segunda-feira, outubro 12, 2009

A esquerda unida

Portugal já era dos poucos países onde ninguém perde e todos ganham! Agora ultrapassou outra fasquia, a das vitórias com sabor a derrota! Já tinha sido assim nas legislativas - o PS cantou vitória depois de ter perdido mais de meio milhão de votos e uma série de deputados! Aconteceu ontem com o PSD, indiscutível vencedor das autárquicas, porque de facto é o partido que tem mais autarquias (câmaras e freguesias), mas os seus resultados ficam bem longe dos alcançados em 2005. E está a perder gás a cada eleição. Não fora o precioso auxílio do Partido de Portas, especialmente nas áreas urbanas, e os prejuízos seriam ainda maiores.

Quanto ao PS, limitou-se a capitalizar as percas do seu adversário, tirando partido da bipolarização preexistente. Mas nada de euforias e isso viu-se em Lisboa – nem as sondagens amigas, que durante a semana tentaram desmoralizar Santana, nem as projecções de esquerda ao princípio da noite, conseguiram disfarçar o incómodo de um empate técnico que chegou a perfilar-se! Só a madrugada trouxe alguma paz à ‘frente popular’!

Sim, porque quem ganhou em Lisboa não foi Costa, foi a esquerda unida, num ensaio da futura candidatura presidencial de Alegre. E aquilo está muito justo. Foi preciso fazer tremendos sacrifícios – o PCP perdeu um vereador; o Bloco não elegeu Fazenda; a Intersindical vendeu-se; e Costa traiu-se quando engrossou a voz para repetir – ‘quem não se uniu a nós, perdeu’! Mas afinal, quem é que não se uniu?!

Portanto, o próximo cenário eleitoral parece definido, pelo menos do lado da esquerda: têm candidato, e ficámos a saber quanto valem - um resultado próximo do conseguido por Costa, mas com tendência para descer.
Em relação à direita, que vem avançando através do PP e recuando através deste PSD, a questão reside na capacidade de arranjar um candidato mais forte que Cavaco. E se vale alguma coisa a opinião de um monárquico, Rui Rio poderá ser o homem da quarta república.

domingo, outubro 11, 2009

Selecção com sorte

Confesso que não sou um apaixonado pela selecção do Madaíl, uma selecção do regime, cheia de emigrantes (de luxo) e de imigrantes (oportunistas), como também não alinho no histerismo das bandeiras, excessivamente verdes e encarnadas para o meu gosto. Nesta matéria gosto mais das cores de Portugal. E detesto obviamente a paranóia destes ‘cristãos novos’ da bola, que engravidam os estádios onde joga a selecção, com mulheres, filhos e enteados, mais as beldades da moda, primas e namoradas dos jogadores! É muita coisa para não gostar!
Depois, penso que há um excesso de selecções (e de competições internacionais) fenómeno crescente que transfere para o exterior os centros de decisão da bola indígena. Com todos os malefícios que se conhecem – desvalorização das competições internas, enormes pausas nos campeonatos, enormes prejuízos financeiros para a esmagadora maioria dos clubes, e pior do que tudo, gera o desinteresse nos verdadeiros adeptos do futebol. Aqueles que frequentam o futebol todo o ano e não apenas os jogos da selecção.
Eu até compreendo o ‘fenómeno selecção’, já escrevi sobre isto, trata-se de uma deslocação de interesses, um grito de orfandade política, num povo que sente que não tem mais nada em comum, a não ser a selecção… do Madaíl!
Antigamente sempre tínhamos um Rei, um Rei que nos fez companhia desde os primórdios, um Rei que nos unia, e tínhamos a empresa colectiva da nacionalidade que entretanto mandámos às urtigas. Pode dizer-se que estamos mais divididos do que nunca, e eu, que não uso preservativos para o sentimento, também não uso a selecção para fingir que somos Pátria.
Dito isto, e antes que me digam que isto das selecções é muito bom para o país, para sermos conhecidos lá fora, informo desde já que tenho os meus amigos cá dentro e não tenho esse tipo de necessidades – ser conhecido lá fora!
Quanto a ser bom para o país, não digo que não, porém ainda não senti nada no meu bolso! Nem consta que o nível de vida vá aumentar por causa das vitórias da selecção. Se assim fosse o Brasil teria o melhor rendimento per capita do mundo. E sabemos que não tem.
Claro que deve haver muita gente que vive à conta disto, deste internacionalismo democrático, mas não me parece que sejam os mais necessitados.
Meu Deus, agora reparo que me desviei tanto da selecção que só me resta acabar com a selecção – teve sorte com a derrota da Suécia, fez o trabalho de casa contra a Hungria, e espero que esteja na África do Sul, sempre é uma terra onde deixámos raízes. Num continente onde deixámos a alma.

Saudações azuis

sábado, outubro 10, 2009

Poemas do Interregno

Dai-me um pouco dessa água que bebeis
Que à fonte onde fui ontem já não vou
Contai-me um pouco das histórias que sabeis
Eu vos contarei as minhas e quem sou

Vossa companhia dai-me que eu estou só
E de tão só fugiu-me a felicidade
Arrasei tudo o que tinha feito em pó
Hoje só busco paz e sanidade

E com um pouco desse ar são que exalais
Que pouco a pouco já consigo respirar
Levarei eu firme a vida até jamais
Com a força que me derem a ganhar

Bem Hajam!!!


Ruy Sik


Lido no ‘Porta d’Esperança’, jornal da comunidade Vale de Acór

segunda-feira, outubro 05, 2009

Cinco de Outubro de 2009

Os portugueses gostam de palácios, gostam de príncipes e princesas, mas também gostam de reis e rainhas, desde que não sejam os nossos! Esta aparente contradição não os incomoda e convivem perfeitamente com ela. Assim, delirantes, invadiram o Palácio de Belém, acedendo ao convite do actual inquilino. Inquilino que parece não apreciar os antigos proprietários, pois no breve discurso que fez, não fez outra coisa senão proclamar os ideais republicanos. Sem perceber que afrontava outros ideais.
Concluímos portanto que os ideais republicanos (e a ética) se opõem aos ideais monárquicos, precisamente aqueles que fundaram e consolidaram Portugal! E até fabricaram um Palácio para que o senhor presidente pudesse dizer tais disparates.
Um discurso infeliz mas cheio de boas intenções – um apelo a que nos unamos em torno desses ideais republicanos! Se soubéssemos quais são! E ele saberá?!
Referia-se ao Regicídio! Ou ao golpe que implantou a dita república, regime que nunca foi referendado! Talvez estivesse a pensar na revolucionite aguda da primeira república! E nos seus quarenta desgovernos … em dezasseis anos de regabofe! Ou talvez não, se calhar não contou com a ditadura de quarenta e oito anos! E pensa que o estado novo não era república! Tantas as dúvidas que me assaltam, que o melhor é escrever e perguntar-lhe directamente: - senhor presidente, diga-nos quais são os ideais republicanos e se eles têm alguma coisa a ver com o facto de ocuparmos sistemáticamente os últimos lugares do ranking europeu! Em todos itens de desenvolvimento!
Era sobre isto que gostava que esclarecesse o País, em lugar de afrontar oito séculos de história, ou ofender os monárquicos.
Sem outro assunto…

sexta-feira, outubro 02, 2009

Dois galos na capoeira

Hoje, na Sociedade Civil (canal 2) falou-se de monarquia. Monarquia versus República. Aliás começa a falar-se de monarquia com mais frequência e os recentes desaguisados entre Belém e São Bento terão certamente contribuído para isso.
O debate, bem moderado, reuniu António Reis, grão mestre da maçonaria, Inês Pedrosa, republicana convicta, Adelino Maltez, monárquico da ala liberal e um jovem que representava a Causa Real, e cujo nome me escapou. Mas deixou boa impressão! Bem preparado, bem informado, bem educado, conseguiu até dialogar com a ignorância (e algo mais que a ignorância) da dita Inês, um produto acabado da intoxicação republicana!
Cheio de paciência, o jovem monárquico tentava explicar-lhe que esta crise institucional tem a ver com o regime e não com as qualidades melhores ou piores deste ou daquele presidente da república. Porque é muito difícil arbitrar um jogo em que também jogamos. Não se trata apenas de despir a camisola na tentativa de sermos imparciais. A verdade é que procuramos uma nova eleição e isso obriga-nos a jogar. Mas a Inês não percebeu.
Por isso talvez fosse preferível dar-lhe um exemplo mais simples, mais terra a terra. Inclusivé, um exemplo republicano!
Chamar-lhe a atenção, que no caso português, o conflito institucional entre presidente e primeiro-ministro é inevitável.
Porquê?!
Porque os nossos brilhantes constitucionalistas, os pais da constituição de Abril, nem para a república foram bons! Fabricaram uma coisa chamada semi-presidencialismo, que na prática produz um presidente da república e um primeiro-ministro com a mesma legitimidade democrática! Ou seja, ambos se reclamam de terem sido eleitos pelo povo. Dir-se-á que os deputados é que foram eleitos directamente e que o primeiro ministro é um resultado desse primeiro escrutínio. Mas isso é um sofisma, outro sofisma republicano, porque na realidade os portugueses que foram votar no Domingo, não foram escolher deputados, foram escolher o próximo primeiro-ministro.
Assim, ou até com um desenho, talvez a Pedrosa lá chegasse.

quinta-feira, outubro 01, 2009

O timing dos submarinos!

Inesperadamente vêm à superfície, por coincidência no dia em que o presidente ía falar ao país! Sobre as baixas pressões socialistas.
A este propósito, a primeira página do Correio da Manhã de quarta-feira, dia seguinte à comunicação de Cavaco Silva, é um case study! Incrédulo tive de confirmar a data do jornal. Mas era verdade - a toda a largura, com todo o destaque, só se viam submarinos a derrapar! E num cantinho lá vinha uma referência à comunicação do presidente!
Coincidência ou mera opção editorial!
E tamanha publicidade sobre as buscas, com os media já plantados junto ao alvo, será normal ou os jornalistas íam a passar, viram todo aquele aparato e resolveram espreitar!
Mas a grande coincidência tem a ver com Portas e com a sua retumbante vitória. Aliás, sempre que Portas ganha, ou sempre que a esquerda perde, os submarinos saltam logo da gaveta. Não têm a sorte do Freeport que para sair da gaveta foi um castigo.
Coincidências, claro.

quarta-feira, setembro 30, 2009

A asfixia

É uma história de ficção, tudo começa numa casa que recolhe órfãos e desvalidos. A notícia de um escândalo de pedofilia abala um pequeno país, habituado a acreditar no regime e nos seus dirigentes. Que afinal não eram puros e castos como se pensava, e as ‘escutas’ evidenciaram.
Como foi possível acontecer?! – Perguntavam uns.
Como foi possível saber-se?! – Perguntavam outros.
Uma jovem jornalista, menos avisada, tinha puxado o novelo e veio tudo atrás. Um jovem juiz, menos avisado, deteve um político!
A partir daqui desenrola-se a acção – era preciso proteger o regime e os seus altos dignitários a qualquer preço. E assim foi.
Convocaram-se eleições mesmo com uma maioria no parlamento. A comunicação social deu uma ajuda, e foi designado um governo com incumbências específicas: - controlar a justiça e o jovem juiz foi parar à prateleira; controlar o serviço de informações e o serviço de informações foi parar ao bolso do primeiro-ministro; controlar a comunicação social, ao menos no período das eleições. E isso foi conseguido – o incómodo telejornal de uma televisão privada foi silenciado.
Cumprida a missão, à custa de sangue, suor e lágrimas, mas especialmente do endividamento do erário público, era absolutamente vital voltar a ganhar as eleições, pois havia (e há) muita coisa para esconder, uma série de suspeições e processos para arquivar.
A crise económica internacional deu uma ajuda – permitiu aprofundar o papel de ‘pai natal’, tão ao gosto de um governo que fabrica pobres para depois os subsidiar!
Mas as sondagens davam um empate técnico. Era preciso fazer mais qualquer coisa – e lá veio a rábula das ‘escutas’, as pressões sobre o presidente, a pata na poça…
Não sei como esta história vai acabar, mas duvido que tenha um final feliz.

terça-feira, setembro 29, 2009

Belém ensaia missil de longo alcance!

Numa comunicação surpreendente, 'chamando os bois pelos nomes', Cavaco Silva arrasou governo e partido socialista, dando razão a todos aqueles que se queixam da asfixia democrática. Os comentadores de serviço, normalmente tão afoitos, estavam confusos, não perceberam o conteúdo da mensagem.

Os partidos reagiram à sua maneira - os comunistas tocaram no essencial, no fosso quase intransponível entre São Bento e Belém. O Bloco de Esquerda, qual menino de coro, achou lamentável! O CDS passou ao largo, não quis nem quer chamuscar-se. O PSD produziu a declaração mais inteligente da noite - lamentou apenas que Cavaco não tivesse falado mais cedo. Para esclarecimento dos eleitores. O PS manteve-se mudo durante tempo demais. Silva Pereira tentou rebater a intervenção presidencial, mas nem os indefectíveis convenceu.
E os dados estão lançados, Cavaco atravessou o Rubicão.
É preciso reabilitar a política, moralizar o país, dar esperança às pessoas. Uma pedrada no charco não chega.
Estamos fartos de mentiras.
E por falar em mentiras, adivinhem qual era notícia do dia?! A candida procuradora anda no encalço dos submarinos... do Portas!
Nem de encomenda!

segunda-feira, setembro 28, 2009

Escutas e inventonas

Curiosidade, coincidência, e se Cavaco cumprisse a promessa de falar ao país sobre o caso das escutas, um dia depois das eleições? O que sucederia?
Justamente hoje, aniversário de um outro 28 de Setembro, o de 1974, o princípio do fim do primeiro presidente desta terceira república - o general Spínola!
Tudo começou com uma manifestação convocada por alguns partidos de direita para apoiar Spínola, impotente para travar a escalada de comunistas e afins. E que estavam desejosos de entregar as colónias portuguesas aos seus amigos soviéticos. À boa maneira leninista, a manifestação foi rápidamente aproveitada para um golpe de esquerda, baseado numa 'inventona' - a invenção de que a 'reacção' (o clássico inimigo imaginário) preparava a contra revolução!
O resto sabe-se - Spínola resignou e a esquerda apoderou-se definitivamente do aparelho de estado executando então a famosa 'descolonização exemplar'! Timor incluído, e incluído também o tardio arrependimento socialista!
Valeram entretanto os 'Comandos' de Jaime Neves para, no 25 de Novembro de 1975, reporem alguma ordem no país e evitarem uma guerra civil. Porque a ideia comunista era transformar Portugal num paraíso albanês!
Mas, regressemos à pergunta inicial - que sucederá quando Cavaco Silva vier explicar o que de facto se passou (ou não passou) no caso das escutas?!
Porque das duas uma - ou trata-se de uma inventona com origem em Belém; ou há mesmo fumo e fogo e então o caso é gravíssimo, pondo mesmo em causa, a formação do próximo governo.
A ver vamos.
Foi por tudo isto que me lembrei do 28 de Setembro.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Votar na direita

Esquerda e direita, não fujo à questão, digo apenas que votar na direita é uma tarefa difícil em Portugal!
Por várias razões. Desde logo por causa da propaganda mentirosa da esquerda que chama direita a tudo aquilo que não gosta ou acha que está torto! São mais de trinta anos de propaganda, asfixiante, quase totalitária.
Uma segunda razão, que decorre directamente da primeira, e pontua todas as outras, assenta no medo que aquela propaganda provoca num povo timorato, assustadiço, e com longo historial de adesivo.
Por isso a direita portuguesa tem andado escondida, onde pode, e vai vestindo algumas fatiotas que notoriamente não lhe servem. Pior, assim desposicionada, desfigura completamente o leque partidário, confunde e confunde-se, e sem querer, dá razão à caricatura que a esquerda inventou para si.
Ultimamente, timidamente, ouvem-se algumas vozes que se afirmam de direita, mas de conteúdo e origem suspeitas.
A ver se nos entendemos – a direita não é social-democrata; nem centrista; no primeiro caso porque (a direita) não é de esquerda; no segundo caso, porque a direita não é liberal.
A direita também não é racista ou xenófoba, terminologia de esquerda para escamotear a verdade – a direita é nacional, no sentido em que se responsabiliza pelo presente e futuro dos portugueses. Por isso tem prioridades – resolve primeiro os problemas internos. Um exemplo – a direita quer acabar com a insegurança em Portugal, e só depois se abalança a tentar resolver os problemas de segurança no Afeganistão.
Mais, a direita é abrangente, não renega o passado, e ao contrário da esquerda, não se envergonha da história, considera portanto que são portugueses ‘todos aqueles que se deixaram tocar pela aventura da descoberta’, ou seja, todos aqueles que querem ser portugueses.
A direita tem uma ideia séria sobre o Estado, uma ideia de serviço e não de emprego para familiares e amigos. Por isso responsabiliza os funcionários públicos e premeia o mérito. Acha, por exemplo, descabido que numa altura de crise generalizada, com o desemprego a subir em flecha, que aqueles que têm o posto de trabalho garantido, se dêem ao luxo de reivindicarem seja o que for! Que seria pago com os impostos de todos. E sem qualquer benefício para a comunidade.
O mesmo se diga das obras faraónicas, construídas com o suor da escravidão! E que outro nome têm os imigrantes que nelas trabalham?! Sem quaisquer garantias e que sobrevivem amontoados num contentor?! Não, a direita não constrói pirâmides nos tempos modernos.
A direita não privatiza os serviços que cabem na vocação do estado – saúde, justiça, forças armadas e de segurança. Mas porque reconhece os seus limites (coisa que a esquerda não faz ideia) nunca renegou alianças estratégicas com as instituições históricas, emanadas do povo, e que moldaram esse mesmo povo. Por isso a direita apoiou sempre as Misericórdias. Não as nacionalizou para as destruir ou domesticar em função de interesses ideológicos ou particulares. Nessa tentação caiu a esquerda.
A direita toma a Igreja Católica por aliada, e não a diminui. Muito pelo contrário, reconhece a sua importância no ensino, na saúde, na caridade.
A direita tem valores que a distinguem da esquerda – é pela vida; é pela tradição. E ser pela tradição significa respeito pelo saber acumulado. Respeito pelo passado para que possamos amanhã (quando formos passado) ser também respeitados.
Neste sentido a direita não é estúpida, não tem a presunção de fundar Portugal todos os dias. Nem quer descobrir a pólvora.
Finalmente a direita quando é governo não estimula as causas fracturantes, prefere estimular a coesão nacional.
Terá então a direita a chave para resolver a crise?
Não sabemos. Sabemos apenas que a esquerda, que há trinta anos domina os órgãos do estado, não tem condições para tal.

Posto isto, haverá algum partido de direita onde possamos votar no próximo Domingo?

Chefia de estado independente, precisa-se

Prisioneiro dos partidos, porque deles provém e só com o seu favor se candidata, o chefe de estado republicano acaba de interferir de maneira decisiva na campanha eleitoral. Mesmo que não quisesse fazê-lo, os partidos, omnipotentes e tentaculares, têm sempre a possibilidade de o chamar a terreiro para cobrar a factura da sua eleição. E como no horizonte se perspectiva nova eleição presidencial, o presidente, à semelhança do país político, não tem outro remédio senão andar em permanente campanha eleitoral. Com todas as consequências para a sua própria credibilidade e imagem. Isto não é bom para Portugal.
Como bem diz o Duque de Bragança, estes episódios das escutas, que mancham de suspeição (todas) as instituições políticas, não acontecem nas monarquias europeias. Porque insistimos então num modelo ideológico que na prática não funciona?! A quem serve afinal este regime?!
E a questão volta a colocar-se - que vamos nós comemorar no 'centenário da república?!
.
. Saudações monárquicas.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Lixeira a céu aberto

Por mais aterros sanitários que se façam ele aparece por todo o lado! Mal coberto, vem à superfície e revela misérias, novas e antigas, e quando não se vê deixa o cheiro pestilento. Em se tratando de época eleitoral é pior. O país reduz-se então a um enorme eco-ponto onde cabe quase tudo. O presidente desta república do lixo dá o exemplo - mexe e remexe de acordo com as conveniências da lixeira (porque a lixeira também tem as suas conveniências) e nesse afã não poupa amigos e correlegionários! No lixo vale tudo.
Do outro lado da lixeira, na zona dos plásticos, agitam-se alguns detritos flutuantes, triunfantes porque ficaram momentânea e aparentemente por cima. É assim a vida do lixo.
O melhor é ficar por aqui, longe das urnas, por causa dos salpicos. Eu disse urnas, mas pensei em contentores... do lixo.

terça-feira, setembro 15, 2009

Farto de Manuelas

Aparecem com ar de novidade, como se aqui aterrassem pela primeira vez, mas nunca de cá saíram, andaram sempre por aí, e a receita é a mesma – produzir e poupar. Uma boa receita, pena que sejam (sempre) os mesmos a pagar a conta.
Ah, mas é melhor que Sócrates, dizem. Não sei. Ambos mentem. Sócrates prometeu baixar os impostos e não fez outra coisa senão aumentá-los! Nem os reformados escaparam. Manuela afirma que é a seriedade em pessoa, e agora é ela que promete não aumentar os impostos. Mas no seu discurso só fala de dívidas, dívidas que temos que pagar. Já agora com que dinheiro?! Com o dela não é certamente. Por outro lado ninguém se esquece do episódio das acções do Benfica – que serviram para pagar dívidas fiscais! Papéis sem qualquer valor, uma cedência ao popularucho, a dama de latão no seu melhor.
Mas aquilo que mais os identifica, chefes de fila que são de dois partidos iguais, é esta querela castelhana!
Um, por causa do TGV, a outra, por causa do Santander, acusam-se mutuamente de estarem ao serviço dos espanhóis. E desta vez, provavelmente, têm ambos razão.
Para desespero do país.

Saudações monárquicas.

sexta-feira, agosto 14, 2009

Medina razão!

Medina Carreira tem razão. Só que não basta ter razão é precisa a solução! E a solução é política, se o problema é económico. E a solução proposta, um conjunto de homens bons, pessoas sérias, desprendidas do poder, capazes e trabalhadeiras, não existem, ou se existem não querem participar num jogo/sistema/regime… batoteiro. A história é simples e repetida.
Aliás, a ideia do Professor fez-me lembrar outro Professor – quarenta e oito anos de união nacional, mais ditadura. E um presidente da república para inaugurar fontanários!
Talvez seja útil reavivar a memória - todos se lembram que o rei D. Carlos também quis dar uma solução ao país. Solução que passava pelo fim das manigâncias partidárias, dos governos que caíam, apenas porque isso interessava à oposição!
Foi assassinado por causa disso.
E a verdade é que existe uma grande similitude entre o chamado rotativismo monárquico e a situação actual – em ambos os casos subsiste, ou uma batota regimental, que ninguém (nem o rei) conseguiu emendar, ou uma ideologia infantil, que também ninguém quer emendar!
E não querem emendar porque isso não convém ao nacional barriguismo.
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Mas vejamos o paralelo: - no rotativismo, os dois partidos que se revezavam no poder, sabiam que destituindo o adversário era a eles que (constitucionalmente) incumbia a tarefa de prepararem as próximas eleições! Que ganhavam sempre, bastando para tal prometer lugares e mordomias à clientela habitual. Clientela que mudava de casaca e de voto consoante as conveniências do momento. Foi esta batota que arruinou o país e permitiu o assalto ao poder por parte do partido republicano.
Não havia homens bons e honestos nesse tempo?! Claro que havia, mas afastavam-se da política.
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Actualmente as coisas passam-se com outra subtileza mas o resultado é o mesmo – os partidos do arco do poder também se revezam e também sabem que as promessas eleitorais são para esquecer após a vitória nas eleições. Mas, ao contrário do rotativismo monárquico, o (partido do) governo tem possibilidades de ser reeleito, uma vez que o período eleitoral é assegurado pelo governo em funções, ainda que com reserva de gestão.
Porém, se conseguimos maior estabilidade governamental, não diminuímos o clientelismo partidário. A situação piorou, porque os partidos se tornaram omnipotentes e omnipresentes, já que nem o presidente da república lhes escapa. Pois são eles que o produzem.
Ficámos, portanto, com todos os vícios do rotativismo monárquico e perdemos um árbitro, que não dependia dos partidos e por isso mesmo, podia ser árbitro.
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Sabemos que aqui na terra não existem regimes perfeitos. Mas existem uns melhores do que os outros.

Saudações monárquicas

quinta-feira, agosto 13, 2009

A reacção cinzenta (cobarde)

Segundo informações que posso considerar fidedignas, a polícia judiciária deteve hoje Rodrigo Moita de Deus e Henrique Burnay (elementos do 31 da armada) quando ambos se aprestavam para devolver (à Câmara Municipal de Lisboa) a bandeira da cidade. Bandeira que foi (momentâneamente) substituída no passado dia 10 de Agosto por uma das bandeiras portuguesas. A bandeira azul e branca.
Como se vê o regime republicano não mudou nada! É o mesmo que foi imposto pela força em 1910, que nunca foi referendado ou plebiscitado, que substituíu sem pedir licença a bandeira nacional, é o mesmo que sobreviveu em ditadura durante meio século, que alijou responsabilidades através de uma descolonização 'exemplar', e que tem uma justiça com dois pesos e duas medidas. Nestes regimes as forças de segurança nunca são respeitadas porque estão mais preocupadas com a defesa da situação do que com os direitos e deveres dos portugueses.
Por isso o chamado caso da bandeira, cumprido o seu papel cívico, teria ficado por aqui, se houvesse da parte do poder a sensibilidade e grandeza necessárias para perceber a mensagem e encaixar o revés. Mas pelos vistos não há.
E nem podia haver pois então estaríamos a falar de outro regime, um regime em que os monárquicos não teriam razão.
E já não peço que se regenerem, mas peço que não façam mais asneiras - soltem os prisioneiros, já.

segunda-feira, agosto 10, 2009

Uma bandeira no interregno!

Um grupo de patriotas, cansados de esperar, escalaram a parede do município de Lisboa e içaram a bandeira de Portugal!
Reposta a legitimidade, o azul e branco tremulou ao vento, a cidade amanheceu coroada, mais bonita e mais portuguesa!
Polícia, transeuntes, funcionários da câmara, não deram por nada! Como se a bandeira lhes fosse familiar!
Aos intrépidos conjurados do ’31 da armada’ só posso acrescentar a minha voz – Viva Portugal!
Afinal o futuro ainda existe!

Saudações monárquicas

quinta-feira, julho 30, 2009

Apanhados da semana

Super Dragão apanhado em rede de prostituição – contratava brasileiras para jogarem nos bares de alterne do Porto;

Madaíl apanhado em offshore – a Federação jogava o nosso dinheirinho na dona branca;

Benfica apanhado no tráfico de influências – fez contratos com terceiros (Euroárea!) onde se propõe mover influências junto das autarquias (Lisboa e Seixal, tanto quanto se sabe) para alterar os respectivos PDM (mais área de construção) a favor desses mesmos terceiros. E há sinais de que vai conseguir ‘honrar’ esses ‘compromissos’;

PS e Bloco apanhados a mentir – por causa da Joana um dos três mente;

António Costa apanhado por Santana – no debate para a CML Santana apanhou Costa em contradição. Obra feita, zero; planos absurdos, muitos; encarecer e atrapalhar a vida das pessoas, sempre. E provou que anda mal acompanhado. O ‘Zé oportunista’ (que faz parte da lista do Costa) só serve para gastar dinheiro à cidade;

E se fossemos contabilizar mais apanhados o rol não tinha fim. Sirva de consolação à república que na união europeia já fomos apanhados (e ultrapassados) por todos!

Saudações monárquicas

quarta-feira, julho 15, 2009

Almada, Tejo e depois…

Almada, Tejo e agora
Canto o que falta cantar
Canto a cidade encantada
Numa quadra popular!

Arraial por São João
É festa rija em Almada
O Tejo salta o pontão
Numa onda apaixonada!

Tenho Almada à minha espera
O Tejo faz-me esperar
Eu hei-de ir ao São João
Nem que tenha que nadar!

O Tejo namoradeiro
Traz Almada no beicinho
São João que é padroeiro
Faz questão em ser padrinho!

Almada atira-se ao Tejo
São João está-se a afogar
Ou vamos ficar sem festa
Ou sou eu a delirar!

São João tem dois desejos
Num manjerico dos seus
Almada com mil festejos
O Tejo da cor do céu!

Vou até à outra banda
Com o Tejo folgazão
Almada anda e ciranda
Nas marchas de São João!

Há canções ao desafio
Vai São João a passar
Almada toda é um rio
E o Tejo parece o mar!

Almada, Tejo e agora!
O São João acabou
O povo já foi embora
Só a saudade ficou!

Almada, Tejo e depois
Um sentimento profundo
As festas da nossa terra
São sempre as melhores do mundo!

quarta-feira, julho 08, 2009

A casa verde e encarnada

É provável que os cem anos se festejem com uma longa amnistia onde caibam todos os crimes. Desde a pedofilia de estado ao favorecimento político, passando pelo enriquecimento ilícito. Grandes beneficiários serão os partidos do arco do poder mas comunistas e afins também serão contemplados.
O pacto de regime tentará calar o descontentamento popular com medidas avulsas, segurando até ao limite cargos e mordomias. Serão os treze anos de guerra desta terceira república! Se a Europa aguentar, obviamente.
A corroer os fundamentos subsistem todos os vícios conhecidos, o escândalo diário, a justiça que não existe, e o risco eminente de fracturas partidárias.
‘Zangam-se as comadres…’, diz o povo, foi assim que acabou a monarquia constitucional.
É assim quando os regimes deixam de ser representativos.

Saudações monárquicas

segunda-feira, julho 06, 2009

O Belenenses nunca desce?!

Esta é a pergunta que me acompanha desde que saio até que entro outra vez em casa. Entre sorrisos de escárnio e mal dizer, quem me pergunta, não quer ouvir a resposta, só quer fazer a pergunta. Por isso e para os interessados tenho que lavrar a presente acta que vai conforme a resposta original, a saber:

O Belenenses, na sua qualidade de único clube que ainda não é satélite de nenhum dos ‘três clubes do estado’, está condenado a ser sempre convidado para participar neste campeonato a fingir. Porque seja sueca ou bridge, falta claramente um parceiro, nem que seja para fazer de ‘morto’.
Os clubes suportados pelas regiões autónomas seriam uma hipótese a considerar, desde que alguém estivesse disponível para pagar as passagens.
Quanto aos restantes, nada feito! Ou gravitam na órbita de Benfica e Sporting, ou são satélites do Porto. Não vale portanto a pena perder tempo com clones ou duplicados. Sujeitos a desaparecerem mal se esgote o interesse do respectivo protector.
Por isso, por mais secretarias que inventem, por mais descidas que aconteçam, a realidade é mais forte – o Belenenses existe. E existe por si.

Saudações azuis.

sexta-feira, julho 03, 2009

Cortesias em São Bento!

Eu sou do tempo em que Portugal e o mundo se confundiam. Tenho portanto quinhentos anos! Nesse tempo corriam-se touros a sério, as touradas eram um espectáculo divertido, e o povo dava por bem empregue o seu tempo!
Bons tempos que não voltam mais…
Agora estamos reduzidos a animais de pequeno porte que nem para garraiadas servem! Ensaiam gestos, fazem umas cócegas uns aos outros e correm a refugiar-se nas tábuas.
Foi o que aconteceu ontem durante as cortesias em São Bento. Um ministro acabou corrido e um dos ‘inteligentes’ ficou-se a rir! Cenas tristes.
E o povo ainda tem que pagar para ver isto!

sexta-feira, junho 26, 2009

E que tal falar de política?!

É admissível que um monárquico convicto se dedique a fazer quadras para o São João enquanto o país está mergulhado numa crise política profunda?! Uma crise que (de acordo com os analistas) pode levar à substituição de Sócrates por Manuela Ferreira Leite?!
A resposta é óbvia: - sim, um monárquico pode continuar a brincar ao São João, deve aliás distrair-se como puder, se essa eventualidade vier a acontecer.
Porquê?!
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Passo a explicar: - ser monárquico, aqui e agora, só tem um significado – é alguém que acredita que os problemas decisivos do País não se resolvem, sem resolver primeiro a questão do regime. Dito de outra forma – Portugal não tem um problema de governo mas um problema de regime. Problema, no sentido que este regime (republicano) não serve.
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Se isto for verdade, e eu estou convencido que sim, a mera substituição de Sócrates pela Manuela não serve para nada. Aliás, se a alternância servisse para alguma coisa, os trinta anos de rotativismo social-democrata já tinham resolvido os nossos problemas. E a verdade é que não resolveram. Pior, agravaram a situação, endividaram os portugueses, estamos cada vez mais dependentes e perdemos horizontes!
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Mas o melhor argumento para as quadras do São João (e que define bem a perversão do regime) é o seguinte: - Sócrates não está no poder por ser socialista ou social-democrata, por ser mais favorável aos grandes investimentos públicos ou aos pequenos investimentos privados, ele está no poder porque tem sido até agora quem melhor serve a estratégia dos donos do regime. Por isso concita apoios em sectores aparentemente contraditórios, desde a banca aos grandes escritórios de advogados, desde as grandes empresas privadas às corporações mais influentes!
Alguns e algumas fazem-lhe oposição em público mas não deixam de o apoiar no essencial.
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No caso da Ferreira Leite seria a mesma coisa. Também por isso, ela só será eleita se (e quando) servir melhor que Sócrates aqueles interesses específicos. É esta a lógica do regime. É esta a lógica nos regimes onde os árbitros são eleitos e por isso também jogam. Com esta lógica percebe-se que os indigitados pouca influência tenham no desempenho dos seus cargos.
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E esta é uma razão decisiva para eu continuar a ser monárquico – é que os tais ‘interesses específicos’ não correspondem aos interesses dos portugueses nem de Portugal. Se correspondessem, não permaneceríamos, como um estigma, na cauda de todas as europas!
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Estão justificadas as quadras e está justificado o alheamento.

Saudações monárquicas

Noite de São João

Uma noite como esta
Feita com arco e balão
Lancei foguetes na festa
Deixei lá o coração!

Um coração que perdi
Um coração que era meu
Ninguém sabe o que perdi
Ninguém sabe o que perdeu!

Manjerico dos desejos
Cada qual tem o seu
Quando será que te vejo
Quando será tu e eu!

Ando tonto na cidade
Corri tudo e tudo em vão
Onde estão os olhos verdes
Que não vi no São João!

quarta-feira, junho 10, 2009

Dez de Junho

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!
Se cumprisse o seu destino
Que poema nos dizia?

Seriam versos de pranto!
De desgosto e desencanto!
Ou acordes de alegria!

Se por acaso passasse
E por aqui se perdesse
Que diriam os seus olhos
Se visitasse o País?

Veriam cravos e rosas!
Ou uma árvore sem raiz!

E dou por mim neste enleio
Que alimenta o receio
Que dá força à fantasia…

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!

segunda-feira, junho 08, 2009

‘O jogo das escondidas’

Quando éramos miúdos era um jogo obrigatório, a gente fingia que se escondia, havia um ‘coito’, e o respectivo guardião só tinha que evitar que os ‘escondidos’ chegassem até lá sãos e salvos. Este jogo tem outros nomes e em Portugal, como as pessoas têm dificuldade em crescer, continua a ser praticado em todas as idades, e em todas as circunstâncias! É assim na política, nas escolhas partidárias, os portugueses escondem-se (ou abrigam-se) em locais inverosímeis, mas isso não importa, o que é preciso é que a brincadeira continue.
Por isso temos dois partidos sociais-democratas que fazem oposição um ao outro! Por isso a direita anda em bolandas, escondida há trinta anos onde lhe dá jeito, por isso temos um partido centrista apenas de nome, um partido comunista que passa por nacionalista, e temos ainda, em contra ciclo universal, esse fenómeno mediático chamado ‘bloco de esquerda’! Um núcleo de trotskistas fora de prazo, sem projecto de poder, que arregimenta a parolice nacional contra o governo, seja ele qual for!
Por isso foram eles que ganharam as eleições, como é óbvio.
E é por tudo isto que não fazemos parte da Europa.
Basta consultar os jornais de hoje para provar o que afirmo: - na Europa, a direita ganhou em toda a linha. Em Portugal, exceptuando o governo, a ‘esquerda’ reforçou-se em toda a linha!
E para o espectáculo ser mais infantil, a direita canta vitória escondida na esquerda a fingir!
Um jogo das escondidas que promete durar os quarenta e oito anos da praxe.

Saudações monárquicas

domingo, junho 07, 2009

Dia do juízo

Na folha branca de símbolos nem sombra de Europa! Também não vi o mar, vi apenas nevoeiro, mas entrei no jogo – o mais perto do mar é a terra e pus a minha cruz no partido da terra. Tem terra a mais, soa a santa terrinha, estou farto da virtude demonstrada por a+b, mesmo assim achei que fazia sentido votar na terra. Afinal ainda possuo um bocado de terra defronte da mesa de voto.
Despedi-me afectuosamente dos comissários de sempre, que como sempre terão pensado que eu votei no CDS, ou coisa que o valha.
Votar no CDS era de facto uma hipótese se o critério se resumisse às chamadas ‘causas fracturantes’ – aborto, casamento de homossexuais, eutanásia. Mas este seria um voto defensivo, um voto para perder por poucos, porque a derrota pela via democrática está há muito anunciada.
Se o PPM existisse, se não estivesse ao serviço de um projecto pessoal, de um rei sobresselente, eu teria votado na monarquia, único regime que garante ao mesmo tempo, a liberdade e a independência. Mas enquanto os monárquicos não tomarem conta do PPM ficamos assim, a olhar para uma folha de papel sem saber o que fazer!
É verdade, também havia a Laurinda, uma novidade, mas eu não gosto de novidades. Segui portanto o meu destino, faço parte da média europeia, votei na mediania, na mediocridade. Uma opção como outra qualquer.
O mar pode esperar… ou como dizia um amigo: - se quiseres ver o mar vai ao lago do campo grande!

sexta-feira, junho 05, 2009

Eu voto no mar

Já reflecti, já escolhi, a cruzinha vai para o mar. Não existe partido do mar, pois bem, votarei naquele que estiver mais à beirinha, que não me obrigue a ficar em terra à espera da Europa.
Não votar no mar (da nossa independência) seria até uma desfeita ao Santo Condestável no ano da sua canonização!
Assim, não posso votar em nenhum dos partidos que advogam a Europa acima de tudo! Onde (ainda) se albergam o entusiasmo e a subserviência pela França e pelo seu imperador! Sempre prontos a entregar as chaves da cidade (e do país) ao primeiro Junot que lhes apareça pela frente.
Também não posso votar naqueles que advogam a união ibérica, corolário natural desta união europeia sem reservas. São (ainda) aparições do partido republicano português, os mesmos que trocaram de bandeira, que apagaram as cores de Portugal - o azul e branco.
E não posso votar num partido conservador porque não há, provávelmente porque não há nada para conservar!
Por exclusão de partes, restam os pequenos partidos que não estão representados na assembleia da república. Por aqui me sirvo.
Mas será que existe algum (ou alguém) que ainda saiba navegar?!

domingo, maio 31, 2009

Cavaco

O teu confidente
O teu conselheiro
Quase como irmão
Que subiu a pulso
Pela mesma escada
Ministro no tempo
Do teu buzinão
Caiu em desgraça
Em contradição!

Eu sei que é mentira
Que está inocente
Que é tudo legal
Maldito o sistema
Maldito o regime
Que devora os seus filhos
Sem dó e sem pena!
Mas Cavaco, e agora?

Que vamos fazer?
Olhar para ao lado!
Um caso isolado!
E será desta vez
Que alguém é julgado?!
Responsabilizado!
Ou ficamos assim
Entre o não e o sim!

Não te oiço, Cavaco!

Foi-se o conselheiro
Foi-se a alegria
O país defunto
Foi até à praia
Vai ao futebol
E sou eu que pergunto:
Cavaco, para onde vamos?

quinta-feira, maio 28, 2009

E agora, José?

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
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Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?
.
Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?
.
E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?
.
Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?
.
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse....
Mas você não morre,
você é duro, José!
.
Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

José Carlos Drummond de Andrade

terça-feira, maio 26, 2009

Fátima forma governo!

A lavandaria república realizou ontem mais uma sessão de esclarecimento no ‘prós e contras’ da televisão pública. Presentes quatro eminências (pardas) do regime, e a incontornável apresentadora do programa, cada vez mais parecida com a dona Maria do Salazar!
E quem eram as eminências desta vez?!
Laborinho Lúcio - um dos ‘independentes’ mais chatos da Europa!
João Lobo Antunes – mandatário oficioso de todos os presidentes da república, passados, presentes e futuros!
Henrique Granadeiro – não sei a que título!
Padre Feytor Pinto – pregador emérito e Prior da freguesia do Campo Grande!
E qual era a barrela desta vez?!
A roupa toda, desde roupa interior, camisas e colarinhos, togas e aventais, carapuços, incluindo uma pré-lavagem das almas!
Tudo em vão!
A crise, essa nódoa persistente, não havia meio de sair!
Mas Fátima não desiste, acredita no milagre em televisão, e ali mesmo convoca as eminências para salvarem Portugal de si próprio! O perigo de não haver uma maioria absoluta nas eleições de Outubro é o motivo de tamanho patriotismo!
E o milagre acontece – pardos de espanto, a plateia embevecida, os quatro independentes quanto baste, decidem-se e aceitam fazer parte da próxima união nacional.
O programa de lavagem acabou entretanto, longo e morno, não vá a roupa estragar-se.

domingo, maio 24, 2009

Dá-lhe Manela…

Ao bastonário saltou-lhe o suspensório quando a Manelinha desbocada lhe perguntou: - se fazia fretes políticos! Claro que faz mas não quer que se saiba, já fazia quando era advogado e ía à televisão (de suspensórios) defender os arguidos de pedofilia… na Casa Pia. Fiz verso, mas foi por isto e por aquilo que chegou a Bastonário. E mal chegado vestiu a cota de malha justiceira por cima dos suspensórios. Sempre, sempre, ao lado dos arguidos e foi assim que o vimos defender os arguidos do Freeport! Mas nesta coisa de arguidos há sempre uma excepção em se tratando de Sua Majestade ou ódios de estimação! Aqui o fito é diferente – precisamos de calar quem se atreva a investigar o pessoal desse reino! Pois não é impunemente que ainda somos colónia, e a tradição bastonária é defender essa gente!
Dá-lhe Manela…

sábado, maio 23, 2009

Os presidentes perpétuos!

São recrutados na curva da idade, cheios de reumático da política, mas com aquela habilidade inata para dar uma no cravo e outra na ferradura. E se o passado consente, e a confraria também, está feito um presidente. O discurso é redondo, no primeiro mandato pagam-se as facturas da eleição, no segundo equilibram-se as contas para a saída consensual, o conselho vitalício, a reforma dourada. O terceiro mandato, por enquanto proibido, segue dentro de momentos. Isto é em Portugal.
Na América do sul, mais atrevidos, a emenda constitucional está sempre disponível para acrescentar mandatos – e parece ter chegado a vez de Lula no Brasil.
O argumento habitual: - os aliados gostam, os clientes precisam. Se juntarmos os grandes accionistas internos, a emenda passa, e temos Lula para o resto da vida. Respectivos familiares e amigos.
É para isto que milhões de pequenos accionistas votam! É para isto que muitos emigram à procura de um futuro melhor!
E o princípio republicano da alternância é afinal uma mentira.

Saudações monárquicas

segunda-feira, maio 18, 2009

A frase batida…

Mesmo quando tudo parece correr bem, um pequeno deslize, uma frase infeliz, deixa-me aquele amargo na boca que só consigo resolver ou com sais de fruto ou com alguma dose de caridade.
No Cristo Rei, na homilia, Sua Eminência o Cardeal Saraiva Martins explicava (ou desculpava!) o sentido da Realeza de Cristo – ‘não no sentido triunfalista mas na acepção bíblica do termo’ – que por outras palavras significa ‘serviço aos outros’.
Mas é precisamente este o único sentido da realeza.
Para quê então desviar o assunto para o ‘triunfalismo’, numa espécie de propaganda jacobina?!
Porque não disse o Cardeal simplesmente isto: - Cristo Rei no sentido bíblico do termo. O mesmo que levou os judeus a implorar: - ‘Senhor, dá-nos um rei’.
E se quisesse podia acrescentar que foi nesse mesmo sentido que a realeza foi exercida em Portugal, em razão da dilatação da Fé e do Império (impossível de acontecer uma sem o outro) e explicação última da festa do monumento e do santuário que ali se celebrava.
E Sua Eminência podia ter referido que a república nunca quis ouvir falar em Deus e recusou-se sempre (e recusa-se ainda) a incluir qualquer referência Cristã na constituição! Dizem que é em nome da separação entre a Igreja e o Estado. Eu digo que é em nome do divórcio entre a Igreja e o Estado.
Mas quando convém, quando se aproxima o centenário, em nome da próxima união nacional, vale tudo, até uma Missa! E tal como há cinquenta anos lá estavam os dignitários políticos e lá estavam também os mesmos equívocos e as mesmas evasivas.
Mas correu tudo lindamente.

quarta-feira, maio 13, 2009

Cristo Rei

Os 50 anos do Santuário do Cristo Rei (1959-2009)
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Programa Comemorativo:
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Sábado, 16 de Maio
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12 H - Chegada da Imagem de Nossa Senhora de Fátima à Igreja de São Nicolau (Lisboa)
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15.30 H - Recitação do Terço e Missa (Terreiro do Paço, Lisboa) - Missa presidida por D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa.
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19 H - Cortejo de embarcações no Tejo acompanham a Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
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20 H - Recepção junto à Igreja de Cacilhas - Procissão de velas em Cacilhas.
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22 H - Vigília nocturna na Igreja Paroquial de Almada
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.Domingo, 17 de Maio
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10 H - Missa presidida pelo Bispo de Setúbal, D. Gilberto Reis, na Igreja Paroquial de Almada
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11 H - Visita da Imagem de Nossa Senhora à Associação Vale de Acór, no Monte de Caparica - Alcaniça.
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12 H - Tempo de Oração no Seminário de Almada
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13.30 - Com Nossa Senhora e Relíquias de Santa Margarida Alacoque a caminho do Cristo Rei, Procissão nas ruas de Almada.
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16 H - Celebração Aniversária do Cinquentenário, presidida pelo Enviado especial de S. S. o Papa Bento XVI, Cardeal D. José Saraiva Martins - Santuário do Cristo Rei.

sexta-feira, maio 08, 2009

‘Molino que tengo en Castillejos’

Tenho um moinho em Castillejos
Selo e escritura de aquisição
Fica bem longe em Castillejos
Girava ao vento, fazia pão!

Não me conheces, nem te conheço
Nessas planuras de solidão
Há quanto tempo em Castillejos
Giras ao vento, fazes o pão?!

Se ainda existes, espera por mim
Oh meu moinho da ilusão
Que eu quero ver-te em Castillejos
Girar ao vento, fazer o pão...

sexta-feira, maio 01, 2009

Dia do desempregado

Camaradas:
Hoje é dia de marchar contra o REGIME.
Portanto, é dia de marchar contra o governo, seja ele qual for!
Hoje somos desempregados (ou subsidiados), apenas os funcionários públicos (e os comissários políticos) têm emprego certo!
Hoje é dia de dizermos basta de canções de Maio, basta de punhos cerrados para nos enganar, de sindicalistas para nos dividir, porque com este folclore não nos governamos.
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Mais obras públicas para quê?!
Para dar trabalho precário e um salário de miséria aos imigrantes… enquanto os portugueses têm de continuar a emigrar?!
Para fingir que acompanhamos o progresso! Quando naquilo que é essencial – educação, saúde e pensões de reforma - ocupamos sempre os últimos lugares da união!
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Mais auto-estradas para quê?!
Para continuarmos a receber tudo o que vem da Europa (ou será da China e de outros países não comunitários!) com toda a facilidade!
Para adiarmos a necessária rede ferroviária que sirva os portos (e aeroportos) portugueses! Ou os actuais governantes ainda não perceberam que Portugal quer dizer ‘terra de portos’! De bons portos!
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Marchamos também contra o vício dos subsídios, instilado de cima, desde a adesão à união europeia. Vício que se transmitiu a toda a população, como uma doença, uma pandemia.
Não precisamos de governos cuja única função é distribuir (e filtrar!) subsídios comunitários! Precisamos de um governo (e de um regime) que restabeleça a confiança, que mobilize os portugueses no sentido de criar riqueza.
Criar riqueza para a distribuir melhor. Não podemos manter o maior fosso europeu entre ricos e pobres! E isto é como a pescadinha de rabo na boca - se desconfiamos da distribuição, produzimos menos.
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E chega de hipocrisia no relacionamento com as ex-colónias (Brasil incluído)! Se de facto precisamos uns dos outros nada melhor que uma política de verdade, articulada, sem perdermos de vista que os países, tal como os homens, não se medem aos palmos.
Cada um tem o seu desígnio histórico.
E se já nos esquecemos do nosso, lembremos a vida e a obra do Santo Condestável.
Ser independente é bom.

segunda-feira, abril 27, 2009

A separação entre o Estado e Portugal!

Com o argumento (e a desculpa) da separação entre a Igreja e o Estado, o poder político que temos, vai-se encarregando de destruir o que resta da identidade nacional!
Não nos enganam, aliás só enganam quem gosta de ser enganado! Infelizmente são muitos!
O pretexto para quase ignorarem ou distorcerem as celebrações da Canonização do Santo Condestável repetiu-se, resguardaram-se na comodidade do estado laico, já agora, republicano e socialista!
Ingratos, que nem percebem que foi o Canonizado que lhes deu o emprego, que lhes deu a opção de não fazerem parte quer do governo quer do parlamento espanhóis! Por certo estão arrependidos, pois têm feito tudo para acabar com a independência! Mas enquanto isso não acontece… podiam ao menos disfarçar.

Quem também não disfarça é a televisão pública, já nem falo nas outras!
Muito aparato, muitos jornalistas, muitos convidados para comentar (eu diria antes, dissecar!) o pobre Nuno Álvares, mas em tantas horas de emissão não foram capazes de focar, nem que fosse por segundos, o Duque de Bragança, sua mulher e filhos, todos presentes em Roma, e por coincidência, os familiares do Condestável!
Esqueceram-se da nossa História, da História escrita com maiúsculas!
É natural, têm outras prioridades, a história dos outros, por exemplo!

domingo, abril 26, 2009

Santo Condestável

"Imitai São Nuno de Santa Maria" - exortou hoje o Papa Bento XVI, dia da Canonização de Nuno Álvares Pereira!

sexta-feira, abril 24, 2009

Que bom seria...

Que bom seria um Condestável
Que fosse Conde e fosse estável
Um bom amigo e companheiro
De todos nós e do Herdeiro

Melhor seria se fosse Santo
E venerado por castelhanos
Reconhecido no mundo inteiro
O bom exemplo que precisamos

Aqui na terra como no Céu
Santa Maria, vamos cantar
Beato Nuno já era Santo
E vai-se em Roma canonizar!

quinta-feira, abril 23, 2009

‘Histórias de Deus’

Na torre de marfim onde habito, a vida passa-me muito ao largo, mas não foi hoje o caso! Um pequeno gesto de solidariedade, a habitual visita de quinta-feira, mais disponível e menos breve que o costume, e eis-me recompensado com um livro ao qual nunca dei importância. Esteve sempre ali, à mão de semear, mas só agora, perante o incentivo – ‘leve e leia, faz-lhe bem’ – acedi e trouxe o livro comigo.
É uma dificuldade que tenho, olho pouco para o que os outros escrevem, sejam ou não autores consagrados.
Abri ao acaso: –

‘Que tranquilidade contar histórias a um homem aleijado!
As pessoas saudáveis são todas instáveis; ora vêem as coisas de uma maneira ora olham para elas de outro ângulo; quando caminhamos com elas ao nosso lado direito durante uma hora pode acontecer que de repente as ouçamos responder-nos do nosso lado esquerdo, simplesmente porque lhes terá ocorrido que tal posicionamento é mais polido e demonstra requinte. Com um homem aleijado não temos de temer tais coisas. A imobilidade torna-o semelhante àquelas coisas com as quais ele de facto cultiva a intimidade; fazendo dele, digamos, uma coisa superior a todas as outras coisas, uma coisa que escuta não só com o silêncio mas proferindo também raras palavras calmas e de reverentes sentimentos.
É ao meu amigo Ewald que eu mais gosto de contar histórias. E ficava feliz quando da janela do dia a dia dele me chamava: “Quero perguntar-lhe uma coisa…”.

O resto da história fala de histórias que já andaram de boca em boca, que já tiveram vida, e hoje jazem no esquecimento de um livro de contos, arrumado definitivamente numa prateleira.
É a vida, dizem, mas valeu a pena a leitura!

‘Histórias de Deus’ de Rainer Maria Rilke.

terça-feira, abril 21, 2009

Detector Vital

Nasci com um aparelho incrustado no sangue, algures entre o coração e a memória, aparelho esse que permite detectar imediatamente franco-maçons, vulgarmente designados por ‘laicos, republicanos e socialistas’. Assim, mal um desses alienígenas entra no raio de acção ou campo magnético do meu aparelho, ele começa logo a apitar.
E não se julgue que apita por tudo e por nada! Não senhor, é instrumento fiável que distingue perfeitamente as várias patentes, ou seja, não confunde soldados rasos com generais.
Isto vem a propósito do programa de ontem sobre as eleições europeias.
Pois bem, sentei-me inadvertidamente à frente da televisão e quando a câmara fixou o candidato socialista, uma legenda invisível avisou-me imediatamente: - atenção, traço ponto traço, ‘republicano laico’ à vista. Havia lá outros, mas o aparelho só se interessou por este. E com razão! Cada frase, cada intervenção obedecia a um fito programado, a léguas do que ali se debatia, e o aparelho não se calava!
Apitou quando se falou da ética – ‘então não me diga que não sabe que o país da ética republicana é a França!’ – gracejou o Vital explicando que nesse país se pratica a duplicidade nas candidaturas… uma forma de enganar os eleitores, explicou o meu aparelho. Apitou quando o mesmo Vital se entusiasmou com a ‘constituição (napoleónica) europeia’, em nova e irreprimível declaração de amor pela pátria francesa!
E não apitou mais porque eu desliguei a televisão.
No final e como sempre faz nestas situações, o aparelho emitiu um pequeno relatório, tipo saldo de conta: - ‘temos a república afrancesada (e jacobina) que merecemos e só nos livraremos dela quando a França se livrar da sua revolução (e do seu Napoleão) ‘.
Rima e é verdade.

Saudações monárquicas

sábado, abril 18, 2009

O amigo dos judeus

Ainda não se sabe ao certo, estão ainda a escovar os arquivos, mas parece que Salazar foi grande amigo dos judeus durante a segunda guerra! Era aliás a quem os judeus recorriam quando precisavam de pedir alguma coisa! É o que transpira da documentação recentemente encontrada num armazém de Queluz, pertencente ao Gabinete do antigo primeiro–ministro. Com efeito, uma carta do ‘American Polish Relief Council, datada de Maio de 1944, solicita a intervenção de Salazar para apressar o transporte de conservas de peixe e frutos secos destinados aos prisioneiros de guerra’!
Cai assim por terra a tese (oportunista) que nos andaram a vender, do ‘Aristides bom’ e do ‘Salazar mau’, no que respeita aos judeus. E como esta deve haver outras.
A verdade a vir ao de cima…


Fonte: Jornal ‘Público’ de 18/04/09.

sexta-feira, abril 17, 2009

Afinal somos ricos!

"Meus amigos,

O que vos vou contar é verdade.

Estava há dias a falar com um amigo meu nova-iorquino, que conhece bem Portugal, e que alguns de vós conheceram no
Iate Clube do Porto, que chegou a fazer umas regatas em Leixões no Red Falcon...
Dizia-lhe eu à boa maneira portuguesa de “coitadinhos” : - Sabes, nós os portugueses somos pobres ....

Esta foi a sua resposta:

Manuel, como podes tu dizer que sois pobres, quando sois capaz de pagar por um litro de gasolina mais do triplo do que eu pago?

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Quando vos dais ao luxo de pagar tarifas de electricidade, de telefone móvel 80 % mais caras do que nos custam a nós nos EUA?

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Como podes tu dizer que sois pobres quando pagais comissões bancárias por serviços bancários e cartas de crédito ao triplo que nos custam nos EUA, ou quando podem pagar por um carro que a mim me custa 12.000 dólares o equivalente a 20.000? Como é que podem dar 8.000 dólares de presente ao vosso governo e nós não!

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Não te entendo.

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Nós é que somos pobres: por exemplo em New York o Governo Estatal, tendo em conta a precária situação financeira dos seus habitantes cobra somente 2 % de IVA, mais 4% que é o imposto Federal, isto é 6%, nada comparado com os 20% dos ricos que vivem em Portugal. E não contentes com estes 20% pagais ainda impostos municipais.

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Além disso, são vocês que têm “ impostos de luxo” como são os impostos na gasolina e gás, álcool, cigarros, cerveja, vinhos etc, que faz com que esses produtos cheguem em certos casos até 300 % do valor original; e outros como o imposto sobre a renda, impostos nos salários, impostos sobre automóveis novos, sobre bens pessoais, sobre bens das empresas, de circulação automóvel.

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Um Banco privado vai à falência e vocês que não têm nada com isso pagam outro, uma espécie de casino - o vosso Banco Privado quebra, e vocês protegem-no com o dinheiro que enviam para o Estado.

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Sois pobres onde Manuel?

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Um país que é capaz de cobrar o Imposto sobre Ganhos por adiantado e Bens pessoais mediante retenções, necessariamente tem de nadar na abundância, porque considera que os negócios da nação e de todos os seus habitantes sempre terão ganhos apesar dos assaltos, do saque fiscal, da corrupção dos seus governantes e autarcas. Um país capaz de pagar salários irreais aos seus funcionários de estado e de Empresas ligadas ao Estado.

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Deixa-te de merdas Manuel, sois pobres onde?

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Os pobres somos nós, os que vivemos nos USA e que não pagamos impostos sobre a renda se ganhamos menos de 3000 dólares ao mês por pessoa, isto é mais ou menos os vossos 2000 € . Vocês podem pagar impostos do lixo, sobre o consumo da água, do gás e electricidade. Aí pagam segurança privada nos Bancos, urbanizações, municipais, enquanto que nós como somos pobres nos conformamos com a segurança pública.

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Vocês enviam os filhos para colégios privados, enquanto aqui nos EUA as escolas públicas emprestam os livros aos nossos filhos prevendo que não os podemos comprar.

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Vocês não são pobres, gastam é muito mal o vosso dinheiro.

Que vou responder ao meu amigo americano?

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Por favor dêem-me sugestões."

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. Caro Manuel espero que não leve a mal a indelicadeza de ter publicado esta mensagem, mas penso que o seu amigo americano tem razão e não tem! À cautela, o melhor é continuarmos a sustentar esta corja (e este regime)... a ver se ficamos cada vez mais ricos!

quarta-feira, abril 15, 2009

O problema da matemática

Para nos distrair da crise nada melhor que a matemática! E se é para distrair ninguém melhor que o nosso presidente. Ele anda preocupado com a matemática que os portugueses não sabem! Diz que não gostamos de matemática desde pequeninos e eu pela minha parte confirmo, sempre fui avesso às grandes certezas que as ciências comportam. Nunca acertei com aquilo, talvez por preguiça mental ou falta de espaço na cabeça… sempre ocupada a sonhar!
Seja como for, se os portugueses não gostam da matemática a verdade é que a matemática também não gosta da maioria dos portugueses! E são inúmeros os exemplos desta má relação. Senão vejamos: - aos que trabalham é atribuído um vencimento mensal, que na realidade vence muito antes do fim do mês, aliás, mal chega para quinze dias! No que toca aos aumentos sabemos que são incertos e, quando acontecem, aumentam a nossa descrença na matemática: - aplicada a regra de ouro percentual, poucos portugueses percebem porque é que o fosso entre os grandes ordenados e os restantes continua a aumentar! A partir daqui por mais explicações que nos dêem é muito difícil encaixar a ideia de que as barrigas de uma minoria são muito maiores que todas as outras juntas!
É claro que esta disfunção matemática tem reflexos em tudo e assim é vulgar que um português médio (mais uma noção matemática!) recuse a realidade e procure um escape para os seus problemas: - por isso não aceita (e discute toda a semana) o resultado do jogo, se o seu clube perdeu; e pela mesma razão joga apaixonadamente no euro milhões mesmo sabendo que as hipóteses matemáticas de acertar na chave vencedora são infinitamente pequenas!
Enfim, sem distracções (como no planeta dos macacos) – o problema não é a matemática, ‘tu é que tá ganhando pouco’!
Quanto ao mais, a vida corre bem aos ‘matemáticos’ deste país.

domingo, abril 12, 2009

Páscoa

De ti quero lembrar a nobreza e a beleza que isso tem. A coragem e a desvantagem que isso traz. A vertigem e o perigo que contém. A alegria e a inveja que me faz. A paixão e a certeza da Ressurreição.
De ti hei-de lembrar-me sempre.

terça-feira, abril 07, 2009

Ponte Salazar

O texto é conhecido, e vem publicado numa das obras de Franco Nogueira sobre Salazar, mas vale a pena transcrevê-lo para dele retirar algumas ilações. Especulações de monárquico empedernido e não aquelas que alguns (ou muitos) esperariam.
Sobre o baptismo da ponte disse na altura Salazar:

“Vi num estudo que a Ponte tinha o meu nome. E isso não poderá ser, como expliquei ao senhor ministro das Finanças. Se não há melhor podemos chamar-lhe Ponte de Lisboa.”
Mais tarde e na companhia de Arantes e Oliveira visita a ponte a título privado e vendo o seu nome escrito em letras de bronze, pergunta: - “As letras estão fundidas no bronze ou simplesmente aparafusadas?” Porquê, indaga o ministro?! “É que se estão fundidas no bloco de bronze vão dar depois muito trabalho a arrancar…”.
A seguir à inauguração e perante o facto consumado Salazar ainda comentou: - “Teimosia do Presidente e do Ministro… mas é um erro” explicando – “Acreditem: os nomes de políticos só devem ser dados a monumentos e obras públicas cem ou duzentos anos depois da sua morte. Salvo casos de Chefes de Estado, sobretudo se estes forem reis, porque então se consagra um símbolo da Nação. Mas em se tratando de figuras políticas, como é o meu caso, então há que esperar, há que deixar sedimentar, e se ao fim de duzentos anos ainda houver na memória dos homens algum traço do seu nome ou da sua obra, então até é justo que se lhe preste homenagem.”
E concluiu apontando o indicador para a lápide em gesto de aviso: - “O meu nome ainda há-de ser retirado da ponte e por causa do que agora se fez, os senhores vão ter problemas…”.

Comentário deste interregno: - o verdadeiro Interregno poderia ter terminado se Salazar juntasse à clareza dos seus raciocínios a coerência dos seus actos. Não sendo assim, como diria um pensador que admiro, “falta a verdade de tudo isto”!
Explico: - apesar das reticências a verdade é que Salazar consentiu que a Ponte fosse baptizada com o seu nome. E na mesma linha de pensamento mesmo considerando que os reis são o verdadeiro símbolo da Nação, a verdade é que nada fez para que a Nação tivesse esse símbolo!
Sobrelevando tudo o resto, as suas palavras revelam um homem certeiro mas profundamente descrente.

Saudações monárquicas

domingo, abril 05, 2009

Duas ideias patetas

Em época de crise ouvimos dizer que a Europa é pouco solidária, que cada país toma as medidas que entende sem olhar aos interesses da união europeia.
Ora bem, para além da dificuldade em identificar quais são os interesses da dita união, o que os vários governos fazem é básico: - tentam resolver os problemas internos imediatos, com um mínimo de contestação e sem pôr em risco uma futura reeleição. Tudo dentro da lógica do sistema e por isso não vejo qual é a admiração!
Só os europeístas patetas é que podiam imaginar o contrário, ou seja, que um Sócrates (não esquecer o Cavaco) ou um Sarkozy qualquer pensasse primeiro nos outros e só depois olhasse para o seu umbigo!
A segunda ideia pateta (fabricada por uns quantos para consumo universal) ‘pensa’ que a solidariedade se obtém por decreto, a partir daquele processo laborioso a que chamam vontade democrática!
Nada mais errado.
A solidariedade repousa na confiança (no poder político) e a confiança é um sentimento, não é uma ideologia ou uma razão: - existe ou não existe, ponto final.
E a não ser que queiramos produzir solidariedade a foice e martelo, o melhor é concluirmos que a união europeia é (ou foi) um negócio de ocasião.

Saudações monárquicas

sábado, abril 04, 2009

Pirex

Enquanto procurava um pirex para aquecer os canelones ía ouvindo o que se passava no novo canal da TVI. Na ementa a habitual mesa redonda sobre o Freeport. Várias vozes e uma que se esganiçava na defesa do primeiro-ministro. Deixei os canelones no forno (trinta a quarenta minutos segundo as instruções) e fui ver… era ela, assanhada e descomposta - o segredo de justiça para aqui, o segredo de justiça para ali – a lenga-lenga do costume quando queremos pôr processos (e investigações) em banho-maria. Fui ver do forno, os canelones pareciam-me bem. Quem não estava bem era a Câncio – fervia de tal maneira com os outros convidados, que vi jeitos de se pegarem!
E termino com Constança: - não lembra ao careca convidar a presuntiva namorada do Sócrates para um programa (de esclarecimento) sobre o Freeport! Nem sobre o Freeport, nem sobre uma data de coisas. Incluindo habilitações académicas.
Está tudo doido! Vou mas é aos canelones que já tenho o estômago a pressionar-me!

quarta-feira, abril 01, 2009

Um país à pressão!

Não há português que não se sinta pressionado. Desde as altas pressões do anti-ciclone, que há largos anos decidem o sol e a chuva no continente, até às baixas pressões sobre o Freeport, pode dizer-se que Portugal tomou a forma de panela prestes a rebentar! Mas não rebenta porque a malta não quer! E depois, se a pressão acaba o que é que vamos fazer! Como é que a gente se governa?! A fazer desporto?! A selecção do Queiroz está uma miséria; os penalties do Lucílio duram para um mês, se tanto! Restam as maratonas com o Sócrates! Mas daqui até que se faça uma ponte só para maratonas… não me doa a mim a cabeça. E bem precisa era… Por isso a pressão é bem-vinda. E dá de comer a um milhão de portugueses… pelo menos.

segunda-feira, março 30, 2009

Expediente de Março

Abri o calendário no mês de Março e deparei com a seguinte inscrição: - “Só porque alguém não te ama como tu queres, não significa que não te ame com todo o seu ser…”!
Quinze dias de ausência ou ‘cem anos de solidão’ vem dar no mesmo porque Gabriel Garcia Marquez pensava na diferença que nos une e não naquilo que nos separa.

E agora reparo que escrevi o meu último postal nos ‘idos de março’, data imortal que assinala a morte de César às mãos de Brutus, para o bem de Roma (da Roma democrática) segundo se disse na altura.
O calendário renova-se e o mês de Abril incita à vida, à oportunidade da vida…

A verdade é que a vida mudou. Ela muda todos os dias mas só em determinados momentos damos conta disso. Nesses momentos a realidade transforma-se (e transforma-nos) em presente e passado, e assim divididos tentamos prosseguir pelo mesmo caminho. Mas é em vão que o fazemos.
Entretanto o interregno continua, menos optimista é certo, mas continua. E se houve tempos em que vislumbrámos o seu fim (para glória do autor e descanso dos leitores) o que aí vemos não augura nada de bom. Ele há-de continuar, infelizmente, quer eu queira quer não.

E encerro o expediente com notícias do Papa, de quem mais havia de ser! Pois se não há frase que pronuncie ou ideia que exprima, que não lhe caia a ‘cristandade’ em cima! E a coisa é de tal ordem que já surgem textos humorísticos a denunciar a paranóia ocidental, melhor dito, a companhia (leia-se campanha) das judiarias ocidentais: - desta vez Bento XVI pronuncia-se sobre o tempo constatando que estava um belo dia em Roma, o que é normal para a época. Mas porque na mesma altura chovia em Bordéus tanto bastou para ser severamente criticado: - imprevidente (e egoísta), incapaz de olhar o boletim meteorológico como um todo, etc!...

Querem um conselho?!
Façam como eu que subo todos os dias ao mais alto promontório na esperança de avistar a esquadra inimiga! Que finalmente nos reconquiste, que traga um pouco de Fé à Europa e um pouco de ordem ao planeta. Tenho a certeza que os ‘infiéis’ hão-de tratar melhor o sucessor de Pedro que esta cambada ocidental.

Saudações monárquicas.

domingo, março 15, 2009

Vale de Acór

Que este lugar seja para ti
Um caminho novo
Que este caminho faça de ti
Um homem novo

Que este lugar te dê enfim
Paz e bonança
E que esta paz acenda em ti
A luz da esperança

Como o cativo que se liberta
Adormecido e já desperta
Homem caído que se levanta
Que ontem chorava e hoje canta

Água da fonte que não secou
Ou essa flor que não murchou
Homem ausente que diz presente
Se o coração ainda sente

Que o Vale de Acór se faça em ti
Caminho novo
E este caminho faça de ti
Um Homem Novo!

Em 8 de Março de 2009
Lembrança pelos quinze anos do 'Vale de Acór'

terça-feira, março 10, 2009

Obama dos Santos

Cada um tem o Obama que merece, ou como na regra de três simples – Obama está para o mundo assim como Eduardo dos Santos está para Portugal. E podíamos seguir a pista republicana recordando a malta de Abril – ‘nem mais um soldado nem mais um tostão para as colónias’. Precisamente o contrário do que afirmou Salazar – ‘para Angola e em força’.
Em que ficamos?
Jerónimos, Camões, Cavaco, discursos… uma grande maçada, um disfarce para escamotear a realidade omnipresente – não passamos sem as colónias e elas não passam sem nós. Se quiserem, ex-colónias… omnipresentes na mesma – nas ruas, no autocarro, nas obras, nos bancos dos hospitais, nos bancos falidos, em todos os subsídios, em número sempre crescente, tudo a assobiar para o lado, e não vêm todos porque não podem… ou não cabem!
Salazar tinha razão - ‘Portugal não é só uma nação europeia e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos’.
Deixemo-nos de conversas, toca a assumir o destino, porque a nossa independência e a independência de Angola dependem afinal uma da outra!
E para quem tem dúvidas sobre independência lembro o incontestável Condestável – “Pátria – é um palmo de terra defendida. A lança decidida risca no chão o tamanho do nosso coração… Eu assim fiz, surdo ás razões da força e da fraqueza… mais difícil era a empresa que a seguir comecei: já sem cota de malha, combater por outro Reino e por outro Rei!”

terça-feira, fevereiro 17, 2009

A minha vizinha quer casar

Por ter visto muitos filmes de cow boys a minha vizinha quer casar com o cavalo. Não é bem cavalo é uma mula mas a senhora já tem uma certa idade e não liga a esses pormenores.
Tentei dissuadi-la, já lhe expliquei que nos filmes é uma coisa e que a realidade é outra, mas não adianta, insiste, alega que estou a discriminá-la e sem mais explicações levou o assunto à dona fátima e ao seu programa de prós e contras. Que é afinal para isso que ele serve – para debater causas fracturantes, temas que o governo teime em regular e que possam distrair os portugueses dos seus problemas reais.
E assim foi, seguindo o formato habitual, convocaram-se o mesmo número de prós (os defensores do casamento da minha vizinha) e o mesmo número de contras (os que achavam que o estado não devia regular tal materia, mais os que achavam que a televisão pública deveria ter critérios mais rigorosos para gastar o dinheiro dos contribuintes, mais os que pensavam que o estado e a televisão pública deveriam reflectir os valores fundacionais, mais aqueles que acham que o casamento é uma instituição séria, fonte de vida e base da família, e ainda uns quantos que defendiam o internamento da minha vizinha, e acusavam a dona fátima, e a televisão pública, de servirem os interesses eleitoralistas do governo socialista).
Postos os contendores em igualdade de circunstâncias, foi obtido o primeiro desiderato dos defensores da minha vizinha, a saber: o seu caso não era um assunto da esfera privada mas sim um assunto de estado, e que cabia ao mesmo estado regular!
E o que a senhora reivindicava tinha afinal a grandeza dos grandes combates pela liberdade e contra a discriminação! E não faltou quem ousado e solene afirmasse que o direito da minha vizinha poderia pôr em causa, se necessário fosse, os próprios alicerces da comunidade!
Sob a imparcialíssima arbitragem da dona fátima, o debate prosseguiu, equilibrou-se, desiquilibrou-se, até à completa negação da natureza humana – para os erros da natureza cá estamos nós os homens para os corrigir!
E a minha vizinha casou com o cavalo!
Hoje em dia oiço-a relinchar infeliz, e quanto à mula, foi-se embora, disse que não foi feita para aquilo.

domingo, fevereiro 15, 2009

República de São Valentim

A jovem de seios opulentos que vive na assembleia da república anda perdida de amores por Salazar! É um clássico republicano. Para quem não saiba (e são muitos) a primeira republica (dita democrática!) não descansou enquanto não ergueu (no chão sagrado da Rotunda) uma estátua a um ditador! Ao marquez, pois claro.
Entretanto (e para retribuir o galanteio) a segunda republica sentou o António José de Almeida numa praceta das avenidas.
Mas o que nos interessa agora é este romance a prometer casório por alturas do centenário. Uma festa de família!
Entretanto o noivo aparece em tudo o que é sítio: concursos de televisão que ganha fácilmente; biografias inéditas; na pele de sedutor irresistível! Um dia talvez venhamos a descobrir que era um democrata compulsivo.
Antes assim, não se estragam duas casas.

Saudações monárquicas

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Sócrates resolve a crise

Regionalismo e casamento de homossexuais são a grande receita de Sócrates e do PS para resolverem a crise em Portugal. Uma combinação inovadora, espécie de dois em um, permite responder aos anseios amorosos de muitos portugueses e ao mesmo tempo solucionar a desertificação do interior do país. Bastando para tal encaminhar e fixar os novos casais nessas paragens ignotas. Depois é só esperar pelos frutos.
Mas não há bela sem senão! Provávelmente dessincronizado com o alcance deste projecto, o anterior ministro (socialista) da saúde ter-se-á precipitado ao fechar uma série de maternidades fronteiriças!
E agora?!...

segunda-feira, fevereiro 09, 2009

O programa da cidade

Desceu hesitante pelo túnel em caracol, foi o cabo dos trabalhos para alcançar o ticket do parque de estacionamento, esticou-se, quase que saiu pela janela, estacionou finalmente e respirou fundo! Durante todo este percurso ela azucrinou-lhe os ouvidos – mais depressa… para onde é que tu vais?! Em frente. Chega-te ao parquímetro. Não há pachorra para um homem assim… Há quanto tempo não vens a Lisboa?!
Meio estonteado saiu do carro e seguiu-a até ao elevador apinhado. Subiu ao colo de desconhecidos, recompôs-se, saltou barreiras de gente, conquistou o bilhete e viu-se num filme indiano!
Antigamente era impensável ver um filme indiano! Passavam no Odeon, anunciados em grandes cartazes e contavam histórias de amor impossível. Agora já não existem filmes indianos mas filmes sobre a Índia. Onde o amor se tornou impossível!
Quem quer ser milionário?!
Este concurso universal serve de pretexto para visitarmos a realidade indiana, os tremendos contrastes de uma sociedade milenarmente estratificada, a miséria e o luxo lado a lado, onde o progresso acentuou disparidades e clivagens.
Em Munbai ou Bombaim, que foi dote oferecido aos ingleses, a vida continua incompreensível aos olhos de um ocidental! E o realizador não poupa os espectadores ao realismo da condição de milhões de seres humanos que habitam em intermináveis lixeiras como se fossem casas. E que apesar de tudo sorriem e amam. E trocariam um prémio milionário pelo sim da sua amada!
Um bom filme que escusava de acabar em arremedo de West Side Story. Mas está bem, afinal sempre é um filme indiano.
A parelha improvável ficou mesmo ao meu lado. E ela, bem mais tolerante, aconchegou-se.

sábado, fevereiro 07, 2009

A verdade

A verdade histórica não precisa que a guardem, não precisa que a imponham, que a repitam até à exaustão, e sobretudo que a defendam como se fora uma crença, um dogma, um credo. Tudo isto faz mal à verdade.
Aliás a dialéctica ensina-nos que quanto mais encarniçada for a defesa de determinada verdade, quanto mais altos os muros que a protegem, esse é o próprio sinal da sua fraqueza.
Vem a propósito o clamor levantado contra um bispo católico que ousou discordar dos termos em que é relatado o 'holocausto' dos judeus durante a segunda guerra mundial.
Segundo o prelado a dimensão da tragédia tem sido empolada distorcendo assim a verdade histórica. Tanto bastou para ser obrigado a pedir desculpas e há quem peça a sua resignação!
Por este caminho nunca encontraremos a verdade.

terça-feira, fevereiro 03, 2009

Detergentes da república

Quando a nódoa ameaça deixar marcas indeléveis no regime, conhecidos agentes branqueadores entram em acção e é vê-los todos os dias a ocuparem o espaço mediático, quais glutões do ‘omo lava mais branco’!
Um dos programas de lavagem a seco mais utilizado é o ‘prós e contras’ da dona Fátima! Sempre disponível para limpar e escovar os desastres da república, eternamente grata aos seus egrégios fundadores, abre a lavandaria com gosto e convida os melhores detergentes.
Há falta do ex-Vital comunista (que faz limpezas no Público) convocou o ex-bastonário ribeirinho. Igual a si próprio (lembram-se dele a propósito da Casa Pia?!) de esfregona em punho, denuncia a conspiração, para de seguida desvalorizar a denúncia, e por fim, em desespero de causa, agita o fantasma do próximo Mussolini!
Só faltou declamar Luís XV – depois de Sócrates... o dilúvio!
Que lindo!
Mas o nosso detergente está enganado, porque há nódoas que não saem nem se conseguem disfarçar. Neste sentido, a estratégia da ‘paz podre’ apenas adia um desfecho, não o evita. E já todos percebemos que com Sócrates as coisas pioraram onde não podiam piorar – a independência do poder judicial está posta em causa. E a partir daqui tudo se desmorona – ninguém confia, ninguém acredita, ninguém investe no futuro. Uma sociedade destas está condenada, não tem futuro.

Saudações monárquicas.

domingo, fevereiro 01, 2009

D. Afonso Henriques

Pai, foste cavaleiro.
Hoje a vigília é nossa.
Dá-nos o exemplo inteiro
E a tua inteira força!

Dá, contra a hora em que, errada,
Novos infiéis vençam,
A benção como espada,
A espada como benção!


‘Mensagem’ de Fernando Pessoa

sexta-feira, janeiro 30, 2009

“O filho do meu tio”

A expressão é intrigante
Pois em família tão próxima
Não há primo tão distante!

Mas não é forte o indício
Nem a suspeita fundada
Não se assuste magistrada!

Por feliz coincidência
Seu costume é arquivar
O caso não tem ciência

E a cada rima piora…
Se querem melhor justiça
Tragam juizes de fora.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

A república dos papagaios

Usava suspensórios coloridos
Falava no direito dos arguidos
E deu na TV a garantia:
Não há pedófilos, mas sim pedofilia!

Conversa mais conversa dia e noite
Chegou finalmente aonde queria
Bastonário popular e demagogo
A cabala p’ra salvar a confraria!

República em maré de pouca sorte
Não dispensa servidor tão diligente
Está contra o magistrado do 'freeport'
E ataca no discurso toda a gente!

Pobre terra de papalvos e doutores
De néscios imbecis desenganados
Sempre à espera de um messias salvador
Nascido num escritório de advogados!

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Critérios de desempate

Não me vou alongar sobre o ‘goal average’, um critério de desempate como outro qualquer, perfeitamente regulamentado pela FIFA, que já o utilizou (sem dúvidas matemáticas ou existenciais) nas várias provas que organiza. É verdade que entretanto deixou de utilizar aquele critério, mas ninguém pode assegurar que não o venha a reutilizar no futuro. A única certeza que temos nesta matéria é que se a FIFA quiser voltar ao critério de desempate por ‘goal average’ escreverá isso mesmo no regulamento, ou seja – ‘goal average’!
Porém a questão que me traz a estas linhas é outra, também sobre critérios de desempate, mas aqueles que mais se aplicam em território nacional. São regras não escritas, permitindo um variado leque de interpretações, e derivam todas de um conhecido axioma nacional – na dúvida, a favor dos grandes.
Neste sentido os árbitros portugueses dispõem de um manancial de critérios de desempate que pode ir da grande penalidade marcada ao contrário, ao golo anulado ao adversário, evitando assim o empate!
Para a história ficam aqueles jogos que só terminavam quando os ‘grandes´ conseguiam desempatar!

Saudações azuis

quarta-feira, janeiro 14, 2009

Gladiadores

Pão e Circo são expressões da decadência em qualquer época e lugar e a fazer fé na gritaria que por aí vai, estamos a viver um desses momentos.
Afinal não mudámos muito, creio até que recuámos um pouco, e imagino os tempos da ‘aurea mediocridade’, as mesmas estátuas aos vivos, com a curiosidade de um novo mandamento – ‘premiai-vos uns aos outros’!
E as similitudes não se ficam por aqui - hoje, como ontem, o ‘império’ continua a preferir ‘gladiadores’ de raiz ibérica, conhecidos pela sua destreza e coragem nas artes circenses. A fama desses escravos lutadores vem de longe e sabemos que alguns foram idolatrados como deuses!
Por isso não admira que os cinco ‘artistas’ nomeados para o prémio anual da FIFA se entendessem nos dois principais idiomas peninsulares – português e castelhano. Pois não se mudam características culturais com a facilidade que muitos imaginam.
E se isto é verdade para a destreza individual , também é, infelizmente, para a menor aptidão destes povos em se organizarem colectivamente, com as consequências que neste caso se adivinham: - a fuga dos talentos em busca de outros palcos e melhores condições.
Para os conterrâneos sobra a televisão e um sentimento de desforra que Freud poderia explicar.
Eu não.

quarta-feira, janeiro 07, 2009

O partido único

Em política o que parece é, e está-me a parecer que caminhamos rápidamente para o partido único, uma fatalidade republicana como todos sabemos. Mas não se assustem porque tudo irá decorrer na melhor das democracias e com a Constituição em pano de fundo. Eu explico:
- Oficializada a crise, o chamado governo socialista propôe-se ajudar ‘todos os que precisam’, e não temos dúvidas que saberá escolher criteriosamente os alvos de tamanha generosidade.
Em primeiro lugar vem a absoluta garantia de emprego na função pública, adiando assim o necessário emagrecimento do Estado. Com esta medida acentua a desigualdade entre os portugueses mas garante a vitória nas próximas eleições. E, não menos importante, esvazia a contestação à sua esquerda.
Em segundo lugar, e pelo efeito ‘Pai Natal’, o Partido Socialista vai conquistar fácilmente ‘a direita que temos’, deixando o PSD e o CDS a ver jogar.
Nestas circunstãncias, conhecendo a artificialidade das formações partidárias e o carácter adesivo do indígena, não custa adivinhar o definhamento geral em favor da ‘união nacional socialista’. Sócrates poderá ser então uma espécie de Salazar sem botas, sem ideias, mas com alfaiate de marca.
Nesta harmónica previsão subsiste no entanto um problema, a saber: - o que este Governo Socialista pretende distribuir generosamente, não é nosso, nem sequer depende de nós. Sem contar que a pedinchice nacional é uma doença voraz.
A coisa pode não ser suficiente e isto dar para o torto.

Saudações monárquicas.

Sociedade quente e frio

Perguntava a ‘pivot’ de um telejornal qualquer: - então Sara, quanto tempo falta para o ‘pico do frio’? A enviada especial respondeu com toda a seriedade que não sabia ao certo quando o transcendente fenómeno iria ocorrer, e continuou a entrevistar uma população sorridente que saíra à rua para sentir na pele o anunciado frio da televisão!
A juntar à festa o presidente da Junta (!) mandara espalhar sal no pavimento das praças e artérias na iminência do nevão que insiste em atrasar-se!
Isto seria apenas ridículo não fosse o caso de escancarar uma sociedade infantil e robótica, telecomandada à distância.
Não senti frio, senti pena e algum receio quanto ao futuro.