A quem possa interessar eis aqui o programa do Centenário do Regicídio. De resto, esta e muito mais informação pode ser consultada em http://www.regicidio.org/. Uma nação sem memória é uma nação condenada.
31 Janeiro 2008 – 21:30:
Auditório Cardeal Medeiros, Biblioteca João Paulo II – Universidade Católica Portuguesa – Lisboa,
Conferência “Dom Carlos I, Um Rei Constitucional”, Orador principal – Rui Ramos.
31 Janeiro 2008:
Após a conferência no mesmo local – Concerto pelo Grupo de Música de Câmara da Banda do Exército.
1 Fevereiro 2008 – 17:00 horas:
Concentração no Terreiro do Paço, junto à placa evocativa do Regicídio.
1 Fevereiro 2008 – 19:00 horas:
Basílica de São Vicente de Fora, em Lisboa, Requiem Soleníssimo “In Memoriam” do Centenário do Regicídio presididas por Sua Eminência O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa. Deposição de coroas de flores e homenagem solene aos túmulos de Sua Majestade O Rei Dom Carlos I e de Sua Alteza Real O Príncipe Herdeiro, Dom Luís Filipe.
sábado, janeiro 19, 2008
Evocação e Reconciliação
quarta-feira, janeiro 16, 2008
Ficção ou talvez não!
As agências internacionais noticiam com espanto que Portugal está a viver um novo ‘prec’, um novíssimo ‘gonçalvismo’! Com efeito, tudo leva a crer que a banca está a ser outra vez nacionalizada, mas desta vez com uma pequena diferença em relação aos longínquos acontecimentos de Março de 1975 – hoje são os próprios banqueiros e os grandes accionistas que querem ser nacionalizados! Pelo contrário, os pequenos accionistas, as pequenas poupanças, o povo… unido à volta de um quixotesco defensor da iniciativa privada, tenta desesperadamente evitar a consumação do acto… mas em vão!
Há quem se interrogue sobre o estranho comportamento dos empreendedores lusitanos, que afinal não querem ser livres, nem empreender, mas tão só engordar ao colo do Estado!
E como os bons exemplos frutificam, não existe jovem português que não repita: quando for grande quero ser empresário... no Estado!
Há quem se interrogue sobre o estranho comportamento dos empreendedores lusitanos, que afinal não querem ser livres, nem empreender, mas tão só engordar ao colo do Estado!
E como os bons exemplos frutificam, não existe jovem português que não repita: quando for grande quero ser empresário... no Estado!
Toca o hino: “Heróis do mar…”!
terça-feira, janeiro 15, 2008
“Palavras proféticas do exilado de Vale de Lobos”
“Que as leis se afiram pelos princípios eternos do bem e do justo, e nao perguntarei se estão acordes, ou não, com a vontade de maiorias ignaras... Que a tirania de dez milhões se exerça sobre um indivíduo, que a de um se exerça sobre dez milhões deles, é sempre a tirania, é sempre uma coisa abominável. A democracia estende constantemente os braços para o fantasma irrealizável da igualdade social entre os homens, blasfemando da natureza, que, impassível, os vai eternamente gerando física e intelectualmente desiguais.
É por isso que ela acreditou ter feito uma religião séria desse fantasma, quando o que realmente fez foi inventar a idolatria do algarismo; e cobrindo com a capa de púrpura a mais ruim das paixões, a inveja, enfeitou-a com um vago helenismo”.
(Carta a Oliveira Martins de 10 de Dezembro de 1870, in ‘Cartas’ - de Alexandre Herculano)
Retirado, com a devida vénia, do Jornal ‘A Ordem’ de 10 de Janeiro de 2008.
É por isso que ela acreditou ter feito uma religião séria desse fantasma, quando o que realmente fez foi inventar a idolatria do algarismo; e cobrindo com a capa de púrpura a mais ruim das paixões, a inveja, enfeitou-a com um vago helenismo”.
(Carta a Oliveira Martins de 10 de Dezembro de 1870, in ‘Cartas’ - de Alexandre Herculano)
Retirado, com a devida vénia, do Jornal ‘A Ordem’ de 10 de Janeiro de 2008.
sábado, janeiro 12, 2008
Frente de Libertação de Portugal...
"... face a uma Europa que nos rouba e, de novo, nos escraviza com novos fluxos de emigração.
Quem são os negreiros?"
A pergunta vem dos Açores e denuncia o 'tratado reformador' (não referendado) que transfere para a União Europeia a gestão dos recursos biológicos do mar!
Do nosso mar salgado...
Quem são os negreiros?"
A pergunta vem dos Açores e denuncia o 'tratado reformador' (não referendado) que transfere para a União Europeia a gestão dos recursos biológicos do mar!
Do nosso mar salgado...
sexta-feira, janeiro 11, 2008
A Cruz e a Al-Qaeda
Tem sido largamente noticiado (e explorado) o descontentamento turco pela ‘ostentação’ da Cruz de Cristo nas camisolas de uma equipa italiana que se deslocou à Turquia para participar num jogo da liga dos campeões europeus. O protesto, de reduzida expressão, acusava os italianos de não serem sensíveis ao ‘holocausto’ que as Cruzadas e os Cruzados provocaram aquando da tentativa de resgatarem o túmulo de Cristo... há aproximadamente dez séculos! Para lá do ridículo da situação, e sem entrar em questões de índole histórica para saber de quem era a Terra Santa naquele tempo, quem a ocupou depois, e quem a ocupa hoje, essa sim, matéria de grande sensibilidade, pensamos que o melhor é não escarafunchar muito no passado, ou então teremos de questionar o direito territorial de todos os povos e nações que actualmente habitam o planeta! E isso ninguém quer concerteza. Outra questão é saber dos números da mortandade numa guerra, como em todas as guerras, onde as baixas costumam ser sempre maiores do lado dos vencidos. E quem, num gesto simbólico, molhou o sabre nas águas do Mediterrãneo, foi o curdo Saladino!
Por isso, o que interessa mesmo neste assunto é verificar como um pequeno incidente contra o Símbolo da Cristandade, e vindo de quem usa o Crescente em todas as manifestações da sua vida pública e privada, é de imediato aproveitado no Ocidente pelo laicismo militante na sua campanha de ódio permanente à Igreja Católica e a tudo o que lhe diga respeito! Há muito que sabemos que os inimigos estão dentro da cidade, e que não hesitam em fingir apoio aos Maometanos, desde que isso sirva os seus interesses, visíveis e invisíveis. Invisíveis porque alguém os sustenta, senão não teriam a força nem o descaramento que exibem! Quando as máscaras finalmente caírem, não haveremos de nos surpreender! Uma coisa é certa, entre os seus aliados não estará o Islão, que os despreza por não crentes, nem a chamada Al-Qaeda, quer exista, ou não.
Por isso, o que interessa mesmo neste assunto é verificar como um pequeno incidente contra o Símbolo da Cristandade, e vindo de quem usa o Crescente em todas as manifestações da sua vida pública e privada, é de imediato aproveitado no Ocidente pelo laicismo militante na sua campanha de ódio permanente à Igreja Católica e a tudo o que lhe diga respeito! Há muito que sabemos que os inimigos estão dentro da cidade, e que não hesitam em fingir apoio aos Maometanos, desde que isso sirva os seus interesses, visíveis e invisíveis. Invisíveis porque alguém os sustenta, senão não teriam a força nem o descaramento que exibem! Quando as máscaras finalmente caírem, não haveremos de nos surpreender! Uma coisa é certa, entre os seus aliados não estará o Islão, que os despreza por não crentes, nem a chamada Al-Qaeda, quer exista, ou não.
terça-feira, janeiro 08, 2008
Se eu fosse ele…
Se eu me chamasse Sócrates, se fosse primeiro-ministro de um país a fingir, se nesse mesmo país fosse apoiado por uma larga maioria de socretinos, que só pensam no umbigo porque é esse o exemplo que recebem de cima, se eu fosse mais esperto do que sou, e se a minha ambição pessoal fosse maior do que aquela que me esforço por transparecer, então… eu era bem capaz de surpreender tudo e todos e cumprir a minha palavra! Sim, eu que me afirmo provinciano, mas que adoro ser lisboeta, ou como é uso dizer-se, cidadão do mundo, eu que cultivo a imagem como ninguém, eu que assumo um ar moderno mas que nunca perco de vista a receita da longevidade, neste triste país que ainda não esqueceu o velho chanceler, então… amanhã, eu confirmaria o referendo para o tratado europeu! Num golpe de mestre haveria de me isolar, descolando a concorrência, e o bom povo português reconheceria enfim que sou bastante mais fiável que outros, que mudam de opinião como o vento! E que afinal é firmeza aquilo a que muitos chamam teimosia! Paciência pá, desta vez não te acompanho, mas não te preocupes, perante a ameaça de corte nos fundos comunitários eles não pensam duas vezes, votam sim concerteza. E se não votarem, vocês aí em Bruxelas também não se atrapalham, hão-de arranjar uma saída qualquer. Enquanto houver dinheiro, claro.
domingo, janeiro 06, 2008
Dia de Reis
Confesso que estava com alguma dificuldade em reiniciar a escrita no novo ano, porém, o significado deste dia, e um bom incentivo vindo de fora, resolveram o problema. Não resisto a publicar o incentivo, que rezava assim: “ Caro amigo monárquico, urge que hoje, dia de Reis, compareça no Presépio que é cada Eucaristia, a prestar as honrarias ao Rei, inclinando-se em Amor sobre Aquele que por nós Se inclinou”.
Belíssima mensagem, difícil de resistir, e que sobreleva todas aquelas questões que fazem a agenda política de 2008. Seja a ‘pro-actividade laicista’, na robótica expressão de Menezes, para significar a nova vaga anti-clerical Socretina, seja a viagem napoleónica de Sarkozy ao Egipto (ou será viagem nupcial de Marco António e Cleópatra!), sejam os partidos familiares e democráticos muito em voga (leia-se: a corte republicana e os seus inevitáveis cesarismos), seja ainda o furor com que nos comprazemos a verificar a eficácia das leis, num país onde não se cumprem, onde a justiça não funciona, e quando resolve funcionar, nunca se esquece dos vários pesos e medidas!
Como vêem, não valeu a pena desviarmo-nos da mensagem inicial, portanto, com bolo-rei ou sem ele, com os bagos de romã ou sem eles, é dia de celebrar o Rei dos reis, com os presentes disponíveis, símbolos da Realeza Maior, bálsamos do corpo e da alma.
Belíssima mensagem, difícil de resistir, e que sobreleva todas aquelas questões que fazem a agenda política de 2008. Seja a ‘pro-actividade laicista’, na robótica expressão de Menezes, para significar a nova vaga anti-clerical Socretina, seja a viagem napoleónica de Sarkozy ao Egipto (ou será viagem nupcial de Marco António e Cleópatra!), sejam os partidos familiares e democráticos muito em voga (leia-se: a corte republicana e os seus inevitáveis cesarismos), seja ainda o furor com que nos comprazemos a verificar a eficácia das leis, num país onde não se cumprem, onde a justiça não funciona, e quando resolve funcionar, nunca se esquece dos vários pesos e medidas!
Como vêem, não valeu a pena desviarmo-nos da mensagem inicial, portanto, com bolo-rei ou sem ele, com os bagos de romã ou sem eles, é dia de celebrar o Rei dos reis, com os presentes disponíveis, símbolos da Realeza Maior, bálsamos do corpo e da alma.
segunda-feira, dezembro 31, 2007
Mensagem aos Romanos
Peço-vos que acreditem, que tenham fé na vida eterna, porque só assim podereis valorizar as vossas vidas, só assim haveis de evitar que numa esquina traiçoeira ou numa viela sombria, por uma ninharia, cheguem ao fim os vossos dias. Ou que numa praça qualquer, mais concorrida, vos façam explodir em nome de causas que nada têm a ver com Deus nem convosco. A democracia de César igualou as vidas mas não as valorizou, bem pelo contrário, veja-se como retirou Deus do calendário, para aí colocar um homem ou um cavalo! Isso não traz esperança nem convence, seria o mesmo que estabelecer um limite a quem sonha com o infinito. Nem o facto de se apregoar que só temos uma vida concorreu para a valorizar! Deste modo ela passou a ter um carácter exclusivamente utilitário e será essa a sua cotação.
Por isso, para vosso bem, e ainda que não acreditem, acreditem que só Deus pode amaciar o coração dos homens.
Sei que haverá entre vós quem não aceite a sugestão da crença, baseada em meras contrapartidas, como as razões securitárias que invoco! Esta mensagem não é para esses, porque essa relutância já é um sinal de eternidade.
Por isso, para vosso bem, e ainda que não acreditem, acreditem que só Deus pode amaciar o coração dos homens.
Sei que haverá entre vós quem não aceite a sugestão da crença, baseada em meras contrapartidas, como as razões securitárias que invoco! Esta mensagem não é para esses, porque essa relutância já é um sinal de eternidade.
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Ontem, antes de emigrar…
Saboreio a castanhada longamente… de acordo com a tradição o açúcar deve estar em ponto pérola, a cor castanho escura, consistente e vítrea, reconheço-te, doce companheira do Natal! Fecho os olhos para me lembrar do gosto antigo! Ando muitos anos para trás… meu Deus como o tempo passou de repente, os olhos ainda fechados vêem a sala de jantar, a salamandra, a mesa oval… e lá estava a castanhada, castelo erguido com fiapos de chantilly!
A casa vai ficando vazia, deixou de ser o lugar do encontro de outras eras, e por isso esta noite terei que emigrar em busca da família dispersa! A memória regressa ao evangelho de Lucas, ao imponente decreto de César… que ‘mandou recensear toda a terra’! Na Missa do Galo o celebrante comentou o mal-estar que este texto infunde ao nacionalismo judaico, mas a verdade é que nestes dias, que seriam de paz e sossego, também nós andamos num virote, porque ninguém tem terra ou aldeia a que se possa acolher, presépio onde possa nascer!
Que sabedoria a do velho adro da Igreja onde se davam as boas festas a todos, em simultâneo, sem necessidade de mais intermediários! Que saudades de uma vida lógica, com referências e raízes!
Vogamos ao sabor de decretos sem utilidade ou grandeza. E sabemos tanto de César que pouco sabemos de Deus!
A casa vai ficando vazia, deixou de ser o lugar do encontro de outras eras, e por isso esta noite terei que emigrar em busca da família dispersa! A memória regressa ao evangelho de Lucas, ao imponente decreto de César… que ‘mandou recensear toda a terra’! Na Missa do Galo o celebrante comentou o mal-estar que este texto infunde ao nacionalismo judaico, mas a verdade é que nestes dias, que seriam de paz e sossego, também nós andamos num virote, porque ninguém tem terra ou aldeia a que se possa acolher, presépio onde possa nascer!
Que sabedoria a do velho adro da Igreja onde se davam as boas festas a todos, em simultâneo, sem necessidade de mais intermediários! Que saudades de uma vida lógica, com referências e raízes!
Vogamos ao sabor de decretos sem utilidade ou grandeza. E sabemos tanto de César que pouco sabemos de Deus!
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Um Bom Natal
É o meu desejo para todos os viajantes que aqui passam, seja por amizade ou simples curiosidade, por afinidade ou engano, e com a sua presença vão dando alguma vida a este interregno, que se tem prolongado sem explicação aparente! Em sentido estrito e lato!
Mas não é tempo de balanço, é tempo de boas festas, momento de paz, de trégua nas divergências, é altura de presentes e árvores enfeitadas, de férias para alguns, de frio e tristeza para outros, mas é sobretudo a celebração do nascimento de Cristo, Deus vivo para os que acreditam, facto histórico que vai passando um pouco ao lado dos acontecimentos!
Sinais dos tempos, dirão os sábios, mas o planeta é redondo e o homem que o habita não mudou assim tanto em dois mil anos. Por isso é natural que os que agora se afastam retornem mais tarde ao presépio.
Maior que as palavras é a intenção destes votos.
Um Bom Natal.
Mas não é tempo de balanço, é tempo de boas festas, momento de paz, de trégua nas divergências, é altura de presentes e árvores enfeitadas, de férias para alguns, de frio e tristeza para outros, mas é sobretudo a celebração do nascimento de Cristo, Deus vivo para os que acreditam, facto histórico que vai passando um pouco ao lado dos acontecimentos!
Sinais dos tempos, dirão os sábios, mas o planeta é redondo e o homem que o habita não mudou assim tanto em dois mil anos. Por isso é natural que os que agora se afastam retornem mais tarde ao presépio.
Maior que as palavras é a intenção destes votos.
Um Bom Natal.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Dom Duarte
"Dom Duarte veio à Terceira inaugurar as novas instituições da AMI. À noite houve um jantar promovido pela Real Associação da Ilha Terceira. Estive presente no jantar e é sobre o que lá se disse que vale a pena falar.
Primeiro percebi melhor o sentido da obra de Fernando Nobre. Não há dúvida que tem capacidade para mobilizar meios financeiros, materiais e humanos para o serviço social. O segredo que terá é o de adaptar a cada sítio aquilo que é aí necessário. Providenciar dormida aos familiares de pessoas doentes que são internadas em São Miguel é dar resposta a uma necessidade que se fazia sentir de forma crescente, aliás como já comprovavam as iniciativas de alguns municípios mais remotos que tinham apartamentos disponíveis para os seus munícipes em Ponta Delgada. Em Angra essa função já estaria preenchida por outras instituições ou então a política de saúde regional tratou de subalternizar o Hospital de Angra. O facto é que a AMI preferiu orientar a sua actuação para a distribuição de medicamentos e para o apoio aos mais desfavorecidos. A Igreja pode-se ressentir desta intromissão civil naquilo que costuma ser a sua esfera de actuação social mas a verdade é que quem não é contra nós é certamente por nós. De qualquer forma foi bom ter assistido à ligação entre a AMI e a Casa Real.
O segundo aspecto que importa falar tem a ver com o discurso de Dom Duarte, em complemento das palavras de boas vindas proferidas por Valdemar Mota. Do que me lembro disse três coisas importantes. Disse que estavam em preparação as comemorações do assassinato de Dom Carlos onde se iria relembrar a vida e obra daquele marcante rei de Portugal que – conforme disse Dom Duarte – se fosse conhecido pelos assassinos, certamente não o teriam morto. E como os assassinos de Dom Carlos somos de facto todos nós, que vivemos em República e que ainda não pedimos desculpas por termos morto o Rei, o que Dom Duarte quis dizer foi que, se conhecêssemos a monarquia certamente não a teríamos morto. Disse também que fazia pouco sentido criticar as edificações de muitos construtores civis quando basta uma assinatura de um arquitecto conhecido para destruir o ambiente urbano de uma cidade histórica. Basta olhar para a nossa Caixa Geral de Depósitos ou para a famigerada frente marítima de Angra para todos entendermos a mensagem do nosso rei. Terá dito também, assim interpreto, que a Monarquia pode coexistir com a República, aliás como demonstra o seu testemunho de décadas. Bastaria que os Presidentes da República fossem mais seguros da sua posição para que pudessem solicitar e estimular o desempenho do monarca. Mas a verdade é que só conseguem isso no fim dos mandados e na assunção de que ficaram aquém do que conseguiriam fazer em complemento da Casa Real.
O terceiro aspecto que aqui vos reporto já se passou sem o Senhor Dom Duarte. Lamentavam os meus companheiros que a Terceira estava a perder peso para São Miguel, que Angra se estava a transformar numa vila, que qualquer dia nem teríamos o Representante da República, nem Bispo nem Secretarias Regionais. Naturalmente que constatei essa tendência mas demonstrei que a culpa era em grande parte dos terceirenses. Têm um Bispo mas não saem à rua em dia de procissão como fazem em São Miguel. Têm uma Universidade mas nunca se identificaram com ela, a ponto de não haver qualquer placa a indicar o caminho; existe a placa para os Montanheiros, para o Instituto disto e daquilo mas nada sobre a Universidade. Tiveram o porto mais importante dos Açores mas fizeram tudo para o fechar. Têm o melhor aeroporto das ilhas mas admitem que o seu uso seja condicionado para uso militar mesmo quando não há guerra. Têm possibilidade de ter cursos de jornalismo, de arquitectura, de governança e de paisagismo mas preferem condicionar a sua criação. Estão no centro do arquipélago mas preferem a defesa provinciana e inútil da ilha."
Tomaz Dentinho – Jornal “A UNIÃO” de Angra do Heroísmo – Açores, em 20/12/2007.
Primeiro percebi melhor o sentido da obra de Fernando Nobre. Não há dúvida que tem capacidade para mobilizar meios financeiros, materiais e humanos para o serviço social. O segredo que terá é o de adaptar a cada sítio aquilo que é aí necessário. Providenciar dormida aos familiares de pessoas doentes que são internadas em São Miguel é dar resposta a uma necessidade que se fazia sentir de forma crescente, aliás como já comprovavam as iniciativas de alguns municípios mais remotos que tinham apartamentos disponíveis para os seus munícipes em Ponta Delgada. Em Angra essa função já estaria preenchida por outras instituições ou então a política de saúde regional tratou de subalternizar o Hospital de Angra. O facto é que a AMI preferiu orientar a sua actuação para a distribuição de medicamentos e para o apoio aos mais desfavorecidos. A Igreja pode-se ressentir desta intromissão civil naquilo que costuma ser a sua esfera de actuação social mas a verdade é que quem não é contra nós é certamente por nós. De qualquer forma foi bom ter assistido à ligação entre a AMI e a Casa Real.
O segundo aspecto que importa falar tem a ver com o discurso de Dom Duarte, em complemento das palavras de boas vindas proferidas por Valdemar Mota. Do que me lembro disse três coisas importantes. Disse que estavam em preparação as comemorações do assassinato de Dom Carlos onde se iria relembrar a vida e obra daquele marcante rei de Portugal que – conforme disse Dom Duarte – se fosse conhecido pelos assassinos, certamente não o teriam morto. E como os assassinos de Dom Carlos somos de facto todos nós, que vivemos em República e que ainda não pedimos desculpas por termos morto o Rei, o que Dom Duarte quis dizer foi que, se conhecêssemos a monarquia certamente não a teríamos morto. Disse também que fazia pouco sentido criticar as edificações de muitos construtores civis quando basta uma assinatura de um arquitecto conhecido para destruir o ambiente urbano de uma cidade histórica. Basta olhar para a nossa Caixa Geral de Depósitos ou para a famigerada frente marítima de Angra para todos entendermos a mensagem do nosso rei. Terá dito também, assim interpreto, que a Monarquia pode coexistir com a República, aliás como demonstra o seu testemunho de décadas. Bastaria que os Presidentes da República fossem mais seguros da sua posição para que pudessem solicitar e estimular o desempenho do monarca. Mas a verdade é que só conseguem isso no fim dos mandados e na assunção de que ficaram aquém do que conseguiriam fazer em complemento da Casa Real.
O terceiro aspecto que aqui vos reporto já se passou sem o Senhor Dom Duarte. Lamentavam os meus companheiros que a Terceira estava a perder peso para São Miguel, que Angra se estava a transformar numa vila, que qualquer dia nem teríamos o Representante da República, nem Bispo nem Secretarias Regionais. Naturalmente que constatei essa tendência mas demonstrei que a culpa era em grande parte dos terceirenses. Têm um Bispo mas não saem à rua em dia de procissão como fazem em São Miguel. Têm uma Universidade mas nunca se identificaram com ela, a ponto de não haver qualquer placa a indicar o caminho; existe a placa para os Montanheiros, para o Instituto disto e daquilo mas nada sobre a Universidade. Tiveram o porto mais importante dos Açores mas fizeram tudo para o fechar. Têm o melhor aeroporto das ilhas mas admitem que o seu uso seja condicionado para uso militar mesmo quando não há guerra. Têm possibilidade de ter cursos de jornalismo, de arquitectura, de governança e de paisagismo mas preferem condicionar a sua criação. Estão no centro do arquipélago mas preferem a defesa provinciana e inútil da ilha."
Tomaz Dentinho – Jornal “A UNIÃO” de Angra do Heroísmo – Açores, em 20/12/2007.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Pai Natal
Saco ás costas, barba branca, começo por distribuir presentes aos mais necessitados:
Aos franceses – órfãos de pai há tanto tempo… que se agarram ao primeiro padrasto que lhes dê ou traga alguns momentos de glória! Não precisa de ser francês! Foi assim com o corso, é agora com o húngaro Sarkozy, homem teatral, sempre à procura dos holofotes para aí encenar a virilidade da política! E não só…
Os franceses adoram ser conduzidos e também adoram estes romances! Que vão intercalando com as revistas cor-de-rosa sobre o Principado… outro sinal de orfandade, outro acto falhado de que não se dão conta!
O melhor presente que se pode dar a um francês é um manual sobre a adopção. Explicando obviamente que a família biológica existe… embora possa ter sido guilhotinada.
Aos portugueses – ofereço este postal para que descubram as diferenças, mas sobretudo para que comparem as enormes semelhanças.
Boas Festas.
Aos franceses – órfãos de pai há tanto tempo… que se agarram ao primeiro padrasto que lhes dê ou traga alguns momentos de glória! Não precisa de ser francês! Foi assim com o corso, é agora com o húngaro Sarkozy, homem teatral, sempre à procura dos holofotes para aí encenar a virilidade da política! E não só…
Os franceses adoram ser conduzidos e também adoram estes romances! Que vão intercalando com as revistas cor-de-rosa sobre o Principado… outro sinal de orfandade, outro acto falhado de que não se dão conta!
O melhor presente que se pode dar a um francês é um manual sobre a adopção. Explicando obviamente que a família biológica existe… embora possa ter sido guilhotinada.
Aos portugueses – ofereço este postal para que descubram as diferenças, mas sobretudo para que comparem as enormes semelhanças.
Boas Festas.
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Sobre o Tratado Reformador
Na parte que diz directamente respeito ao Tratado Reformador assinado em Lisboa, transcrevo a posição institucional de SAR o Duque de Bragança, incluída na “Mensagem do 1º de Dezembro de 2007”:
“ (…) Como herdeiro da Casa Real, e daí com especial responsabilidade na preservação do património histórico do povo português, tenho orgulho em comemorar hoje a restauração de 1640 e sinto que, no futuro, essa independência deve ser cada vez mais bem aproveitada. É no passado que ela tem as suas raízes, mas é no futuro que a devemos projectar.
No nosso país, tem faltado debate sobre as vantagens que nos outorga a independência. Em alguns sectores da sociedade, faz-se correr que a soberania é um conceito esgotado e que, com a globalização e iberização dos mercados, só teríamos vantagens na subsequente união política com a Europa.
Se queremos conduzir a bom porto o nosso país, acho que devemos reflectir com independência, antes de prestar ouvidos a tentações e oportunismos políticos.
Neste preciso contexto está o Tratado Reformador Europeu previsto para ser assinado em Lisboa em Dezembro e cujo processo de ratificação começará nos próximos meses.
Começo por saudar o esforço dos diplomatas portugueses que, honrando a tradição da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, criada por D. João V, conseguiram que Portugal saísse prestigiado do modo como conduziu a negociação do Tratado de Lisboa.
A sua ratificação deveria preservar a diversidade e a riqueza cultural dos Povos Europeus. Em Portugal, como noutras nações europeias, as personalidades e os partidos debatem se essa ratificação deve ter lugar por referendo ou aprovação parlamentar.
Seja qual for a decisão, deve haver debate para ficarem claras as principais alterações introduzidas, que ficaram por explicar. O modelo da Europa a adoptar deve ser objecto de uma profunda discussão!
Espero que a introdução do Presidente Europeu, a eleger pelo Conselho, não vá minando a diversidade das nações. A verdade é que ao darem-se passos para uma entidade de tipo federal, os Governos nacionais perdem poder.
É minha firme convicção que a melhor resposta dos Portugueses ao Tratado Europeu é trabalharmos para termos um soberano verdadeiramente independente de todas as forças económicas, políticas e regionais. O Estado dá cada vez mais indícios de estar refém de “interesses especiais”. Engordou. Está flácido. É necessário reafirmar a sua autoridade e separar o seu papel central, que tem a ver com as funções de soberania, das outras funções que pertencem à sociedade. Ao assinarmos o Tratado queremos dizer que “Pertencemos à Europa”. Termos um rei será dizer que “Portugal continua a pertencer aos portugueses”.
Excerto da “Mensagem do 1º de Dezembro de 2007”.
“ (…) Como herdeiro da Casa Real, e daí com especial responsabilidade na preservação do património histórico do povo português, tenho orgulho em comemorar hoje a restauração de 1640 e sinto que, no futuro, essa independência deve ser cada vez mais bem aproveitada. É no passado que ela tem as suas raízes, mas é no futuro que a devemos projectar.
No nosso país, tem faltado debate sobre as vantagens que nos outorga a independência. Em alguns sectores da sociedade, faz-se correr que a soberania é um conceito esgotado e que, com a globalização e iberização dos mercados, só teríamos vantagens na subsequente união política com a Europa.
Se queremos conduzir a bom porto o nosso país, acho que devemos reflectir com independência, antes de prestar ouvidos a tentações e oportunismos políticos.
Neste preciso contexto está o Tratado Reformador Europeu previsto para ser assinado em Lisboa em Dezembro e cujo processo de ratificação começará nos próximos meses.
Começo por saudar o esforço dos diplomatas portugueses que, honrando a tradição da Secretaria dos Negócios Estrangeiros, criada por D. João V, conseguiram que Portugal saísse prestigiado do modo como conduziu a negociação do Tratado de Lisboa.
A sua ratificação deveria preservar a diversidade e a riqueza cultural dos Povos Europeus. Em Portugal, como noutras nações europeias, as personalidades e os partidos debatem se essa ratificação deve ter lugar por referendo ou aprovação parlamentar.
Seja qual for a decisão, deve haver debate para ficarem claras as principais alterações introduzidas, que ficaram por explicar. O modelo da Europa a adoptar deve ser objecto de uma profunda discussão!
Espero que a introdução do Presidente Europeu, a eleger pelo Conselho, não vá minando a diversidade das nações. A verdade é que ao darem-se passos para uma entidade de tipo federal, os Governos nacionais perdem poder.
É minha firme convicção que a melhor resposta dos Portugueses ao Tratado Europeu é trabalharmos para termos um soberano verdadeiramente independente de todas as forças económicas, políticas e regionais. O Estado dá cada vez mais indícios de estar refém de “interesses especiais”. Engordou. Está flácido. É necessário reafirmar a sua autoridade e separar o seu papel central, que tem a ver com as funções de soberania, das outras funções que pertencem à sociedade. Ao assinarmos o Tratado queremos dizer que “Pertencemos à Europa”. Termos um rei será dizer que “Portugal continua a pertencer aos portugueses”.
Excerto da “Mensagem do 1º de Dezembro de 2007”.
quinta-feira, dezembro 13, 2007
Dia Treze
Dia histórico, dia em que a união europeia assina um tratado para falar a uma só voz, o dia em que os designados países pequenos e médios se submetem aos grandes, única forma de terem força, dizem, e porque não têm alternativa! Porque o mundo mudou, e a europa não percebeu (!), nem tem responsabilidades nisso (!), mas mudou, o muro caíu, o comunismo falhou, as torres gémeas caíram também, o terrorismo afinal é idêntico, não pode ser incensado em áfrica e condenado na américa do norte. Por isso, porque o inimigo é global, só o venceremos se estivermos unidos e a unidade impôe cedências, ou como questionam alguns: - para que serve a soberania virtual de cada país face ao poderio dos gigantes emergentes!
Mas a justificação para tal empresa teria de ter outra solidez, tinha que se erguer acima da matéria, e não pode reduzir-se às ambiguidades democráticas. Mas é precisamente o que se passa, daí a indiferença dos povos europeus, enquanto uma legião de burocratas sonha com impérios e legiões a partir de Bruxelas!
Outra utopia e outro muro para cair.
Mas a justificação para tal empresa teria de ter outra solidez, tinha que se erguer acima da matéria, e não pode reduzir-se às ambiguidades democráticas. Mas é precisamente o que se passa, daí a indiferença dos povos europeus, enquanto uma legião de burocratas sonha com impérios e legiões a partir de Bruxelas!
Outra utopia e outro muro para cair.
sábado, dezembro 08, 2007
Festa em Lisboa
Para quem se identifica com uma história sem interrupções, faz-lhe alguma confusão ter que emprestar a sua casa para convidar os amigos para um fim de semana em Lisboa!
Mas valeu a pena, explicámos à europa e ao mundo que quinhentos anos de experiência continuam a fazer a diferença! Num excesso patriótico vi o mapa cor de rosa desfilar à minha frente... e o convite a Mugabe vingou o ultimatum! Com os africanos nos entendemos, não precisamos de intermediários para nada.
Falta agora lancetar o abcesso provocado pelas ideologias serventuárias dos vários socialismos, estranhas a África, e que lançaram o continente na miséria e na indignidade. Aqui já não estou tão certo das actuais capacidades portuguesas, serão precisos homens de ambos os lados que assumam sem complexos a história comum, incluindo nela todas as vicissitudes, o bom e o mau de uma presença impossível de apagar e que à vista da festa de Lisboa, ninguém quer apagar. Ainda se fala muito de petróleo e dinheiro, mas sente-se que existem coisas mais importantes para falar. Há sinais de esperança e o dia de hoje é um desses sinais – celebra-se a Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal!
Mas valeu a pena, explicámos à europa e ao mundo que quinhentos anos de experiência continuam a fazer a diferença! Num excesso patriótico vi o mapa cor de rosa desfilar à minha frente... e o convite a Mugabe vingou o ultimatum! Com os africanos nos entendemos, não precisamos de intermediários para nada.
Falta agora lancetar o abcesso provocado pelas ideologias serventuárias dos vários socialismos, estranhas a África, e que lançaram o continente na miséria e na indignidade. Aqui já não estou tão certo das actuais capacidades portuguesas, serão precisos homens de ambos os lados que assumam sem complexos a história comum, incluindo nela todas as vicissitudes, o bom e o mau de uma presença impossível de apagar e que à vista da festa de Lisboa, ninguém quer apagar. Ainda se fala muito de petróleo e dinheiro, mas sente-se que existem coisas mais importantes para falar. Há sinais de esperança e o dia de hoje é um desses sinais – celebra-se a Senhora da Conceição, Rainha e Padroeira de Portugal!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
A Câmara
Câmara de pedintes, sem mistério, à vista do cheque não há partidos para ninguém, venha ele que é para gastar. Luís Filipe bem tentou evitar as obras que hão-de projectar o Costa para a reeleição, em vão, outros valores mais altos se levantam!
Patusca a história das dívidas, não acham?! Que as dívidas não são dele, correspondem a edilidades anteriores!!! Será que não é sempre assim, ou o Costa queria entrar logo a contrair dívidas?! Pois claro que queria e assim fez!
Mas é para uma boa causa, já se esqueceram que temos aí o centenário! Tem que lá estar um que seja da cor! Da cor de Outubro, obviamente.
Depois, aquilo não é uma câmara, é uma ante câmara. Dá saída para tudo, dali pode sair um primeiro-ministro, um presidente da república, um candidato a qualquer coisa, tem sempre prémio.
E ainda havia gente com medo que eles não se entendessem!
Lisboa é Lisboa e o resto é paisagem!
Patusca a história das dívidas, não acham?! Que as dívidas não são dele, correspondem a edilidades anteriores!!! Será que não é sempre assim, ou o Costa queria entrar logo a contrair dívidas?! Pois claro que queria e assim fez!
Mas é para uma boa causa, já se esqueceram que temos aí o centenário! Tem que lá estar um que seja da cor! Da cor de Outubro, obviamente.
Depois, aquilo não é uma câmara, é uma ante câmara. Dá saída para tudo, dali pode sair um primeiro-ministro, um presidente da república, um candidato a qualquer coisa, tem sempre prémio.
E ainda havia gente com medo que eles não se entendessem!
Lisboa é Lisboa e o resto é paisagem!
sábado, dezembro 01, 2007
Dia da Independência
Peço imensa desculpa por vir quebrar o sossego da nação, por vir lembrar uma data que os livres pensadores se esforçam por esquecer, que a grande maioria da população desconhece porque era esse o objectivo, mas tenham paciência, eu demoro pouco, meia dúzia de linhas no máximo.
Quando no primeiro de Dezembro de 1640 decidimos dar fim à união ibérica, reino unido de Portugal e Espanha, união europeia a que aderimos voluntariamente, quando os quarenta fidalgos souberam interpretar os desígnios da Pátria, reconduzindo-a ao trilho Fundador, quando tudo isso aconteceu… estávamos mais ou menos na mesma encruzilhada em que hoje nos encontramos!
Ontem como hoje e a troco da independência política, também nos foram prometidos mundos e fundos! Também embarcámos nas guerras dos outros, em armadas invencíveis, também quebrámos velhas alianças, também trocámos princípios por coisas, e parece que ao princípio a coisa corria bem… e também não havia alternativa!...
A única diferença é que a antiga adesão foi votada em Cortes, e aprovada, com a honrosa excepção do procurador por Lisboa, de seu nome Febo Moniz!
Sessenta anos depois, porém, reconhecido o erro, veio o tal dia 1 de Dezembro de 1640!
O Dia da Independência.
Quando no primeiro de Dezembro de 1640 decidimos dar fim à união ibérica, reino unido de Portugal e Espanha, união europeia a que aderimos voluntariamente, quando os quarenta fidalgos souberam interpretar os desígnios da Pátria, reconduzindo-a ao trilho Fundador, quando tudo isso aconteceu… estávamos mais ou menos na mesma encruzilhada em que hoje nos encontramos!
Ontem como hoje e a troco da independência política, também nos foram prometidos mundos e fundos! Também embarcámos nas guerras dos outros, em armadas invencíveis, também quebrámos velhas alianças, também trocámos princípios por coisas, e parece que ao princípio a coisa corria bem… e também não havia alternativa!...
A única diferença é que a antiga adesão foi votada em Cortes, e aprovada, com a honrosa excepção do procurador por Lisboa, de seu nome Febo Moniz!
Sessenta anos depois, porém, reconhecido o erro, veio o tal dia 1 de Dezembro de 1640!
O Dia da Independência.
quinta-feira, novembro 29, 2007
REN por toda a parte!
O sítio de que vos falo esteve outrora coberto de vinhas, dava bom vinho, algum azeite, ainda hoje existem vestígios de adegas e lagares, e um velho moinho que já deu pão atesta que por ali sopra vento antigo.
O primeiro choque, a primeira agressão a que assisti sem perceber, veio do poder central: a segunda república entendeu subsidiar o trigo sem cuidar dos danos colaterais. Os rendeiros agradeceram e arrancaram as vinhas, teriam menos trabalho e não teriam que dividir os frutos com o proprietário. Mas naquelas quintas e courelas o trigo nunca seria viável, o vinho era… e seria. Não adianta agora carpir mágoas, o erro está feito e oferecem-se alvíssaras a quem descobrir uma cepa nas freguesias da Caparica e Trafaria.
O segundo choque veio com o poder local! Alheios à região, os eleitos curavam de ser eleitos e nessa tarefa se consumiam! Em nome do voto ou da disciplina partidária tudo consentiram, a floresta de betão cresceu muito e desordenadamente, os bairros clandestinos são o verdadeiro emblema de trinta anos de ditadura autárquica. Apesar de tudo, nesta ponta ocidental do concelho de Almada houve quem resistisse á especulação imobiliária, houve quem conservasse, com maiores ou menores dificuldades, património legado, e por isso a paisagem ainda mantém algum equilibrio e beleza.
Mas o terceiro choque aí está, um choque eléctrico a cargo das todo poderosas empresas públicas! A história visível conta-se em poucas linhas: - a EDP deu à luz uma filha chamada REN, cuja actividade consiste em semear um leque variado e profuso de postes e torres metálicas de alta e altíssima tensão transformando este pedaço de Portugal num gigantesco paliteiro! E não se incomoda muito com o plantio, tanto pode espetar um poste em cima de uma capela setecentista, como de um moinho milenar, pode ser rente a uma escola ou perto das casas dos moradores, é onde lhe calha! Entretanto, face aos legítimos protestos dos habitantes, que correm o sério risco de virarem lâmpadas fluorescentes, a edilidade acordou finalmente do seu longo torpor para clamar em uníssono - aqui d’el rei! Que ‘este progresso’ não justifica tudo.
Será que ainda vamos a tempo?!
O primeiro choque, a primeira agressão a que assisti sem perceber, veio do poder central: a segunda república entendeu subsidiar o trigo sem cuidar dos danos colaterais. Os rendeiros agradeceram e arrancaram as vinhas, teriam menos trabalho e não teriam que dividir os frutos com o proprietário. Mas naquelas quintas e courelas o trigo nunca seria viável, o vinho era… e seria. Não adianta agora carpir mágoas, o erro está feito e oferecem-se alvíssaras a quem descobrir uma cepa nas freguesias da Caparica e Trafaria.
O segundo choque veio com o poder local! Alheios à região, os eleitos curavam de ser eleitos e nessa tarefa se consumiam! Em nome do voto ou da disciplina partidária tudo consentiram, a floresta de betão cresceu muito e desordenadamente, os bairros clandestinos são o verdadeiro emblema de trinta anos de ditadura autárquica. Apesar de tudo, nesta ponta ocidental do concelho de Almada houve quem resistisse á especulação imobiliária, houve quem conservasse, com maiores ou menores dificuldades, património legado, e por isso a paisagem ainda mantém algum equilibrio e beleza.
Mas o terceiro choque aí está, um choque eléctrico a cargo das todo poderosas empresas públicas! A história visível conta-se em poucas linhas: - a EDP deu à luz uma filha chamada REN, cuja actividade consiste em semear um leque variado e profuso de postes e torres metálicas de alta e altíssima tensão transformando este pedaço de Portugal num gigantesco paliteiro! E não se incomoda muito com o plantio, tanto pode espetar um poste em cima de uma capela setecentista, como de um moinho milenar, pode ser rente a uma escola ou perto das casas dos moradores, é onde lhe calha! Entretanto, face aos legítimos protestos dos habitantes, que correm o sério risco de virarem lâmpadas fluorescentes, a edilidade acordou finalmente do seu longo torpor para clamar em uníssono - aqui d’el rei! Que ‘este progresso’ não justifica tudo.
Será que ainda vamos a tempo?!
segunda-feira, novembro 26, 2007
Bons sinais
Uma notícia aqui, uma opinião ali, um evento que se anuncia para amanhã, começamos a descobrir que andávamos a ser enganados, que a verdade histórica estava subtilmente amordaçada, mal contada, ou simplesmente esquecida! Também li o artigo de Pulido Valente, ele próprio um dos desenganados, afinal o Rei Dom João VI foi um estadista notável, não o imbecil que Junqueiro e as repúblicas, de um lado e do outro do Atlântico, se esforçaram por fazer crer. O Rei que Napoleão não conseguiu destituir ou prender, mantendo assim a independência do Reino, o Rei que fabricou o Brasil, unificando o maior e mais poderoso País da América do Sul, dando-lhe o estatuto de Reino, que teve o talento e a previsão de sonhar o Reino Unido de Portugal e Brasil, que ainda hoje é desígnio maior de quem ainda sabe sonhar, esse Rei só merece a nossa gratidão e homenagem. E quando digo nossa, refiro-me naturalmente a portugueses e brasileiros.
Os manuais escolares anti-portugueses e anti-brasileiros ainda insistem que fugiu para o Brasil cumprindo instruções dos ingleses! Seria caso para indagar se era do interesse de Portugal que Dom João VI fosse preso e humilhado pelos franceses como aconteceu com o Rei de Espanha, destituído sumariamente por Bonaparte! Claro que não era, e daí também a diferente designação que espanhóis e portugueses dão à mesma realidade bélica que constituiu a expulsão dos invasores: enquanto os espanhóis lhe chamam ‘guerra da independência’, porque de facto a tinham perdido quando perderam o seu rei, os portugueses chamam-lhe ‘guerra peninsular’ porque mantivemos a independência, uma vez que o nosso Rei continuou livre e a dar as suas ordens a partir do Rio de Janeiro.
Mas Pulido Valente tem razão quando reconhece a tentativa de silenciar e menorizar a guerra que travámos contra o invasor jacobino: - “… Porque sucedeu isto? Por causa da subordinação cultural de Portugal à França e ao mito da França como ‘libertadora da humanidade’ (que não se adaptava bem à razia de Bonaparte). E por causa do republicanismo, que nunca desculpou à Igreja, ao ‘Antigo Regime’ e à própria Monarquia liberal a defesa do país contra a ‘revolução’, mesmo sob a forma de império napoleónico. O homem da época passou a ser Gomes Freire de Andrade, um traidor que lutou até ao fim pelo inimigo. Quando por aí a inconsciência política resolve apelar ao patriotismo, nunca me esqueço da omissão e distorção da nossa guerra da independência contra a França. O Portugal moderno nasceu torto. Como, de resto, se viu no PREC”.
Fonte: Jornal Público de 23/11/07.
Os manuais escolares anti-portugueses e anti-brasileiros ainda insistem que fugiu para o Brasil cumprindo instruções dos ingleses! Seria caso para indagar se era do interesse de Portugal que Dom João VI fosse preso e humilhado pelos franceses como aconteceu com o Rei de Espanha, destituído sumariamente por Bonaparte! Claro que não era, e daí também a diferente designação que espanhóis e portugueses dão à mesma realidade bélica que constituiu a expulsão dos invasores: enquanto os espanhóis lhe chamam ‘guerra da independência’, porque de facto a tinham perdido quando perderam o seu rei, os portugueses chamam-lhe ‘guerra peninsular’ porque mantivemos a independência, uma vez que o nosso Rei continuou livre e a dar as suas ordens a partir do Rio de Janeiro.
Mas Pulido Valente tem razão quando reconhece a tentativa de silenciar e menorizar a guerra que travámos contra o invasor jacobino: - “… Porque sucedeu isto? Por causa da subordinação cultural de Portugal à França e ao mito da França como ‘libertadora da humanidade’ (que não se adaptava bem à razia de Bonaparte). E por causa do republicanismo, que nunca desculpou à Igreja, ao ‘Antigo Regime’ e à própria Monarquia liberal a defesa do país contra a ‘revolução’, mesmo sob a forma de império napoleónico. O homem da época passou a ser Gomes Freire de Andrade, um traidor que lutou até ao fim pelo inimigo. Quando por aí a inconsciência política resolve apelar ao patriotismo, nunca me esqueço da omissão e distorção da nossa guerra da independência contra a França. O Portugal moderno nasceu torto. Como, de resto, se viu no PREC”.
Fonte: Jornal Público de 23/11/07.
sexta-feira, novembro 23, 2007
A lógica orçamental
Do orçamento retenho um momento do ministro das Finanças… que me fez sorrir! Dizia ele que em Portugal, ao contrário de outros países, ainda se considera um feito digno de nota, fugir ou defraudar o fisco. Por isso garantiu que o combate à evasão e à fraude fiscal vai continuar e com vigor acrescido, política que sustentou no seguinte pressuposto: - se os incumpridores pagassem os impostos que não pagam, mas deveriam pagar, o IRS de cada português poderia ser desagravado em cerca de 38%! Ouviram-se palmas. Foi neste momento que sorri. Naturalmente que o Ministro sofre, como todos nós, da falta de um raciocínio lógico, a mesma deficiência que explica o insucesso escolar de muitos dos nossos jovens! Então se os portugueses confiassem no Governo, se tivessem a garantia de uma correspondência tão linear entre o seu gesto cumpridor, e o benefício que lhes adviria com uma previsível baixa de impostos, se tivessem a certeza, ou ao menos a esperança, de um futuro melhor, acha o Senhor Ministro que não seriam os primeiros a cumprir os seus deveres fiscais, ou pensa que deixariam sem censura quem não o fizesse também!
A questão é diferente e vai para além deste orçamento: - porque será que em determinados países os respectivos habitantes ‘sentem’ que fugir ao fisco é um acto quase patriótico?! Ou dito de outra maneira, porque será que esses povos não confiam nos seus governantes?!
Ora aqui está um problema que pode servir para exercitar o raciocínio lógico.
A questão é diferente e vai para além deste orçamento: - porque será que em determinados países os respectivos habitantes ‘sentem’ que fugir ao fisco é um acto quase patriótico?! Ou dito de outra maneira, porque será que esses povos não confiam nos seus governantes?!
Ora aqui está um problema que pode servir para exercitar o raciocínio lógico.
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