domingo, maio 31, 2009

Cavaco

O teu confidente
O teu conselheiro
Quase como irmão
Que subiu a pulso
Pela mesma escada
Ministro no tempo
Do teu buzinão
Caiu em desgraça
Em contradição!

Eu sei que é mentira
Que está inocente
Que é tudo legal
Maldito o sistema
Maldito o regime
Que devora os seus filhos
Sem dó e sem pena!
Mas Cavaco, e agora?

Que vamos fazer?
Olhar para ao lado!
Um caso isolado!
E será desta vez
Que alguém é julgado?!
Responsabilizado!
Ou ficamos assim
Entre o não e o sim!

Não te oiço, Cavaco!

Foi-se o conselheiro
Foi-se a alegria
O país defunto
Foi até à praia
Vai ao futebol
E sou eu que pergunto:
Cavaco, para onde vamos?

quinta-feira, maio 28, 2009

E agora, José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
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Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
.
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
.
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
.
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
.
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

José Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, maio 26, 2009

Fátima forma governo!

A lavandaria república realizou ontem mais uma sessão de esclarecimento no ‘prós e contras’ da televisão pública. Presentes quatro eminências (pardas) do regime, e a incontornável apresentadora do programa, cada vez mais parecida com a dona Maria do Salazar!
E quem eram as eminências desta vez?!
Laborinho Lúcio - um dos ‘independentes’ mais chatos da Europa!
João Lobo Antunes – mandatário oficioso de todos os presidentes da república, passados, presentes e futuros!
Henrique Granadeiro – não sei a que título!
Padre Feytor Pinto – pregador emérito e Prior da freguesia do Campo Grande!
E qual era a barrela desta vez?!
A roupa toda, desde roupa interior, camisas e colarinhos, togas e aventais, carapuços, incluindo uma pré-lavagem das almas!
Tudo em vão!
A crise, essa nódoa persistente, não havia meio de sair!
Mas Fátima não desiste, acredita no milagre em televisão, e ali mesmo convoca as eminências para salvarem Portugal de si próprio! O perigo de não haver uma maioria absoluta nas eleições de Outubro é o motivo de tamanho patriotismo!
E o milagre acontece – pardos de espanto, a plateia embevecida, os quatro independentes quanto baste, decidem-se e aceitam fazer parte da próxima união nacional.
O programa de lavagem acabou entretanto, longo e morno, não vá a roupa estragar-se.

domingo, maio 24, 2009

Dá-lhe Manela…

Ao bastonário saltou-lhe o suspensório quando a Manelinha desbocada lhe perguntou: - se fazia fretes políticos! Claro que faz mas não quer que se saiba, já fazia quando era advogado e ía à televisão (de suspensórios) defender os arguidos de pedofilia… na Casa Pia. Fiz verso, mas foi por isto e por aquilo que chegou a Bastonário. E mal chegado vestiu a cota de malha justiceira por cima dos suspensórios. Sempre, sempre, ao lado dos arguidos e foi assim que o vimos defender os arguidos do Freeport! Mas nesta coisa de arguidos há sempre uma excepção em se tratando de Sua Majestade ou ódios de estimação! Aqui o fito é diferente – precisamos de calar quem se atreva a investigar o pessoal desse reino! Pois não é impunemente que ainda somos colónia, e a tradição bastonária é defender essa gente!
Dá-lhe Manela…

sábado, maio 23, 2009

Os presidentes perpétuos!

São recrutados na curva da idade, cheios de reumático da política, mas com aquela habilidade inata para dar uma no cravo e outra na ferradura. E se o passado consente, e a confraria também, está feito um presidente. O discurso é redondo, no primeiro mandato pagam-se as facturas da eleição, no segundo equilibram-se as contas para a saída consensual, o conselho vitalício, a reforma dourada. O terceiro mandato, por enquanto proibido, segue dentro de momentos. Isto é em Portugal.
Na América do sul, mais atrevidos, a emenda constitucional está sempre disponível para acrescentar mandatos – e parece ter chegado a vez de Lula no Brasil.
O argumento habitual: - os aliados gostam, os clientes precisam. Se juntarmos os grandes accionistas internos, a emenda passa, e temos Lula para o resto da vida. Respectivos familiares e amigos.
É para isto que milhões de pequenos accionistas votam! É para isto que muitos emigram à procura de um futuro melhor!
E o princípio republicano da alternância é afinal uma mentira.

Saudações monárquicas

segunda-feira, maio 18, 2009

A frase batida…

Mesmo quando tudo parece correr bem, um pequeno deslize, uma frase infeliz, deixa-me aquele amargo na boca que só consigo resolver ou com sais de fruto ou com alguma dose de caridade.
No Cristo Rei, na homilia, Sua Eminência o Cardeal Saraiva Martins explicava (ou desculpava!) o sentido da Realeza de Cristo – ‘não no sentido triunfalista mas na acepção bíblica do termo’ – que por outras palavras significa ‘serviço aos outros’.
Mas é precisamente este o único sentido da realeza.
Para quê então desviar o assunto para o ‘triunfalismo’, numa espécie de propaganda jacobina?!
Porque não disse o Cardeal simplesmente isto: - Cristo Rei no sentido bíblico do termo. O mesmo que levou os judeus a implorar: - ‘Senhor, dá-nos um rei’.
E se quisesse podia acrescentar que foi nesse mesmo sentido que a realeza foi exercida em Portugal, em razão da dilatação da Fé e do Império (impossível de acontecer uma sem o outro) e explicação última da festa do monumento e do santuário que ali se celebrava.
E Sua Eminência podia ter referido que a república nunca quis ouvir falar em Deus e recusou-se sempre (e recusa-se ainda) a incluir qualquer referência Cristã na constituição! Dizem que é em nome da separação entre a Igreja e o Estado. Eu digo que é em nome do divórcio entre a Igreja e o Estado.
Mas quando convém, quando se aproxima o centenário, em nome da próxima união nacional, vale tudo, até uma Missa! E tal como há cinquenta anos lá estavam os dignitários políticos e lá estavam também os mesmos equívocos e as mesmas evasivas.
Mas correu tudo lindamente.

quarta-feira, maio 13, 2009

Cristo Rei

Os 50 anos do Santuário do Cristo Rei (1959-2009)
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Programa Comemorativo:
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Sábado, 16 de Maio
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12 H - Chegada da Imagem de Nossa Senhora de Fátima à Igreja de São Nicolau (Lisboa)
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15.30 H - Recitação do Terço e Missa (Terreiro do Paço, Lisboa) - Missa presidida por D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.
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19 H - Cortejo de embarcações no Tejo acompanham a Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
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20 H - Recepção junto à Igreja de Cacilhas - Procissão de velas em Cacilhas.
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22 H - Vigília nocturna na Igreja Paroquial de Almada
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.Domingo, 17 de Maio
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10 H - Missa presidida pelo Bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, na Igreja Paroquial de Almada
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11 H - Visita da Imagem de Nossa Senhora à Associação Vale de Acór, no Monte de Caparica - Alcaniça.
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12 H - Tempo de Oração no Seminário de Almada
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13.30 - Com Nossa Senhora e Relíquias de Santa Margarida Alacoque a caminho do Cristo Rei, Procissão nas ruas de Almada.
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16 H - Celebração Aniversária do Cinquentenário, presidida pelo Enviado especial de S. S. o Papa Bento XVI, Cardeal D. José Saraiva Martins - Santuário do Cristo Rei.

sexta-feira, maio 08, 2009

‘Molino que tengo en Castillejos’

Tenho um moinho em Castillejos
Selo e escritura de aquisição
Fica bem longe em Castillejos
Girava ao vento, fazia pão!

Não me conheces, nem te conheço
Nessas planuras de solidão
Há quanto tempo em Castillejos
Giras ao vento, fazes o pão?!

Se ainda existes, espera por mim
Oh meu moinho da ilusão
Que eu quero ver-te em Castillejos
Girar ao vento, fazer o pão...

sexta-feira, maio 01, 2009

Dia do desempregado

Camaradas:
Hoje é dia de marchar contra o REGIME.
Portanto, é dia de marchar contra o governo, seja ele qual for!
Hoje somos desempregados (ou subsidiados), apenas os funcionários públicos (e os comissários políticos) têm emprego certo!
Hoje é dia de dizermos basta de canções de Maio, basta de punhos cerrados para nos enganar, de sindicalistas para nos dividir, porque com este folclore não nos governamos.
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Mais obras públicas para quê?!
Para dar trabalho precário e um salário de miséria aos imigrantes… enquanto os portugueses têm de continuar a emigrar?!
Para fingir que acompanhamos o progresso! Quando naquilo que é essencial – educação, saúde e pensões de reforma - ocupamos sempre os últimos lugares da união!
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Mais auto-estradas para quê?!
Para continuarmos a receber tudo o que vem da Europa (ou será da China e de outros países não comunitários!) com toda a facilidade!
Para adiarmos a necessária rede ferroviária que sirva os portos (e aeroportos) portugueses! Ou os actuais governantes ainda não perceberam que Portugal quer dizer ‘terra de portos’! De bons portos!
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Marchamos também contra o vício dos subsídios, instilado de cima, desde a adesão à união europeia. Vício que se transmitiu a toda a população, como uma doença, uma pandemia.
Não precisamos de governos cuja única função é distribuir (e filtrar!) subsídios comunitários! Precisamos de um governo (e de um regime) que restabeleça a confiança, que mobilize os portugueses no sentido de criar riqueza.
Criar riqueza para a distribuir melhor. Não podemos manter o maior fosso europeu entre ricos e pobres! E isto é como a pescadinha de rabo na boca - se desconfiamos da distribuição, produzimos menos.
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E chega de hipocrisia no relacionamento com as ex-colónias (Brasil incluído)! Se de facto precisamos uns dos outros nada melhor que uma política de verdade, articulada, sem perdermos de vista que os países, tal como os homens, não se medem aos palmos.
Cada um tem o seu desígnio histórico.
E se já nos esquecemos do nosso, lembremos a vida e a obra do Santo Condestável.
Ser independente é bom.

segunda-feira, abril 27, 2009

A separação entre o Estado e Portugal!

Com o argumento (e a desculpa) da separação entre a Igreja e o Estado, o poder político que temos, vai-se encarregando de destruir o que resta da identidade nacional!
Não nos enganam, aliás só enganam quem gosta de ser enganado! Infelizmente são muitos!
O pretexto para quase ignorarem ou distorcerem as celebrações da Canonização do Santo Condestável repetiu-se, resguardaram-se na comodidade do estado laico, já agora, republicano e socialista!
Ingratos, que nem percebem que foi o Canonizado que lhes deu o emprego, que lhes deu a opção de não fazerem parte quer do governo quer do parlamento espanhóis! Por certo estão arrependidos, pois têm feito tudo para acabar com a independência! Mas enquanto isso não acontece… podiam ao menos disfarçar.

Quem também não disfarça é a televisão pública, já nem falo nas outras!
Muito aparato, muitos jornalistas, muitos convidados para comentar (eu diria antes, dissecar!) o pobre Nuno Álvares, mas em tantas horas de emissão não foram capazes de focar, nem que fosse por segundos, o Duque de Bragança, sua mulher e filhos, todos presentes em Roma, e por coincidência, os familiares do Condestável!
Esqueceram-se da nossa História, da História escrita com maiúsculas!
É natural, têm outras prioridades, a história dos outros, por exemplo!

domingo, abril 26, 2009

Santo Condestável

"Imitai São Nuno de Santa Maria" - exortou hoje o Papa Bento XVI, dia da Canonização de Nuno Álvares Pereira!

sexta-feira, abril 24, 2009

Que bom seria...

Que bom seria um Condestável
Que fosse Conde e fosse estável
Um bom amigo e companheiro
De todos nós e do Herdeiro

Melhor seria se fosse Santo
E venerado por castelhanos
Reconhecido no mundo inteiro
O bom exemplo que precisamos

Aqui na terra como no Céu
Santa Maria, vamos cantar
Beato Nuno já era Santo
E vai-se em Roma canonizar!

quinta-feira, abril 23, 2009

‘Histórias de Deus’

Na torre de marfim onde habito, a vida passa-me muito ao largo, mas não foi hoje o caso! Um pequeno gesto de solidariedade, a habitual visita de quinta-feira, mais disponível e menos breve que o costume, e eis-me recompensado com um livro ao qual nunca dei importância. Esteve sempre ali, à mão de semear, mas só agora, perante o incentivo – ‘leve e leia, faz-lhe bem’ – acedi e trouxe o livro comigo.
É uma dificuldade que tenho, olho pouco para o que os outros escrevem, sejam ou não autores consagrados.
Abri ao acaso: –

‘Que tranquilidade contar histórias a um homem aleijado!
As pessoas saudáveis são todas instáveis; ora vêem as coisas de uma maneira ora olham para elas de outro ângulo; quando caminhamos com elas ao nosso lado direito durante uma hora pode acontecer que de repente as ouçamos responder-nos do nosso lado esquerdo, simplesmente porque lhes terá ocorrido que tal posicionamento é mais polido e demonstra requinte. Com um homem aleijado não temos de temer tais coisas. A imobilidade torna-o semelhante àquelas coisas com as quais ele de facto cultiva a intimidade; fazendo dele, digamos, uma coisa superior a todas as outras coisas, uma coisa que escuta não só com o silêncio mas proferindo também raras palavras calmas e de reverentes sentimentos.
É ao meu amigo Ewald que eu mais gosto de contar histórias. E ficava feliz quando da janela do dia a dia dele me chamava: “Quero perguntar-lhe uma coisa…”.

O resto da história fala de histórias que já andaram de boca em boca, que já tiveram vida, e hoje jazem no esquecimento de um livro de contos, arrumado definitivamente numa prateleira.
É a vida, dizem, mas valeu a pena a leitura!

‘Histórias de Deus’ de Rainer Maria Rilke.

terça-feira, abril 21, 2009

Detector Vital

Nasci com um aparelho incrustado no sangue, algures entre o coração e a memória, aparelho esse que permite detectar imediatamente franco-maçons, vulgarmente designados por ‘laicos, republicanos e socialistas’. Assim, mal um desses alienígenas entra no raio de acção ou campo magnético do meu aparelho, ele começa logo a apitar.
E não se julgue que apita por tudo e por nada! Não senhor, é instrumento fiável que distingue perfeitamente as várias patentes, ou seja, não confunde soldados rasos com generais.
Isto vem a propósito do programa de ontem sobre as eleições europeias.
Pois bem, sentei-me inadvertidamente à frente da televisão e quando a câmara fixou o candidato socialista, uma legenda invisível avisou-me imediatamente: - atenção, traço ponto traço, ‘republicano laico’ à vista. Havia lá outros, mas o aparelho só se interessou por este. E com razão! Cada frase, cada intervenção obedecia a um fito programado, a léguas do que ali se debatia, e o aparelho não se calava!
Apitou quando se falou da ética – ‘então não me diga que não sabe que o país da ética republicana é a França!’ – gracejou o Vital explicando que nesse país se pratica a duplicidade nas candidaturas… uma forma de enganar os eleitores, explicou o meu aparelho. Apitou quando o mesmo Vital se entusiasmou com a ‘constituição (napoleónica) europeia’, em nova e irreprimível declaração de amor pela pátria francesa!
E não apitou mais porque eu desliguei a televisão.
No final e como sempre faz nestas situações, o aparelho emitiu um pequeno relatório, tipo saldo de conta: - ‘temos a república afrancesada (e jacobina) que merecemos e só nos livraremos dela quando a França se livrar da sua revolução (e do seu Napoleão) ‘.
Rima e é verdade.

Saudações monárquicas

sábado, abril 18, 2009

O amigo dos judeus

Ainda não se sabe ao certo, estão ainda a escovar os arquivos, mas parece que Salazar foi grande amigo dos judeus durante a segunda guerra! Era aliás a quem os judeus recorriam quando precisavam de pedir alguma coisa! É o que transpira da documentação recentemente encontrada num armazém de Queluz, pertencente ao Gabinete do antigo primeiro–ministro. Com efeito, uma carta do ‘American Polish Relief Council, datada de Maio de 1944, solicita a intervenção de Salazar para apressar o transporte de conservas de peixe e frutos secos destinados aos prisioneiros de guerra’!
Cai assim por terra a tese (oportunista) que nos andaram a vender, do ‘Aristides bom’ e do ‘Salazar mau’, no que respeita aos judeus. E como esta deve haver outras.
A verdade a vir ao de cima…


Fonte: Jornal ‘Público’ de 18/04/09.

sexta-feira, abril 17, 2009

Afinal somos ricos!

"Meus amigos,

O que vos vou contar é verdade.

Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino, que conhece bem Portugal, e que alguns de vós conheceram no
Iate Clube do Porto, que chegou a fazer umas regatas em Leixões no Red Falcon...
Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos” : - Sabes, nós os portugueses somos pobres ....

Esta foi a sua resposta:

Manuel, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que eu pago?

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Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?

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Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares o equivalente a 20.000? Como é que podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não!

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Não te entendo.

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Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E não contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais.

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Além disso, são vocês que têm “ impostos de luxo” como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original; e outros como o imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.

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Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam outro, uma espécie de casino - o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.

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Sois pobres onde Manuel?

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Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado.

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Deixa-te de merdas Manuel, sois pobres onde?

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Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoa, isto é mais ou menos os vossos 2000 € . Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.

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Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.

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Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.

Que vou responder ao meu amigo americano?

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Por favor dêem-me sugestões."

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. Caro Manuel espero que não leve a mal a indelicadeza de ter publicado esta mensagem, mas penso que o seu amigo americano tem razão e não tem! À cautela, o melhor é continuarmos a sustentar esta corja (e este regime)... a ver se ficamos cada vez mais ricos!

quarta-feira, abril 15, 2009

O problema da matemática

Para nos distrair da crise nada melhor que a matemática! E se é para distrair ninguém melhor que o nosso presidente. Ele anda preocupado com a matemática que os portugueses não sabem! Diz que não gostamos de matemática desde pequeninos e eu pela minha parte confirmo, sempre fui avesso às grandes certezas que as ciências comportam. Nunca acertei com aquilo, talvez por preguiça mental ou falta de espaço na cabeça… sempre ocupada a sonhar!
Seja como for, se os portugueses não gostam da matemática a verdade é que a matemática também não gosta da maioria dos portugueses! E são inúmeros os exemplos desta má relação. Senão vejamos: - aos que trabalham é atribuído um vencimento mensal, que na realidade vence muito antes do fim do mês, aliás, mal chega para quinze dias! No que toca aos aumentos sabemos que são incertos e, quando acontecem, aumentam a nossa descrença na matemática: - aplicada a regra de ouro percentual, poucos portugueses percebem porque é que o fosso entre os grandes ordenados e os restantes continua a aumentar! A partir daqui por mais explicações que nos dêem é muito difícil encaixar a ideia de que as barrigas de uma minoria são muito maiores que todas as outras juntas!
É claro que esta disfunção matemática tem reflexos em tudo e assim é vulgar que um português médio (mais uma noção matemática!) recuse a realidade e procure um escape para os seus problemas: - por isso não aceita (e discute toda a semana) o resultado do jogo, se o seu clube perdeu; e pela mesma razão joga apaixonadamente no euro milhões mesmo sabendo que as hipóteses matemáticas de acertar na chave vencedora são infinitamente pequenas!
Enfim, sem distracções (como no planeta dos macacos) – o problema não é a matemática, ‘tu é que tá ganhando pouco’!
Quanto ao mais, a vida corre bem aos ‘matemáticos’ deste país.

domingo, abril 12, 2009

Páscoa

De ti quero lembrar a nobreza e a beleza que isso tem. A coragem e a desvantagem que isso traz. A vertigem e o perigo que contém. A alegria e a inveja que me faz. A paixão e a certeza da Ressurreição.
De ti hei-de lembrar-me sempre.

terça-feira, abril 07, 2009

Ponte Salazar

O texto é conhecido, e vem publicado numa das obras de Franco Nogueira sobre Salazar, mas vale a pena transcrevê-lo para dele retirar algumas ilações. Especulações de monárquico empedernido e não aquelas que alguns (ou muitos) esperariam.
Sobre o baptismo da ponte disse na altura Salazar:

“Vi num estudo que a Ponte tinha o meu nome. E isso não poderá ser, como expliquei ao senhor ministro das Finanças. Se não há melhor podemos chamar-lhe Ponte de Lisboa.”
Mais tarde e na companhia de Arantes e Oliveira visita a ponte a título privado e vendo o seu nome escrito em letras de bronze, pergunta: - “As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas?” Porquê, indaga o ministro?! “É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar depois muito trabalho a arrancar…”.
A seguir à inauguração e perante o facto consumado Salazar ainda comentou: - “Teimosia do Presidente e do Ministro… mas é um erro” explicando – “Acreditem: os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo casos de Chefes de Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se consagra um símbolo da Nação. Mas em se tratando de figuras políticas, como é o meu caso, então há que esperar, há que deixar sedimentar, e se ao fim de duzentos anos ainda houver na memória dos homens algum traço do seu nome ou da sua obra, então até é justo que se lhe preste homenagem.”
E concluiu apontando o indicador para a lápide em gesto de aviso: - “O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte e por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas…”.

Comentário deste interregno: - o verdadeiro Interregno poderia ter terminado se Salazar juntasse à clareza dos seus raciocínios a coerência dos seus actos. Não sendo assim, como diria um pensador que admiro, “falta a verdade de tudo isto”!
Explico: - apesar das reticências a verdade é que Salazar consentiu que a Ponte fosse baptizada com o seu nome. E na mesma linha de pensamento mesmo considerando que os reis são o verdadeiro símbolo da Nação, a verdade é que nada fez para que a Nação tivesse esse símbolo!
Sobrelevando tudo o resto, as suas palavras revelam um homem certeiro mas profundamente descrente.

Saudações monárquicas

domingo, abril 05, 2009

Duas ideias patetas

Em época de crise ouvimos dizer que a Europa é pouco solidária, que cada país toma as medidas que entende sem olhar aos interesses da união europeia.
Ora bem, para além da dificuldade em identificar quais são os interesses da dita união, o que os vários governos fazem é básico: - tentam resolver os problemas internos imediatos, com um mínimo de contestação e sem pôr em risco uma futura reeleição. Tudo dentro da lógica do sistema e por isso não vejo qual é a admiração!
Só os europeístas patetas é que podiam imaginar o contrário, ou seja, que um Sócrates (não esquecer o Cavaco) ou um Sarkozy qualquer pensasse primeiro nos outros e só depois olhasse para o seu umbigo!
A segunda ideia pateta (fabricada por uns quantos para consumo universal) ‘pensa’ que a solidariedade se obtém por decreto, a partir daquele processo laborioso a que chamam vontade democrática!
Nada mais errado.
A solidariedade repousa na confiança (no poder político) e a confiança é um sentimento, não é uma ideologia ou uma razão: - existe ou não existe, ponto final.
E a não ser que queiramos produzir solidariedade a foice e martelo, o melhor é concluirmos que a união europeia é (ou foi) um negócio de ocasião.

Saudações monárquicas