segunda-feira, julho 30, 2007

Quem promove a dependência?

Não há muito tempo a pergunta seria – quem são os traidores?
Agora não se pode falar assim, é extremamente incorrecto, o que se pode dizer agora é que estamos envolvidos num processo muito avançado de interdependências, essenciais para o desenvolvimento de uma comunidade da qual fazemos parte. E é preciso frisar a seguir que não estão em causa nem a nossa independência como estado, nem a nossa autonomia como vontade própria.
Posto isto, a realidade dos pequenos gestos e a política em concreto, vão revelando o contrário!
A verdade é que todos os dias promovemos a dependência, por querer ou sem querer não interessa, todos os dias se faz passar a ideia que não existe alternativa a esta união europeia, quando toda a gente sabe ou devia saber que vivemos oito séculos a desmentir essa ficção! Mas não existe melhor exemplo para aferir do estado mental de dependência em que vivemos do que assistir a um telejornal da televisão pública! Aí, sem sofismas de qualquer espécie, parece existir a obrigatoriedade de falar sempre no Benfica, Sporting e Porto, existam ou não notícias relevantes sobre os mesmos! Dos outros concorrentes não se fala, é como se não existissem! E tudo isto acontece perante a aprovação geral da nação! Quando se chega a este conceito redutor, quando se atinge este ponto, qualquer pessoa medianamente inteligente percebe que já não temos condições sequer para organizar um campeonato nacional de futebol! Até para um torneio de sueca… falta um parceiro! Claro que podemos continuar a fingir, a justificarmo-nos com as audiências, com a globalização, com a China…mas sabemos que são meros expedientes para não enfrentarmos a nossa realidade.
Por isso soam a falso as preocupações daqueles que temem pela não aplicação da lei da república no arquipélago da Madeira. Quem não promove a sua própria autonomia é sempre suspeito de querer arrastar os outros para a mesma situação.

sábado, julho 28, 2007

No limite

Vivi hoje o primeiro dia da clandestinidade, alistei-me no exército de todas as autonomias, a táctica da guerrilha é o regionalismo. Só assim conseguiremos escapar ao destino fatal, que nem sequer estava escrito nas estrelas, tão óbvio é o seu desenlace. Não precisámos de Saramago para o antecipar, basta olhar para a nação, rendida, relativizada, vazia e descerebrada! E o que ela gosta de trair, de ser possuída, tão contente e distraída. Inventa doutrinas para ser escravizada!... E não precisa! Basta continuar a rever o conceito de ‘lei da república’, o Vital ensina... como e quando convém! Será agora do Minho à Madeira?! E a seguir, até onde vai? Ou já não começa no Minho, mas em Tuy!
Se querem ser todos do mesmo partido, ou do mesmo clube, pois que sejam! É uma opção, avante camaradas, eu prefiro a diversidade, a multiplicidade, para garantir o desenvolvimento e a coesão, para me defender das teorias deslizantes, globalizantes, a vinte e sete, a trinta e oito, a passo de cavalo cansado.
Não estou à venda, quero viver segundo os valores em que acredito, não estou para ser perseguido pela ‘lei da república’, que sistemáticamente os nega ou ignora! Separemo-nos a bem, as autonomias servem para isso, para coexistir sem dramas nem prepotências do governo central.
Um rei há-de assegurar a unidade.
“E outra vez conquistemos a distância, do mar ou outra, mas que seja nossa”.

quarta-feira, julho 25, 2007

O bode expiatório

No Dia da Expiação dois bodes eram presentes ao altar do Templo e um deles era escolhido para ser sacrificado. O outro tornava-se o bode expiatório e nesse sentido o sacerdote punha as mãos sobre os cornos do animal e confessava os pecados do povo de Israel. De seguida o bode era solto, levando consigo os pecados de toda a gente.

Numa ousada transposição lembro-me dos actuais padecimentos de Vale e Azevedo desde que perdeu as eleições para a presidência do Benfica. Os que entretanto o substituíram não perderam tempo a acusá-lo de todas as patifarias possíveis e imaginárias, sendo nessa tarefa apoiados pela generalidade da comunicação social.
Neste enredo, e com a concordância universal, o Benfica aparece como vítima inocente não obstante tais ‘patifarias’ terem sido praticadas no desempenho legítimo do cargo de presidente do clube! O argumento, é que terá lesado o Benfica com a sua gestão e que tudo o que fez foi em benefício próprio! Dentro desta lógica terá contratado jogadores, valorizado e desvalorizado terrenos, falsificado documentos, chegando ao ponto de rasgar os contratos com a Olivedesportos!
Há alguém que acredite nisto?! E ainda que assim fosse, agiu em representação do Clube, era o presidente incontestado, eleito e apoiado por uma larga maioria de associados. A não ser que o sufrágio e os votos sirvam, ao contrário do que se pensava, para isentar e irresponsabilizar as pessoas colectivas!!!
Curiosamente, ou talvez não, estamos agora a assistir a um conjunto de acções, de legalidade duvidosa, e que são uma cópia fiel daquilo que Vale e Azevedo tentou fazer no sentido de se libertar da tutela audiovisual da Olivedesportos! Desde falsas ‘opas’, especulações bolsistas, que se fossem intentadas por outras entidades já teriam sido severamente punidas, vale tudo, menos …Vale e Azevedo!
É a velha tradição do bode expiatório!

Post-Scriptum: Não conheço Vale e Azevedo, e na altura denunciei a arrogância e todas as manobras a que se permitia, a coberto da presidência do Benfica No entanto, sempre estive convencido, e ainda estou, que tudo o que fez foi a pensar no Benfica. Fica a sensação que o único erro que cometeu foi ter perdido as eleições!

segunda-feira, julho 23, 2007

Morgado no país dos futebóis

Tenho alguma simpatia pela Procuradora-Adjunta, vêm-me à memória os tempos conturbados da Faculdade de Direito, em que ser do MRPP significava ter alguma coragem para não ser do PCP ou de algum dos seus múltiplos satélites! Claro que esta simpatia estudantil não desculpa (nem desculpava) os excessos cometidos, nem faz ou fazia esquecer as absurdas utopias que transportavam nas suas bandeiras! Entretanto acalmaram, cresceram, reciclaram-se, mas não perderam o hábito de se julgarem acima de qualquer suspeita, abrigando também nesse manto impoluto todos os seus colaboradores! Trata-se a meu ver de uma manifestação de superioridade moral e cívica que não abona em favor da humildade ou de outra virtude conhecida. As palavras não são minhas e li-as onde toda a gente as pode ler – “ a minha equipa de investigação está acima de qualquer suspeita”! E sugeriu que o mesmo poderia não se aplicar a outros intervenientes no processo!
Pois bem, há muito que o chamado apito dourado passou a apito envenenado, nomeadamente desde que aceitou analisar com intuitos probatórios um livro escrito por uma amante desavinda, que no furor da vingança se mudou de armas e bagagens para o clube rival. No mesmo sentido seguiu o processo, tornando-se, sem querer, num instrumento da rivalidade futebolística entre o Porto e Lisboa, ou numa acepção mais abrangente e perigosa, entre o norte e o sul!
A Procuradora, que afinal não é infalível, cometeu entretanto um erro fatal e que há-de sepultar todo este processo: sentindo-se ofendida com as declarações da outra gémea Salgado, anunciou processá-la! Face à desigualdade e à desproporção de meios será sempre uma vitória de Pirro, e que quanto maior for, pior será a derrota.
É preciso não esquecer que estamos no país dos futebóis.

sexta-feira, julho 20, 2007

O inquilino de Belém

Um dia havia de ser e aproveitando alguma polémica gerada pela ‘nação carente’ aqui fica o meu pensamento sobre os direitos e deveres dos inquilinos do Palácio de Belém. A ideia é no entanto mais abrangente e estende-se ao respeito pela herança, à relação entre o ocupante e o proprietário legítimo.
Não temos dúvidas que se trata de uma ocupação republicana em sentido estrito, visando apropriar-se de algo que julga ser seu por ser do povo, domínio público que deve ser nacionalizado. Tem o sabor ou o travo de uma desforra perante o inimigo vencido, foi com a mesma índole que se transformaram em quartéis antigos Conventos e Capelas. É um episódio de guerra civil, é a vida nos países ocupados, mas não deveria ser assim nas comunidades que se reclamam da mesma herança! Que gostam de cantar o mesmo hino! O problema é que não gostamos nem desgostamos, e porque somos incapazes de receber condignamente a herança, de a integrar no dia a dia das nossas vidas, somos também incapazes de transmitir seja o que for, refiro-me aos valores que conformam a identidade de um povo!
Mas voltemos ao Palácio de Belém para dizer que o proprietário legítimo não é o povo, mas a história desse povo, que deve também incluir os vindouros, se quisermos que a história continue, vindouros que têm naturais e justas expectativas em relação à herança que nós já recebemos. E a herança não é um museu, ao contrário do que muitos praticam, é antes sinal de vida, sinal de futuro.
O pensamento já vai longo e não queria terminar sem deixar também aqui um sinal de esperança, e por isso espero que não tenhamos que chegar à conclusão que seria mais prático e mais pacífico construirmos uma residência de raiz para os presidentes da república, residência que não teria naturalmente Capela, sem os riscos portanto de ser profanada, nem a tentação de ofender os católicos.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sampaio e Rego

E toda a “Nação Carente” revisitada numa ode que só poderia ter sido escrita por alguém que não se resigna 'a esta apagada e vil tristeza’!
Parabéns e obrigado.

terça-feira, julho 17, 2007

Natureza e Nação

São ainda os ecos da “Marselhesa” que resolvi trazer para a luz do dia – “Saudações a todos os que repôem a verdade histórica, e omitem silenciosamente o facto de que a União Europeia continua a manter a paz, coisa que o Santo Nacionalismo nunca conseguiu fazer – mas enfim, como já Julius Evola dizia que a guerra é que é bom...”!
Por isso respondi – ‘Paz na terra aos homens de boa vontade! Mas Glória a Deus nas alturas!
Limpa primeiro a tua casa e a seguir ajuda na dos outros. Não se trata de santificar o nacionalismo mas de estabelecer uma ordem de prioridades. E quando abdicares dos teus princípios, fá-lo com a coragem da totalidade.
Houve e há guerra na Europa, se pensarmos que na europa se contêm os Balcãs. No condomínio fechado que erguemos, de facto, ainda não houve. Mas o preço dessa paz, para nós portugueses, foi e é altíssimo. Abandonámos todas as colónias deixando para trás a desolação e a guerra. Rasgámos tratados, desonrámos e traímos povos que esperavam mais da nossa nobreza. Nobreza, palavra estranha, sem uso corrente!
E já sabemos (já sabíamos) onde irá desembocar a nossa união europeia. Será uma nova experiência de união ibérica. A anterior, dizem os entendidos, foi desastrosa para os nossos interesses. Claro que poderemos sempre questionar se Portugal tem interesses próprios’.

segunda-feira, julho 16, 2007

O sufrágio, ai, ai!

Não é vira, nem malhão e antes que me venham papaguear a frase do Churchill, repito o que venho dizendo no interregno, long time ago: Winston tinha em mente a Inglaterra, onde existia, e existe, pelo menos um órgão político que não é eleito pelos contemporâneos – a Chefia de Estado. Agora já posso prosseguir com o ai, ai, do sufrágio e para concluir que assim não vamos a lado nenhum. Já não bastavam os partidos metidos a martelo nas autarquias, já não bastava o Governo a concorrer à Câmara de Lisboa, para ainda termos que aguentar com o ridículo das manifestações de alegria pela vitória do comissário Costa, vitória essa que não é mais que uma pesadíssima derrota da partidocracia vigente! Verdade que até para aquelas explosões de contentamento houve que recorrer às célebres ‘camionetas à província’ para dar algum colorido à festarola! E para que não lhes faltasse nada, Sócrates encarregou-se de fazer um inflamado discurso aos ‘lisboetas’ de encomenda, que ao que parece tinham vindo do Alandroal!
É caso para perguntar como os brasileiros: mas eles não se enxergam?!
Não perceberam que o sufrágio, acoplado ao sistema republicano de partidos, já produziu todo o mal que havia para produzir na comunidade onde vigora! Não perceberam que a desconfiança na política e nos políticos é total e que as tentativas esfarrapadas para dar alguma legitimidade aos eleitos já não convencem ninguém!
Vejamos os números numa perspectiva futebolística para que se tornem mais convincentes: Costa com os seus 58.000 votos não conseguiu encher o estádio da Luz! Carmona e Negrão somaram 63.000 votos, e não fosse a arma do arguido, teriam conseguido encher o estádio da Luz! Roseta, que recolheu 20.000 votos, conseguiu uma boa assistência na primeira Liga!
Daqui para a frente iremos por certo assistir às tentativas por parte do Governo para consumar a união nacional na Câmara, antecâmara da prevista união nacional!
E já sem sufrágio!

sábado, julho 14, 2007

Dia de reflexão

Enquanto as ‘tropas dos 27’ desfilam nos Campos Elíseos, celebrando ao que tudo indica a festa e os valores desta Europa, em Lisboa, os lisboetas entraram em período de reflexão!
Reflictamos pois!
Desfile tão participado só pode querer significar que a ‘constituição europeia’, mascarada de ‘tratado’ por razões referendárias, será rapidamente aprovada pelos respectivos parlamentos, longe portanto da incomodidade popular. O que faz todo o sentido, na medida em o dito ‘tratado’ consigna e traduz a Europa dos comissários que estamos a construir.
Semelhante paralelismo merece reflexão em Lisboa! Do voto de uns poucos milhares de portugueses, o que resta de uma cidade que já foi populosa, dependem uma série de projectos e decisões que irão afectar o país inteiro, ou seja, milhões de habitantes! Desde o aeroporto internacional, às vias-férreas estruturantes, à perspectiva da nossa vocação atlântica, que foi sempre a base de uma difícil independência, tudo isso acaba por estar em jogo nas eleições de Domingo. Que responsabilidade desmedida!
Será talvez por isso que o Governo não resistiu e resolveu lançar uma candidatura à Câmara de Lisboa?!
Sem ironia, precisamos todos de reflectir, clareza precisa-se, exemplo que tem que vir de cima, para que possamos ser claros uns com os outros. Já chega de mentiras.

quinta-feira, julho 12, 2007

Fado

Vamos lá, cantem comigo, todos, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado! Muito bem!
Comecemos então pela pescadinha de rabo na boca, que vai a concurso com receita ribeirinha de José Miguel Júdice! Não sendo possível perguntar aos eternos comensais o que pensam deste conhecido prato, oiçamos alguns dos concorrentes a chefes de cozinha, por exemplo, Manuel Monteiro, que conforme se pode ler no DN de ontem, achou a pescadinha um bocadinho indigesta:

“António Costa deveria imediatamente pedir a José Miguel Júdice que se demita de seu mandatário. Estamos a assistir a uma autêntica indignidade política” e prosseguiu, “António Costa ocultou aos cidadãos de Lisboa que o primeiro-ministro já tinha convidado José Miguel Júdice para ser o responsável pela recuperação da zona ribeirinha. É batota, é indigno que um candidato a presidente da Câmara diga que vai fazer obras na zona ribeirinha da cidade, quando o primeiro-ministro desse partido já tinha nomeado o seu mandatário para comandar essa recuperação”.
A finalizar, o ex-líder do CDS ainda lançou a António Costa uma pergunta que ameaça deixar a pescadinha intragável: “No caso de vencer as eleições, tenciona dar ao escritório de José Miguel Júdice o trabalho jurídico da Câmara de Lisboa? E rematou – “Apesar de vivermos numa democracia, temos hoje políticos que enriqueceram mais ao fim de quinze anos do que muitos outros durante o chamado fascismo”.

Sem comentários. Apenas acrescento que é natural que muito em breve assistamos na RTP a uma entrevista justificativa por parte deste futuro comissário ribeirinho! Aliás, o canal público de televisão tem vindo a especializar-se em maquillage e retoques de imagem em tudo o que mexe com o regime em vigor. Dentro desse âmbito vai hoje para o ar uma conversa em família sobre o ‘biombo chinês’. Vejam, deve ser divertido.

quarta-feira, julho 11, 2007

Vale tudo...

"Sombras Chinesas" - "O mistério dos chineses que queriam comprar o Benfica está resolvido: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que é a polícia da Bolsa, investigou e chegou à conclusão de que o “alegado investidor chinês”, conforme classifica em comunicado, já não avança com a operação. Como soube a CMVM?


A sua investigação conduziu-a a um advogado que comunicou que o seu cliente “perdeu o interesse na aquisição de participações sociais” da SAD do Benfica. Caso resolvido! E o que ficou para trás? Pelo menos um grupo chinês desconhecido, que veiculou o seu alegado interesse por um jornal, motivou uma movimentação anormal com as acções do Benfica e quem comprou a 3,50 euros e vendeu a 6,11 lá fez a sua boa jorna... Quem não percebe nada de Bolsa pergunta-se: quem são, afinal, os ‘investidores chineses’? Isto não cheira a manipulação do mercado? O caso fica por aqui? Não há ninguém a quem pedir um pouco mais de responsabilidades? Terá sido um movimento normal do mercado que vinte minutos depois da reabertura tenham sido transaccionadas 81 mil acções de um único lote, com um lucro de 196 mil euros? Agora que já percebemos todos que o “alegado investidor chinês” não é mais do que uma verdadeira sombra chinesa, seria bom que a CMVM esclarecesse, a bem da sua própria credibilidade, quem é que, afinal, ganhou com toda esta ópera bufa."
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Reproduzo, com a devida vénia, o editorial do CM de hoje , da autoria de Eduardo Dâmaso.

segunda-feira, julho 09, 2007

A oitava maravilha

Só a memória sobreviverá, só quem a conserva ou possui será mestre do seu futuro! Só ela tem capacidade para iluminar a história, não para a relativizar ou menorizar, mas para a integrar nesse esforço contínuo de compreensão e elevação espiritual que justifica o destino do homem!
A sociedade contemporânea não tem memória, limita-se a seleccionar produtos, para vender ou comprar dentro do respectivo prazo de validade, e por isso, aquilo a que assistimos no dia sete do sete de dois mil e sete foi mais um desses exercícios de vaidade devoradora que a história se encarregará de esquecer.
Visto de longe, o concurso parecia um jogo de matraquilhos com os actuais residentes do planeta empenhados em levar a taça para casa! Nesse aspecto o sufrágio, desta vez á distância de um clique, mostrou novamente a sua fragilidade, ordenando as ‘maravilhas’ de acordo com as vantagens populacionais das várias regiões ou nacionalismos! Assim, ganharam naturalmente os chineses, indianos, sul-americanos, das duas matrizes conhecidas, islâmicos e…o Coliseu de Roma!
As reticências sobre o Coliseu de Roma confirmam o carácter do evento, também ele realizado num coliseu da era moderna, mas realçam a singular coincidência de ter sido uma antiga colónia portuguesa que garantiu o único sopro de Cristianismo que se viveu naquela noite!
Obrigado Brasil!

Post-Scriptum: “A oitava maravilha do mundo” foi uma expressão divulgada pelos jornais ingleses em 1955, depois da respectiva selecção de futebol ter sido batida pela equipa das quinas, o que acontecia pela primeira vez. A oitava maravilha, herói do jogo, foi Matateu, o inesquecível avançado do Belenenses!

Prepara-te para a Marselhesa

Já começaram os preparativos para celebrar condignamente o 14 de Julho, dia da Tomada da Bastilha e dia nacional de França. Na tribuna de honra, assistirão ao desfile militar que percorre os Campos Elíseos, todos os presidentes de todos órgãos que compõem a parafernália europeia. Sócrates e Durão Barroso, lado a lado, em uníssono, talvez trauteiem o “Allons enfants de la Patrie…”!
Lá como cá, franceses e portugueses, têm o estranho hábito de comemorar guerras civis, e no caso da França foram mais longe, impondo a data como dia nacional, o que para mentes retorcidas como a minha, causa sempre algum espanto e desagrado.
Porquê, se a música é tão ‘linda’!
Trata-se de um exercício de memória! Quem se lembra da guilhotina, dos milhares de condenados, dos milhares de inocentes, do terror institucionalizado, não consegue desligar nem desligar-se. Quem se lembra do consulado napoleónico que pôs a Europa a ferro e fogo, que invadiu e saqueou Portugal por três vezes, que tentou destruir as convicções religiosas europeias em nome do primado de um império laico e republicano, também não. E se relacionar, sem querer, as novas tentativas para descristianizar a Europa com as outras, mais antigas…mais preocupado fica.
Coisas do passado, dirão, que não dizem nada às gerações vindouras, estamos a construir um projecto único, comum, que exclui a força das armas, é tudo negociado entre nós, sem referendos, podem estar sossegados!
Pois então continuem a cantar a Marselhesa. Eu não.

sexta-feira, julho 06, 2007

Afinal era golpe...

“Hoje percebe-se que havia uma vontade de nos querer tirar da Câmara” observou Carmona Rodrigues quando se ficou a saber que o tribunal decidiu arquivar as acusações ao antigo vice-presidente Fontão de Carvalho no chamado caso EPUL! E acrescentou – “Não podemos ficar calados perante aqueles que usaram o que estava a passar-se no sistema judicial para tirar ilacções políticas”.
Tudo isto aconteceu num dia em que as sondagens não conseguem empurrar o ‘Costa do governo’ para a maioria esperada, nem conseguem interromper a ascenção de Carmona, que sobe paulatinamente nas intenções de voto dos lisboetas, preparando-se para ultrapassar Negrão!
Já por aqui tinhamos denunciado a instrumentalização da figura do arguido como pretexto para golpes políticos palacianos; já tinhamos também denunciado o apetite voraz de que é vítima a Câmara Municipal de Lisboa! Que não obstante o pregão de falência técnica, leva tanta gente a interessar-se por ela, ao ponto de perder a cabeça ou de trocar de afeições políticas e partidárias. Tudo em nome de Lisboa...coitada.
Faltam poucos dias para as eleições, e enquanto a polémica sobre o aeroporto jaz em conveniente silêncio, eu só espero que Lisboa resista a tanto enlevo, tanta jura de amor, tanto plano e promessa de obra!
Não vai ser fácil.

quarta-feira, julho 04, 2007

“Oh pulgas lusitanas...”

Pimpões pela Europa, o mundo é pequeno para tanta divagação, parece assombração, pois como dizia vossa mercê o desenvolvimento sustentável, entre outras lindezas tamanhas, é o grande objectivo da nossa presidência! Se bem captei a mensagem, oh zé aperta o laço, aperta o cinto, não te esqueças de me apertar o pescoço, pudera, a vida corre-te bem, já viram que somos iguais aos outros, na fotografia, ao jantar, ouvindo Beethowen... Mas não é o que parece, também dá trabalho, amanhá ou depois vou ter que discursar aos africanos, em África!
Mas senhor ministro, aqui na terra como no mar, a gente não pesca nada, não temos vantagem! Oh rapaz, você está a propor que abandonemos a união europeia! Uma opinião que nem eu nem o governo subscrevemos. Tenha juizo, a dizer barbaridades na frente do senhor comissário, o que é que ele vai pensar de nós!
Seremos o farol que orienta os navegantes, a feira dos mil eventos, por mês, por dia, congressos ao pequeno-almoço, finais e finalíssimas de todas as espécies, concursos, ainda querem mais?! Estamos no mapa como nunca estivemos, olham para nós, olham para mim, por favor, não comparem...
Euro excluído, infra falido, sufocado em impostos, para onde irá o dinheiro, boa pergunta, essas maravilhas não passam pela minha algibeira, nem percebo metade do que diz, não distingo os órgãos para além dos meus, e ando bastante adoentado por sinal. Oiça, estamos fartos de pessimismo, de lamúrias, isso pertence ao passado, não há razão nenhuma para não estarmos na primeira linha do desenvolvimento sustentado...eu já disse esta frase… não vou portanto repetir-me, quero apenas reafirmar uma coisa muito simples – estou absolutamente convicto que será nesta presidência que a europa vai entrar nos eixos!
Não duvido, mas eu estou mais preocupado com o salário mínimo lá de casa, com a minha reforma, com o fosso… Oh homem acabe lá com essa conversa miserabilista, e além do mais egoísta, nós aqui a mudarmos o mundo e vem você com pieguices! Com franqueza.

Título inspirado num verso de Jorge de Sena. Texto inspirado nos discursos da presidência portuguesa da união europeia.

segunda-feira, julho 02, 2007

Dom Manuel II

No dia 2 de Julho de 1932, morreu em Londres, onde estava exilado, o último Rei de Portugal, Dom Manuel II. Um ataque súbito, inesperado, ceifou a vida do ainda jovem monarca, quando tinha apenas quarenta e dois anos.
Passaram entretanto setenta e cinco anos, uma eternidade na memória dos portugueses, pouco afoitos ou interessados em recordar a sua gesta ou raízes! Por isso a figura de Dom Manuel, à semelhança de outros reis da nossa história, pouco diz à grande maioria dos portugueses que, ou desconhecem, ou têm deles uma imagem distorcida pela propaganda republicana! É pena, e não é bom para ninguém. No caso deste infeliz monarca, é uma dupla injustiça, uma triste ingratidão.
Com as limitações do exílio, Dom Manuel foi um exemplo de português, afirmou sempre bem alto o seu patriotismo, onde quer que estivesse, em todas as suas iniciativas, sem nunca renegar os deveres de um monarca, ainda que deposto. E isso foi reconhecido mais tarde pelos próprios republicanos.
Em sua memória celebra-se hoje pelas 19 horas uma missa de sufrágio no Mosteiro de São Vicente de Fora.
Assistirão ao acto os Duques de Bragança, Senhor Dom Duarte e a Senhora D. Isabel.

domingo, julho 01, 2007

Travessa da Pátria

É uma rua apertada, já teve vida, foi alegre, mas hoje pouca gente lá mora!
Muitos dos que a abandonaram seguiram outros caminhos, preferiram outras avenidas, sem os sacrifícios da casa antiga ou a incomodidade de velhos compromissos. O condomínio fechado é outra coisa, não trouxe a independência esperada, antes pelo contrário, mas trouxe um momentâneo bem-estar, a sensação de riqueza e importância que alguns precisavam, e não lhes levo a mal por isso. Eu por cá continuo, não consigo mudar, e vou gastando as palavras na inutilidade do tempo ou com os raros habitantes que ainda frequentam tão remoto lugar.
Travessa da Pátria, é assim que se chama a minha rua e talvez porque sempre aqui vivi, não lhe encontro defeitos, acho-a do tamanho certo, com jeito e umas pequenas reformas, penso que cabíamos lá todos. Mas isto sou eu a imaginar, eu que estou agarrado ao passado, como dizem alguns dos meus antigos vizinhos.
Quem sabe se não têm razão!...

sexta-feira, junho 29, 2007

Bucha e Estica outra vez!

Às vezes sinto-me recompensado!
Escrevi tanto contra o emagrecimento da primeira Liga e nem passou um ano e já toda a gente concluiu que foi um disparate! Toda a gente, ponto e vírgula, porque os promotores da ideia ainda se refugiam em argumentos patéticos, que escondem as suas reais intenções! Se bem me lembro, o entusiasmo pela redução (para dezasseis clubes) partiu da santa aliança entre os três clubes do estado, o Madaíl das selecções, e o Governo, através do secretário de Fafe, o nosso conhecido Laurentino!
Sem me esquecer naturalmente do séquito de ‘jornalistas’ afectos aos interesses imediatos de Benfica, Sporting e Porto.
Lembramo-nos também que a decisão foi tomada, como é habitual, à revelia dos homens do futebol, foi assunto de colarinho branco.
Agora, o argumento patético da ‘aliança do ponto e vírgula’ não podia ser mais esclarecedor: - “os problemas do futebol português são profundos”! Grande novidade, mas ninguém se atreve a pôr o dedo na ferida, ninguém se atreve a apontar o verdadeiro caminho, porque esse caminho passa pela inevitável dieta das três vacas sagradas que sustentamos a pão-de-ló, enquanto o resto do pessoal se contenta com as migalhas.
Não há volta a dar, uma indústria que vive da competitividade, não pode manter e alargar sistematicamente o fosso que existe entre os três clubes ditos grandes e os restantes. E estamos todos de acordo que nada se resolve com reduções ou acrescentando voltas ao campeonato, resolve-se sim, com a valorização do campeonato interno em detrimento das provas europeias e das selecções. Ou seja, resolve-se no dia em que percebermos que as casas não se constroem a partir do telhado, mas a partir dos alicerces. E como esta confusão é um problema nacional, terá de ser o Governo a dar o pontapé de saída para ver se conseguimos construir um futebol competitivo e rentável. Para o efeito convém não esquecer três verdades essenciais: a selecção vem a seguir aos clubes, os campeonatos europeus vêm a seguir aos campeonatos internos, e quando falamos em clubes, são todos os clubes.
Saudações desportivas.

quinta-feira, junho 28, 2007

Rolam cabeças no interregno...

Uma tempestade na redacção, um curto-circuito entre o ‘pc’ e a impressora, a que se devem acrescentar algumas críticas da alta autoridade lá de casa, obrigam o autor do interregno a inverter a sua linha editorial.
A censura baseia-se no estilo e na tendência para ‘dizer mal de tudo e de todos’ realidade que os mais recentes episódios postais evidenciam, não nos restando outra alternativa senão rever critérios e valores.
Diga-se, por ser verdade, que ainda opus alguma resistência a mim próprio, mas no fim de uma longa e penosa negociação, a madrugada touxe o compromisso possível: passaremos a emitir um texto por semana, reservado apenas e só, a dizer bem da situação, incluindo necessáriamente nesse abraço todos os ódios de estimação que o autor vem cultivando com desagradável persistência.
Assim, a rubrica irá para o ar em dia certo e sempre com o mesmo título, a saber: “O meu primeiro Abril”!
Espero sinceramente corresponder.

terça-feira, junho 26, 2007

Títulos de terça-feira

Não é uma viagem pela bolsa, nem prevejo para hoje qualquer opa, trata-se de exaltar as palavras dos outros num contraditório ‘à maneira’:

"Na inauguração do Museu Colecção Berardo" – “Antes, o roteiro da arte contemporânea parava em Madrid. Agora começa em Lisboa” – José Sócrates, primeiro-ministro.
“Se não fosse a ministra da cultura e o primeiro-ministro, esta colecção não estaria aqui e esse seria o meu maior desgosto” – Joe Berardo, empresário.
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(Títulos do DN de hoje, terça-feira, 26/06/07)

“Carrilho critica acordo entre Estado e Berardo” – “É um acontecimento muito positivo com o qual só nos podemos congratular. Trata-se de uma colecção de arte sem igual entre nós. Sempre defendi este projecto, sempre incentivei o comendador Berardo nesse sentido…” (Mas)
…“O acordo alcançado justifica algumas preocupações. Nem o Estado esteve à altura de todas as suas responsabilidades na defesa do interesse público, nem o comendador Berardo teve a grandeza filantrópica, mecenática, que a sua exuberância financeira justificaria e o país sem dúvida esperaria.”
(…)
(Haveria outra solução para instalar o Museu?)
“Penso que sim, embora exigisse mais visão e perspicácia na negociação. Ainda que a única opção fosse a da compra (O Estado adquirirá até 2016 a colecção por 316 milhões de euros ou, em alternativa Berardo disporá dela como entender) o valor estabelecido deveria ter sido o do seu efectivo custo e não a partir da avaliação de uma leiloeira que naturalmente, multiplicou o preço por cinco ou por seis. O Estado corre assim o risco imprudente de se ver envolvido numa operação especulativa privada e sobretudo sem quaisquer meios para a controlar ou impedir. Temo que no futuro isto coloque problemas graves ao Estado português. Por isso a revisão do acordo deve estar já na ordem do dia…” – Manuel Maria Carrilho, ex-ministro da Cultura.

Excertos da entrevista realizada pelo jornalista Pedro Correia e publicada no DN de hoje, terça-feira, dia 26/06/07, que com a devida vénia transcrevo.

segunda-feira, junho 25, 2007

Recebe as flores…

Ângela, receba as flores que eu lhe dou…sinal de rendição aos atributos e virtudes de tão proeminente figura! Homenagem coroada com um beijo, no mínimo caloroso. Foi assim, ao ritmo de um tango discutível que o nosso José Manuel entrou indiscutivelmente para história de mais um congresso europeu, que se não é um concurso de dança, está cheio de bailarinos!
Não me perguntem por ninharias, não me questionem sobre passes, voltas e outras acrobacias, porque isso faz parte do espectáculo, todos sabemos que o concurso foi um êxito, o par polaco, desta vez constituído por irmãos gémeos, esteve quase a ganhar, mas a tradição ainda é o que era, e por isso, o par franco–alemão vai levando a àgua ao seu moínho. Os ingleses ganham sempre!
Quanto aos portugueses já se sabe que a vida deles é isto, querem é concursos de dança, porque se eles acabam ficam desempregados. Nem sabem o que hão-de fazer!
Para ser mais concreto em relação ao que de facto se passou posso adiantar que o bouquet tinha rosas, jarros vermelhos, hortenses roxas, e gipsofila branca para enfeitar.

domingo, junho 24, 2007

O Anuário das desigualdades

Como é hábito, uma vez por ano e em colaboração com o jornal “A Bola”, a empresa Deloitte publica sem o saber um retrato do Portugal contemporâneo. A fotografia é a preto e branco e refere-se ao futebol como poderia referir-se a todas as vertentes da vida nacional! É caso para dizer: diz-me o futebol que tens, que eu digo-te quem és.
Vamos então fazer uma breve análise comparativa dos números apresentados mas seguindo uma orientação diferente da Deloitte e com conclusões também diferentes.

Conclusões diferentes porque o relatório daquela empresa não é neutro, expressa uma mágoa, e não parece nada interessado em apontar o caminho da salvação!

A mágoa sente-se desde a primeira página quando insiste em comparar as receitas e as despezas dos grandes clubes europeus, aqueles que militam em Ligas competitivas e rentáveis, com as receitas e despezas de Benfica Sporting e Porto, que como sabemos, dominam há mais de meio século e de forma hegemónica uma ‘indústria’ futebolística falida, que sobrevive à custa de subsídios do orçamento de estado e de aldrabices. Curioso que não se tenha lembrado de comparar os salários mínimos em vigor nesses mesmos países, Espanha, Inglaterra, França ou Alemanha, com o miserável salário mínimo português!!! E por aí é que o estudo deveria ter enveredado mas para tirar outras conclusões, que nos deviam envergonhar a todos, e ser motivo de preocupação de Governos e polícias!

O que era interessante comparar e frisar, não era o fosso que existe entre Portugal e os seus parceiros europeus, em todos os domínios, esse é um problema de política interna, tal como a regeneração do nosso futebol também é. O que temos que comparar e está ao nosso alcance corrigir, diz respeito ao fosso existente entre os três clubes chamados grandes e os restantes clubes da Liga. E não é preciso inventar nada, basta copiarmos as reformas que foram feitas, por exemplo em França, ou aqui mesmo ao lado, em Espanha. Nesse sentido o estudo da Deloitte poderia por um momento esquecer-se de comparações megalómanas e perguntar-se porque é que um clube da segunda Liga espanhola é um potencial comprador de quase todos os jogadores que alinham na primeira Liga portuguesa! Aqui é que bate o ponto.

Para o fim deixo à Vossa consideração os números da vergonha:

Super Liga (2005/06)

Custos totais:

Benfica, Sporting e Porto – 180 milhões de euros

Restantes quinze clubes ---- 95 milhões de euros

(Belenenses) ………………(7,4)

Receitas totais:

Benfica, Sporting e Porto…….149,6 milhões de euros

Restantes quinze clubes……… 89,0 milhões de euros

(Belenenses) ……………………. (6,3)

Segmentação de receitas (televisão):

Benfica, Sporting e Porto………22,6 milhões de euros

Restantes quinze clubes………...23 milhões de euros

Conclusão: Face a estes números queremos organizar que tipo de competição (escolha uma das hipóteses):

1. Campeonato nacional?

2. Campeonato litoral (a norte do Tejo)?

3. Campeonato entre pobres e ricos, com os pobres a jogarem descalços e os ricos com botas cardadas?

4. Ou preferimos continuar a sustentar os sonhos europeus de três clubes à custa do empobrecimento geral?

Nota básica: Os Presidentes da Federação e da Liga deveriam ser obrigados a responder a este inquérito. E o Governo também.

sexta-feira, junho 22, 2007

Pinóquio aviador

Os jovens da minha idade lembram-se concerteza das aventuras do pinóquio que a ‘Colecção Manecas’ publicava com regularidade e que eram para mim de leitura obrigatória.
Ainda sei de memória alguns títulos, o nosso herói foi ás do pedal, militou entre leões e outros animais bravios, mas não me recordo de ter sido aviador! Claro que em tudo o que fazia mantinha alguma prevenção evitando expor-se a consequências funestas para o seu apêndice nasal.
Mas os tempos são outros e até o pinóquio se transfigurou, está mais à vontade, desleixou-se com o nariz, que segundo consta cresce todos os dias!
Deixemos estas recordações vagamente senis para falarmos de coisas mais interessantes:
Ficámos então a saber pela imprensa diária que afinal existe uma espécie de conspiração ou negociação de corredor entre o Governo e a CIP para encenar estudos e mais estudos sobre a localização do novo aeroporto, embora a decisão já tenha sido tomada há muito! Parece inclusivamente que se fizeram promessas aos autarcas do Oeste que são agora difíceis de quebrar. E parece também que muitos dos proprietários dos terrenos a expropriar já terão actualizado os respectivos valores matriciais, o que em caso de recuo comportará muita frustração.
Assim quem continua a ficar mal na fotografia é o Governo, que enveredou pelo pior caminho possível, evasivo, esconde-se dos portugueses, anuncia verdades que logo a seguir vem desmentir, governa aos solavancos, e parece unicamente preocupado com as sondagens.
A própria comunicação social, até à data indefectível, começa a dar sinais de impaciência. E desconfiança. O país é o que se sabe, desconfia de si próprio.

quinta-feira, junho 21, 2007

Ataque ao Portugal Profundo

Não é a primeira vez, aconteceu há tempos por causa da Casa Pia, a blogosfera está a tornar-se incómoda, o poder republicano gosta de falar em liberdade mas não sabe conviver com ela, foi assim com o partido republicano que mal chegou ao poder cerceou as liberdades que ele próprio desfrutava durante a monarquia constitucional. Sobre a segunda republica que muitos gostam de disfarçar com a expressão ‘estado novo’, o melhor é não falar, mas o que dizer desta terceira república que chegou em Abril e prometia liberdade às catadupas!
Não há que enganar, os tiques ditatoriais multiplicam-se, ai de quem se atreva a discordar, a elevar a voz contra o arbítrio, contra o compadrio, contra a corrupção. O princípio nesta matéria parece claro: a justiça para os outros, as garantias para nós! Garantias até à exaustão, até ao esquecimento, arquive-se e ponto final.
Questionado, o discurso oficial justifica-se: o sistema está a funcionar, a separação de poderes é um pilar do sistema, devemos confiar na justiça!
Os factos porém desmentem esta esperança: as delongas processuais subvertem completamente os mais elementares princípios de justiça, e criam ao sabor das conveniências uma nova classe de cidadãos, os arguidos. Estes, uma vez constituídos, e se não tiverem por si quem lhes valha, estão condenados a apodrecer numa espécie de limbo, no desespero de uma justiça inútil.
Cientes da sua obra, os detentores do poder passaram a utilizar esta arma para intimidar todos aqueles que se atrevem a expor as mazelas da república.
Por essa razão o autor do Portugal Profundo foi constituído arguido, porque levantou a questão do diploma de Sócrates, como já tinha denunciado a impunidade no processo da Casa Pia.
Sem mais delongas daqui lhe envio uma mensagem de solidariedade.

terça-feira, junho 19, 2007

Voando entre Ota e Opa

Comecemos pela jogada de Joe Berardo, que visa em última análise apropriar-se da máquina de propaganda do nacional-benfiquismo em vigor, realizando ao mesmo tempo um desígnio preconizado por Sócrates quando ainda era comentador televisivo: ‘Lisboa já merece ter um campeão europeu’! E não se referia ao salário mínimo nacional, posicionado como sabemos, e sofremos, bastante abaixo da média europeia, referia-se, isso sim, à chamada Liga milionária!
Para que o projecto se concretize em beleza, para que o clube da Luz se transforme de novo no esplendor de Portugal, símbolo da emergente quarta república, é preciso em primeiro lugar abater definitivamente o poder do norte, e para isso contamos com a crise generalizada da indústria, quase toda sedeada naquela região, e com a dependência cada vez maior da nossa economia dos subsídios governamentais, naturalmente centralizados em Lisboa. Esta estratégia é complementada com a ‘justiça’ do apito dourado, mantendo assim a pressão sobre todos os clubes (e autarcas) do norte, especialmente sobre o presidente do Futebol Clube do Porto.
É preciso no entanto secar uma fonte de alimentação laboriosamente construída pelos manos Oliveiras nos últimos trinta anos, as transmissões televisivas de futebol! À primeira vista não se percebe para que precisa o clube da águia de mais televisão, se já abre todos os dias os telejornais dos canais públicos e privados, existam ou não notícias relevantes! Mas a lógica do mercado é esta, o país é pequeno e não comporta dois galos na mesma capoeira, ainda por cima um galo do norte, umbilicalmente ligado ao Porto. Em abono desta tese veja-se como reagiu Joaquim Oliveira à Opa de Berardo.
Mas o mais interessante disto tudo é a previsão de um reacender da guerra norte/sul com o futuro aeroporto metido ao barulho! Ninguém quer falar sobre o assunto mas a localização do novo aeroporto em Ota, faz sombra e põe em cheque o movimento do aeroporto Sá Carneiro, e não é por acaso que a Associação Comercial do Porto co-financiou o estudo sobre Alcochete, como se mostra disponível para apoiar um outro estudo sobre a alternativa “Portela mais um”.
E volta a falar-se de regionalismo como única forma de evitar por um lado, a desertificação do país, e por outro, opor um dique à antropofagia da capital, transformada ela própria em instrumento perverso da globalização. Perverso porque ao contrário do que têm feito as regiões autónomas, que investem bem o dinheiro que recebem, o poder central vem desbaratando os enormes recursos que controla, ao sabor de apetites e conveniências partidárias.
Estou porventura a delirar mas não fui eu que denunciei a aliança perigosa e perniciosa entre o futebol, a política, e os negócios menos claros, foi a doutora Morgado!
O que eu sempre denunciei e onde ando muito desacompanhado, tem a ver com a vocação perigosa e perniciosa da república para utilizar o futebol como elemento de propaganda política.
Basta lembrarmo-nos da plateia de notáveis na célebre final de Sevilha!

sábado, junho 16, 2007

Um clube do outro mundo

O sotaque madeirense esconde afinal um coração encarnado, não estava ali para ajudar o Marítimo, o Nacional ou mesmo a Camacha, veio em socorro do Benfica, que precisa de resolver os seus problemas e todos somos poucos nesse desígnio nacional.
A verdade é que o Benfica cresceu mais que o país, é um clube universal, alguns vão mais longe e sugerem que é um clube do outro mundo, também é pacífico que o que é bom para o Benfica é bom para Portugal, e vice-versa, então porque esperamos para fazer as necessárias reformas que recoloquem o clube da Luz no seu justo pedestal!
Apressemos o novo aeroporto que decerto comportará uma pista especial para as tais viagens interplanetárias! Porque hesitamos nos símbolos nacionais, uma águia poisa em qualquer quina! Por quanto tempo mais vamos tolerar que o Porto compre os jogadores que o Benfica quer comprar! E mesmo sobre as leis de jogo, está tudo em aberto.
Porque tudo é preferível ao sobressalto constante em que vivemos, a esta inquietação nacional, sem sabermos se o Benfica está bem ou se precisa de mais alguma coisa, sujeitos a que o seu presidente nos interrompa o jantar a queixar-se de perseguições várias. Nós queremos ajudar, isso que fique claro, não queremos por exemplo ver o Benfica envolvido em negócios duvidosos, não queremos ser tomados por parvos com a recente aparição da figura bolsista do investidor benfeitor, queremos no fundo um pouco de paz e sossego. E alguma decência por parte dos organismos públicos e semi-públicos.
E gostaríamos de saber uma coisa: quando o Benfica ganha, quem é que perde?

quarta-feira, junho 13, 2007

Camões por nós

Vi jeitos do homem ser saneado nos dias tumultuosos de Abril, associaram-no ao Estado Novo, às longas celebrações do dez de Junho, à guerra colonial, por tudo isso, Camões estava no banco dos réus!
Mas a memória é curta, porque por outras provações já tinha passado o poeta enquanto morto!
Pode dizer-se que tudo começou em 1880, numa iniciativa para celebrar o terceiro centenário da sua morte, data entretanto adquirida através de um documento perdido na Torre do Tombo. As comemorações foram um êxito o que aguçou o apetite do emergente partido republicano decidido a apropriar-se de Luís Vaz. Apropriou-se primeiro da Câmara de Lisboa e de imediato decretou o dia dez de Junho como feriado municipal. A estratégia era clara, tratava-se de assegurar uma solenidade laica e republicana que fizesse o contraponto com a festa religiosa e popular do Santo António. Aproveitava ainda o clima de confusão e de arraial para realizar as suas manifestações contra a monarquia.
Camões estava de novo em maus lençóis, tornara-se republicano e ateu! E carbonário!
A partir daqui, a vida do poeta transformou-se num verdadeiro inferno:
O Camões republicano é sucessivamente confrontado com o verso e o reverso da mesma medalha, exibe pedigree e é molestado por isso, vai defender as colónias e é criticado por isso, sem saber mais o que fazer, disfarça-se com múltiplos apelidos, e hoje em dia, no seu dia, faz tournées para animar os emigrantes.
Se fosse vivo, se soubesse da independência a perder-se, exclamaria como da outra vez – “Antes a morte que tal sorte”!

Post-Scriptum: Para memória futura esclarece-se que a expressão “Dia da Raça” foi introduzida em 1924, curiosamente ainda na vigência da primeira República. O Estado Novo, uma vez entronizado, recuperou aquela expressão, instituiu o feriado nacional, passando o ‘dez de Junho’ a ser também designado como Dia de Portugal. Com o 25 de Abril de 1974, a terceira República resolveu apagar a Raça e exaltar a emigração.
Portanto, e até ver, a certidão de narrativa completa do ‘dez de Junho’ é a seguinte: Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

terça-feira, junho 12, 2007

A lembrança das datas

É uma expressão de um poeta exasperado com este circuito infernal marcado pelo tempo, que enquadra toda a nossa existência, desde o dia em que nascemos até aquele, mais silencioso e menos festivo em que morremos. Mas também serve a memória dos outros, conjuga todas as referências, constrói calendários, pode dizer-se que vivemos ao ritmo e ao sabor das datas. A esta condição escapam os eremitas que se perderam no deserto ou os pobres de espírito a quem está reservado o Reino dos Céus.
Ainda assim vai alguma distância entre a lembrança da data e a respectiva celebração! Assim como existe diferença entre as datas que têm uma ressonância individual, sejam comandadas pela Fé ou pela afectividade, e as outras, impostas pela comunidade política, que normalmente servem a propaganda de determinada facção.
Diga-se que o surto comemorativo desta última espécie também pode ser datado. E não andamos longe da verdade se o situarmos algures entre a impotência que nasce da decadência, ou a decadência que nasce da impotência! Entre nós, a maleita desenvolveu-se muito durante o século dezanove, transformando-se em epidemia por todo o século vinte e até aos nossos dias!
Hoje em dia, todos os dias são de alguém ou de alguma coisa, e esperamos ansiosamente pelo dia que não seja de ninguém nem de coisa nenhuma!

sexta-feira, junho 08, 2007

Descubra as diferenças

Os nossos vizinhos também fizeram o mesmo concurso que nós, também escolheram pelo telefone “Os grandes espanhóis”, e fizeram-no sem dramas, sem complexos, em clima de entretenimento, foi momento de cultura e de festa comum! O tema serviu para unir os espanhóis e para levantar bem alto o nome da Espanha.
Isto é o que qualquer observador conclui quando olha para os nomes que ocupam os dez primeiros lugares: o Rei Juan Carlos ganhou naturalmente, ele é o indiscutível representante de todos os espanhóis, e da sua história, é a imagem da grande potência que é hoje a Espanha. Ladeiam-no no pódium, Miguel Cervantes, imortal criador de Dom Quixote de La Mancha, e o navegador ‘português’ Cristóvão Colombo! Mas também a Rainha Sofia e o Príncipe Filipe estão entre os primeiros. Sem surpresa, a alma espanhola não se esqueceu de Santa Tereza de Ávila! Completam o quadro dos mais votados, o grande cientista Ramon e Cajal, o pintor Pablo Picasso, assim como Francisco Suarez e Filipe Gonzalez, primeiros-ministros que ajudaram a Espanha a fazer a transição do franquismo para a monarquia plena!
Que diferença para o que aconteceu entre nós!
Ressabiados, usámos o concurso como arma de arremesso, uns contra os outros, resvalámos como sempre para o jogo infantil dos bons e dos maus, e não conseguimos fazer justiça a ninguém.
Eu sei que era só um concurso…mas que diferença!

quinta-feira, junho 07, 2007

A Procissão do Corpo de Deus

" A solenidade litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como 'Corpo de Deus', começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liége, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da Bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de Missa e ofício próprios.
Teria chegado a Portugal nos finais do século XIII e tomou a designação de Festa do Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60º dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a última Ceia de Quinta-Feira Santa."
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in "Agência Ecclesia"

quarta-feira, junho 06, 2007

Eu desconfio, tu desconfias...

Não existe assunto, plano, decisão, actual ou futura, tenha ou não interesse nacional, que não esteja submersa num oceano de suspeições. Não fazemos confusão com a oposição, que neste país parece não existir, nem tão pouco com algum cepticismo atávico, provável consequência de imemoriais desilusões, referimo-nos à desconfiança pura e simples, que nos consome a todos, como a família a que falta qualquer coisa para ser família, transformados que estamos numa soma de indivíduos, sem garantia de comunidade, sem seguro de vida, a quem falta o fio condutor que tudo agrega e unifica. Em vão tentamos conjugar esta realidade fragmentária, ligamos aqui, colamos acolá, mas o sentido de pertença a que chamamos país ou pátria, precisa de um denominador comum, que não existe, e é neste deserto que cresce a descrença, é neste vazio que nasce a desconfiança, que divide, e que reduz a cacos as melhores intenções!
É também neste contexto que pode ser interpretado, por exemplo, o pseudo-debate sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa!
Trata-se, como é bem de ver, de uma obra de alcance nacional, com valor estratégico, gerador de riqueza, garante de independência, e por isso, a controvérsia seria sempre, não apenas salutar, mas indispensável sinal de mobilização nacional. Mas não, não é para discutir, é assunto fechado, a decisão parece ter sido tomada há muito, ao sabor de interesses desconhecidos... e lá estou eu a desconfiar!

terça-feira, junho 05, 2007

Foi você que pediu um arguido?

A pergunta faz todo o sentido, é ao mesmo tempo uma marca de suspeição e um pedido de desculpas pelo monstro que criámos.
Mas não vale a pena criar um monstro ainda maior!
De joelhos, a república de Abril faz mea culpa pelo sistema político que engendrou, cuja face visível são os partidos, e desnorteada, entrega-se ao Ministério Público, para que este faça justiça e ponha na ordem o poder político! Uma aventura na república dos juízes, onde se supõe que existem seres incorruptíveis, acima de qualquer suspeita, e que podem por isso julgar os outros livremente! Eu diria mais, que é a velha tentação do regresso às origens, ao assembleísmo, à confusão, à denúncia, à demagogia, que aparece sempre com o desencanto, quando o sistema já não consegue fazer-se respeitar, nem dar-se ao respeito. Depois, todos conhecemos a história – do desencanto ao arbítrio, do arbítrio ao terror, vai um pequeno passo.
Mas afinal onde é que nos enganámos? E porque é que nos enganámos outra vez?
De uma coisa podemos estar certos, os juízes podem até assinar as sentenças, mas na tradição republicana e jacobina quem manda nos juízes são sempre os políticos.

segunda-feira, junho 04, 2007

Negrão pouco claro

Telmo Correia, candidato pelo CDS à Câmara de Lisboa, questionou Fernando Negrão sobre a coerência lembrando que o actual cabeça de lista do PSD era contra as salas de chuto, mas tem na sua lista o mesmo vereador que as promoveu! Com efeito, foi Sérgio Lipari, então vereador de Carmona Rodrigues, o grande entusiasta das chamadas salas de injecção assistida. Recorde-se entretanto que estes equipamentos foram aprovados em reunião de câmara de 30 de Novembro de 2006, com os votos favoráveis do PSD, PS e Bloco de Esquerda, a abstenção do PCP, e os votos contra do CDS-PP.
Fernando Negrão defende-se dizendo que as salas se destinam a prestar assistência aos toxicodependentes e que a ‘injecção assistida’ seria um último recurso!
Ora bem, todos se recordam do triste ‘prós e contras’ em que este tema foi debatido na RTP. Todos se lembram do escasso tempo de antena concedido a quem não era favorável a estas salas! A benefício dos respectivos propositores, onde não passou despercebido este Lipari, de quem Carmona se queixou, acusando-o de sonegar informações e de estar na Câmara para servir o partido!
Por isso Fernando Negrão, que já foi presidente do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência), tem que ser mais claro, não pode refugiar-se em sofismas quando existem questões de princípio envolvidas. Nesta área o utilitarismo não pode prevalecer sobre a dignidade humana – as salas de chuto, por mais voltas que queiramos dar, correspondem sempre a uma desistência. Não estamos a ajudar ninguém.

sexta-feira, junho 01, 2007

Acefalograma

“Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia de um coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas…
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos…
Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo…
A Justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas…
Dois partidos… sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, …vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no Parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar…”

Assim escreveu Guerra Junqueiro há mais de um século, e não sabemos o que mais admirar: se a actualidade do retrato, se a incapacidade do poeta em compreender a realidade!
Tem razão Guerra Junqueiro no que descreve, mas não tinha razão quando meteu as razões na conta da Instituição Real. Ao ponto de incentivar o Regicídio!
Este filho da revolução francesa enganou-se redondamente quanto às causas da decadência, e está como Manuel Alegre que agora descobriu que os partidos que nos desgovernam são um ‘arcaísmo’ e fonte de todos os malefícios! Tarde piaste, como diz o outro!
Porque o diagnóstico é outro: a fatal confusão entre república e democracia, entre democracia e sufrágio… e a pescadinha de rabo na boca!
Quem não percebeu, paciência.

quarta-feira, maio 30, 2007

Vamos correr com Sócrates…

Mas porque será que não temos direito a uma agonia decente! Porque será que temos que sofrer com o permanente exibicionismo de um primeiro-ministro que gosta de fazer corridinhas no estrangeiro! Ainda por cima, para consumo interno, para mostrar a um país imbecilizado, que temos ali um político modernaço, atirado para a frente, aquilo que em gíria se resume num político às direitas!
Com enorme paciência, em nome da hospitalidade, os anfitriões de tão incómoda visita, lá vão fechando praças e artérias para que Sócrates possa correr à vontade. A propaganda do primeiro-ministro protesta e faz questão de anunciar que o nosso atleta está habituado a correr sem restrições! Patético.
Mas para que serve esta pantomima?! O que é que ele foi fazer à Rússia?!
Soubemos apenas que para não ser corrido, se apresentou de rastos perante Putin, e foi nesta desconfortável posição que elevou a voz para dizer que no diferendo com a União Europeia, a Rússia tem toda a razão!
Para isto manda-se um fax, poupa-se dinheiro, e evitam-se transtornos ao já de si complicado trânsito moscovita.

domingo, maio 27, 2007

Domingo blue navy

É aquele azul-escuro que a marinha usa, que fica bem a qualquer pessoa, mas vai a matar com calção branco e meia azul! O resto da vestimenta pode ser uma gabardina também azul, não vá dar-se o caso de chover. Se foi essa a tua escolha, estás finalmente pronto para ganhar ou perder. O emblema não tem problema! Embarcou em todas as naus, deu novos mundos ao mundo, vê-se à distância nas velas arredondadas pelo vento.
Adivinhas-te, é a Cruz! Da Ordem de Cristo, para ser mais preciso.
Verdade se diga, que também tem sido uma cruz para os adeptos! Que não desistem! Aí vão eles, outra vez em romaria, demandam agora o Jamor na secreta esperança de uma vitória que quebre a longa abstinência. Tão longa, que pode virar indigestão ou o regresso à velha condição. Rimas é comigo. Golos é com eles.
Previsões?!
Estou convencido que é hoje que a malta das naus vai afundar o Visconde de Alvalade.

quinta-feira, maio 24, 2007

Lisboa via marítima

Carmona, acho bem. Foi corrido pelos partidos depois de lhes fazer o serviço, depois de ganhar a Câmara para o PSD, e agora, por causa de uma guerrilha jurídico-partidária, toca a correr com o homem, acho mal. A Câmara está ingovernável diz a televisão! Pois está, enquanto lá estiverem os partidos não há Câmara que não seja ingovernável. As excepções devem-se aos autarcas que pelos seus méritos, e graças aos eleitores, conseguem pôr em sentido os partidos que os elegeram. Exemplo maior: O Jardim da Madeira. Vá lá, tenham calma, não se irritem, porque é verdade.
Mas isso agora não interessa, eu quero um presidente da Câmara de Lisboa tão arrojado como eu…no teclado:
Quero que Lisboa me deixe entrar e sair com facilidade, que não seja este muro afunilado com portagens! Quero sair de casa, estou na margem sul, quero descer até ao rio, deixar o carro em qualquer ponto, bem estacionado, atravessar de barco, sim, de barco, entrar pela ribeira de Alcântara, entretanto alagada, olhar as margens de um lado e do outro da inútil Avenida de Ceuta, revisitada pelo rio que subsiste nas suas entranhas, uma super Veneza, chegar até Sete Rios, tudo isto era água, e aportar finalmente no centro de Lisboa! Sem esforço, sem atrito, sem túneis!
Lisboa marítima, arqueada com pequenas pontes, grande atracção da Europa e do mundo, o reencontro com todas as vocações atlânticas, o golfo marinho a encher-se de vida, o rio abandonando o seu triste fado, transformado num delta sem cães nem crocodilos.
Esta é a cidade nova e antiga que nenhum candidato sonhou!
Gostaram da viagem? Se gostaram temos que nos apressar antes que eles fechem a nossa varanda com a habitual marquise. Antes que eles decidam alcatroar o Tejo!

terça-feira, maio 22, 2007

“Vai Acontecer”

No último número da revista ‘Magazine – Grande Informação’ podemos ler, na rubrica em título, um conjunto de previsões interessantes! Seleccionei duas delas, que com a devida vénia transcrevo:

Saiu Pais do Amaral com 307 milhões no bolso, entrou Pina Moura. A TVI começou nas mãos da igreja, e acabou nas mãos do PSOE. Quando os espanhóis mandarem em Portugal, o PSOE mandará no PS, e o senhor Pina Moura será pois o patrão do senhor Sócrates. No meio disto tudo há uma vantagem. Todos sabemos com que linhas nos cosemos. Está tudo claro.”

Na Turquia foram marcadas eleições legislativas antecipadas, lá para Julho.
Este país laico, tem um governo de maioria islâmica, com uma oposição laica apoiada nas casernas, nos jornais e nos tribunais. O governo quer alterar a constituição forçando a eleição presidencial por voto directo e universal, a oposição quer manter o sistema em vigor que prevê a eleição deste órgão de soberania via parlamento, mantendo assim intacta a sua última ‘coutada’.
Um interessante braço de ferro que a Europa terá de seguir muito atentamente.”

Eu também acho que pode acontecer…

segunda-feira, maio 21, 2007

Azia

Era hoje que eu precisava dos alkaseltzers, era hoje que eles deviam existir na mercearia mais próxima, mas não existem, esta azia vai ter que passar com o tempo, a frio, quem sabe escrevendo umas linhas a dizer mal de qualquer coisa! Uma especialidade da casa, segundo consta.
O que há-de ser?!
Sócrates não adianta, já tentei, não passa. O Costa não me alivia, antes pelo contrário. Lagartos e leões, nem pensar…fico pior. Sempre posso dizer mal de mim! Boa ideia. E de imediato surge a pergunta fatal: - Mas por que carga de água é que eu havia de ser do Belenenses?! É certo que nasci na Junqueira, ao pé das Salésias, mas já podia ter esquecido esse facto. O meu pai era do Belenenses, mas ele próprio dizia, que se tivesse que escolher outra vez, seria do …Real Madrid! Eu devia ter equacionado essa hipótese, poupando-me a muitos Domingos de desgosto. O melhor será repartir responsabilidades com os antepassados: de onde virá esta tendência para o erro?!
Amanhã, mais sereno, já recomposto, talvez comece a sonhar com uma vitória no Jamor!
Saudações azuis.

sábado, maio 19, 2007

Os ossos do Fundador

“O mito é o nada que é tudo. O mesmo sol que abre os céus, é um mito brilhante e mudo – o corpo morto de Deus, vivo e desnudo. Este, que aqui aportou, foi por não ser existindo. Sem existir nos bastou. Por não ter vindo foi vindo e nos criou…”!

Fui buscar este passo da Mensagem que Fernando Pessoa dedica a Ulisses, para ilustrar o meu pensamento acerca do recorrente interesse pelos restos mortais de Afonso Henriques.
Nada tenho contra a ciência, compreendo até a infantil confusão com a divindade, mas não suporto este permanente devassar do sagrado, a falta de respeito pelos mortos, o insulto à inteligência, prometendo o mistério da vida na última descoberta de um tubo de ensaio!
Esta polémica sobre o túmulo do primeiro Rei de Portugal é um bom exemplo de interregno, da desconfiança que se instalou entre nós, do divisionismo crescente que já não poupa sequer o Fundador da nacionalidade!
Que osteoporose se pretende afinal descobrir, que já não tenha sido descoberta noutros contemporâneos?! Passaremos a exibir pelos salões os nossos retratos fúnebres e terminais?! Estamos a falar de cadáveres ou de pessoas que morreram?!
Diz-se que Dom Sebastião, em vésperas de partida para o norte de África, terá mandado abrir o túmulo de Afonso Henriques de lá retirando a espada ancestral, que levou consigo e consigo desapareceu na tarde funesta de Alcácer Kibir.
Se assim foi, fica-me a consolação e a certeza que o motivo invocado pelo infeliz Rei para abrir aquele túmulo, que é o berço onde continuamos a nascer, terá merecido, e ainda merece, a aprovação de todos os portugueses.

quinta-feira, maio 17, 2007

Salta-pocinhas

Espécime lusitano, nasce, cresce e vive nos partidos, polivalente, saltita de poleiro em poleiro, percorre o país, percorre a função pública, esvoaça entre a Europa e o mundo, mas agarrado que está ao orçamento, volta sempre ao ninho.
Este interminável carrossel desfila quase diariamente perante os olhos deslumbrados dos eleitores, que bem tentam fixá-los aos lugares, mas em vão! À mínima oportunidade, escapam-se, obedecem a impulsos irresistíveis, sedentos de servir, nada e ninguém os segura!
O estudo das suas migrações é um capítulo à parte da ciência política e do pouco que se sabe, apenas sabemos das suas preferências por determinados percursos e poleiros: a Câmara de Lisboa, o Palácio de Belém e Bruxelas estão entre os lugares eleitos para nidificação.
Atento ao fenómeno, alarmado com a proliferação da espécie, o interregno sugere algumas medidas profilácticas para combater a praga:
- A terceira república deveria recensear estes salta-pocinhas, não é difícil porque são sempre os mesmos, e a partir daí poderia estabelecer uma escala de serviço, rotativa, de forma a satisfazer, simultaneamente, as necessidades dos partidos e o apetite voraz destes irrequietos passarinhos.
Poupava-se no orçamento e poupavam-se muitos incómodos aos eleitores.
A bem da nação…

segunda-feira, maio 14, 2007

Votos inúteis

Quando me lembro da decadência, olho para mim e penso no meu país! Mas logo a seguir penso na França, e concluo que a expressão decadência tem ali o seu sinónimo e paradigma.
É fácil definir a decadência, é um sentimento de perca, é também um facto que se pode medir, no caso francês, através de um índice insofismável – a língua francesa foi veículo universal de cultura até há bem pouco tempo, e hoje já não é.
Só reparamos que já não é, de repente, mas o declínio começou há muito tempo. Atrevo-me a situar uma data que por certo provocará ira e controvérsia – a tomada da Bastilha, marco de uma luta fratricida que a França celebra como seu dia nacional, o que não deixa de ser um paradoxo.
Estas considerações vêm a propósito das recentes eleições francesas ganhas por Sarkozy como poderiam ter sido ganhas por Ségolene, não foi isso que me impressionou! O que me chamou a atenção foram dois pequenos nadas que contrariam a versão oficial do acontecimento:
Assim, onde os analistas viram sinais de esperança pela enorme participação popular, eu vi desespero! A última ilusão para quem ainda não percebeu que o sufrágio não é um fim em si mesmo, mas apenas um meio para atingir um fim, que nenhum dos candidatos estava em condições de garantir. Apesar disso, os franceses entregaram-se ao sufrágio como um condenado aceita a sua pena. Votaram como se vota no terceiro mundo, em massa, mecanicamente, sabendo de antemão que a sua vida não mudará um milímetro.
Outro pormenor confrangedor foram os cânticos na rua onde os apoiantes de Ségolene celebravam o revés eleitoral! Lembrei-me imediatamente de idêntico procedimento junto à praça do Marquez de Pombal, com os portugueses a festejarem a derrota contra a Grécia no europeu de futebol!
Este tipo de procedimento não é normal, nem representa o chamado bom perder, basta pensarmos nos tumultos e nos carros incendiados nos arredores de Paris pelos partidários de Ségolene, logo que foram conhecidos os resultados eleitorais. Em minha opinião nada disto tem a ver com as escolhas que a democracia promete, revela apenas orfandade política! Aqueles adeptos, iguais aos outros que festejavam a vitória de Sarkozy, não votaram em partidos políticos, estão filiados em clubes afectivos e agem em conformidade. Órfãos de pai, agarraram-se às saias de Ségolene como no campo oposto se agarram à segurança que o padrasto hungaro pode significar. Irremediávelmente divididos, cada francês busca em vão o seu Bonaparte, que até pode ser uma mulher!
Enquanto isto, os donos dos clubes alimentam-se e divertem-se!

sábado, maio 12, 2007

Há petróleo na Câmara

O desassossego é total, os partidos estão em polvorosa, as pessoas não dormem, largam tudo e dirigem-se para a Câmara de Lisboa, febris, mecanicamente, fazem lembrar a corrida ao ouro no velho oeste americano.
Este esforço cívico que mistura em partes iguais, ambição, calculismo, descaramento, e outras virtudes que ‘por pudor terei vergonha de confessar seja a quem for’, não recua perante nada, e muito menos se atemoriza com a apregoada falência camarária. Pelo contrário, o espírito de cidadania redobra, e vem ao de cima, como a gordura de uma mancha de petróleo!
Por causa dela, da Câmara bem entendido, soube-se que uma arquitecta bastonária, convicta em várias frentes partidárias, está disposta aos maiores sacrifícios – rasgou um dos seus cartões militantes, abandona o bastão, oferece-se à cidade!
O Governo não lhe fica atrás e promete desfazer-se… por causa dela! O seu número dois, a pedra mais brilhante do diadema socialista, ameaça avançar sobre a Câmara. Afinal, nenhum governo é mais importante do que este lugar almejado!
No meio do frenesim, os munícipes lisboetas devem interrogar-se sobre o sentido e o valor do seu voto!.. E a pergunta inevitável há-de surgir um dia – mas se a Câmara é assim tão importante para os partidos políticos, porque não incluir a Câmara de Lisboa como troféu nas legislativas?!
Talvez fosse melhor para a cidade.

sexta-feira, maio 11, 2007

Assaltos na segunda circular

Em dias sucessivos alguns jornais não desportivos têm dado conta que a Câmara Municipal de Lisboa foi assaltada, num lado e no outro da segunda circular. As notícias ainda são nebulosas mas tudo indica que a EPUL, empresa de obras camarárias terá desembolsado perto de 10 milhões de euros a favor do Benfica, como adiantamento de futuros negócios que o Benfica venha a realizar no futuro!!! Tem a ver com terrenos que a mesma Câmara deu ao clube da Luz, e para este urbanizar no Vale de Santo António.
Outro assalto às finanças da Câmara, e com as mesmas características do anterior, ocorreu no lado oposto da perigosa circular, mais precisamente em Alvalade, tendo o clube leonino arrecadado à conta de negócios a perder de vista, uma importância semelhante, e estamos novamente a falar de 10 milhões de euros!
As investigações a estes assaltos decorrem e já existem pistas que levam a outros rombos nas finanças da conturbada autarquia, na mesma zona, e a favor dos suspeitos do costume.
Uma particularidade curiosa rodeia este tipo de operações…financeiras – os presidentes dos clubes beneficiados são normalmente apanhados de surpresa, desconhecem!
Saudações desportivas.

terça-feira, maio 08, 2007

O golpe do centenário

De vez em quando dá-me para desconfiar, sonho com conspirações, visiono o relampejar das armas traiçoeiras, mas passado algum tempo… passa-me! Por isso já me devia ter passado esta ideia que se me alojou no cérebro e não consigo evitar.
O que se passa, perguntam amigos, vendo-me meditabundo?!
Eu nada respondo, vocifero sem razão, frases soltas, a única coisa que se percebe é a palavra ‘centenário’!
Está descansado que chegas lá, animam-me.
E volto à mesma – ninguém me tira da cabeça que querem a cabeça do Carmona para meterem lá um maçon legítimo por causa das celebrações do centenário! Até que enfim que consegui dizer tudo de seguida!
O quê, não me digas?! Recuam à minha frente incrédulos e crédulos!
Não se lembram da golpada para afastar o Santana?! É do mesmo estilo. Não existe nada de concreto, na altura inventou-se uma palavra – trapalhada – juntam-se pequenas coisas, laterais, também inconcretas, cria-se o clima propício a um desenlace inevitável, e pronto…está feito o trabalhinho. Os partidos de Abril comandam, a comunicação social apoia, eis a verdadeira aliança primaveril!
Mas na Câmara o homem não tem condições, replica um dos que vê televisão todos os dias?! E adianta a palavra-chave – aquilo está ingovernável!
Mas condições de quê, implico eu?! Por ter sido constituído arguido (praticamente a pedido) num processo que todos sabemos que vai dar em nada! Ou é a crise financeira da Câmara que agora serve, mas nunca serviu para deitar abaixo nenhum executivo camarário?!
Conversa fiada, destinada a reviver a cena na varanda do município, a revolução lisboeta que foi comunicada ao resto do país por telégrafo; os trezentos na rotunda e uns milhares de adesivos a descerem a Avenida; a festa rija dos herdeiros dos regicidas; os crimes, a divisão, a crise, o terror; hoje por ser feriado não há revolução em Portugal; o desastre da Flandres, os quarenta governos em dois anos… e os quarenta anos de ditadura; o golpe de Abril por um triz…e os cravos que murcharam em Abril; a descolonização exemplar; o fantasma de Timor; a redução de fronteiras aos limites da primeira dinastia; a região tributária de Bruxelas…e Madrid; a cauda da Europa; a independência a fugir...; a legalização entusiástica de tristes realidades sociais, em nome de um falso progresso e de uma falsa liberdade; mas sobretudo o tremendo divisionismo, que não me irmana com ninguém, que não mobiliza ninguém, veneno que destrói os alicerces da Pátria…que já não há…
É isto que vais celebrar? É isto que queres comemorar? Em comunhão com a Maçonaria?!
Imagino o cortejo histórico – Afonso Henriques de corda ao pescoço, à frente! Atrás dele, o Condado Portucalense que resta, todos nós de corda ao pescoço, arrastando as correntes da dependência, sem darmos por isso, e eventualmente felizes!
Quem perdeu a memória, ou quem nunca a teve, merece sempre o seu destino – a espinha dobrada ao serviço dos poderosos…porque são poderosos. A troco de uns lugares na Europa!
Viva o centenário!

sexta-feira, maio 04, 2007

Poder local

A primeira pergunta é recorrente neste interregno recorrente:
O que fazem os partidos políticos no poder local?
A partir desta dúvida, sucedem-se as dúvidas:
Em que se distingue um esgoto socialista de um outro esgoto inspirado pelos centristas!
E a incontornável rotunda será mais rotunda ou melhor rotunda se assentar nos alicerces de uma maioria social-democrata?!
E que valor acrescentado trazem os comunistas quando se trata de satisfazer as aspirações do clube local!
Perguntas sem resposta porque os partidos deveriam esgotar-se na representação das diversas sensibilidades políticas que coexistem na comunidade considerada como um todo, deixando o poder local às pessoas com rosto que em cada eleição merecem a confiança das respectivas populações. Por essa razão não coincidem, e poderiam coincidir, as eleições para a Assembleia da República e as eleições para as Autarquias.
Costuma dizer-se que mais vale tarde do que nunca, e assim, nas próximas eleições autárquicas já poderão concorrer candidatos independentes sem a obrigatoriedade da bengala partidária. Estou convencido que os imbróglios nas câmaras e freguesias continuarão a existir, mas também estou certo que irão sofrer uma redução significativa.
E se a nova lei conseguir retirar o poder local do centro do combate político que todos os dias se trava entre os partidos com assento parlamentar…já será um ganho importante!

quinta-feira, maio 03, 2007

A crise de encomenda

É uma espécie de conto do vigário à moda da casa, prato especial desta partidocrise permanente que nos entretêm entre o telejornal e a telenovela. Vejamos como se fabrica e quando se fabrica a crise:
Fabrica-se a crise quando é preciso mudar alguém de poiso, alguém que foi parar ao poiso errado, por ter ganho umas eleições que não devia ter ganho. E a situação engravida porque o poiso é nosso e dá acesso quase directo a Belém! Parece confuso?! Mas não é!
Um exemplo: Carmona Rodrigues está num poiso que não lhe pertence e por isso tem que ser arredado de qualquer maneira. Além disso, é independente, não é dos nossos, e se a coisa lhe corre bem, corremos o risco do homem se candidatar a Belém. E rima, o que torna as coisas ainda mais perigosas! Já bem basta o acesso via primeiro-ministro que não conseguimos controlar totalmente.
Vamos agora ver como se fabrica a crise: de início põe-se a crise de molho, como o bacalhau, entretanto vai-se mudando a àgua com a preciosa ajuda da comunicação social amiga, e na primeira oportunidade, entregamos a crise aos cuidados do sistema político-judicial português! Este por sua vez já encontrou uma resposta adequada à situação – basta constituir o ‘inimigo a abater’ na qualidade de arguido, porque a seguir, o indispensável partido, obrigado pela 'jurisprudência' em vigor, há-de obrigá-lo a resignar. Convocam-se então eleições intercalares para que os nossos, aproveitando a confusão e o descrédito que a situação de arguido sempre provoca, possam enfim ganhar as eleições …e o poiso.
Como se vê, a crise compensa.

terça-feira, maio 01, 2007

Ota - as perguntas incómodas

NOVO AEROPORTO
Diligências efectuadas sobre este assunto, pelo Arq. Luís Gonçalves, junto do ministro das Obras Públicas.
Porque as dúvidas e os argumentos ali expostos, são de manifesto interesse público, passo a divulgar o referido documento:
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Ex.mo Senhor Ministro das Obras Públicas, Transportes e
Comunicações
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No passado mês de Maio, enviei uma mensagem electrónica a V. Ex.cia e uma outra a S. Ex.cia o Primeiro-ministro, solicitando um esclarecimento ao processo de decisão da localização do Novo Aeroporto de Lisboa.
Passado pouco mais de um mês, recebi de ambas as partes ofícios informando-me que teria sido dada a devida atenção à minha mensagem e que as minhas considerações estariam a ser objecto de análise.
No entanto, não tendo desde então recebido qualquer esclarecimento, prossegui a análise dos vários estudos e documentos disponibilizados pelo Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (ou por entidades por ele tuteladas), referentes aos processos do Novo Aeroporto de Lisboa e da Rede Ferroviária de Alta Velocidade, verificando a existência de algumas questões para as quais continuei a não encontrar resposta.
No dia 17 de Novembro, enviei um novo pedido de esclarecimento do qual voltei a não obter qualquer resposta.
Nesse sentido, venho novamente por este meio, como cidadão e contribuinte, solicitar a V. Ex.cia que providencie as respostas às seguintes questões, as quais me parecem legítimas e pertinentes:
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Antecipadamente grato pela disponibilidade de V. Ex.cia para responder a estas 21 questões, subscrevo-me com os meus melhores cumprimentos,
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Luís Maria Gonçalves, arqº
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PS: transcrição de um e.mail recebido.

sábado, abril 28, 2007

A processual república

“Num país onde a revolução de Abril acabou com a Pide para a ver substituída pelo Ministério Público.”

Antes que me prendam ou processem, ressalvo que a frase pertence ao presidente do Futebol Clube do Porto e está escrita no seu último livro. Mas a revelação não deixa de ser sintomática se a relacionarmos com a denúncia de “claustrofobia democrática” feita em pleno Parlamento, em plena festa de Abril, e a propósito da liberdade de informação!
Sei bem que a simples referência ao nome de Pinto da Costa é suficiente para levantar tempestades de ira, para criar processos de rejeição entre o nacional-benfiquismo vigente, que inclui o Sporting, mas a verdade é que PC não inventou nada, limitou-se a aplicar a norte o mesmo esquema que antes fazia as delícias dos clubes da capital, que por essa altura, durante o Estado Novo, gozavam de uma justa e virtuosa hegemonia!
Mas não é disso que tratamos agora, mas de uma frase que suscita reflexão e que pode não ser tão infeliz como parece.
Aliás, o processo “apito dourado” é um bom exemplo da desconfiança instalada, porque dá a ideia que a corrupção está localizada no norte do país, seja no futebol ou no resto. Não é verdade, todos sabemos que é um desporto nacional, generalizado, com imensos praticantes e adeptos, e se fosse possível detectar-lhe uma origem ou fundação, seríamos inclinados a apontar na direcção da capital, da Corte por assim dizer, porque é onde a modalidade tem mais possibilidades e melhores condições para se enraizar e desenvolver.
Um longo intróito para situar a parte de cima do iceberg, mas a parte de baixo é que interessa – "vivemos numa república de advogados, repleta de ameaças judiciais, onde as leis processuais dão para tudo, porque a Constituição onde assentam também dá para tudo! Isto não foi feito ao acaso, foi bem pensado pelo poder político, ou seja, pelos partidos que por estes dias andam de cravo na lapela. Resultado: um universo kafkiano onde quem tem tempo e dinheiro para sustentar processos e sustentar-se de processos, ganha sempre. O simples português anónimo, que conta os euros para chegar ao fim do mês, mesmo que sinta que tem razão, recua, aceita, baixa a cerviz. Começa aqui a servidão, acaba aqui a liberdade de expressão, que passa à categoria de figura de retórica". E as denúncias acima enunciadas começam a fazer sentido.
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O texto entre aspas e a bold, corresponde a um comentário que fiz no blog - 'A Interpretação do Tempo' ( ver link na coluna da direita).

quarta-feira, abril 25, 2007

Carta portuguesa

“Está bonita a festa, pá?! Fico contente…”!
Estás enganado Chico da Holanda, essa festa nunca existiu, tal como hoje não existe no teu país! E se num primeiro momento recolheu algum consenso, júbilo natural de quem se liberta de um jugo prolongado e sem futuro… a verdade que essa parte de Portugal também guardava, manteve-se silenciosa e pensativa.
Não faças confusões, a verdadeira festa anuncia sempre a unidade, não celebra guerras civis, nessa festa não existem vencedores nem vencidos. Por isso a festa que cantaste não teve eco, emudeceu com o tempo, é hoje um arraial desfeito!
A maioria silenciosa de ontem não a comemora, não usa cravo na lapela, é a mesma que lenta mas seguramente reabilita Salazar. Não são fascistas, adivinhavam o rasto de sangue que deixariam para trás, incomensuravelmente maior do que os treze anos de guerra colonial. Não te esqueças nunca de Timor…onde não havia guerra!
Não eram colonialistas, adivinhavam a Pátria reduzida às fronteiras da primeira dinastia, distante do mar, dependente de Bruxelas, país inviável, região peninsular, tributária de Castela!
Trinta e três anos depois, trinta e três anos apenas, e já existe uma geração disponível para abdicar da independência sem sofismas.
E isto não é preciso adivinhar!

terça-feira, abril 24, 2007

Alma russa

Morreu Boris Nikolayevich Ieltsin, um antigo militante e dirigente comunista, que há-de ficar na história por ter resistido em 1991 à tentativa de restaurar o regime soviético.
Homem truculento, excessivo, de certa maneira errático, guardava no entanto dentro de si o calor e a grandeza da alma russa!
Não me esqueço, quando em plena Duma, num discurso emocionante transmitido pela televisão para todo o mundo, reabilitou a memória dos Romanoff, da Família Imperial Russa, barbaramente assassinada pelos sequazes de Lenine.
Em nome do povo russo, pediu perdão, admitiu o erro e a ignomínia!
Este gesto não está ao alcance de muitos!

domingo, abril 22, 2007

Galeria da cidade

Diga-me uma coisa, isto é um Trotsky?
Não minha senhora, é uma imitação. O Trotsky que havia desapareceu há muito tempo, o que agora aparece são estas cópias, que também têm óculos, mas são falsas.
Desculpe a insistência, mas a escola é a mesma?!
A escola é a mesma, a procura é que é diferente. Quem gosta muito disto são as novas classes emergentes, que querem fazer vida de ricos, mas não querem ser ricos! Resultado, alguém tem de pagar a conta. É o velho problema das imitações nacionais – o produto é barato, mas se a senhora quiser comprar, sai-lhe caro por causa dos impostos!
Ainda bem que me avisa, se calhar então vou para aquele ali. Aquele não engana, é um Blair autêntico!
Minha senhora, se eu lhe disser que aquele é um pinóquio a senhora não acredita, por isso vou dizer-lhe que aquilo é um engenheiro e assim a senhora já acredita. Estou a ser sincero, não vou enganá-la, porque neste caso, quem foi enganado fui eu! Isto foi-me vendido com todas as garantias, com certificado, disseram-me que se não fosse um Blair, era um Zapatero concerteza. Não é que eu aprecie um ou outro, mas vendem-se bem, os otários adoram pendurar estas coisas na parede, isso dá-lhes uma grande sensação de proximidade.
Mas para a senhora ver que não estou a mentir, vou revelar-lhe um segredo – eu só fiquei com ele porque me afiançaram que ainda era da escola do primitivo oliveira!
Afinal saiu-me este manequim! Não vale nada.
Só por dizer que faz par com o outro que veio da rua dos fanqueiros. Mas esse nunca me enganou, esse comprei-o mesmo para manequim.

quinta-feira, abril 19, 2007

Gato reciclado

‘Gato escaldado da àgua fria tem medo’, velho ditado, e o rapazinho nunca me enganou! Com que então andou na mocidade portuguesa dos partidos políticos! E logo nos juniores do PCP! Não confundir com FCP, que são da invicta cidade! Nesta grande área, o jovem puxa mais para o terceiro anel, que o nacional-benfiquismo é muito lá de casa!!! É uma doença, vício de partido único. Nas democracias populares era, ainda é, vulgar.
Pois muito me conta, tem graça sim senhor, que os dons de nascença, quando bem nascidos, e crescidos, podem ter graça, graça saudável, universal, por ser saudável.
Graça aqui e na China, ontem, hoje e amanhã.
Mas a coisa anda a entortar, e vesga se está a tornar. Então não querem lá ver que o regime já tem humor oficial outra vez!!!
Com efeito lavra uma luta surda entre os infantis da esquerda, todos querem botar faladura na festança de Abril, e o jovem indigitado, imaginem, seria este gato reciclado!
Sim, o Ricardo do contra cartaz! Esta ideia é entusiasticamente apoiada pelos juniores do bloco e do PS, que nestas coisas não se distinguem!
Quem não está pelos ajustes e já reclamou os seus direitos de formação foi obviamente o PCP, que tem outra ideia e outro jovem para lançar no mercado. Resultado, está tudo indisposto e Vasco Lourenço já ameaçou: ou se entendem ou não fala ninguém.
Eu acho preferível, mas não tenho que me meter, a festa é deles, como se vê, não tem nada a ver com o país, com Portugal.
É uma festa de gatos para meia dúzia de gatos-pingados.

quarta-feira, abril 18, 2007

Os silêncios da esquerda

A esquerda em silêncio, está tudo calado, este silêncio lembra os primórdios da Casa Pia, alguns comunicados, poucas aparições, ouvem-se cães a ladrinchar ao longe, o cerco de mentiras ameaça estrangular o primeiro-ministro...quem diria, um primeiro-ministro que deu tanto trabalho a fabricar!...
Primeiro o ambiente, que está sempre na moda; não esquecer o futebol, na televisão, o Euro pago a peso de ouro, lembram-se?! Só eram precisos oito estádios para concorrer, mas nós oferecemos mais dois! A quem?!
Mas temos homem! O Santana não serve, não sabe fazer trapalhadas, não é de confiança, precisamos de jugular uma série de processos incómodos que estão a afectar a nossa gente, está decidido... e deposto. Belém conta connosco e nós contamos com a comunicação social. Ela será recompensada e há-de protegê-lo.
O perfil está traçado – a teimosia faz lembrar a obstinação de alguém que deixou nome, o ar possidónio confunde-se com o modernismo em vigor, saibamos tirar partido disso. O rapaz fala bem, muito importante num país de basbaques, nada de longas exposições em público, basta dizer o essencial, retirando-se de seguida em pose de estado!
Estava tudo a correr pelo melhor quando apareceu esta história das habilitações académicas, ponta de um iceberg gigante que o país de Abril esconde no seu bojo, e onde há de tudo, como na loja do chinês! A corrupção é apenas um detalhe, um estado de alma!
Um dia saberemos a verdade.
Por enquanto resta-nos adivinhá-la no silêncio do bloco, nas coisas ‘mais importantes’ para os comunistas, no centrão engasgado, na conversa dos advogados reitores, no sorriso amarelo de quase toda a comunicação social!
O tempo está belíssimo!

terça-feira, abril 17, 2007

Trabalho de casa

Laboriosa formiga a nossa RTP vai aconchegando a agenda política da esquerda no poder, já lá vão trinta e tal anos, fora os ameaços. Segunda-feira é dia, um dia depois de Marcelo, para pôr a escrita em dia, à noite!
Ensino privado era o tema, universidade independente, o objectivo. O cenário a condizer, Fátima de bandolete, colegial entre os lentes, viçosa até!... Ouvi aquilo aos bochechos, quero dizer, em diagonal e retive algumas evidências – o Estado tem que ser subsidiário no ensino e não condutor ou ideólogo. Que é precisamente o que acontece e está sempre a acontecer! E ninguém falou nos currículos, no mais importante, nas matérias aprovadas para as criancinhas aprenderem, o que hoje sabem, a saber: - que Portugal nasceu em Abril, na primavera da liberdade, que o estado novo era feio, os reis muito maus, mas o povo era bom! Era tão bom, tão bom, que se meteu nas caravelas sem o rei autorizar! Era tão bom, tão bom, que agora suspira por um ditador, chame-se ele, Cunhal ou Salazar!
Rimou sem querer.
Mais uma passagem, mais um bochecho, para assistir à cena final: Fátima encarou os lentes e soltou a pergunta impertinente, mas que suspeito, era o objectivo pertinente: - então como é que vamos fazer para que as universidades privadas sejam todas boas e não aconteça o que está acontecer na universidade independente?! Que é feia e tem que fechar!
A resposta óbvia não surgiu, mas podia ser esta: é preciso evitar que jovens políticos muito ambiciosos se matriculem com o único objectivo de arranjarem um canudo que lhes dê um estatuto que não têm. Por outro lado é preciso evitar que essas universidades caiam nas mãos dos partidos políticos, ou sejam por eles controladas.
Parece simples mas não é.

sábado, abril 14, 2007

A explicação de um detalhe

O texto anterior merece outra clareza que a forma de expressão escolhida pode ter obscurecido:
Não pretendo substituir Sócrates por outro Sócrates, ciente que estou que não existe verdadeira oposição em Portugal…long time ago!
Aliás, o texto não é muito desfavorável ao contestado engenheiro, uma vez que nunca o considerei totalmente responsável pelos seus actos! Responsabilizei o regime, que sem desprimor para os diversos protagonistas, tudo controla e asfixia! E esta circunstância é agravante, na medida em que não existe no topo da pirâmide nenhum poder verdadeiramente independente dos partidos!
Também não posso nem quero substituir a população, mas quero e posso responsabilizar todos aqueles que se intitulam republicanos pela evidente falência do mesmo regime. Aqui vale a sentença: quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate!
E não passo sem referir que hoje já não existem monárquicos ou republicanos na velha acepção, mas sim portugueses que não querem perder a sua independência e que estão decididos a honrarem ‘os egrégios avós’ do hino republicano.
Finalizo esta explicação reafirmando o papel totalitário que as universidades desempenham na sociedade, nomeadamente nas escolhas dos dirigentes partidários, e futuros governantes!
Dispenso-me de argumentar nesta matéria – o imbróglio sobre o título académico do primeiro-ministro fala por si!

quinta-feira, abril 12, 2007

Trágico-cómico!

Seria cómico se não fosse trágico!
Sócrates não mente, porque em Portugal ninguém mente!
Sócrates não mente, porque um primeiro-ministro de Portugal nunca mente!
Sócrates não mente, porque a mentira não mente!
Mas Sócrates mente, porque em Portugal todos mentem!
…por necessidade, por abandono, por misericórdia, pela minha saúde, eu seja ceguinho, palavra de honra, por isto e por aquilo, juro que já menti…
Mas Sócrates não mente, porque quem mente todos os dias é o regime que ele representa!
Mente na Casa Pia, mente no Aeroporto, mente no TGV, mente em Bruxelas, mente na constituição, na descolonização, o tribunal constitucional é mentira, mente nas contas, nos impostos, no desemprego, no futebol, em tanta coisa… mentiu na pergunta do referendo… nas promessas do referendo também mentiu!...
Sócrates não mente sozinho, porque neste país ninguém mente sozinho!
Sócrates mente, mas não sabe porque mente!
É um produto irresponsável da nossa deseducação, um ‘pronto a vestir’ das nossas universidades, para servir nos partidos… os partidos!
Foi escolhido pelo regime para fazer o serviço sujo, e com um tropeço ou outro, vai dando conta do recado.
Muitos dos que agora gemem, votaram nele!
E vão continuar a votar no regime que elege o chefe... dele!

quarta-feira, abril 11, 2007

O voto ou a vida

O atentado de 11 de Fevereiro foi finalmente reivindicado.
Cavaco Silva, de visita à Estónia, confirmou a promulgação do diploma que liberaliza o aborto, diploma devolvido ao Parlamento com um conjunto de recomendações e condolências.
O partido das dez semanas já reagiu, recusando recomendações ou condolências.
Outro dos envolvidos no atentado, vai hoje à televisão explicar as trapalhadas da sua formação académica. O primeiro-ministro deve aproveitar esta oportunidade para anunciar ao país uma série de medidas que nos irão colocar na dianteira da Europa, medidas que só agora podem ser implementadas graças à promulgação desta lei de liberalização do aborto.
E já que estamos em maré de atentados – liberdade de expressão, vida, descolonização, etc., – chamamos a atenção da ministra da cultura para o vasto espólio que existe nesta área! A pedir talvez um museu para a terceira república. Seria um museu itinerante, com trajecto assegurado entre São Bento e Belém, locais de onde brotam, praticamente todos os dias, as peças mais raras!
Terminamos como habitualmente com o futebol, e também aqui só temos motivos de satisfação: O Chelsea de Mourinho ganhou; o Manchester United de Cristiano Ronaldo goleou; falta apenas ganharmos ao Espanhol!
E do próximo adversário do Benfica, chega-nos outra boa notícia: Tamudo, capitão de equipa do Espanhol, está lesionado.
É assim, de vitória em vitória…