sábado, maio 31, 2008

Será desta?!

A história partidária portuguesa só um milagre a pode alterar! Como diversas vezes referi, vivemos sempre em partido único, ora inclinado à esquerda, ora à direita, embora durante certos períodos existam dois partidos que se revezam no poder, mas como dizia o Eça, são tão parecidos, que apenas se distinguem porque os respectivos capatazes almoçam em sítios diferentes. Nestas condições, esperar por uma clarificação do espectro político partidário é pura utopia! Esse desiderato só poderia acontecer se uma das duas formações partidárias que se reclamam da social-democracia (PS e PSD) se fracturasse, levando a outra a desagregar-se. Dos escombros poderiam então nascer dois grandes partidos de poder, um conservador, à direita, e outro socialista/social-democrata à esquerda, aliás, à semelhança do que acontece nas democracias adultas.
Mas se calhar o problema é esse, nós não queremos ser adultos, há um pavor atávico em crescer, que nos tolhe os movimentos, as decisões… a não ser que o discurso (de derrota) de Santana Lopes queira mudar alguma coisa! Eu ouvi falar num projecto político próprio, de que ele não abdicava! E em política os projectos próprios precisam de um meio próprio para se expressarem e desenvolverem – e esse meio são os partidos.
Será um novo partido que se perspectiva? Liberto da ganga social-democrata?!
Era bom que fosse verdade, mas não acredito.
Estou mais inclinado para uma luta surda e mortal entre Sócrates e Manuela Ferreira Leite, para ver qual dos dois se parece mais com Salazar.
E a Manuela até se saiu bem no discurso de vitória! Não disse nada e disse tudo.
Saudações monárquicas.

quarta-feira, maio 28, 2008

Então e o 28 de Maio?!

Ninguém fala nele! Será que não conta para o centenário?! E a juventude, aquela que confunde o 25 de Abril com a fundação da nacionalidade, terá ela alguma ideia sobre o 28 de Maio de 1926? Ou não sabe nem quer saber porque desconfia que deve ter sido mais uma revolução traída!
A verdade é que foi o ‘28 de maio’ que deu origem à segunda republica, vulgo, estado novo, e sempre foram quarenta e oito anos, não é brincadeira nenhuma! O melhor é dar uma explicação (informação) simples, como se fosse futebol, para os adeptos da selecção perceberem: com o 28 de maio a direita venceu a esquerda, colocando as republicas empatadas a uma bola. O 25 de Abril desempatou a favor da esquerda mas como as coisas andam não deve tardar muito para a direita empatar outra vez. E já merecia.
Até nisto somos o país dos empatas!

domingo, maio 25, 2008

Profético

Quando Sócrates decidiu, em tom solene, congelar os ‘passes sociais’, estava eu sentado a ver o debate na televisão! Num gesto instintivo, levantei-me, fui ao frigorífico, e pus o salazarismo a descongelar!
Salazar também congelou as rendas de Lisboa e Porto, e quando o fez, invocou por certo as melhores razões, e tal como Sócrates, recolheu o aplauso da união nacional da época.
Salazar também sabia que há mais inquilinos que senhorios, e que é em Lisboa e Porto que as maiorias se definem, com ou sem votos expressos. Sócrates também sabe que os passes sociais dizem respeito às populações que vivem à volta destas duas grandes cidades.
Em ambos casos a medida é inatacável, a crise externa justifica quase tudo, e tem a vantagem de esconder inépcias e populismos internos.
Assim, governar é fácil.

sexta-feira, maio 23, 2008

Cançoneta a dois tons

Temos que admitir que as canções da Eurovisão já tiveram melhores dias, antigamente entravam no ouvido, era no tempo em que os melhores autores e compositores apostavam forte neste concurso. Agora, letras e músicas aparecem enlatadas, na sua maioria são cantadas em inglês, não é fácil distingui-las! Na hora de escolher, o melhor é orientarmo-nos pelos intérpretes, no meu caso, pelas intérpretes.
Mas confesso que ando um pouco alheado do festival e tanto assim é que quando ouvi a locutora nomear a nossa intérprete apanhei um susto pois pensei tratar-se da Vanessa Fernandes, a grande campeã do triatlo! Percebi mal, o apelido também é Fernandes mas chama-se Vânia. Uma jovem que defendeu muito bem a canção portuguesa, um bocadinho trágico-marítima, mas isso ela não tem culpa, a verdade é que conseguiu apurar-se para a final!
Mas o que eu não sabia, e fiquei a saber, é que a Europa das canções também funciona a duas velocidades, também tem os grandes e os pequenos, e curiosamente nós fazemos sempre parte dos pequenos! É como lhes digo, e se não percebi mal outra vez, para além do país organizador, mais quatro países (adivinhem quais!) e respectivas canções, têm apuramento garantido, obrigando-se os restantes a disputarem uma espécie de pré-eliminatória!
Com franqueza, nem nas cantigas somos iguais, nem com música a Europa se comove!
E nós ainda insistimos, ainda lá vamos, em lugar de fazermos concursos e festivais com quem, e para quem, nos entenda.

quinta-feira, maio 22, 2008

Bloqueio

Não sei se já lhes aconteceu ficarem bloqueados a seguir a um devaneio poético! A resposta é não, porque evitamos devaneios e ainda menos poéticos. Pois concordo, mas a verdade é que aquelas palavras, provavelmente por serem vãs, se interpuseram de tal modo entre a escrita e o que eu tinha para dizer, que não houve outro remédio senão esperar por algum acontecimento que me retirasse de apuros. Neste sentido a Festa do Corpo de Deus salvou-me, trouxe-me de volta, mas com a promessa, e a penitência, de poupar o interregno à tentação da rima… ‘por dá cá aquela palha’. Provérbios populares está bem, são admissíveis, versos é outra conversa.
Mas afinal que havia para dizer, de tão urgente, que não podia esperar pelo fim do mês! Que notícia, que novidade, merecem algum comentário nesta pasmaceira de país! Que não protesta, que não põe o pé na rua, que assiste, melancólico, ao aumento diário do gazóleo e do resto! Que em contrapartida inventa alienações que ultrapassam os efeitos de qualquer opiáceo, por mais duro que seja!
A psicose com a selecção é um bom exemplo: são famílias inteiras que se deslocam em peregrinação ao Fontelo, só para ver os seus ídolos, artistas da bola para onde transferimos todas as nossas frustrações! Por isso merecem tudo, inclusive uma diária, para tabaco e diversos, na ordem dos setecentos euros! O que faz aumentar ainda mais a admiração dos ‘adeptos’, reformados a trezentos euros, empregados a setecentos euros (mensais), para não falar do fundo de desemprego. Mas o terceiro mundo é assim, não há nada a fazer.
A não ser congelar qualquer coisa!
Onde é que eu já vi isto?!

"História da Solenidade do Corpo de Deus"


A Solenidade Litúrgica do Corpo e Sangue de Cristo, conhecida popularmente como "Corpo de Deus", começou a ser celebrada há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de Liège, tendo sido alargada à Igreja universal pelo Papa Urbano IV através da bula "Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios.
.
Teria chegado a Portugal provavelmente nos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. Esta exultação popular à Eucaristia é manifestada no 60° dia após a Páscoa e forçosamente uma Quinta-feira, fazendo assim a união íntima com a Última Ceia de Quinta-feira Santa.
.
Em 1311 e em 1317 foi novamente recomendada pelo Concílio de Vienne (França) e pelo Papa João XXII, respectivamente. Nos primeiros séculos, a Eucaristia era adorada publicamente, mas só durante o tempo da missa e da comunhão. A conservação da hóstia consagrada fora prevista, originalmente, para levar a comunhão aos doentes e ausentes.
.
Só durante a Idade Média se regista, no Ocidente, um culto dirigido mais deliberadamente à presença eucarística, dando maior relevo à adoração. No século XII é introduzido um novo rito na celebração da Missa: a elevação da hóstia consagrada, no momento da consagração. No século XIII, a adoração da hóstia desenvolve-se fora da missa e aumenta a afluência popular à procissão do Santíssimo Sacramento. A procissão do Corpo e Sangue de Cristo é, neste contexto, a última da série, mas com o passar dos anos tornou-se a mais importante.
.
Do desejo primitivo de "ver a hóstia" passou-se para uma festa da realeza de Cristo, na "Christianitas" medieval, em que a presença do Senhor bendiz a cidade e os homens.
.
A "comemoração mais célebre e solene do Sacramento memorial da Missa" (Urbano IV) recebeu várias denominações ao longo dos séculos: festa do Santíssimo Corpo de Nosso Senhor Jesus Cristo; festa da Eucaristia; festa do Corpo de Cristo. Hoje denomina-se solenidade do Corpo e Sangue de Cristo, tendo desaparecido a festa litúrgica do "Preciosíssimo Sangue", a 1 de Julho.
.
A procissão com o Santíssimo Sacramento é recomendada pelo Código de Direito Canónico, no qual se refere que "onde, a juízo do Bispo diocesano, for possível, para testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia faça-se uma procissão pelas vias públicas, sobretudo na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo" (cân 944, §1).

In AGÊNCIA ECCLESIA - (História da Igreja)

sábado, maio 17, 2008

As palavras vãs

São palavras soltas
espalhadas no chão
sem nada que as una
a não ser o sentido
de tudo o que existe
e não tem expressão

É apenas o ritmo
Em triste cadência
Sem génio ou ciência
A escrita esgotada
No espaço de um verso
Que não sabe de nada.

quinta-feira, maio 15, 2008

Um país a fingir

Eu bem tento animar-me, pensar o contrário, engano-me com o quinto império, mas não resulta, o Almada é que tinha razão – ‘o país é bonito, fica feio pôr lá portugueses’! Almada é apenas um exemplo, muitos outros se expressaram com igual desilusão e acerto. Para piorar as coisas, garantiram-me ontem que a ‘malta das naus’ nunca existiu, ou se existiu, não regressou. Há quem desespere por nova invasão fenícia, por alguém que aqui aporte, e nos submeta, a ver se ganhamos juízo e rumo! Neste desfazer pátrio, a fé já perdida mas não o humor, um parente próximo não perdoa a onda de canonizações a benefício de ‘nuestros hermanos’! Qual condestável, num último alento nacionalista, recusa a vida eterna alegando que o céu está cheio de espanhóis!
Felizmente que nem tudo são más notícias, o país recebeu com natural satisfação a boa nova de que o primeiro-ministro ía deixar de fumar! Subsiste apenas a dúvida, se Sócrates vai deixar de fumar na qualidade de chefe do governo ou de cidadão! Um assunto a desenvolver.
Noutro quadrante, a guerra do futebol promete, já se contam espingardas mas sem perder o sentido romanesco do drama! Carolina, heroína da segunda circular, garantiu em tribunal que o pérfido amante frequentou local proibido, enquanto o homem do norte, ferido na sua honra, tem almoço marcado na Assembleia da República, e imagine-se, com deputados!
Não dei a volta ao mundo, mas tenho o carro na reserva, pago o meu imposto na bomba de gazolina, regresso a casa, e durante a curta viagem discorro sobre o legalismo puritano que nos possui, religião em forma de lei e processo interminável, tão rigorosa e afinal tão propícia ao ‘pecado’ da transgressão!

segunda-feira, maio 12, 2008

“Parati”

“Estou em Parati, a uns quilómetros a sul do Rio de Janeiro, junto à costa. ‘Para ti’, ‘Para-te’ ou um nome qualquer índio, a verdade é que este é um dos locais mais maravilhosos do mundo que conheço. Talvez parecido com Korshua na Croácia mas para melhor e mais português, o que é uma enorme vantagem.
(…) Até me deu para sonhar o quinto império. A ver se vos explico o meu sonho que, não só é realizável, mas também parte de dois dados bem reais. O primeiro dado é que o Brasil é um país fantástico que importa exportar para muitos cantos do mundo. O segundo dado é que o Brasil foi possível porque Alcácer Quibir nos fez espanhóis por algum tempo na Europa, mas nós transformámos o que era espanhol em brasileiro na América. De facto não conseguimos unir a Península a nosso favor, de Sagres a Guadarrama, mas conseguimos fazer isso mesmo à escala do continente sul-americano de Natal à Rondónia. De alguma forma sofremos pelos brasileiros já que era essa a nossa obrigação de pais, mas que de outras vezes nos esquecemos de desempenhar.
Será que podemos tirar ilações para o terceiro milénio a partir destes dados seminais? Vejamos, fazemos parte da Europa e corremos riscos sérios de, por essa via, ser integrados em Espanha. Porque não aproveitamos as lições da ocupação filipina para que, com desígnio, abrasileirarmos os espaços hispânicos, anglo-saxónicos e franceses por esse mundo fora como outrora fizemos no sertão brasileiro que era espanhol por direito? Pode ser pensável, mas temos que assumir que os portugueses de agora são fundamentalmente Velhos do Restelo e que precisamos de lusófonos mais arrojados para a importante missão que temos pela frente. Para isso há que, primeiro, trazer muito mais brasileiros e outros lusófonos para Portugal para que se introduzam numa atitude de serviço por essa Europa fora. Depois, quando esses povos começarem a ter medo, os lusófonos europeus serão certamente empurrados para a América, para África, para a Oceânia e até para a Índia e para a China, quando estes países orientais e civilizados reencontrarem a enorme vantagem de misturar o arroz com o feijão, acompanhado de vinho, de boa música e bons poemas, o que só a língua portuguesa permite sem serem precisos os efeitos especiais das caras bonitas de Hollyood, o drama do dizer espanhol ou o francês em tom sussurrado e feminino. Até o mundo árabe pode ser redimido com um punhado de guineenses e árabes brasileiros.
Podem dizer que isto é de loucos mas não é por acaso que os espanhóis estão a criar dificuldades aos brasileiros no aeroporto de Madrid, no trânsito que fazem para Lisboa para aproveitarem os voos mais baratos da Ibéria. Para além do mais até a chuva que cai lá fora, por detrás das janelas e portas que conhecemos, é bonita no som, na água e no aconchego sem frio que se cria deste lado. Porque não dá-lo a todo o mundo a começar nas favelas do Rio.”

Retirado com a devida vénia do Jornal “A União” de Angra do Heroísmo, da autoria de Tomaz Dentinho.

sexta-feira, maio 09, 2008

Apito Fatal

Não é ainda o apito final, é um começo, um aviso, uma declaração de falência, o futebol luso é uma mentira, sempre foi. Esta verdade incómoda, desatada em zanga de casa de alterne, não é especialidade do norte, percorre o país de lés a lés, e seria bom que o sul sorridente entendesse o que está acontecer. Seria bom que todos percebessem que precisamos de fazer uma escolha decisiva, no futebol e no resto: ou continuamos a sustentar três fidalgotes na europa, à custa da miséria geral, ou aceitamos a nossa realidade, e em lugar de emagrecer o campeonato pedimos aos fidalgotes que façam eles dieta.
E o regime podia aproveitar para fazer também regime... de propaganda barata.

quinta-feira, maio 08, 2008

Faltam princípios, sobram leis

O governo e o parlamento, em grande azáfama, vão fabricando a teia em que se enreda a nossa insegurança! Talvez pensem que esse sentimento diminui por decreto ou proposta de lei! Tarefa inglória.
É o mesmo governo que fez aprovar a lei do aborto, no mesmo parlamento que recusou um voto de pesar pelas vítimas do Terreiro do Paço, enquanto elevava criminosos ao Panteão nacional!
É a mesma classe política que festeja em Abril a impunidade nos processos da Casa Pia e outros, com igual mensagem – vale a pena prevaricar!
Num país assim, as leis não substituem a falta de princípios, verdadeira fonte do mal, nem as estatísticas iludem a realidade, ainda que o ministro esteja convencido do contrário.
Já sabemos que a enfermidade é geral mas não podemos importar só o mal dos outros!…
E o bem?!

quarta-feira, maio 07, 2008

"Retrato de Amália"


És filha de Camões, filha de Inêz
Assassinada voz de portuguesa
Cantando a nossa imensa pequenez
Com laranjas e gomos de tristeza!
.
É no claro Mondego dos teus olhos
Que se debruça o mal da nossa mágoa
Ao Tejo dos teus gestos que se acolhe
O nosso coração a pulsar água!
.
Falando desatada de saudade
Choras um povo, cantas a balada
Mais bonita que soa na cidade
de Lisboa, por ti apaixonada.
.
José Carlos Ary dos Santos

sábado, maio 03, 2008

O máximo divisor comum


Nestas questões partidárias que vão acontecendo e são notícia o que parece não é: Manuela Ferreira Leite pode de facto reunir algum consenso entre os barões do partido, dito social-democrata, mas se olharmos para além do nevoeiro, quem suscita maior unanimidade de pontos de vista, quem é geralmente apontado como não tendo qualquer viabilidade ou apoio, esse é Pedro Santana Lopes! Assim, com alguma sorte, e pela negativa, estou convencido que seria o único a poder unir o partido em torno dessa aversão! E se não estou a ironizar, a comunicação social até podia dar uma ajuda, prosseguindo na sua campanha contra o 'menino guerreiro' das 'trapalhadas', colocando a fasquia naquele ponto alto – nada a favor de Santana, tudo contra Santana.
Porém, curiosamente, Santana é o único dos candidatos que afirma querer mudar o rumo da política, dentro do partido e dentro do país, enquanto os outros candidatos, por certo mais credíveis, vão apresentando curriculum vitae, incluindo medalhas por serviços prestados a todos os títulos!
Mas como a classe política não está interessada em mudar de política (era só o que faltava!) também aqui Santana Lopes está completamente isolado, mantendo-se portanto como o máximo divisor comum!
A única esperança que resta aos portugueses é que tanta unidade contra o Santana acabe por dividir o partido e finalmente clarificar o espectro político partidário.

quarta-feira, abril 30, 2008

Onde é que nós íamos?!


Ah, já sei, nas maravilhas do mercado global, nas empresas repletas de engenharia financeira, sem a chatice dos trabalhadores, e nós no aconchego do condomínio fechado, esperando que a enorme 'sanzala' que (democráticamente) fabricámos nos forneça a força de trabalho, a recibo verde, e vá extraindo da terra ardente o cereal que necessitamos para comer os nossos 'croissants'!
Mas o mundo não se deixa domesticar tão facilmente, nem a mão invisível nos conduz aonde esperamos, pode dar para o torto, e quem imaginaria que em Londres uma dona de casa viesse a sofrer com o racionamento do arroz! Será só uma crise passageira, uma consequência da subida do preço do petróleo (há quanto tempo não encho o depósito do meu carro com arroz!...) ou é o princípio do fim de outra utopia! E como sonhar é fácil, talvez seja preferível sonhar com outra história já que esta nos ameaça com o pesadelo da fome!

sábado, abril 26, 2008

Uma boa oportunidade


Se houvesse um bocadinho de bom senso, disfarçavam, nem era preciso bom senso, bastava um mínimo de bom gosto e esqueciam a data, tal como a juventude a ignora e foge da política porque desconfia dos políticos!
O 25 de Abril, o 28 de Maio, o 5 de Outubro, para não ir mais atrás, com cravos ou sem cravos, são datas de guerras civis, lutas fraticidas entre portugueses, e por isso, ninguém com dois dedos de testa se lembraria de comemorar tal coisa. O que seria expectável é que no fim de cada uma destas 'revoluções', os vencedores a festejassem e os vencidos a chorassem, e depois todos a esquecessem porque a vida continua. Mas não, nesta terra a política virou propaganda, portanto, os que ganham e conquistam o poder, continuam a comemorar o facto atirando anualmente à cara do adversário os louros da sua vitória. E curiosamente, esperam que os vencidos do dia estejam contentes e abrilhantem o festejo!!!
Claro que isto não podia dar certo, e daí o ar sorumbático e comprometido dos 'convivas'. Daí a morte anunciada destas datas que a memória não retém! Ou se retém é pelos piores motivos.
Salazar, que era de facto mais esperto que os do seu tempo, neste capítulo das comemorações fez os possíveis para desvalorizar e fazer esquecer, quer o 28 de Maio, quer o cinco de Outubro. E fê-lo, não por amor à verdade, mas por razões estratégicas, para não criar cisões profundas entre os portugueses, cisões que o obrigariam mais tarde ou mais cedo a definir-se, e isso ele não queria. A sua longevidade política dependia muito (e dependeu) dessa indefinição.
Ora aqui estava, portanto, uma boa oportunidade para esta terceira república afirmar alguma superioridade sobre as anteriores, assumindo os erros cometidos, a tragédia da descolonização, podia também assinalar a virtude pelas regiões autónomas, mas de seguida encerrava definitivamente as comemorações! Que hoje só interessam a alguns, aos que herdaram o estado novo, e como justificação para se eternizarem no poder, garantindo assim os interesses anexos. Para o país estes festejos não interessam, para além de absurdos, perpetuam desconfianças, dividem em lugar de unir, e impedem que a nação se mobilize para as tarefas do futuro. E são dispendiosos.
Em suma, só inconvenientes.

sexta-feira, abril 25, 2008

Fado


Serenamente
sem aflição
ainda espero
no cabo raso
da ilusão
.
Mas diz quem sabe
que a velha nau
sem ousadia
ficou parada
na calmaria
.
Não há palavras
nem que dizer
do que sobrou
Madeira Açores
haja o que houver
.
Assim fizéramos
noutras paragens
e igual certeza
dessa maneira
bem portuguesa
.
Serenamente
por teimosia
ainda espero
no cabo raso
da utopia!

quinta-feira, abril 24, 2008

Amanhã há guerra?


Pergunta-me uma angustiada criatura! E insiste, sim, no Terreiro do Paço, por causa da extrema direita! Mas como, replico, se nem direita temos como pode haver extrema?! A guerra é contra a extrema esquerda, esclarece-me, contra a liberdade! Tento então explicar-lhe que a extrema esquerda também não existe, o que existem são arruaceiros sem qualquer cultura política, recrutados para isso mesmo, para provocarem arruaças, casos de polícia, que não se alarme em vão. E acrescento, neste país nunca há guerra, inventámos a quezília permanente para que não haja uma guerra declarada. Crimes e traições, sim, mas pela surra. A grande especialidade são revoluções de cravos e rotundas, telegrafadas posteriormente ao resto do país! Que as acata sem pestanejar e sem esperança!
Convenhamos no entanto que a situação não é famosa, o regime não tem saída, dependemos totalmente de terceiros e o custo de vida agrava-se diáriamente. Nestas condições a coisa pode tornar-se perigosa, um pequeno aumento pode riscar o fósforo! Recordem-se para o efeito as 'portagens' de Cavaco!
Só o estômago levanta este povo silencioso e pachorrento do sofá da bola!
E a conversa termina com uma pergunta maliciosa: mas estes feriados não era suposto serem dias de unidade e alegria entre os portugueses?! A que propósito vem a guerra?!
Não houve resposta.

quarta-feira, abril 23, 2008

Papéis trocados!

“O Tratado de Lisboa, tão glorificado pelo PS e pelo seu Governo, tão apoiado pelo PSD e CDS-PP, propôe a perda da soberania nacional na gestão dos recursos biológicos marinhos. Esta é também uma perda da autonomia regional. Os Açores perdem a possibilidade de decidir sobre as suas águas territoriais”, afirmou Jerónimo de Sousa nos Açores!
Fonte: Jornal Público de 21/04/08.

Resumindo, enquanto os partidos do chamado arco governamental vão entregando a Bruxelas anéis e dedos, o velho partido comunista assume posições que não envergonhariam um partido conservador português, se ele existisse!

domingo, abril 20, 2008

Oposição - uma receita caseira

É uma receita tradicional portuguesa, as mil e uma maneiras de não haver oposição, e cada época tem a sua especialidade. A receita de Abril é conhecida: - juntem-se num tacho (sem asas) dois partidos práticamente iguais, desloque-se o centro do tacho para a esquerda com os ingredientes do costume, seja em bloco, seja em povo unido, evitando assim que a direita levante cabeça, perdão, fervura. Para vigiar o tacho e o cozinhado recrute-se um chefe de cozinha num dos partidos do tacho.
Ponha-se tudo a marinar durante trinta anos!
Este prato é para ser servido à população com molho rosa ou laranja dando a impressão que são dois cozinhados diferentes, mas não são.
E a gente vai nisto!

quarta-feira, abril 16, 2008

Porquê agora?!

Se um litro de leite em Portugal custa o mesmo que um litro de leite nos países da União que têm salários mínimos que são o dobro ou o triplo do nosso (e já não falo nas reformas de miséria), então não é caso para estarmos preocupados!
Se a educação em Portugal produz os resultados que conhecemos, e não será por falta de professores ou de meios, e se a justiça prescreve, enquanto juizes e procuradores se entretêm a visionar vídeos de futebol!... Então não devemos ficar preocupados!
Se a saúde é cara, como as mais caras, e igual às piores, não será urgente ficar preocupado!
E que dizer dos políticos que transitam do estado para as empresas agradecidas! E a permanente guerrilha entre governos regionais e centrais! Onde falta um árbitro isento que assegure a confiança e a harmonia.
E a apregoada coesão nacional todos os dias posta em causa com centenas de trabalhadores portugueses a passarem a fronteira para irem trabalhar em Espanha! Incapazes que somos de solucionar a desertificação do interior do país!
Tudo concorre para a preocupação geral, e por isso, porque não se vislumbra futuro, algumas 'irmandades' começam a movimentar-se, especialmente aquelas que habitam no aparelho de estado há mais de um século, e têm, assim, as maiores responsabilidades no descalabro.
A mim interessam-me as causas, mas o preço do leite é uma consequência.