sexta-feira, outubro 31, 2008

Dois Magalhães para Espanha

A história é conhecida, Sócrates resolveu aproveitar a Cimeira ibero-americana, a decorrer em El Salvador, para oferecer um computador Magalhães a cada um dos participantes.
Ora bem, sabendo que são 22 os países representados, e sabendo também que Portugal não ofereceu nenhum computador a si próprio, apetece lançar daqui uma adivinha – afinal quantos computadores ofereceu Sócrates?
Fiz a mesma pergunta no centro educativo onde trabalho e a resposta veio óbvia mas errada. Todos responderam 21. Claro que Sócrates ofereceu 22 computadores, tal como Lula o teria feito se fosse ele o ofertante. O vigésimo segundo computador, decerto o primeiro, foi naturalmente entregue ao Rei de Espanha. Zapatero recebeu um computador pela representação dos interesses da Espanha na conjuntura; o rei, que torna compreensível a Cimeira, recebeu o Magalhães da História.
Fácil de entender.
E nós? Nós que somos o outro país ibérico colonizador, onde deixámos o nosso representante?! Aquele que justifica a participação?!
Triste e inutilmente, lá fomos em duplicado, mas a léguas de distância da representação inteira, cabal, com que a Espanha sempre se apresenta!
A história anda de facto à nossa procura… mas a gente tem vergonha… e esconde-se!
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Saudações monárquicas.

quinta-feira, outubro 30, 2008

Eleições na América

É o assunto obrigatório, quem será o novo César!
E os portugueses andam preocupados com isso, parecem dependentes do respectivo resultado! Mas há excepções. Por exemplo, a minha cadela (que se chama ‘Bolacha’) está-se borrifando para as eleições americanas. Tem lá a sua vidinha e desde que não falte a ração tanto lhe faz que o próximo presidente seja o incolor Obama ou o candidato republicano mais a sua vice miss Alasca. É-lhe completamente indiferente. E eu nestas coisas até a compreendo – toda esta esperança nasce afinal de uma ficção política muito conhecida e que se repete entre nós a cada eleição presidencial, a saber : - o candidato vencedor gosta de dizer no seu primeiro discurso que é ‘o presidente de todos os portugueses’! A cadela não acredita nisto, e eu também não.
Mas muitos acreditam e transportam esta ficção para as eleições americanas pensando tratar-se da eleição do presidente do mundo e não do presidente dos Estados Unidos da América! E aqui começa o enredo e o engano – a verdade é que seja quem for o eleito também ele se estará borrifando para os interesses alheios, pois tem a sua própria agenda e escala de prioridades, que não anda muito longe disto: em primeiro lugar terá de satisfazer os interesses de quem lhe pagou a campanha; depois virão os interesses da potência imperialista que vem explorando e submetendo o planeta à sua voracidade; finalmente, conta com aliados submissos que lhe sirvam de escudo contra os inimigos que crescem ao ritmo das suas ‘proezas’.
Por isso, não espero nada de César, o que tivermos que fazer em prol da comunidade a que pertencemos terá de ser feito por nós, portas adentro. Quanto à minha vidinha (e da cadela) também terei de ser eu a olhar pelos dois.

Saudações.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Ajudar a república

Vamos lá ajudar o regime a sair da crise, do beco sem saída em que se meteu, mas para isso é preciso acabar com este ‘jogo do empurra’, que consome e arrasa a nação, um jogo infantil em que as sucessivas repúblicas se vão justificando umas à outras – a terceira a garantir que nos libertou da ditadura da segunda, as saudades da segunda a reclamarem o fim da balbúrdia da primeira. Temos que acabar com isto rápidamente, porque não tarda virá uma quarta república (já se ouvem aliás os seus tambores) que dirá que nos vem libertar das crises internacionais que importamos e com as quais nos desculpamos! E terá por certo razão, como todas as outras, basta-lhe para tanto invocar a realidade insofismável – o fosso entre ricos e pobres não cessa de aumentar, e nesta matéria ocupamos as piores posições em todos os rankings!

Portanto o que há a fazer é o seguinte: em primeiro lugar temos que ser capazes de realizar um referendo, um acto terapêutico que nos liberte dos fantasmas do passado, e que ao mesmo tempo responsabilize os portugueses pelo regime que têm e que afinal escolheram. Não está em causa a vitória da república, que será natural, até esmagadora, o importante será o próximo passo – o que fazer com essa vitória?!
Assim responsabilizados, sem mais desculpas, governantes e governados serão obrigados a olhar para o futuro e se houver alguma lucidez (e humildade) estaremos em condições de nos reconciliarmos com a história, com a nossa história, feita de erros e virtudes, como é uso entre os homens.

Talvez então se imponham (a todos) algumas alterações na estrutura representativa, a benefício de Portugal, como por exemplo: atribuir a um rei e a uma dinastia a representação do vínculo histórico que nos une; incluir nessa representação as várias repúblicas (regiões autónomas que já existem e aquelas que poderão vir a existir) que compõem o universo lusófono; e de uma maneira geral seguir a lógica representativa dos valores que em determinada época se consideram permanentes.
Ao chefe de estado republicano caberia a restante representação, nomeadamente aquela que faz sentido corresponder aos anos do respectivo mandato.

E quem sabe se não descobriríamos (por alguma razão fomos descobridores!) que existe uma duplicação inútil no nosso sistema representativo (onde primeiro-ministro e chefe de estado concorrem na mesma legitimidade) e não suprimíamos um dos cargos!
Uma hipótese para o futuro, um futuro sem preconceitos políticos colectivos nem complexos de inferioridade individuais.

Saudações.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Mudar de vida

Prometo, não toco em nada, na crise que todos falam, prometo passar ao largo, mas se é global como dizem, se não vem da natureza, terei também que assumir a quota parte de culpa que me cabe neste transe, nesta parcela que habito, onde vivo e onde voto, nas coisas que não preciso e que compro sem poder, muitas vezes a dever, mas o pior é que faço do consumo a minha regra, e aumento sem saber a perversão que hoje existe, sem horizonte ou remédio, desligada da memória, desligados uns dos outros, recurvados no umbigo, perdeu a vida o sentido e moralista não sou.
Para obviar ao que digo vou olhar o firmamento, contar as estrelas do céu, descobrir nas madrugadas o cheiro que a terra tem e agradecer a beleza bem criada por Alguém! Faço parte deste todo, sozinho não sou ninguém. Para conseguir tudo isto eu só vejo uma saída – vamos ter que mudar de vida.

sexta-feira, outubro 10, 2008

A bolsa ou a vida!

Assim de repente, o mundo reduzido a uma escolha tão simples, nem sei que lhes diga, talvez a bolsa! Talvez a vida!

Não tive escolha, como não tinha bolsa tive que dar a vida! Depois levaram-me ao cimo de um monte e ofereceram-me a resignação. Lembro-me bem, estávamos nesse tempo a celebrar as exéquias do comunismo, o muro tinha caído, e diziam-nos que o mercado era a porta da felicidade. Não acreditei, mas já era tarde, executivos e gestores irromperam pela sala, apresentaram-me os números e fizeram-me sentir o inútil que sou. Estava a mais, e por mais contas que fizessem estava sempre a mais! Reagi, falei na produção, que a empresa era antiga e já tinha passado por outras tormentas… Meu Deus, o que eu fui dizer! Alvejado com nova rajada de números ouvi a temível previsão – a continuarmos assim estamos perdidos.
Saí com a noção patriótica de que se não saísse a empresa não se salvava.
Num último gesto de solidariedade despedi-me da telefonista prestes a ser substituída por um gravador de voz.
O mundo girou entretanto, a engenharia e euforia financeiras instalaram-se, os executivos foram enriquecendo mas a empresa foi empobrecendo.
Hoje está mal, não se recomenda. E, como as demais, espera ansiosamente por uma ‘mãozinha’ do Estado!

segunda-feira, outubro 06, 2008

Estranha sensação

Para que serve um blog?! Pergunta mil vezes repetida, com múltiplas respostas, eu respondo por mim: - serve para isto, para partilhar sentimentos com o desconhecido e alguns conhecidos, serve para falar sozinho, sem grandes esperanças e também sem grandes ilusões…
Dirão os mais argutos e graciosos: - serve para escrever disparates.

Ontem tentei seguir o diálogo na ‘câmara clara’ entre um monárquico e um republicano. Via um bocadinho e desistia, mudava de canal, voltava mais tarde e voltava a desistir, não que a conversa não merecesse atenção, eram dois historiadores que se conheciam bem, a troca de opiniões situava-se num nível intelectual elevado, em clima ameno, e pareceu-me que no essencial estavam de acordo – estas celebrações do centenário da república (ou da implantação da república) deveriam servir para pensar. O republicano queria pensar no que falhou na primeira república e o monárquico talvez quisesse pensar no que falhou na monarquia.
Mas eu desistia porque aquilo era triste e porque o tom desencantado de ambos confirmava os meus sentimentos. A verdade é que falhámos e as celebrações tratam disso mesmo – de um país falhado.
E andamos a justificar, a desculpar, a esconder algo que incomoda e nos separa irremediávelmente uns dos outros. Por isso, as palavras mansas já não me alegram, cavada no fundo da alma fica uma estranha sensação de distãncia de todo este aparato.
Repito, a data é triste, divide, e qualquer festejo é mais um passo no sentido contrário de Portugal.

sexta-feira, outubro 03, 2008

A casa da república

Lavra forte estupefacção pelo país surpreendido que ficou com os critérios de distribuição de casas que a Câmara de Lisboa vem efectuando, pelo menos, ao longo destes últimos vinte anos. Eu tenho menos dúvidas porque sei perfeitamente onde vivo e o que a casa gasta.
Com efeito, se recuarmos um pouco no tempo começamos a compreender que a Câmara de Lisboa é uma herança do partido republicano (e da maçonaria) que a conquistou em 1908 através de eleições livres e democráticas ainda na vigência da monarquia constitucional.
Foi a partir da Câmara que ‘treparam’ depois até à república própriamente dita, (os métodos são conhecidos) e foi do seu varandim que no dia 5 de Outubro de 1910 acenaram à multidão de ‘adesivos’ que acorreu à Praça do Município para saudar o novo regime.
De então para cá e especialmente depois de Abril de 1974 a Câmara voltou a ser trampolim ou via verde para o acesso a Belém, o que vem confirmar que continuou a ser ocupada (com as naturais excepções) por pessoas da mesma estirpe.
Portanto é lógico que os actuais herdeiros se sintam proprietários da Câmara e como qualquer proprietário agem em conformidade. Não têm que definir critérios, aquilo é deles e distribuem as casas a quem muito bem entendem. É costume, é legal e ponto final.
Como por outro lado também são proprietários da ética – a célebre ética republicana – não existe mais nada a acrescentar.

Saudações monárquicas.

terça-feira, setembro 30, 2008

O lado sombrio do centenário

A conferência de imprensa foi ontem na ‘York House’ cabendo a João Távora e Carlos Bobone, muito bem secundados por Inês Dentinho, apresentarem a plataforma monárquica para o centenário da República – um site e um blog para ajudar a restabelecer a verdade sobre este período da história portuguesa.
Dois espaços na internet cuja leitura recomendo, apesar de ser parte interessada.
Saudações monárquicas.

domingo, setembro 28, 2008

"Eu já vivi o vosso futuro"

Declarações do escritor, dissidente soviético, Vladimir Bukovsky sobre o Tratado de Lisboa

É surpreendente que após ter enterrado um monstro, a URSS, se tenha construído outro semelhante: a União Europeia (UE). O que é, exactamente a União Europeia? Talvez fiquemos a sabê-lo examinando a sua versão soviética.
A URSS era governada por quinze pessoas não eleitas que se cooptavam mutuamente e não tinham que responder perante ninguém. A UE é governada por duas dúzias de pessoas que se reúnem à porta fechada e, também não têm que responder perante ninguém, sendo politicamente impunes.
Poderá dizer-se que a UE tem um Parlamento. A URSS também tinha uma espécie de Parlamento, o Soviete Supremo. Nós, (na URSS) aprovávamos, sem discussão, as decisões do Politburo, como na prática acontece no Parlamento Europeu, em que o uso da palavra concedido a cada grupo está limitado, frequentemente, a um minuto por cada interveniente.
Na UE há centenas de milhares de eurocratas com vencimentos muito elevados, com prémios e privilégios enormes e, com imunidade judicial vitalícia, sendo apenas transferidos de um posto para outro, façam bem ou façam mal. Não é a URSS escarrada?
A URSS foi criada sob coacção, muitas vezes pela via da ocupação militar. No caso da Europa está a criar-se uma UE, não sob a força das armas, mas pelo constrangimento e pelo terror económicos.
Para poder continuar a existir, a URSS expandiu-se de forma crescente. Desde que deixou de crescer, começou a desabar. Suspeito que venha a acontecer o mesmo com a UE. Proclamou-se que o objectivo da URSS era criar uma nova entidade histórica: o Povo Soviético. Era necessário esquecer as nacionalidades, as tradições e os costumes. O mesmo acontece com a UE parece. A UE não quer que sejais ingleses ou franceses, pretende dar-vos uma nova identidade: ser «europeus», reprimindo os vosso sentimentos nacionais e, forçar-vos a viver numa comunidade multinacional. Setenta e três anos deste sistema na URSS acabaram em mais conflitos étnicos, como não aconteceu em nenhuma outra parte do mundo.
Um dos objectivos «grandiosos» da URSS era destruir os estados-nação. É exactamente isso que vemos na Europa, hoje. Bruxelas tem a intenção de fagocitar os estados-nação para que deixem de existir.
O sistema soviético era corrupto de alto a baixo. Acontece a mesma coisa na UE. Os procedimentos antidemocráticos que víamos na URSS florescem na UE. Os que se lhe opõem ou os denunciam são amordaçados ou punidos. Nada mudou. Na URSS tínhamos o «goulag». Creio que ele também existe na UE. Um goulag intelectual, designado por «politicamente correcto». Experimentai dizer o que pensais sobre questões como a raça e a sexualidade. Se as vossas opiniões não forem «boas», «politicamente correctas», sereis ostracizados. É o começo do «goulag». É o princípio da perda da vossa liberdade. Na URSS pensava-se que só um estado federal evitaria a guerra. Dizem-nos exactamente a mesma coisa na UE. Em resumo, é a mesma ideologia em ambos os sistemas. A UE é o velho modelo soviético vestido à moda ocidental. Mas, como a URSS, a UE traz consigo os germes da sua própria destruição. Desgraçadamente, quando ela desabar, porque irá desabar, deixará atrás de si um imenso descalabro e enormes problemas económicos e étnicos. O antigo sistema soviético era irreformável. Do mesmo modo, a UE também o é. (…)
Eu já vivi o vosso «futuro»…
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.Recebi este depoimento através de pessoa amiga e hoje é um bom dia para o publicar. Especialmente para quem se lembra dos acontecimentos de outro 28 de Setembro onde os abrilistas que nos governam se barricaram para, de punho erguido, "travarem o passo à reacção"! Infelizmente travaram o passo a Portugal.
Para quem não se lembra também não faz mal, porque a história repete-se, como bem lembra Vladimir Bukovsky.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Sequência Filipina

Não é a prometida prova de vida, é um mero atestado, afinal o coração ainda bate, do mal o menos, como diria uma visita mais atenta desta casa. Aliás, salvo a ‘excitação Magalhães’ nem me parece que exista muita coisa para escrever! E à cautela vou esperar pelos ‘albuquerques’, computadores de outra geração, menos internacionais mas mais próximos do meu feitio.
Mas voltando à ‘sequência filipina’ - não se assustem, não é a má, é a boa, que foi anterior à má e muito anterior à próxima, que voltará a ser má – estou a falar dos versos escritos na sub-cave que evocam a rainha portuguesa que deu origem a isto tudo, inclusivé aos Magalhães. Está na hora de os fazer subir aos salões para ver se respiram um bocadinho. Uma versão para fado, fado português, nosso fado e meu fado:

Ah, és tu….
Rosa vermelha encarnada
Que um dia aqui aportaste
Vinda nas brumas do mar

Humano ventre chamada
Do Império que geraste...
Perdeste o fio à meada
Já não sabes navegar

Ah, és tu…
À procura de outra sorte
Outro rumo, outro norte
Que valha a pena alcançar

Sim, és tu…
Flor da roseira bravia
Rosa vermelha tardia
Porque chegaste tão tarde!…


Saudações.

sexta-feira, setembro 05, 2008

Lembranças da Casa Pia…

Este título tem ressonâncias com outro que fez cartaz num filme de César Monteiro, mas é essa a única semelhança. No mais, fica a memória de uma previsão anedótica feita no início do processo – as vítimas da Casa Pia ainda responderão em tribunal pelas suas queixas!
O óbvio num país onde existem pessoas acima de qualquer suspeita, onde a impunidade tem força de lei escudada nos enredos de um processo feito à medida dos poderosos. A originalidade de haver crime sem criminosos!
Mas isto é latim e ninguém está interessado nesta lenga- lenga, muito embora esbraceje todos os dias contra a insegurança em vigor, sem perceber (porque não lhe convém) a ligação entre uma coisa e outra. Mas ela existe, porque um poder fragilizado no compadrio transmite à população um mau exemplo, acabando por legitimar a transgressão permanente.
Não temos portanto um problema de leis ou de penas, mas temos um problema de coragem para aplicar as leis e as penas que já existem.

Post-Scriptum: Veja-se um exemplo de impunidade e compadrio ao nível mais rasca: - parece que se ‘esqueceram’ de levar à presença de um juiz o adepto do Benfica que invadiu o campo e apertou o pescoço ao fiscal de linha! Em resultado não houve quaisquer consequências para o homenzinho. Terá sido para branquear a violência no futebol?! Foi para não dar má imagem dos adeptos do Benfica?! Ou por outra razão ainda mais ridícula?!
Claro que a partir de agora ninguém tem legitimidade para punir actos semelhantes, encorajando assim os infractores. E quando acontecer alguma coisa mais grave gritam todos - aqui d’El Rei… e eu é que sou monárquico!

sexta-feira, agosto 22, 2008

Trégua olímpica

O interregno respeita a trégua milenar razão porque desvaloriza o conflito no Cáucaso, o regresso em força dos talibans ou a onda de insegurança que varre Portugal de norte a sul!
É verdade, vamos respeitar os jogos e assim continuaremos até que nos roubem a vida ou os bens, nomeadamente o computador que serve de instrumento de escrita.
E a trégua tem razão de ser pois tal como previ o triplo salto de Nelson Évora redimiu a nação!
O presidente já não se demite, os atletas deram o máximo para quem ganha tão pouco e afinal somos só onze milhões… mais os imigrantes, mais o império invisível que continuamos a carregar sobre os ombros.
A insegurança também não é assim tão grande, e se for, o governo há-de encontrar alguma solução estatística. Nada de alarmismos portanto.
Pior do que nós, coitados, estão aqueles que ainda não ganharam nenhuma medalha de ouro.

sábado, agosto 16, 2008

Diário Olímpico

“Peço desculpa aos portugueses porque estiveram a pagar para eu vir ao Jogos” – assim falou Obikwelu após ter falhado a presença na final dos 100 metros!
Este nigeriano que, recorde-se, trabalhava nas obras quando alguém se lembrou de o levar ao Belenenses, revelou nestas declarações a massa de que se fazem os campeões!
Que diferença de mentalidade em relação ao habitual!
Parabéns Obikwelu, não por teres perdido, mas porque és educado!

Saudações azuis.

sexta-feira, agosto 15, 2008

De manhã, caminha…

Vamos pôr isto em bom português: eu caminho, tu caminha, estamos em Pequim e de manhã o corpo pede caminha. Melhor seria: vamos a caminho de Caminha que ainda é minha porque fica no Minho?! Consultar para o efeito o tratado de Tuy.
Seja o que for, a olimpíada portuguesa continua em alta: - os malandros dos árbitros; eram só oito setas…; foi por centésimos…; estou a gostar muito; esta viagem é um prémio; a égua assustou-se com a televisão!
A mentalidade anti-competitiva (quantas vezes já me referi a isto!) a funcionar - desde pequenino a não torcer o pepino – perder é uma vergonha, foi assim que te ensinaram, não foi meu rico menino?!
Vergonha e medo, por isso não és do Belenenses, diz a verdade, o teu pai (ou o teu tio) ainda eram, mas tu já não tens coragem de ser.
Não procurem razões (nem escutem os entendidos) porque aqui está a razão porque no futebol (e no resto) só há adeptos de três clubes… e com tendência minguante. Que isto de ser ‘região de Bruxelas/Madrid’ tem os seus inconvenientes, como por exemplo deixar de ser País. E nas regiões não se organizam campeonatos nacionais. Estão a ver?!
Bem, mas estávamos nós na caminha em Pequim onde se fala mandarim que vem do nosso verbo mandar. “Quando ainda tínhamos verbos…”!*
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*Lamento de Teodoro a caminho da China - ‘ O Mandarim’ de Eça de Queiroz.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Olimpíadas na segunda circular

As bandeiras estão içadas dos dois lados, o estádio ninho de pássaro existe, por ali não faltam terrenos para dar e vender, tudo se conjuga para que as próximas olimpíadas se realizem em torno daqueles dois baluartes do desporto nacional!
Não vamos dar importância aos pormenores – esqueceram-se de construir uma pista de atletismo?! Não há problema, os atletas vão treinar a Espanha, em última análise pede-se mais um sacrifício ao orçamento de estado. O que é preciso é que o atleta apareça na fotografia com a camisola e o emblema do ‘baluarte’.
E quando não existem nem secção nem atleta também não há problema – adquirimos o atleta nos pequenos clubes dedicados á formação. A publicidade e os impostos dos portugueses encarregam-se do resto.
E isso resulta? Não, mas o povo gosta disso.

Noutro registo - enviámos a Pequim a maior representação de sempre a uns Jogos Olímpicos e não é preciso ser adivinho para perceber que será também a maior frustração de sempre em termos de resultados. Não estou a falar de medalhas mas da simples expectativa que os atletas superem (ou ao menos igualem) as suas melhores marcas.
Infelizmente será mais do mesmo, com dois ou três super dotados a conseguirem o ouro e a prata que escondem a verdade do nosso desporto olímpico. E a verdade é amarga, pois tal como na política, os resultados desportivos não enganam - continuamos a divergir da Europa. E não é por falta de apoios estatais nem de propaganda!
Então porque será?!
A primeira parte deste escrito dá uma pista (olímpica) – e que tal apoiar fortemente o desporto escolar em vez de esbanjar dinheiro em clubes profissionais de futebol que, pese a boa vontade de alguns carolas, são aquilo que são – clubes profissionais de futebol.
O eclectismo de antigamente já não existe, nem pode existir. O que existe nos outros países europeus é um desporto escolar bem organizado, e a jusante, clubes por modalidade, onde os mais aptos podem desenvolver os seus dotes, sem estarem sujeitos aos interesses da indústria do futebol, e não só.
Assim talvez se inverta o nosso fado.

terça-feira, agosto 05, 2008

Sem título

Há dias assim em que apetece escrever sem motivo ou reflexão levado na corrente das ideias até que o pensamento retenha uma palavra um nome…
Soljenitsine é um nome difícil de pronunciar mais difícil porém foi sobreviver com esse nome!
Depois do exílio depois do livro que desmascarou o paraíso soviético depois de um longínquo ‘gulag’ reservado a dissidentes morreu pacificamente na sua terra.
Morreu sem alarido e nem depois da morte se desvendam os segredos que a mãe Rússia guarda em silêncio – o escritor não reconhecia a sua Pátria nas vestes de um modelo importado, advogava o regresso do Czar, o reencontro com a tradição, mas disso não interessa falar.
Para a posteridade Alexandre Soljenitsine.

sexta-feira, agosto 01, 2008

A crise republicana

A guerra surda entre a república (unitária) e as autonomias regionais produziu ontem mais um episódio insólito – numa inesperada comunicação ao país Cavaco Silva queixou-se do novo estatuto dos Açores (aprovado por unanimidade) alegando que lhe estavam a reduzir os poderes presidenciais.
Foi rápidamente secundado pelos partidos e personagens do costume e com as cambiantes conhecidas: - em romagem de saudade comunistas e centristas vieram em seu auxílio; no PSD fez-se um silêncio religioso; Sócrates pôs água na fervura; e o Bloco disfarçou com coisas mais importantes!
Porém não adianta desvalorizar o assunto porque estamos a falar do regime e da sua incapacidade para lidar com as autonomias regionais. Agora já não é o Governo que está no centro do conflito, é o próprio órgão Presidente da República que se ergue como força de bloqueio ao aprofundamento da autonomia e ao desenvolvimento regional!
Nestes termos não há que enganar - para um açoreano médio Cavaco Silva é um ‘inimigo’ dos Açores! E pela mesma bitola serão julgados os partidos que alinharem com o Presidente da República nas restrições à autonomia do arquipélago.
E tudo isto com eleições à porta!
'Os dados estão (assim) lançados' e não foi por acaso que esta semana o ideólogo do regime (o ex-Vital comunista) se empenhava tanto em lembrar a quinta república francesa, uma espécie de visão de um presidencialismo redentor!
Mas que o caso é grave, é sim senhor.
Talvez seja o fim do Interregno...
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Saudações monárquicas.

terça-feira, julho 29, 2008

Idade perigosa

Há uma idade perigosa para os homens, já não é aos quarenta, é mais tarde, quando querem afirmar uma juventude que lhes escapa inexoravelmente. Nesta fase, enquanto uns procuram no alterne a julieta dos seus sonhos, outros arvoram-se nos revolucionários que nunca foram e emitem pareceres em conformidade.
Começam aqui os problemas para o próprio, mas especialmente para quem os rodeia, surpreendidos pelo insólito comportamento destes eternos jovens!

Por exemplo, aplicada ao futebol a ‘doutrina Freitas’ era assim: - o árbitro resolve expulsar um jogador pelas razões (certas ou erradas) que entende; o jogador não se conforma, revolta-se contra a decisão e recorre ali mesmo para o plenário dos jogadores; o plenário decide então manter o jogador em campo e aproveita a oportunidade para suspender e substituir o árbitro!
O mesmo exemplo pode servir para ilustrar como funcionaria a ‘doutrina Freitas’ no caso do árbitro decidir encerrar o encontro invocando não haver condições para o mesmo prosseguir: nesta situação o capitão da equipa que estava a perder (ou a ganhar) reclamava para o plenário de jogadores, que suspendiam o árbitro e prolongavam a partida.

Portanto escusa o professor Freitas de escrever um livro, basta-lhe uma folha A4 para esclarecer o seguinte: o presidente do Conselho de Justiça da FPF tem ou não tem poderes próprios?! E nesses poderes incluem-se ou não dar início e pôr fim às reuniões por ele convocadas?! Assim como declarar o impedimento de um qualquer conselheiro?!
É que se tem poderes próprios pode naturalmente exercê-los com certeza ou erro, e das suas decisões (e enquanto durar a reunião) não cabe recurso para o plenário do Conselho de Justiça.
Se isto não é assim, então o presidente do CJ (ou de qualquer outro órgão similar) não tem poderes próprios e até o início dos trabalhos tem que ser votado pelo plenário dos conselheiros!!!
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Enfim… incongruências da idade.

sexta-feira, julho 18, 2008

Bem comum

Segunda-feira passada, no ‘prós e contras’, um belga que por cá casou e ficou (a ensinar filosofia), exaltava as nossas qualidades como povo mas admirava-se com a ausência de sentido do ‘bem comum’ entre os portugueses. E exemplificava com a resistência dos condóminos em contribuírem para as partes comuns do condomínio!

Sabendo-se que a noção de ‘bem comum’ é o cimento (e o impulso) que constrói as pátrias e que a sua ausência ou desvalorização, conduzem à extinção ou à dissolução das mesmas, não pude deixar de prestar atenção a tal depoimento, ainda por cima vindo de um observador privilegiado.

E digo observador privilegiado porque a existência da Bélgica só se compreende apelando à noção de ‘bem comum’, uma vez que estamos perante um estado constituído (fundamentalmente) por duas comunidades, flamengos e valões, com origens e idiomas muito diferentes, em tudo propensas à separação.

Esta separação não acontece (não aconteceu até agora) porque a noção de ‘bem comum’ prevalece, e prevalece, em minha opinião, porque tem uma representação política adequada. Na Bélgica, como se sabe, quem representa e garante o ‘bem comum’ é a monarquia, ou se quiserem, ‘o rei dos belgas’.

Aqui chegados, lembro-me que no referido programa, Fátima Campos Ferreira não resistiu e leu uma conhecida crónica de Eça de Queiroz onde este descreve o ‘estado da nação’ à época (finais do séc. XIX e finais da monarquia), retrato em tudo semelhante ao tempo presente. A mesma crise social, igual descrédito na política, na justiça, a desconfiança generalizada, com toda a gente a dizer mal de tudo e de todos.
E vivíamos ainda em monarquia, exclamarão (satisfeitos) os republicanos!

Dando de barato que o regime era monárquico, eu chamar-lhe-ía antes uma ‘república coroada’, torna-se necessário admitir que a noção de ‘bem comum’ é uma coisa e a respectiva representação política é outra. Normalmente (e de forma natural) coincidem em monarquia e só excepcionalmente (por períodos de tempo limitado) podem coincidir em república. Nunca coincidem, digo eu, quando as elites que detêm o poder impõem à população usos e costumes estranhos às suas origens e cultura. O ataque à Igreja Católica e ao catolicismo é neste aspecto recorrente.

Era portanto lógico que o divórcio entre o povo e a ‘elite afrancesada’ que chegou ao poder em 1820, se fosse aprofundando atingindo mais tarde por ricochete a própria instituição real. Hoje todos os historiadores vão nesse sentido, nomeadamente quando tentam explicar as causas do regicídio.

Podemos assim concluir que a noção de bem comum se fortalece nos caminhos da tradição, e esmorece sempre que o estado se afasta desses caminhos. Nesta ordem de ideias compreende-se que tenha sofrido forte abalo no período filipino; e que tenha recuperado com a restauração; também não foi bem tratada durante as razias de Pombal e decaíu muito no liberalismo; mas a machadada final no bem comum quem a deu foram os jacobinos republicanos, e curiosamente... invocando sempre o bem comum!

segunda-feira, julho 14, 2008

Restos de família

Não procurem aqui a verdade das ciências ou a fé das religiões, isto é um diário de emoções, são os instintos à solta e algumas necessidades cartesianas - opino, logo existo. Nada mais. Hoje preciso de falar na família, no conceito que herdei, que me dá jeito, e que Sócrates (o primeiro-ministro) também parece defender! Quem diria. Foi sem querer, eu sei, serviu apenas para denunciar a opositora, que não deu pelo anzol que o liberalismo mordeu e onde ainda se debate.
Manuela e Sócrates não se distinguem neste aspecto, filhos dilectos de Rousseau, ambos se conjuraram para destruir a família patriarcal, onde a comunhão e a solidariedade estavam presentes para além da consanguinidade. Para além da procriação. Era um conceito inclusivo e abrangente, não tinha a ver com os valores efémeros de cada época, consubstanciava uma realidade duradoura. Porém, a miragem do homem anjo, pré-familiar (!), as necessidades (comerciais) de conquista do poder pela burguesia, destronaram a família real - arquétipo e representação política familiar - e nesta contingência todas as famílias se desmoronaram.
Entre os escombros subsistem os restos do antigo agregado mas a confusão está instalada – a (avó) Manuela aprisiona a família na procriação enquanto Sócrates insinua abrangência para a contrariar! Mas não têm (não temos) sorte nenhuma, o mais certo é acabarmos a vida num lar, sem família por perto… sanguínea, ou outra.