sábado, setembro 22, 2007

Os três candidatos

O melhor é assumirmos de vez a nossa realidade, poupa-se tempo e dinheiro, poupa-se a paciência das pessoas, poupam-se os esforços inúteis, quantas vezes com o sacrifício da própria dignidade, em suma, sejamos poupados! Mas de que falo eu? Explico: está à vista de todos que o presidente honorário dos sociais-democratas portugueses é o Engenheiro Sócrates, pela pose, pelo discurso ambíguo, pela eterna indefinição, por tudo aquilo que distingue um político multipartidário! Mas que fazem então Mendes e Menezes! Que temível batalha travam? Que lugar almejado disputam?
Discutem naturalmente o segundo e terceiro lugares do pódium. Qual é a dúvida!
A direita segue dentro de momentos.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Oposição precisa-se

Terminou há pouco o debate que o Governa leva mensalmente à Assembleia da República e como vem sendo hábito, Sócrates venceu facilmente. Era o primeiro debate com novas regras parlamentares, supostamente para dar maiores possibilidades à oposição de fazer valer os seus pontos de vista, mas essa vantagem não foi utilizada porque simplesmente não existe oposição! Oposição adulta, incidindo sobre as fraquezas governativas, sobre questões concretas que interessam aos portugueses, e não esta oposição a fingir, que apenas pretende substituir-se nos cargos e nas benesses.
O Governo chamou naturalmente para a discussão o Plano Tecnológico e por muito que isso custe a alguns, que gostariam de ser eles a distribuir computadores ou telemóveis pela população, a verdade é que não são estas as medidas criticáveis do Governo. São outras, por exemplo, o Código de Processo Penal que entrou em vigor de rompante e com normas a preceito para liquidar investigações a processos de ‘colarinho branco’, ou amordaçar escutas inconvenientes. Mas pergunto eu, como é que a Assembleia poderia discutir uma matéria em que os maiores partidos da dita oposição, ou votaram favoravelmente tais reformas ou se abstiveram!!!
Sócrates estava a jogar em casa.

terça-feira, setembro 18, 2007

Coincidências

Correm hoje os novos dias da Bastilha, homicidas e violadores preparam-se para ser libertados em nome dos direitos dos arguidos, complexo apelido onde cabem os mesmos homicidas e violadores. O risco para as verdadeiras vítimas existe e não é de desprezar, mas na assembleia pontificam o medo e a cumplicidade, ela é soberana, nela não se vislumbra oposição!
Arautos bem situados asseguram que o descanso dos portugueses será igual à paz… dos cemitérios!

No mesmo tempo e lugar prepara-se a trasladação dos restos mortais de um escritor para o denominado Panteão Nacional. “Arguido” de ser promotor do crime de regicídio, ou conivente com os regicidas, não deixa de ser uma triste coincidência a sua elevação à categoria de vulto nacional!
Os mortos devem descansar em paz, mas neste caso, são os vivos que não deixam descansar ninguém.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Cantar e cumprir

A propaganda enganosa conta sempre com a imbecilidade alheia mas conta sobretudo com a desigualdade de meios, forma expedita de calar a boca aos adversários. A primeira república, por exemplo, tentou convencer os portugueses que o regime monárquico era mau, e não fora isso, em vez de chegarmos à Índia teríamos chegado à Lua! Já a segunda república (leia-se Estado Novo) foi mais subtil, promoveu o silêncio eliminando sumáriamente a discussão sobre o assunto. No que respeita à república de Abril, não podendo evitar que nos primórdios se falasse de tudo, tem vindo a adoptar uma postura mista, por um lado ignora a questão, mas se alguém a levanta faz crer que se trata de um regime ultrapassado, próprio de países atrasados! Semelhantes atoardas, mil vezes repetidas, acabam por produzir o efeito esperado, ou seja, embrutecem a população, e por isso não é de estranhar que a grande maioria dos portugueses não consiga perceber quais são as verdadeiras causas da sua decadência, ou dito de outra maneira, porque é que em quase cem anos de regime republicano, Portugal não conseguiu, nem consegue, aproximar-se dos níveis de desenvolvimento, já não digo de países como a Holanda ou a Bélgica, mas de regiões vizinhas, como a Galiza ou a Catalunha!
Estranho, não acham?!
Sem procurar desculpas esfarrapadas, parece-me que o segredo está no hino, por ínvias razões outra vez na moda – “levantai hoje de novo o esplendor de Portugal”! Quem o canta sabe, ou desconfia, que no tempo da monarquia éramos mais independentes e estávamos melhor classificados no ranking europeu.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Justiça em segredo

É sempre bom que as coisas fiquem claras, registadas, para saber quem é quem, para que amanhã não se desdiga o que se disse hoje. Relembremos a polémica norma do Código de Processo Penal, aprovado com os votos do PS e PSD, e promulgado por Cavaco Silva, para entrar amanhã em vigor! Reza assim o artigo 88, número 4:

“Não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo, salvo se não estiverem sujeitas a segredo de justiça e os intervenientes expressamente consentirem na publicação”.

Aqui está o resultado de um laborioso ‘pacto de justiça’ entre os partidos que nos têm governado desde a revolução dos cravos, a tal que invocava os valores da liberdade, da justiça, da separação dos poderes, em suma, da transparência que gera a confiança entre governantes e governados. Aqui está a cereja que faltava no bolo da terceira república.
A partir de agora vai ser um descanso, processos como o da Casa Pia, Portucale, Apitos, qualquer que seja a cor, e outros, nem do ovo saem, ficam no segredo dos deuses, com letra pequena. Primeiro está o bom nome das pessoas. E assim é que deve ser, porque como diz o ministro da Justiça – “as escutas são para a investigação, não para a divulgação”! Só faltou dizer – confiem em nós!

quinta-feira, setembro 13, 2007

A anatomia de um jogo

Os patriotas da selecção já descobriram o seu bode expiatório, é o tio Scolari, o mesmo que em tempos não muito recuados pôs o país em ‘verde e rubro canto’! Se fosse romano diria como o Cipião – ‘ingrata pátria, não possuirás os meus ossos’! E de citação em citação, ou excitação em excitação, Alvalade encheu-se para ver ganhar a selecção – esse mítico conjunto de emigrantes, tudo o que nos resta para vingar as frustrações diárias, o antigo hábito das derrotas, o império perdido... ou a independência a esvair-se. Para alicerçar o sonho, a comunicação social que temos (e somos) garante em cada noticiário, ou em mesas redondas organizadas para o efeito, que Cristiano Ronaldo ou Quaresma irão reduzir a escombros qualquer adversário que lhes apareça pela frente! Nestas circunstâncias o estádio está em ponto de rebuçado, 50.000 almas que pouco percebem de futebol, exigem a vitória ou a cabeça do seleccionador! Mas ninguém se lembrou (salvo Scolari) que a Sérvia pertence a uma escola de futebol (individual e colectivo) superior à nossa, dispõe também de grandes jogadores, que são titulares nos melhores campeonatos da Europa, e que nestas condições o jogo seria sempre muito complicado de vencer. No final, um gesto irreflectido de Scolari pode ter comprometido a sua continuidade à frente de uma selecção que tem na sua capacidade de liderança o seu ponto forte.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Contra os bretões…

Era este o verso original do hino que incitava os portugueses a marchar contra os bretões, desagravando assim a humilhação sofrida com o ultimatum. Por conveniência de serviço passámos posteriormente a marchar contra os canhões não fossem os bretões ofender-se! Nada que nos espante sabendo como é volátil o patriotismo republicano. Esquecido o ultimatum, habilmente explorado contra o rei e a monarquia, obtiveram dos bretões (leia-se ingleses) o necessário consentimento (e apoio) para implantarem a república; esquecido o mapa cor-de-rosa, porção territorial entre Angola e Moçambique, onde não existia ou vivia qualquer português, empandeiraram sob a forma de ‘descolonização exemplar’, Angola, Moçambique… e o que mais houvesse. Preparam-se agora para leiloar em Bruxelas (ou em Lisboa) o que resta da nossa secular soberania. Mas gostam de cantar o hino.

terça-feira, setembro 11, 2007

Regresso e vingança

De regresso às lides, constato que o interregno acertou no desfecho de algumas conhecidas telenovelas da vida portuguesa! Assim até dá gosto!
Se não vejamos:

O interregno previu que Costa, mais o Zé do túnel, haveriam de arranjar maneira de dar sequência às pretensões urbanísticas do Sporting, e aí está, o acordo foi hoje firmado, e para que não subsistam dúvidas quanto ao futuro, uma oportuna ‘comissão arbitral’ encarregar-se-á de libertar o edil do incómodo dos detalhes – densidade de construção, espaços verdes (para além das cores das camisolas), etc.

O interregno também previu que o processo penal teria que ser revisto para garantir que situações desagradáveis como a Casa Pia não voltem a suceder. Para isso, os partidos que governam o país desde Abril de 1974, entenderam-se e assinaram um ‘pacto de justiça’ resultando daí um novo Código de Processo Penal. Porém, e ao que se sabe, o texto final submetido a aprovação pelo Parlamento contém uma norma que não tinha sido previamente acordada por ambos os partidos! Metida à socapa, quer a norma quer o Código foram naturalmente aprovados pela maioria socialista. Apanhados assim de surpresa, e porque a disposição em causa estabelece grandes limitações à divulgação pública das escutas telefónicas, os sociais-democratas reagiram e Paulo Rangel não podia ter sido mais explícito: - “parece uma norma desenhada para a Casa Pia”!

Por fim, o interregno também acertou no “apito dourado” ou “encarnado”, como lhe queiram chamar! Para lá do espesso manto de silêncio que entretanto caiu sobre tão mediático caso, notícias frescas confirmam que o livro “Eu Carolina”, considerado pela generalidade como um importante elemento de investigação, parece que sofreu alterações na sua versão original, por forma a incriminar uns e deixar outros de fora! O actual silêncio compreende-se!

Dir-me-ão que eram coisas fáceis de adivinhar. Pois sim. E de escrever?

domingo, setembro 09, 2007

Gritos de alma

Quem não se lembra do grito de Tarzan, afirmado a plenos pulmões enquanto se baloiçava nas compridas lianas! Quem não se entristeceu com o suspiro do mouro, forçado a abandonar a doce Granada! E o grito de guerra clamando por Santiago! Mais tarde substituído por São Jorge, quando os Lencastres trouxeram a divisão à peninsula! Mas os gritos que agora me interessam são mais prosaicos, ouviam-se na pequena praia que frequentei durante uma escassa semana, eram frases soltas, sem sentido, entre o desânimo e a esperança de umas férias impossíveis de alcançar. Eu conto: no toldo que me abrigava do sol inclemente, estabeleci sem querer uma intimidade exagerada com a vizinhança e mesmo que fechasse os olhos para me concentrar num pensamento mais longínquo, era invariávelmente acordado pelo toldo da direita, que mantinha o hábito ancestral de decidir tudo em conclave. Gente do norte, com acentuado sotaque portuense, desta vez o assunto prendia-se com uma pequena alteração na ementa: o marido desafiava a mulher a substituir a caldeirada de tamboril pela massada do mesmo! Ele encarregar-se-ía dos bifes. Passado este momento crucial, voltei-me para o toldo da esquerda para apreciar o esforço do chefe de família na tentativa de manter o agregado em paz e sossego. Missão ingrata porque duas graciosas criancinhas, cheias de imaginação, não lhe davam tréguas! Eram daqui que partiam os gritos de alma. Na última manhã a promessa de uma ida aos caranguejos estava em cima da mesa, o sol apertava, as rochas ficavam distantes, mas os miúdos exigiram o cumprimento da pena sem contemplações. O pai olhou em volta desesperado, encolheu os ombros, levantou-se, pegou no balde e rumou ao deserto atrás das radiantes criaturas.
Naquele instante pensei fazer alguma coisa, mostrar alguma solidariedade, mas fiquei preso à cadeira, enquanto a expedição se afastava. E fosse imaginação ou remorso, a verdade é que passado algum tempo me pareceu ouvir um grito vindo do lado das rochas, em tudo semelhante ao silvo das baleias perdidas na imensidão dos oceanos! O nosso homem devia estar com os pés em brasa e os caranguejos pelos cabelos!
As férias de sonho não existem, são um grito de alma.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Transgénicos atacam transgénicos

À vista da seara o ódio extravasou-se, os adoradores da terra precipitaram-se em fúria sobre o inferno verde que crescia à sua frente, ceifaram tudo, cortaram o mal pela raiz! De nada valeram os protestos do agricultor, a passividade dos guardas, porque o pecado será banido da face da terra. Porém, se Deus não existe, se é esta a última morada, não se percebem as preocupações com o futuro, nem as lágrimas pelo paraíso perdido, resta a saudade dos antepassados rupestres, e por isso querem a todo o transe reconstituir a caverna, o sílex, e a pederneira! Órfãos, arrancados à tradição, filhos ilegítimos de um mundo ilegítimo, revoltam-se contra o milho ilegítimo, única e última vingança que fazem a si próprios. São afinal monárquicos que se desconhecem!
Entretanto convinha aplicar-lhes o devido correctivo, coisa que os papás se esqueceram de lhes aplicar na altura devida.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Assunto nacional

“Toda a informação a seguir a um curto intervalo…” esclarecia o pivot do canal público de televisão ao fim de quase uma hora de noticiário! Deixou a promessa de voltar com o rescaldo da notícia que vem alarmando o país – Fernando Santos já não é treinador do Benfica! Será substituído, ao que tudo indica, pelo espanhol Camacho! Mas rebobinemos a sequência noticiosa: Benfica despede treinador; Berardo falha OPA no Benfica; furacão Dean incomoda portugueses (parece que são imensos!) que queriam passar férias nas Caraíbas; Cavaco não gostou do ataque ao milho; relato de alguns incêndios como se não existissem… e as restantes notícias da actualidade internacional.
Veio a segunda parte, uma loira repórter procurava nas imediações do estádio da Luz os tais adeptos cujas vidas irão certamente mudar face ao afastamento de Santos, mas nada, tinham ido para a praia dar um mergulho na crise, ou estariam recolhidos em suas casas à espera do pior! O pivot remediou a situação ouvindo o sexólogo encarnado Júlio Machado Vaz! Este, menos descontraído do que é costume, e quando esperávamos que fizesse alguma referência ao balneário, disse apenas estar preocupado com o timing! Já o deputado benfiquista Manuel Santos invocou a instabilidade para justificar o despedimento.
O telejornal entretanto acabou, eu estava exausto, e curiosamente, acabei por ficar também preocupado!

sexta-feira, agosto 17, 2007

A minha selecção – O segundo anel

“Jesus tem convite”
“O treinador do Belenenses Jorge Jesus foi convidado pelo presidente da SAD, Cabral Ferreira, a prolongar pelo menos por um ano, o contrato que o liga ao clube até ao final da época. A resposta ainda não surgiu, uma vez que o técnico pediu algum tempo para pensar, mas os dirigentes do Restelo estão optimistas…”
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07.

Comentário: Jorge Jesus parece talhado para o Belenenses e essa empatia é mais importante que muitos atributos que se queiram contabilizar. Jesus vive o futebol com paixão, gosta de semear para colher, e embora seja um treinador com grande leitura de jogo, é um corredor de fundo, não se satisfaz com intervenções cirúrgicas na busca do êxito imediato. Por outro lado, a frontalidade e uma auto estima acima da média, são qualidades pouco apreciadas nos clubes onde existe muita gente a mandar, e onde a pressão de ganhar a qualquer preço é enorme. Não é esse felizmente o caso do Belenenses. Por fim e baseando-me nas declarações que diversas vezes tem proferido penso que Jorge Jesus gostaria de ficar ligado a um projecto de futuro e com futuro. Se é assim, aí está o casamento perfeito.

“Paulo Duarte deixa críticas à televisão”
“Senti-me português de segunda. Fui enxovalhado. Como unionista, estou orgulhoso pelos meus jogadores. Mas como patriota senti-me desiludido. A União de Leiria não representa nada para Portugal. Andam a dar torneios e jogos amigáveis que não contam para nada e nós, que estamos numa competição europeia, não merecemos atenção…”!
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07

Comentário: Sem comentários.

“Apito Encarnado”
Fonte:
www.sendspace.com/file/tmrb2o

Comentário: Li o dossier e comentarei oportunamente.

Saudações azuis.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dia de Missa

Desta vez não falhei o encontro, dia da Assunção de Nossa Senhora, meti-me ao caminho e lá fui. Entre cânticos suaves medi o arco e as colunas demorei-me na Cruz de Santiago que enfeita o púlpito, quase adormeci. A luz do entardecer e poucas horas de sono, confesso que foi um momento difícil. Recompus-me para ouvir a homilia, simpatizo com o sacerdote, explica bem as coisas, confronta a vida dos fiéis, em profundidade, isso traz-me sempre algum desconforto, mas não é por isso que falto, são outras coisas. É mais cómodo guardar uma distância conveniente do serviço religioso, o dragão que ficou á porta da Igreja, o mesmo que me vai devorando, também precisa de viver. Despertei definitivamente quando rezámos pelo Iraque – morreram hoje duzentas pessoas, vítimas inocentes de uma guerra que ninguém consegue explicar. Como lembrou o celebrante, “o Iraque vive uma violência brutal como é também brutal a indiferença do Ocidente”!
Quem são os homens (seremos mesmo homens!) que consentem tamanha barbaridade!
Salvé Rainha, rogai por nós.

Abertura

É só para aves migratórias, mas o jejum é tanto que hoje disparo a tudo o que mexe, rolas, pardais, aves de capoeira, cucos, com pena, sem pena nenhuma. Sem me esquecer também das aves de rapina, espécie muito protegida entre nós!
Ora vejamos, se bem me lembro, tinha eu aventado a hipótese de que tínhamos o apito entornado a partir do momento em que todas as baterias apontavam a norte esquecendo lamentavelmente que as melhores perdizes se caçam a sul, e que a capital sempre foi o local de nidificação de muitos passarões! Também apontei em devido tempo o erro fatal cometido pela procuradoria, e pela procuradora adjunta, ao utilizar como elemento de prova um livro e uma personagem de romance barato.
Por isso, quem aqui vos escreve, verificou sem espanto que existe um novo dossier secreto para consulta dos interessados. Nele se conta que o “marido de Morgado trabalhava para Filipe Vieira” e mais à frente informa que “ Luís Filipe Vieira é acusado de pagar elevadas quantias a várias pessoas – entre as quais, Carolina Salgado, Fernando Seara e a Saldanha Sanches, marido da procuradora Maria José Morgado. Em 26 páginas com o timbre aparentemente original da Directoria Nacional da Polícia Judiciária, os autores do dossier dizem ser elementos da PJ, que não querem por agora identificar-se, para não colocarem as carreiras em risco. Afirmam ter como provas imagens, sons e documentos. Entre as várias acusações, dizem que Luís Filipe Vieira, ainda como presidente do Alverca, pagou a Fernando Seara cerca de 100 mil contos para que o clube satélite do Benfica ficasse na 1ª divisão, numa jogada que prejudicou o Gil Vicente…”! As revelações prosseguem envolvendo os nomes de Maria José Morgado, Saldanha Sanches, Carolina Salgado, Leonor Pinhão, etc.
Afinal também existe um apito encarnado e andava tudo a apitar para o lado, e se formos justos, também haverá por certo um apito verde, porque como tenho inúmeras vezes denunciado a verdadeira e única suspeição está há muito definida, tem mais de meio século, “em Portugal ganham sempre os mesmos” e como isso não se verifica em parte nenhuma do mundo, é por aí que a procuradoria e a procuradora têm que começar a investigação. Não adianta investigar um e deixar os outros dois de fora.
Depois, e com método, hão-de verificar que o poder político está comprometido com a popularidade e com a visibilidade gerada pelo futebol o que obsta a que possa fiscalizar o autêntico biombo em que se transformou a chamada indústria da bola, para onde têm convergido ultimamente homens de negócios, construtores civis, advogados, magistrados, e tantos outros arrivistas, tanta gente repentinamente apaixonada pelo futebol... que já estou como o poeta – “são tantos que não podem ser tantos”!
Como se vê matéria para investigação não falta.

Fonte: Jornal “24 horas” de 15/08/07.

sábado, agosto 11, 2007

Miguel Torga

“Esperança

Tão fiel que te fui a vida inteira,
E deixas-me na hora da verdade!
Eras a minha própria liberdade,
O meu anjo da guarda vigilante.
E quando, confiante,
A namorar o mundo na paisagem
E a ver em cada verso a tua imagem
Sorridente,
Eu porfiava em alcançar a meta
Do longo e penitente
Caminho de poeta
A que fui condenado,
Sinto-me de repente
Abandonado.
Sem a razão
De ter inspiração,
Traído,
Desmentido
E desesperado.”

Coimbra, 30 de Janeiro de 1986

In “Diário”

quarta-feira, agosto 08, 2007

Silêncio

Silêncio que as palavras pouco dizem
Surpresa mas a palavra não é justa
Silêncio e fica tanto por dizer
O nome diz-me sempre tanta coisa
Ígnea e incandescente criatura
A dureza na crueza de uma vida
A cada um a sua sepultura
Melhor será lembrar a tua gesta
Bem longe dos trilhos e da glória
Morreste sem o cheiro do capim
Mas podes no silêncio destes versos
Ouvir o último toque do clarim.

À memória de Inácio Beja.

terça-feira, agosto 07, 2007

O próximo socialista

Democrata dos quatro costados, começou por ser indiferente, na juventude alistou-se numa esquerda qualquer, preferia ter sido social democrata mas não havia vagas para a direcção, foi parar aos socialistas, singrou, defendeu calorosamente a independência para as colónias, nada de parcerias ou outras associações com a mãe pátria, bateu-se a seguir e com igual vigor pela associação da mãe pátria com outros estados, declaradamente mais fortes e mais ricos, embrenhou-se entusiasticamente nessa excitante aventura, e a cada novo avanço, por cada tranche recebida, acreditou mais e mais nesse projecto. Da sua boca só se ouviam frases pouco perceptíveis mas optimistas, a diplomacia passou dos gabinetes para o laboratório, experimentou a realidade entre tubos de ensaio e retortas de alquimista. Por fim, vislumbrou a garantia de uma constituição ao fundo do túnel, saiu-lhe um tratado, menos mau! Bem se esforçou por se agarrar ao pelotão da frente, sacrificou a nação inteira a essa quimera, sobrecarregou-a de burocracia e impostos, falhou, hoje a carga fiscal não a deixa sequer pedalar, mexe as pernas mas não se mexe, atrasa-se cada vez mais. Para cúmulo e de onde menos esperava surgiram os esticões decisivos, um húngaro envergando a camisola tricolor decretou explicitamente que a concorrência quando nasce não é para todos! Na sua roda seguem os favoritos do costume, a volta é deles e não há volta a dar. A nossa bicicleta tem remos nos pedais, foi feita para navegar. Desesperado, sabe que não pode desistir, seria o seu fim. Além do mais, habituou-se ao poder, precisa das luzes da ribalta, e se não lhe oferecerem um emprego na europa, a europa pode esperar! Ele sabe para onde sopra o vento. Sarkozy abriu um caminho, também saberei percorrê-lo.
Serei o próximo socialista, verde ou encarnado, adivinhem!

quinta-feira, agosto 02, 2007

O direito de resistência

Trata-se em primeiro lugar de saber se vivemos ou não num país ocupado, ocupado ideologicamente, se o conteúdo das leis afronta ou não afronta, de forma sistemática, a base da ‘lusitana antiga liberdade’, único conceito que pode justificar todos os outros. Trata-se em segundo lugar de investigar se a constituição e as leis da república confirmam aquele princípio ou se através de um capcioso entendimento do direito de representação não têm emigrado para o seu interior um conjunto de aleivosias completamente alheias à nossa identidade como povo independente e soberano. Em reforço desta suspeita concorre a doutrina oficial que atribui carácter absoluto ao sufrágio, espécie de dogma religioso com força de lei, desprezando todas as outras fontes de direito, como sejam o costume e a tradição. Mas a maior suspeita reside no facto dos portugueses nunca se terem pronunciado em concreto sobre a adesão à união europeia! Nem sobre nenhuma das suas decisões que afectam o dia a dia de todos os portugueses e também o seu futuro!
Para quem só retira consequências dos votos, é pelo menos estranho que tenha tanto medo do voto dos portugueses e se refugie tanto no instituto da representação, fórmula de mandato que corresponde quase sempre a um cheque em branco passado às direcções partidárias!
Para dar um exemplo concreto, sabiam os portugueses que durante a recente presidência alemã, a chanceler Ângela Merkl decidiu alargar aos restantes membros a lei do ‘delito de opinião’ o que significa que não podemos discutir livremente a verdade oficial imposta pelos vencedores da segunda guerra mundial! Em sentido contrário compreendemos e aplaudimos a declaração do novo primeiro-ministro Gordon Brown que sossegou os ingleses dizendo que não seria necessário referendar o próximo tratado porque os interesses da Inglaterra seriam intransigentemente defendidos! Que contraste com o nosso governo que faz passar a mensagem infantil e ridícula que os interesses da Europa se confundem com os interesses de Portugal!
É neste quadro que faz sentido exigir mais autonomia para as autonomias, que faz sentido pensar na criação de novas regiões autónomas, áreas libertadas, imunes à ocupação ideológica que o par franco-alemão persiste em manter, contando para isso com a proverbial ‘hospitalidade’ portuguesa!
É também neste sentido que faz sentido falar em direito de resistência.

segunda-feira, julho 30, 2007

Quem promove a dependência?

Não há muito tempo a pergunta seria – quem são os traidores?
Agora não se pode falar assim, é extremamente incorrecto, o que se pode dizer agora é que estamos envolvidos num processo muito avançado de interdependências, essenciais para o desenvolvimento de uma comunidade da qual fazemos parte. E é preciso frisar a seguir que não estão em causa nem a nossa independência como estado, nem a nossa autonomia como vontade própria.
Posto isto, a realidade dos pequenos gestos e a política em concreto, vão revelando o contrário!
A verdade é que todos os dias promovemos a dependência, por querer ou sem querer não interessa, todos os dias se faz passar a ideia que não existe alternativa a esta união europeia, quando toda a gente sabe ou devia saber que vivemos oito séculos a desmentir essa ficção! Mas não existe melhor exemplo para aferir do estado mental de dependência em que vivemos do que assistir a um telejornal da televisão pública! Aí, sem sofismas de qualquer espécie, parece existir a obrigatoriedade de falar sempre no Benfica, Sporting e Porto, existam ou não notícias relevantes sobre os mesmos! Dos outros concorrentes não se fala, é como se não existissem! E tudo isto acontece perante a aprovação geral da nação! Quando se chega a este conceito redutor, quando se atinge este ponto, qualquer pessoa medianamente inteligente percebe que já não temos condições sequer para organizar um campeonato nacional de futebol! Até para um torneio de sueca… falta um parceiro! Claro que podemos continuar a fingir, a justificarmo-nos com as audiências, com a globalização, com a China…mas sabemos que são meros expedientes para não enfrentarmos a nossa realidade.
Por isso soam a falso as preocupações daqueles que temem pela não aplicação da lei da república no arquipélago da Madeira. Quem não promove a sua própria autonomia é sempre suspeito de querer arrastar os outros para a mesma situação.

sábado, julho 28, 2007

No limite

Vivi hoje o primeiro dia da clandestinidade, alistei-me no exército de todas as autonomias, a táctica da guerrilha é o regionalismo. Só assim conseguiremos escapar ao destino fatal, que nem sequer estava escrito nas estrelas, tão óbvio é o seu desenlace. Não precisámos de Saramago para o antecipar, basta olhar para a nação, rendida, relativizada, vazia e descerebrada! E o que ela gosta de trair, de ser possuída, tão contente e distraída. Inventa doutrinas para ser escravizada!... E não precisa! Basta continuar a rever o conceito de ‘lei da república’, o Vital ensina... como e quando convém! Será agora do Minho à Madeira?! E a seguir, até onde vai? Ou já não começa no Minho, mas em Tuy!
Se querem ser todos do mesmo partido, ou do mesmo clube, pois que sejam! É uma opção, avante camaradas, eu prefiro a diversidade, a multiplicidade, para garantir o desenvolvimento e a coesão, para me defender das teorias deslizantes, globalizantes, a vinte e sete, a trinta e oito, a passo de cavalo cansado.
Não estou à venda, quero viver segundo os valores em que acredito, não estou para ser perseguido pela ‘lei da república’, que sistemáticamente os nega ou ignora! Separemo-nos a bem, as autonomias servem para isso, para coexistir sem dramas nem prepotências do governo central.
Um rei há-de assegurar a unidade.
“E outra vez conquistemos a distância, do mar ou outra, mas que seja nossa”.