segunda-feira, agosto 20, 2007

Assunto nacional

“Toda a informação a seguir a um curto intervalo…” esclarecia o pivot do canal público de televisão ao fim de quase uma hora de noticiário! Deixou a promessa de voltar com o rescaldo da notícia que vem alarmando o país – Fernando Santos já não é treinador do Benfica! Será substituído, ao que tudo indica, pelo espanhol Camacho! Mas rebobinemos a sequência noticiosa: Benfica despede treinador; Berardo falha OPA no Benfica; furacão Dean incomoda portugueses (parece que são imensos!) que queriam passar férias nas Caraíbas; Cavaco não gostou do ataque ao milho; relato de alguns incêndios como se não existissem… e as restantes notícias da actualidade internacional.
Veio a segunda parte, uma loira repórter procurava nas imediações do estádio da Luz os tais adeptos cujas vidas irão certamente mudar face ao afastamento de Santos, mas nada, tinham ido para a praia dar um mergulho na crise, ou estariam recolhidos em suas casas à espera do pior! O pivot remediou a situação ouvindo o sexólogo encarnado Júlio Machado Vaz! Este, menos descontraído do que é costume, e quando esperávamos que fizesse alguma referência ao balneário, disse apenas estar preocupado com o timing! Já o deputado benfiquista Manuel Santos invocou a instabilidade para justificar o despedimento.
O telejornal entretanto acabou, eu estava exausto, e curiosamente, acabei por ficar também preocupado!

sexta-feira, agosto 17, 2007

A minha selecção – O segundo anel

“Jesus tem convite”
“O treinador do Belenenses Jorge Jesus foi convidado pelo presidente da SAD, Cabral Ferreira, a prolongar pelo menos por um ano, o contrato que o liga ao clube até ao final da época. A resposta ainda não surgiu, uma vez que o técnico pediu algum tempo para pensar, mas os dirigentes do Restelo estão optimistas…”
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07.

Comentário: Jorge Jesus parece talhado para o Belenenses e essa empatia é mais importante que muitos atributos que se queiram contabilizar. Jesus vive o futebol com paixão, gosta de semear para colher, e embora seja um treinador com grande leitura de jogo, é um corredor de fundo, não se satisfaz com intervenções cirúrgicas na busca do êxito imediato. Por outro lado, a frontalidade e uma auto estima acima da média, são qualidades pouco apreciadas nos clubes onde existe muita gente a mandar, e onde a pressão de ganhar a qualquer preço é enorme. Não é esse felizmente o caso do Belenenses. Por fim e baseando-me nas declarações que diversas vezes tem proferido penso que Jorge Jesus gostaria de ficar ligado a um projecto de futuro e com futuro. Se é assim, aí está o casamento perfeito.

“Paulo Duarte deixa críticas à televisão”
“Senti-me português de segunda. Fui enxovalhado. Como unionista, estou orgulhoso pelos meus jogadores. Mas como patriota senti-me desiludido. A União de Leiria não representa nada para Portugal. Andam a dar torneios e jogos amigáveis que não contam para nada e nós, que estamos numa competição europeia, não merecemos atenção…”!
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07

Comentário: Sem comentários.

“Apito Encarnado”
Fonte:
www.sendspace.com/file/tmrb2o

Comentário: Li o dossier e comentarei oportunamente.

Saudações azuis.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dia de Missa

Desta vez não falhei o encontro, dia da Assunção de Nossa Senhora, meti-me ao caminho e lá fui. Entre cânticos suaves medi o arco e as colunas demorei-me na Cruz de Santiago que enfeita o púlpito, quase adormeci. A luz do entardecer e poucas horas de sono, confesso que foi um momento difícil. Recompus-me para ouvir a homilia, simpatizo com o sacerdote, explica bem as coisas, confronta a vida dos fiéis, em profundidade, isso traz-me sempre algum desconforto, mas não é por isso que falto, são outras coisas. É mais cómodo guardar uma distância conveniente do serviço religioso, o dragão que ficou á porta da Igreja, o mesmo que me vai devorando, também precisa de viver. Despertei definitivamente quando rezámos pelo Iraque – morreram hoje duzentas pessoas, vítimas inocentes de uma guerra que ninguém consegue explicar. Como lembrou o celebrante, “o Iraque vive uma violência brutal como é também brutal a indiferença do Ocidente”!
Quem são os homens (seremos mesmo homens!) que consentem tamanha barbaridade!
Salvé Rainha, rogai por nós.

Abertura

É só para aves migratórias, mas o jejum é tanto que hoje disparo a tudo o que mexe, rolas, pardais, aves de capoeira, cucos, com pena, sem pena nenhuma. Sem me esquecer também das aves de rapina, espécie muito protegida entre nós!
Ora vejamos, se bem me lembro, tinha eu aventado a hipótese de que tínhamos o apito entornado a partir do momento em que todas as baterias apontavam a norte esquecendo lamentavelmente que as melhores perdizes se caçam a sul, e que a capital sempre foi o local de nidificação de muitos passarões! Também apontei em devido tempo o erro fatal cometido pela procuradoria, e pela procuradora adjunta, ao utilizar como elemento de prova um livro e uma personagem de romance barato.
Por isso, quem aqui vos escreve, verificou sem espanto que existe um novo dossier secreto para consulta dos interessados. Nele se conta que o “marido de Morgado trabalhava para Filipe Vieira” e mais à frente informa que “ Luís Filipe Vieira é acusado de pagar elevadas quantias a várias pessoas – entre as quais, Carolina Salgado, Fernando Seara e a Saldanha Sanches, marido da procuradora Maria José Morgado. Em 26 páginas com o timbre aparentemente original da Directoria Nacional da Polícia Judiciária, os autores do dossier dizem ser elementos da PJ, que não querem por agora identificar-se, para não colocarem as carreiras em risco. Afirmam ter como provas imagens, sons e documentos. Entre as várias acusações, dizem que Luís Filipe Vieira, ainda como presidente do Alverca, pagou a Fernando Seara cerca de 100 mil contos para que o clube satélite do Benfica ficasse na 1ª divisão, numa jogada que prejudicou o Gil Vicente…”! As revelações prosseguem envolvendo os nomes de Maria José Morgado, Saldanha Sanches, Carolina Salgado, Leonor Pinhão, etc.
Afinal também existe um apito encarnado e andava tudo a apitar para o lado, e se formos justos, também haverá por certo um apito verde, porque como tenho inúmeras vezes denunciado a verdadeira e única suspeição está há muito definida, tem mais de meio século, “em Portugal ganham sempre os mesmos” e como isso não se verifica em parte nenhuma do mundo, é por aí que a procuradoria e a procuradora têm que começar a investigação. Não adianta investigar um e deixar os outros dois de fora.
Depois, e com método, hão-de verificar que o poder político está comprometido com a popularidade e com a visibilidade gerada pelo futebol o que obsta a que possa fiscalizar o autêntico biombo em que se transformou a chamada indústria da bola, para onde têm convergido ultimamente homens de negócios, construtores civis, advogados, magistrados, e tantos outros arrivistas, tanta gente repentinamente apaixonada pelo futebol... que já estou como o poeta – “são tantos que não podem ser tantos”!
Como se vê matéria para investigação não falta.

Fonte: Jornal “24 horas” de 15/08/07.

sábado, agosto 11, 2007

Miguel Torga

“Esperança

Tão fiel que te fui a vida inteira,
E deixas-me na hora da verdade!
Eras a minha própria liberdade,
O meu anjo da guarda vigilante.
E quando, confiante,
A namorar o mundo na paisagem
E a ver em cada verso a tua imagem
Sorridente,
Eu porfiava em alcançar a meta
Do longo e penitente
Caminho de poeta
A que fui condenado,
Sinto-me de repente
Abandonado.
Sem a razão
De ter inspiração,
Traído,
Desmentido
E desesperado.”

Coimbra, 30 de Janeiro de 1986

In “Diário”

quarta-feira, agosto 08, 2007

Silêncio

Silêncio que as palavras pouco dizem
Surpresa mas a palavra não é justa
Silêncio e fica tanto por dizer
O nome diz-me sempre tanta coisa
Ígnea e incandescente criatura
A dureza na crueza de uma vida
A cada um a sua sepultura
Melhor será lembrar a tua gesta
Bem longe dos trilhos e da glória
Morreste sem o cheiro do capim
Mas podes no silêncio destes versos
Ouvir o último toque do clarim.

À memória de Inácio Beja.

terça-feira, agosto 07, 2007

O próximo socialista

Democrata dos quatro costados, começou por ser indiferente, na juventude alistou-se numa esquerda qualquer, preferia ter sido social democrata mas não havia vagas para a direcção, foi parar aos socialistas, singrou, defendeu calorosamente a independência para as colónias, nada de parcerias ou outras associações com a mãe pátria, bateu-se a seguir e com igual vigor pela associação da mãe pátria com outros estados, declaradamente mais fortes e mais ricos, embrenhou-se entusiasticamente nessa excitante aventura, e a cada novo avanço, por cada tranche recebida, acreditou mais e mais nesse projecto. Da sua boca só se ouviam frases pouco perceptíveis mas optimistas, a diplomacia passou dos gabinetes para o laboratório, experimentou a realidade entre tubos de ensaio e retortas de alquimista. Por fim, vislumbrou a garantia de uma constituição ao fundo do túnel, saiu-lhe um tratado, menos mau! Bem se esforçou por se agarrar ao pelotão da frente, sacrificou a nação inteira a essa quimera, sobrecarregou-a de burocracia e impostos, falhou, hoje a carga fiscal não a deixa sequer pedalar, mexe as pernas mas não se mexe, atrasa-se cada vez mais. Para cúmulo e de onde menos esperava surgiram os esticões decisivos, um húngaro envergando a camisola tricolor decretou explicitamente que a concorrência quando nasce não é para todos! Na sua roda seguem os favoritos do costume, a volta é deles e não há volta a dar. A nossa bicicleta tem remos nos pedais, foi feita para navegar. Desesperado, sabe que não pode desistir, seria o seu fim. Além do mais, habituou-se ao poder, precisa das luzes da ribalta, e se não lhe oferecerem um emprego na europa, a europa pode esperar! Ele sabe para onde sopra o vento. Sarkozy abriu um caminho, também saberei percorrê-lo.
Serei o próximo socialista, verde ou encarnado, adivinhem!

quinta-feira, agosto 02, 2007

O direito de resistência

Trata-se em primeiro lugar de saber se vivemos ou não num país ocupado, ocupado ideologicamente, se o conteúdo das leis afronta ou não afronta, de forma sistemática, a base da ‘lusitana antiga liberdade’, único conceito que pode justificar todos os outros. Trata-se em segundo lugar de investigar se a constituição e as leis da república confirmam aquele princípio ou se através de um capcioso entendimento do direito de representação não têm emigrado para o seu interior um conjunto de aleivosias completamente alheias à nossa identidade como povo independente e soberano. Em reforço desta suspeita concorre a doutrina oficial que atribui carácter absoluto ao sufrágio, espécie de dogma religioso com força de lei, desprezando todas as outras fontes de direito, como sejam o costume e a tradição. Mas a maior suspeita reside no facto dos portugueses nunca se terem pronunciado em concreto sobre a adesão à união europeia! Nem sobre nenhuma das suas decisões que afectam o dia a dia de todos os portugueses e também o seu futuro!
Para quem só retira consequências dos votos, é pelo menos estranho que tenha tanto medo do voto dos portugueses e se refugie tanto no instituto da representação, fórmula de mandato que corresponde quase sempre a um cheque em branco passado às direcções partidárias!
Para dar um exemplo concreto, sabiam os portugueses que durante a recente presidência alemã, a chanceler Ângela Merkl decidiu alargar aos restantes membros a lei do ‘delito de opinião’ o que significa que não podemos discutir livremente a verdade oficial imposta pelos vencedores da segunda guerra mundial! Em sentido contrário compreendemos e aplaudimos a declaração do novo primeiro-ministro Gordon Brown que sossegou os ingleses dizendo que não seria necessário referendar o próximo tratado porque os interesses da Inglaterra seriam intransigentemente defendidos! Que contraste com o nosso governo que faz passar a mensagem infantil e ridícula que os interesses da Europa se confundem com os interesses de Portugal!
É neste quadro que faz sentido exigir mais autonomia para as autonomias, que faz sentido pensar na criação de novas regiões autónomas, áreas libertadas, imunes à ocupação ideológica que o par franco-alemão persiste em manter, contando para isso com a proverbial ‘hospitalidade’ portuguesa!
É também neste sentido que faz sentido falar em direito de resistência.

segunda-feira, julho 30, 2007

Quem promove a dependência?

Não há muito tempo a pergunta seria – quem são os traidores?
Agora não se pode falar assim, é extremamente incorrecto, o que se pode dizer agora é que estamos envolvidos num processo muito avançado de interdependências, essenciais para o desenvolvimento de uma comunidade da qual fazemos parte. E é preciso frisar a seguir que não estão em causa nem a nossa independência como estado, nem a nossa autonomia como vontade própria.
Posto isto, a realidade dos pequenos gestos e a política em concreto, vão revelando o contrário!
A verdade é que todos os dias promovemos a dependência, por querer ou sem querer não interessa, todos os dias se faz passar a ideia que não existe alternativa a esta união europeia, quando toda a gente sabe ou devia saber que vivemos oito séculos a desmentir essa ficção! Mas não existe melhor exemplo para aferir do estado mental de dependência em que vivemos do que assistir a um telejornal da televisão pública! Aí, sem sofismas de qualquer espécie, parece existir a obrigatoriedade de falar sempre no Benfica, Sporting e Porto, existam ou não notícias relevantes sobre os mesmos! Dos outros concorrentes não se fala, é como se não existissem! E tudo isto acontece perante a aprovação geral da nação! Quando se chega a este conceito redutor, quando se atinge este ponto, qualquer pessoa medianamente inteligente percebe que já não temos condições sequer para organizar um campeonato nacional de futebol! Até para um torneio de sueca… falta um parceiro! Claro que podemos continuar a fingir, a justificarmo-nos com as audiências, com a globalização, com a China…mas sabemos que são meros expedientes para não enfrentarmos a nossa realidade.
Por isso soam a falso as preocupações daqueles que temem pela não aplicação da lei da república no arquipélago da Madeira. Quem não promove a sua própria autonomia é sempre suspeito de querer arrastar os outros para a mesma situação.

sábado, julho 28, 2007

No limite

Vivi hoje o primeiro dia da clandestinidade, alistei-me no exército de todas as autonomias, a táctica da guerrilha é o regionalismo. Só assim conseguiremos escapar ao destino fatal, que nem sequer estava escrito nas estrelas, tão óbvio é o seu desenlace. Não precisámos de Saramago para o antecipar, basta olhar para a nação, rendida, relativizada, vazia e descerebrada! E o que ela gosta de trair, de ser possuída, tão contente e distraída. Inventa doutrinas para ser escravizada!... E não precisa! Basta continuar a rever o conceito de ‘lei da república’, o Vital ensina... como e quando convém! Será agora do Minho à Madeira?! E a seguir, até onde vai? Ou já não começa no Minho, mas em Tuy!
Se querem ser todos do mesmo partido, ou do mesmo clube, pois que sejam! É uma opção, avante camaradas, eu prefiro a diversidade, a multiplicidade, para garantir o desenvolvimento e a coesão, para me defender das teorias deslizantes, globalizantes, a vinte e sete, a trinta e oito, a passo de cavalo cansado.
Não estou à venda, quero viver segundo os valores em que acredito, não estou para ser perseguido pela ‘lei da república’, que sistemáticamente os nega ou ignora! Separemo-nos a bem, as autonomias servem para isso, para coexistir sem dramas nem prepotências do governo central.
Um rei há-de assegurar a unidade.
“E outra vez conquistemos a distância, do mar ou outra, mas que seja nossa”.

quarta-feira, julho 25, 2007

O bode expiatório

No Dia da Expiação dois bodes eram presentes ao altar do Templo e um deles era escolhido para ser sacrificado. O outro tornava-se o bode expiatório e nesse sentido o sacerdote punha as mãos sobre os cornos do animal e confessava os pecados do povo de Israel. De seguida o bode era solto, levando consigo os pecados de toda a gente.

Numa ousada transposição lembro-me dos actuais padecimentos de Vale e Azevedo desde que perdeu as eleições para a presidência do Benfica. Os que entretanto o substituíram não perderam tempo a acusá-lo de todas as patifarias possíveis e imaginárias, sendo nessa tarefa apoiados pela generalidade da comunicação social.
Neste enredo, e com a concordância universal, o Benfica aparece como vítima inocente não obstante tais ‘patifarias’ terem sido praticadas no desempenho legítimo do cargo de presidente do clube! O argumento, é que terá lesado o Benfica com a sua gestão e que tudo o que fez foi em benefício próprio! Dentro desta lógica terá contratado jogadores, valorizado e desvalorizado terrenos, falsificado documentos, chegando ao ponto de rasgar os contratos com a Olivedesportos!
Há alguém que acredite nisto?! E ainda que assim fosse, agiu em representação do Clube, era o presidente incontestado, eleito e apoiado por uma larga maioria de associados. A não ser que o sufrágio e os votos sirvam, ao contrário do que se pensava, para isentar e irresponsabilizar as pessoas colectivas!!!
Curiosamente, ou talvez não, estamos agora a assistir a um conjunto de acções, de legalidade duvidosa, e que são uma cópia fiel daquilo que Vale e Azevedo tentou fazer no sentido de se libertar da tutela audiovisual da Olivedesportos! Desde falsas ‘opas’, especulações bolsistas, que se fossem intentadas por outras entidades já teriam sido severamente punidas, vale tudo, menos …Vale e Azevedo!
É a velha tradição do bode expiatório!

Post-Scriptum: Não conheço Vale e Azevedo, e na altura denunciei a arrogância e todas as manobras a que se permitia, a coberto da presidência do Benfica No entanto, sempre estive convencido, e ainda estou, que tudo o que fez foi a pensar no Benfica. Fica a sensação que o único erro que cometeu foi ter perdido as eleições!

segunda-feira, julho 23, 2007

Morgado no país dos futebóis

Tenho alguma simpatia pela Procuradora-Adjunta, vêm-me à memória os tempos conturbados da Faculdade de Direito, em que ser do MRPP significava ter alguma coragem para não ser do PCP ou de algum dos seus múltiplos satélites! Claro que esta simpatia estudantil não desculpa (nem desculpava) os excessos cometidos, nem faz ou fazia esquecer as absurdas utopias que transportavam nas suas bandeiras! Entretanto acalmaram, cresceram, reciclaram-se, mas não perderam o hábito de se julgarem acima de qualquer suspeita, abrigando também nesse manto impoluto todos os seus colaboradores! Trata-se a meu ver de uma manifestação de superioridade moral e cívica que não abona em favor da humildade ou de outra virtude conhecida. As palavras não são minhas e li-as onde toda a gente as pode ler – “ a minha equipa de investigação está acima de qualquer suspeita”! E sugeriu que o mesmo poderia não se aplicar a outros intervenientes no processo!
Pois bem, há muito que o chamado apito dourado passou a apito envenenado, nomeadamente desde que aceitou analisar com intuitos probatórios um livro escrito por uma amante desavinda, que no furor da vingança se mudou de armas e bagagens para o clube rival. No mesmo sentido seguiu o processo, tornando-se, sem querer, num instrumento da rivalidade futebolística entre o Porto e Lisboa, ou numa acepção mais abrangente e perigosa, entre o norte e o sul!
A Procuradora, que afinal não é infalível, cometeu entretanto um erro fatal e que há-de sepultar todo este processo: sentindo-se ofendida com as declarações da outra gémea Salgado, anunciou processá-la! Face à desigualdade e à desproporção de meios será sempre uma vitória de Pirro, e que quanto maior for, pior será a derrota.
É preciso não esquecer que estamos no país dos futebóis.

sexta-feira, julho 20, 2007

O inquilino de Belém

Um dia havia de ser e aproveitando alguma polémica gerada pela ‘nação carente’ aqui fica o meu pensamento sobre os direitos e deveres dos inquilinos do Palácio de Belém. A ideia é no entanto mais abrangente e estende-se ao respeito pela herança, à relação entre o ocupante e o proprietário legítimo.
Não temos dúvidas que se trata de uma ocupação republicana em sentido estrito, visando apropriar-se de algo que julga ser seu por ser do povo, domínio público que deve ser nacionalizado. Tem o sabor ou o travo de uma desforra perante o inimigo vencido, foi com a mesma índole que se transformaram em quartéis antigos Conventos e Capelas. É um episódio de guerra civil, é a vida nos países ocupados, mas não deveria ser assim nas comunidades que se reclamam da mesma herança! Que gostam de cantar o mesmo hino! O problema é que não gostamos nem desgostamos, e porque somos incapazes de receber condignamente a herança, de a integrar no dia a dia das nossas vidas, somos também incapazes de transmitir seja o que for, refiro-me aos valores que conformam a identidade de um povo!
Mas voltemos ao Palácio de Belém para dizer que o proprietário legítimo não é o povo, mas a história desse povo, que deve também incluir os vindouros, se quisermos que a história continue, vindouros que têm naturais e justas expectativas em relação à herança que nós já recebemos. E a herança não é um museu, ao contrário do que muitos praticam, é antes sinal de vida, sinal de futuro.
O pensamento já vai longo e não queria terminar sem deixar também aqui um sinal de esperança, e por isso espero que não tenhamos que chegar à conclusão que seria mais prático e mais pacífico construirmos uma residência de raiz para os presidentes da república, residência que não teria naturalmente Capela, sem os riscos portanto de ser profanada, nem a tentação de ofender os católicos.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sampaio e Rego

E toda a “Nação Carente” revisitada numa ode que só poderia ter sido escrita por alguém que não se resigna 'a esta apagada e vil tristeza’!
Parabéns e obrigado.

terça-feira, julho 17, 2007

Natureza e Nação

São ainda os ecos da “Marselhesa” que resolvi trazer para a luz do dia – “Saudações a todos os que repôem a verdade histórica, e omitem silenciosamente o facto de que a União Europeia continua a manter a paz, coisa que o Santo Nacionalismo nunca conseguiu fazer – mas enfim, como já Julius Evola dizia que a guerra é que é bom...”!
Por isso respondi – ‘Paz na terra aos homens de boa vontade! Mas Glória a Deus nas alturas!
Limpa primeiro a tua casa e a seguir ajuda na dos outros. Não se trata de santificar o nacionalismo mas de estabelecer uma ordem de prioridades. E quando abdicares dos teus princípios, fá-lo com a coragem da totalidade.
Houve e há guerra na Europa, se pensarmos que na europa se contêm os Balcãs. No condomínio fechado que erguemos, de facto, ainda não houve. Mas o preço dessa paz, para nós portugueses, foi e é altíssimo. Abandonámos todas as colónias deixando para trás a desolação e a guerra. Rasgámos tratados, desonrámos e traímos povos que esperavam mais da nossa nobreza. Nobreza, palavra estranha, sem uso corrente!
E já sabemos (já sabíamos) onde irá desembocar a nossa união europeia. Será uma nova experiência de união ibérica. A anterior, dizem os entendidos, foi desastrosa para os nossos interesses. Claro que poderemos sempre questionar se Portugal tem interesses próprios’.

segunda-feira, julho 16, 2007

O sufrágio, ai, ai!

Não é vira, nem malhão e antes que me venham papaguear a frase do Churchill, repito o que venho dizendo no interregno, long time ago: Winston tinha em mente a Inglaterra, onde existia, e existe, pelo menos um órgão político que não é eleito pelos contemporâneos – a Chefia de Estado. Agora já posso prosseguir com o ai, ai, do sufrágio e para concluir que assim não vamos a lado nenhum. Já não bastavam os partidos metidos a martelo nas autarquias, já não bastava o Governo a concorrer à Câmara de Lisboa, para ainda termos que aguentar com o ridículo das manifestações de alegria pela vitória do comissário Costa, vitória essa que não é mais que uma pesadíssima derrota da partidocracia vigente! Verdade que até para aquelas explosões de contentamento houve que recorrer às célebres ‘camionetas à província’ para dar algum colorido à festarola! E para que não lhes faltasse nada, Sócrates encarregou-se de fazer um inflamado discurso aos ‘lisboetas’ de encomenda, que ao que parece tinham vindo do Alandroal!
É caso para perguntar como os brasileiros: mas eles não se enxergam?!
Não perceberam que o sufrágio, acoplado ao sistema republicano de partidos, já produziu todo o mal que havia para produzir na comunidade onde vigora! Não perceberam que a desconfiança na política e nos políticos é total e que as tentativas esfarrapadas para dar alguma legitimidade aos eleitos já não convencem ninguém!
Vejamos os números numa perspectiva futebolística para que se tornem mais convincentes: Costa com os seus 58.000 votos não conseguiu encher o estádio da Luz! Carmona e Negrão somaram 63.000 votos, e não fosse a arma do arguido, teriam conseguido encher o estádio da Luz! Roseta, que recolheu 20.000 votos, conseguiu uma boa assistência na primeira Liga!
Daqui para a frente iremos por certo assistir às tentativas por parte do Governo para consumar a união nacional na Câmara, antecâmara da prevista união nacional!
E já sem sufrágio!

sábado, julho 14, 2007

Dia de reflexão

Enquanto as ‘tropas dos 27’ desfilam nos Campos Elíseos, celebrando ao que tudo indica a festa e os valores desta Europa, em Lisboa, os lisboetas entraram em período de reflexão!
Reflictamos pois!
Desfile tão participado só pode querer significar que a ‘constituição europeia’, mascarada de ‘tratado’ por razões referendárias, será rapidamente aprovada pelos respectivos parlamentos, longe portanto da incomodidade popular. O que faz todo o sentido, na medida em o dito ‘tratado’ consigna e traduz a Europa dos comissários que estamos a construir.
Semelhante paralelismo merece reflexão em Lisboa! Do voto de uns poucos milhares de portugueses, o que resta de uma cidade que já foi populosa, dependem uma série de projectos e decisões que irão afectar o país inteiro, ou seja, milhões de habitantes! Desde o aeroporto internacional, às vias-férreas estruturantes, à perspectiva da nossa vocação atlântica, que foi sempre a base de uma difícil independência, tudo isso acaba por estar em jogo nas eleições de Domingo. Que responsabilidade desmedida!
Será talvez por isso que o Governo não resistiu e resolveu lançar uma candidatura à Câmara de Lisboa?!
Sem ironia, precisamos todos de reflectir, clareza precisa-se, exemplo que tem que vir de cima, para que possamos ser claros uns com os outros. Já chega de mentiras.

quinta-feira, julho 12, 2007

Fado

Vamos lá, cantem comigo, todos, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado! Muito bem!
Comecemos então pela pescadinha de rabo na boca, que vai a concurso com receita ribeirinha de José Miguel Júdice! Não sendo possível perguntar aos eternos comensais o que pensam deste conhecido prato, oiçamos alguns dos concorrentes a chefes de cozinha, por exemplo, Manuel Monteiro, que conforme se pode ler no DN de ontem, achou a pescadinha um bocadinho indigesta:

“António Costa deveria imediatamente pedir a José Miguel Júdice que se demita de seu mandatário. Estamos a assistir a uma autêntica indignidade política” e prosseguiu, “António Costa ocultou aos cidadãos de Lisboa que o primeiro-ministro já tinha convidado José Miguel Júdice para ser o responsável pela recuperação da zona ribeirinha. É batota, é indigno que um candidato a presidente da Câmara diga que vai fazer obras na zona ribeirinha da cidade, quando o primeiro-ministro desse partido já tinha nomeado o seu mandatário para comandar essa recuperação”.
A finalizar, o ex-líder do CDS ainda lançou a António Costa uma pergunta que ameaça deixar a pescadinha intragável: “No caso de vencer as eleições, tenciona dar ao escritório de José Miguel Júdice o trabalho jurídico da Câmara de Lisboa? E rematou – “Apesar de vivermos numa democracia, temos hoje políticos que enriqueceram mais ao fim de quinze anos do que muitos outros durante o chamado fascismo”.

Sem comentários. Apenas acrescento que é natural que muito em breve assistamos na RTP a uma entrevista justificativa por parte deste futuro comissário ribeirinho! Aliás, o canal público de televisão tem vindo a especializar-se em maquillage e retoques de imagem em tudo o que mexe com o regime em vigor. Dentro desse âmbito vai hoje para o ar uma conversa em família sobre o ‘biombo chinês’. Vejam, deve ser divertido.

quarta-feira, julho 11, 2007

Vale tudo...

"Sombras Chinesas" - "O mistério dos chineses que queriam comprar o Benfica está resolvido: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que é a polícia da Bolsa, investigou e chegou à conclusão de que o “alegado investidor chinês”, conforme classifica em comunicado, já não avança com a operação. Como soube a CMVM?


A sua investigação conduziu-a a um advogado que comunicou que o seu cliente “perdeu o interesse na aquisição de participações sociais” da SAD do Benfica. Caso resolvido! E o que ficou para trás? Pelo menos um grupo chinês desconhecido, que veiculou o seu alegado interesse por um jornal, motivou uma movimentação anormal com as acções do Benfica e quem comprou a 3,50 euros e vendeu a 6,11 lá fez a sua boa jorna... Quem não percebe nada de Bolsa pergunta-se: quem são, afinal, os ‘investidores chineses’? Isto não cheira a manipulação do mercado? O caso fica por aqui? Não há ninguém a quem pedir um pouco mais de responsabilidades? Terá sido um movimento normal do mercado que vinte minutos depois da reabertura tenham sido transaccionadas 81 mil acções de um único lote, com um lucro de 196 mil euros? Agora que já percebemos todos que o “alegado investidor chinês” não é mais do que uma verdadeira sombra chinesa, seria bom que a CMVM esclarecesse, a bem da sua própria credibilidade, quem é que, afinal, ganhou com toda esta ópera bufa."
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Reproduzo, com a devida vénia, o editorial do CM de hoje , da autoria de Eduardo Dâmaso.

segunda-feira, julho 09, 2007

A oitava maravilha

Só a memória sobreviverá, só quem a conserva ou possui será mestre do seu futuro! Só ela tem capacidade para iluminar a história, não para a relativizar ou menorizar, mas para a integrar nesse esforço contínuo de compreensão e elevação espiritual que justifica o destino do homem!
A sociedade contemporânea não tem memória, limita-se a seleccionar produtos, para vender ou comprar dentro do respectivo prazo de validade, e por isso, aquilo a que assistimos no dia sete do sete de dois mil e sete foi mais um desses exercícios de vaidade devoradora que a história se encarregará de esquecer.
Visto de longe, o concurso parecia um jogo de matraquilhos com os actuais residentes do planeta empenhados em levar a taça para casa! Nesse aspecto o sufrágio, desta vez á distância de um clique, mostrou novamente a sua fragilidade, ordenando as ‘maravilhas’ de acordo com as vantagens populacionais das várias regiões ou nacionalismos! Assim, ganharam naturalmente os chineses, indianos, sul-americanos, das duas matrizes conhecidas, islâmicos e…o Coliseu de Roma!
As reticências sobre o Coliseu de Roma confirmam o carácter do evento, também ele realizado num coliseu da era moderna, mas realçam a singular coincidência de ter sido uma antiga colónia portuguesa que garantiu o único sopro de Cristianismo que se viveu naquela noite!
Obrigado Brasil!

Post-Scriptum: “A oitava maravilha do mundo” foi uma expressão divulgada pelos jornais ingleses em 1955, depois da respectiva selecção de futebol ter sido batida pela equipa das quinas, o que acontecia pela primeira vez. A oitava maravilha, herói do jogo, foi Matateu, o inesquecível avançado do Belenenses!