sábado, março 31, 2007

O que é que eu faço?

Sim, o que é que eu faço nos intervalos do fundo de desemprego e da televisão! Agora e até ao fim da vida?!
Fecharam-me a fábrica de sapatos, tenho quarenta e cinco anos de idade, trinta de profissão, não consegui ser engenheiro, não me avisaram a tempo que o que quer que faça, a China faz mais barato! Excepto, claro, as coisas que sempre fizemos bem, conservas, cortiças, vinho do porto, azeite... E o sol que também já existia! Por causa disto não era preciso fazerem uma revolução!!! As colónias?! Estão cá em peso! Ainda não vieram todos porque não cabem. Não me digam que me fizeram esta desfeita, só para mudar as moscas!
Os políticos em quem votei, e são práticamente os mesmos, ou o discurso é o mesmo, não me falaram de um futuro sem futuro! Antes prometeram-me uma vida melhor para mim e para os meus, mas o que vejo e sinto não me anima, não anima ninguém. Minto, existe sempre um grupo de pessoas que estão satisfeitas com a situação. São as que vivem próximo do poder e do orçamento de Estado. Nos piores regimes, naqueles em que a desigualdade é maior, também se passa o mesmo, todos eles têm a sua nomenclatura, que vive cada vez melhor na exacta medida em que a maioria da população vive cada vez pior! E ainda assim esses regimes mantêm-se por muito tempo!
Não estou a comparar óbviamente, porque entretanto calcetaram a minha rua, fizeram um esgoto, puseram-me um moínho de vento na encosta, que não dá pão mas energia, mais cara, dizem. Eu é que já não tenho energia para aguentar com a propaganda. Envelheci a ouvir velhos slogans sobre a liberdade...Mas que liberdade é que eu tenho, se estou resumido ao futebol e ao centro comercial... para passear! A ver e ouvir as mesmas caras que todos os dias me garantem que estou cada vez mais feliz! Já experimentei esta mesma sensação de imutabilidade noutro tempo, mas nesse tempo não se fechavam fábricas de sapatos.
Afinal, o que é que eu faço?

sexta-feira, março 30, 2007

Reaccionários

É uma designação suave para quem ficou em estado de choque por causa de 19.000 telefonemas!!!
Dizem-se democratas, bolsam liberdade pelas esquinas, não obstante, querem investigar e punir os responsáveis, que na televisão pública, não souberam ou não conseguiram evitar a vitória de Salazar no tal concurso!
E o assunto já tem a gravidade de uma ameaça de raspanete no Parlamento! Com efeito o ‘partido das dez semanas’, designação que continuo a adoptar por facilidade de expressão e economia de siglas, pôs-se de imediato em campo, e ditou para a acta o seguinte:

1. Salazar não pode ganhar concursos.
2. Existem, e devem ser investigados 19.000 fascistas que usam o telefone. 3. Salazar terá de ser desclassificado, passando a maior português de sempre Álvaro Cunhal, diligente servidor dos interesses soviéticos em Portugal, e grande responsável pela descolonização de Angola ao serviço dos mesmos interesses.
4. Como experiência educativa, a televisão pública deverá nos próximos tempos e até novas instruções, massacrar os portugueses com filmes, reportagens, mesas redondas e todo o tipo de intervenções que revelem o Estado Novo como deve ser revelado.

Os outros pontos não sei, mas o último ponto posso garantir-vos que já está em vigor.

quinta-feira, março 29, 2007

A vez dos juízes

Aconteceu em Itália, aconteceu noutros países, aconteceu em Espanha, e chegou a Portugal com o atraso previsto. Baltazar Garzon veio ensinar como é que a coisa se processa, numa altura em que já temos a nossa figura incorruptível. A madame Morgado!
E que disse de novo Baltazar Garzón? Nada e tudo, ou seja, tudo o que disse resume-se a um paradoxo, a saber: ele disse que a prevenção da corrupção deve ser feita na infância, ainda nas escolas, se possível! E pergunto, mas quem é que ensina nas escolas?!
Pensava eu que a educação se recebia em casa, na família, quando me lembrei que a programada destruição da família tradicional, portanto da má família, estava em franco progresso, cabendo assim ao Estado zelar pela educação dos sobreviventes das dez semanas! Enquanto os progenitores se divertem ou estão a trabalhar. Se calhar, não estão a seguir o meu raciocínio! Tenho que ser mais explícito: estão a ‘ver’ a educação na União Soviética, no antigo Cambodja, no tempo do remoçado Marquez?! É mais ou menos isso.
Desviei-me, mas o paradoxo Garzón mantém-se: e quem, no Estado, pessoa e local que desconheço, educará os meninos contra a corrupção???
Não vale a pena darem cabo da cabeça a pensar, até porque a nossa Maria José é muito mais divertida, é aquilo a que chamamos uma mulher de armas, não liga a pormenores. Muito mais activa que Garzón propôs logo ‘unidades anti-mafia’, com metralhadoras e tudo. E ela a comandar!
Portugal está a tornar-se um sítio perigoso!

terça-feira, março 27, 2007

Fora de Estrutura

“Finalmente chegou a nossa vez…a vez de gente que não aceita ser esventrada das suas convicções…autênticos fora de estrutura, e por vezes mesmo, fora da lei, quando esta se apresenta iníqua… (Somos), por isso, gente que se organiza em resistência, face à evidência da invasão, após o mortal atentado dos direitos do homem (mesmo do homem/mulher medido em milímetros!) de 11 de Fevereiro passado próximo. Agora, então, mais fora de estrutura do que nunca.
Em ordem a clarificar a nossa identidade seja dito que somos todos católicos. Quer dizer, gente que recebe de Cristo a alegria de viver…
Não somos de esquerda. Repudiamos os recursos habilidosos da demagogia que faz coincidir esquerda e futuro. Porque a demagogia é timbre dos que falam sem vir do silêncio. Quer dizer, desse longo respeito por uma verdade que nunca se oferece aos que, no alarido dos interesses de uma qualquer mínima vantagem, a traficam…
Todavia, não nos reconhecemos na direita intelectualmente ociosa, que quer sobretudo, a liberdade de iniciativa como absoluto, o estado fora da economia, a consciência individual como legitimadora do imperialismo do apetite…
Reconhecemos a ordem como um bem. Que ‘não há autoridade que não venha de Deus’ (Rm 13.1) …que a destruição da verdadeira autoridade não conduz a uma liberdade absoluta mas antes ao seu contrário, à coacção e violência…
Sentimos o dever de nos defendermos perante a grande internacional da comunicação social. Trata-se desse imponente recurso de fractura com o cristianismo, tenaz agressor, por exemplo, de uma qualquer eventual e hipotética bondade da reflexão do magistério da Igreja, sempre apresentado como troglodita. Olhamos para a comunicação social sem reverência…
Acresce que fora de estrutura é uma designação utilizada nalgumas comunidades terapêuticas para pessoas com problemas de toxicodependência. Diz respeito a alguém que deverá retirar-se do ritmo da casa para pensar, decidir-se em ordem a crescer e a assumir outra atitude face à existência. Também nesse sentido, portanto, os deste blogue estamos fora de estrutura: nós que nos reconhecemos envolvidos pelo ar tóxico desta comunidade chamada Portugal…
Todos vivemos por perto das andanças das comunidades terapêuticas.
Daremos particular atenção ao que acontece neste âmbito. E porque somos todos amigos esperamos ter neste blogue um testemunho dessa amizade…”

De que é que estão à espera para irem ler o texto completo no local próprio, e que abre de forma magistral um novo caminho na blogosfera?
Eu também lá estou, fora de estrutura de alma e coração.

segunda-feira, março 26, 2007

Salazar goleou

Perante uma plateia com mau perder Salazar ganhou folgadamente o concurso dos grandes portugueses. Deu-se até ao luxo de escolher quem o devia acompanhar no pódium! Com inegável desportivismo convidou uma pretensa vítima e um falso opositor!
Tudo isto, como se compreende, deixou em estado de choque a nomenclatura de Abril presente ao acto! E foi o bom e o bonito – Odete, completamente descomposta e a reclamar uma consulta dentária de urgência, não se conteve e desatou a gritar palavras de ordem contra o fascismo, enquanto a escanzelada Pinhão insistia em dizer umas gracinhas também escanzeladas. Rosado Fernandes, pelo contrário, considerou que a votação maciça em Salazar correspondia a um voto de protesto face ao actual desgoverno!
Mas não havia nada a fazer, a consternação tomou conta da sala e nem as palavras ponderadas, e educadas, de Jaime Nogueira Pinto, tiveram o condão de sossegar aquelas alminhas!
O que impressiona é haver quem pensasse noutro resultado depois de trinta anos de manipulação histórica e de propaganda contra a segunda república, já para não falar da ignorância em vigor!
Então um homem que governou durante quarenta anos um país, poderia tê-lo feito sem mérito, e apenas apoiado na força?! Isso cabe na cabeça de alguém?! E onde está o país que o apoiou durante esse tempo? Desapareceu por artes mágicas?
Para além de Jaime Nogueira Pinto, apenas uma outra intervenção merece destaque porque afinal explicou lapidarmente a razão da vitória de Salazar – ele foi a última representação política do Portugal histórico que estávamos ali a tentar celebrar. Uma representação imperfeita, é certo, inadequada e condenada ao insucesso, pois que lhe faltava o vínculo que assegura a continuidade e a perenidade pátrias, mas ainda assim a representação que para os portugueses se aproximava mais desse ideal e se afastava mais do descalabro anterior. E este voto acaba por confirmar que esse desejo de regresso à tradição, aos caminhos da portugalidade, se mantém na grande maioria dos portugueses. Foi aliás essa constatação que ninguém quis fazer após terem sido conhecidos os resultados!
Já sei que se trata de um mero concurso e que estas votações são aleatórias, mas não se enganem, o concurso pode ser tudo isso, mas nos outros países onde também se realizou, não houve, nem este clima de suspeição e guerrilha, nem esta diferença de votos!
Dá que pensar.

Europa 50

Não é nome de veneno, é hino de louvor a este condomínio fechado que usurpou o nome de Europa. As boas e as más intenções do Tratado de Roma foram rápidamente ocupadas por maus políticos e bons banqueiros, e passo a passo construímos a fortaleza do egoísmo e do bem-estar. As fronteiras terão desaparecido mas no seu lugar ergueram-se barreiras que não deixam passar a solidariedade!
Neste condomínio, implorámos e conseguimos um T/0 sem vista para o mar, mas com vista para a piscina onde se bronzeiam e divertem os grandes beneficiários. A renda que pagamos é o défice, 3% por enquanto, e para o pagarmos apertaremos o cinto toda a vida.
Neste aniversário a preocupação dominante era a Carta comum que há-de permitir escolher o próximo Imperador. O seu nome, Calígula ou Nero, não interessa, certo é que voltará a perseguir os Cristãos. E nós vamos continuar a fornecer os artistas para o Circo. Ontem, Spartacus, hoje, Cristiano Ronaldo!
E estamos felizes por isso!

quinta-feira, março 22, 2007

Regime ou dieta?!

Este concurso dos melhores portugueses não cessa de nos surpreender!
Já não bastava ter sido manipulado e torcido pelos amigos de Elisa, obedientes servidores desta terceira república, como ainda serve para promover certas figuras da nomenclatura à conta de ilustres mortos!
E se ao menos lhes traçassem o carácter com alguma verdade histórica… Mas não, é propaganda mesmo, com a única vantagem de ficarmos a conhecer melhor os vivos!
Hoje vou poupar o cometa Aristides, e fixo-me nas figuras de Portas e Rosado Fernandes, que peroraram “com orgulho e erro” sobre o Príncipe Perfeito e o Marquês, respectivamente.
E que disseram estes dois democratas cristãos?
Antes porém, apetece-me repetir um verso de Gedeão – “viram, ouviram, viram, e não perceberam”! Pois é, quando Paulo Portas conclui pela confissão de culpa do Duque de Bragança, a partir de uma frase que lhe é atribuída – ‘um homem como eu não se prende para se soltar…’, estamos esclarecidos. Portas não percebeu nada do que leu. E vou refrear o seu entusiasmo pelo poder recordando apenas dois versos do poema de Torga sobre o Príncipe Perfeito – “na bainha do tempo, até o punhal é uma arma leal”!
Passemos ao outro democrata cristão, e outro entusiasta do poder pelo poder, incluindo o comércio e indústria! O homem, esse desconhecido, pode esperar. E lá se foi o humanismo para a gaveta.
Sobre o marquês de Pombal, Rosado passou em claro pelos Jesuítas, pela sua obra educativa; tropeçou na ‘pasmaceira’ dos fidalgos, mas afinal, segundo consta, os perseguidos e trucidados estavam bem activos!
Mas quem definiu o Marquês de uma forma definitiva, não foi Rosado, foi D. João V quando o recusou para secretário de Estado. Disse o Rei: “Esse homem, não! Parece que tem pelos no coração”!
Saudações monárquicas.

sexta-feira, março 16, 2007

Tempo místico

Tenho andado ausente, estou a passar por uma fase mais reflexiva, sinto-me menos crítico e esse estado de espírito não é propício a grandes tiradas. Podem pois alegrar-se os meus inimigos de estimação, meti férias, não me interessam agora os seus dislates, e quando por acaso os vejo nalguma notícia que antes me faria reagir, desvio o olhar e esqueço.
Por isso, vou passar por cima da exemplar descolonizadora Ana Gomes, surpreendente defensora de Vasco da Gama, ou mesmo da internacional socialista Leonor Pinhão, que tem a seu cargo o elogio de Afonso, fundador da nacionalidade!
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, e eu compreendo a mudança – converteram-se!
Ou não fossem as repúblicas uma permanente fábrica de adesivos e conversões.
Resvalei sem querer para a má-língua. Não volta a acontecer.

terça-feira, março 13, 2007

O Santo do Mês

João Cidade nasceu no dia 8 de Março de 1495, em Montemor-o-Novo. Deixou a casa de seus pais quando tinha apenas 8 anos de idade e partiu para Espanha onde serviu como pastor e soldado.
Com cerca de 30 anos visita a sua terra natal, volta a Montemor, mas com os seus pais já falecidos e tendo dali partido tão jovem, ninguém o reconhece. Regressa a Espanha, onde volta a ser pastor em Sevilha, livreiro em Granada, e vendedor ambulante. Homem de mil ofícios, é também referenciado como pedreiro nas muralhas de Ceuta.
Havia já completado os 42 anos de idade quando São João de Ávila foi pregar um sermão em Granada. Falou o pregador com tal fervor do martírio de S. Sebastião que o livreiro se sentiu impressionado e transtornado, abandonando a igreja a chorar e gritando que era um grande pecador.
Tomado por doido, foi internado num hospital de doentes mentais, onde, segundo os tratamentos psiquiátricos do tempo, foi açoitado dias a fio. Em vez de desfazer o engano, João Cidade via nos insultos e nas agressões físicas uma forma de expiar os seus pecados.
São João de Ávila tomou conhecimento de que um homem havia enlouquecido por causa do seu sermão, e resolveu visitá-lo. Percebendo que a loucura era simulada por desejo de penitência, proibiu-o de continuar. Assim, João Cidade continua no hospital, mas agora para ajudar os que ali estavam internados, aprendendo os métodos e as práticas hospitalares.
Com a ajuda de São João de Ávila e do Arcebispo de Granada funda, naquela cidade, um amplo e bem organizado hospital. Desalinhado, descalço e de cabeça rapada, percorre diariamente a cidade tratando e recolhendo os mais pobres e doentes. Mesmo andando assim, tão mal trajado, eram muitos os que o convidavam para comer à sua mesa. Foi, aliás, numa dessas refeições que o Bispo de Tui lhe perguntou como se chamava, tendo então determinado que daí em diante João Cidade se passaria a dar pelo nome de João de Deus.
(…)
Morre em Granada, abraçado a um Crucifixo, a 8 de Março de 1550, no dia em que completava 55 anos. Os seus restos mortais repousam na Basílica daquela cidade.
Foi beatificado em 1630 por Urbano VIII, e canonizado em 1690 por Alexandre VIII. O Papa Leão XIII proclamou-o Padroeiro dos Hospitais e dos Doentes, e Pio XI decretou-o Padroeiro dos Enfermeiros.

In “Almanaque Popular Católico – 2007”.

sexta-feira, março 09, 2007

A última fronteira

Com o ‘centrão’ a devorar tudo o que encontra, já pouco resta para sustentar uma sociedade desiludida que deixou de ter sonhos e ambições. Não havendo portanto mais nada para consumir, o velho esqueleto tocou a rebate, e vai-se organizando em torno dos grandes roedores para fazer o ponto da situação. O pretexto, é a análise de um ano de mandato de Cavaco Silva!
Já se percebeu que estamos estacionados no défice, já percebemos que a única distracção colectiva que a propaganda permite, para além de televisão e futebol, são estas provocações sobre a vida e a morte dos seres humanos! Curioso passatempo!
É assim, que entre o esquecimento das vítimas da Casa Pia, se organizam referendos para liberalizar o aborto, se fazem propostas para ‘salas de chuto’, advento de outras questões ‘essenciais’ como o casamento de pessoas do mesmo sexo, ou a velha aspiração da eutanásia!
Entretanto a fronteira esgota-se, o país real separa-se definitivamente do país político, e surgem os primeiros sinais de descontentamento e divisão.
Nestes termos, a prova de fogo para Cavaco Silva será a próxima promulgação, ou não, da lei de liberalização do aborto, na sua versão pura e dura, engendrada pelo partido das dez semanas!
Se o fizer, isso corresponde à promulgação de tudo o que de errado temos vindo a 'construir', em Portugal e na Europa; e ficará refém de uma política desumana e anti-civilizacional que já não é possível iludir!
A fronteira está marcada.

terça-feira, março 06, 2007

A doença da saúde

Para tratarem de um problema educativo convidaram os médicos! Para tratarem de um desgraçado que tem ou teve nome, que tem ou teve uma vida para viver, falaram de redução de danos! Como mensagem para a juventude falaram de rendição, de facilitismo, de salas de chuto!
Com as vocações às avessas, dois médicos e meio protestaram caridade pelos excluídos, propondo-se ‘tratar-lhes da saúde’ enquanto se injectam! E digo dois médicos e meio, porque o ‘psiquiatra liberal de serviço’ estava mais preocupado em não afrontar o ‘sábio da sida’ do que propriamente em definir-se e demarcar-se claramente de um projecto desumano, que apenas serve, ou a vaidade, ou a manutenção do corporativismo público que há mais de trinta anos é responsável pela política vigente.
Como bem lembrou Manuel Pinto Coelho, já é a segunda vez que o organismo da ONU, especializado nas questões do combate à toxicodependência, condena as opções de Portugal! No primeiro caso, relativamente ao enfoque exagerado na política de redução de danos através de drogas de substituição, em prejuízo do esforço que deveria ser consagrado ao tratamento e recuperação do indivíduo, da pessoa humana que ali está, e que no fundo espera, não por uma troca de seringas, não por preservativos, muito menos que lhe dêem droga para consumir! O que qualquer ser humano espera, por mais degradada que seja a situação em que se encontre, é por uma palavra de esperança, afiançando que é possível sair da cova em que caiu, projectando-se de novo em direcção à vida, como bem observou, numa intervenção humana e lúcida, o Padre Pedro Quintela!
De facto como se espera atrair e dar força a alguém para se recuperar, se andamos atrás deles com carrinhas por toda a cidade a oferecer metadona, seringas, e tudo o mais!
Nesta altura, normalmente o que se argumenta é que este tipo de intervenção, por ser bebível, diminui drasticamente a incidência de doenças como o HIV provocadas pela promiscuidade no uso das drogas injectáveis. Não era o assunto em discussão, mas a verdade é que os números, em escalada assustadora, têm desmentido o acerto destas políticas. Números que o insuspeito ‘sábio da sida’ se encarregou de desfilar e que nos colocam no último lugar de qualquer escala entre os países europeus!
Então não aprendemos nada com os erros? Ou estamos à espera que estas salas de chuto, e mais uma vez à revelia do parecer de organismos especializados, venham elas resolver o que quer que seja?! Para além dos malefícios apontados!
No resto tratou-se de uma mais uma manobra de propaganda do Governo utilizando a televisão pública de forma bem programada. E que deveria até merecer uma intervenção da provedoria interna, tal o tempo usufruído pela ‘propaganda’ em detrimento dos poucos participantes que defendiam e defendem o tratamento e a recuperação de seres humanos como nós.
E sem os tratar como coitadinhos.

domingo, março 04, 2007

Notícias das dez semanas

O país das dez semanas viajou até Santa Comba por causa de um museu! Os ‘lanzudos’, na feliz expressão de um habitante local, não se deram bem com os ares da terra e tiveram que bater em retirada, sempre de cravo na mão, e devidamente enquadrados pela guarda republicana.
Ficámos assim a saber para que serve esta força militarizada: proteger ‘lanzudos’ da justa ira popular!

Outra notícia de grande impacto nacional foi proporcionada pela deslocação do embaixador israelita às Cabanas de Viriato, justamente para explicar a uma entusiástica jornalista da televisão pública qual o apoio que tenciona dar para a recuperação da casa onde viveu Aristides Sousa Mendes. O solar, em evidente mau estado, merece de facto ser recuperado quanto mais não seja em nome do nosso património arquitectónico, e não escapou à minha observação um imponente Cristo crucificado que se ergue no pátio sobranceiro à casa!
Ora bem, é neste contexto e neste local que o país das dez semanas pretende construir mais um museu! Já adivinharam concerteza, do holocausto, pois claro! A seguir talvez descubram que Aristides era afinal judeu, descendente de judeus perseguidos pela Inquisição, e talvez transformem a Capela numa Sinagoga!
Valha-me aqui o Islão.

Para suavizar um pouco as notícias passemos então ao futebol, e para falar de salas de chuto! Desaconselhadas pela ONU, nada nem ninguém consegue demover o partido das dez semanas – sempre de olhos postos no norte da Europa, o Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência diz que vai mesmo avançar com o projecto!
Pergunto: para quando um museu para embalsamar esta gente?!
E termino com uma constatação: Quem se transformou definitivamente numa sala de chuto foi a televisão pública! Agora até transmite a gala do Benfica!
Enfim, toma uma aspirina que isso passa.

quinta-feira, março 01, 2007

Impressões da Taça

Ou é impressão minha ou a Taça de Portugal não interessa a ninguém!
Desde a Federação do Madaíl até à comunicação social, parece tratar-se de uma prova clandestina, e só se fala nela, quando jogam (ou não jogam) Benfica, Sporting ou Porto, e por esta ordem!
Ontem, quando quis saber alguma coisa sobre os jogos da Taça em que participavam os tais clubes que não interessam a ninguém, que existem apenas para preencher calendário e justificar o ‘país futebolístico’ que somos, fiquei surpreendido, ingenuidade minha, pois não havia um relato, uma indicação sequer, a dar conta da existência de mais dois jogos da Taça! Os grandes meios de informação deste país estavam preocupados com o Benfica, com o que se passa no Chelsea, ou com outra inferioridade qualquer.
Claro que não esperava notícias de Bragança para além do fecho de maternidades ou urgências, sei perfeitamente que o nordeste transmontano já vai tratar da saúde ao outro lado da fronteira, mas que diabo, quanto mais não fosse para manter as aparências, podiam dar uma noticiazinha qualquer para disfarçar. Mas nada.
Já no que toca ao outro jogo, entre primo-divisionários, um dos quais, diga-se, até foi campeão nacional não há muito tempo, achei realmente muito estranho que nem relato houvesse na telefonia. Provávelmente os meios já tinham sido todos deslocados para Alvalade, esse sim, um jogo com direito a transmissão directa no horário nobre do canal público!
Quando escrevo sobre este tema, de tão repetido, fico com pena do eventual leitor que se atreva nestas linhas! De facto começo a estar cansado desta vertigem redutora de que se não vê o fim! Antes pelo contrário, já se ouvem até vozes ‘autorizadas’ a falar em ‘ligas ibéricas’ e similares, numa lógica tão globalizante como mentecapta!
Uma coisa faço questão de deixar bem claro a propósito dessas ‘ligas’: antes de lá chegarmos, muita coisa terá de reduzir-se primeiro, a começar pela despesa de estado que, dentro da mesma lógica, terá de situar-se ao nível de uma região autónoma, como a Galiza ou a Andaluzia, acabando-se de vez com a mentira deste estado fantasma. E esta, hein!
Saudações azuis.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O partido das dez semanas

Tal como se previa, os “transversais, mas pouco”, gémeos siameses uns dos outros, fabricaram o seu inevitável projecto de lei sobre a liberalização do aborto!
Esquecida a dor das prisões, desaconselhado o aconselhamento, ‘não vá a miúda hesitar’, a despenalização não era afinal o objectivo, o que se pretendia era o aborto puro e simples, anónimo e clandestino, na clinicazinha certificada, de borla, sem papéis e boa noite.
Os que andaram a choramingar frente às câmaras de televisão, condoídos com o drama da mulher, podem limpar as lágrimas de crocodilo, não vai haver obstáculos à liquidação total e sem rasto.
E alegrem-se as bestas, o partido das dez semanas promete mais aventuras no futuro. Para a próxima, não te esqueças, continua a votar nas bestas.
Aliás, é a única maneira de votares em ti.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

A saúde em leilão

Excelências:
Não tendo podido deslocar-me ao programa prós e contras da televisão pública, ficando assim impossibilitado de resolver, não apenas o meu problema de saúde mas também o da minha prima e vizinha, venho por esta via reclamar o meu médico de família, que não me quer conhecer, bem como a abertura de um SAP ou algo semelhante, próximo da minha casa.
Mais informo, que não sou autarca, vivo entre o campo e a cidade, não sou pobre nem rico, particularidades que me colocam praticamente à beira da exclusão social.
Mas não me conformo.
Por isso, se não forem satisfeitas as minhas exigências, pode o senhor ministro da saúde estar certo de que, para além de outras formas de luta que tenciono intentar, farei queixa à Dona Fátima, bem como ao nosso bem-amado primeiro-ministro, que por certo não deve saber da pouca-vergonha que por aí vai.
Pobre engenheiro Sócrates! Como ele deve sofrer rodeado de tanta incompetência!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Desinteressante

Programas de culinária para todos os gostos, truques políticos para todos os paladares, servidos nas mesmas mesas redondas, onde a guarnição é obtusa, são o cenário visível deste país insonso e desinteressante, também ele obtuso!

“Sobre a frágil balaustrada do medo, construímos uma imerecida sociedade de abundância, sabemos que o nosso aparente bem-estar é o fruto de uma miséria colonial ‘nunca dantes navegada’, e falamos do passado com um misto de vergonha e pena! O espelho da vaidade está gasto, hoje apenas reflecte a nossa impotência”.

Esta passagem que cito de memória e cujo autor reconheço, é uma fotografia suficientemente nítida da nossa realidade. Existe uma verdade proibida, ‘um rei vai nu’, que ninguém se atreve a denunciar, achamos preferível avançar às cegas para o inevitável abismo!
Porquê?
Que segredo tão pavoroso esconde o dia de amanhã! Que nos impede de pensar?!
O que esperas para te ergueres desse escuro ermo onde jaz a tua alma?!
Entretanto – “Come chocolates, pequena, come chocolates”!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O fim de qualquer coisa

Dizem que o rotativismo monárquico entrou em fase de acentuada decadência, quando a aparente funcionalidade foi quebrada pelas cisões e divergências dentro dos dois partidos que, com mais ou menos escândalo, iam assegurando o governo. Claro que estas divergências tiveram a sua origem na chamada lei da vida que afecta homens e instituições – refiro-me ao natural envelhecimento e desgaste dos seus líderes históricos, tanto no partido regenerador, como no partido progressista.
Hoje é patente, que enquanto no Partido Socialista tudo se cala e consente à volta de um leader indiscutível, não porque Sócrates o seja de facto, mas porque temendo o pior, toda a minha gente quer salvar e salvar-se com um mínimo de perdas e danos, pelo contrário, no Partido Social-democrata, tudo o que acontece é pretexto para abrir brechas cada vez mais profundas e difíceis de fechar!
Mas o que verdadeiramente anuncia o fim desta república, é a permanente confrontação entre o Governo Regional da Madeira e o Governo da República, numa querela que já ninguém quer disfarçar!
Aparentemente, Sócrates sente-se com força suficiente para afrontar Jardim, o único leader que lhe faz frente na actual conjuntura política, mas as coisas podem complicar-se inesperadamente para o nosso primeiro-ministro: Alberto João Jardim é um adversário temível, e sem querer, pode começar a capitalizar não apenas o descontentamento madeirense, mas o descontentamento geral que vai lentamente grassando pelo país, a acordar definitivamente do sonho europeu!
Há dois anos quando me iniciei nestas lides, assumi sem rodeios alguma simpatia pelo leader madeirense, que na altura, lembre-se, era alvo de chacota generalizada. Hoje não tenho dúvidas: seja qual for o resultado desta nova tentativa para liquidar Alberto João Jardim, ele já se constituiu como a única oposição ao regime vigente.
Haja alguém!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gripe

Uma doença inútil, daquelas que não mata mas mói, interrompeu o autor do Interregno e desligou-me do mundo. Não sei o que terá acontecido entretanto aos vencedores do referendo, não sei se Salazar continua à frente de Cunhal, ou se o Aristides tem vindo a recuperar terreno, como também não sei o que se passa na China, país de conversa obrigatória numa globalização que se preze. Do Belenenses, como dos outros clubes que não merecem notícia diária, deduzo, seguindo o ditado pessimista – “pas de nouvelles, bonnes nouvelles”!
Uma das vantagens desta gripe global é o isolamento que provoca no paciente, a necessidade de tossir sozinho, de assoar-se eternamente em bom recato, são, apesar de tudo, sensações que revelam algum direito à intimidade, e que ainda estão fora da regulamentação oficial. Mas nada que me sossegue.
Imaginei, ou foi sonho febril, que estas doenças passarão no futuro a ter um tratamento adequado por parte do estado, de forma a diminuir os impactos negativos sobre a saúde pública, sobre a produtividade, e sobre o emprego.
Para além da vacinação obrigatória, sujeita a coima para os relapsos, a gripe, uma vez denunciada, deverá seguir as melhores práticas em uso na Europa, acabando-se de vez com as mesinhas antiquadas, do género chá de limão com mel, ou o tradicional – ‘avinha-te, abifa-te e abafa-te’, expedientes próprios de um país atrasado e que apenas resultaram com os nossos avós.
No meu delírio, nada disto vai vingar daqui para a frente, incluindo avós e netos, a vida será superiormente organizada entre o centro comercial e o centro de saúde, mas sempre com uma televisão por perto, em ordem a orientar o potencial paciente.
As melhoras.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A Vida...Não me perguntes porquê.

“Nenhum homem é uma ilha isolada;
Cada homem é uma partícula do Continente, uma parte da Terra;
Se um torrão é arrastado para o mar a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria casa;
A morte de qualquer homem diminui-me, sou parte do género humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;
Eles dobram por ti.”

John Donnepoeta irlandês do século XVII.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A Europa do aborto

“É fartar vilanagem” - Foi com este brado que o herói de Alfarrobeira se resignou aos seus inimigos que o sangraram até à morte. Esvaía-se assim a razão inocente face à intriga de Estado e face à brutalidade de uma força desigual que seguia o futuro Rei.
Convoco este triste lance da história pátria para lembrar que todos nascemos da mesma maneira e da mesma maneira haveremos de morrer. Sejam heróis, mártires, ou os seus carrascos. O que se torna extraordinário é o facto de agora pormos em causa a vida daqueles que querem nascer como nós!
São cinzentos estes dias e mais cinzentos se tornam quando constatamos que é na chamada Europa rica e desenvolvida que se fala de aborto livre, que se instituem direitos de propriedade sobre a vida dos mais frágeis, tudo em nome da ditadura do presente, do imediato, tudo em favor de uma sociedade de direitos, onde os deveres ficam à ‘responsabilidade’ de uma entidade mítica e misteriosa conhecida por Estado!
Não constitui portanto surpresa que esta mesma Europa ‘civilizada’ rejeite o marroquino, o cigano, o preto, que fogem à miséria e à fome, como também não surpreende que rejeite a doença ou a fragilidade, que se escondem nas suas bolsas problemáticas, que uma cultura de facilidade e egoísmo vai multiplicando.
Então que se faz? Como é que podemos mascarar a realidade?
Muito simples – incapazes de perceber as causas, incapazes de enfrentar as causas, rendemo-nos aos seus efeitos: se existe droga, ‘eles’ que se droguem de forma a não perturbar a nossa tranquilidade; se o aborto clandestino é uma realidade e um risco, vamos legalizá-lo, para que o façam em boas condições!
Sacrifique-se o que for preciso ao bem-estar das nossas consciências!
Sem vergonha, denunciamos o nosso isolamento a par com a Irlanda e a Polónia, também eles países de matriz católica. Queremos ir para o outro lado, para o lado dos ricos…mas com pobres argumentos!
Nem de propósito ocorre-me que foi um sindicato polaco, o Solidariedade, curioso nome, que pôs em causa o poderio soviético, que não se resignou à brutalidade da força, que soube lutar por ideais. Estar acompanhado neste caso pela Polónia é uma honra e uma certeza: a sociedade que temos que construir, reconstruir é melhor dito, deve basear-se na solidariedade, onde os mais fortes ajudem os mais fracos, em lugar de os exterminar.