleólogos, criticava a ‘conversão pela espada’.
Nada mais do que isto e logo se levantaram clamores do lado do Islão exigindo desculpas e retratações! Ridículas e encomendadas, por certo.
Já hoje, e a seguir à intervenção de Sua Santidade, desfeito o equívoco, a Irmandade Muçulmana do Egipto apressou-se a encerrar o assunto aceitando as explicações do Papa.
No entanto, penso que podemos tirar duas ilacções deste acontecimento:
Em primeiro lugar, uma clara advertência da Igreja Católica ao mundo muçulmano, repetindo que não aceita a violência como método, nem a conversão por esse método.
Em segundo lugar, e sossegando esse mesmo mundo muçulmano, repete também a necessidade de combater o ateísmo ocidental, com todas as suas consequências.
Afinal, a verdadeira Cruzada apostólica que Bento XVI definiu como prioridade do seu Pontificado.
Ámen.

quinta-feira, setembro 14, 2006

Governo ou semi-reboque?

Administrar é prever, dizia o professor numa aula qualquer da minha juventude. E prosseguia, um bom governo deve antecipar-se à crise, mas se ela inadvertidamente chegar, tem que ser firme e resoluto.
São recordações pessoais, nada disto tem a ver com o Governo que temos.
O primeiro-ministro ganhou esporas por ser teimoso (alguns viram ali firmeza), quando foi ministro do ambiente, mas onde verdadeiramente se notabilizou, usando com mestria o poder da televisão, foi como comentador benfiquista. Aliás, as relações entre o futebol e a política, melhor, entre tudo aquilo que gira à volta do futebol e tudo aquilo que gira á volta da política, não podem escapar ao conhecimento do engenheiro Sócrates na medida em que esteve no centro da candidatura de Portugal ao Euro 2004.
É para além disso, um confesso adepto do Benfica e a sua pública declaração de interesses, pouco mais regista que uma série de acções do mesmo clube!
Isto não envolve qualquer suspeita mas a constatação de um facto: o nosso primeiro-ministro não pode alegar ignorância do fenómeno nem dos seus perceptíveis contornos ou desvios e por isso estranha-se que só agora, com a casa arrombada, apareça a tomar medidas num frenesim tão evidente quanto disparatado!
Descobriu o Governo alguma coisa de novo? Não eram do seu conhecimento e do seu interesse, os fortes indícios de corrupção que todos admitem existir à volta de uma actividade que movimenta milhões, que serve de biombo para traficar tudo e mais alguma coisa!
Foi então apanhado de surpresa!?
E agora, perante reveladoras escutas telefónicas, face à evidência dos factos, o que tenciona fazer?
Fazer mais leis? Acabar com as escutas, afinal para muitos, o verdadeiro busílis do problema?! Proibir os magistrados de fazerem parte de associações de mau porte?
Ou será que estamos na presença, mais uma vez, da ponta do iceberg, onde a corrupção desportiva aparece como a má da fita, quando a outra, a que está por baixo e bem escondida, é muito maior!
Não adianta fazer pactos, mudar leis ou proibir pessoas, é preciso corrigir o sistema que perpetua situações para além do que é admissível. É preciso indagar como se escolhem as pessoas para os cargos e não andar à procura de virtudes e defeitos nas mesmas pessoas.
Chega de propaganda.
Não existe gente séria, quando o regime não é sério. E se existir, afasta-se, não participa em jogos sujos.
Estou a falar da política, não estou a falar de futebol.

quarta-feira, setembro 13, 2006

Levanta-te e chora

Um país, se quiserem, um regime, quando chega à fase das anedotas por atacado, diz-me a lembrança, que está vazio por dentro e por fora, esgotou-se. Mas não é bem disso que quero falar, o que me anda a incomodar ‘long time ago’, são aqueles bonequinhos da ‘contra – informação’, um sucesso piadético da nossa praça, mas que a mim não me enganam.
Pronto, ‘eu sei que sou chato, que este meu samba é mesmo muito chato’, riam à vontade com os bonecos, desliguem o blog, divirtam-se!
Que eu não deixo de protestar.
Isto aqui chama-se ‘interregno’, para quem não perceba, é um espaço de oposição a este regime decadente e estúpido, que nos empobrece, que nos esvazia a memória, em suma, que nos infantiliza. Há quem não dê importância a isso, eu dou.
Voltando aos bonecos afirmo: estão ao serviço da situação, branqueiam, limpam aqui, sujam além, utilizam o nacional-porreirismo para inocentar este e aquele, nunca criticam o governo, nunca criticam verdadeiramente o compadrio reinante.
Exemplo:
Que dizer do prosseguimento da bonecada com os falsificadores de resultados, Valentim e companhia, senão um claro intuito de banalizar a batota e os batoteiros! Que mensagem transmitem para fora?
Normalidade de condutas! Pouca gravidade dos factos! Sim, porque estamos a falar de factos comprovados em escutas telefónicas autorizadas.
O que pretende o canal público de televisão com esta farsa?
Aceito que deve provocar gargalhadas alvares a muita gente, mas não podemos deixar de considerar como uma tentativa para esvaziar o conceito de delito que está indiscutivelmente presente nos factos que têm vindo a público!
O exemplo está dado e termino: o humor verdadeiramente crítico não funciona assim, tem outras asas e outras premissas.
Isto é o nacional-porreirismo no seu melhor...e sem qualquer graça.