segunda-feira, outubro 15, 2007

Fim-de-semana com Rousseau

Começou com o terramoto de Catalina Pestana ao “Sol” que confirma tudo o que toda a gente sabe ou desconfia: - “…Quando se fizer a história deste processo (Casa Pia), todos verão que, se houvesse legislação que permitisse investigar tudo o que foi dito a mim, à Polícia Judiciária e ao Ministério Público, o terramoto teria consequências devastadoras…”. Perante tal abalo o regime republicano tinha não apenas de abafar mais este escândalo (afinal cada republica tem o seu ballet) como tinha que tomar providências para não ser apanhado outra vez… “com as calças na mão”. Perdoe-se-me o plebeísmo. Assim, num toque a rebate, cada um fez o que tinha que ser feito: os partidos desavindos uniram-se (quem é que não tem rabos de palha...) a comunicação social domesticou-se, a maçonaria e outras forças ocultas manobraram na sombra, o governo mudou, mudaram os códigos, o tempo passou e o processo encravou. Mas um terramoto tem sempre as suas réplicas e elas aí estão a mostrar à saciedade como funciona a trilogia de Rousseau: liberdade… para ocupar o estado e colocá-lo ao serviço de interesses inconfessáveis; fraternidade… para sair impune contando com a ajuda dos irmãos e compadres; a igualdade fica para o próximo capítulo.

sexta-feira, outubro 12, 2007

Profetas do presente

Não gostam de olhar para o passado, a vida resume-se à utilidade e bem-estar que desfrutam e querem lógicamente que se eternize. Cientes da eternidade desatam a fazer as profecias mais convenientes. Usam espantalhos conhecidos como o fascismo, a inquisição, a intolerância religiosa está sempre presente, e quando lhes forçam a mão atrevem-se a recriminar o comunismo. Mas o tom de voz baixa claramente. São laicos, expressão confusa que descodificada significa a separação entre a religião e o estado, mas são hipócritas porque querem apenas varrer do espaço público, primeiro, quaisquer práticas e símbolos religiosos, depois, e quando for possível, hão-de varrer da consciência de cada um quaisquer vestígios de religiosidade. E são republicanos porque a monarquia portuguesa é indissociável dos princípios católicos em que foi fundada. São também dissimulados e oportunistas. Quando acossados recuam e recebem os Bispos; quando se trata de preservar a imagem, vão a Fátima.

quinta-feira, outubro 11, 2007

Sucessão republicana

Quando já nada existe em comum, para além do ritual dos gestos vazios, quando a língua em que nos entendemos é apenas uma facilidade de comunicação caída do céu, o regime republicano não tem outro remédio senão disfarçar-se numa sucessão de repúblicas sempre novas e sempre gastas. Faz isto por querer e sem querer, e assim todos os elos se desfazem e vão desaparecendo. Sem querer, porque não consegue perceber aquilo que é elementar, que cada comemoração do dia da república corresponde a um juizo negativo sobre o regime monárquico que nos deu o ser e construíu toda a nossa identidade. Por querer, quando promove regicidas, quando atenta contra a vida dos indefesos, quando quer afirmar uma ‘religião’ laica contra a tradição do catolicismo, quando finalmente se demite do esforço colonizador e missionário, serviço universal que nos justifica como pátria livre e independente. Porque todos estes princípios são diáriamente denegridos e postos em causa pelo poder republicano, deixámos de acreditar no passado, e também por isso não confiamos no futuro, por mais simpáticos que sejam os dois primeiros-ministros que elegemos. Numa previsão breve e com pouca margem de erro a quarta republica que se adivinha, apenas difere da terceira porque para manter as aparências precisa de mais autoridade e menos liberdade. Portanto é sem surpresa que assistimos à governamentalização da justiça, ao controle dos media, à ausência de verdadeira oposição no Parlamento, em suma, vamos ter uma quarta república que promete ter todos os defeitos do salazarismo sem as virtudes de Salazar! Este tinha uma ideia para o país coisa que os actuais proprietários do poder não têm, nem querem ter. A união europeia que nos governe. Quando ela acabar e quando acabar logo se vê! Entretanto Sócrates e Cavaco vão dourando a pílula... que temos de engolir.
Saudações monárquicas.

domingo, outubro 07, 2007

Variações sobre a degenerescência

“Maria Albertina como foste nessa de chamar Vanessa à tua menina! …Maria Albertina não é um espanto, mas é cá da terra, tem outro encanto…”.

Lembro-me de António Variações, e hoje, perante o interesse que desperta, dou comigo a pensar nas razões submersas da sua popularidade! Não tinha grande voz, nunca estudou música, o seu destino trágico, igual a outros ícones do seu tempo, contribuiu sem dúvida para compor a personagem, mas parece-me que a sua aura mergulha em águas mais profundas.
“Para a frente não havia nada…”, diria numa das canções que são afinal a história da sua vida. Segue recordando, passo a passo, a partida, a aventura da emigração, a vida difícil do deslocado, a alma que não cabia dentro do corpo, “só estou bem onde não estou…”, os erros assumidos sem a facilidade da justificação, ”cabeça que não tem juízo, o corpo é que paga…”! A ética ficou sempre de pé e nunca renegou a tradição. Tradição no único sentido conhecido: – sou um herdeiro, não renegarei a herança.
É por aqui que eu vou, é por aqui que a sua mensagem permanece – assumir a herança significa, por exemplo, não ter vergonha de usar o nome dos antepassados, significa não ter a petulância e a vaidade de escolher nomes por catálogo, sem significado, só porque estão na moda, ou simplesmente porque sim. A tradição é caminho comum, o contrário da tradição é degenerescência. Alguns chamam-lhe o homem novo, e a história ri-se.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Cinco de Outubro

Feriado nacional!
Não vou pactuar com o disfarce geral, com a ausência da data na primeira página do jornal!
Nem me vou contentar com outras efemérides, por mais relevantes que sejam. Não.
É em nome da verdade que o faço, a minha memória recusa-se a ignorar o implante!
A prótese jacobina e anti-cristã, ferro cravado no coração da pátria…agonizante.
É preciso que a nação saiba o que vai celebrar, a saber:
O Regicídio.
O terror carbonário, que até os seus liquidou.
A guerra civil permanente que nunca mais acabou.
O símbolo presidencial da divisão em cada nova eleição.
A exemplar descolonização.
A ditadura de mais de meio século de indecisão.
E ainda: o velho condado convertido em euros e a próxima união… filipina ou não!
Resultado de cem anos de rendição!
Pois, pois, a globalização!
Exactamente – dependente, independentemente!
E agora, o que vais cantar meu menino?
O hino?

quinta-feira, outubro 04, 2007

Ainda o tratamento por tu

"Creio que o tratamento dos pais por 'tu' corresponde a um desejo de maior proximidade e comunicação na família, o que eu mesmo considero estimável. Todavia, o mesmo resultado poderia ser alcançado doutros modos... No entanto, parece-me que seria importante considerar que tratar os pais por 'tu' esconde, ou falsifica mesmo, a realidade, que os colocou (aos pais e aos filhos) em patamares de responsabilidade diferente. Assim, o 'tu', que indicia 'igualdade', é uma formalidade que depois irá ser desmentida no uso da legitima autoridade paternal, que, se o for, não é nunca um exercício de 'igualdade'. A diferenciação de tratamento, que JSM nos convida pertinentemente a reflectir no seu post, apenas pede que se acolha a realidade: há papeis diferentes, nomeados diferentemente. Parece-me que esta questão tem ainda que ver com duas outras: o medo que o tema 'autoridade' evoca na mentalidade dos educadores, estereotipadamente democráticos, e algum eco de sentimentalismo 'roussouniano/marxista' que sugere uma sociedade sem classes (coisa que sempre resvalou para uma sociedade sem classe...). Lembro, aliás, que segundo Zita Seabra, todos os camaradas tratavam Cunhal por 'tu' e ele, na volta, agradecia e mandava 'democraticamente' neles todos - sob farsa da igualdade, a ditadura do mais forte. As pessoas que conseguem fazer distinções são sempre as pessoas que se distinguem - da música à ciência, do desporto à escolha dos vinhos. O cristianismo ensina, promove e multiplica as distinções: Deus/homem; céu/terra; Liturgia/vida de trabalho; Amor/ascese. E cada uma destas 'realidades' tem nomes, farda, formalidades próprias. Não por 'formalismo' mas por desejo de unidade, que é uma coisa muito diferente desta moda ideológica da igualdade que teima em tratar similarmente o que por natureza é diferente."
.
Com a devida vénia, transcrevo sobre o mesmo tema um texto mais claro, mais profundo, e mais bem escrito que o meu. A excelente análise está assinada por ‘Pope’, no “Fora de Estrutura”.

segunda-feira, outubro 01, 2007

O tratamento por tu

Nos povos primitivos a linguagem era primitiva, foi portanto com muito esforço que conseguimos sair do ambiente das cavernas, das pinturas rupestres, dos primeiros sinais de escrita, que podiam significar muitas coisas ao mesmo tempo, até chegarmos à actual riqueza vocabular e verbal. As relações humanas, cada vez mais complexas, exigiam uma linguagem e uma gramática cada vez mais complexa. É portanto fácil distinguir o grau de civilização de um povo pela sua riqueza vocabular, índice seguro de que passaram por muitos e variados cabos de esperança e de tormenta!

Felizmente que os portugueses têm verbos e expressões para tudo e mais alguma coisa, ao contrário de outros povos que medem a sua grandeza apenas pelo tamanho dos obuses! Para dar dois exemplos, os franceses têm poucos verbos e assim “avoir” pode querer dizer duas coisas – ter e haver! Nos ingleses, “you”, significa ao mesmo tempo ‘tu’ e ‘você’! Ou seja, os ingleses praticam e entendem-se actualmente numa linguagem primitiva! A simplificação, neste caso, não corresponde a nenhum avanço civilizacional no campo das relações humanas, que se tornam menos claras, mais pobres em termos de significado, o que constitui um indubitável retrocesso.

Mas a linguagem é a expressão da realidade e por isso não admira que “com orgulho e erro” assistamos à tentativa de justificar procedimentos deseducativos e rudes, à luz de uma ideia de falso progresso, como se fosse tudo “igual ao litro”! Assim, os pais aceitaram que os filhos os tratassem por ‘tu’, porque é moderno, para encurtar distâncias geracionais, porque acham que pais e filhos são a mesma coisa, ou por outro motivo ainda mais obscuro! Outros tratamentos, que marquem a distinção, a diferença, a cerimónia, tendem a ser abolidos, em nome do igualitarismo dominante, em que vale tudo, inclusivamente a falta de respeito pelo outro. Pelo próximo.

E assim vai o mundo… e a barbárie.

sexta-feira, setembro 28, 2007

Crónica cor-de-rosa

Quarta-feira, à noite, não foi a minha primeira vez!
Muito antes da floresta arder sem rodeios, muito antes das trapalhadas que surgiam diáriamente na comunicação social, quando ainda não se desconfiava do diploma do engenheiro, já o interregno apontava algumas qualidades ao herói do momento. Mas sem exageros. Nós não sofremos da depressão da orfandade, também não procuramos na terra a divindade, a bola para nós é competição, não é salvação. Mas porque um homem é um homem, e um rato é um rato, quando um homem se porta como um homem, quando faz aquilo que deve ser feito, não o idolatramos por isso, registamos o facto sem adjectivos.
Preocupante é o sentimento geral, misto de surpresa e admiração, só porque Santana fez aquilo que ninguém teve coragem de fazer até agora – dizer basta!
Um sorriso maléfico transfigura-me o rosto, e constato - nessa noite muita gente foi obrigada a perder a virgindade!

terça-feira, setembro 25, 2007

Diário de um céptico

Em nome do código, dizem-me que na melhor das intenções, acrescentaram-se mais garantias à defesa dos arguidos, inocentes enquanto a sentença não transitar em julgado… etc.
E eu não acredito enquanto não vir um político no banco dos réus. Porque é matematicamente impossível que em trinta anos, e ainda que se reconheçam as maiores virtudes aos eleitos, que ao menos um deles não tenha prevaricado! Mesmo sem querer!

Em nome da vida, dizem-me que na melhor das intenções, liberalizaram o aborto para poupar as mulheres ao enxovalho da prisão.
E eu não acredito porque assim se diminuíram drásticamente as garantias de defesa a quem gostaria de nascer! Aqui a sentença transita rapidamente em julgado e as vítimas nem arguidos são!

Em nome da saúde, dizem-me que na melhor das intenções, para diminuir o risco de contágio pelo HIV, será implementada a troca de seringas dentro das prisões!
E eu não acredito em medidas avulsas porque enquanto não se tratar a causa, ou seja, a droga, não diminuem os seus efeitos. Os comportamentos de risco associados à droga acontecem porque alguém se droga. A troca de seringas nas prisões não é portanto um primeiro passo para nada, é um passo atrás, e mais um sinal de permissividade dado pelo poder político, de quem se esperaria outro exemplo.
Mas ainda há alguém que acredite neste poder político?!
Eu não acredito.

segunda-feira, setembro 24, 2007

O fado do bastonário

Andava eu enganado na vida
Pensava eu que o cargo era alto
Naquele tempo sonhava acordado
E quis um dia ser bastonário.

Mas afinal o lugar era baixo
Num vão de escada fiz o meu escritório
A noite veio e com ela o cansaço
Começa aqui o meu purgatório!

Em sobre humano esforço diário
No futebol busquei salvação
Já nem me lembro que sou bastonário
E só me vejo na televisão.

Até que um dia bateram á porta
Chapéu de coco e traziam na mão
A confiança na velha Aliança
Disse que sim… para não dizer não!

Repete e termina

A confiança na velha Aliança
Um bastonário nunca diz que não…

Consoante o fadista, fica bem em fado maior ou menor.

sábado, setembro 22, 2007

Os três candidatos

O melhor é assumirmos de vez a nossa realidade, poupa-se tempo e dinheiro, poupa-se a paciência das pessoas, poupam-se os esforços inúteis, quantas vezes com o sacrifício da própria dignidade, em suma, sejamos poupados! Mas de que falo eu? Explico: está à vista de todos que o presidente honorário dos sociais-democratas portugueses é o Engenheiro Sócrates, pela pose, pelo discurso ambíguo, pela eterna indefinição, por tudo aquilo que distingue um político multipartidário! Mas que fazem então Mendes e Menezes! Que temível batalha travam? Que lugar almejado disputam?
Discutem naturalmente o segundo e terceiro lugares do pódium. Qual é a dúvida!
A direita segue dentro de momentos.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Oposição precisa-se

Terminou há pouco o debate que o Governa leva mensalmente à Assembleia da República e como vem sendo hábito, Sócrates venceu facilmente. Era o primeiro debate com novas regras parlamentares, supostamente para dar maiores possibilidades à oposição de fazer valer os seus pontos de vista, mas essa vantagem não foi utilizada porque simplesmente não existe oposição! Oposição adulta, incidindo sobre as fraquezas governativas, sobre questões concretas que interessam aos portugueses, e não esta oposição a fingir, que apenas pretende substituir-se nos cargos e nas benesses.
O Governo chamou naturalmente para a discussão o Plano Tecnológico e por muito que isso custe a alguns, que gostariam de ser eles a distribuir computadores ou telemóveis pela população, a verdade é que não são estas as medidas criticáveis do Governo. São outras, por exemplo, o Código de Processo Penal que entrou em vigor de rompante e com normas a preceito para liquidar investigações a processos de ‘colarinho branco’, ou amordaçar escutas inconvenientes. Mas pergunto eu, como é que a Assembleia poderia discutir uma matéria em que os maiores partidos da dita oposição, ou votaram favoravelmente tais reformas ou se abstiveram!!!
Sócrates estava a jogar em casa.

terça-feira, setembro 18, 2007

Coincidências

Correm hoje os novos dias da Bastilha, homicidas e violadores preparam-se para ser libertados em nome dos direitos dos arguidos, complexo apelido onde cabem os mesmos homicidas e violadores. O risco para as verdadeiras vítimas existe e não é de desprezar, mas na assembleia pontificam o medo e a cumplicidade, ela é soberana, nela não se vislumbra oposição!
Arautos bem situados asseguram que o descanso dos portugueses será igual à paz… dos cemitérios!

No mesmo tempo e lugar prepara-se a trasladação dos restos mortais de um escritor para o denominado Panteão Nacional. “Arguido” de ser promotor do crime de regicídio, ou conivente com os regicidas, não deixa de ser uma triste coincidência a sua elevação à categoria de vulto nacional!
Os mortos devem descansar em paz, mas neste caso, são os vivos que não deixam descansar ninguém.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Cantar e cumprir

A propaganda enganosa conta sempre com a imbecilidade alheia mas conta sobretudo com a desigualdade de meios, forma expedita de calar a boca aos adversários. A primeira república, por exemplo, tentou convencer os portugueses que o regime monárquico era mau, e não fora isso, em vez de chegarmos à Índia teríamos chegado à Lua! Já a segunda república (leia-se Estado Novo) foi mais subtil, promoveu o silêncio eliminando sumáriamente a discussão sobre o assunto. No que respeita à república de Abril, não podendo evitar que nos primórdios se falasse de tudo, tem vindo a adoptar uma postura mista, por um lado ignora a questão, mas se alguém a levanta faz crer que se trata de um regime ultrapassado, próprio de países atrasados! Semelhantes atoardas, mil vezes repetidas, acabam por produzir o efeito esperado, ou seja, embrutecem a população, e por isso não é de estranhar que a grande maioria dos portugueses não consiga perceber quais são as verdadeiras causas da sua decadência, ou dito de outra maneira, porque é que em quase cem anos de regime republicano, Portugal não conseguiu, nem consegue, aproximar-se dos níveis de desenvolvimento, já não digo de países como a Holanda ou a Bélgica, mas de regiões vizinhas, como a Galiza ou a Catalunha!
Estranho, não acham?!
Sem procurar desculpas esfarrapadas, parece-me que o segredo está no hino, por ínvias razões outra vez na moda – “levantai hoje de novo o esplendor de Portugal”! Quem o canta sabe, ou desconfia, que no tempo da monarquia éramos mais independentes e estávamos melhor classificados no ranking europeu.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Justiça em segredo

É sempre bom que as coisas fiquem claras, registadas, para saber quem é quem, para que amanhã não se desdiga o que se disse hoje. Relembremos a polémica norma do Código de Processo Penal, aprovado com os votos do PS e PSD, e promulgado por Cavaco Silva, para entrar amanhã em vigor! Reza assim o artigo 88, número 4:

“Não é permitida, sob pena de desobediência simples, a publicação, por qualquer meio, de conversações ou comunicações interceptadas no âmbito de um processo, salvo se não estiverem sujeitas a segredo de justiça e os intervenientes expressamente consentirem na publicação”.

Aqui está o resultado de um laborioso ‘pacto de justiça’ entre os partidos que nos têm governado desde a revolução dos cravos, a tal que invocava os valores da liberdade, da justiça, da separação dos poderes, em suma, da transparência que gera a confiança entre governantes e governados. Aqui está a cereja que faltava no bolo da terceira república.
A partir de agora vai ser um descanso, processos como o da Casa Pia, Portucale, Apitos, qualquer que seja a cor, e outros, nem do ovo saem, ficam no segredo dos deuses, com letra pequena. Primeiro está o bom nome das pessoas. E assim é que deve ser, porque como diz o ministro da Justiça – “as escutas são para a investigação, não para a divulgação”! Só faltou dizer – confiem em nós!

quinta-feira, setembro 13, 2007

A anatomia de um jogo

Os patriotas da selecção já descobriram o seu bode expiatório, é o tio Scolari, o mesmo que em tempos não muito recuados pôs o país em ‘verde e rubro canto’! Se fosse romano diria como o Cipião – ‘ingrata pátria, não possuirás os meus ossos’! E de citação em citação, ou excitação em excitação, Alvalade encheu-se para ver ganhar a selecção – esse mítico conjunto de emigrantes, tudo o que nos resta para vingar as frustrações diárias, o antigo hábito das derrotas, o império perdido... ou a independência a esvair-se. Para alicerçar o sonho, a comunicação social que temos (e somos) garante em cada noticiário, ou em mesas redondas organizadas para o efeito, que Cristiano Ronaldo ou Quaresma irão reduzir a escombros qualquer adversário que lhes apareça pela frente! Nestas circunstâncias o estádio está em ponto de rebuçado, 50.000 almas que pouco percebem de futebol, exigem a vitória ou a cabeça do seleccionador! Mas ninguém se lembrou (salvo Scolari) que a Sérvia pertence a uma escola de futebol (individual e colectivo) superior à nossa, dispõe também de grandes jogadores, que são titulares nos melhores campeonatos da Europa, e que nestas condições o jogo seria sempre muito complicado de vencer. No final, um gesto irreflectido de Scolari pode ter comprometido a sua continuidade à frente de uma selecção que tem na sua capacidade de liderança o seu ponto forte.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Contra os bretões…

Era este o verso original do hino que incitava os portugueses a marchar contra os bretões, desagravando assim a humilhação sofrida com o ultimatum. Por conveniência de serviço passámos posteriormente a marchar contra os canhões não fossem os bretões ofender-se! Nada que nos espante sabendo como é volátil o patriotismo republicano. Esquecido o ultimatum, habilmente explorado contra o rei e a monarquia, obtiveram dos bretões (leia-se ingleses) o necessário consentimento (e apoio) para implantarem a república; esquecido o mapa cor-de-rosa, porção territorial entre Angola e Moçambique, onde não existia ou vivia qualquer português, empandeiraram sob a forma de ‘descolonização exemplar’, Angola, Moçambique… e o que mais houvesse. Preparam-se agora para leiloar em Bruxelas (ou em Lisboa) o que resta da nossa secular soberania. Mas gostam de cantar o hino.

terça-feira, setembro 11, 2007

Regresso e vingança

De regresso às lides, constato que o interregno acertou no desfecho de algumas conhecidas telenovelas da vida portuguesa! Assim até dá gosto!
Se não vejamos:

O interregno previu que Costa, mais o Zé do túnel, haveriam de arranjar maneira de dar sequência às pretensões urbanísticas do Sporting, e aí está, o acordo foi hoje firmado, e para que não subsistam dúvidas quanto ao futuro, uma oportuna ‘comissão arbitral’ encarregar-se-á de libertar o edil do incómodo dos detalhes – densidade de construção, espaços verdes (para além das cores das camisolas), etc.

O interregno também previu que o processo penal teria que ser revisto para garantir que situações desagradáveis como a Casa Pia não voltem a suceder. Para isso, os partidos que governam o país desde Abril de 1974, entenderam-se e assinaram um ‘pacto de justiça’ resultando daí um novo Código de Processo Penal. Porém, e ao que se sabe, o texto final submetido a aprovação pelo Parlamento contém uma norma que não tinha sido previamente acordada por ambos os partidos! Metida à socapa, quer a norma quer o Código foram naturalmente aprovados pela maioria socialista. Apanhados assim de surpresa, e porque a disposição em causa estabelece grandes limitações à divulgação pública das escutas telefónicas, os sociais-democratas reagiram e Paulo Rangel não podia ter sido mais explícito: - “parece uma norma desenhada para a Casa Pia”!

Por fim, o interregno também acertou no “apito dourado” ou “encarnado”, como lhe queiram chamar! Para lá do espesso manto de silêncio que entretanto caiu sobre tão mediático caso, notícias frescas confirmam que o livro “Eu Carolina”, considerado pela generalidade como um importante elemento de investigação, parece que sofreu alterações na sua versão original, por forma a incriminar uns e deixar outros de fora! O actual silêncio compreende-se!

Dir-me-ão que eram coisas fáceis de adivinhar. Pois sim. E de escrever?

domingo, setembro 09, 2007

Gritos de alma

Quem não se lembra do grito de Tarzan, afirmado a plenos pulmões enquanto se baloiçava nas compridas lianas! Quem não se entristeceu com o suspiro do mouro, forçado a abandonar a doce Granada! E o grito de guerra clamando por Santiago! Mais tarde substituído por São Jorge, quando os Lencastres trouxeram a divisão à peninsula! Mas os gritos que agora me interessam são mais prosaicos, ouviam-se na pequena praia que frequentei durante uma escassa semana, eram frases soltas, sem sentido, entre o desânimo e a esperança de umas férias impossíveis de alcançar. Eu conto: no toldo que me abrigava do sol inclemente, estabeleci sem querer uma intimidade exagerada com a vizinhança e mesmo que fechasse os olhos para me concentrar num pensamento mais longínquo, era invariávelmente acordado pelo toldo da direita, que mantinha o hábito ancestral de decidir tudo em conclave. Gente do norte, com acentuado sotaque portuense, desta vez o assunto prendia-se com uma pequena alteração na ementa: o marido desafiava a mulher a substituir a caldeirada de tamboril pela massada do mesmo! Ele encarregar-se-ía dos bifes. Passado este momento crucial, voltei-me para o toldo da esquerda para apreciar o esforço do chefe de família na tentativa de manter o agregado em paz e sossego. Missão ingrata porque duas graciosas criancinhas, cheias de imaginação, não lhe davam tréguas! Eram daqui que partiam os gritos de alma. Na última manhã a promessa de uma ida aos caranguejos estava em cima da mesa, o sol apertava, as rochas ficavam distantes, mas os miúdos exigiram o cumprimento da pena sem contemplações. O pai olhou em volta desesperado, encolheu os ombros, levantou-se, pegou no balde e rumou ao deserto atrás das radiantes criaturas.
Naquele instante pensei fazer alguma coisa, mostrar alguma solidariedade, mas fiquei preso à cadeira, enquanto a expedição se afastava. E fosse imaginação ou remorso, a verdade é que passado algum tempo me pareceu ouvir um grito vindo do lado das rochas, em tudo semelhante ao silvo das baleias perdidas na imensidão dos oceanos! O nosso homem devia estar com os pés em brasa e os caranguejos pelos cabelos!
As férias de sonho não existem, são um grito de alma.

quarta-feira, agosto 22, 2007

Transgénicos atacam transgénicos

À vista da seara o ódio extravasou-se, os adoradores da terra precipitaram-se em fúria sobre o inferno verde que crescia à sua frente, ceifaram tudo, cortaram o mal pela raiz! De nada valeram os protestos do agricultor, a passividade dos guardas, porque o pecado será banido da face da terra. Porém, se Deus não existe, se é esta a última morada, não se percebem as preocupações com o futuro, nem as lágrimas pelo paraíso perdido, resta a saudade dos antepassados rupestres, e por isso querem a todo o transe reconstituir a caverna, o sílex, e a pederneira! Órfãos, arrancados à tradição, filhos ilegítimos de um mundo ilegítimo, revoltam-se contra o milho ilegítimo, única e última vingança que fazem a si próprios. São afinal monárquicos que se desconhecem!
Entretanto convinha aplicar-lhes o devido correctivo, coisa que os papás se esqueceram de lhes aplicar na altura devida.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Assunto nacional

“Toda a informação a seguir a um curto intervalo…” esclarecia o pivot do canal público de televisão ao fim de quase uma hora de noticiário! Deixou a promessa de voltar com o rescaldo da notícia que vem alarmando o país – Fernando Santos já não é treinador do Benfica! Será substituído, ao que tudo indica, pelo espanhol Camacho! Mas rebobinemos a sequência noticiosa: Benfica despede treinador; Berardo falha OPA no Benfica; furacão Dean incomoda portugueses (parece que são imensos!) que queriam passar férias nas Caraíbas; Cavaco não gostou do ataque ao milho; relato de alguns incêndios como se não existissem… e as restantes notícias da actualidade internacional.
Veio a segunda parte, uma loira repórter procurava nas imediações do estádio da Luz os tais adeptos cujas vidas irão certamente mudar face ao afastamento de Santos, mas nada, tinham ido para a praia dar um mergulho na crise, ou estariam recolhidos em suas casas à espera do pior! O pivot remediou a situação ouvindo o sexólogo encarnado Júlio Machado Vaz! Este, menos descontraído do que é costume, e quando esperávamos que fizesse alguma referência ao balneário, disse apenas estar preocupado com o timing! Já o deputado benfiquista Manuel Santos invocou a instabilidade para justificar o despedimento.
O telejornal entretanto acabou, eu estava exausto, e curiosamente, acabei por ficar também preocupado!

sexta-feira, agosto 17, 2007

A minha selecção – O segundo anel

“Jesus tem convite”
“O treinador do Belenenses Jorge Jesus foi convidado pelo presidente da SAD, Cabral Ferreira, a prolongar pelo menos por um ano, o contrato que o liga ao clube até ao final da época. A resposta ainda não surgiu, uma vez que o técnico pediu algum tempo para pensar, mas os dirigentes do Restelo estão optimistas…”
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07.

Comentário: Jorge Jesus parece talhado para o Belenenses e essa empatia é mais importante que muitos atributos que se queiram contabilizar. Jesus vive o futebol com paixão, gosta de semear para colher, e embora seja um treinador com grande leitura de jogo, é um corredor de fundo, não se satisfaz com intervenções cirúrgicas na busca do êxito imediato. Por outro lado, a frontalidade e uma auto estima acima da média, são qualidades pouco apreciadas nos clubes onde existe muita gente a mandar, e onde a pressão de ganhar a qualquer preço é enorme. Não é esse felizmente o caso do Belenenses. Por fim e baseando-me nas declarações que diversas vezes tem proferido penso que Jorge Jesus gostaria de ficar ligado a um projecto de futuro e com futuro. Se é assim, aí está o casamento perfeito.

“Paulo Duarte deixa críticas à televisão”
“Senti-me português de segunda. Fui enxovalhado. Como unionista, estou orgulhoso pelos meus jogadores. Mas como patriota senti-me desiludido. A União de Leiria não representa nada para Portugal. Andam a dar torneios e jogos amigáveis que não contam para nada e nós, que estamos numa competição europeia, não merecemos atenção…”!
Fonte: Jornal “Record” de 17/08/07

Comentário: Sem comentários.

“Apito Encarnado”
Fonte:
www.sendspace.com/file/tmrb2o

Comentário: Li o dossier e comentarei oportunamente.

Saudações azuis.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Dia de Missa

Desta vez não falhei o encontro, dia da Assunção de Nossa Senhora, meti-me ao caminho e lá fui. Entre cânticos suaves medi o arco e as colunas demorei-me na Cruz de Santiago que enfeita o púlpito, quase adormeci. A luz do entardecer e poucas horas de sono, confesso que foi um momento difícil. Recompus-me para ouvir a homilia, simpatizo com o sacerdote, explica bem as coisas, confronta a vida dos fiéis, em profundidade, isso traz-me sempre algum desconforto, mas não é por isso que falto, são outras coisas. É mais cómodo guardar uma distância conveniente do serviço religioso, o dragão que ficou á porta da Igreja, o mesmo que me vai devorando, também precisa de viver. Despertei definitivamente quando rezámos pelo Iraque – morreram hoje duzentas pessoas, vítimas inocentes de uma guerra que ninguém consegue explicar. Como lembrou o celebrante, “o Iraque vive uma violência brutal como é também brutal a indiferença do Ocidente”!
Quem são os homens (seremos mesmo homens!) que consentem tamanha barbaridade!
Salvé Rainha, rogai por nós.

Abertura

É só para aves migratórias, mas o jejum é tanto que hoje disparo a tudo o que mexe, rolas, pardais, aves de capoeira, cucos, com pena, sem pena nenhuma. Sem me esquecer também das aves de rapina, espécie muito protegida entre nós!
Ora vejamos, se bem me lembro, tinha eu aventado a hipótese de que tínhamos o apito entornado a partir do momento em que todas as baterias apontavam a norte esquecendo lamentavelmente que as melhores perdizes se caçam a sul, e que a capital sempre foi o local de nidificação de muitos passarões! Também apontei em devido tempo o erro fatal cometido pela procuradoria, e pela procuradora adjunta, ao utilizar como elemento de prova um livro e uma personagem de romance barato.
Por isso, quem aqui vos escreve, verificou sem espanto que existe um novo dossier secreto para consulta dos interessados. Nele se conta que o “marido de Morgado trabalhava para Filipe Vieira” e mais à frente informa que “ Luís Filipe Vieira é acusado de pagar elevadas quantias a várias pessoas – entre as quais, Carolina Salgado, Fernando Seara e a Saldanha Sanches, marido da procuradora Maria José Morgado. Em 26 páginas com o timbre aparentemente original da Directoria Nacional da Polícia Judiciária, os autores do dossier dizem ser elementos da PJ, que não querem por agora identificar-se, para não colocarem as carreiras em risco. Afirmam ter como provas imagens, sons e documentos. Entre as várias acusações, dizem que Luís Filipe Vieira, ainda como presidente do Alverca, pagou a Fernando Seara cerca de 100 mil contos para que o clube satélite do Benfica ficasse na 1ª divisão, numa jogada que prejudicou o Gil Vicente…”! As revelações prosseguem envolvendo os nomes de Maria José Morgado, Saldanha Sanches, Carolina Salgado, Leonor Pinhão, etc.
Afinal também existe um apito encarnado e andava tudo a apitar para o lado, e se formos justos, também haverá por certo um apito verde, porque como tenho inúmeras vezes denunciado a verdadeira e única suspeição está há muito definida, tem mais de meio século, “em Portugal ganham sempre os mesmos” e como isso não se verifica em parte nenhuma do mundo, é por aí que a procuradoria e a procuradora têm que começar a investigação. Não adianta investigar um e deixar os outros dois de fora.
Depois, e com método, hão-de verificar que o poder político está comprometido com a popularidade e com a visibilidade gerada pelo futebol o que obsta a que possa fiscalizar o autêntico biombo em que se transformou a chamada indústria da bola, para onde têm convergido ultimamente homens de negócios, construtores civis, advogados, magistrados, e tantos outros arrivistas, tanta gente repentinamente apaixonada pelo futebol... que já estou como o poeta – “são tantos que não podem ser tantos”!
Como se vê matéria para investigação não falta.

Fonte: Jornal “24 horas” de 15/08/07.

sábado, agosto 11, 2007

Miguel Torga

“Esperança

Tão fiel que te fui a vida inteira,
E deixas-me na hora da verdade!
Eras a minha própria liberdade,
O meu anjo da guarda vigilante.
E quando, confiante,
A namorar o mundo na paisagem
E a ver em cada verso a tua imagem
Sorridente,
Eu porfiava em alcançar a meta
Do longo e penitente
Caminho de poeta
A que fui condenado,
Sinto-me de repente
Abandonado.
Sem a razão
De ter inspiração,
Traído,
Desmentido
E desesperado.”

Coimbra, 30 de Janeiro de 1986

In “Diário”

quarta-feira, agosto 08, 2007

Silêncio

Silêncio que as palavras pouco dizem
Surpresa mas a palavra não é justa
Silêncio e fica tanto por dizer
O nome diz-me sempre tanta coisa
Ígnea e incandescente criatura
A dureza na crueza de uma vida
A cada um a sua sepultura
Melhor será lembrar a tua gesta
Bem longe dos trilhos e da glória
Morreste sem o cheiro do capim
Mas podes no silêncio destes versos
Ouvir o último toque do clarim.

À memória de Inácio Beja.

terça-feira, agosto 07, 2007

O próximo socialista

Democrata dos quatro costados, começou por ser indiferente, na juventude alistou-se numa esquerda qualquer, preferia ter sido social democrata mas não havia vagas para a direcção, foi parar aos socialistas, singrou, defendeu calorosamente a independência para as colónias, nada de parcerias ou outras associações com a mãe pátria, bateu-se a seguir e com igual vigor pela associação da mãe pátria com outros estados, declaradamente mais fortes e mais ricos, embrenhou-se entusiasticamente nessa excitante aventura, e a cada novo avanço, por cada tranche recebida, acreditou mais e mais nesse projecto. Da sua boca só se ouviam frases pouco perceptíveis mas optimistas, a diplomacia passou dos gabinetes para o laboratório, experimentou a realidade entre tubos de ensaio e retortas de alquimista. Por fim, vislumbrou a garantia de uma constituição ao fundo do túnel, saiu-lhe um tratado, menos mau! Bem se esforçou por se agarrar ao pelotão da frente, sacrificou a nação inteira a essa quimera, sobrecarregou-a de burocracia e impostos, falhou, hoje a carga fiscal não a deixa sequer pedalar, mexe as pernas mas não se mexe, atrasa-se cada vez mais. Para cúmulo e de onde menos esperava surgiram os esticões decisivos, um húngaro envergando a camisola tricolor decretou explicitamente que a concorrência quando nasce não é para todos! Na sua roda seguem os favoritos do costume, a volta é deles e não há volta a dar. A nossa bicicleta tem remos nos pedais, foi feita para navegar. Desesperado, sabe que não pode desistir, seria o seu fim. Além do mais, habituou-se ao poder, precisa das luzes da ribalta, e se não lhe oferecerem um emprego na europa, a europa pode esperar! Ele sabe para onde sopra o vento. Sarkozy abriu um caminho, também saberei percorrê-lo.
Serei o próximo socialista, verde ou encarnado, adivinhem!

quinta-feira, agosto 02, 2007

O direito de resistência

Trata-se em primeiro lugar de saber se vivemos ou não num país ocupado, ocupado ideologicamente, se o conteúdo das leis afronta ou não afronta, de forma sistemática, a base da ‘lusitana antiga liberdade’, único conceito que pode justificar todos os outros. Trata-se em segundo lugar de investigar se a constituição e as leis da república confirmam aquele princípio ou se através de um capcioso entendimento do direito de representação não têm emigrado para o seu interior um conjunto de aleivosias completamente alheias à nossa identidade como povo independente e soberano. Em reforço desta suspeita concorre a doutrina oficial que atribui carácter absoluto ao sufrágio, espécie de dogma religioso com força de lei, desprezando todas as outras fontes de direito, como sejam o costume e a tradição. Mas a maior suspeita reside no facto dos portugueses nunca se terem pronunciado em concreto sobre a adesão à união europeia! Nem sobre nenhuma das suas decisões que afectam o dia a dia de todos os portugueses e também o seu futuro!
Para quem só retira consequências dos votos, é pelo menos estranho que tenha tanto medo do voto dos portugueses e se refugie tanto no instituto da representação, fórmula de mandato que corresponde quase sempre a um cheque em branco passado às direcções partidárias!
Para dar um exemplo concreto, sabiam os portugueses que durante a recente presidência alemã, a chanceler Ângela Merkl decidiu alargar aos restantes membros a lei do ‘delito de opinião’ o que significa que não podemos discutir livremente a verdade oficial imposta pelos vencedores da segunda guerra mundial! Em sentido contrário compreendemos e aplaudimos a declaração do novo primeiro-ministro Gordon Brown que sossegou os ingleses dizendo que não seria necessário referendar o próximo tratado porque os interesses da Inglaterra seriam intransigentemente defendidos! Que contraste com o nosso governo que faz passar a mensagem infantil e ridícula que os interesses da Europa se confundem com os interesses de Portugal!
É neste quadro que faz sentido exigir mais autonomia para as autonomias, que faz sentido pensar na criação de novas regiões autónomas, áreas libertadas, imunes à ocupação ideológica que o par franco-alemão persiste em manter, contando para isso com a proverbial ‘hospitalidade’ portuguesa!
É também neste sentido que faz sentido falar em direito de resistência.

segunda-feira, julho 30, 2007

Quem promove a dependência?

Não há muito tempo a pergunta seria – quem são os traidores?
Agora não se pode falar assim, é extremamente incorrecto, o que se pode dizer agora é que estamos envolvidos num processo muito avançado de interdependências, essenciais para o desenvolvimento de uma comunidade da qual fazemos parte. E é preciso frisar a seguir que não estão em causa nem a nossa independência como estado, nem a nossa autonomia como vontade própria.
Posto isto, a realidade dos pequenos gestos e a política em concreto, vão revelando o contrário!
A verdade é que todos os dias promovemos a dependência, por querer ou sem querer não interessa, todos os dias se faz passar a ideia que não existe alternativa a esta união europeia, quando toda a gente sabe ou devia saber que vivemos oito séculos a desmentir essa ficção! Mas não existe melhor exemplo para aferir do estado mental de dependência em que vivemos do que assistir a um telejornal da televisão pública! Aí, sem sofismas de qualquer espécie, parece existir a obrigatoriedade de falar sempre no Benfica, Sporting e Porto, existam ou não notícias relevantes sobre os mesmos! Dos outros concorrentes não se fala, é como se não existissem! E tudo isto acontece perante a aprovação geral da nação! Quando se chega a este conceito redutor, quando se atinge este ponto, qualquer pessoa medianamente inteligente percebe que já não temos condições sequer para organizar um campeonato nacional de futebol! Até para um torneio de sueca… falta um parceiro! Claro que podemos continuar a fingir, a justificarmo-nos com as audiências, com a globalização, com a China…mas sabemos que são meros expedientes para não enfrentarmos a nossa realidade.
Por isso soam a falso as preocupações daqueles que temem pela não aplicação da lei da república no arquipélago da Madeira. Quem não promove a sua própria autonomia é sempre suspeito de querer arrastar os outros para a mesma situação.

sábado, julho 28, 2007

No limite

Vivi hoje o primeiro dia da clandestinidade, alistei-me no exército de todas as autonomias, a táctica da guerrilha é o regionalismo. Só assim conseguiremos escapar ao destino fatal, que nem sequer estava escrito nas estrelas, tão óbvio é o seu desenlace. Não precisámos de Saramago para o antecipar, basta olhar para a nação, rendida, relativizada, vazia e descerebrada! E o que ela gosta de trair, de ser possuída, tão contente e distraída. Inventa doutrinas para ser escravizada!... E não precisa! Basta continuar a rever o conceito de ‘lei da república’, o Vital ensina... como e quando convém! Será agora do Minho à Madeira?! E a seguir, até onde vai? Ou já não começa no Minho, mas em Tuy!
Se querem ser todos do mesmo partido, ou do mesmo clube, pois que sejam! É uma opção, avante camaradas, eu prefiro a diversidade, a multiplicidade, para garantir o desenvolvimento e a coesão, para me defender das teorias deslizantes, globalizantes, a vinte e sete, a trinta e oito, a passo de cavalo cansado.
Não estou à venda, quero viver segundo os valores em que acredito, não estou para ser perseguido pela ‘lei da república’, que sistemáticamente os nega ou ignora! Separemo-nos a bem, as autonomias servem para isso, para coexistir sem dramas nem prepotências do governo central.
Um rei há-de assegurar a unidade.
“E outra vez conquistemos a distância, do mar ou outra, mas que seja nossa”.

quarta-feira, julho 25, 2007

O bode expiatório

No Dia da Expiação dois bodes eram presentes ao altar do Templo e um deles era escolhido para ser sacrificado. O outro tornava-se o bode expiatório e nesse sentido o sacerdote punha as mãos sobre os cornos do animal e confessava os pecados do povo de Israel. De seguida o bode era solto, levando consigo os pecados de toda a gente.

Numa ousada transposição lembro-me dos actuais padecimentos de Vale e Azevedo desde que perdeu as eleições para a presidência do Benfica. Os que entretanto o substituíram não perderam tempo a acusá-lo de todas as patifarias possíveis e imaginárias, sendo nessa tarefa apoiados pela generalidade da comunicação social.
Neste enredo, e com a concordância universal, o Benfica aparece como vítima inocente não obstante tais ‘patifarias’ terem sido praticadas no desempenho legítimo do cargo de presidente do clube! O argumento, é que terá lesado o Benfica com a sua gestão e que tudo o que fez foi em benefício próprio! Dentro desta lógica terá contratado jogadores, valorizado e desvalorizado terrenos, falsificado documentos, chegando ao ponto de rasgar os contratos com a Olivedesportos!
Há alguém que acredite nisto?! E ainda que assim fosse, agiu em representação do Clube, era o presidente incontestado, eleito e apoiado por uma larga maioria de associados. A não ser que o sufrágio e os votos sirvam, ao contrário do que se pensava, para isentar e irresponsabilizar as pessoas colectivas!!!
Curiosamente, ou talvez não, estamos agora a assistir a um conjunto de acções, de legalidade duvidosa, e que são uma cópia fiel daquilo que Vale e Azevedo tentou fazer no sentido de se libertar da tutela audiovisual da Olivedesportos! Desde falsas ‘opas’, especulações bolsistas, que se fossem intentadas por outras entidades já teriam sido severamente punidas, vale tudo, menos …Vale e Azevedo!
É a velha tradição do bode expiatório!

Post-Scriptum: Não conheço Vale e Azevedo, e na altura denunciei a arrogância e todas as manobras a que se permitia, a coberto da presidência do Benfica No entanto, sempre estive convencido, e ainda estou, que tudo o que fez foi a pensar no Benfica. Fica a sensação que o único erro que cometeu foi ter perdido as eleições!

segunda-feira, julho 23, 2007

Morgado no país dos futebóis

Tenho alguma simpatia pela Procuradora-Adjunta, vêm-me à memória os tempos conturbados da Faculdade de Direito, em que ser do MRPP significava ter alguma coragem para não ser do PCP ou de algum dos seus múltiplos satélites! Claro que esta simpatia estudantil não desculpa (nem desculpava) os excessos cometidos, nem faz ou fazia esquecer as absurdas utopias que transportavam nas suas bandeiras! Entretanto acalmaram, cresceram, reciclaram-se, mas não perderam o hábito de se julgarem acima de qualquer suspeita, abrigando também nesse manto impoluto todos os seus colaboradores! Trata-se a meu ver de uma manifestação de superioridade moral e cívica que não abona em favor da humildade ou de outra virtude conhecida. As palavras não são minhas e li-as onde toda a gente as pode ler – “ a minha equipa de investigação está acima de qualquer suspeita”! E sugeriu que o mesmo poderia não se aplicar a outros intervenientes no processo!
Pois bem, há muito que o chamado apito dourado passou a apito envenenado, nomeadamente desde que aceitou analisar com intuitos probatórios um livro escrito por uma amante desavinda, que no furor da vingança se mudou de armas e bagagens para o clube rival. No mesmo sentido seguiu o processo, tornando-se, sem querer, num instrumento da rivalidade futebolística entre o Porto e Lisboa, ou numa acepção mais abrangente e perigosa, entre o norte e o sul!
A Procuradora, que afinal não é infalível, cometeu entretanto um erro fatal e que há-de sepultar todo este processo: sentindo-se ofendida com as declarações da outra gémea Salgado, anunciou processá-la! Face à desigualdade e à desproporção de meios será sempre uma vitória de Pirro, e que quanto maior for, pior será a derrota.
É preciso não esquecer que estamos no país dos futebóis.

sexta-feira, julho 20, 2007

O inquilino de Belém

Um dia havia de ser e aproveitando alguma polémica gerada pela ‘nação carente’ aqui fica o meu pensamento sobre os direitos e deveres dos inquilinos do Palácio de Belém. A ideia é no entanto mais abrangente e estende-se ao respeito pela herança, à relação entre o ocupante e o proprietário legítimo.
Não temos dúvidas que se trata de uma ocupação republicana em sentido estrito, visando apropriar-se de algo que julga ser seu por ser do povo, domínio público que deve ser nacionalizado. Tem o sabor ou o travo de uma desforra perante o inimigo vencido, foi com a mesma índole que se transformaram em quartéis antigos Conventos e Capelas. É um episódio de guerra civil, é a vida nos países ocupados, mas não deveria ser assim nas comunidades que se reclamam da mesma herança! Que gostam de cantar o mesmo hino! O problema é que não gostamos nem desgostamos, e porque somos incapazes de receber condignamente a herança, de a integrar no dia a dia das nossas vidas, somos também incapazes de transmitir seja o que for, refiro-me aos valores que conformam a identidade de um povo!
Mas voltemos ao Palácio de Belém para dizer que o proprietário legítimo não é o povo, mas a história desse povo, que deve também incluir os vindouros, se quisermos que a história continue, vindouros que têm naturais e justas expectativas em relação à herança que nós já recebemos. E a herança não é um museu, ao contrário do que muitos praticam, é antes sinal de vida, sinal de futuro.
O pensamento já vai longo e não queria terminar sem deixar também aqui um sinal de esperança, e por isso espero que não tenhamos que chegar à conclusão que seria mais prático e mais pacífico construirmos uma residência de raiz para os presidentes da república, residência que não teria naturalmente Capela, sem os riscos portanto de ser profanada, nem a tentação de ofender os católicos.

quarta-feira, julho 18, 2007

Sampaio e Rego

E toda a “Nação Carente” revisitada numa ode que só poderia ter sido escrita por alguém que não se resigna 'a esta apagada e vil tristeza’!
Parabéns e obrigado.

terça-feira, julho 17, 2007

Natureza e Nação

São ainda os ecos da “Marselhesa” que resolvi trazer para a luz do dia – “Saudações a todos os que repôem a verdade histórica, e omitem silenciosamente o facto de que a União Europeia continua a manter a paz, coisa que o Santo Nacionalismo nunca conseguiu fazer – mas enfim, como já Julius Evola dizia que a guerra é que é bom...”!
Por isso respondi – ‘Paz na terra aos homens de boa vontade! Mas Glória a Deus nas alturas!
Limpa primeiro a tua casa e a seguir ajuda na dos outros. Não se trata de santificar o nacionalismo mas de estabelecer uma ordem de prioridades. E quando abdicares dos teus princípios, fá-lo com a coragem da totalidade.
Houve e há guerra na Europa, se pensarmos que na europa se contêm os Balcãs. No condomínio fechado que erguemos, de facto, ainda não houve. Mas o preço dessa paz, para nós portugueses, foi e é altíssimo. Abandonámos todas as colónias deixando para trás a desolação e a guerra. Rasgámos tratados, desonrámos e traímos povos que esperavam mais da nossa nobreza. Nobreza, palavra estranha, sem uso corrente!
E já sabemos (já sabíamos) onde irá desembocar a nossa união europeia. Será uma nova experiência de união ibérica. A anterior, dizem os entendidos, foi desastrosa para os nossos interesses. Claro que poderemos sempre questionar se Portugal tem interesses próprios’.

segunda-feira, julho 16, 2007

O sufrágio, ai, ai!

Não é vira, nem malhão e antes que me venham papaguear a frase do Churchill, repito o que venho dizendo no interregno, long time ago: Winston tinha em mente a Inglaterra, onde existia, e existe, pelo menos um órgão político que não é eleito pelos contemporâneos – a Chefia de Estado. Agora já posso prosseguir com o ai, ai, do sufrágio e para concluir que assim não vamos a lado nenhum. Já não bastavam os partidos metidos a martelo nas autarquias, já não bastava o Governo a concorrer à Câmara de Lisboa, para ainda termos que aguentar com o ridículo das manifestações de alegria pela vitória do comissário Costa, vitória essa que não é mais que uma pesadíssima derrota da partidocracia vigente! Verdade que até para aquelas explosões de contentamento houve que recorrer às célebres ‘camionetas à província’ para dar algum colorido à festarola! E para que não lhes faltasse nada, Sócrates encarregou-se de fazer um inflamado discurso aos ‘lisboetas’ de encomenda, que ao que parece tinham vindo do Alandroal!
É caso para perguntar como os brasileiros: mas eles não se enxergam?!
Não perceberam que o sufrágio, acoplado ao sistema republicano de partidos, já produziu todo o mal que havia para produzir na comunidade onde vigora! Não perceberam que a desconfiança na política e nos políticos é total e que as tentativas esfarrapadas para dar alguma legitimidade aos eleitos já não convencem ninguém!
Vejamos os números numa perspectiva futebolística para que se tornem mais convincentes: Costa com os seus 58.000 votos não conseguiu encher o estádio da Luz! Carmona e Negrão somaram 63.000 votos, e não fosse a arma do arguido, teriam conseguido encher o estádio da Luz! Roseta, que recolheu 20.000 votos, conseguiu uma boa assistência na primeira Liga!
Daqui para a frente iremos por certo assistir às tentativas por parte do Governo para consumar a união nacional na Câmara, antecâmara da prevista união nacional!
E já sem sufrágio!

sábado, julho 14, 2007

Dia de reflexão

Enquanto as ‘tropas dos 27’ desfilam nos Campos Elíseos, celebrando ao que tudo indica a festa e os valores desta Europa, em Lisboa, os lisboetas entraram em período de reflexão!
Reflictamos pois!
Desfile tão participado só pode querer significar que a ‘constituição europeia’, mascarada de ‘tratado’ por razões referendárias, será rapidamente aprovada pelos respectivos parlamentos, longe portanto da incomodidade popular. O que faz todo o sentido, na medida em o dito ‘tratado’ consigna e traduz a Europa dos comissários que estamos a construir.
Semelhante paralelismo merece reflexão em Lisboa! Do voto de uns poucos milhares de portugueses, o que resta de uma cidade que já foi populosa, dependem uma série de projectos e decisões que irão afectar o país inteiro, ou seja, milhões de habitantes! Desde o aeroporto internacional, às vias-férreas estruturantes, à perspectiva da nossa vocação atlântica, que foi sempre a base de uma difícil independência, tudo isso acaba por estar em jogo nas eleições de Domingo. Que responsabilidade desmedida!
Será talvez por isso que o Governo não resistiu e resolveu lançar uma candidatura à Câmara de Lisboa?!
Sem ironia, precisamos todos de reflectir, clareza precisa-se, exemplo que tem que vir de cima, para que possamos ser claros uns com os outros. Já chega de mentiras.

quinta-feira, julho 12, 2007

Fado

Vamos lá, cantem comigo, todos, tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado! Muito bem!
Comecemos então pela pescadinha de rabo na boca, que vai a concurso com receita ribeirinha de José Miguel Júdice! Não sendo possível perguntar aos eternos comensais o que pensam deste conhecido prato, oiçamos alguns dos concorrentes a chefes de cozinha, por exemplo, Manuel Monteiro, que conforme se pode ler no DN de ontem, achou a pescadinha um bocadinho indigesta:

“António Costa deveria imediatamente pedir a José Miguel Júdice que se demita de seu mandatário. Estamos a assistir a uma autêntica indignidade política” e prosseguiu, “António Costa ocultou aos cidadãos de Lisboa que o primeiro-ministro já tinha convidado José Miguel Júdice para ser o responsável pela recuperação da zona ribeirinha. É batota, é indigno que um candidato a presidente da Câmara diga que vai fazer obras na zona ribeirinha da cidade, quando o primeiro-ministro desse partido já tinha nomeado o seu mandatário para comandar essa recuperação”.
A finalizar, o ex-líder do CDS ainda lançou a António Costa uma pergunta que ameaça deixar a pescadinha intragável: “No caso de vencer as eleições, tenciona dar ao escritório de José Miguel Júdice o trabalho jurídico da Câmara de Lisboa? E rematou – “Apesar de vivermos numa democracia, temos hoje políticos que enriqueceram mais ao fim de quinze anos do que muitos outros durante o chamado fascismo”.

Sem comentários. Apenas acrescento que é natural que muito em breve assistamos na RTP a uma entrevista justificativa por parte deste futuro comissário ribeirinho! Aliás, o canal público de televisão tem vindo a especializar-se em maquillage e retoques de imagem em tudo o que mexe com o regime em vigor. Dentro desse âmbito vai hoje para o ar uma conversa em família sobre o ‘biombo chinês’. Vejam, deve ser divertido.

quarta-feira, julho 11, 2007

Vale tudo...

"Sombras Chinesas" - "O mistério dos chineses que queriam comprar o Benfica está resolvido: a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que é a polícia da Bolsa, investigou e chegou à conclusão de que o “alegado investidor chinês”, conforme classifica em comunicado, já não avança com a operação. Como soube a CMVM?


A sua investigação conduziu-a a um advogado que comunicou que o seu cliente “perdeu o interesse na aquisição de participações sociais” da SAD do Benfica. Caso resolvido! E o que ficou para trás? Pelo menos um grupo chinês desconhecido, que veiculou o seu alegado interesse por um jornal, motivou uma movimentação anormal com as acções do Benfica e quem comprou a 3,50 euros e vendeu a 6,11 lá fez a sua boa jorna... Quem não percebe nada de Bolsa pergunta-se: quem são, afinal, os ‘investidores chineses’? Isto não cheira a manipulação do mercado? O caso fica por aqui? Não há ninguém a quem pedir um pouco mais de responsabilidades? Terá sido um movimento normal do mercado que vinte minutos depois da reabertura tenham sido transaccionadas 81 mil acções de um único lote, com um lucro de 196 mil euros? Agora que já percebemos todos que o “alegado investidor chinês” não é mais do que uma verdadeira sombra chinesa, seria bom que a CMVM esclarecesse, a bem da sua própria credibilidade, quem é que, afinal, ganhou com toda esta ópera bufa."
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Reproduzo, com a devida vénia, o editorial do CM de hoje , da autoria de Eduardo Dâmaso.

segunda-feira, julho 09, 2007

A oitava maravilha

Só a memória sobreviverá, só quem a conserva ou possui será mestre do seu futuro! Só ela tem capacidade para iluminar a história, não para a relativizar ou menorizar, mas para a integrar nesse esforço contínuo de compreensão e elevação espiritual que justifica o destino do homem!
A sociedade contemporânea não tem memória, limita-se a seleccionar produtos, para vender ou comprar dentro do respectivo prazo de validade, e por isso, aquilo a que assistimos no dia sete do sete de dois mil e sete foi mais um desses exercícios de vaidade devoradora que a história se encarregará de esquecer.
Visto de longe, o concurso parecia um jogo de matraquilhos com os actuais residentes do planeta empenhados em levar a taça para casa! Nesse aspecto o sufrágio, desta vez á distância de um clique, mostrou novamente a sua fragilidade, ordenando as ‘maravilhas’ de acordo com as vantagens populacionais das várias regiões ou nacionalismos! Assim, ganharam naturalmente os chineses, indianos, sul-americanos, das duas matrizes conhecidas, islâmicos e…o Coliseu de Roma!
As reticências sobre o Coliseu de Roma confirmam o carácter do evento, também ele realizado num coliseu da era moderna, mas realçam a singular coincidência de ter sido uma antiga colónia portuguesa que garantiu o único sopro de Cristianismo que se viveu naquela noite!
Obrigado Brasil!

Post-Scriptum: “A oitava maravilha do mundo” foi uma expressão divulgada pelos jornais ingleses em 1955, depois da respectiva selecção de futebol ter sido batida pela equipa das quinas, o que acontecia pela primeira vez. A oitava maravilha, herói do jogo, foi Matateu, o inesquecível avançado do Belenenses!

Prepara-te para a Marselhesa

Já começaram os preparativos para celebrar condignamente o 14 de Julho, dia da Tomada da Bastilha e dia nacional de França. Na tribuna de honra, assistirão ao desfile militar que percorre os Campos Elíseos, todos os presidentes de todos órgãos que compõem a parafernália europeia. Sócrates e Durão Barroso, lado a lado, em uníssono, talvez trauteiem o “Allons enfants de la Patrie…”!
Lá como cá, franceses e portugueses, têm o estranho hábito de comemorar guerras civis, e no caso da França foram mais longe, impondo a data como dia nacional, o que para mentes retorcidas como a minha, causa sempre algum espanto e desagrado.
Porquê, se a música é tão ‘linda’!
Trata-se de um exercício de memória! Quem se lembra da guilhotina, dos milhares de condenados, dos milhares de inocentes, do terror institucionalizado, não consegue desligar nem desligar-se. Quem se lembra do consulado napoleónico que pôs a Europa a ferro e fogo, que invadiu e saqueou Portugal por três vezes, que tentou destruir as convicções religiosas europeias em nome do primado de um império laico e republicano, também não. E se relacionar, sem querer, as novas tentativas para descristianizar a Europa com as outras, mais antigas…mais preocupado fica.
Coisas do passado, dirão, que não dizem nada às gerações vindouras, estamos a construir um projecto único, comum, que exclui a força das armas, é tudo negociado entre nós, sem referendos, podem estar sossegados!
Pois então continuem a cantar a Marselhesa. Eu não.

sexta-feira, julho 06, 2007

Afinal era golpe...

“Hoje percebe-se que havia uma vontade de nos querer tirar da Câmara” observou Carmona Rodrigues quando se ficou a saber que o tribunal decidiu arquivar as acusações ao antigo vice-presidente Fontão de Carvalho no chamado caso EPUL! E acrescentou – “Não podemos ficar calados perante aqueles que usaram o que estava a passar-se no sistema judicial para tirar ilacções políticas”.
Tudo isto aconteceu num dia em que as sondagens não conseguem empurrar o ‘Costa do governo’ para a maioria esperada, nem conseguem interromper a ascenção de Carmona, que sobe paulatinamente nas intenções de voto dos lisboetas, preparando-se para ultrapassar Negrão!
Já por aqui tinhamos denunciado a instrumentalização da figura do arguido como pretexto para golpes políticos palacianos; já tinhamos também denunciado o apetite voraz de que é vítima a Câmara Municipal de Lisboa! Que não obstante o pregão de falência técnica, leva tanta gente a interessar-se por ela, ao ponto de perder a cabeça ou de trocar de afeições políticas e partidárias. Tudo em nome de Lisboa...coitada.
Faltam poucos dias para as eleições, e enquanto a polémica sobre o aeroporto jaz em conveniente silêncio, eu só espero que Lisboa resista a tanto enlevo, tanta jura de amor, tanto plano e promessa de obra!
Não vai ser fácil.

quarta-feira, julho 04, 2007

“Oh pulgas lusitanas...”

Pimpões pela Europa, o mundo é pequeno para tanta divagação, parece assombração, pois como dizia vossa mercê o desenvolvimento sustentável, entre outras lindezas tamanhas, é o grande objectivo da nossa presidência! Se bem captei a mensagem, oh zé aperta o laço, aperta o cinto, não te esqueças de me apertar o pescoço, pudera, a vida corre-te bem, já viram que somos iguais aos outros, na fotografia, ao jantar, ouvindo Beethowen... Mas não é o que parece, também dá trabalho, amanhá ou depois vou ter que discursar aos africanos, em África!
Mas senhor ministro, aqui na terra como no mar, a gente não pesca nada, não temos vantagem! Oh rapaz, você está a propor que abandonemos a união europeia! Uma opinião que nem eu nem o governo subscrevemos. Tenha juizo, a dizer barbaridades na frente do senhor comissário, o que é que ele vai pensar de nós!
Seremos o farol que orienta os navegantes, a feira dos mil eventos, por mês, por dia, congressos ao pequeno-almoço, finais e finalíssimas de todas as espécies, concursos, ainda querem mais?! Estamos no mapa como nunca estivemos, olham para nós, olham para mim, por favor, não comparem...
Euro excluído, infra falido, sufocado em impostos, para onde irá o dinheiro, boa pergunta, essas maravilhas não passam pela minha algibeira, nem percebo metade do que diz, não distingo os órgãos para além dos meus, e ando bastante adoentado por sinal. Oiça, estamos fartos de pessimismo, de lamúrias, isso pertence ao passado, não há razão nenhuma para não estarmos na primeira linha do desenvolvimento sustentado...eu já disse esta frase… não vou portanto repetir-me, quero apenas reafirmar uma coisa muito simples – estou absolutamente convicto que será nesta presidência que a europa vai entrar nos eixos!
Não duvido, mas eu estou mais preocupado com o salário mínimo lá de casa, com a minha reforma, com o fosso… Oh homem acabe lá com essa conversa miserabilista, e além do mais egoísta, nós aqui a mudarmos o mundo e vem você com pieguices! Com franqueza.

Título inspirado num verso de Jorge de Sena. Texto inspirado nos discursos da presidência portuguesa da união europeia.

segunda-feira, julho 02, 2007

Dom Manuel II

No dia 2 de Julho de 1932, morreu em Londres, onde estava exilado, o último Rei de Portugal, Dom Manuel II. Um ataque súbito, inesperado, ceifou a vida do ainda jovem monarca, quando tinha apenas quarenta e dois anos.
Passaram entretanto setenta e cinco anos, uma eternidade na memória dos portugueses, pouco afoitos ou interessados em recordar a sua gesta ou raízes! Por isso a figura de Dom Manuel, à semelhança de outros reis da nossa história, pouco diz à grande maioria dos portugueses que, ou desconhecem, ou têm deles uma imagem distorcida pela propaganda republicana! É pena, e não é bom para ninguém. No caso deste infeliz monarca, é uma dupla injustiça, uma triste ingratidão.
Com as limitações do exílio, Dom Manuel foi um exemplo de português, afirmou sempre bem alto o seu patriotismo, onde quer que estivesse, em todas as suas iniciativas, sem nunca renegar os deveres de um monarca, ainda que deposto. E isso foi reconhecido mais tarde pelos próprios republicanos.
Em sua memória celebra-se hoje pelas 19 horas uma missa de sufrágio no Mosteiro de São Vicente de Fora.
Assistirão ao acto os Duques de Bragança, Senhor Dom Duarte e a Senhora D. Isabel.

domingo, julho 01, 2007

Travessa da Pátria

É uma rua apertada, já teve vida, foi alegre, mas hoje pouca gente lá mora!
Muitos dos que a abandonaram seguiram outros caminhos, preferiram outras avenidas, sem os sacrifícios da casa antiga ou a incomodidade de velhos compromissos. O condomínio fechado é outra coisa, não trouxe a independência esperada, antes pelo contrário, mas trouxe um momentâneo bem-estar, a sensação de riqueza e importância que alguns precisavam, e não lhes levo a mal por isso. Eu por cá continuo, não consigo mudar, e vou gastando as palavras na inutilidade do tempo ou com os raros habitantes que ainda frequentam tão remoto lugar.
Travessa da Pátria, é assim que se chama a minha rua e talvez porque sempre aqui vivi, não lhe encontro defeitos, acho-a do tamanho certo, com jeito e umas pequenas reformas, penso que cabíamos lá todos. Mas isto sou eu a imaginar, eu que estou agarrado ao passado, como dizem alguns dos meus antigos vizinhos.
Quem sabe se não têm razão!...

sexta-feira, junho 29, 2007

Bucha e Estica outra vez!

Às vezes sinto-me recompensado!
Escrevi tanto contra o emagrecimento da primeira Liga e nem passou um ano e já toda a gente concluiu que foi um disparate! Toda a gente, ponto e vírgula, porque os promotores da ideia ainda se refugiam em argumentos patéticos, que escondem as suas reais intenções! Se bem me lembro, o entusiasmo pela redução (para dezasseis clubes) partiu da santa aliança entre os três clubes do estado, o Madaíl das selecções, e o Governo, através do secretário de Fafe, o nosso conhecido Laurentino!
Sem me esquecer naturalmente do séquito de ‘jornalistas’ afectos aos interesses imediatos de Benfica, Sporting e Porto.
Lembramo-nos também que a decisão foi tomada, como é habitual, à revelia dos homens do futebol, foi assunto de colarinho branco.
Agora, o argumento patético da ‘aliança do ponto e vírgula’ não podia ser mais esclarecedor: - “os problemas do futebol português são profundos”! Grande novidade, mas ninguém se atreve a pôr o dedo na ferida, ninguém se atreve a apontar o verdadeiro caminho, porque esse caminho passa pela inevitável dieta das três vacas sagradas que sustentamos a pão-de-ló, enquanto o resto do pessoal se contenta com as migalhas.
Não há volta a dar, uma indústria que vive da competitividade, não pode manter e alargar sistematicamente o fosso que existe entre os três clubes ditos grandes e os restantes. E estamos todos de acordo que nada se resolve com reduções ou acrescentando voltas ao campeonato, resolve-se sim, com a valorização do campeonato interno em detrimento das provas europeias e das selecções. Ou seja, resolve-se no dia em que percebermos que as casas não se constroem a partir do telhado, mas a partir dos alicerces. E como esta confusão é um problema nacional, terá de ser o Governo a dar o pontapé de saída para ver se conseguimos construir um futebol competitivo e rentável. Para o efeito convém não esquecer três verdades essenciais: a selecção vem a seguir aos clubes, os campeonatos europeus vêm a seguir aos campeonatos internos, e quando falamos em clubes, são todos os clubes.
Saudações desportivas.

quinta-feira, junho 28, 2007

Rolam cabeças no interregno...

Uma tempestade na redacção, um curto-circuito entre o ‘pc’ e a impressora, a que se devem acrescentar algumas críticas da alta autoridade lá de casa, obrigam o autor do interregno a inverter a sua linha editorial.
A censura baseia-se no estilo e na tendência para ‘dizer mal de tudo e de todos’ realidade que os mais recentes episódios postais evidenciam, não nos restando outra alternativa senão rever critérios e valores.
Diga-se, por ser verdade, que ainda opus alguma resistência a mim próprio, mas no fim de uma longa e penosa negociação, a madrugada touxe o compromisso possível: passaremos a emitir um texto por semana, reservado apenas e só, a dizer bem da situação, incluindo necessáriamente nesse abraço todos os ódios de estimação que o autor vem cultivando com desagradável persistência.
Assim, a rubrica irá para o ar em dia certo e sempre com o mesmo título, a saber: “O meu primeiro Abril”!
Espero sinceramente corresponder.

terça-feira, junho 26, 2007

Títulos de terça-feira

Não é uma viagem pela bolsa, nem prevejo para hoje qualquer opa, trata-se de exaltar as palavras dos outros num contraditório ‘à maneira’:

"Na inauguração do Museu Colecção Berardo" – “Antes, o roteiro da arte contemporânea parava em Madrid. Agora começa em Lisboa” – José Sócrates, primeiro-ministro.
“Se não fosse a ministra da cultura e o primeiro-ministro, esta colecção não estaria aqui e esse seria o meu maior desgosto” – Joe Berardo, empresário.
.
(Títulos do DN de hoje, terça-feira, 26/06/07)

“Carrilho critica acordo entre Estado e Berardo” – “É um acontecimento muito positivo com o qual só nos podemos congratular. Trata-se de uma colecção de arte sem igual entre nós. Sempre defendi este projecto, sempre incentivei o comendador Berardo nesse sentido…” (Mas)
…“O acordo alcançado justifica algumas preocupações. Nem o Estado esteve à altura de todas as suas responsabilidades na defesa do interesse público, nem o comendador Berardo teve a grandeza filantrópica, mecenática, que a sua exuberância financeira justificaria e o país sem dúvida esperaria.”
(…)
(Haveria outra solução para instalar o Museu?)
“Penso que sim, embora exigisse mais visão e perspicácia na negociação. Ainda que a única opção fosse a da compra (O Estado adquirirá até 2016 a colecção por 316 milhões de euros ou, em alternativa Berardo disporá dela como entender) o valor estabelecido deveria ter sido o do seu efectivo custo e não a partir da avaliação de uma leiloeira que naturalmente, multiplicou o preço por cinco ou por seis. O Estado corre assim o risco imprudente de se ver envolvido numa operação especulativa privada e sobretudo sem quaisquer meios para a controlar ou impedir. Temo que no futuro isto coloque problemas graves ao Estado português. Por isso a revisão do acordo deve estar já na ordem do dia…” – Manuel Maria Carrilho, ex-ministro da Cultura.

Excertos da entrevista realizada pelo jornalista Pedro Correia e publicada no DN de hoje, terça-feira, dia 26/06/07, que com a devida vénia transcrevo.

segunda-feira, junho 25, 2007

Recebe as flores…

Ângela, receba as flores que eu lhe dou…sinal de rendição aos atributos e virtudes de tão proeminente figura! Homenagem coroada com um beijo, no mínimo caloroso. Foi assim, ao ritmo de um tango discutível que o nosso José Manuel entrou indiscutivelmente para história de mais um congresso europeu, que se não é um concurso de dança, está cheio de bailarinos!
Não me perguntem por ninharias, não me questionem sobre passes, voltas e outras acrobacias, porque isso faz parte do espectáculo, todos sabemos que o concurso foi um êxito, o par polaco, desta vez constituído por irmãos gémeos, esteve quase a ganhar, mas a tradição ainda é o que era, e por isso, o par franco–alemão vai levando a àgua ao seu moínho. Os ingleses ganham sempre!
Quanto aos portugueses já se sabe que a vida deles é isto, querem é concursos de dança, porque se eles acabam ficam desempregados. Nem sabem o que hão-de fazer!
Para ser mais concreto em relação ao que de facto se passou posso adiantar que o bouquet tinha rosas, jarros vermelhos, hortenses roxas, e gipsofila branca para enfeitar.

domingo, junho 24, 2007

O Anuário das desigualdades

Como é hábito, uma vez por ano e em colaboração com o jornal “A Bola”, a empresa Deloitte publica sem o saber um retrato do Portugal contemporâneo. A fotografia é a preto e branco e refere-se ao futebol como poderia referir-se a todas as vertentes da vida nacional! É caso para dizer: diz-me o futebol que tens, que eu digo-te quem és.
Vamos então fazer uma breve análise comparativa dos números apresentados mas seguindo uma orientação diferente da Deloitte e com conclusões também diferentes.

Conclusões diferentes porque o relatório daquela empresa não é neutro, expressa uma mágoa, e não parece nada interessado em apontar o caminho da salvação!

A mágoa sente-se desde a primeira página quando insiste em comparar as receitas e as despezas dos grandes clubes europeus, aqueles que militam em Ligas competitivas e rentáveis, com as receitas e despezas de Benfica Sporting e Porto, que como sabemos, dominam há mais de meio século e de forma hegemónica uma ‘indústria’ futebolística falida, que sobrevive à custa de subsídios do orçamento de estado e de aldrabices. Curioso que não se tenha lembrado de comparar os salários mínimos em vigor nesses mesmos países, Espanha, Inglaterra, França ou Alemanha, com o miserável salário mínimo português!!! E por aí é que o estudo deveria ter enveredado mas para tirar outras conclusões, que nos deviam envergonhar a todos, e ser motivo de preocupação de Governos e polícias!

O que era interessante comparar e frisar, não era o fosso que existe entre Portugal e os seus parceiros europeus, em todos os domínios, esse é um problema de política interna, tal como a regeneração do nosso futebol também é. O que temos que comparar e está ao nosso alcance corrigir, diz respeito ao fosso existente entre os três clubes chamados grandes e os restantes clubes da Liga. E não é preciso inventar nada, basta copiarmos as reformas que foram feitas, por exemplo em França, ou aqui mesmo ao lado, em Espanha. Nesse sentido o estudo da Deloitte poderia por um momento esquecer-se de comparações megalómanas e perguntar-se porque é que um clube da segunda Liga espanhola é um potencial comprador de quase todos os jogadores que alinham na primeira Liga portuguesa! Aqui é que bate o ponto.

Para o fim deixo à Vossa consideração os números da vergonha:

Super Liga (2005/06)

Custos totais:

Benfica, Sporting e Porto – 180 milhões de euros

Restantes quinze clubes ---- 95 milhões de euros

(Belenenses) ………………(7,4)

Receitas totais:

Benfica, Sporting e Porto…….149,6 milhões de euros

Restantes quinze clubes……… 89,0 milhões de euros

(Belenenses) ……………………. (6,3)

Segmentação de receitas (televisão):

Benfica, Sporting e Porto………22,6 milhões de euros

Restantes quinze clubes………...23 milhões de euros

Conclusão: Face a estes números queremos organizar que tipo de competição (escolha uma das hipóteses):

1. Campeonato nacional?

2. Campeonato litoral (a norte do Tejo)?

3. Campeonato entre pobres e ricos, com os pobres a jogarem descalços e os ricos com botas cardadas?

4. Ou preferimos continuar a sustentar os sonhos europeus de três clubes à custa do empobrecimento geral?

Nota básica: Os Presidentes da Federação e da Liga deveriam ser obrigados a responder a este inquérito. E o Governo também.

sexta-feira, junho 22, 2007

Pinóquio aviador

Os jovens da minha idade lembram-se concerteza das aventuras do pinóquio que a ‘Colecção Manecas’ publicava com regularidade e que eram para mim de leitura obrigatória.
Ainda sei de memória alguns títulos, o nosso herói foi ás do pedal, militou entre leões e outros animais bravios, mas não me recordo de ter sido aviador! Claro que em tudo o que fazia mantinha alguma prevenção evitando expor-se a consequências funestas para o seu apêndice nasal.
Mas os tempos são outros e até o pinóquio se transfigurou, está mais à vontade, desleixou-se com o nariz, que segundo consta cresce todos os dias!
Deixemos estas recordações vagamente senis para falarmos de coisas mais interessantes:
Ficámos então a saber pela imprensa diária que afinal existe uma espécie de conspiração ou negociação de corredor entre o Governo e a CIP para encenar estudos e mais estudos sobre a localização do novo aeroporto, embora a decisão já tenha sido tomada há muito! Parece inclusivamente que se fizeram promessas aos autarcas do Oeste que são agora difíceis de quebrar. E parece também que muitos dos proprietários dos terrenos a expropriar já terão actualizado os respectivos valores matriciais, o que em caso de recuo comportará muita frustração.
Assim quem continua a ficar mal na fotografia é o Governo, que enveredou pelo pior caminho possível, evasivo, esconde-se dos portugueses, anuncia verdades que logo a seguir vem desmentir, governa aos solavancos, e parece unicamente preocupado com as sondagens.
A própria comunicação social, até à data indefectível, começa a dar sinais de impaciência. E desconfiança. O país é o que se sabe, desconfia de si próprio.

quinta-feira, junho 21, 2007

Ataque ao Portugal Profundo

Não é a primeira vez, aconteceu há tempos por causa da Casa Pia, a blogosfera está a tornar-se incómoda, o poder republicano gosta de falar em liberdade mas não sabe conviver com ela, foi assim com o partido republicano que mal chegou ao poder cerceou as liberdades que ele próprio desfrutava durante a monarquia constitucional. Sobre a segunda republica que muitos gostam de disfarçar com a expressão ‘estado novo’, o melhor é não falar, mas o que dizer desta terceira república que chegou em Abril e prometia liberdade às catadupas!
Não há que enganar, os tiques ditatoriais multiplicam-se, ai de quem se atreva a discordar, a elevar a voz contra o arbítrio, contra o compadrio, contra a corrupção. O princípio nesta matéria parece claro: a justiça para os outros, as garantias para nós! Garantias até à exaustão, até ao esquecimento, arquive-se e ponto final.
Questionado, o discurso oficial justifica-se: o sistema está a funcionar, a separação de poderes é um pilar do sistema, devemos confiar na justiça!
Os factos porém desmentem esta esperança: as delongas processuais subvertem completamente os mais elementares princípios de justiça, e criam ao sabor das conveniências uma nova classe de cidadãos, os arguidos. Estes, uma vez constituídos, e se não tiverem por si quem lhes valha, estão condenados a apodrecer numa espécie de limbo, no desespero de uma justiça inútil.
Cientes da sua obra, os detentores do poder passaram a utilizar esta arma para intimidar todos aqueles que se atrevem a expor as mazelas da república.
Por essa razão o autor do Portugal Profundo foi constituído arguido, porque levantou a questão do diploma de Sócrates, como já tinha denunciado a impunidade no processo da Casa Pia.
Sem mais delongas daqui lhe envio uma mensagem de solidariedade.

terça-feira, junho 19, 2007

Voando entre Ota e Opa

Comecemos pela jogada de Joe Berardo, que visa em última análise apropriar-se da máquina de propaganda do nacional-benfiquismo em vigor, realizando ao mesmo tempo um desígnio preconizado por Sócrates quando ainda era comentador televisivo: ‘Lisboa já merece ter um campeão europeu’! E não se referia ao salário mínimo nacional, posicionado como sabemos, e sofremos, bastante abaixo da média europeia, referia-se, isso sim, à chamada Liga milionária!
Para que o projecto se concretize em beleza, para que o clube da Luz se transforme de novo no esplendor de Portugal, símbolo da emergente quarta república, é preciso em primeiro lugar abater definitivamente o poder do norte, e para isso contamos com a crise generalizada da indústria, quase toda sedeada naquela região, e com a dependência cada vez maior da nossa economia dos subsídios governamentais, naturalmente centralizados em Lisboa. Esta estratégia é complementada com a ‘justiça’ do apito dourado, mantendo assim a pressão sobre todos os clubes (e autarcas) do norte, especialmente sobre o presidente do Futebol Clube do Porto.
É preciso no entanto secar uma fonte de alimentação laboriosamente construída pelos manos Oliveiras nos últimos trinta anos, as transmissões televisivas de futebol! À primeira vista não se percebe para que precisa o clube da águia de mais televisão, se já abre todos os dias os telejornais dos canais públicos e privados, existam ou não notícias relevantes! Mas a lógica do mercado é esta, o país é pequeno e não comporta dois galos na mesma capoeira, ainda por cima um galo do norte, umbilicalmente ligado ao Porto. Em abono desta tese veja-se como reagiu Joaquim Oliveira à Opa de Berardo.
Mas o mais interessante disto tudo é a previsão de um reacender da guerra norte/sul com o futuro aeroporto metido ao barulho! Ninguém quer falar sobre o assunto mas a localização do novo aeroporto em Ota, faz sombra e põe em cheque o movimento do aeroporto Sá Carneiro, e não é por acaso que a Associação Comercial do Porto co-financiou o estudo sobre Alcochete, como se mostra disponível para apoiar um outro estudo sobre a alternativa “Portela mais um”.
E volta a falar-se de regionalismo como única forma de evitar por um lado, a desertificação do país, e por outro, opor um dique à antropofagia da capital, transformada ela própria em instrumento perverso da globalização. Perverso porque ao contrário do que têm feito as regiões autónomas, que investem bem o dinheiro que recebem, o poder central vem desbaratando os enormes recursos que controla, ao sabor de apetites e conveniências partidárias.
Estou porventura a delirar mas não fui eu que denunciei a aliança perigosa e perniciosa entre o futebol, a política, e os negócios menos claros, foi a doutora Morgado!
O que eu sempre denunciei e onde ando muito desacompanhado, tem a ver com a vocação perigosa e perniciosa da república para utilizar o futebol como elemento de propaganda política.
Basta lembrarmo-nos da plateia de notáveis na célebre final de Sevilha!

sábado, junho 16, 2007

Um clube do outro mundo

O sotaque madeirense esconde afinal um coração encarnado, não estava ali para ajudar o Marítimo, o Nacional ou mesmo a Camacha, veio em socorro do Benfica, que precisa de resolver os seus problemas e todos somos poucos nesse desígnio nacional.
A verdade é que o Benfica cresceu mais que o país, é um clube universal, alguns vão mais longe e sugerem que é um clube do outro mundo, também é pacífico que o que é bom para o Benfica é bom para Portugal, e vice-versa, então porque esperamos para fazer as necessárias reformas que recoloquem o clube da Luz no seu justo pedestal!
Apressemos o novo aeroporto que decerto comportará uma pista especial para as tais viagens interplanetárias! Porque hesitamos nos símbolos nacionais, uma águia poisa em qualquer quina! Por quanto tempo mais vamos tolerar que o Porto compre os jogadores que o Benfica quer comprar! E mesmo sobre as leis de jogo, está tudo em aberto.
Porque tudo é preferível ao sobressalto constante em que vivemos, a esta inquietação nacional, sem sabermos se o Benfica está bem ou se precisa de mais alguma coisa, sujeitos a que o seu presidente nos interrompa o jantar a queixar-se de perseguições várias. Nós queremos ajudar, isso que fique claro, não queremos por exemplo ver o Benfica envolvido em negócios duvidosos, não queremos ser tomados por parvos com a recente aparição da figura bolsista do investidor benfeitor, queremos no fundo um pouco de paz e sossego. E alguma decência por parte dos organismos públicos e semi-públicos.
E gostaríamos de saber uma coisa: quando o Benfica ganha, quem é que perde?

quarta-feira, junho 13, 2007

Camões por nós

Vi jeitos do homem ser saneado nos dias tumultuosos de Abril, associaram-no ao Estado Novo, às longas celebrações do dez de Junho, à guerra colonial, por tudo isso, Camões estava no banco dos réus!
Mas a memória é curta, porque por outras provações já tinha passado o poeta enquanto morto!
Pode dizer-se que tudo começou em 1880, numa iniciativa para celebrar o terceiro centenário da sua morte, data entretanto adquirida através de um documento perdido na Torre do Tombo. As comemorações foram um êxito o que aguçou o apetite do emergente partido republicano decidido a apropriar-se de Luís Vaz. Apropriou-se primeiro da Câmara de Lisboa e de imediato decretou o dia dez de Junho como feriado municipal. A estratégia era clara, tratava-se de assegurar uma solenidade laica e republicana que fizesse o contraponto com a festa religiosa e popular do Santo António. Aproveitava ainda o clima de confusão e de arraial para realizar as suas manifestações contra a monarquia.
Camões estava de novo em maus lençóis, tornara-se republicano e ateu! E carbonário!
A partir daqui, a vida do poeta transformou-se num verdadeiro inferno:
O Camões republicano é sucessivamente confrontado com o verso e o reverso da mesma medalha, exibe pedigree e é molestado por isso, vai defender as colónias e é criticado por isso, sem saber mais o que fazer, disfarça-se com múltiplos apelidos, e hoje em dia, no seu dia, faz tournées para animar os emigrantes.
Se fosse vivo, se soubesse da independência a perder-se, exclamaria como da outra vez – “Antes a morte que tal sorte”!

Post-Scriptum: Para memória futura esclarece-se que a expressão “Dia da Raça” foi introduzida em 1924, curiosamente ainda na vigência da primeira República. O Estado Novo, uma vez entronizado, recuperou aquela expressão, instituiu o feriado nacional, passando o ‘dez de Junho’ a ser também designado como Dia de Portugal. Com o 25 de Abril de 1974, a terceira República resolveu apagar a Raça e exaltar a emigração.
Portanto, e até ver, a certidão de narrativa completa do ‘dez de Junho’ é a seguinte: Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

terça-feira, junho 12, 2007

A lembrança das datas

É uma expressão de um poeta exasperado com este circuito infernal marcado pelo tempo, que enquadra toda a nossa existência, desde o dia em que nascemos até aquele, mais silencioso e menos festivo em que morremos. Mas também serve a memória dos outros, conjuga todas as referências, constrói calendários, pode dizer-se que vivemos ao ritmo e ao sabor das datas. A esta condição escapam os eremitas que se perderam no deserto ou os pobres de espírito a quem está reservado o Reino dos Céus.
Ainda assim vai alguma distância entre a lembrança da data e a respectiva celebração! Assim como existe diferença entre as datas que têm uma ressonância individual, sejam comandadas pela Fé ou pela afectividade, e as outras, impostas pela comunidade política, que normalmente servem a propaganda de determinada facção.
Diga-se que o surto comemorativo desta última espécie também pode ser datado. E não andamos longe da verdade se o situarmos algures entre a impotência que nasce da decadência, ou a decadência que nasce da impotência! Entre nós, a maleita desenvolveu-se muito durante o século dezanove, transformando-se em epidemia por todo o século vinte e até aos nossos dias!
Hoje em dia, todos os dias são de alguém ou de alguma coisa, e esperamos ansiosamente pelo dia que não seja de ninguém nem de coisa nenhuma!

sexta-feira, junho 08, 2007

Descubra as diferenças

Os nossos vizinhos também fizeram o mesmo concurso que nós, também escolheram pelo telefone “Os grandes espanhóis”, e fizeram-no sem dramas, sem complexos, em clima de entretenimento, foi momento de cultura e de festa comum! O tema serviu para unir os espanhóis e para levantar bem alto o nome da Espanha.
Isto é o que qualquer observador conclui quando olha para os nomes que ocupam os dez primeiros lugares: o Rei Juan Carlos ganhou naturalmente, ele é o indiscutível representante de todos os espanhóis, e da sua história, é a imagem da grande potência que é hoje a Espanha. Ladeiam-no no pódium, Miguel Cervantes, imortal criador de Dom Quixote de La Mancha, e o navegador ‘português’ Cristóvão Colombo! Mas também a Rainha Sofia e o Príncipe Filipe estão entre os primeiros. Sem surpresa, a alma espanhola não se esqueceu de Santa Tereza de Ávila! Completam o quadro dos mais votados, o grande cientista Ramon e Cajal, o pintor Pablo Picasso, assim como Francisco Suarez e Filipe Gonzalez, primeiros-ministros que ajudaram a Espanha a fazer a transição do franquismo para a monarquia plena!
Que diferença para o que aconteceu entre nós!
Ressabiados, usámos o concurso como arma de arremesso, uns contra os outros, resvalámos como sempre para o jogo infantil dos bons e dos maus, e não conseguimos fazer justiça a ninguém.
Eu sei que era só um concurso…mas que diferença!

quinta-feira, junho 07, 2007

A Procissão do Corpo de Deus

" A solenidade litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como 'Corpo de Deus', começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liége, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da Bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de Missa e ofício próprios.
Teria chegado a Portugal nos finais do século XIII e tomou a designação de Festa do Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60º dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a última Ceia de Quinta-Feira Santa."
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in "Agência Ecclesia"

quarta-feira, junho 06, 2007

Eu desconfio, tu desconfias...

Não existe assunto, plano, decisão, actual ou futura, tenha ou não interesse nacional, que não esteja submersa num oceano de suspeições. Não fazemos confusão com a oposição, que neste país parece não existir, nem tão pouco com algum cepticismo atávico, provável consequência de imemoriais desilusões, referimo-nos à desconfiança pura e simples, que nos consome a todos, como a família a que falta qualquer coisa para ser família, transformados que estamos numa soma de indivíduos, sem garantia de comunidade, sem seguro de vida, a quem falta o fio condutor que tudo agrega e unifica. Em vão tentamos conjugar esta realidade fragmentária, ligamos aqui, colamos acolá, mas o sentido de pertença a que chamamos país ou pátria, precisa de um denominador comum, que não existe, e é neste deserto que cresce a descrença, é neste vazio que nasce a desconfiança, que divide, e que reduz a cacos as melhores intenções!
É também neste contexto que pode ser interpretado, por exemplo, o pseudo-debate sobre a localização do futuro aeroporto de Lisboa!
Trata-se, como é bem de ver, de uma obra de alcance nacional, com valor estratégico, gerador de riqueza, garante de independência, e por isso, a controvérsia seria sempre, não apenas salutar, mas indispensável sinal de mobilização nacional. Mas não, não é para discutir, é assunto fechado, a decisão parece ter sido tomada há muito, ao sabor de interesses desconhecidos... e lá estou eu a desconfiar!

terça-feira, junho 05, 2007

Foi você que pediu um arguido?

A pergunta faz todo o sentido, é ao mesmo tempo uma marca de suspeição e um pedido de desculpas pelo monstro que criámos.
Mas não vale a pena criar um monstro ainda maior!
De joelhos, a república de Abril faz mea culpa pelo sistema político que engendrou, cuja face visível são os partidos, e desnorteada, entrega-se ao Ministério Público, para que este faça justiça e ponha na ordem o poder político! Uma aventura na república dos juízes, onde se supõe que existem seres incorruptíveis, acima de qualquer suspeita, e que podem por isso julgar os outros livremente! Eu diria mais, que é a velha tentação do regresso às origens, ao assembleísmo, à confusão, à denúncia, à demagogia, que aparece sempre com o desencanto, quando o sistema já não consegue fazer-se respeitar, nem dar-se ao respeito. Depois, todos conhecemos a história – do desencanto ao arbítrio, do arbítrio ao terror, vai um pequeno passo.
Mas afinal onde é que nos enganámos? E porque é que nos enganámos outra vez?
De uma coisa podemos estar certos, os juízes podem até assinar as sentenças, mas na tradição republicana e jacobina quem manda nos juízes são sempre os políticos.

segunda-feira, junho 04, 2007

Negrão pouco claro

Telmo Correia, candidato pelo CDS à Câmara de Lisboa, questionou Fernando Negrão sobre a coerência lembrando que o actual cabeça de lista do PSD era contra as salas de chuto, mas tem na sua lista o mesmo vereador que as promoveu! Com efeito, foi Sérgio Lipari, então vereador de Carmona Rodrigues, o grande entusiasta das chamadas salas de injecção assistida. Recorde-se entretanto que estes equipamentos foram aprovados em reunião de câmara de 30 de Novembro de 2006, com os votos favoráveis do PSD, PS e Bloco de Esquerda, a abstenção do PCP, e os votos contra do CDS-PP.
Fernando Negrão defende-se dizendo que as salas se destinam a prestar assistência aos toxicodependentes e que a ‘injecção assistida’ seria um último recurso!
Ora bem, todos se recordam do triste ‘prós e contras’ em que este tema foi debatido na RTP. Todos se lembram do escasso tempo de antena concedido a quem não era favorável a estas salas! A benefício dos respectivos propositores, onde não passou despercebido este Lipari, de quem Carmona se queixou, acusando-o de sonegar informações e de estar na Câmara para servir o partido!
Por isso Fernando Negrão, que já foi presidente do IDT (Instituto da Droga e Toxicodependência), tem que ser mais claro, não pode refugiar-se em sofismas quando existem questões de princípio envolvidas. Nesta área o utilitarismo não pode prevalecer sobre a dignidade humana – as salas de chuto, por mais voltas que queiramos dar, correspondem sempre a uma desistência. Não estamos a ajudar ninguém.