sábado, abril 28, 2007

A processual república

“Num país onde a revolução de Abril acabou com a Pide para a ver substituída pelo Ministério Público.”

Antes que me prendam ou processem, ressalvo que a frase pertence ao presidente do Futebol Clube do Porto e está escrita no seu último livro. Mas a revelação não deixa de ser sintomática se a relacionarmos com a denúncia de “claustrofobia democrática” feita em pleno Parlamento, em plena festa de Abril, e a propósito da liberdade de informação!
Sei bem que a simples referência ao nome de Pinto da Costa é suficiente para levantar tempestades de ira, para criar processos de rejeição entre o nacional-benfiquismo vigente, que inclui o Sporting, mas a verdade é que PC não inventou nada, limitou-se a aplicar a norte o mesmo esquema que antes fazia as delícias dos clubes da capital, que por essa altura, durante o Estado Novo, gozavam de uma justa e virtuosa hegemonia!
Mas não é disso que tratamos agora, mas de uma frase que suscita reflexão e que pode não ser tão infeliz como parece.
Aliás, o processo “apito dourado” é um bom exemplo da desconfiança instalada, porque dá a ideia que a corrupção está localizada no norte do país, seja no futebol ou no resto. Não é verdade, todos sabemos que é um desporto nacional, generalizado, com imensos praticantes e adeptos, e se fosse possível detectar-lhe uma origem ou fundação, seríamos inclinados a apontar na direcção da capital, da Corte por assim dizer, porque é onde a modalidade tem mais possibilidades e melhores condições para se enraizar e desenvolver.
Um longo intróito para situar a parte de cima do iceberg, mas a parte de baixo é que interessa – "vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam também dá para tudo! Isto não foi feito ao acaso, foi bem pensado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se de processos, ganha sempre. O simples português anónimo, que conta os euros para chegar ao fim do mês, mesmo que sinta que tem razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, que passa à categoria de figura de retórica". E as denúncias acima enunciadas começam a fazer sentido.
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O texto entre aspas e a bold, corresponde a um comentário que fiz no blog - 'A Interpretação do Tempo' ( ver link na coluna da direita).

quarta-feira, abril 25, 2007

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá?! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

terça-feira, abril 24, 2007

Alma russa

Morreu Boris Nikolayevich Ieltsin, um antigo militante e dirigente comunista, que há-de ficar na história por ter resistido em 1991 à tentativa de restaurar o regime soviético.
Homem truculento, excessivo, de certa maneira errático, guardava no entanto dentro de si o calor e a grandeza da alma russa!
Não me esqueço, quando em plena Duma, num discurso emocionante transmitido pela televisão para todo o mundo, reabilitou a memória dos Romanoff, da Família Imperial Russa, barbaramente assassinada pelos sequazes de Lenine.
Em nome do povo russo, pediu perdão, admitiu o erro e a ignomínia!
Este gesto não está ao alcance de muitos!

domingo, abril 22, 2007

Galeria da cidade

Diga-me uma coisa, isto é um Trotsky?
Não minha senhora, é uma imitação. O Trotsky que havia desapareceu há muito tempo, o que agora aparece são estas cópias, que também têm óculos, mas são falsas.
Desculpe a insistência, mas a escola é a mesma?!
A escola é a mesma, a procura é que é diferente. Quem gosta muito disto são as novas classes emergentes, que querem fazer vida de ricos, mas não querem ser ricos! Resultado, alguém tem de pagar a conta. É o velho problema das imitações nacionais – o produto é barato, mas se a senhora quiser comprar, sai-lhe caro por causa dos impostos!
Ainda bem que me avisa, se calhar então vou para aquele ali. Aquele não engana, é um Blair autêntico!
Minha senhora, se eu lhe disser que aquele é um pinóquio a senhora não acredita, por isso vou dizer-lhe que aquilo é um engenheiro e assim a senhora já acredita. Estou a ser sincero, não vou enganá-la, porque neste caso, quem foi enganado fui eu! Isto foi-me vendido com todas as garantias, com certificado, disseram-me que se não fosse um Blair, era um Zapatero concerteza. Não é que eu aprecie um ou outro, mas vendem-se bem, os otários adoram pendurar estas coisas na parede, isso dá-lhes uma grande sensação de proximidade.
Mas para a senhora ver que não estou a mentir, vou revelar-lhe um segredo – eu só fiquei com ele porque me afiançaram que ainda era da escola do primitivo oliveira!
Afinal saiu-me este manequim! Não vale nada.
Só por dizer que faz par com o outro que veio da rua dos fanqueiros. Mas esse nunca me enganou, esse comprei-o mesmo para manequim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Gato reciclado

‘Gato escaldado da àgua fria tem medo’, velho ditado, e o rapazinho nunca me enganou! Com que então andou na mocidade portuguesa dos partidos políticos! E logo nos juniores do PCP! Não confundir com FCP, que são da invicta cidade! Nesta grande área, o jovem puxa mais para o terceiro anel, que o nacional-benfiquismo é muito lá de casa!!! É uma doença, vício de partido único. Nas democracias populares era, ainda é, vulgar.
Pois muito me conta, tem graça sim senhor, que os dons de nascença, quando bem nascidos, e crescidos, podem ter graça, graça saudável, universal, por ser saudável.
Graça aqui e na China, ontem, hoje e amanhã.
Mas a coisa anda a entortar, e vesga se está a tornar. Então não querem lá ver que o regime já tem humor oficial outra vez!!!
Com efeito lavra uma luta surda entre os infantis da esquerda, todos querem botar faladura na festança de Abril, e o jovem indigitado, imaginem, seria este gato reciclado!
Sim, o Ricardo do contra cartaz! Esta ideia é entusiasticamente apoiada pelos juniores do bloco e do PS, que nestas coisas não se distinguem!
Quem não está pelos ajustes e já reclamou os seus direitos de formação foi obviamente o PCP, que tem outra ideia e outro jovem para lançar no mercado. Resultado, está tudo indisposto e Vasco Lourenço já ameaçou: ou se entendem ou não fala ninguém.
Eu acho preferível, mas não tenho que me meter, a festa é deles, como se vê, não tem nada a ver com o país, com Portugal.
É uma festa de gatos para meia dúzia de gatos-pingados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Os silêncios da esquerda

A esquerda em silêncio, está tudo calado, este silêncio lembra os primórdios da Casa Pia, alguns comunicados, poucas aparições, ouvem-se cães a ladrinchar ao longe, o cerco de mentiras ameaça estrangular o primeiro-ministro...quem diria, um primeiro-ministro que deu tanto trabalho a fabricar!...
Primeiro o ambiente, que está sempre na moda; não esquecer o futebol, na televisão, o Euro pago a peso de ouro, lembram-se?! Só eram precisos oito estádios para concorrer, mas nós oferecemos mais dois! A quem?!
Mas temos homem! O Santana não serve, não sabe fazer trapalhadas, não é de confiança, precisamos de jugular uma série de processos incómodos que estão a afectar a nossa gente, está decidido... e deposto. Belém conta connosco e nós contamos com a comunicação social. Ela será recompensada e há-de protegê-lo.
O perfil está traçado – a teimosia faz lembrar a obstinação de alguém que deixou nome, o ar possidónio confunde-se com o modernismo em vigor, saibamos tirar partido disso. O rapaz fala bem, muito importante num país de basbaques, nada de longas exposições em público, basta dizer o essencial, retirando-se de seguida em pose de estado!
Estava tudo a correr pelo melhor quando apareceu esta história das habilitações académicas, ponta de um iceberg gigante que o país de Abril esconde no seu bojo, e onde há de tudo, como na loja do chinês! A corrupção é apenas um detalhe, um estado de alma!
Um dia saberemos a verdade.
Por enquanto resta-nos adivinhá-la no silêncio do bloco, nas coisas ‘mais importantes’ para os comunistas, no centrão engasgado, na conversa dos advogados reitores, no sorriso amarelo de quase toda a comunicação social!
O tempo está belíssimo!

terça-feira, abril 17, 2007

Trabalho de casa

Laboriosa formiga a nossa RTP vai aconchegando a agenda política da esquerda no poder, já lá vão trinta e tal anos, fora os ameaços. Segunda-feira é dia, um dia depois de Marcelo, para pôr a escrita em dia, à noite!
Ensino privado era o tema, universidade independente, o objectivo. O cenário a condizer, Fátima de bandolete, colegial entre os lentes, viçosa até!... Ouvi aquilo aos bochechos, quero dizer, em diagonal e retive algumas evidências – o Estado tem que ser subsidiário no ensino e não condutor ou ideólogo. Que é precisamente o que acontece e está sempre a acontecer! E ninguém falou nos currículos, no mais importante, nas matérias aprovadas para as criancinhas aprenderem, o que hoje sabem, a saber: - que Portugal nasceu em Abril, na primavera da liberdade, que o estado novo era feio, os reis muito maus, mas o povo era bom! Era tão bom, tão bom, que se meteu nas caravelas sem o rei autorizar! Era tão bom, tão bom, que agora suspira por um ditador, chame-se ele, Cunhal ou Salazar!
Rimou sem querer.
Mais uma passagem, mais um bochecho, para assistir à cena final: Fátima encarou os lentes e soltou a pergunta impertinente, mas que suspeito, era o objectivo pertinente: - então como é que vamos fazer para que as universidades privadas sejam todas boas e não aconteça o que está acontecer na universidade independente?! Que é feia e tem que fechar!
A resposta óbvia não surgiu, mas podia ser esta: é preciso evitar que jovens políticos muito ambiciosos se matriculem com o único objectivo de arranjarem um canudo que lhes dê um estatuto que não têm. Por outro lado é preciso evitar que essas universidades caiam nas mãos dos partidos políticos, ou sejam por eles controladas.
Parece simples mas não é.

sábado, abril 14, 2007

A explicação de um detalhe

O texto anterior merece outra clareza que a forma de expressão escolhida pode ter obscurecido:
Não pretendo substituir Sócrates por outro Sócrates, ciente que estou que não existe verdadeira oposição em Portugal…long time ago!
Aliás, o texto não é muito desfavorável ao contestado engenheiro, uma vez que nunca o considerei totalmente responsável pelos seus actos! Responsabilizei o regime, que sem desprimor para os diversos protagonistas, tudo controla e asfixia! E esta circunstância é agravante, na medida em que não existe no topo da pirâmide nenhum poder verdadeiramente independente dos partidos!
Também não posso nem quero substituir a população, mas quero e posso responsabilizar todos aqueles que se intitulam republicanos pela evidente falência do mesmo regime. Aqui vale a sentença: quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate!
E não passo sem referir que hoje já não existem monárquicos ou republicanos na velha acepção, mas sim portugueses que não querem perder a sua independência e que estão decididos a honrarem ‘os egrégios avós’ do hino republicano.
Finalizo esta explicação reafirmando o papel totalitário que as universidades desempenham na sociedade, nomeadamente nas escolhas dos dirigentes partidários, e futuros governantes!
Dispenso-me de argumentar nesta matéria – o imbróglio sobre o título académico do primeiro-ministro fala por si!

quinta-feira, abril 12, 2007

Trágico-cómico!

Seria cómico se não fosse trágico!
Sócrates não mente, porque em Portugal ninguém mente!
Sócrates não mente, porque um primeiro-ministro de Portugal nunca mente!
Sócrates não mente, porque a mentira não mente!
Mas Sócrates mente, porque em Portugal todos mentem!
…por necessidade, por abandono, por misericórdia, pela minha saúde, eu seja ceguinho, palavra de honra, por isto e por aquilo, juro que já menti…
Mas Sócrates não mente, porque quem mente todos os dias é o regime que ele representa!
Mente na Casa Pia, mente no Aeroporto, mente no TGV, mente em Bruxelas, mente na constituição, na descolonização, o tribunal constitucional é mentira, mente nas contas, nos impostos, no desemprego, no futebol, em tanta coisa… mentiu na pergunta do referendo… nas promessas do referendo também mentiu!...
Sócrates não mente sozinho, porque neste país ninguém mente sozinho!
Sócrates mente, mas não sabe porque mente!
É um produto irresponsável da nossa deseducação, um ‘pronto a vestir’ das nossas universidades, para servir nos partidos… os partidos!
Foi escolhido pelo regime para fazer o serviço sujo, e com um tropeço ou outro, vai dando conta do recado.
Muitos dos que agora gemem, votaram nele!
E vão continuar a votar no regime que elege o chefe... dele!

quarta-feira, abril 11, 2007

O voto ou a vida

O atentado de 11 de Fevereiro foi finalmente reivindicado.
Cavaco Silva, de visita à Estónia, confirmou a promulgação do diploma que liberaliza o aborto, diploma devolvido ao Parlamento com um conjunto de recomendações e condolências.
O partido das dez semanas já reagiu, recusando recomendações ou condolências.
Outro dos envolvidos no atentado, vai hoje à televisão explicar as trapalhadas da sua formação académica. O primeiro-ministro deve aproveitar esta oportunidade para anunciar ao país uma série de medidas que nos irão colocar na dianteira da Europa, medidas que só agora podem ser implementadas graças à promulgação desta lei de liberalização do aborto.
E já que estamos em maré de atentados – liberdade de expressão, vida, descolonização, etc., – chamamos a atenção da ministra da cultura para o vasto espólio que existe nesta área! A pedir talvez um museu para a terceira república. Seria um museu itinerante, com trajecto assegurado entre São Bento e Belém, locais de onde brotam, praticamente todos os dias, as peças mais raras!
Terminamos como habitualmente com o futebol, e também aqui só temos motivos de satisfação: O Chelsea de Mourinho ganhou; o Manchester United de Cristiano Ronaldo goleou; falta apenas ganharmos ao Espanhol!
E do próximo adversário do Benfica, chega-nos outra boa notícia: Tamudo, capitão de equipa do Espanhol, está lesionado.
É assim, de vitória em vitória…

terça-feira, abril 10, 2007

Liberdade de expressão

É hoje notícia nalguma imprensa que o Supremo Tribunal de Justiça condenou o jornal ‘Público’ em 75.000 euros, por ofensa ao bom nome do Sporting Club de Portugal, e pelo facto de ter publicado uma notícia verdadeira!
Assim mesmo, não há engano, a notícia em causa dizia respeito a uma dívida ao Fisco por parte do Sporting, dívida que estava fora do plano Mateus...e não podia estar!
No entanto, o inefável colectivo de juizes entendeu por bem que a verdade é bem menos importante do que o bom nome de uma Instituição de Utilidade Pública, no caso, o clube leonino!
Este Interregno compreende perfeitamente o alcance da meritíssima decisão, ou não estivessem em causa os superiores interesses de um dos três ‘clubes do estado’, que reinam abertamente nesta pacóvia república soviética.
E faz doutrina – ai de quem se atreva no futuro a denunciar, ou simplesmente informar, que Benfica, Sporting ou Porto, devem qualquer coisinha ao Fisco! Está tramado.
O bom nome não deve, ponto final.

domingo, abril 08, 2007

Páscoa poesia

Páscoa feliz,
Em chocolate,
Ovo esquecido
Entre os lilazes.
Páscoa passagem
Dentro de mim,
Ponte e miragem
Para o outro lado.
Páscoa de vida
Ressuscitada,
Páscoa sentida,
Ao pé da Cruz,
Ao pé de ti,
Revisitada.
Páscoa por fim,
Entrelaçada
E tão verdadeira
No mesmo dia
Em que te vi...
A Páscoa inteira.

sexta-feira, abril 06, 2007

Via Sacra

“Entro no grande silêncio…” na algazarra e na insatisfação de uma vida incerta.
Na esperança da ressurreição.

quarta-feira, abril 04, 2007

A rainha das abelhas

O que a história diz e a realidade consente todos sabemos, mas não vem mal ao mundo se o recordarmos – a rainha está presente, não trabalha, aparentemente não faz nada, mas conduz misteriosamente todo o enxame, e todas trabalham afincadamente na mesma direcção, já que a rainha assegura a colmeia. Sem ela, chega a desorientação, a dispersão e o que antes existia e tinha vida própria, desvanece-se, deixando atrás de si um rasto de desolação.
Mas nós não somos abelhas, a nós cabe-nos retirar e usar em nosso proveito o produto do seu trabalho, sempre com a preocupação de não danificarmos o essencial, para que para o ano também haja mel. O essencial resume-se a uma estrutura mínima que mantenha a rainha das abelhas.
Em 1908 e dois anos depois, houve quem não percebesse isso, houve quem não lesse esta fábula, e na ganância do mel, assassinaram a rainha das abelhas. Com a sua morte a colmeia dividiu-se, amotinou-se, e entrou em dissolução! Na tentativa de estancar o inevitável, alguém se lembrou de substituir a rainha das abelhas por uma abelha que se parecesse com a rainha mas que não era a rainha. O expediente trouxe alguma ilusão e manteve a colmeia na expectativa durante muito tempo! Mas o tempo estava contra o expediente e bastou uma cadeira mais escorregadia para ir tudo por água abaixo.
Vivemos hoje uma nova e penso que última tentativa para manter a colmeia a funcionar, nem que seja em serviços mínimos! E com um novo estratagema – desta vez resolveram eleger entre as abelhas a melhor colocada em relação ao favo, na esperança de continuarem a fruir dos restos do mel que sobrou do bom tempo. Do tempo em que havia rainha.
As últimas notícias, no entanto, não são animadoras, a dispersão continua, a divisão acentua-se, o mel acabou, e entre as abelhas já se fala em pedir asilo a uma grande colmeia vizinha, onde não falta mel nem rainha.
É isso que queres?

sábado, março 31, 2007

O que é que eu faço?

Sim, o que é que eu faço nos intervalos do fundo de desemprego e da televisão! Agora e até ao fim da vida?!
Fecharam-me a fábrica de sapatos, tenho quarenta e cinco anos de idade, trinta de profissão, não consegui ser engenheiro, não me avisaram a tempo que o que quer que faça, a China faz mais barato! Excepto, claro, as coisas que sempre fizemos bem, conservas, cortiças, vinho do porto, azeite... E o sol que também já existia! Por causa disto não era preciso fazerem uma revolução!!! As colónias?! Estão cá em peso! Ainda não vieram todos porque não cabem. Não me digam que me fizeram esta desfeita, só para mudar as moscas!
Os políticos em quem votei, e são práticamente os mesmos, ou o discurso é o mesmo, não me falaram de um futuro sem futuro! Antes prometeram-me uma vida melhor para mim e para os meus, mas o que vejo e sinto não me anima, não anima ninguém. Minto, existe sempre um grupo de pessoas que estão satisfeitas com a situação. São as que vivem próximo do poder e do orçamento de Estado. Nos piores regimes, naqueles em que a desigualdade é maior, também se passa o mesmo, todos eles têm a sua nomenclatura, que vive cada vez melhor na exacta medida em que a maioria da população vive cada vez pior! E ainda assim esses regimes mantêm-se por muito tempo!
Não estou a comparar óbviamente, porque entretanto calcetaram a minha rua, fizeram um esgoto, puseram-me um moínho de vento na encosta, que não dá pão mas energia, mais cara, dizem. Eu é que já não tenho energia para aguentar com a propaganda. Envelheci a ouvir velhos slogans sobre a liberdade...Mas que liberdade é que eu tenho, se estou resumido ao futebol e ao centro comercial... para passear! A ver e ouvir as mesmas caras que todos os dias me garantem que estou cada vez mais feliz! Já experimentei esta mesma sensação de imutabilidade noutro tempo, mas nesse tempo não se fechavam fábricas de sapatos.
Afinal, o que é que eu faço?

sexta-feira, março 30, 2007

Reaccionários

É uma designação suave para quem ficou em estado de choque por causa de 19.000 telefonemas!!!
Dizem-se democratas, bolsam liberdade pelas esquinas, não obstante, querem investigar e punir os responsáveis, que na televisão pública, não souberam ou não conseguiram evitar a vitória de Salazar no tal concurso!
E o assunto já tem a gravidade de uma ameaça de raspanete no Parlamento! Com efeito o ‘partido das dez semanas’, designação que continuo a adoptar por facilidade de expressão e economia de siglas, pôs-se de imediato em campo, e ditou para a acta o seguinte:

1. Salazar não pode ganhar concursos.
2. Existem, e devem ser investigados 19.000 fascistas que usam o telefone. 3. Salazar terá de ser desclassificado, passando a maior português de sempre Álvaro Cunhal, diligente servidor dos interesses soviéticos em Portugal, e grande responsável pela descolonização de Angola ao serviço dos mesmos interesses.
4. Como experiência educativa, a televisão pública deverá nos próximos tempos e até novas instruções, massacrar os portugueses com filmes, reportagens, mesas redondas e todo o tipo de intervenções que revelem o Estado Novo como deve ser revelado.

Os outros pontos não sei, mas o último ponto posso garantir-vos que já está em vigor.

quinta-feira, março 29, 2007

A vez dos juízes

Aconteceu em Itália, aconteceu noutros países, aconteceu em Espanha, e chegou a Portugal com o atraso previsto. Baltazar Garzon veio ensinar como é que a coisa se processa, numa altura em que já temos a nossa figura incorruptível. A madame Morgado!
E que disse de novo Baltazar Garzón? Nada e tudo, ou seja, tudo o que disse resume-se a um paradoxo, a saber: ele disse que a prevenção da corrupção deve ser feita na infância, ainda nas escolas, se possível! E pergunto, mas quem é que ensina nas escolas?!
Pensava eu que a educação se recebia em casa, na família, quando me lembrei que a programada destruição da família tradicional, portanto da má família, estava em franco progresso, cabendo assim ao Estado zelar pela educação dos sobreviventes das dez semanas! Enquanto os progenitores se divertem ou estão a trabalhar. Se calhar, não estão a seguir o meu raciocínio! Tenho que ser mais explícito: estão a ‘ver’ a educação na União Soviética, no antigo Cambodja, no tempo do remoçado Marquez?! É mais ou menos isso.
Desviei-me, mas o paradoxo Garzón mantém-se: e quem, no Estado, pessoa e local que desconheço, educará os meninos contra a corrupção???
Não vale a pena darem cabo da cabeça a pensar, até porque a nossa Maria José é muito mais divertida, é aquilo a que chamamos uma mulher de armas, não liga a pormenores. Muito mais activa que Garzón propôs logo ‘unidades anti-mafia’, com metralhadoras e tudo. E ela a comandar!
Portugal está a tornar-se um sítio perigoso!

terça-feira, março 27, 2007

Fora de Estrutura

“Finalmente chegou a nossa vez…a vez de gente que não aceita ser esventrada das suas convicções…autênticos fora de estrutura, e por vezes mesmo, fora da lei, quando esta se apresenta iníqua… (Somos), por isso, gente que se organiza em resistência, face à evidência da invasão, após o mortal atentado dos direitos do homem (mesmo do homem/mulher medido em milímetros!) de 11 de Fevereiro passado próximo. Agora, então, mais fora de estrutura do que nunca.
Em ordem a clarificar a nossa identidade seja dito que somos todos católicos. Quer dizer, gente que recebe de Cristo a alegria de viver…
Não somos de esquerda. Repudiamos os recursos habilidosos da demagogia que faz coincidir esquerda e futuro. Porque a demagogia é timbre dos que falam sem vir do silêncio. Quer dizer, desse longo respeito por uma verdade que nunca se oferece aos que, no alarido dos interesses de uma qualquer mínima vantagem, a traficam…
Todavia, não nos reconhecemos na direita intelectualmente ociosa, que quer sobretudo, a liberdade de iniciativa como absoluto, o estado fora da economia, a consciência individual como legitimadora do imperialismo do apetite…
Reconhecemos a ordem como um bem. Que ‘não há autoridade que não venha de Deus’ (Rm 13.1) …que a destruição da verdadeira autoridade não conduz a uma liberdade absoluta mas antes ao seu contrário, à coacção e violência…
Sentimos o dever de nos defendermos perante a grande internacional da comunicação social. Trata-se desse imponente recurso de fractura com o cristianismo, tenaz agressor, por exemplo, de uma qualquer eventual e hipotética bondade da reflexão do magistério da Igreja, sempre apresentado como troglodita. Olhamos para a comunicação social sem reverência…
Acresce que fora de estrutura é uma designação utilizada nalgumas comunidades terapêuticas para pessoas com problemas de toxicodependência. Diz respeito a alguém que deverá retirar-se do ritmo da casa para pensar, decidir-se em ordem a crescer e a assumir outra atitude face à existência. Também nesse sentido, portanto, os deste blogue estamos fora de estrutura: nós que nos reconhecemos envolvidos pelo ar tóxico desta comunidade chamada Portugal…
Todos vivemos por perto das andanças das comunidades terapêuticas.
Daremos particular atenção ao que acontece neste âmbito. E porque somos todos amigos esperamos ter neste blogue um testemunho dessa amizade…”

De que é que estão à espera para irem ler o texto completo no local próprio, e que abre de forma magistral um novo caminho na blogosfera?
Eu também lá estou, fora de estrutura de alma e coração.

segunda-feira, março 26, 2007

Salazar goleou

Perante uma plateia com mau perder Salazar ganhou folgadamente o concurso dos grandes portugueses. Deu-se até ao luxo de escolher quem o devia acompanhar no pódium! Com inegável desportivismo convidou uma pretensa vítima e um falso opositor!
Tudo isto, como se compreende, deixou em estado de choque a nomenclatura de Abril presente ao acto! E foi o bom e o bonito – Odete, completamente descomposta e a reclamar uma consulta dentária de urgência, não se conteve e desatou a gritar palavras de ordem contra o fascismo, enquanto a escanzelada Pinhão insistia em dizer umas gracinhas também escanzeladas. Rosado Fernandes, pelo contrário, considerou que a votação maciça em Salazar correspondia a um voto de protesto face ao actual desgoverno!
Mas não havia nada a fazer, a consternação tomou conta da sala e nem as palavras ponderadas, e educadas, de Jaime Nogueira Pinto, tiveram o condão de sossegar aquelas alminhas!
O que impressiona é haver quem pensasse noutro resultado depois de trinta anos de manipulação histórica e de propaganda contra a segunda república, já para não falar da ignorância em vigor!
Então um homem que governou durante quarenta anos um país, poderia tê-lo feito sem mérito, e apenas apoiado na força?! Isso cabe na cabeça de alguém?! E onde está o país que o apoiou durante esse tempo? Desapareceu por artes mágicas?
Para além de Jaime Nogueira Pinto, apenas uma outra intervenção merece destaque porque afinal explicou lapidarmente a razão da vitória de Salazar – ele foi a última representação política do Portugal histórico que estávamos ali a tentar celebrar. Uma representação imperfeita, é certo, inadequada e condenada ao insucesso, pois que lhe faltava o vínculo que assegura a continuidade e a perenidade pátrias, mas ainda assim a representação que para os portugueses se aproximava mais desse ideal e se afastava mais do descalabro anterior. E este voto acaba por confirmar que esse desejo de regresso à tradição, aos caminhos da portugalidade, se mantém na grande maioria dos portugueses. Foi aliás essa constatação que ninguém quis fazer após terem sido conhecidos os resultados!
Já sei que se trata de um mero concurso e que estas votações são aleatórias, mas não se enganem, o concurso pode ser tudo isso, mas nos outros países onde também se realizou, não houve, nem este clima de suspeição e guerrilha, nem esta diferença de votos!
Dá que pensar.

Europa 50

Não é nome de veneno, é hino de louvor a este condomínio fechado que usurpou o nome de Europa. As boas e as más intenções do Tratado de Roma foram rápidamente ocupadas por maus políticos e bons banqueiros, e passo a passo construímos a fortaleza do egoísmo e do bem-estar. As fronteiras terão desaparecido mas no seu lugar ergueram-se barreiras que não deixam passar a solidariedade!
Neste condomínio, implorámos e conseguimos um T/0 sem vista para o mar, mas com vista para a piscina onde se bronzeiam e divertem os grandes beneficiários. A renda que pagamos é o défice, 3% por enquanto, e para o pagarmos apertaremos o cinto toda a vida.
Neste aniversário a preocupação dominante era a Carta comum que há-de permitir escolher o próximo Imperador. O seu nome, Calígula ou Nero, não interessa, certo é que voltará a perseguir os Cristãos. E nós vamos continuar a fornecer os artistas para o Circo. Ontem, Spartacus, hoje, Cristiano Ronaldo!
E estamos felizes por isso!