quinta-feira, maio 17, 2007

Salta-pocinhas

Espécime lusitano, nasce, cresce e vive nos partidos, polivalente, saltita de poleiro em poleiro, percorre o país, percorre a função pública, esvoaça entre a Europa e o mundo, mas agarrado que está ao orçamento, volta sempre ao ninho.
Este interminável carrossel desfila quase diariamente perante os olhos deslumbrados dos eleitores, que bem tentam fixá-los aos lugares, mas em vão! À mínima oportunidade, escapam-se, obedecem a impulsos irresistíveis, sedentos de servir, nada e ninguém os segura!
O estudo das suas migrações é um capítulo à parte da ciência política e do pouco que se sabe, apenas sabemos das suas preferências por determinados percursos e poleiros: a Câmara de Lisboa, o Palácio de Belém e Bruxelas estão entre os lugares eleitos para nidificação.
Atento ao fenómeno, alarmado com a proliferação da espécie, o interregno sugere algumas medidas profilácticas para combater a praga:
- A terceira república deveria recensear estes salta-pocinhas, não é difícil porque são sempre os mesmos, e a partir daí poderia estabelecer uma escala de serviço, rotativa, de forma a satisfazer, simultaneamente, as necessidades dos partidos e o apetite voraz destes irrequietos passarinhos.
Poupava-se no orçamento e poupavam-se muitos incómodos aos eleitores.
A bem da nação…

segunda-feira, maio 14, 2007

Votos inúteis

Quando me lembro da decadência, olho para mim e penso no meu país! Mas logo a seguir penso na França, e concluo que a expressão decadência tem ali o seu sinónimo e paradigma.
É fácil definir a decadência, é um sentimento de perca, é também um facto que se pode medir, no caso francês, através de um índice insofismável – a língua francesa foi veículo universal de cultura até há bem pouco tempo, e hoje já não é.
Só reparamos que já não é, de repente, mas o declínio começou há muito tempo. Atrevo-me a situar uma data que por certo provocará ira e controvérsia – a tomada da Bastilha, marco de uma luta fratricida que a França celebra como seu dia nacional, o que não deixa de ser um paradoxo.
Estas considerações vêm a propósito das recentes eleições francesas ganhas por Sarkozy como poderiam ter sido ganhas por Ségolene, não foi isso que me impressionou! O que me chamou a atenção foram dois pequenos nadas que contrariam a versão oficial do acontecimento:
Assim, onde os analistas viram sinais de esperança pela enorme participação popular, eu vi desespero! A última ilusão para quem ainda não percebeu que o sufrágio não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio para atingir um fim, que nenhum dos candidatos estava em condições de garantir. Apesar disso, os franceses entregaram-se ao sufrágio como um condenado aceita a sua pena. Votaram como se vota no terceiro mundo, em massa, mecanicamente, sabendo de antemão que a sua vida não mudará um milímetro.
Outro pormenor confrangedor foram os cânticos na rua onde os apoiantes de Ségolene celebravam o revés eleitoral! Lembrei-me imediatamente de idêntico procedimento junto à praça do Marquez de Pombal, com os portugueses a festejarem a derrota contra a Grécia no europeu de futebol!
Este tipo de procedimento não é normal, nem representa o chamado bom perder, basta pensarmos nos tumultos e nos carros incendiados nos arredores de Paris pelos partidários de Ségolene, logo que foram conhecidos os resultados eleitorais. Em minha opinião nada disto tem a ver com as escolhas que a democracia promete, revela apenas orfandade política! Aqueles adeptos, iguais aos outros que festejavam a vitória de Sarkozy, não votaram em partidos políticos, estão filiados em clubes afectivos e agem em conformidade. Órfãos de pai, agarraram-se às saias de Ségolene como no campo oposto se agarram à segurança que o padrasto hungaro pode significar. Irremediávelmente divididos, cada francês busca em vão o seu Bonaparte, que até pode ser uma mulher!
Enquanto isto, os donos dos clubes alimentam-se e divertem-se!

sábado, maio 12, 2007

Há petróleo na Câmara

O desassossego é total, os partidos estão em polvorosa, as pessoas não dormem, largam tudo e dirigem-se para a Câmara de Lisboa, febris, mecanicamente, fazem lembrar a corrida ao ouro no velho oeste americano.
Este esforço cívico que mistura em partes iguais, ambição, calculismo, descaramento, e outras virtudes que ‘por pudor terei vergonha de confessar seja a quem for’, não recua perante nada, e muito menos se atemoriza com a apregoada falência camarária. Pelo contrário, o espírito de cidadania redobra, e vem ao de cima, como a gordura de uma mancha de petróleo!
Por causa dela, da Câmara bem entendido, soube-se que uma arquitecta bastonária, convicta em várias frentes partidárias, está disposta aos maiores sacrifícios – rasgou um dos seus cartões militantes, abandona o bastão, oferece-se à cidade!
O Governo não lhe fica atrás e promete desfazer-se… por causa dela! O seu número dois, a pedra mais brilhante do diadema socialista, ameaça avançar sobre a Câmara. Afinal, nenhum governo é mais importante do que este lugar almejado!
No meio do frenesim, os munícipes lisboetas devem interrogar-se sobre o sentido e o valor do seu voto!.. E a pergunta inevitável há-de surgir um dia – mas se a Câmara é assim tão importante para os partidos políticos, porque não incluir a Câmara de Lisboa como troféu nas legislativas?!
Talvez fosse melhor para a cidade.

sexta-feira, maio 11, 2007

Assaltos na segunda circular

Em dias sucessivos alguns jornais não desportivos têm dado conta que a Câmara Municipal de Lisboa foi assaltada, num lado e no outro da segunda circular. As notícias ainda são nebulosas mas tudo indica que a EPUL, empresa de obras camarárias terá desembolsado perto de 10 milhões de euros a favor do Benfica, como adiantamento de futuros negócios que o Benfica venha a realizar no futuro!!! Tem a ver com terrenos que a mesma Câmara deu ao clube da Luz, e para este urbanizar no Vale de Santo António.
Outro assalto às finanças da Câmara, e com as mesmas características do anterior, ocorreu no lado oposto da perigosa circular, mais precisamente em Alvalade, tendo o clube leonino arrecadado à conta de negócios a perder de vista, uma importância semelhante, e estamos novamente a falar de 10 milhões de euros!
As investigações a estes assaltos decorrem e já existem pistas que levam a outros rombos nas finanças da conturbada autarquia, na mesma zona, e a favor dos suspeitos do costume.
Uma particularidade curiosa rodeia este tipo de operações…financeiras – os presidentes dos clubes beneficiados são normalmente apanhados de surpresa, desconhecem!
Saudações desportivas.

terça-feira, maio 08, 2007

O golpe do centenário

De vez em quando dá-me para desconfiar, sonho com conspirações, visiono o relampejar das armas traiçoeiras, mas passado algum tempo… passa-me! Por isso já me devia ter passado esta ideia que se me alojou no cérebro e não consigo evitar.
O que se passa, perguntam amigos, vendo-me meditabundo?!
Eu nada respondo, vocifero sem razão, frases soltas, a única coisa que se percebe é a palavra ‘centenário’!
Está descansado que chegas lá, animam-me.
E volto à mesma – ninguém me tira da cabeça que querem a cabeça do Carmona para meterem lá um maçon legítimo por causa das celebrações do centenário! Até que enfim que consegui dizer tudo de seguida!
O quê, não me digas?! Recuam à minha frente incrédulos e crédulos!
Não se lembram da golpada para afastar o Santana?! É do mesmo estilo. Não existe nada de concreto, na altura inventou-se uma palavra – trapalhada – juntam-se pequenas coisas, laterais, também inconcretas, cria-se o clima propício a um desenlace inevitável, e pronto…está feito o trabalhinho. Os partidos de Abril comandam, a comunicação social apoia, eis a verdadeira aliança primaveril!
Mas na Câmara o homem não tem condições, replica um dos que vê televisão todos os dias?! E adianta a palavra-chave – aquilo está ingovernável!
Mas condições de quê, implico eu?! Por ter sido constituído arguido (praticamente a pedido) num processo que todos sabemos que vai dar em nada! Ou é a crise financeira da Câmara que agora serve, mas nunca serviu para deitar abaixo nenhum executivo camarário?!
Conversa fiada, destinada a reviver a cena na varanda do município, a revolução lisboeta que foi comunicada ao resto do país por telégrafo; os trezentos na rotunda e uns milhares de adesivos a descerem a Avenida; a festa rija dos herdeiros dos regicidas; os crimes, a divisão, a crise, o terror; hoje por ser feriado não há revolução em Portugal; o desastre da Flandres, os quarenta governos em dois anos… e os quarenta anos de ditadura; o golpe de Abril por um triz…e os cravos que murcharam em Abril; a descolonização exemplar; o fantasma de Timor; a redução de fronteiras aos limites da primeira dinastia; a região tributária de Bruxelas…e Madrid; a cauda da Europa; a independência a fugir...; a legalização entusiástica de tristes realidades sociais, em nome de um falso progresso e de uma falsa liberdade; mas sobretudo o tremendo divisionismo, que não me irmana com ninguém, que não mobiliza ninguém, veneno que destrói os alicerces da Pátria…que já não há…
É isto que vais celebrar? É isto que queres comemorar? Em comunhão com a Maçonaria?!
Imagino o cortejo histórico – Afonso Henriques de corda ao pescoço, à frente! Atrás dele, o Condado Portucalense que resta, todos nós de corda ao pescoço, arrastando as correntes da dependência, sem darmos por isso, e eventualmente felizes!
Quem perdeu a memória, ou quem nunca a teve, merece sempre o seu destino – a espinha dobrada ao serviço dos poderosos…porque são poderosos. A troco de uns lugares na Europa!
Viva o centenário!

sexta-feira, maio 04, 2007

Poder local

A primeira pergunta é recorrente neste interregno recorrente:
O que fazem os partidos políticos no poder local?
A partir desta dúvida, sucedem-se as dúvidas:
Em que se distingue um esgoto socialista de um outro esgoto inspirado pelos centristas!
E a incontornável rotunda será mais rotunda ou melhor rotunda se assentar nos alicerces de uma maioria social-democrata?!
E que valor acrescentado trazem os comunistas quando se trata de satisfazer as aspirações do clube local!
Perguntas sem resposta porque os partidos deveriam esgotar-se na representação das diversas sensibilidades políticas que coexistem na comunidade considerada como um todo, deixando o poder local às pessoas com rosto que em cada eleição merecem a confiança das respectivas populações. Por essa razão não coincidem, e poderiam coincidir, as eleições para a Assembleia da República e as eleições para as Autarquias.
Costuma dizer-se que mais vale tarde do que nunca, e assim, nas próximas eleições autárquicas já poderão concorrer candidatos independentes sem a obrigatoriedade da bengala partidária. Estou convencido que os imbróglios nas câmaras e freguesias continuarão a existir, mas também estou certo que irão sofrer uma redução significativa.
E se a nova lei conseguir retirar o poder local do centro do combate político que todos os dias se trava entre os partidos com assento parlamentar…já será um ganho importante!

quinta-feira, maio 03, 2007

A crise de encomenda

É uma espécie de conto do vigário à moda da casa, prato especial desta partidocrise permanente que nos entretêm entre o telejornal e a telenovela. Vejamos como se fabrica e quando se fabrica a crise:
Fabrica-se a crise quando é preciso mudar alguém de poiso, alguém que foi parar ao poiso errado, por ter ganho umas eleições que não devia ter ganho. E a situação engravida porque o poiso é nosso e dá acesso quase directo a Belém! Parece confuso?! Mas não é!
Um exemplo: Carmona Rodrigues está num poiso que não lhe pertence e por isso tem que ser arredado de qualquer maneira. Além disso, é independente, não é dos nossos, e se a coisa lhe corre bem, corremos o risco do homem se candidatar a Belém. E rima, o que torna as coisas ainda mais perigosas! Já bem basta o acesso via primeiro-ministro que não conseguimos controlar totalmente.
Vamos agora ver como se fabrica a crise: de início põe-se a crise de molho, como o bacalhau, entretanto vai-se mudando a àgua com a preciosa ajuda da comunicação social amiga, e na primeira oportunidade, entregamos a crise aos cuidados do sistema político-judicial português! Este por sua vez já encontrou uma resposta adequada à situação – basta constituir o ‘inimigo a abater’ na qualidade de arguido, porque a seguir, o indispensável partido, obrigado pela 'jurisprudência' em vigor, há-de obrigá-lo a resignar. Convocam-se então eleições intercalares para que os nossos, aproveitando a confusão e o descrédito que a situação de arguido sempre provoca, possam enfim ganhar as eleições …e o poiso.
Como se vê, a crise compensa.

terça-feira, maio 01, 2007

Ota - as perguntas incómodas

NOVO AEROPORTO
Diligências efectuadas sobre este assunto, pelo Arq. Luís Gonçalves, junto do ministro das Obras Públicas.
Porque as dúvidas e os argumentos ali expostos, são de manifesto interesse público, passo a divulgar o referido documento:
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Ex.mo Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e
Comunicações
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No passado mês de Maio, enviei uma mensagem electrónica a V. Ex.cia e uma outra a S. Ex.cia o Primeiro-ministro, solicitando um esclarecimento ao processo de decisão da localização do Novo Aeroporto de Lisboa.
Passado pouco mais de um mês, recebi de ambas as partes ofícios informando-me que teria sido dada a devida atenção à minha mensagem e que as minhas considerações estariam a ser objecto de análise.
No entanto, não tendo desde então recebido qualquer esclarecimento, prossegui a análise dos vários estudos e documentos disponibilizados pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (ou por entidades por ele tuteladas), referentes aos processos do Novo Aeroporto de Lisboa e da Rede Ferroviária de Alta Velocidade, verificando a existência de algumas questões para as quais continuei a não encontrar resposta.
No dia 17 de Novembro, enviei um novo pedido de esclarecimento do qual voltei a não obter qualquer resposta.
Nesse sentido, venho novamente por este meio, como cidadão e contribuinte, solicitar a V. Ex.cia que providencie as respostas às seguintes questões, as quais me parecem legítimas e pertinentes:
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Antecipadamente grato pela disponibilidade de V. Ex.cia para responder a estas 21 questões, subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos,
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Luís Maria Gonçalves, arqº
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PS: transcrição de um e.mail recebido.

sábado, abril 28, 2007

A processual república

“Num país onde a revolução de Abril acabou com a Pide para a ver substituída pelo Ministério Público.”

Antes que me prendam ou processem, ressalvo que a frase pertence ao presidente do Futebol Clube do Porto e está escrita no seu último livro. Mas a revelação não deixa de ser sintomática se a relacionarmos com a denúncia de “claustrofobia democrática” feita em pleno Parlamento, em plena festa de Abril, e a propósito da liberdade de informação!
Sei bem que a simples referência ao nome de Pinto da Costa é suficiente para levantar tempestades de ira, para criar processos de rejeição entre o nacional-benfiquismo vigente, que inclui o Sporting, mas a verdade é que PC não inventou nada, limitou-se a aplicar a norte o mesmo esquema que antes fazia as delícias dos clubes da capital, que por essa altura, durante o Estado Novo, gozavam de uma justa e virtuosa hegemonia!
Mas não é disso que tratamos agora, mas de uma frase que suscita reflexão e que pode não ser tão infeliz como parece.
Aliás, o processo “apito dourado” é um bom exemplo da desconfiança instalada, porque dá a ideia que a corrupção está localizada no norte do país, seja no futebol ou no resto. Não é verdade, todos sabemos que é um desporto nacional, generalizado, com imensos praticantes e adeptos, e se fosse possível detectar-lhe uma origem ou fundação, seríamos inclinados a apontar na direcção da capital, da Corte por assim dizer, porque é onde a modalidade tem mais possibilidades e melhores condições para se enraizar e desenvolver.
Um longo intróito para situar a parte de cima do iceberg, mas a parte de baixo é que interessa – "vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam também dá para tudo! Isto não foi feito ao acaso, foi bem pensado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se de processos, ganha sempre. O simples português anónimo, que conta os euros para chegar ao fim do mês, mesmo que sinta que tem razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, que passa à categoria de figura de retórica". E as denúncias acima enunciadas começam a fazer sentido.
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O texto entre aspas e a bold, corresponde a um comentário que fiz no blog - 'A Interpretação do Tempo' ( ver link na coluna da direita).

quarta-feira, abril 25, 2007

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá?! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

terça-feira, abril 24, 2007

Alma russa

Morreu Boris Nikolayevich Ieltsin, um antigo militante e dirigente comunista, que há-de ficar na história por ter resistido em 1991 à tentativa de restaurar o regime soviético.
Homem truculento, excessivo, de certa maneira errático, guardava no entanto dentro de si o calor e a grandeza da alma russa!
Não me esqueço, quando em plena Duma, num discurso emocionante transmitido pela televisão para todo o mundo, reabilitou a memória dos Romanoff, da Família Imperial Russa, barbaramente assassinada pelos sequazes de Lenine.
Em nome do povo russo, pediu perdão, admitiu o erro e a ignomínia!
Este gesto não está ao alcance de muitos!

domingo, abril 22, 2007

Galeria da cidade

Diga-me uma coisa, isto é um Trotsky?
Não minha senhora, é uma imitação. O Trotsky que havia desapareceu há muito tempo, o que agora aparece são estas cópias, que também têm óculos, mas são falsas.
Desculpe a insistência, mas a escola é a mesma?!
A escola é a mesma, a procura é que é diferente. Quem gosta muito disto são as novas classes emergentes, que querem fazer vida de ricos, mas não querem ser ricos! Resultado, alguém tem de pagar a conta. É o velho problema das imitações nacionais – o produto é barato, mas se a senhora quiser comprar, sai-lhe caro por causa dos impostos!
Ainda bem que me avisa, se calhar então vou para aquele ali. Aquele não engana, é um Blair autêntico!
Minha senhora, se eu lhe disser que aquele é um pinóquio a senhora não acredita, por isso vou dizer-lhe que aquilo é um engenheiro e assim a senhora já acredita. Estou a ser sincero, não vou enganá-la, porque neste caso, quem foi enganado fui eu! Isto foi-me vendido com todas as garantias, com certificado, disseram-me que se não fosse um Blair, era um Zapatero concerteza. Não é que eu aprecie um ou outro, mas vendem-se bem, os otários adoram pendurar estas coisas na parede, isso dá-lhes uma grande sensação de proximidade.
Mas para a senhora ver que não estou a mentir, vou revelar-lhe um segredo – eu só fiquei com ele porque me afiançaram que ainda era da escola do primitivo oliveira!
Afinal saiu-me este manequim! Não vale nada.
Só por dizer que faz par com o outro que veio da rua dos fanqueiros. Mas esse nunca me enganou, esse comprei-o mesmo para manequim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Gato reciclado

‘Gato escaldado da àgua fria tem medo’, velho ditado, e o rapazinho nunca me enganou! Com que então andou na mocidade portuguesa dos partidos políticos! E logo nos juniores do PCP! Não confundir com FCP, que são da invicta cidade! Nesta grande área, o jovem puxa mais para o terceiro anel, que o nacional-benfiquismo é muito lá de casa!!! É uma doença, vício de partido único. Nas democracias populares era, ainda é, vulgar.
Pois muito me conta, tem graça sim senhor, que os dons de nascença, quando bem nascidos, e crescidos, podem ter graça, graça saudável, universal, por ser saudável.
Graça aqui e na China, ontem, hoje e amanhã.
Mas a coisa anda a entortar, e vesga se está a tornar. Então não querem lá ver que o regime já tem humor oficial outra vez!!!
Com efeito lavra uma luta surda entre os infantis da esquerda, todos querem botar faladura na festança de Abril, e o jovem indigitado, imaginem, seria este gato reciclado!
Sim, o Ricardo do contra cartaz! Esta ideia é entusiasticamente apoiada pelos juniores do bloco e do PS, que nestas coisas não se distinguem!
Quem não está pelos ajustes e já reclamou os seus direitos de formação foi obviamente o PCP, que tem outra ideia e outro jovem para lançar no mercado. Resultado, está tudo indisposto e Vasco Lourenço já ameaçou: ou se entendem ou não fala ninguém.
Eu acho preferível, mas não tenho que me meter, a festa é deles, como se vê, não tem nada a ver com o país, com Portugal.
É uma festa de gatos para meia dúzia de gatos-pingados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Os silêncios da esquerda

A esquerda em silêncio, está tudo calado, este silêncio lembra os primórdios da Casa Pia, alguns comunicados, poucas aparições, ouvem-se cães a ladrinchar ao longe, o cerco de mentiras ameaça estrangular o primeiro-ministro...quem diria, um primeiro-ministro que deu tanto trabalho a fabricar!...
Primeiro o ambiente, que está sempre na moda; não esquecer o futebol, na televisão, o Euro pago a peso de ouro, lembram-se?! Só eram precisos oito estádios para concorrer, mas nós oferecemos mais dois! A quem?!
Mas temos homem! O Santana não serve, não sabe fazer trapalhadas, não é de confiança, precisamos de jugular uma série de processos incómodos que estão a afectar a nossa gente, está decidido... e deposto. Belém conta connosco e nós contamos com a comunicação social. Ela será recompensada e há-de protegê-lo.
O perfil está traçado – a teimosia faz lembrar a obstinação de alguém que deixou nome, o ar possidónio confunde-se com o modernismo em vigor, saibamos tirar partido disso. O rapaz fala bem, muito importante num país de basbaques, nada de longas exposições em público, basta dizer o essencial, retirando-se de seguida em pose de estado!
Estava tudo a correr pelo melhor quando apareceu esta história das habilitações académicas, ponta de um iceberg gigante que o país de Abril esconde no seu bojo, e onde há de tudo, como na loja do chinês! A corrupção é apenas um detalhe, um estado de alma!
Um dia saberemos a verdade.
Por enquanto resta-nos adivinhá-la no silêncio do bloco, nas coisas ‘mais importantes’ para os comunistas, no centrão engasgado, na conversa dos advogados reitores, no sorriso amarelo de quase toda a comunicação social!
O tempo está belíssimo!

terça-feira, abril 17, 2007

Trabalho de casa

Laboriosa formiga a nossa RTP vai aconchegando a agenda política da esquerda no poder, já lá vão trinta e tal anos, fora os ameaços. Segunda-feira é dia, um dia depois de Marcelo, para pôr a escrita em dia, à noite!
Ensino privado era o tema, universidade independente, o objectivo. O cenário a condizer, Fátima de bandolete, colegial entre os lentes, viçosa até!... Ouvi aquilo aos bochechos, quero dizer, em diagonal e retive algumas evidências – o Estado tem que ser subsidiário no ensino e não condutor ou ideólogo. Que é precisamente o que acontece e está sempre a acontecer! E ninguém falou nos currículos, no mais importante, nas matérias aprovadas para as criancinhas aprenderem, o que hoje sabem, a saber: - que Portugal nasceu em Abril, na primavera da liberdade, que o estado novo era feio, os reis muito maus, mas o povo era bom! Era tão bom, tão bom, que se meteu nas caravelas sem o rei autorizar! Era tão bom, tão bom, que agora suspira por um ditador, chame-se ele, Cunhal ou Salazar!
Rimou sem querer.
Mais uma passagem, mais um bochecho, para assistir à cena final: Fátima encarou os lentes e soltou a pergunta impertinente, mas que suspeito, era o objectivo pertinente: - então como é que vamos fazer para que as universidades privadas sejam todas boas e não aconteça o que está acontecer na universidade independente?! Que é feia e tem que fechar!
A resposta óbvia não surgiu, mas podia ser esta: é preciso evitar que jovens políticos muito ambiciosos se matriculem com o único objectivo de arranjarem um canudo que lhes dê um estatuto que não têm. Por outro lado é preciso evitar que essas universidades caiam nas mãos dos partidos políticos, ou sejam por eles controladas.
Parece simples mas não é.

sábado, abril 14, 2007

A explicação de um detalhe

O texto anterior merece outra clareza que a forma de expressão escolhida pode ter obscurecido:
Não pretendo substituir Sócrates por outro Sócrates, ciente que estou que não existe verdadeira oposição em Portugal…long time ago!
Aliás, o texto não é muito desfavorável ao contestado engenheiro, uma vez que nunca o considerei totalmente responsável pelos seus actos! Responsabilizei o regime, que sem desprimor para os diversos protagonistas, tudo controla e asfixia! E esta circunstância é agravante, na medida em que não existe no topo da pirâmide nenhum poder verdadeiramente independente dos partidos!
Também não posso nem quero substituir a população, mas quero e posso responsabilizar todos aqueles que se intitulam republicanos pela evidente falência do mesmo regime. Aqui vale a sentença: quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate!
E não passo sem referir que hoje já não existem monárquicos ou republicanos na velha acepção, mas sim portugueses que não querem perder a sua independência e que estão decididos a honrarem ‘os egrégios avós’ do hino republicano.
Finalizo esta explicação reafirmando o papel totalitário que as universidades desempenham na sociedade, nomeadamente nas escolhas dos dirigentes partidários, e futuros governantes!
Dispenso-me de argumentar nesta matéria – o imbróglio sobre o título académico do primeiro-ministro fala por si!

quinta-feira, abril 12, 2007

Trágico-cómico!

Seria cómico se não fosse trágico!
Sócrates não mente, porque em Portugal ninguém mente!
Sócrates não mente, porque um primeiro-ministro de Portugal nunca mente!
Sócrates não mente, porque a mentira não mente!
Mas Sócrates mente, porque em Portugal todos mentem!
…por necessidade, por abandono, por misericórdia, pela minha saúde, eu seja ceguinho, palavra de honra, por isto e por aquilo, juro que já menti…
Mas Sócrates não mente, porque quem mente todos os dias é o regime que ele representa!
Mente na Casa Pia, mente no Aeroporto, mente no TGV, mente em Bruxelas, mente na constituição, na descolonização, o tribunal constitucional é mentira, mente nas contas, nos impostos, no desemprego, no futebol, em tanta coisa… mentiu na pergunta do referendo… nas promessas do referendo também mentiu!...
Sócrates não mente sozinho, porque neste país ninguém mente sozinho!
Sócrates mente, mas não sabe porque mente!
É um produto irresponsável da nossa deseducação, um ‘pronto a vestir’ das nossas universidades, para servir nos partidos… os partidos!
Foi escolhido pelo regime para fazer o serviço sujo, e com um tropeço ou outro, vai dando conta do recado.
Muitos dos que agora gemem, votaram nele!
E vão continuar a votar no regime que elege o chefe... dele!

quarta-feira, abril 11, 2007

O voto ou a vida

O atentado de 11 de Fevereiro foi finalmente reivindicado.
Cavaco Silva, de visita à Estónia, confirmou a promulgação do diploma que liberaliza o aborto, diploma devolvido ao Parlamento com um conjunto de recomendações e condolências.
O partido das dez semanas já reagiu, recusando recomendações ou condolências.
Outro dos envolvidos no atentado, vai hoje à televisão explicar as trapalhadas da sua formação académica. O primeiro-ministro deve aproveitar esta oportunidade para anunciar ao país uma série de medidas que nos irão colocar na dianteira da Europa, medidas que só agora podem ser implementadas graças à promulgação desta lei de liberalização do aborto.
E já que estamos em maré de atentados – liberdade de expressão, vida, descolonização, etc., – chamamos a atenção da ministra da cultura para o vasto espólio que existe nesta área! A pedir talvez um museu para a terceira república. Seria um museu itinerante, com trajecto assegurado entre São Bento e Belém, locais de onde brotam, praticamente todos os dias, as peças mais raras!
Terminamos como habitualmente com o futebol, e também aqui só temos motivos de satisfação: O Chelsea de Mourinho ganhou; o Manchester United de Cristiano Ronaldo goleou; falta apenas ganharmos ao Espanhol!
E do próximo adversário do Benfica, chega-nos outra boa notícia: Tamudo, capitão de equipa do Espanhol, está lesionado.
É assim, de vitória em vitória…

terça-feira, abril 10, 2007

Liberdade de expressão

É hoje notícia nalguma imprensa que o Supremo Tribunal de Justiça condenou o jornal ‘Público’ em 75.000 euros, por ofensa ao bom nome do Sporting Club de Portugal, e pelo facto de ter publicado uma notícia verdadeira!
Assim mesmo, não há engano, a notícia em causa dizia respeito a uma dívida ao Fisco por parte do Sporting, dívida que estava fora do plano Mateus...e não podia estar!
No entanto, o inefável colectivo de juizes entendeu por bem que a verdade é bem menos importante do que o bom nome de uma Instituição de Utilidade Pública, no caso, o clube leonino!
Este Interregno compreende perfeitamente o alcance da meritíssima decisão, ou não estivessem em causa os superiores interesses de um dos três ‘clubes do estado’, que reinam abertamente nesta pacóvia república soviética.
E faz doutrina – ai de quem se atreva no futuro a denunciar, ou simplesmente informar, que Benfica, Sporting ou Porto, devem qualquer coisinha ao Fisco! Está tramado.
O bom nome não deve, ponto final.

domingo, abril 08, 2007

Páscoa poesia

Páscoa feliz,
Em chocolate,
Ovo esquecido
Entre os lilazes.
Páscoa passagem
Dentro de mim,
Ponte e miragem
Para o outro lado.
Páscoa de vida
Ressuscitada,
Páscoa sentida,
Ao pé da Cruz,
Ao pé de ti,
Revisitada.
Páscoa por fim,
Entrelaçada
E tão verdadeira
No mesmo dia
Em que te vi...
A Páscoa inteira.

sexta-feira, abril 06, 2007

Via Sacra

“Entro no grande silêncio…” na algazarra e na insatisfação de uma vida incerta.
Na esperança da ressurreição.

quarta-feira, abril 04, 2007

A rainha das abelhas

O que a história diz e a realidade consente todos sabemos, mas não vem mal ao mundo se o recordarmos – a rainha está presente, não trabalha, aparentemente não faz nada, mas conduz misteriosamente todo o enxame, e todas trabalham afincadamente na mesma direcção, já que a rainha assegura a colmeia. Sem ela, chega a desorientação, a dispersão e o que antes existia e tinha vida própria, desvanece-se, deixando atrás de si um rasto de desolação.
Mas nós não somos abelhas, a nós cabe-nos retirar e usar em nosso proveito o produto do seu trabalho, sempre com a preocupação de não danificarmos o essencial, para que para o ano também haja mel. O essencial resume-se a uma estrutura mínima que mantenha a rainha das abelhas.
Em 1908 e dois anos depois, houve quem não percebesse isso, houve quem não lesse esta fábula, e na ganância do mel, assassinaram a rainha das abelhas. Com a sua morte a colmeia dividiu-se, amotinou-se, e entrou em dissolução! Na tentativa de estancar o inevitável, alguém se lembrou de substituir a rainha das abelhas por uma abelha que se parecesse com a rainha mas que não era a rainha. O expediente trouxe alguma ilusão e manteve a colmeia na expectativa durante muito tempo! Mas o tempo estava contra o expediente e bastou uma cadeira mais escorregadia para ir tudo por água abaixo.
Vivemos hoje uma nova e penso que última tentativa para manter a colmeia a funcionar, nem que seja em serviços mínimos! E com um novo estratagema – desta vez resolveram eleger entre as abelhas a melhor colocada em relação ao favo, na esperança de continuarem a fruir dos restos do mel que sobrou do bom tempo. Do tempo em que havia rainha.
As últimas notícias, no entanto, não são animadoras, a dispersão continua, a divisão acentua-se, o mel acabou, e entre as abelhas já se fala em pedir asilo a uma grande colmeia vizinha, onde não falta mel nem rainha.
É isso que queres?

sábado, março 31, 2007

O que é que eu faço?

Sim, o que é que eu faço nos intervalos do fundo de desemprego e da televisão! Agora e até ao fim da vida?!
Fecharam-me a fábrica de sapatos, tenho quarenta e cinco anos de idade, trinta de profissão, não consegui ser engenheiro, não me avisaram a tempo que o que quer que faça, a China faz mais barato! Excepto, claro, as coisas que sempre fizemos bem, conservas, cortiças, vinho do porto, azeite... E o sol que também já existia! Por causa disto não era preciso fazerem uma revolução!!! As colónias?! Estão cá em peso! Ainda não vieram todos porque não cabem. Não me digam que me fizeram esta desfeita, só para mudar as moscas!
Os políticos em quem votei, e são práticamente os mesmos, ou o discurso é o mesmo, não me falaram de um futuro sem futuro! Antes prometeram-me uma vida melhor para mim e para os meus, mas o que vejo e sinto não me anima, não anima ninguém. Minto, existe sempre um grupo de pessoas que estão satisfeitas com a situação. São as que vivem próximo do poder e do orçamento de Estado. Nos piores regimes, naqueles em que a desigualdade é maior, também se passa o mesmo, todos eles têm a sua nomenclatura, que vive cada vez melhor na exacta medida em que a maioria da população vive cada vez pior! E ainda assim esses regimes mantêm-se por muito tempo!
Não estou a comparar óbviamente, porque entretanto calcetaram a minha rua, fizeram um esgoto, puseram-me um moínho de vento na encosta, que não dá pão mas energia, mais cara, dizem. Eu é que já não tenho energia para aguentar com a propaganda. Envelheci a ouvir velhos slogans sobre a liberdade...Mas que liberdade é que eu tenho, se estou resumido ao futebol e ao centro comercial... para passear! A ver e ouvir as mesmas caras que todos os dias me garantem que estou cada vez mais feliz! Já experimentei esta mesma sensação de imutabilidade noutro tempo, mas nesse tempo não se fechavam fábricas de sapatos.
Afinal, o que é que eu faço?

sexta-feira, março 30, 2007

Reaccionários

É uma designação suave para quem ficou em estado de choque por causa de 19.000 telefonemas!!!
Dizem-se democratas, bolsam liberdade pelas esquinas, não obstante, querem investigar e punir os responsáveis, que na televisão pública, não souberam ou não conseguiram evitar a vitória de Salazar no tal concurso!
E o assunto já tem a gravidade de uma ameaça de raspanete no Parlamento! Com efeito o ‘partido das dez semanas’, designação que continuo a adoptar por facilidade de expressão e economia de siglas, pôs-se de imediato em campo, e ditou para a acta o seguinte:

1. Salazar não pode ganhar concursos.
2. Existem, e devem ser investigados 19.000 fascistas que usam o telefone. 3. Salazar terá de ser desclassificado, passando a maior português de sempre Álvaro Cunhal, diligente servidor dos interesses soviéticos em Portugal, e grande responsável pela descolonização de Angola ao serviço dos mesmos interesses.
4. Como experiência educativa, a televisão pública deverá nos próximos tempos e até novas instruções, massacrar os portugueses com filmes, reportagens, mesas redondas e todo o tipo de intervenções que revelem o Estado Novo como deve ser revelado.

Os outros pontos não sei, mas o último ponto posso garantir-vos que já está em vigor.

quinta-feira, março 29, 2007

A vez dos juízes

Aconteceu em Itália, aconteceu noutros países, aconteceu em Espanha, e chegou a Portugal com o atraso previsto. Baltazar Garzon veio ensinar como é que a coisa se processa, numa altura em que já temos a nossa figura incorruptível. A madame Morgado!
E que disse de novo Baltazar Garzón? Nada e tudo, ou seja, tudo o que disse resume-se a um paradoxo, a saber: ele disse que a prevenção da corrupção deve ser feita na infância, ainda nas escolas, se possível! E pergunto, mas quem é que ensina nas escolas?!
Pensava eu que a educação se recebia em casa, na família, quando me lembrei que a programada destruição da família tradicional, portanto da má família, estava em franco progresso, cabendo assim ao Estado zelar pela educação dos sobreviventes das dez semanas! Enquanto os progenitores se divertem ou estão a trabalhar. Se calhar, não estão a seguir o meu raciocínio! Tenho que ser mais explícito: estão a ‘ver’ a educação na União Soviética, no antigo Cambodja, no tempo do remoçado Marquez?! É mais ou menos isso.
Desviei-me, mas o paradoxo Garzón mantém-se: e quem, no Estado, pessoa e local que desconheço, educará os meninos contra a corrupção???
Não vale a pena darem cabo da cabeça a pensar, até porque a nossa Maria José é muito mais divertida, é aquilo a que chamamos uma mulher de armas, não liga a pormenores. Muito mais activa que Garzón propôs logo ‘unidades anti-mafia’, com metralhadoras e tudo. E ela a comandar!
Portugal está a tornar-se um sítio perigoso!

terça-feira, março 27, 2007

Fora de Estrutura

“Finalmente chegou a nossa vez…a vez de gente que não aceita ser esventrada das suas convicções…autênticos fora de estrutura, e por vezes mesmo, fora da lei, quando esta se apresenta iníqua… (Somos), por isso, gente que se organiza em resistência, face à evidência da invasão, após o mortal atentado dos direitos do homem (mesmo do homem/mulher medido em milímetros!) de 11 de Fevereiro passado próximo. Agora, então, mais fora de estrutura do que nunca.
Em ordem a clarificar a nossa identidade seja dito que somos todos católicos. Quer dizer, gente que recebe de Cristo a alegria de viver…
Não somos de esquerda. Repudiamos os recursos habilidosos da demagogia que faz coincidir esquerda e futuro. Porque a demagogia é timbre dos que falam sem vir do silêncio. Quer dizer, desse longo respeito por uma verdade que nunca se oferece aos que, no alarido dos interesses de uma qualquer mínima vantagem, a traficam…
Todavia, não nos reconhecemos na direita intelectualmente ociosa, que quer sobretudo, a liberdade de iniciativa como absoluto, o estado fora da economia, a consciência individual como legitimadora do imperialismo do apetite…
Reconhecemos a ordem como um bem. Que ‘não há autoridade que não venha de Deus’ (Rm 13.1) …que a destruição da verdadeira autoridade não conduz a uma liberdade absoluta mas antes ao seu contrário, à coacção e violência…
Sentimos o dever de nos defendermos perante a grande internacional da comunicação social. Trata-se desse imponente recurso de fractura com o cristianismo, tenaz agressor, por exemplo, de uma qualquer eventual e hipotética bondade da reflexão do magistério da Igreja, sempre apresentado como troglodita. Olhamos para a comunicação social sem reverência…
Acresce que fora de estrutura é uma designação utilizada nalgumas comunidades terapêuticas para pessoas com problemas de toxicodependência. Diz respeito a alguém que deverá retirar-se do ritmo da casa para pensar, decidir-se em ordem a crescer e a assumir outra atitude face à existência. Também nesse sentido, portanto, os deste blogue estamos fora de estrutura: nós que nos reconhecemos envolvidos pelo ar tóxico desta comunidade chamada Portugal…
Todos vivemos por perto das andanças das comunidades terapêuticas.
Daremos particular atenção ao que acontece neste âmbito. E porque somos todos amigos esperamos ter neste blogue um testemunho dessa amizade…”

De que é que estão à espera para irem ler o texto completo no local próprio, e que abre de forma magistral um novo caminho na blogosfera?
Eu também lá estou, fora de estrutura de alma e coração.

segunda-feira, março 26, 2007

Salazar goleou

Perante uma plateia com mau perder Salazar ganhou folgadamente o concurso dos grandes portugueses. Deu-se até ao luxo de escolher quem o devia acompanhar no pódium! Com inegável desportivismo convidou uma pretensa vítima e um falso opositor!
Tudo isto, como se compreende, deixou em estado de choque a nomenclatura de Abril presente ao acto! E foi o bom e o bonito – Odete, completamente descomposta e a reclamar uma consulta dentária de urgência, não se conteve e desatou a gritar palavras de ordem contra o fascismo, enquanto a escanzelada Pinhão insistia em dizer umas gracinhas também escanzeladas. Rosado Fernandes, pelo contrário, considerou que a votação maciça em Salazar correspondia a um voto de protesto face ao actual desgoverno!
Mas não havia nada a fazer, a consternação tomou conta da sala e nem as palavras ponderadas, e educadas, de Jaime Nogueira Pinto, tiveram o condão de sossegar aquelas alminhas!
O que impressiona é haver quem pensasse noutro resultado depois de trinta anos de manipulação histórica e de propaganda contra a segunda república, já para não falar da ignorância em vigor!
Então um homem que governou durante quarenta anos um país, poderia tê-lo feito sem mérito, e apenas apoiado na força?! Isso cabe na cabeça de alguém?! E onde está o país que o apoiou durante esse tempo? Desapareceu por artes mágicas?
Para além de Jaime Nogueira Pinto, apenas uma outra intervenção merece destaque porque afinal explicou lapidarmente a razão da vitória de Salazar – ele foi a última representação política do Portugal histórico que estávamos ali a tentar celebrar. Uma representação imperfeita, é certo, inadequada e condenada ao insucesso, pois que lhe faltava o vínculo que assegura a continuidade e a perenidade pátrias, mas ainda assim a representação que para os portugueses se aproximava mais desse ideal e se afastava mais do descalabro anterior. E este voto acaba por confirmar que esse desejo de regresso à tradição, aos caminhos da portugalidade, se mantém na grande maioria dos portugueses. Foi aliás essa constatação que ninguém quis fazer após terem sido conhecidos os resultados!
Já sei que se trata de um mero concurso e que estas votações são aleatórias, mas não se enganem, o concurso pode ser tudo isso, mas nos outros países onde também se realizou, não houve, nem este clima de suspeição e guerrilha, nem esta diferença de votos!
Dá que pensar.

Europa 50

Não é nome de veneno, é hino de louvor a este condomínio fechado que usurpou o nome de Europa. As boas e as más intenções do Tratado de Roma foram rápidamente ocupadas por maus políticos e bons banqueiros, e passo a passo construímos a fortaleza do egoísmo e do bem-estar. As fronteiras terão desaparecido mas no seu lugar ergueram-se barreiras que não deixam passar a solidariedade!
Neste condomínio, implorámos e conseguimos um T/0 sem vista para o mar, mas com vista para a piscina onde se bronzeiam e divertem os grandes beneficiários. A renda que pagamos é o défice, 3% por enquanto, e para o pagarmos apertaremos o cinto toda a vida.
Neste aniversário a preocupação dominante era a Carta comum que há-de permitir escolher o próximo Imperador. O seu nome, Calígula ou Nero, não interessa, certo é que voltará a perseguir os Cristãos. E nós vamos continuar a fornecer os artistas para o Circo. Ontem, Spartacus, hoje, Cristiano Ronaldo!
E estamos felizes por isso!

quinta-feira, março 22, 2007

Regime ou dieta?!

Este concurso dos melhores portugueses não cessa de nos surpreender!
Já não bastava ter sido manipulado e torcido pelos amigos de Elisa, obedientes servidores desta terceira república, como ainda serve para promover certas figuras da nomenclatura à conta de ilustres mortos!
E se ao menos lhes traçassem o carácter com alguma verdade histórica… Mas não, é propaganda mesmo, com a única vantagem de ficarmos a conhecer melhor os vivos!
Hoje vou poupar o cometa Aristides, e fixo-me nas figuras de Portas e Rosado Fernandes, que peroraram “com orgulho e erro” sobre o Príncipe Perfeito e o Marquês, respectivamente.
E que disseram estes dois democratas cristãos?
Antes porém, apetece-me repetir um verso de Gedeão – “viram, ouviram, viram, e não perceberam”! Pois é, quando Paulo Portas conclui pela confissão de culpa do Duque de Bragança, a partir de uma frase que lhe é atribuída – ‘um homem como eu não se prende para se soltar…’, estamos esclarecidos. Portas não percebeu nada do que leu. E vou refrear o seu entusiasmo pelo poder recordando apenas dois versos do poema de Torga sobre o Príncipe Perfeito – “na bainha do tempo, até o punhal é uma arma leal”!
Passemos ao outro democrata cristão, e outro entusiasta do poder pelo poder, incluindo o comércio e indústria! O homem, esse desconhecido, pode esperar. E lá se foi o humanismo para a gaveta.
Sobre o marquês de Pombal, Rosado passou em claro pelos Jesuítas, pela sua obra educativa; tropeçou na ‘pasmaceira’ dos fidalgos, mas afinal, segundo consta, os perseguidos e trucidados estavam bem activos!
Mas quem definiu o Marquês de uma forma definitiva, não foi Rosado, foi D. João V quando o recusou para secretário de Estado. Disse o Rei: “Esse homem, não! Parece que tem pelos no coração”!
Saudações monárquicas.

sexta-feira, março 16, 2007

Tempo místico

Tenho andado ausente, estou a passar por uma fase mais reflexiva, sinto-me menos crítico e esse estado de espírito não é propício a grandes tiradas. Podem pois alegrar-se os meus inimigos de estimação, meti férias, não me interessam agora os seus dislates, e quando por acaso os vejo nalguma notícia que antes me faria reagir, desvio o olhar e esqueço.
Por isso, vou passar por cima da exemplar descolonizadora Ana Gomes, surpreendente defensora de Vasco da Gama, ou mesmo da internacional socialista Leonor Pinhão, que tem a seu cargo o elogio de Afonso, fundador da nacionalidade!
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”, e eu compreendo a mudança – converteram-se!
Ou não fossem as repúblicas uma permanente fábrica de adesivos e conversões.
Resvalei sem querer para a má-língua. Não volta a acontecer.

terça-feira, março 13, 2007

O Santo do Mês

João Cidade nasceu no dia 8 de Março de 1495, em Montemor-o-Novo. Deixou a casa de seus pais quando tinha apenas 8 anos de idade e partiu para Espanha onde serviu como pastor e soldado.
Com cerca de 30 anos visita a sua terra natal, volta a Montemor, mas com os seus pais já falecidos e tendo dali partido tão jovem, ninguém o reconhece. Regressa a Espanha, onde volta a ser pastor em Sevilha, livreiro em Granada, e vendedor ambulante. Homem de mil ofícios, é também referenciado como pedreiro nas muralhas de Ceuta.
Havia já completado os 42 anos de idade quando São João de Ávila foi pregar um sermão em Granada. Falou o pregador com tal fervor do martírio de S. Sebastião que o livreiro se sentiu impressionado e transtornado, abandonando a igreja a chorar e gritando que era um grande pecador.
Tomado por doido, foi internado num hospital de doentes mentais, onde, segundo os tratamentos psiquiátricos do tempo, foi açoitado dias a fio. Em vez de desfazer o engano, João Cidade via nos insultos e nas agressões físicas uma forma de expiar os seus pecados.
São João de Ávila tomou conhecimento de que um homem havia enlouquecido por causa do seu sermão, e resolveu visitá-lo. Percebendo que a loucura era simulada por desejo de penitência, proibiu-o de continuar. Assim, João Cidade continua no hospital, mas agora para ajudar os que ali estavam internados, aprendendo os métodos e as práticas hospitalares.
Com a ajuda de São João de Ávila e do Arcebispo de Granada funda, naquela cidade, um amplo e bem organizado hospital. Desalinhado, descalço e de cabeça rapada, percorre diariamente a cidade tratando e recolhendo os mais pobres e doentes. Mesmo andando assim, tão mal trajado, eram muitos os que o convidavam para comer à sua mesa. Foi, aliás, numa dessas refeições que o Bispo de Tui lhe perguntou como se chamava, tendo então determinado que daí em diante João Cidade se passaria a dar pelo nome de João de Deus.
(…)
Morre em Granada, abraçado a um Crucifixo, a 8 de Março de 1550, no dia em que completava 55 anos. Os seus restos mortais repousam na Basílica daquela cidade.
Foi beatificado em 1630 por Urbano VIII, e canonizado em 1690 por Alexandre VIII. O Papa Leão XIII proclamou-o Padroeiro dos Hospitais e dos Doentes, e Pio XI decretou-o Padroeiro dos Enfermeiros.

In “Almanaque Popular Católico – 2007”.

sexta-feira, março 09, 2007

A última fronteira

Com o ‘centrão’ a devorar tudo o que encontra, já pouco resta para sustentar uma sociedade desiludida que deixou de ter sonhos e ambições. Não havendo portanto mais nada para consumir, o velho esqueleto tocou a rebate, e vai-se organizando em torno dos grandes roedores para fazer o ponto da situação. O pretexto, é a análise de um ano de mandato de Cavaco Silva!
Já se percebeu que estamos estacionados no défice, já percebemos que a única distracção colectiva que a propaganda permite, para além de televisão e futebol, são estas provocações sobre a vida e a morte dos seres humanos! Curioso passatempo!
É assim, que entre o esquecimento das vítimas da Casa Pia, se organizam referendos para liberalizar o aborto, se fazem propostas para ‘salas de chuto’, advento de outras questões ‘essenciais’ como o casamento de pessoas do mesmo sexo, ou a velha aspiração da eutanásia!
Entretanto a fronteira esgota-se, o país real separa-se definitivamente do país político, e surgem os primeiros sinais de descontentamento e divisão.
Nestes termos, a prova de fogo para Cavaco Silva será a próxima promulgação, ou não, da lei de liberalização do aborto, na sua versão pura e dura, engendrada pelo partido das dez semanas!
Se o fizer, isso corresponde à promulgação de tudo o que de errado temos vindo a 'construir', em Portugal e na Europa; e ficará refém de uma política desumana e anti-civilizacional que já não é possível iludir!
A fronteira está marcada.

terça-feira, março 06, 2007

A doença da saúde

Para tratarem de um problema educativo convidaram os médicos! Para tratarem de um desgraçado que tem ou teve nome, que tem ou teve uma vida para viver, falaram de redução de danos! Como mensagem para a juventude falaram de rendição, de facilitismo, de salas de chuto!
Com as vocações às avessas, dois médicos e meio protestaram caridade pelos excluídos, propondo-se ‘tratar-lhes da saúde’ enquanto se injectam! E digo dois médicos e meio, porque o ‘psiquiatra liberal de serviço’ estava mais preocupado em não afrontar o ‘sábio da sida’ do que propriamente em definir-se e demarcar-se claramente de um projecto desumano, que apenas serve, ou a vaidade, ou a manutenção do corporativismo público que há mais de trinta anos é responsável pela política vigente.
Como bem lembrou Manuel Pinto Coelho, já é a segunda vez que o organismo da ONU, especializado nas questões do combate à toxicodependência, condena as opções de Portugal! No primeiro caso, relativamente ao enfoque exagerado na política de redução de danos através de drogas de substituição, em prejuízo do esforço que deveria ser consagrado ao tratamento e recuperação do indivíduo, da pessoa humana que ali está, e que no fundo espera, não por uma troca de seringas, não por preservativos, muito menos que lhe dêem droga para consumir! O que qualquer ser humano espera, por mais degradada que seja a situação em que se encontre, é por uma palavra de esperança, afiançando que é possível sair da cova em que caiu, projectando-se de novo em direcção à vida, como bem observou, numa intervenção humana e lúcida, o Padre Pedro Quintela!
De facto como se espera atrair e dar força a alguém para se recuperar, se andamos atrás deles com carrinhas por toda a cidade a oferecer metadona, seringas, e tudo o mais!
Nesta altura, normalmente o que se argumenta é que este tipo de intervenção, por ser bebível, diminui drasticamente a incidência de doenças como o HIV provocadas pela promiscuidade no uso das drogas injectáveis. Não era o assunto em discussão, mas a verdade é que os números, em escalada assustadora, têm desmentido o acerto destas políticas. Números que o insuspeito ‘sábio da sida’ se encarregou de desfilar e que nos colocam no último lugar de qualquer escala entre os países europeus!
Então não aprendemos nada com os erros? Ou estamos à espera que estas salas de chuto, e mais uma vez à revelia do parecer de organismos especializados, venham elas resolver o que quer que seja?! Para além dos malefícios apontados!
No resto tratou-se de uma mais uma manobra de propaganda do Governo utilizando a televisão pública de forma bem programada. E que deveria até merecer uma intervenção da provedoria interna, tal o tempo usufruído pela ‘propaganda’ em detrimento dos poucos participantes que defendiam e defendem o tratamento e a recuperação de seres humanos como nós.
E sem os tratar como coitadinhos.

domingo, março 04, 2007

Notícias das dez semanas

O país das dez semanas viajou até Santa Comba por causa de um museu! Os ‘lanzudos’, na feliz expressão de um habitante local, não se deram bem com os ares da terra e tiveram que bater em retirada, sempre de cravo na mão, e devidamente enquadrados pela guarda republicana.
Ficámos assim a saber para que serve esta força militarizada: proteger ‘lanzudos’ da justa ira popular!

Outra notícia de grande impacto nacional foi proporcionada pela deslocação do embaixador israelita às Cabanas de Viriato, justamente para explicar a uma entusiástica jornalista da televisão pública qual o apoio que tenciona dar para a recuperação da casa onde viveu Aristides Sousa Mendes. O solar, em evidente mau estado, merece de facto ser recuperado quanto mais não seja em nome do nosso património arquitectónico, e não escapou à minha observação um imponente Cristo crucificado que se ergue no pátio sobranceiro à casa!
Ora bem, é neste contexto e neste local que o país das dez semanas pretende construir mais um museu! Já adivinharam concerteza, do holocausto, pois claro! A seguir talvez descubram que Aristides era afinal judeu, descendente de judeus perseguidos pela Inquisição, e talvez transformem a Capela numa Sinagoga!
Valha-me aqui o Islão.

Para suavizar um pouco as notícias passemos então ao futebol, e para falar de salas de chuto! Desaconselhadas pela ONU, nada nem ninguém consegue demover o partido das dez semanas – sempre de olhos postos no norte da Europa, o Presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência diz que vai mesmo avançar com o projecto!
Pergunto: para quando um museu para embalsamar esta gente?!
E termino com uma constatação: Quem se transformou definitivamente numa sala de chuto foi a televisão pública! Agora até transmite a gala do Benfica!
Enfim, toma uma aspirina que isso passa.

quinta-feira, março 01, 2007

Impressões da Taça

Ou é impressão minha ou a Taça de Portugal não interessa a ninguém!
Desde a Federação do Madaíl até à comunicação social, parece tratar-se de uma prova clandestina, e só se fala nela, quando jogam (ou não jogam) Benfica, Sporting ou Porto, e por esta ordem!
Ontem, quando quis saber alguma coisa sobre os jogos da Taça em que participavam os tais clubes que não interessam a ninguém, que existem apenas para preencher calendário e justificar o ‘país futebolístico’ que somos, fiquei surpreendido, ingenuidade minha, pois não havia um relato, uma indicação sequer, a dar conta da existência de mais dois jogos da Taça! Os grandes meios de informação deste país estavam preocupados com o Benfica, com o que se passa no Chelsea, ou com outra inferioridade qualquer.
Claro que não esperava notícias de Bragança para além do fecho de maternidades ou urgências, sei perfeitamente que o nordeste transmontano já vai tratar da saúde ao outro lado da fronteira, mas que diabo, quanto mais não fosse para manter as aparências, podiam dar uma noticiazinha qualquer para disfarçar. Mas nada.
Já no que toca ao outro jogo, entre primo-divisionários, um dos quais, diga-se, até foi campeão nacional não há muito tempo, achei realmente muito estranho que nem relato houvesse na telefonia. Provávelmente os meios já tinham sido todos deslocados para Alvalade, esse sim, um jogo com direito a transmissão directa no horário nobre do canal público!
Quando escrevo sobre este tema, de tão repetido, fico com pena do eventual leitor que se atreva nestas linhas! De facto começo a estar cansado desta vertigem redutora de que se não vê o fim! Antes pelo contrário, já se ouvem até vozes ‘autorizadas’ a falar em ‘ligas ibéricas’ e similares, numa lógica tão globalizante como mentecapta!
Uma coisa faço questão de deixar bem claro a propósito dessas ‘ligas’: antes de lá chegarmos, muita coisa terá de reduzir-se primeiro, a começar pela despesa de estado que, dentro da mesma lógica, terá de situar-se ao nível de uma região autónoma, como a Galiza ou a Andaluzia, acabando-se de vez com a mentira deste estado fantasma. E esta, hein!
Saudações azuis.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O partido das dez semanas

Tal como se previa, os “transversais, mas pouco”, gémeos siameses uns dos outros, fabricaram o seu inevitável projecto de lei sobre a liberalização do aborto!
Esquecida a dor das prisões, desaconselhado o aconselhamento, ‘não vá a miúda hesitar’, a despenalização não era afinal o objectivo, o que se pretendia era o aborto puro e simples, anónimo e clandestino, na clinicazinha certificada, de borla, sem papéis e boa noite.
Os que andaram a choramingar frente às câmaras de televisão, condoídos com o drama da mulher, podem limpar as lágrimas de crocodilo, não vai haver obstáculos à liquidação total e sem rasto.
E alegrem-se as bestas, o partido das dez semanas promete mais aventuras no futuro. Para a próxima, não te esqueças, continua a votar nas bestas.
Aliás, é a única maneira de votares em ti.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

A saúde em leilão

Excelências:
Não tendo podido deslocar-me ao programa prós e contras da televisão pública, ficando assim impossibilitado de resolver, não apenas o meu problema de saúde mas também o da minha prima e vizinha, venho por esta via reclamar o meu médico de família, que não me quer conhecer, bem como a abertura de um SAP ou algo semelhante, próximo da minha casa.
Mais informo, que não sou autarca, vivo entre o campo e a cidade, não sou pobre nem rico, particularidades que me colocam praticamente à beira da exclusão social.
Mas não me conformo.
Por isso, se não forem satisfeitas as minhas exigências, pode o senhor ministro da saúde estar certo de que, para além de outras formas de luta que tenciono intentar, farei queixa à Dona Fátima, bem como ao nosso bem-amado primeiro-ministro, que por certo não deve saber da pouca-vergonha que por aí vai.
Pobre engenheiro Sócrates! Como ele deve sofrer rodeado de tanta incompetência!

segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Desinteressante

Programas de culinária para todos os gostos, truques políticos para todos os paladares, servidos nas mesmas mesas redondas, onde a guarnição é obtusa, são o cenário visível deste país insonso e desinteressante, também ele obtuso!

“Sobre a frágil balaustrada do medo, construímos uma imerecida sociedade de abundância, sabemos que o nosso aparente bem-estar é o fruto de uma miséria colonial ‘nunca dantes navegada’, e falamos do passado com um misto de vergonha e pena! O espelho da vaidade está gasto, hoje apenas reflecte a nossa impotência”.

Esta passagem que cito de memória e cujo autor reconheço, é uma fotografia suficientemente nítida da nossa realidade. Existe uma verdade proibida, ‘um rei vai nu’, que ninguém se atreve a denunciar, achamos preferível avançar às cegas para o inevitável abismo!
Porquê?
Que segredo tão pavoroso esconde o dia de amanhã! Que nos impede de pensar?!
O que esperas para te ergueres desse escuro ermo onde jaz a tua alma?!
Entretanto – “Come chocolates, pequena, come chocolates”!

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

O fim de qualquer coisa

Dizem que o rotativismo monárquico entrou em fase de acentuada decadência, quando a aparente funcionalidade foi quebrada pelas cisões e divergências dentro dos dois partidos que, com mais ou menos escândalo, iam assegurando o governo. Claro que estas divergências tiveram a sua origem na chamada lei da vida que afecta homens e instituições – refiro-me ao natural envelhecimento e desgaste dos seus líderes históricos, tanto no partido regenerador, como no partido progressista.
Hoje é patente, que enquanto no Partido Socialista tudo se cala e consente à volta de um leader indiscutível, não porque Sócrates o seja de facto, mas porque temendo o pior, toda a minha gente quer salvar e salvar-se com um mínimo de perdas e danos, pelo contrário, no Partido Social-democrata, tudo o que acontece é pretexto para abrir brechas cada vez mais profundas e difíceis de fechar!
Mas o que verdadeiramente anuncia o fim desta república, é a permanente confrontação entre o Governo Regional da Madeira e o Governo da República, numa querela que já ninguém quer disfarçar!
Aparentemente, Sócrates sente-se com força suficiente para afrontar Jardim, o único leader que lhe faz frente na actual conjuntura política, mas as coisas podem complicar-se inesperadamente para o nosso primeiro-ministro: Alberto João Jardim é um adversário temível, e sem querer, pode começar a capitalizar não apenas o descontentamento madeirense, mas o descontentamento geral que vai lentamente grassando pelo país, a acordar definitivamente do sonho europeu!
Há dois anos quando me iniciei nestas lides, assumi sem rodeios alguma simpatia pelo leader madeirense, que na altura, lembre-se, era alvo de chacota generalizada. Hoje não tenho dúvidas: seja qual for o resultado desta nova tentativa para liquidar Alberto João Jardim, ele já se constituiu como a única oposição ao regime vigente.
Haja alguém!

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Gripe

Uma doença inútil, daquelas que não mata mas mói, interrompeu o autor do Interregno e desligou-me do mundo. Não sei o que terá acontecido entretanto aos vencedores do referendo, não sei se Salazar continua à frente de Cunhal, ou se o Aristides tem vindo a recuperar terreno, como também não sei o que se passa na China, país de conversa obrigatória numa globalização que se preze. Do Belenenses, como dos outros clubes que não merecem notícia diária, deduzo, seguindo o ditado pessimista – “pas de nouvelles, bonnes nouvelles”!
Uma das vantagens desta gripe global é o isolamento que provoca no paciente, a necessidade de tossir sozinho, de assoar-se eternamente em bom recato, são, apesar de tudo, sensações que revelam algum direito à intimidade, e que ainda estão fora da regulamentação oficial. Mas nada que me sossegue.
Imaginei, ou foi sonho febril, que estas doenças passarão no futuro a ter um tratamento adequado por parte do estado, de forma a diminuir os impactos negativos sobre a saúde pública, sobre a produtividade, e sobre o emprego.
Para além da vacinação obrigatória, sujeita a coima para os relapsos, a gripe, uma vez denunciada, deverá seguir as melhores práticas em uso na Europa, acabando-se de vez com as mesinhas antiquadas, do género chá de limão com mel, ou o tradicional – ‘avinha-te, abifa-te e abafa-te’, expedientes próprios de um país atrasado e que apenas resultaram com os nossos avós.
No meu delírio, nada disto vai vingar daqui para a frente, incluindo avós e netos, a vida será superiormente organizada entre o centro comercial e o centro de saúde, mas sempre com uma televisão por perto, em ordem a orientar o potencial paciente.
As melhoras.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

A Vida...Não me perguntes porquê.

“Nenhum homem é uma ilha isolada;
Cada homem é uma partícula do Continente, uma parte da Terra;
Se um torrão é arrastado para o mar a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria casa;
A morte de qualquer homem diminui-me, sou parte do género humano.
E por isso não perguntes por quem os sinos dobram;
Eles dobram por ti.”

John Donnepoeta irlandês do século XVII.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

A Europa do aborto

“É fartar vilanagem” - Foi com este brado que o herói de Alfarrobeira se resignou aos seus inimigos que o sangraram até à morte. Esvaía-se assim a razão inocente face à intriga de Estado e face à brutalidade de uma força desigual que seguia o futuro Rei.
Convoco este triste lance da história pátria para lembrar que todos nascemos da mesma maneira e da mesma maneira haveremos de morrer. Sejam heróis, mártires, ou os seus carrascos. O que se torna extraordinário é o facto de agora pormos em causa a vida daqueles que querem nascer como nós!
São cinzentos estes dias e mais cinzentos se tornam quando constatamos que é na chamada Europa rica e desenvolvida que se fala de aborto livre, que se instituem direitos de propriedade sobre a vida dos mais frágeis, tudo em nome da ditadura do presente, do imediato, tudo em favor de uma sociedade de direitos, onde os deveres ficam à ‘responsabilidade’ de uma entidade mítica e misteriosa conhecida por Estado!
Não constitui portanto surpresa que esta mesma Europa ‘civilizada’ rejeite o marroquino, o cigano, o preto, que fogem à miséria e à fome, como também não surpreende que rejeite a doença ou a fragilidade, que se escondem nas suas bolsas problemáticas, que uma cultura de facilidade e egoísmo vai multiplicando.
Então que se faz? Como é que podemos mascarar a realidade?
Muito simples – incapazes de perceber as causas, incapazes de enfrentar as causas, rendemo-nos aos seus efeitos: se existe droga, ‘eles’ que se droguem de forma a não perturbar a nossa tranquilidade; se o aborto clandestino é uma realidade e um risco, vamos legalizá-lo, para que o façam em boas condições!
Sacrifique-se o que for preciso ao bem-estar das nossas consciências!
Sem vergonha, denunciamos o nosso isolamento a par com a Irlanda e a Polónia, também eles países de matriz católica. Queremos ir para o outro lado, para o lado dos ricos…mas com pobres argumentos!
Nem de propósito ocorre-me que foi um sindicato polaco, o Solidariedade, curioso nome, que pôs em causa o poderio soviético, que não se resignou à brutalidade da força, que soube lutar por ideais. Estar acompanhado neste caso pela Polónia é uma honra e uma certeza: a sociedade que temos que construir, reconstruir é melhor dito, deve basear-se na solidariedade, onde os mais fortes ajudem os mais fracos, em lugar de os exterminar.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Aula de esgrima

Os melhores floretes da cidade enfrentaram-se de novo numa querela inútil sobre o valor da vida que todos os dias desrespeitamos. Depois de algumas escaramuças sem consequências, o mestre de armas do ‘sim’ abriu a guarda quando referiu o verdadeiro combate que ali se travava. Para quem o quis ouvir, Vera Jardim declarou que a moral do estado laico republicano e socialista, não tem nada a ver com os valores que a Igreja Católica defende. Esta, segundo disse, pode até sair da sacristia, mas não vai longe, porque nós não deixamos!
Nós é que detemos o poder, que vocês, os do ‘não’, generosamente nos oferecem, eleição após eleição, de há trinta anos para cá…ou mais. Mesmo quando não havia eleições!
Então não é verdade que foram também vocês, os do ‘não’, que entronizaram este Sócrates, tal como no passado recente tinham entronizado Mário Soares! Então não são vocês que sem medirem as consequências dos vossos actos, votam sistematicamente contra os vossos interesses, e estão sempre disponíveis para atacarem a hierarquia, num anti clericalismo doentio, que afronta a tradição, a história, e os próprios alicerces da comunidade?! O que queriam agora que acontecesse?! Que fizéssemos leis a defender os princípios que aqui vos vejo defender?! Que ingenuidade a vossa!
Assim falou, sem o dizer, o mestre de armas do ‘sim’.
Nesta batalha quase perdida, mesmo que ganhe o ‘não’, apenas uma voz de esperança ressoou vinda dos confins do Império, do Império que nos há-de redimir – Rosário Carneiro, à semelhança do que já tinha sucedido em anterior programa com Pedro Luvumba, exprimiu a lição que espalhámos em séculos de missão por esse mundo fora – pela vida e pela salvação.
O resto é nada.

sábado, fevereiro 03, 2007

Ler para perceber

Um postal fundamental para que se perceba a trama que se desenvolve em torno da nossa frágil independência. E acredito que sei do que estou a falar quando falo de dependências.
Este baixar dos braços, esta relativização em curso, que atinge os vivos, que nem sequer poupa os que vão nascer, é prenúncio feroz de uma rendição anunciada.Quando dermos por isso, pode ser tarde.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Transversal, mas pouco

É uma frase feita para sugerir que algumas questões como esta da liberalização do aborto, atravessam a sociedade de forma transversal, fazendo crer que entre os apoiantes do ‘sim’ coexistem pessoas de todos os quadrantes do pensamento, dos mais diversos matizes, e o mesmo sucedendo do lado do ‘não’!
Mas será de facto assim?! Ou não passará tudo isto de mais uma tentativa para esconder os lobos que se disfarçam no meio da manada?!
O meu juízo é diferente, esta questão do aborto, é semelhante a tantas outras, que dividem verticalmente, e de que maneira, não a esquerda e a direita, o que seria mais uma fórmula para não acrescentar nada, mas sim cristãos e ateus, e sobretudo crentes e não crentes. Esta é que é a verdadeira divisória, a única trincheira visível, por muito que isso custe a muito boa gente, por muito alarido que se faça para escamotear a realidade, por muita sondagem que se publique, afiançando que os portugueses gostariam que a Igreja Católica se afastasse deste referendo sobre o aborto. Percebe-se o ponto de vista dos ‘transversais’, devem ainda lembrar-se de 1975, quando a Igreja Católica se opôs com firmeza à ditadura comunista que visava implantar-se em Portugal.
São sempre os mesmos, querem retirar os crucifixos dos locais públicos, mascarados de progressistas, não acreditam num futuro melhor, porque simplesmente não acreditam na vida, por isso a desvalorizam, por essa razão se sentem proprietários da vida dos outros, cultivadores da morte, é o que são.
E porque têm medo de si próprios, nunca andam sozinhos, sempre conseguem arregimentar uns quantos para defenderem as suas ideias macabras.

Escrevi este texto na recordação permanente do crime do Terreiro do Paço. Não me esqueci que no dia 1 de Fevereiro de 1908 foi assassinado o Rei D. Carlos e o seu filho mais velho, o Príncipe D. Luís Filipe, num acto de cobardia e infâmia que convém ter bem presente nos dias que correm.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Argumento vital

É sempre bom ouvir alguém falar de liberdade, de direitos humanos, de alguns direitos humanos, é sempre bom perceber porque se envolvem tanto na liberalização do aborto, porque concedem tanto espaço à liberdade de consciência, porque se afastam tanto dos valores comunitários.
Nos ‘prós e contras’ de segunda-feira, Vital Moreira, menos vital do que nunca, mais liberal do que nunca, defendia a despenalização das mulheres que abortassem por sua livre vontade até às dez semanas de gravidez. A questão é jurídica, disse. E acrescentou que cabe ao legislador ordinário regular posteriormente as minudências do projecto de lei que está na base do próximo referendo.
Invocou a seriedade do argumento com a mesma vitalidade com que negou a seriedade do argumento contrário!
Mas sigamos este peixe de águas tão escuras quanto profundas: Qual é afinal a ‘ratio legis’ para despenalizar um crime, fugindo assim à regra geral do direito penal, em que a cada crime corresponde a sua pena! Clarificando a pergunta – porque é que o aborto pode ser despenalizado e não outro crime qualquer?! Porque é que não denunciamos uma mulher que pratica um aborto ilegal e denunciamos o assaltante que roubou o nosso vizinho?!
Porque partimos do princípio que a mulher que comete tal acto é a primeira a sofrer e a que mais sofre com aquela decisão. E quando digo, partimos, refiro-me à comunidade que nos envolve a todos, a nós e àquela mulher. Esta é a essência da atenuante que gostaríamos que chegasse até ao perdão.
Como se uma presunção de inocência e um sentimento de culpa se conjugassem num mesmo acto.
Apenas isto.
Portanto, não entram aqui quaisquer direitos especiais da mulher ao seu corpo, ou considerações de outra ordem, porque todos sabemos que não existe solução satisfatória quando está em causa outra vida, ainda por cima indefesa. Por isso também os partidários do ‘sim’ se apressam a declarar que são contra o aborto e que visam apenas poupar a mulher às consequências do seu acto. Que não é gratuito, que não pode ser gratuito, e pobre da comunidade que se deixe arrastar por tal engano!
Explico melhor: quando a comunidade perceber que a despenalização já não visa poupar a mulher a um sofrimento maior que a vida que ali se desfaz, então o aborto poderá legalmente deixar de ser crime, mas passará por certo a ser uma monstruosidade e a ser olhado como tal.
A história do homem pagou sempre caro este tipo de perversões.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

Um caso de fronteira

Fecham maternidades junto à fronteira, fecham escolas junto à fronteira, fecham postos de gasolina junto à fronteira. A vida morre do lado de cá da fronteira, o deserto avança do lado de cá da fronteira, o fogo alastra do lado de cá da fronteira.
Mas agora a fronteira já não é fronteira, já não serve para nada, porque será então que a fronteira perturba tanto o lado de cá da fronteira!
Ao contrário, eu penso que a fronteira existe, nunca foi tão nítida! E para nossa surpresa, move-se em direcção ao litoral, todos os caminhos lhe servem, ocupa espaço, assalta consciências, e faz tudo isto sem esforço aparente, como se fossemos nós a puxar a fronteira até à beira mar!
Curioso que ninguém se inquieta, que ninguém quer saber disto para nada, um certo desafogo material, paralisou o raciocínio, os erros e a má consciência, vão fazendo o resto.
Ah, grandes portugueses!

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Pensamentos políticos

“ (…) Onde quer que se coloque o início da nossa decadência – da decadência resultante do formidável esforço com que realizámos as descobertas e as conquistas – aí se deve colocar o início da grande ruptura de equilíbrio, que se deu na vida nacional. Com a dispersão por todo o mundo, e a morte em tantos combates, precisamente daqueles elementos que criavam o nosso progresso, o nosso pequeno povo foi pouco a pouco ficando reduzido aos elementos apegados ao solo, aos que a aventura não tentava, a quantos representavam as forças que em uma sociedade, instintivamente reagem contra o avanço. É um dos casos mais visíveis da criação de uma predominância das forças conservadoras. Com isto, visto à luz do que se explicou, queda revelado o porquê da nossa decadência.
(…) A Restauração, livrando-nos da maior vergonha externa, não nos livrou, nem trouxe quem nos livrasse, da vergonha interna paralela. Ficamos independentes como país e dependentes como indivíduos. Tornámos a ser portugueses de nacionalidade, mas nunca mais tornamos a ser portugueses de mentalidade. Nem portugueses, nem nada.
Só da obra do Marquês de Pombal alguma coisa ficou, e isso, não pela energia do homem, nem mesmo pelas suas grandes qualidades de organizador, mas pelo ponto de apoio que deu a essa obra – o desenvolvimento industrial e comercial do país. O que Pombal criou, porém, sumiu-se com as invasões francesas. Depois dela a nossa desnacionalização teve o seu período abísmico: só o nome da nossa independência nos ficou.
Pode, à primeira vista, parecer que a implantação do constitucionalismo representa mais uma reacção do espírito progressivo contra o peso do tradicionalismo. O constitucionalismo, porém, foi uma coisa muito diferente: foi um simples fenómeno de desnacionalização. Longe de suspender a nossa decadência, vincou bem que estávamos em decadência. Uma reacção do espírito progressivo procuraria reformar a nossa antiga monarquia, procuraria estimular energias, modificar o nosso modo de não ser económico. Reacção do espírito progressivo foi a obra de Pombal. O constitucionalismo, porém, não fez senão trazer-nos um regime político inteiramente estranho a toda a nossa vida nacional, inteiramente inadaptável a todas as condições, materiais como culturais, da nossa verdadeira índole. Destruiu e explodiu inútil e estupidamente, tendo em mira apenas a nossa impossível adaptação a um regime que nenhum sentimento português queria, e que a toda a inteligência verdadeiramente portuguesa repugnava. O resultado foi aquela política que todos nós conhecemos, e que em oitenta anos o afundou. Foi isto o constitucionalismo – um 1640 feito por Miguel de Vasconcelos.
(…) O que se diz do constitucionalismo pode dizer-se sem perigo de errar, da implantação da República. Nenhuma reacção do espírito progressivo a instaurou; foi um fenómeno ainda mais adiantado da nossa decadência, da nossa desnacionalização. Se o regime constitucional pouquíssimos pontos de contacto tem com quanto em nós seja português, a república francesa que implantaram em Portugal não tem, então, nenhum. Uma reacção verdadeira do espírito progressivo, se achasse indispensável acabar com o sistema constitucional, só o teria feito para reconstruir o nosso antigo sistema de regime, ainda que o fizesse (conceda-se) sob a forma republicana…”

Fernando Pessoa
“Ideias Políticas – Como organizar Portugal” (excerto)

terça-feira, janeiro 23, 2007

Pobre Aristides

Tu, que não foste tido nem achado neste concurso, vais acabar por servir de pasto à propaganda republicana, à permanente guerra civil que ela concita, instrumentalizado até à última por interesses que nada têm a ver com a grandeza de Portugal nem com os grandes portugueses. “Daqueles que da lei da morte se libertaram” e hão-de libertar.
Envenenado desde o início, um concurso que se anunciava como estimulante cultural, irá reduzir-se a uma luta infantil e deseducativa entre os que apostam em Salazar e aqueles que tudo farão para que Salazar não ganhe! Nestas circunstâncias a “missão” de abater o antigo primeiro-ministro poderá recair em Sousa Mendes, num processo em tudo semelhante a uma segunda volta de umas quaisquer eleições presidenciais republicanas!
Uma frustração. E uma certeza, se por acaso Aristides Sousa Mendes conseguir vencer Salazar – de Aristides não rezará a História de Portugal, já não assim de Salazar.
Saudações monárquicas.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O desespero do sim

Há falta de melhor argumento, um conhecido ‘bloco’ de má-língua, resolveu denunciar no seu site (há quem lhe chame pesquisa) alguns subscritores do movimento “Pela Vida”, que no seu entender, são suspeitos de maus pensamentos ou de defenderem ideias menos correctas nos blogs que assinam. O seu alto juízo não poupou este Interregno, condenado a não poder erguer-se por boas causas, como a defesa da vida, ou outras de igual mérito, e pela mesma razão invocada – não somos dignos!
Tão pouco o Jerónimo que temos, se conforma com a obscuridade do seu próprio pensamento, e não sabendo o que inventar, ataca as razões do ‘não’, escandaliza-se com os argumentos!
Mas pergunto eu – então porque não defendem estas boas almas a causa da vida e a deixam assim entregue aos baixos instintos do Interregno e de outros locais mal frequentados!
Não é justo.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Legalizar a realidade!

A justiceira do apito veio a terreiro e ditou para a acta o seguinte: “o aborto ilegal gera corrupção”, assim, com a maior isenção possível!
Depois desta máxima, que brotou, ou se posso corrigir, que abortou numa sessão do PS a favor do ‘sim’, que conclusão podemos retirar?
Naturalmente, que se queremos combater a corrupção, devemos obrigatoriamente legalizar o aborto. E ponto final.
Explico melhor o pensamento morgadio: a realidade é inelutável, se existe consumo de droga, legalize-se a droga, se existe o roubo, legalize-se o roubo, se o crime tem tendência a proliferar, adapte-se a legislação a essa nova realidade, que afinal não é tão nova como parece!
O próximo passo será definir por decreto quem são os filhos desejados ou não, como se pratica na China, ideário não muito longínquo da nossa esperançosa procuradora.
Quem sabe, nunca esquece!

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sob o signo de Salazar

Ficámos ontem oficialmente a conhecer quem são afinal os ‘dez mais’ do tal concurso da Maria Elisa, concurso inicialmente pensado e programado para fazer a propaganda da terceira república. Para ninguém desconfiar da vantagem que Salazar adquiriu na primeira volta, alinharam-se os finalistas por ordem alfabética, e a primeira conclusão a tirar é a seguinte: o antigo ditador dominou mais uma vez a situação e condicionou ainda os votos noutros candidatos!
Ele, que gostava de ter sido o primeiro-ministro de um Rei absoluto, como foi D. João II, e à maneira de Pombal, viu reconhecida esta preferência, na primeira oportunidade que os portugueses tiveram para lhe fazer a vontade.
Também Cunhal lhe deve a entrada nos dez primeiros exibindo a única credencial que se lhe reconhece, o facto de ter sido um anti-Salazarista confesso. O mesmo se aplica a Sousa Mendes, elevado recentemente à condição de herói pela propaganda internacional sionista, e também ele desconhecido dos portugueses.
Dos outros, excluindo o Fundador, que não deveria ter ido a votos, já que sem ele nem sequer haveriam portugueses, quanto mais ilustres, restaram dois navegadores e dois poetas!
O Infante e o Gama, em nome do mar, Pessoa e Camões em nome da saudade, resistiram!
Ainda não foi desta que a memória colectiva se apagou!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

“Portugal antes e depois”

O “Magazine Grande Informação” dedica grande parte deste seu último número ao Professor Salazar, com interessantes depoimentos, e do qual peço licença para transcrever o seguinte texto:

“Feita a proclamação do regime liberal em 1834, a guerra civil continuou, porque havia na verdade dois liberalismos: o “cartista” cujo texto era a Carta “doada” pelo Rei, e o constitucionalista, que tinha por base a constituição instaurada supostamente pelo povo.
Em 1851, houve uma trégua e o poder passou a ser partilhado alternadamente pelos dois partidos: o conservador, e o democrático.
Durante esta trégua fez-se a europeização, ou seja, a política de obras públicas, sob a forma de estradas e caminhos-de-ferro.
Entrou no País muito dinheiro pela via de investimentos e que se pagavam com novos investimentos ou com a expectativa deles. Desta forma se foi acumulando durante décadas uma dívida externa sem que aparecessem novas indústrias ou fontes de pagamento.
Dois pilares humanos davam estabilidade ao sistema: os chefes dos partidos Anselmo Braamcamp e Fontes Pereira de Melo.
A República foi provocada por este estado de coisas, a que só deu uma solução aparente e novamente verbal. Passou a haver um único grande partido em condições de governar, o Partido Republicano Português, mas debaixo dele agitavam-se incessantemente os grupúsculos que recorriam ao golpe de Estado quando se lhes oferecia a ocasião. Sendo, nesse tempo, metade do país monárquico, só havia legalmente no Parlamento deputados republicanos.
O golpe militar de 28 de Maio de 1926 tinha atrás de si estas causas de instabilidade que tornavam impossível a efectivação de qualquer plano de governação.
A difícil situação financeira herdada da Monarquia teve um momento de alívio expresso num orçamento severo apresentado pelo chefe “democrático” Afonso Costa, mas voltou a agravar-se catastroficamente com a nossa participação na Grande Guerra em ajuda daqueles mesmos que nos tinham humilhado com o “ultimatum” que motivara a insurreição republicana de 31 de Janeiro de 1891.
Este complexo de causas criou uma situação inextrincável que os militares do 28 de Maio não souberam resolver.
Salazar não disputou o governo, não adulou os eleitores.
Recebeu o governo de quem o podia dar, isto é do soberano. O soberano era o poder militar saído de uma sublevação triunfante. Salazar tornou-se seu ministro, como Pombal se tornou ministro de D. José. O poder militar teve sucessivos protagonistas – Carmona, Craveiro Lopes, almirante Tomás – formalmente legítimos, e Salazar, recebendo deles a investidura, considerava-se um primeiro-ministro legítimo.
Deu-se, graças a este sistema, congeminado e executado por Salazar, uma coincidência entre a Lei e o Legislador.
Conseguiram-se coisas hoje inconcebíveis, como a neutralidade na II Grande Guerra Mundial.
Conseguiu-se também, pela primeira vez desde Pombal, pôr fim à tutela inglesa, que fora confirmada com sangue na I Guerra Mundial.
Hoje vemos, com uma dura clareza, como o período da nossa história a que cabe o nome de Salazarismo foi o último em que merecemos o nome de nação independente.
Agora, em plena “democracia” e sendo o povo “soberano”, resta-nos ser uma reserva de eucaliptos para uso de uma obscura entidade económica que tem o pseudónimo de CEE”.

Excertos do texto de António José Saraiva, opositor do Estado Novo, e professor universitário, publicado no Expresso de 22 de Abril de 1989.

terça-feira, janeiro 09, 2007

A MATANÇA DOS INOCENTES

Anuncia-se a realização de um referendo, com vista à legalização do aborto (eufemisticamente chamado interrupção voluntária da gravidez), praticado até às dez semanas de gestação.
Mesmo dando de barato que o direito à vida é referendável - que não é, já que a vida é um valor absoluto – e deixando de lado a discussão estéril entre despenalização e legalização, não podemos ficar indiferentes quanto à opção a tomar perante esta reforma legislativa, apresentada como prioridade das prioridades pelos senhores que nos governam.
A Lei a referendar prevê a possibilidade da prática do aborto, até às dez semanas de gestação do feto, sem qualquer restrição, isto é, a mulher grávida pode abortar, dentro daquele limite temporal, se isso lhe der na real gana, ou seja sem qualquer razão supostamente justificativa do acto.
E é assim porque para as situações em que o aborto é praticado por malformação do feto, risco de vida para a mãe e gravidez provocada por violação, já são justificadas à face da lei vigente.
Mas se assim é, pergunta-se:
- Porquê até às dez semanas e não até aos seis anos de idade?
- Ou a partir dos oitenta anos?
São perfeitamente descabidas as perguntas?
Vejamos.
No estádio actual do conhecimento científico, uma coisa é certa: desde o momento da concepção e até ao nascimento da criança nada mais do exterior é acrescentado.
Então, só podemos concluir que, a partir da dita concepção, o mesmo ser que irá nascer, completado que seja o período de gestação, já existe enquanto tal, tendo apenas que passar por várias fases de evolução até estar pronto para nascer, como já todos (ou grande parte) tivemos ocasião de observar, através de ecografias, que mostram precisamente as várias fases do desenvolvimento da criança na barriga da mãe.
Dizia há tempos uma brilhante representante da nossa classe política, argumentando em defesa da legalização do aborto, que o feto em formação não era mais que um amontoado de células.
Ora, o iluminado intelecto esquece-se que amontoado de células também ela é, só que, numa outra fase do desenvolvimento.
Na verdade, ninguém põe em causa que um recém-nascido não é igual a uma criança de dez anos, que, por sua vez, não é igual a um adulto de trinta, o qual, por seu turno, não é igual a um de oitenta.
Embora, em todas as situações apontadas estejamos a falar de uma pessoa humana, estamos a considerá-la em diferentes fases da sua vida e desenvolvimento.
O mesmo se passa com o bebé que vai nascer, a partir do momento da concepção.
A opção está entre matar ou não matar.
Quando a nossa lei penal inclui o aborto nos chamados crimes contra a vida intra-uterina, está, logicamente, a pressupor que o que está em causa, com a incriminação de tal conduta, é a defesa de uma vida.
Mas, se assim é, e se é uma pessoa que vai nascer, então trata-se, necessariamente, de uma vida HUMANA.
Então, porque é que a nossa lei penal não classifica o aborto como crime de homicídio?
A razão encontra-se, por um lado, na coerência que tem que existir no nosso sistema jurídico, considerado na sua globalidade, e prende-se com a circunstância do Código Civil considerar que a personalidade jurídica (susceptibilidade de se ser titular de direitos e obrigações) se adquire no momento do nascimento completo e com vida.
Mas tal circunstância mais não é que uma ficção legal – à semelhança do que sucede quando se considera que a maioridade se adquire aos 18 anos ou que a imputabilidade criminal (possibilidade de se ser criminalmente responsabilizado) começa aos 16 – em homenagem ao princípio da segurança jurídica.
Na verdade, segurança e certeza são dois princípios informadores de qualquer sistema jurídico, dito civilizado, sendo que, nem sempre os dois se compatibilizam, tendo que se dar primazia a um ou outro, conforme as circunstâncias, segundo opções de política legislativa.
Encontra-se a razão, por outro lado, no facto de não se querer assumir, na nossa lei penal, que o início da vida coincide com o momento da concepção, aqui em homenagem ao princípio da certeza.
Mas, se, como acima se disse, desde o momento da concepção e até ao nascimento da criança nada mais do exterior é acrescentado, que mais certezas precisamos ?
A resposta buscá-la-á cada um com a sua própria inteligência.
Também oiço dizer, admito que por comodismo, que a questão de fazer ou não aborto é da consciência de quem toma essa opção.
Que novidade!
Mas será que a prática (ou a abstenção da prática) de qualquer conduta classificada como crime não se reconduz, sempre a uma opção de consciência?
Tem que reconduzir-se, necessariamente, senão não é considerada como tal.
O que está em causa não é isso, a questão não é essa.
Não se trata, com a opção legislativa de criminalizar o aborto livre em qualquer altura, de julgar consciências, mas de traduzir, através da lei, a escala de valores que queremos que norteiem a nossa sociedade.
Justificações já as há, legalmente previstas, para as situações que as reclamam e o embuste das mulheres perseguidas gratuitamente, não passa disso mesmo (de um embuste).
O que a Lei não pode (não deve) é atender a interesses puramente egoístas ou tentativas de não assumir a responsabilidade pelos actos praticados.
E aqui entra a questão acima colocada – porque não a liberalização (do aborto ou do homicídio) até aos seis anos de idade?
Não seria a idade indicada para se concluir se um filho era ou não desejado ou se era economicamente comportável o respectivo sustento e educação?
Até se evitariam, porventura, despesas acrescidas ao Estado, já que era a altura de entrar na escola …
Acham cínico? Talvez não tanto como parece …
E o mesmo se diga quanto à liberalização do homicídio, a partir dos oitenta anos (desde que cometido por filho ou parente que conviva com a vítima há mais de um ano). As razões são as mesmas.
Ou não é verdade que, muitas vezes, os filhos não podem (ou não querem) tomar conta dos pais, ou não têm “capacidade psicológica” para isso, e têm que arrumá-los em lares, quantas vezes degradantes.
Não seria mais digno “arrumar” logo o assunto?
Podem estar certos que a proposta que querem aprovar, a vingar, mais tarde ou mais cedo conduzirá à aceitação de todas estas situações.
Dizia, há bem pouco tempo, um também brilhante líder de grupo parlamentar da nossa praça que a liberalização do aborto até às dez semanas se impõe, para se pôr fim à vergonha que se traduz na situação actual da nossa Lei, face aos demais países da Europa.
VERGONHA, senhor deputado, é consagrar-mos a legalização de um crime, que se irá traduzir num holocausto maior e mais vil do que qualquer outro (de direita ou de esquerda) cometido ao longo da História.
E bastariam estas razões, se outras igualmente ponderosas não existissem, para que, como defensor da vida, tivesse que manifestar a minha mais vigorosa rejeição pela vergonhosa lei que vai a referendo.
Impõe-se que todos votemos NÃO.

Lisboa, Janeiro de 2007

António Parreira de la Cerda
(Juiz de Direito)

Publicado também no Blog “Pela Vida”. É o primeiro link na coluna da direita.

sábado, janeiro 06, 2007

Regresso em noite de Reis

Muitas ideias, o que é sempre mau, nada de concreto, a entrada no novo ano tem sido difícil. Entretanto, tenho andado por aí, deixo rasto em comentários quase compulsivos, e confesso que ergui o tema da vida como prioridade absoluta. Nesse sentido, a morte de Saddam Hussein, pela barbaridade que invoca, por todas as circunstâncias agravantes que a rodearam, fez soar alarmes que me acordaram de vez!
Não estou sozinho nesta inquietação, estabeleço ligações perigosas que ontem levantariam um coro de protestos, mas hoje ninguém ousa contestar, tão evidentes os factos, tal a desfaçatez dos criminosos, tal a estupidez dos comparsas. Não acredito em planos geniais de homens de carne e osso como eu, por isso trata-se apenas da habitual crueldade dos que só acreditam na morte.
Que Deus nos livre de tal gente, apareçam eles no hábito do monge ou na pele do cordeiro!
Antes do mais, temos que nos livrar deste “império benigno” que usa conhecidas palavras de passe, como democracia e liberdade, para cometer atrocidades!
Sem querer, chegámos a um ponto insuportável em que é forçoso concluir – o mundo não precisa destes americanos para nada, muito menos para polícias ou pastores universais.
Aliás, só a propaganda usada como arma de destruição maciça, poderia ter operado o milagre da quadratura do círculo! De facto, porque carga de água é que um regime republicano, assente em votos e maiorias instáveis, haveria de trazer algum rumo ou alguma estabilidade ao planeta! Nunca trouxe! No caso, resume-se a um jogo de cartas marcadas onde dois jogadores, viciados no lucro, se vão revezando, no faz e desfaz, na invasão e na retirada, no mata e esfola inteiramente comandado pelo egoísmo de um poder obsceno!
Estarei porventura a exagerar, pois não é assim que se devem comportar os Estados na prossecução dos seus interesses?!
Não aqueles que se arvoram em defensores da liberdade, que se justificam como exemplo e serviço universal.
Aqui, a fama tem que corresponder ao proveito, e não é nada disso que se passa.
Saudações monárquicas.