sexta-feira, setembro 25, 2009

Votar na direita

Esquerda e direita, não fujo à questão, digo apenas que votar na direita é uma tarefa difícil em Portugal!
Por várias razões. Desde logo por causa da propaganda mentirosa da esquerda que chama direita a tudo aquilo que não gosta ou acha que está torto! São mais de trinta anos de propaganda, asfixiante, quase totalitária.
Uma segunda razão, que decorre directamente da primeira, e pontua todas as outras, assenta no medo que aquela propaganda provoca num povo timorato, assustadiço, e com longo historial de adesivo.
Por isso a direita portuguesa tem andado escondida, onde pode, e vai vestindo algumas fatiotas que notoriamente não lhe servem. Pior, assim desposicionada, desfigura completamente o leque partidário, confunde e confunde-se, e sem querer, dá razão à caricatura que a esquerda inventou para si.
Ultimamente, timidamente, ouvem-se algumas vozes que se afirmam de direita, mas de conteúdo e origem suspeitas.
A ver se nos entendemos – a direita não é social-democrata; nem centrista; no primeiro caso porque (a direita) não é de esquerda; no segundo caso, porque a direita não é liberal.
A direita também não é racista ou xenófoba, terminologia de esquerda para escamotear a verdade – a direita é nacional, no sentido em que se responsabiliza pelo presente e futuro dos portugueses. Por isso tem prioridades – resolve primeiro os problemas internos. Um exemplo – a direita quer acabar com a insegurança em Portugal, e só depois se abalança a tentar resolver os problemas de segurança no Afeganistão.
Mais, a direita é abrangente, não renega o passado, e ao contrário da esquerda, não se envergonha da história, considera portanto que são portugueses ‘todos aqueles que se deixaram tocar pela aventura da descoberta’, ou seja, todos aqueles que querem ser portugueses.
A direita tem uma ideia séria sobre o Estado, uma ideia de serviço e não de emprego para familiares e amigos. Por isso responsabiliza os funcionários públicos e premeia o mérito. Acha, por exemplo, descabido que numa altura de crise generalizada, com o desemprego a subir em flecha, que aqueles que têm o posto de trabalho garantido, se dêem ao luxo de reivindicarem seja o que for! Que seria pago com os impostos de todos. E sem qualquer benefício para a comunidade.
O mesmo se diga das obras faraónicas, construídas com o suor da escravidão! E que outro nome têm os imigrantes que nelas trabalham?! Sem quaisquer garantias e que sobrevivem amontoados num contentor?! Não, a direita não constrói pirâmides nos tempos modernos.
A direita não privatiza os serviços que cabem na vocação do estado – saúde, justiça, forças armadas e de segurança. Mas porque reconhece os seus limites (coisa que a esquerda não faz ideia) nunca renegou alianças estratégicas com as instituições históricas, emanadas do povo, e que moldaram esse mesmo povo. Por isso a direita apoiou sempre as Misericórdias. Não as nacionalizou para as destruir ou domesticar em função de interesses ideológicos ou particulares. Nessa tentação caiu a esquerda.
A direita toma a Igreja Católica por aliada, e não a diminui. Muito pelo contrário, reconhece a sua importância no ensino, na saúde, na caridade.
A direita tem valores que a distinguem da esquerda – é pela vida; é pela tradição. E ser pela tradição significa respeito pelo saber acumulado. Respeito pelo passado para que possamos amanhã (quando formos passado) ser também respeitados.
Neste sentido a direita não é estúpida, não tem a presunção de fundar Portugal todos os dias. Nem quer descobrir a pólvora.
Finalmente a direita quando é governo não estimula as causas fracturantes, prefere estimular a coesão nacional.
Terá então a direita a chave para resolver a crise?
Não sabemos. Sabemos apenas que a esquerda, que há trinta anos domina os órgãos do estado, não tem condições para tal.

Posto isto, haverá algum partido de direita onde possamos votar no próximo Domingo?

Chefia de estado independente, precisa-se

Prisioneiro dos partidos, porque deles provém e só com o seu favor se candidata, o chefe de estado republicano acaba de interferir de maneira decisiva na campanha eleitoral. Mesmo que não quisesse fazê-lo, os partidos, omnipotentes e tentaculares, têm sempre a possibilidade de o chamar a terreiro para cobrar a factura da sua eleição. E como no horizonte se perspectiva nova eleição presidencial, o presidente, à semelhança do país político, não tem outro remédio senão andar em permanente campanha eleitoral. Com todas as consequências para a sua própria credibilidade e imagem. Isto não é bom para Portugal.
Como bem diz o Duque de Bragança, estes episódios das escutas, que mancham de suspeição (todas) as instituições políticas, não acontecem nas monarquias europeias. Porque insistimos então num modelo ideológico que na prática não funciona?! A quem serve afinal este regime?!
E a questão volta a colocar-se - que vamos nós comemorar no 'centenário da república?!
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. Saudações monárquicas.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Lixeira a céu aberto

Por mais aterros sanitários que se façam ele aparece por todo o lado! Mal coberto, vem à superfície e revela misérias, novas e antigas, e quando não se vê deixa o cheiro pestilento. Em se tratando de época eleitoral é pior. O país reduz-se então a um enorme eco-ponto onde cabe quase tudo. O presidente desta república do lixo dá o exemplo - mexe e remexe de acordo com as conveniências da lixeira (porque a lixeira também tem as suas conveniências) e nesse afã não poupa amigos e correlegionários! No lixo vale tudo.
Do outro lado da lixeira, na zona dos plásticos, agitam-se alguns detritos flutuantes, triunfantes porque ficaram momentânea e aparentemente por cima. É assim a vida do lixo.
O melhor é ficar por aqui, longe das urnas, por causa dos salpicos. Eu disse urnas, mas pensei em contentores... do lixo.

terça-feira, setembro 15, 2009

Farto de Manuelas

Aparecem com ar de novidade, como se aqui aterrassem pela primeira vez, mas nunca de cá saíram, andaram sempre por aí, e a receita é a mesma – produzir e poupar. Uma boa receita, pena que sejam (sempre) os mesmos a pagar a conta.
Ah, mas é melhor que Sócrates, dizem. Não sei. Ambos mentem. Sócrates prometeu baixar os impostos e não fez outra coisa senão aumentá-los! Nem os reformados escaparam. Manuela afirma que é a seriedade em pessoa, e agora é ela que promete não aumentar os impostos. Mas no seu discurso só fala de dívidas, dívidas que temos que pagar. Já agora com que dinheiro?! Com o dela não é certamente. Por outro lado ninguém se esquece do episódio das acções do Benfica – que serviram para pagar dívidas fiscais! Papéis sem qualquer valor, uma cedência ao popularucho, a dama de latão no seu melhor.
Mas aquilo que mais os identifica, chefes de fila que são de dois partidos iguais, é esta querela castelhana!
Um, por causa do TGV, a outra, por causa do Santander, acusam-se mutuamente de estarem ao serviço dos espanhóis. E desta vez, provavelmente, têm ambos razão.
Para desespero do país.

Saudações monárquicas.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Medina razão!

Medina Carreira tem razão. Só que não basta ter razão é precisa a solução! E a solução é política, se o problema é económico. E a solução proposta, um conjunto de homens bons, pessoas sérias, desprendidas do poder, capazes e trabalhadeiras, não existem, ou se existem não querem participar num jogo/sistema/regime… batoteiro. A história é simples e repetida.
Aliás, a ideia do Professor fez-me lembrar outro Professor – quarenta e oito anos de união nacional, mais ditadura. E um presidente da república para inaugurar fontanários!
Talvez seja útil reavivar a memória - todos se lembram que o rei D. Carlos também quis dar uma solução ao país. Solução que passava pelo fim das manigâncias partidárias, dos governos que caíam, apenas porque isso interessava à oposição!
Foi assassinado por causa disso.
E a verdade é que existe uma grande similitude entre o chamado rotativismo monárquico e a situação actual – em ambos os casos subsiste, ou uma batota regimental, que ninguém (nem o rei) conseguiu emendar, ou uma ideologia infantil, que também ninguém quer emendar!
E não querem emendar porque isso não convém ao nacional barriguismo.
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Mas vejamos o paralelo: - no rotativismo, os dois partidos que se revezavam no poder, sabiam que destituindo o adversário era a eles que (constitucionalmente) incumbia a tarefa de prepararem as próximas eleições! Que ganhavam sempre, bastando para tal prometer lugares e mordomias à clientela habitual. Clientela que mudava de casaca e de voto consoante as conveniências do momento. Foi esta batota que arruinou o país e permitiu o assalto ao poder por parte do partido republicano.
Não havia homens bons e honestos nesse tempo?! Claro que havia, mas afastavam-se da política.
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Actualmente as coisas passam-se com outra subtileza mas o resultado é o mesmo – os partidos do arco do poder também se revezam e também sabem que as promessas eleitorais são para esquecer após a vitória nas eleições. Mas, ao contrário do rotativismo monárquico, o (partido do) governo tem possibilidades de ser reeleito, uma vez que o período eleitoral é assegurado pelo governo em funções, ainda que com reserva de gestão.
Porém, se conseguimos maior estabilidade governamental, não diminuímos o clientelismo partidário. A situação piorou, porque os partidos se tornaram omnipotentes e omnipresentes, já que nem o presidente da república lhes escapa. Pois são eles que o produzem.
Ficámos, portanto, com todos os vícios do rotativismo monárquico e perdemos um árbitro, que não dependia dos partidos e por isso mesmo, podia ser árbitro.
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Sabemos que aqui na terra não existem regimes perfeitos. Mas existem uns melhores do que os outros.

Saudações monárquicas

quinta-feira, agosto 13, 2009

A reacção cinzenta (cobarde)

Segundo informações que posso considerar fidedignas, a polícia judiciária deteve hoje Rodrigo Moita de Deus e Henrique Burnay (elementos do 31 da armada) quando ambos se aprestavam para devolver (à Câmara Municipal de Lisboa) a bandeira da cidade. Bandeira que foi (momentâneamente) substituída no passado dia 10 de Agosto por uma das bandeiras portuguesas. A bandeira azul e branca.
Como se vê o regime republicano não mudou nada! É o mesmo que foi imposto pela força em 1910, que nunca foi referendado ou plebiscitado, que substituíu sem pedir licença a bandeira nacional, é o mesmo que sobreviveu em ditadura durante meio século, que alijou responsabilidades através de uma descolonização 'exemplar', e que tem uma justiça com dois pesos e duas medidas. Nestes regimes as forças de segurança nunca são respeitadas porque estão mais preocupadas com a defesa da situação do que com os direitos e deveres dos portugueses.
Por isso o chamado caso da bandeira, cumprido o seu papel cívico, teria ficado por aqui, se houvesse da parte do poder a sensibilidade e grandeza necessárias para perceber a mensagem e encaixar o revés. Mas pelos vistos não há.
E nem podia haver pois então estaríamos a falar de outro regime, um regime em que os monárquicos não teriam razão.
E já não peço que se regenerem, mas peço que não façam mais asneiras - soltem os prisioneiros, já.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Uma bandeira no interregno!

Um grupo de patriotas, cansados de esperar, escalaram a parede do município de Lisboa e içaram a bandeira de Portugal!
Reposta a legitimidade, o azul e branco tremulou ao vento, a cidade amanheceu coroada, mais bonita e mais portuguesa!
Polícia, transeuntes, funcionários da câmara, não deram por nada! Como se a bandeira lhes fosse familiar!
Aos intrépidos conjurados do ’31 da armada’ só posso acrescentar a minha voz – Viva Portugal!
Afinal o futuro ainda existe!

Saudações monárquicas

quinta-feira, julho 30, 2009

Apanhados da semana

Super Dragão apanhado em rede de prostituição – contratava brasileiras para jogarem nos bares de alterne do Porto;

Madaíl apanhado em offshore – a Federação jogava o nosso dinheirinho na dona branca;

Benfica apanhado no tráfico de influências – fez contratos com terceiros (Euroárea!) onde se propõe mover influências junto das autarquias (Lisboa e Seixal, tanto quanto se sabe) para alterar os respectivos PDM (mais área de construção) a favor desses mesmos terceiros. E há sinais de que vai conseguir ‘honrar’ esses ‘compromissos’;

PS e Bloco apanhados a mentir – por causa da Joana um dos três mente;

António Costa apanhado por Santana – no debate para a CML Santana apanhou Costa em contradição. Obra feita, zero; planos absurdos, muitos; encarecer e atrapalhar a vida das pessoas, sempre. E provou que anda mal acompanhado. O ‘Zé oportunista’ (que faz parte da lista do Costa) só serve para gastar dinheiro à cidade;

E se fossemos contabilizar mais apanhados o rol não tinha fim. Sirva de consolação à república que na união europeia já fomos apanhados (e ultrapassados) por todos!

Saudações monárquicas

quarta-feira, julho 15, 2009

Almada, Tejo e depois…

Almada, Tejo e agora
Canto o que falta cantar
Canto a cidade encantada
Numa quadra popular!

Arraial por São João
É festa rija em Almada
O Tejo salta o pontão
Numa onda apaixonada!

Tenho Almada à minha espera
O Tejo faz-me esperar
Eu hei-de ir ao São João
Nem que tenha que nadar!

O Tejo namoradeiro
Traz Almada no beicinho
São João que é padroeiro
Faz questão em ser padrinho!

Almada atira-se ao Tejo
São João está-se a afogar
Ou vamos ficar sem festa
Ou sou eu a delirar!

São João tem dois desejos
Num manjerico dos seus
Almada com mil festejos
O Tejo da cor do céu!

Vou até à outra banda
Com o Tejo folgazão
Almada anda e ciranda
Nas marchas de São João!

Há canções ao desafio
Vai São João a passar
Almada toda é um rio
E o Tejo parece o mar!

Almada, Tejo e agora!
O São João acabou
O povo já foi embora
Só a saudade ficou!

Almada, Tejo e depois
Um sentimento profundo
As festas da nossa terra
São sempre as melhores do mundo!

quarta-feira, julho 08, 2009

A casa verde e encarnada

É provável que os cem anos se festejem com uma longa amnistia onde caibam todos os crimes. Desde a pedofilia de estado ao favorecimento político, passando pelo enriquecimento ilícito. Grandes beneficiários serão os partidos do arco do poder mas comunistas e afins também serão contemplados.
O pacto de regime tentará calar o descontentamento popular com medidas avulsas, segurando até ao limite cargos e mordomias. Serão os treze anos de guerra desta terceira república! Se a Europa aguentar, obviamente.
A corroer os fundamentos subsistem todos os vícios conhecidos, o escândalo diário, a justiça que não existe, e o risco eminente de fracturas partidárias.
‘Zangam-se as comadres…’, diz o povo, foi assim que acabou a monarquia constitucional.
É assim quando os regimes deixam de ser representativos.

Saudações monárquicas

segunda-feira, julho 06, 2009

O Belenenses nunca desce?!

Esta é a pergunta que me acompanha desde que saio até que entro outra vez em casa. Entre sorrisos de escárnio e mal dizer, quem me pergunta, não quer ouvir a resposta, só quer fazer a pergunta. Por isso e para os interessados tenho que lavrar a presente acta que vai conforme a resposta original, a saber:

O Belenenses, na sua qualidade de único clube que ainda não é satélite de nenhum dos ‘três clubes do estado’, está condenado a ser sempre convidado para participar neste campeonato a fingir. Porque seja sueca ou bridge, falta claramente um parceiro, nem que seja para fazer de ‘morto’.
Os clubes suportados pelas regiões autónomas seriam uma hipótese a considerar, desde que alguém estivesse disponível para pagar as passagens.
Quanto aos restantes, nada feito! Ou gravitam na órbita de Benfica e Sporting, ou são satélites do Porto. Não vale portanto a pena perder tempo com clones ou duplicados. Sujeitos a desaparecerem mal se esgote o interesse do respectivo protector.
Por isso, por mais secretarias que inventem, por mais descidas que aconteçam, a realidade é mais forte – o Belenenses existe. E existe por si.

Saudações azuis.

sexta-feira, julho 03, 2009

Cortesias em São Bento!

Eu sou do tempo em que Portugal e o mundo se confundiam. Tenho portanto quinhentos anos! Nesse tempo corriam-se touros a sério, as touradas eram um espectáculo divertido, e o povo dava por bem empregue o seu tempo!
Bons tempos que não voltam mais…
Agora estamos reduzidos a animais de pequeno porte que nem para garraiadas servem! Ensaiam gestos, fazem umas cócegas uns aos outros e correm a refugiar-se nas tábuas.
Foi o que aconteceu ontem durante as cortesias em São Bento. Um ministro acabou corrido e um dos ‘inteligentes’ ficou-se a rir! Cenas tristes.
E o povo ainda tem que pagar para ver isto!

sexta-feira, junho 26, 2009

E que tal falar de política?!

É admissível que um monárquico convicto se dedique a fazer quadras para o São João enquanto o país está mergulhado numa crise política profunda?! Uma crise que (de acordo com os analistas) pode levar à substituição de Sócrates por Manuela Ferreira Leite?!
A resposta é óbvia: - sim, um monárquico pode continuar a brincar ao São João, deve aliás distrair-se como puder, se essa eventualidade vier a acontecer.
Porquê?!
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Passo a explicar: - ser monárquico, aqui e agora, só tem um significado – é alguém que acredita que os problemas decisivos do País não se resolvem, sem resolver primeiro a questão do regime. Dito de outra forma – Portugal não tem um problema de governo mas um problema de regime. Problema, no sentido que este regime (republicano) não serve.
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Se isto for verdade, e eu estou convencido que sim, a mera substituição de Sócrates pela Manuela não serve para nada. Aliás, se a alternância servisse para alguma coisa, os trinta anos de rotativismo social-democrata já tinham resolvido os nossos problemas. E a verdade é que não resolveram. Pior, agravaram a situação, endividaram os portugueses, estamos cada vez mais dependentes e perdemos horizontes!
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Mas o melhor argumento para as quadras do São João (e que define bem a perversão do regime) é o seguinte: - Sócrates não está no poder por ser socialista ou social-democrata, por ser mais favorável aos grandes investimentos públicos ou aos pequenos investimentos privados, ele está no poder porque tem sido até agora quem melhor serve a estratégia dos donos do regime. Por isso concita apoios em sectores aparentemente contraditórios, desde a banca aos grandes escritórios de advogados, desde as grandes empresas privadas às corporações mais influentes!
Alguns e algumas fazem-lhe oposição em público mas não deixam de o apoiar no essencial.
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No caso da Ferreira Leite seria a mesma coisa. Também por isso, ela só será eleita se (e quando) servir melhor que Sócrates aqueles interesses específicos. É esta a lógica do regime. É esta a lógica nos regimes onde os árbitros são eleitos e por isso também jogam. Com esta lógica percebe-se que os indigitados pouca influência tenham no desempenho dos seus cargos.
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E esta é uma razão decisiva para eu continuar a ser monárquico – é que os tais ‘interesses específicos’ não correspondem aos interesses dos portugueses nem de Portugal. Se correspondessem, não permaneceríamos, como um estigma, na cauda de todas as europas!
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Estão justificadas as quadras e está justificado o alheamento.

Saudações monárquicas

Noite de São João

Uma noite como esta
Feita com arco e balão
Lancei foguetes na festa
Deixei lá o coração!

Um coração que perdi
Um coração que era meu
Ninguém sabe o que perdi
Ninguém sabe o que perdeu!

Manjerico dos desejos
Cada qual tem o seu
Quando será que te vejo
Quando será tu e eu!

Ando tonto na cidade
Corri tudo e tudo em vão
Onde estão os olhos verdes
Que não vi no São João!

quarta-feira, junho 10, 2009

Dez de Junho

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!
Se cumprisse o seu destino
Que poema nos dizia?

Seriam versos de pranto!
De desgosto e desencanto!
Ou acordes de alegria!

Se por acaso passasse
E por aqui se perdesse
Que diriam os seus olhos
Se visitasse o País?

Veriam cravos e rosas!
Ou uma árvore sem raiz!

E dou por mim neste enleio
Que alimenta o receio
Que dá força à fantasia…

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!

segunda-feira, junho 08, 2009

‘O jogo das escondidas’

Quando éramos miúdos era um jogo obrigatório, a gente fingia que se escondia, havia um ‘coito’, e o respectivo guardião só tinha que evitar que os ‘escondidos’ chegassem até lá sãos e salvos. Este jogo tem outros nomes e em Portugal, como as pessoas têm dificuldade em crescer, continua a ser praticado em todas as idades, e em todas as circunstâncias! É assim na política, nas escolhas partidárias, os portugueses escondem-se (ou abrigam-se) em locais inverosímeis, mas isso não importa, o que é preciso é que a brincadeira continue.
Por isso temos dois partidos sociais-democratas que fazem oposição um ao outro! Por isso a direita anda em bolandas, escondida há trinta anos onde lhe dá jeito, por isso temos um partido centrista apenas de nome, um partido comunista que passa por nacionalista, e temos ainda, em contra ciclo universal, esse fenómeno mediático chamado ‘bloco de esquerda’! Um núcleo de trotskistas fora de prazo, sem projecto de poder, que arregimenta a parolice nacional contra o governo, seja ele qual for!
Por isso foram eles que ganharam as eleições, como é óbvio.
E é por tudo isto que não fazemos parte da Europa.
Basta consultar os jornais de hoje para provar o que afirmo: - na Europa, a direita ganhou em toda a linha. Em Portugal, exceptuando o governo, a ‘esquerda’ reforçou-se em toda a linha!
E para o espectáculo ser mais infantil, a direita canta vitória escondida na esquerda a fingir!
Um jogo das escondidas que promete durar os quarenta e oito anos da praxe.

Saudações monárquicas

domingo, junho 07, 2009

Dia do juízo

Na folha branca de símbolos nem sombra de Europa! Também não vi o mar, vi apenas nevoeiro, mas entrei no jogo – o mais perto do mar é a terra e pus a minha cruz no partido da terra. Tem terra a mais, soa a santa terrinha, estou farto da virtude demonstrada por a+b, mesmo assim achei que fazia sentido votar na terra. Afinal ainda possuo um bocado de terra defronte da mesa de voto.
Despedi-me afectuosamente dos comissários de sempre, que como sempre terão pensado que eu votei no CDS, ou coisa que o valha.
Votar no CDS era de facto uma hipótese se o critério se resumisse às chamadas ‘causas fracturantes’ – aborto, casamento de homossexuais, eutanásia. Mas este seria um voto defensivo, um voto para perder por poucos, porque a derrota pela via democrática está há muito anunciada.
Se o PPM existisse, se não estivesse ao serviço de um projecto pessoal, de um rei sobresselente, eu teria votado na monarquia, único regime que garante ao mesmo tempo, a liberdade e a independência. Mas enquanto os monárquicos não tomarem conta do PPM ficamos assim, a olhar para uma folha de papel sem saber o que fazer!
É verdade, também havia a Laurinda, uma novidade, mas eu não gosto de novidades. Segui portanto o meu destino, faço parte da média europeia, votei na mediania, na mediocridade. Uma opção como outra qualquer.
O mar pode esperar… ou como dizia um amigo: - se quiseres ver o mar vai ao lago do campo grande!

sexta-feira, junho 05, 2009

Eu voto no mar

Já reflecti, já escolhi, a cruzinha vai para o mar. Não existe partido do mar, pois bem, votarei naquele que estiver mais à beirinha, que não me obrigue a ficar em terra à espera da Europa.
Não votar no mar (da nossa independência) seria até uma desfeita ao Santo Condestável no ano da sua canonização!
Assim, não posso votar em nenhum dos partidos que advogam a Europa acima de tudo! Onde (ainda) se albergam o entusiasmo e a subserviência pela França e pelo seu imperador! Sempre prontos a entregar as chaves da cidade (e do país) ao primeiro Junot que lhes apareça pela frente.
Também não posso votar naqueles que advogam a união ibérica, corolário natural desta união europeia sem reservas. São (ainda) aparições do partido republicano português, os mesmos que trocaram de bandeira, que apagaram as cores de Portugal - o azul e branco.
E não posso votar num partido conservador porque não há, provávelmente porque não há nada para conservar!
Por exclusão de partes, restam os pequenos partidos que não estão representados na assembleia da república. Por aqui me sirvo.
Mas será que existe algum (ou alguém) que ainda saiba navegar?!

domingo, maio 31, 2009

Cavaco

O teu confidente
O teu conselheiro
Quase como irmão
Que subiu a pulso
Pela mesma escada
Ministro no tempo
Do teu buzinão
Caiu em desgraça
Em contradição!

Eu sei que é mentira
Que está inocente
Que é tudo legal
Maldito o sistema
Maldito o regime
Que devora os seus filhos
Sem dó e sem pena!
Mas Cavaco, e agora?

Que vamos fazer?
Olhar para ao lado!
Um caso isolado!
E será desta vez
Que alguém é julgado?!
Responsabilizado!
Ou ficamos assim
Entre o não e o sim!

Não te oiço, Cavaco!

Foi-se o conselheiro
Foi-se a alegria
O país defunto
Foi até à praia
Vai ao futebol
E sou eu que pergunto:
Cavaco, para onde vamos?

quinta-feira, maio 28, 2009

E agora, José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
.
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
.
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
.
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
.
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
.
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

José Carlos Drummond de Andrade