quinta-feira, maio 17, 2007

Salta-pocinhas

Espécime lusitano, nasce, cresce e vive nos partidos, polivalente, saltita de poleiro em poleiro, percorre o país, percorre a função pública, esvoaça entre a Europa e o mundo, mas agarrado que está ao orçamento, volta sempre ao ninho.
Este interminável carrossel desfila quase diariamente perante os olhos deslumbrados dos eleitores, que bem tentam fixá-los aos lugares, mas em vão! À mínima oportunidade, escapam-se, obedecem a impulsos irresistíveis, sedentos de servir, nada e ninguém os segura!
O estudo das suas migrações é um capítulo à parte da ciência política e do pouco que se sabe, apenas sabemos das suas preferências por determinados percursos e poleiros: a Câmara de Lisboa, o Palácio de Belém e Bruxelas estão entre os lugares eleitos para nidificação.
Atento ao fenómeno, alarmado com a proliferação da espécie, o interregno sugere algumas medidas profilácticas para combater a praga:
- A terceira república deveria recensear estes salta-pocinhas, não é difícil porque são sempre os mesmos, e a partir daí poderia estabelecer uma escala de serviço, rotativa, de forma a satisfazer, simultaneamente, as necessidades dos partidos e o apetite voraz destes irrequietos passarinhos.
Poupava-se no orçamento e poupavam-se muitos incómodos aos eleitores.
A bem da nação…

segunda-feira, maio 14, 2007

Votos inúteis

Quando me lembro da decadência, olho para mim e penso no meu país! Mas logo a seguir penso na França, e concluo que a expressão decadência tem ali o seu sinónimo e paradigma.
É fácil definir a decadência, é um sentimento de perca, é também um facto que se pode medir, no caso francês, através de um índice insofismável – a língua francesa foi veículo universal de cultura até há bem pouco tempo, e hoje já não é.
Só reparamos que já não é, de repente, mas o declínio começou há muito tempo. Atrevo-me a situar uma data que por certo provocará ira e controvérsia – a tomada da Bastilha, marco de uma luta fratricida que a França celebra como seu dia nacional, o que não deixa de ser um paradoxo.
Estas considerações vêm a propósito das recentes eleições francesas ganhas por Sarkozy como poderiam ter sido ganhas por Ségolene, não foi isso que me impressionou! O que me chamou a atenção foram dois pequenos nadas que contrariam a versão oficial do acontecimento:
Assim, onde os analistas viram sinais de esperança pela enorme participação popular, eu vi desespero! A última ilusão para quem ainda não percebeu que o sufrágio não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio para atingir um fim, que nenhum dos candidatos estava em condições de garantir. Apesar disso, os franceses entregaram-se ao sufrágio como um condenado aceita a sua pena. Votaram como se vota no terceiro mundo, em massa, mecanicamente, sabendo de antemão que a sua vida não mudará um milímetro.
Outro pormenor confrangedor foram os cânticos na rua onde os apoiantes de Ségolene celebravam o revés eleitoral! Lembrei-me imediatamente de idêntico procedimento junto à praça do Marquez de Pombal, com os portugueses a festejarem a derrota contra a Grécia no europeu de futebol!
Este tipo de procedimento não é normal, nem representa o chamado bom perder, basta pensarmos nos tumultos e nos carros incendiados nos arredores de Paris pelos partidários de Ségolene, logo que foram conhecidos os resultados eleitorais. Em minha opinião nada disto tem a ver com as escolhas que a democracia promete, revela apenas orfandade política! Aqueles adeptos, iguais aos outros que festejavam a vitória de Sarkozy, não votaram em partidos políticos, estão filiados em clubes afectivos e agem em conformidade. Órfãos de pai, agarraram-se às saias de Ségolene como no campo oposto se agarram à segurança que o padrasto hungaro pode significar. Irremediávelmente divididos, cada francês busca em vão o seu Bonaparte, que até pode ser uma mulher!
Enquanto isto, os donos dos clubes alimentam-se e divertem-se!

sábado, maio 12, 2007

Há petróleo na Câmara

O desassossego é total, os partidos estão em polvorosa, as pessoas não dormem, largam tudo e dirigem-se para a Câmara de Lisboa, febris, mecanicamente, fazem lembrar a corrida ao ouro no velho oeste americano.
Este esforço cívico que mistura em partes iguais, ambição, calculismo, descaramento, e outras virtudes que ‘por pudor terei vergonha de confessar seja a quem for’, não recua perante nada, e muito menos se atemoriza com a apregoada falência camarária. Pelo contrário, o espírito de cidadania redobra, e vem ao de cima, como a gordura de uma mancha de petróleo!
Por causa dela, da Câmara bem entendido, soube-se que uma arquitecta bastonária, convicta em várias frentes partidárias, está disposta aos maiores sacrifícios – rasgou um dos seus cartões militantes, abandona o bastão, oferece-se à cidade!
O Governo não lhe fica atrás e promete desfazer-se… por causa dela! O seu número dois, a pedra mais brilhante do diadema socialista, ameaça avançar sobre a Câmara. Afinal, nenhum governo é mais importante do que este lugar almejado!
No meio do frenesim, os munícipes lisboetas devem interrogar-se sobre o sentido e o valor do seu voto!.. E a pergunta inevitável há-de surgir um dia – mas se a Câmara é assim tão importante para os partidos políticos, porque não incluir a Câmara de Lisboa como troféu nas legislativas?!
Talvez fosse melhor para a cidade.

sexta-feira, maio 11, 2007

Assaltos na segunda circular

Em dias sucessivos alguns jornais não desportivos têm dado conta que a Câmara Municipal de Lisboa foi assaltada, num lado e no outro da segunda circular. As notícias ainda são nebulosas mas tudo indica que a EPUL, empresa de obras camarárias terá desembolsado perto de 10 milhões de euros a favor do Benfica, como adiantamento de futuros negócios que o Benfica venha a realizar no futuro!!! Tem a ver com terrenos que a mesma Câmara deu ao clube da Luz, e para este urbanizar no Vale de Santo António.
Outro assalto às finanças da Câmara, e com as mesmas características do anterior, ocorreu no lado oposto da perigosa circular, mais precisamente em Alvalade, tendo o clube leonino arrecadado à conta de negócios a perder de vista, uma importância semelhante, e estamos novamente a falar de 10 milhões de euros!
As investigações a estes assaltos decorrem e já existem pistas que levam a outros rombos nas finanças da conturbada autarquia, na mesma zona, e a favor dos suspeitos do costume.
Uma particularidade curiosa rodeia este tipo de operações…financeiras – os presidentes dos clubes beneficiados são normalmente apanhados de surpresa, desconhecem!
Saudações desportivas.

terça-feira, maio 08, 2007

O golpe do centenário

De vez em quando dá-me para desconfiar, sonho com conspirações, visiono o relampejar das armas traiçoeiras, mas passado algum tempo… passa-me! Por isso já me devia ter passado esta ideia que se me alojou no cérebro e não consigo evitar.
O que se passa, perguntam amigos, vendo-me meditabundo?!
Eu nada respondo, vocifero sem razão, frases soltas, a única coisa que se percebe é a palavra ‘centenário’!
Está descansado que chegas lá, animam-me.
E volto à mesma – ninguém me tira da cabeça que querem a cabeça do Carmona para meterem lá um maçon legítimo por causa das celebrações do centenário! Até que enfim que consegui dizer tudo de seguida!
O quê, não me digas?! Recuam à minha frente incrédulos e crédulos!
Não se lembram da golpada para afastar o Santana?! É do mesmo estilo. Não existe nada de concreto, na altura inventou-se uma palavra – trapalhada – juntam-se pequenas coisas, laterais, também inconcretas, cria-se o clima propício a um desenlace inevitável, e pronto…está feito o trabalhinho. Os partidos de Abril comandam, a comunicação social apoia, eis a verdadeira aliança primaveril!
Mas na Câmara o homem não tem condições, replica um dos que vê televisão todos os dias?! E adianta a palavra-chave – aquilo está ingovernável!
Mas condições de quê, implico eu?! Por ter sido constituído arguido (praticamente a pedido) num processo que todos sabemos que vai dar em nada! Ou é a crise financeira da Câmara que agora serve, mas nunca serviu para deitar abaixo nenhum executivo camarário?!
Conversa fiada, destinada a reviver a cena na varanda do município, a revolução lisboeta que foi comunicada ao resto do país por telégrafo; os trezentos na rotunda e uns milhares de adesivos a descerem a Avenida; a festa rija dos herdeiros dos regicidas; os crimes, a divisão, a crise, o terror; hoje por ser feriado não há revolução em Portugal; o desastre da Flandres, os quarenta governos em dois anos… e os quarenta anos de ditadura; o golpe de Abril por um triz…e os cravos que murcharam em Abril; a descolonização exemplar; o fantasma de Timor; a redução de fronteiras aos limites da primeira dinastia; a região tributária de Bruxelas…e Madrid; a cauda da Europa; a independência a fugir...; a legalização entusiástica de tristes realidades sociais, em nome de um falso progresso e de uma falsa liberdade; mas sobretudo o tremendo divisionismo, que não me irmana com ninguém, que não mobiliza ninguém, veneno que destrói os alicerces da Pátria…que já não há…
É isto que vais celebrar? É isto que queres comemorar? Em comunhão com a Maçonaria?!
Imagino o cortejo histórico – Afonso Henriques de corda ao pescoço, à frente! Atrás dele, o Condado Portucalense que resta, todos nós de corda ao pescoço, arrastando as correntes da dependência, sem darmos por isso, e eventualmente felizes!
Quem perdeu a memória, ou quem nunca a teve, merece sempre o seu destino – a espinha dobrada ao serviço dos poderosos…porque são poderosos. A troco de uns lugares na Europa!
Viva o centenário!

sexta-feira, maio 04, 2007

Poder local

A primeira pergunta é recorrente neste interregno recorrente:
O que fazem os partidos políticos no poder local?
A partir desta dúvida, sucedem-se as dúvidas:
Em que se distingue um esgoto socialista de um outro esgoto inspirado pelos centristas!
E a incontornável rotunda será mais rotunda ou melhor rotunda se assentar nos alicerces de uma maioria social-democrata?!
E que valor acrescentado trazem os comunistas quando se trata de satisfazer as aspirações do clube local!
Perguntas sem resposta porque os partidos deveriam esgotar-se na representação das diversas sensibilidades políticas que coexistem na comunidade considerada como um todo, deixando o poder local às pessoas com rosto que em cada eleição merecem a confiança das respectivas populações. Por essa razão não coincidem, e poderiam coincidir, as eleições para a Assembleia da República e as eleições para as Autarquias.
Costuma dizer-se que mais vale tarde do que nunca, e assim, nas próximas eleições autárquicas já poderão concorrer candidatos independentes sem a obrigatoriedade da bengala partidária. Estou convencido que os imbróglios nas câmaras e freguesias continuarão a existir, mas também estou certo que irão sofrer uma redução significativa.
E se a nova lei conseguir retirar o poder local do centro do combate político que todos os dias se trava entre os partidos com assento parlamentar…já será um ganho importante!

quinta-feira, maio 03, 2007

A crise de encomenda

É uma espécie de conto do vigário à moda da casa, prato especial desta partidocrise permanente que nos entretêm entre o telejornal e a telenovela. Vejamos como se fabrica e quando se fabrica a crise:
Fabrica-se a crise quando é preciso mudar alguém de poiso, alguém que foi parar ao poiso errado, por ter ganho umas eleições que não devia ter ganho. E a situação engravida porque o poiso é nosso e dá acesso quase directo a Belém! Parece confuso?! Mas não é!
Um exemplo: Carmona Rodrigues está num poiso que não lhe pertence e por isso tem que ser arredado de qualquer maneira. Além disso, é independente, não é dos nossos, e se a coisa lhe corre bem, corremos o risco do homem se candidatar a Belém. E rima, o que torna as coisas ainda mais perigosas! Já bem basta o acesso via primeiro-ministro que não conseguimos controlar totalmente.
Vamos agora ver como se fabrica a crise: de início põe-se a crise de molho, como o bacalhau, entretanto vai-se mudando a àgua com a preciosa ajuda da comunicação social amiga, e na primeira oportunidade, entregamos a crise aos cuidados do sistema político-judicial português! Este por sua vez já encontrou uma resposta adequada à situação – basta constituir o ‘inimigo a abater’ na qualidade de arguido, porque a seguir, o indispensável partido, obrigado pela 'jurisprudência' em vigor, há-de obrigá-lo a resignar. Convocam-se então eleições intercalares para que os nossos, aproveitando a confusão e o descrédito que a situação de arguido sempre provoca, possam enfim ganhar as eleições …e o poiso.
Como se vê, a crise compensa.

terça-feira, maio 01, 2007

Ota - as perguntas incómodas

NOVO AEROPORTO
Diligências efectuadas sobre este assunto, pelo Arq. Luís Gonçalves, junto do ministro das Obras Públicas.
Porque as dúvidas e os argumentos ali expostos, são de manifesto interesse público, passo a divulgar o referido documento:
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Ex.mo Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e
Comunicações
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No passado mês de Maio, enviei uma mensagem electrónica a V. Ex.cia e uma outra a S. Ex.cia o Primeiro-ministro, solicitando um esclarecimento ao processo de decisão da localização do Novo Aeroporto de Lisboa.
Passado pouco mais de um mês, recebi de ambas as partes ofícios informando-me que teria sido dada a devida atenção à minha mensagem e que as minhas considerações estariam a ser objecto de análise.
No entanto, não tendo desde então recebido qualquer esclarecimento, prossegui a análise dos vários estudos e documentos disponibilizados pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (ou por entidades por ele tuteladas), referentes aos processos do Novo Aeroporto de Lisboa e da Rede Ferroviária de Alta Velocidade, verificando a existência de algumas questões para as quais continuei a não encontrar resposta.
No dia 17 de Novembro, enviei um novo pedido de esclarecimento do qual voltei a não obter qualquer resposta.
Nesse sentido, venho novamente por este meio, como cidadão e contribuinte, solicitar a V. Ex.cia que providencie as respostas às seguintes questões, as quais me parecem legítimas e pertinentes:
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Antecipadamente grato pela disponibilidade de V. Ex.cia para responder a estas 21 questões, subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos,
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Luís Maria Gonçalves, arqº
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PS: transcrição de um e.mail recebido.

sábado, abril 28, 2007

A processual república

“Num país onde a revolução de Abril acabou com a Pide para a ver substituída pelo Ministério Público.”

Antes que me prendam ou processem, ressalvo que a frase pertence ao presidente do Futebol Clube do Porto e está escrita no seu último livro. Mas a revelação não deixa de ser sintomática se a relacionarmos com a denúncia de “claustrofobia democrática” feita em pleno Parlamento, em plena festa de Abril, e a propósito da liberdade de informação!
Sei bem que a simples referência ao nome de Pinto da Costa é suficiente para levantar tempestades de ira, para criar processos de rejeição entre o nacional-benfiquismo vigente, que inclui o Sporting, mas a verdade é que PC não inventou nada, limitou-se a aplicar a norte o mesmo esquema que antes fazia as delícias dos clubes da capital, que por essa altura, durante o Estado Novo, gozavam de uma justa e virtuosa hegemonia!
Mas não é disso que tratamos agora, mas de uma frase que suscita reflexão e que pode não ser tão infeliz como parece.
Aliás, o processo “apito dourado” é um bom exemplo da desconfiança instalada, porque dá a ideia que a corrupção está localizada no norte do país, seja no futebol ou no resto. Não é verdade, todos sabemos que é um desporto nacional, generalizado, com imensos praticantes e adeptos, e se fosse possível detectar-lhe uma origem ou fundação, seríamos inclinados a apontar na direcção da capital, da Corte por assim dizer, porque é onde a modalidade tem mais possibilidades e melhores condições para se enraizar e desenvolver.
Um longo intróito para situar a parte de cima do iceberg, mas a parte de baixo é que interessa – "vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam também dá para tudo! Isto não foi feito ao acaso, foi bem pensado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se de processos, ganha sempre. O simples português anónimo, que conta os euros para chegar ao fim do mês, mesmo que sinta que tem razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, que passa à categoria de figura de retórica". E as denúncias acima enunciadas começam a fazer sentido.
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O texto entre aspas e a bold, corresponde a um comentário que fiz no blog - 'A Interpretação do Tempo' ( ver link na coluna da direita).

quarta-feira, abril 25, 2007

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá?! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

terça-feira, abril 24, 2007

Alma russa

Morreu Boris Nikolayevich Ieltsin, um antigo militante e dirigente comunista, que há-de ficar na história por ter resistido em 1991 à tentativa de restaurar o regime soviético.
Homem truculento, excessivo, de certa maneira errático, guardava no entanto dentro de si o calor e a grandeza da alma russa!
Não me esqueço, quando em plena Duma, num discurso emocionante transmitido pela televisão para todo o mundo, reabilitou a memória dos Romanoff, da Família Imperial Russa, barbaramente assassinada pelos sequazes de Lenine.
Em nome do povo russo, pediu perdão, admitiu o erro e a ignomínia!
Este gesto não está ao alcance de muitos!

domingo, abril 22, 2007

Galeria da cidade

Diga-me uma coisa, isto é um Trotsky?
Não minha senhora, é uma imitação. O Trotsky que havia desapareceu há muito tempo, o que agora aparece são estas cópias, que também têm óculos, mas são falsas.
Desculpe a insistência, mas a escola é a mesma?!
A escola é a mesma, a procura é que é diferente. Quem gosta muito disto são as novas classes emergentes, que querem fazer vida de ricos, mas não querem ser ricos! Resultado, alguém tem de pagar a conta. É o velho problema das imitações nacionais – o produto é barato, mas se a senhora quiser comprar, sai-lhe caro por causa dos impostos!
Ainda bem que me avisa, se calhar então vou para aquele ali. Aquele não engana, é um Blair autêntico!
Minha senhora, se eu lhe disser que aquele é um pinóquio a senhora não acredita, por isso vou dizer-lhe que aquilo é um engenheiro e assim a senhora já acredita. Estou a ser sincero, não vou enganá-la, porque neste caso, quem foi enganado fui eu! Isto foi-me vendido com todas as garantias, com certificado, disseram-me que se não fosse um Blair, era um Zapatero concerteza. Não é que eu aprecie um ou outro, mas vendem-se bem, os otários adoram pendurar estas coisas na parede, isso dá-lhes uma grande sensação de proximidade.
Mas para a senhora ver que não estou a mentir, vou revelar-lhe um segredo – eu só fiquei com ele porque me afiançaram que ainda era da escola do primitivo oliveira!
Afinal saiu-me este manequim! Não vale nada.
Só por dizer que faz par com o outro que veio da rua dos fanqueiros. Mas esse nunca me enganou, esse comprei-o mesmo para manequim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Gato reciclado

‘Gato escaldado da àgua fria tem medo’, velho ditado, e o rapazinho nunca me enganou! Com que então andou na mocidade portuguesa dos partidos políticos! E logo nos juniores do PCP! Não confundir com FCP, que são da invicta cidade! Nesta grande área, o jovem puxa mais para o terceiro anel, que o nacional-benfiquismo é muito lá de casa!!! É uma doença, vício de partido único. Nas democracias populares era, ainda é, vulgar.
Pois muito me conta, tem graça sim senhor, que os dons de nascença, quando bem nascidos, e crescidos, podem ter graça, graça saudável, universal, por ser saudável.
Graça aqui e na China, ontem, hoje e amanhã.
Mas a coisa anda a entortar, e vesga se está a tornar. Então não querem lá ver que o regime já tem humor oficial outra vez!!!
Com efeito lavra uma luta surda entre os infantis da esquerda, todos querem botar faladura na festança de Abril, e o jovem indigitado, imaginem, seria este gato reciclado!
Sim, o Ricardo do contra cartaz! Esta ideia é entusiasticamente apoiada pelos juniores do bloco e do PS, que nestas coisas não se distinguem!
Quem não está pelos ajustes e já reclamou os seus direitos de formação foi obviamente o PCP, que tem outra ideia e outro jovem para lançar no mercado. Resultado, está tudo indisposto e Vasco Lourenço já ameaçou: ou se entendem ou não fala ninguém.
Eu acho preferível, mas não tenho que me meter, a festa é deles, como se vê, não tem nada a ver com o país, com Portugal.
É uma festa de gatos para meia dúzia de gatos-pingados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Os silêncios da esquerda

A esquerda em silêncio, está tudo calado, este silêncio lembra os primórdios da Casa Pia, alguns comunicados, poucas aparições, ouvem-se cães a ladrinchar ao longe, o cerco de mentiras ameaça estrangular o primeiro-ministro...quem diria, um primeiro-ministro que deu tanto trabalho a fabricar!...
Primeiro o ambiente, que está sempre na moda; não esquecer o futebol, na televisão, o Euro pago a peso de ouro, lembram-se?! Só eram precisos oito estádios para concorrer, mas nós oferecemos mais dois! A quem?!
Mas temos homem! O Santana não serve, não sabe fazer trapalhadas, não é de confiança, precisamos de jugular uma série de processos incómodos que estão a afectar a nossa gente, está decidido... e deposto. Belém conta connosco e nós contamos com a comunicação social. Ela será recompensada e há-de protegê-lo.
O perfil está traçado – a teimosia faz lembrar a obstinação de alguém que deixou nome, o ar possidónio confunde-se com o modernismo em vigor, saibamos tirar partido disso. O rapaz fala bem, muito importante num país de basbaques, nada de longas exposições em público, basta dizer o essencial, retirando-se de seguida em pose de estado!
Estava tudo a correr pelo melhor quando apareceu esta história das habilitações académicas, ponta de um iceberg gigante que o país de Abril esconde no seu bojo, e onde há de tudo, como na loja do chinês! A corrupção é apenas um detalhe, um estado de alma!
Um dia saberemos a verdade.
Por enquanto resta-nos adivinhá-la no silêncio do bloco, nas coisas ‘mais importantes’ para os comunistas, no centrão engasgado, na conversa dos advogados reitores, no sorriso amarelo de quase toda a comunicação social!
O tempo está belíssimo!

terça-feira, abril 17, 2007

Trabalho de casa

Laboriosa formiga a nossa RTP vai aconchegando a agenda política da esquerda no poder, já lá vão trinta e tal anos, fora os ameaços. Segunda-feira é dia, um dia depois de Marcelo, para pôr a escrita em dia, à noite!
Ensino privado era o tema, universidade independente, o objectivo. O cenário a condizer, Fátima de bandolete, colegial entre os lentes, viçosa até!... Ouvi aquilo aos bochechos, quero dizer, em diagonal e retive algumas evidências – o Estado tem que ser subsidiário no ensino e não condutor ou ideólogo. Que é precisamente o que acontece e está sempre a acontecer! E ninguém falou nos currículos, no mais importante, nas matérias aprovadas para as criancinhas aprenderem, o que hoje sabem, a saber: - que Portugal nasceu em Abril, na primavera da liberdade, que o estado novo era feio, os reis muito maus, mas o povo era bom! Era tão bom, tão bom, que se meteu nas caravelas sem o rei autorizar! Era tão bom, tão bom, que agora suspira por um ditador, chame-se ele, Cunhal ou Salazar!
Rimou sem querer.
Mais uma passagem, mais um bochecho, para assistir à cena final: Fátima encarou os lentes e soltou a pergunta impertinente, mas que suspeito, era o objectivo pertinente: - então como é que vamos fazer para que as universidades privadas sejam todas boas e não aconteça o que está acontecer na universidade independente?! Que é feia e tem que fechar!
A resposta óbvia não surgiu, mas podia ser esta: é preciso evitar que jovens políticos muito ambiciosos se matriculem com o único objectivo de arranjarem um canudo que lhes dê um estatuto que não têm. Por outro lado é preciso evitar que essas universidades caiam nas mãos dos partidos políticos, ou sejam por eles controladas.
Parece simples mas não é.

sábado, abril 14, 2007

A explicação de um detalhe

O texto anterior merece outra clareza que a forma de expressão escolhida pode ter obscurecido:
Não pretendo substituir Sócrates por outro Sócrates, ciente que estou que não existe verdadeira oposição em Portugal…long time ago!
Aliás, o texto não é muito desfavorável ao contestado engenheiro, uma vez que nunca o considerei totalmente responsável pelos seus actos! Responsabilizei o regime, que sem desprimor para os diversos protagonistas, tudo controla e asfixia! E esta circunstância é agravante, na medida em que não existe no topo da pirâmide nenhum poder verdadeiramente independente dos partidos!
Também não posso nem quero substituir a população, mas quero e posso responsabilizar todos aqueles que se intitulam republicanos pela evidente falência do mesmo regime. Aqui vale a sentença: quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate!
E não passo sem referir que hoje já não existem monárquicos ou republicanos na velha acepção, mas sim portugueses que não querem perder a sua independência e que estão decididos a honrarem ‘os egrégios avós’ do hino republicano.
Finalizo esta explicação reafirmando o papel totalitário que as universidades desempenham na sociedade, nomeadamente nas escolhas dos dirigentes partidários, e futuros governantes!
Dispenso-me de argumentar nesta matéria – o imbróglio sobre o título académico do primeiro-ministro fala por si!

quinta-feira, abril 12, 2007

Trágico-cómico!

Seria cómico se não fosse trágico!
Sócrates não mente, porque em Portugal ninguém mente!
Sócrates não mente, porque um primeiro-ministro de Portugal nunca mente!
Sócrates não mente, porque a mentira não mente!
Mas Sócrates mente, porque em Portugal todos mentem!
…por necessidade, por abandono, por misericórdia, pela minha saúde, eu seja ceguinho, palavra de honra, por isto e por aquilo, juro que já menti…
Mas Sócrates não mente, porque quem mente todos os dias é o regime que ele representa!
Mente na Casa Pia, mente no Aeroporto, mente no TGV, mente em Bruxelas, mente na constituição, na descolonização, o tribunal constitucional é mentira, mente nas contas, nos impostos, no desemprego, no futebol, em tanta coisa… mentiu na pergunta do referendo… nas promessas do referendo também mentiu!...
Sócrates não mente sozinho, porque neste país ninguém mente sozinho!
Sócrates mente, mas não sabe porque mente!
É um produto irresponsável da nossa deseducação, um ‘pronto a vestir’ das nossas universidades, para servir nos partidos… os partidos!
Foi escolhido pelo regime para fazer o serviço sujo, e com um tropeço ou outro, vai dando conta do recado.
Muitos dos que agora gemem, votaram nele!
E vão continuar a votar no regime que elege o chefe... dele!

quarta-feira, abril 11, 2007

O voto ou a vida

O atentado de 11 de Fevereiro foi finalmente reivindicado.
Cavaco Silva, de visita à Estónia, confirmou a promulgação do diploma que liberaliza o aborto, diploma devolvido ao Parlamento com um conjunto de recomendações e condolências.
O partido das dez semanas já reagiu, recusando recomendações ou condolências.
Outro dos envolvidos no atentado, vai hoje à televisão explicar as trapalhadas da sua formação académica. O primeiro-ministro deve aproveitar esta oportunidade para anunciar ao país uma série de medidas que nos irão colocar na dianteira da Europa, medidas que só agora podem ser implementadas graças à promulgação desta lei de liberalização do aborto.
E já que estamos em maré de atentados – liberdade de expressão, vida, descolonização, etc., – chamamos a atenção da ministra da cultura para o vasto espólio que existe nesta área! A pedir talvez um museu para a terceira república. Seria um museu itinerante, com trajecto assegurado entre São Bento e Belém, locais de onde brotam, praticamente todos os dias, as peças mais raras!
Terminamos como habitualmente com o futebol, e também aqui só temos motivos de satisfação: O Chelsea de Mourinho ganhou; o Manchester United de Cristiano Ronaldo goleou; falta apenas ganharmos ao Espanhol!
E do próximo adversário do Benfica, chega-nos outra boa notícia: Tamudo, capitão de equipa do Espanhol, está lesionado.
É assim, de vitória em vitória…

terça-feira, abril 10, 2007

Liberdade de expressão

É hoje notícia nalguma imprensa que o Supremo Tribunal de Justiça condenou o jornal ‘Público’ em 75.000 euros, por ofensa ao bom nome do Sporting Club de Portugal, e pelo facto de ter publicado uma notícia verdadeira!
Assim mesmo, não há engano, a notícia em causa dizia respeito a uma dívida ao Fisco por parte do Sporting, dívida que estava fora do plano Mateus...e não podia estar!
No entanto, o inefável colectivo de juizes entendeu por bem que a verdade é bem menos importante do que o bom nome de uma Instituição de Utilidade Pública, no caso, o clube leonino!
Este Interregno compreende perfeitamente o alcance da meritíssima decisão, ou não estivessem em causa os superiores interesses de um dos três ‘clubes do estado’, que reinam abertamente nesta pacóvia república soviética.
E faz doutrina – ai de quem se atreva no futuro a denunciar, ou simplesmente informar, que Benfica, Sporting ou Porto, devem qualquer coisinha ao Fisco! Está tramado.
O bom nome não deve, ponto final.

domingo, abril 08, 2007

Páscoa poesia

Páscoa feliz,
Em chocolate,
Ovo esquecido
Entre os lilazes.
Páscoa passagem
Dentro de mim,
Ponte e miragem
Para o outro lado.
Páscoa de vida
Ressuscitada,
Páscoa sentida,
Ao pé da Cruz,
Ao pé de ti,
Revisitada.
Páscoa por fim,
Entrelaçada
E tão verdadeira
No mesmo dia
Em que te vi...
A Páscoa inteira.