terça-feira, maio 04, 2010

Subsídios para o centenário

Com a devida vénia transcrevo alguns estados de alma que nos podem ajudar a compreender os festejos que se anunciam para o centenário da república:

- “Portugal parece cada vez mais um Titanic ibérico. (…) Será que há vida para além do défice? Não, não há.”
Paulo Pinto Mascarenhas – jornal (i)

- “Se é exagero dizer que nos encontramos economicamente falidos, é para aí que caminhamos politicamente e é aí que já estamos eticamente. Sim, somos um país eticamente falido.”
Vicente Jorge Silva – semanário Sol

- “O português comum vive na incerteza de um conflito social de consequências imprevisíveis.”
Baptista Bastos – Jornal de Negócios

- “O cinto que Mário Soares um dia pediu que apertássemos (…) já não tem mais furos.”
Pedro Santos Guerreiro – Jornal de Negócios

Como se vê optimismo não falta mas curiosamente (ou talvez não) nem uma palavra sobre o regime político! Parece ser tudo uma questão de economia e finanças! Verdade que já se ouvem vozes apontando para a deficiente instrução (educação é outra coisa), para a inexistente justiça, mas na televisão só aparecem sábios a recitarem estatísticas, percentagens e juros!
Mas eu juro que há uma questão política por resolver. E suporto a minha crença na célebre frase de Maurras – ‘Politique d’abord'.

Saudações monárquicas


Fonte das transcrições – jornal Público de 24/04/2010.

terça-feira, abril 27, 2010

O preço de uma mentira

Está em funcionamento na AR uma comissão de inquérito para averiguar aquilo que todo o país sabe – que o primeiro-ministro mentiu no parlamento quando disse que desconhecia o negócio sobre a compra da TVI pela Portugal Telecom! Uma mentira que as circunstâncias do negócio e as escutas (destruídas ou não) se encarregaram de provar. Pois bem, perante este cenário, o mais lógico seria admitir o erro e assumir as consequências, que poderiam passar por um conjunto de explicações ao parlamento, e no limite, por um pedido de demissão. Pelo menos era isto que aconteceria num país normal e com um primeiro-ministro também normal.
Mas não, em Portugal sobrepõem-se outros interesses, e o que interessa é esconder a verdade aos portugueses mesmo contra todas as evidências!
É mais ou menos isto o que se está a passar na comissão de inquérito onde um conjunto de deputados tenta esclarecer o assunto enquanto o partido do governo faz os impossíveis para calar os depoentes!
E nós, que assistimos a tudo, não podemos deixar de estabelecer duas conclusões: - em primeiro lugar, só num país muito rico é que se pode perder tanto tempo (e dinheiro) com uma mentira; em segundo lugar só num país muito pobre é que uma mentira é tão importante para a defesa do governo e do regime!
Este é o meu depoimento.

domingo, abril 25, 2010

Maioria silenciosa, quem te representa?

Li algures que Cavaco Silva se prepara para vetar o ‘casamento gay’ - um mero título de jornal cujo conteúdo não fui averiguar. Mas foi o suficiente para imaginar uma série de coisas que se iam arrumando na minha cabeça: - em primeiro lugar e dependendo dos motivos que invocasse para o veto, se esses motivos revelassem a firmeza de defender os princípios em que assenta o velho Portugal, admiti desde logo que teria garantida a sua reeleição. E de forma esmagadora. Digo isto porque o ruído que as ‘vanguardas’ produzem sobre este assunto, (ruído que a comunicação social amplifica), não corresponde ao pensar da generalidade da população. O povo é conservador no verdadeiro sentido do termo, ou seja, conserva os valores e os princípios que garantem a sua sobrevivência como comunidade. É uma atitude natural, instintiva. Sucede que esta grande maioria silenciosa há muito que perdeu qualquer ilusão sobre a classe política e sobre aqueles que a dizem representar. Por isso se abstém nas eleições ou mesmo nos referendos. Aliás, como poderia acreditar em pessoas que propõem e aprovam leis que atingem a dignidade humana (no caso da legalização do aborto) ou desqualificam a família (como o dito casamento gay)?! Que garantias de representação e sobrevivência pode dar um regime destes e gente desta?! Obviamente nenhumas.

Houve tempos em que a garantia de sobrevivência (contra as ambições externas e desvarios internos) assentava na aliança histórica entre o povo e o rei. E porquê com o rei?! Porque este era o aliado natural, ‘a figura humana da pátria’, representava a sua continuidade e perenidade. Melhor representante, melhor e mais seguro aliado, não podia existir.
Essa aliança foi entretanto destruída por aqueles que ocupam hoje o poder. São eles que lançam os foguetes, são eles que celebram o dia, são os mesmos que festejam o centenário da república! Já agora, aproveitem e perguntem-lhes porque é que estão contentes?! Será por sermos o país mais desigual da Europa?! O mais dependente?! O mais falido, juntamente com a Grécia?! Vão lá, dirijam-se à assembleia da república, interrompam a sessão solene, e perguntem-lhes.

quinta-feira, abril 22, 2010

Hoje, o insólito!

Isto pode tornar-se um vício mas ontem ainda tive coragem para assistir à segunda sessão do canal parlamento. O guião era o mesmo mas com protagonista espanhol. Ongoing para a frente, ongoing para trás, eram pérolas de alta gestão que saiam da boca de nuestro hermano! Jurava que com seiscentos milhões lá metidos nunca cederia às pressões do governo fosse para o que fosse. Devia essa lealdade aos accionistas. Eu ouvia e pensava com os meus botões… como é diferente o negócio em Portugal! Aqui, os empresários (e os conselhos de administração) não só admitem como gostam que o governo interfira nas suas empresas. Vão até ao ponto de não poderem viver sem os favores e as contrapartidas do estado. Mas o filme prosseguia quando um dos comissários mais impertinente lhe fez a seguinte pergunta: - se o senhor diz que a administração de que o senhor faz parte, não aceita interferências do governo nos seus negócios, mas acatou a ‘recomendação’ do ministro para acabar com o negócio… pergunto-lhe… e se o ministro ‘recomendasse’ a continuação (ou o reinicio) do negócio… o conselho de administração continuava a obedecer?! A questão ficou a pairar e o espanhol perdeu um pouco o salero.

Hoje, na matinée, aconteceu o insólito: - Em lugar da longa-metragem prometida saiu-nos o cinema mudo! O jovem gestor, inesquecível benemérito de dragões, águias e leões, e grande revelação da última série sobre a ética, não estava nos seus dias! Fez-se de vítima e remeteu-se ao mais profundo silêncio! Ninguém lhe conseguiu arrancar uma palavra.
Se isto pega, acabam-se os filmes, acabam-se as comissões, acaba-se a assembleia… enfim, uma tristeza.

quarta-feira, abril 21, 2010

Canal Parlamento – os melhores filmes!

Excelente iniciativa do canal parlamento, uma temática que se repete, basicamente ligada ao tráfico de influências e associação de malfeitores, sempre interessante de ver e com óptimos actores! Em síntese, uma semana ou quinzena que promete, e se arrisca a ganhar a guerra das audiências.
Hoje vi em reprise – ‘Ele sabe mas não pode’, filme que nos conta a odisseia de um jovem e talentoso advogado impedido de falar por força do segredo de justiça e dos códigos deontológicos!
Nascido para a política no aviário das juventudes partidárias, o nosso herói vive um drama singular – é consultor jurídico de uma empresa que quer comprar outra para calar uma jornalista incómoda. Só que a empresa compradora detém capitais públicos importantes e isso leva à suspeita de um golpe para controlar a comunicação social. Inocente, enredado numa trama da qual não consegue libertar-se, cai nas mãos dos comissários políticos que o interrogam até à exaustão. Em sua defesa só tem o seu partido, que por acaso está no governo.
Um filme a não perder, muito realista, onde se fica com a noção de que nestas grandes empresas ninguém fala com ninguém, e portanto, ninguém sabe nada dos negócios uns dos outros! Nem o estado, quando devia saber.

segunda-feira, abril 19, 2010

A ‘ética republicana’ e a bandeira

A ‘ética republicana’ vem novamente invocar a ética! Estranho procedimento para quem afinal não tem ética! Vem reconhecer que esta república não é ética, mas continua a insistir que a ética é um rótulo republicano! Mas que falta de ética!
A ética não falta à verdade. Porém, a ‘ética republicana’ não se importa de mentir! Como mentiu e mente, por exemplo, sobre a bandeira! Como escondeu e esconde a verdade sobre a fonte que a inspirou. E mascarou o verde com a esperança e o encarnado com o sangue derramado! Nada mais falso! Este verde e este encarnado têm uma simbologia própria, não são um verde e encarnado qualquer. Estas são as cores do ‘partido republicano’ que por sua vez usava as cores da maçonaria e da carbonária.
Bandeira de facção, imposta por uma minoria, bandeira que nunca foi plebiscitada. Tal como o próprio regime republicano!
Onde está aqui a famosa ’ética republicana’?!
Pergunta incómoda, verdade incómoda que os portugueses devem conhecer e que a ética (sem adjectivos) assim o exige.
.
.Post Scriptum: - As Pátrias não se constroem sobre a mentira.

sexta-feira, abril 16, 2010

"Convite"

Padre Pedro Quintela

Já lhe conhecia a voz dos seus tempos da TSF. Agora, sempre que oiço no carro a Antena2, com o desejo, sem mais, de ouvir música clássica, sai-me sempre ao caminho essa mesma voz, facilmente reconhecível pela contínua ambição de debitar opinião sobre tudo. E se lhe falta o génio dos mestres transborda-lhe na voz o sentido doutrinário/sanguinário própria dos reaccionários de esquerda: propaganda dos seus, obnubilamento dos outros (para quando musica de Arvo Part, Penderecki, Gorecki?, porquê o apagamento da biografia dos compositores das suas convicções religiosas, dos antigos a Stravinsky e Falla?), referências continuamente venenosas e ácidas no que se refere à Igreja Católica. Hoje excedeu-se. Sobre um cónego do Porto, músico afamado neste país pequeno, tratou de dizer logo, com todas as letras, que é suspeito de pedofilia. E pronto, está lançado o anátema. Sem sequer o caso estar a ser julgado em tribunal, eis que o juiz da Antena2 lançou o seu veredicto. Daí o meu convite. Não a que se eleve à altura das coisas do espírito, que só são belas, perduravelmente belas, se o são no espírito de verdade. Não apenas a que refira, ou convide os seus correligionários a referir, com igual gosto e languidez os nomes de toda a rapaziada envolvida no processo da Casa Pia, oficiais do estado e outros. Mas parece-me que seria saudável, no entanto, para sabermos com que linhas nos cosemos, que se referisse às dificuldades de Eugénio de Andrade, nome maior da sensibilidade pederasta da nossa terra, ou de Lagoa Henriques – esse da estátua do Pessoa no Chiado - que se divertia com os seus modelos meninos, ou ainda uma palavrinha sobre o João César Monteiro e o seu documentário sobre a Sophia, e o modo obcecado como filma a criança sua filha (à venda na FNAC!) ou à literatura pedófila do Partido Radical Italiano, inspirador dos rapazes do Bloco. Que cite, ainda, Daniel Cohn-Bendit, avatar da cultura libertária de 68, inimigo vencedor do perigoso católico Rocco Buttiglionne na primeira equipa de Barroso (lembram-se?), dinossauro do actual parlamento europeu, e os seus elogios das suas próprias praticas pedófilas. Ou então, se quiser ser mais cosmopolita, ele que nos fale dos passeios de Roland Barthes, esse do Estruturalismo e da Semiótica pela Africa sariana em turismo sexual avant la lettre, ou das aventuras de Paul Bowles na Tanger da sua depravação, mais a Beat Generation sua convidada para o calor marroquino. Que desenvolva os tópicos do Michel Foucault justificando a libertação de todas as censuras sexuais burguesas, e que nos fale ainda do Gide mentor de toda a cultura pedófila e, indo um pouquinho mais atrás, que nos refira o barão von Gloeden e as suas celebres fotografias dos garotos da Itália pobre e, de novo, do Norte Africa apaixonante para essa gente obcecada por meninos. Gostaria também de ouvir duas palavras sobre o Presidente pedófilo Teixeira Gomes, nos 150 anos do seu nascimento, esse que também escolheu para terminar os seus dias a Argélia. E que não se julgue que são coisas perdidas no tempo. O poeta candidato a Belém escolheu para anunciar a sua candidatura a cidade de Portimão, num misto de homenagem ao Presidente escritor e à ética republicana. E pronto, se quiser ser generoso agradeceria, ainda, que nos descobrisse um pouco do mundo das artes nos dias que correm, e basta ficar por Lisboa. Ele que nos fale da gente da musica, do teatro, do cinema, e por aí fora, desses que são livres dos preconceitos cristãos.
E já agora, se quer falar dos padres pedófilos, que não se esqueça de referir que o estudo americano sobre estas misérias, o único até agora de natureza científica, aponta que 90% desses famigerados é homossexual. Sim, desse género de gente que não se deve discriminar, segundo as mais recentes conquistas da legislação portuguesa.
Poderá soar-lhe a ‘chinês’ mas, ainda assim, seria bom que ele dissesse que esses padres são gente muito longe do hábito de ir regular e fielmente ao confessionário, que não são devotos do terço, que desprezam a via sacra e a vida dos santos, que detestam e levantam a voz contra o Papa, contra o Papa do dia, e que embora um Papa suceda ao outro não sucede eles amarem o magistério e a sua doutrina. Que é gente, ainda, sem devoção à Virgem Maria e que sofrem muito por causa da proibição da ordenação das mulheres. Que tendem a considerar o celibato uma imposição antiquada e que são muito tolerantes no que se refere ao aborto. E que, se por vezes, essa gente perversa e perdida vive na Igreja, em versão reaccionária, também lhe são reconhecíveis os tiques: ritualismo extremo (=narcisismo pedante), falta de compromisso com os pobres e a missão, acusação contínua à hierarquia de ceder, eles cuja rigidez exterior revela um mundo pulsional febril. Finalmente, seria curioso que se pronunciasse sobre o facto de a pedofilia ser escandalosa ‘apenas’ no mundo cristão, na tradição cristã. Que se arrisque a fazer um prognostico sobre o que irá suceder daqui a cinquenta anos, nesta estrada estonteante que caminha de causa fracturante em causa fracturante… E pronto, por aqui ficam estas ideias soltas, sugestões escritas apressadamente, ao correr da pena, com um lamurio final: pobre de Cristo, como sempre e uma vez mais humilhado e ofendido nas traições/perversões dos seus. Gente ‘velha’ esta, tão velha como o golpe nocturno do primeiro discípulo sacerdote perverso. Pobre do vigário de Cristo, cujo coração tem de ser do tamanho católico da misericórdia de Cristo, ou o Senhor não lhe pediria tanto! Pobres de Cristo, os humilhados e ofendidos que só o poder do mesmo Senhor poderá ressuscitar de tamanha ferida. Pobres, ainda, esses pobres de Cristo – os cristãos simplesmente cristãos - que levam sobre o seu coração a dor atroz de tudo isto mas que não puderam jamais ceder aos gritos da multidão, como habitualmente aviltada e acovardada
.

quarta-feira, abril 14, 2010

Qual é a nossa bandeira?

Mas afinal, afinal
Qual é a nossa bandeira?!
Mas afinal...
Quais são as cores de Portugal?!
.
Será a verde-rubra derradeira!
Ou é o azul e branco ancestral!
Terá o escudo branco da primeira!
E o azul da Cruz original!
.
Digam lá, digam lá
Qual é a nossa bandeira?!
Mas digam,
Digam depressa por favor
.
Será a verde-rubra que desiste!
Ou é o azul e branco a nossa cor!
Terá o escudo branco que resiste!
E o azul na Cruz do Fundador!
.
Mas afinal, afinal
Qual é a nossa bandeira?!
Mas afinal...
Quais são as cores de Portugal?!

terça-feira, abril 13, 2010

Noticiário alternativo

Tradutore, traditore, bem sei, mas traduzo aqui a incomodidade que notei nos vários noticiários televisivos desta manhã face a uma realidade que insiste em contrariar o anti-clericalismo dominante. Anti-clericalismo e não só. Poderia ser assim: -

- Por muito que nos custe dar-vos esta notícia parece que afinal o celibato dos padres tem pouco a ver com a pedofilia. Com efeito os vários estudos científicos conhecidos relacionam a pedofilia com a homossexualidade e não com o celibato. Estas conclusões, que em má hora o Cardeal Bertone resolveu publicitar, são assim uma lástima para a campanha (em curso) de boas vindas a Bento XVI.
Saem também prejudicados os planos (que faziam parte do pacote) para associar os estabelecimentos de ensino (e acolhimento) dirigidos pela Igreja Católica à pedofilia, uma vez que qualquer estabelecimento com essas características pode estar sujeito à prática desses crimes. E neste aspecto sabemos que o Estado é largamente maioritário e abusivo, mas sempre impune, como nos recorda o triste exemplo da Casa Pia.
Lamentamos mas são estas as realidades a que não podemos fugir.

- Outra notícia lamentável, quem sabe se com o intuito de ofuscar o paraíso de Mandela e do seu filme de râguebi (Invictus), tem a ver com o assassinato de Terre-Blanche, líder do movimento a favor do apartheid. O incidente, apenas um incidente sem qualquer conotação racista, é duplamente lamentável se tivermos em conta que pode vir a prejudicar a actuação da nossa selecção de futebol e do nosso Cristiano Ronaldo. Tudo menos isso.

- E para finalizar uma boa notícia: - as escutas que envolvem Sócrates e Vara no processo face oculta vão ser destruídas esta semana, cumprindo a determinação do presidente do supremo. O país vai por certo respirar de alívio até porque já se conhecem o método e o instrumento da destruição - será à martelada e com um martelo.


Depois de um breve intervalo (com Passos Coelho) seguimos com a informação desportiva.

Até já caros telespectadores.

quinta-feira, abril 08, 2010

O azeite

O país a meter água e o azeite a vir ao de cima!
Eu tinha uma teoria e nunca fiz segredo dela. Antes pelo contrário. Segui na peugada dos grandes mestres e dadas as circunstâncias, troquei o clássico ‘cherchez la femme’, pelo óbvio, procurem na Casa Pia.
Veio agora Paes do Amaral, ex-futuro dono da TVI, dizer que aquela estação foi plataforma golpista para derrubar Santana Lopes e o seu governo. Nenhuma novidade. O santo e a senha dos golpistas eram as ‘trapalhadas’, e a estratégia, associar Santana, fizesse ele o que fizesse, às ditas ‘trapalhadas’. E o povo riu com gosto, e apoiou. Hoje ainda está convencido que derrubar Santana foi serviço público prestado à nação.
Não vou perder tempo com esta pista nem coloco o testemunho de Paes do Amaral acima ou abaixo de outros que ouvi sobre a matéria. Limito-me a observar a realidade.
E o que é que a realidade nos transmite?!
Que as hipotéticas ‘trapalhadas’ de Santana são ‘peanuts’ quando comparadas com as incomensuráveis trapalhadas de Sócrates! E vamos continuar a designá-las assim, por trapalhadas, porque há que manter as aparências.
Mas a realidade revela-se mais crua. Revela, por exemplo, o silêncio daqueles que criticavam Santana por tudo e por nada, mas quando se trata de Sócrates, perdoam tudo e mais alguma coisa!
Quem não os conhece?! – Cavaco da boa moeda, Marcelo comentador, o Teixeira dos jornais, e estou a citar apenas alguns, que não sendo socialistas, foram companheiros de viagem nesta guerra contra o Lopes.
Voltemos à investigação porque está na hora de fazer uma pergunta pertinente – mas se afinal as trapalhadas não eram problema, qual era então o problema de Santana?! Ou perguntado de outra maneira - que garantias é que Sócrates dava que Santana não dava?!
As conclusões serão sempre vossas, mas o que aconteceu a seguir à posse de Sócrates é do domínio público – a tutela da Casa Pia foi entregue a um amigo de Pedroso, Catalina Pestana foi para a prateleira, e o processo que ameaçava o regime, jaz moribundo à espera de ser enterrado. Melhor (ou pior, consoante os pontos de vista) era impossível.
Um dia o azeite há-de contar o resto da história e decifrar o enigma.

terça-feira, abril 06, 2010

Adeus Valença

Era uma vez um tratado que rezava assim - para cá (do rio) é meu (Minho), para lá do rio é teu (Tuy). Isto aconteceu há muito tempo, logo no início da aventura, mas se continuarmos a fazer disparates o tratado de Tuy pode deixar de valer. E se não vale, adeus Valença. Desaprendemos, perdemos terreno, e não percebemos o que está a acontecer.
Sem Rei, sem representação da história colectiva, Portugal como país independente tem poucas hipóteses de sobreviver. As colónias davam a ilusão de que tínhamos algo em comum, a ilusão de que éramos mais que uma soma de indivíduos, mas a compropriedade, só por si, não cimenta valores, nem justifica grandes sacrifícios E viu-se.
A propaganda republicana bem se esforçava, tentando esticar a ideia de pátria, mas pátria sem conteúdo não existe, desfaz-se. E desfez-se.
O nacional-benfiquismo também não resolve, os adeptos do portugal futebol clube que tenham paciência. E tratem-se.

Por isso, se amanhã alguém hastear uma bandeira azul e branca, onde quer que seja, não chamem os bombeiros, não a retirem do mastro, pois ela lembra tantas coisas que fomos perdendo... A tão cavaqueada coesão nacional, por exemplo. E lembra também o tratado que assegurou o Minho para o nosso lado. E que bem que rimava nessa época!
E não seja a coroa razão de discórdia, que a castelhana tem coroa concerteza.

Saudações monárquicas

quinta-feira, abril 01, 2010

O ataque à Igreja

Helena Matos tirou-me as palavras da boca. Com efeito, o seu artigo no jornal Publico (de hoje) desmonta sem sofismas a mais recente campanha (orquestrada) contra a Igreja Católica. O artigo em causa chama-se – ‘Pedofilia e anticlericalismo’ – e tem uma passagem que não resisto a transcrever: -

“ (…) Tenho para mim que as violações, abusos e os crimes mais hediondos podem acontecer em qualquer meio seja ele laico ou religioso e não vejo portanto que o clero católico ou doutra fé goze duma qualquer superioridade que o torne imune a estes actos. Do que já faço alguma ideia é de que a reacção perante a pedofilia e os abusos sexuais varia em função do perfil de quem a ela é ou foi associado como responsável: se for cineasta terá abaixo-assinados de apoio; se for político os seus pares podem levar a protecção institucional até à alteração de leis de modo a que os casos sejam arquivados; se for um cidadão comum será provávelmente recebido por multidões em fúria à porta do tribunal e caso seja agredido na cadeia toda a gente achará que isso faz parte do código de honra dos presos (donde se presume que quem administra as cadeias não tem um código de honra que lhe imponha impedir que os detidos se agridam uns aos outros). Se for padre é imediatamente dado como culpado. Não menos importante, segundo este raciocínio, o actual Papa foi e é responsável por estes crimes…”

Assim vai o mundo. Ou será apenas a Europa?!

sexta-feira, março 26, 2010

O ‘Movimento das Bandeiras’

Como monárquico fico feliz por saber que uma bandeira com as cores de Portugal, foi hasteada e desfraldou (livremente) no cimo da avenida da liberdade! Mais precisamente no Parque Eduardo VII, bem à vista do Marquez, esse símbolo do autoritarismo que fez e faz as delícias de laicos republicanos e socialistas. Ao ponto de lhe erigirem uma estátua com aquele tamanho! Quem diria!

Mas fico ainda mais feliz como português por constatar que as novas gerações se inquietam com o estado do país. E começam a relacionar esse facto com o regime que temos. E começam também a agir. Posso estar a exagerar, sei que desfraldar uma bandeira monárquica às escondidas, pela calada da noite, não quer dizer nada, pode parecer um gesto inútil, uma brincadeira, mas não é. Há-de significar alguma coisa.

Significa desde logo que o ‘movimento das bandeiras’ (deixem-me chamá-lo assim) tem algum sentido de humor, e tem a pretensão de desafiar o regime através de meios pacíficos. Neste caso contrastando com a violência da implantação da república. Para além disso, obriga a população a pensar. A população e o governo.
E por muito tabu que invente, o governo sabe que a questão monarquia/republica não é um mero caso de polícia. E se a constituição se fecha à realidade, se não permite que os portugueses escolham o regime em que querem viver … desfraldemos então bandeiras!

E qual é a dúvida de voltar a içar uma bandeira que para Portugal significou liberdade e grandeza, se a outra, a actual, imposta sem referendo, foi sendo arriada por todo o mundo onde tínhamos responsabilidades de soberania! E se mesmo aqui, no rectângulo, está em pé de igualdade com a bandeira do Euro!
Sim qual é o problema de voltar a içar a nossa bandeira, com as nossas cores, e com a coroa do Fundador!
Por algum lado havemos de começar...

Saudações monárquicas

Dito e feito

A velha bóia de salvação chegou como um alívio ao hemiciclo. E quando foram a votos parecia que estávamos na praia - cada deputado cingia a sua bóia, diferentes apenas na cor e no boneco que se insuflava na proa. Girafas para o bloco, dinossauros para os comunistas, ps e psd encavalitados na mesma bóia e patinhos para o cds. O primeiro ministro (convenientemente ausente) foi até Bruxelas tirar umas aulas de natação. Nós por cá, vamos indo, e vamos assistindo ao naufrágio (em directo) pela televisão.
Tinhamos previsto que Manuela iria sacrificar-se em nome dos altos interesses da pátria com letra pequena. Onde se lê pátria, pode traduzir-se para classe política, interesses ocultos, sobrevivência a todo o custo do regime. O tal regime que faz cem anos!
A Manuela tem destas coisas vê pátria por todo o lado, já foi assim quando trocou as dívidas do Benfica por acções sem qualquer valor.
Alternativas?! Não há. Nenhum nem ninguém dos que votou contra tem alguma ideia para Portugal. Alguma ideia fora deste quadro de dependência europeia. Fora deste cenário esmoler. Apenas querem manter-se, durar nos privilégios que, curiosamente, querem cortar nos outros!
E lá vamos cantando e rindo, levados, levados, sim ...

quinta-feira, março 25, 2010

União nacional do PEC!

Vota o pec Aguiar Branco, vota o pec, é um favor que fazes ao país. Acabas de vez com o ppd-psd, e com o resto dos apelidos. Acabas de vez com a treta do dois em um, dois partidos sociais-democratas a fingirem-se diferentes! Vota o pec Manuela, vota o pec. Acabam-se os enganos, acabam os pactos para a justiça, acabam-se as leis que protegem políticos e partidos, acaba-se o regabofe na assembleia da república - 200 milhões de euros para 2010! Para fazer leis que protegem a nomenclatura não são precisos tantos deputados (230!)! Metade chegam perfeitamente e já se poupa alguma coisa.
Vota o pec Aguiar Branco, vota o pec, para que se clarifique (finalmente) o leque partidário português, para haver uma alternativa real ao centrão, ou seja, um partido conservador de direita, que não tenha medo nem vergonha de ser aquilo que é.
Daqui a pouco confirmaremos estas previsões. Ah, pois, as agências de rating, o patriotismo do défice, bolsado depois de anos e anos de gastos inúteis com a partidarite aguda. Uma doença fatal. E com os presidentes da república a viajarem pelo mundo com as patroas.
Quem tem medo dos papões do rating (uma novidade em termos de papões)?! Resposta: - quem tem muito a ganhar com este estado de coisas e muito a perder se acabarem as mordomias.
Querem fazer sacrifícios? Comecem pelos partidos, pela miríade de autarcas partidarizados e depois venham falar com os portugueses que trabalham.
.
Saudações monárquicas

sexta-feira, março 19, 2010

Os idos de Março

Março faz lembrar a guerra e quando relacionamos a data com a história recente o acontecimento que ocorre é o onze de Março de 1975 – um golpe comunista sobre a revolução de Abril de 74, uma deriva totalitária que durou alguns meses e viria a ser neutralizada em 25 de Novembro do mesmo ano, graças sobretudo à intervenção de Jaime Neves e do regimento de Comandos. A solução de continuidade entretanto encontrada teve a habitual originalidade lusitana - Portugal continuou na órbita dos Estados Unidos e o Partido comunista foi autorizado a prosseguir os seus esforços para derrubar a democracia representativa. Daí degenerámos até à situação actual.

Mas não é deste onze de Março que vos quero falar, tão pouco da morte de César às mãos de Brutus, é de outro que poderia ter mudado o curso da história portuguesa.
Refiro-me ao ’11 de Março de 1959‘ ou ‘Golpe da Sé’, assim chamado porque os conspiradores tiveram algumas reuniões nos claustros da Sé de Lisboa, onde era pároco um dos conjurados.
O manifesto do movimento, curto e incisivo, falava em derrubar a ditadura de Salazar e deixava espaço para a revisão do regime. Entre os implicados, civis e militares, havia uma predominância de católicos, de monárquicos (esperançosos pelo fim do interregno) e muitos outros sem cor política definida. O sentimento comum era de salvação nacional perante a incapacidade do regime em se regenerar, e acima de tudo em perceber, para evitar, o descalabro ultramarino que se avizinhava. Recorde-se que a invasão de Goa ocorreu dois anos depois, em 1961, e nesse mesmo ano rebentou o terrorismo e a guerra em Angola.

No cerne da conspiração a figura e a coragem de um capitão de cavalaria, José Joaquim de Almeida Santos que haveria de pagar pela ousadia um preço bem alto.
A história é conhecida, travado à última hora por denúncia, o golpe abortou, o Capitão foi preso junto com outros implicados, conseguindo evadir-se mais tarde do forte de Elvas, onde aguardava julgamento. Na fuga participaram dois cúmplices, filo-comunistas sabe-se hoje, cúmplices que o haveriam de executar à traição no esconderijo da clandestinidade. Pelo meio uma jovem e bela mulher, amante do capitão e que os ajudou na fuga. Personagem insinuante, vivia com eles no abrigo, e haveria de admitir, trinta anos depois, que o seu testemunho fora falso, forjado, tal como o dos outros dois, no intuito de se salvarem de penas mais pesadas.
Consumado o crime, o corpo do capitão Almeida Santos foi encontrado por pescadores na praia do Guincho, alertados por cães em volta daquilo que parecia ser um cadáver mal enterrado na areia.
Estávamos no fim de Março de 1960 e a data do crime foi fixada pelos peritos em 15 de Março de 1960. Nos idos de Março, portanto, tal como a morte de César!

O resto da história chegou aos nossos dias de forma quase sempre desfocada, contada (ou descontada) em balada anti-fascista, laureada, em requiem de encomenda, para justificar crimes de esquerda, versões que têm vindo a ser desmentidas pelo tempo, por factos novos e novas revelações. E de cada vez resulta mais nítida a importância que teria o êxito do Golpe da Sé, como também resulta mais límpida a coragem do Capitão Almeida Santos (Dom Quixote em terras de Sancho Pança). E fica claro quem frustrou aquele movimento de capitães para cavalgar outro, treze anos de guerra mais tarde, e já sob estreito controle de comunistas e derivados.
Com os resultados que estão à vista. (a)
E subsiste a pergunta do costume - quem mandou matar o Capitão Almeida Santos?

Saudações monárquicas


(a) – Para quaisquer dúvidas sobre resultados que se queiram fazer, convidamos o eventual leitor a comparar o seu rendimento anual com o rendimento anual de um qualquer administrador da PT. Eu sei que é demagogia, eu sei que a empresa é privada (em Portugal é tudo privado quando dá lucro e é tudo público quando dá prejuizo), mas mesmo assim, comparem, e deixem passar a demagogia.

terça-feira, março 16, 2010

Portugal – um problema de estatutos!

Quem aterrar de surpresa no rectângulo pode estranhar tanto chinfrim à volta dos estatutos de um partido! Se estranhou é porque não conhece a terra nem a manha desta gente. Manhosos até dizer chega. Tudo lhes serve de disfarce, um barrete, um casaco virado do avesso, um cravo na lapela, o que for preciso, para se esconder e esconder o que vai lá em casa.
A televisão tem isto - o país virou PSD!
E todos querem alvitrar sobre os respectivos estatutos - se a seta deve virar à direita, se o laranja deve saber a tangerina, se não será melhor nomear uma comissão independente para rever os estatutos do PSD!
Estarei a desvalorizar a gravidade da situação?! O blackout, tão frequente nos nossos clubes de futebol, não poderá ser transferido para os partidos, afinal tão parecidos com os clubes de futebol?! No caso PS e PSD é uma evidência! Aliás, dois partidos sociais-democratas a fingirem-se alternativa só mesmo em Portugal. Eu não lhes disse que somos manhosos?!

Uma palavra sobre o Congresso do PPD, PSD, etc. : - naturalmente que depois de ler os estatutos eu não me inscrevia naquele partido. Porque
também acho ridículo tentar impor um blackout dois meses antes das eleições!
Tal como acho absurdo esperar a unidade das pessoas quando não existe uma proposta convincente e mobilizadora.
Em ambos os casos o sinal para o exterior é sempre de fraqueza. Fraqueza das lideranças.
É por isso que eu não voto no PPD, PSD, … e o que mais se verá!
É por isso que espero (ardentemente) pela clarificação deste partido, como Alberto João muito bem sugeriu, para que finalmente se clarifique o espectro partidário português.
Caramba, já lá vão trinta e tal anos!

quinta-feira, março 11, 2010

Finalmente!

Parece que (finalmente) estamos todos de acordo – não é o centenário do regime que estamos/estão a celebrar… mas o seu fim, e nessa circunstância faz todo o sentido.
A conclusão podia ser minha, do interregno, mas não é, são ilustres opinadores que o dizem!
Podia referir vários, mas bastam-me dois, um homem e uma mulher, um casalinho, para não haver discriminações: - Constança Cunha e Sá traça o diagnóstico da doença; Vasco Pulido Valente apenas se interroga até quando vai durar o paciente!
Com a devida vénia, não resisto a publicar o diagnóstico:

“…chegamos ao fundo de um poço que parece não ter fundo:
- o primeiro-ministro não tem condições para governar;
- a Oposição não tem condições para ir a eleições;
- o Presidente da República não tem condições para demitir o primeiro-ministro.
- E o país assiste, estupefacto, à crescente degradação do regime sem que ninguém tenha condições para travar a hecatombe que por aí se avizinha.”

Brilhante, mas a falta de condições não acaba aqui:
Em primeiro lugar, faltam condições ao ‘órgão de soberania restante’ – a justiça – pelo facto de ela ser, ao mais alto nível, propriedade da nomenclatura. E por isso só funciona quando lhe convém.
Em segundo lugar, a falta de condições estende-se ao próprio estado português. O que nos leva à seguinte reflexão: – mas do que é que estávamos à espera quando voluntáriamente nos constituímos num ‘estado exíguo’?! Num estado inviável?!
.
Nestas condições... quem deve estar contente com isto, com este resultado, e regressamos às celebrações, é o pessoal do cinco de Outubro - republicanos iberistas, e afins.

segunda-feira, março 08, 2010

João Cidade e o Vale de Acór

João Cidade nasceu em Montemor-o-Novo no dia 8 de Março de 1495… e desde que o Interregno existe, todos os anos nesta data, faço a evocação do santo conhecido por São João de Deus. Um santo alentejano, português, que viveu longe da sua terra, que experimentou várias formas de vida, um homem que se converteu num momento, e que a partir desse momento dedicou a sua vida a cuidar do próximo.
João de Deus morreu no mesmo dia em que nasceu, com efeito, morreu em Granada no dia 8 de Março de 1550. Tinha portanto 55 anos.
Proclamado Padroeiro dos Hospitais e dos Doentes, Padroeiro dos Enfermeiros, São João de Deus é também, e por isso, o Padroeiro do Vale de Acór, obra da Igreja, acolhimento e consolação para muitas das doenças deste mundo.
Fundado em 8 de Março de 1994, o Vale de Acór faz hoje 16 anos.
E renovo os parabéns.

sexta-feira, março 05, 2010

As desigualdades de Gini!

‘O coeficiente de Gini’ mede a distribuição dos rendimentos, mede as desigualdades sociais, e coloca Portugal num honroso penúltimo lugar entre os países da União – com o coeficiente de 36%!
Pior mesmo só a Letónia, que apresentava valores da ordem dos 38% em 2008.
Transformando o Gini em conversa habitual diria que num país com dois habitantes (A e B) e que produzisse dois ‘papo-secos’ por dia, o coeficiente português significa que o habitante A come o seu papo-seco e quase metade (36%) do papo-seco destinado ao habitante B!
Considerando por outro lado que o principal motor da desigualdade são os rendimentos do trabalho, mais propriamente, o elevado crescimento dos salários mais altos, a situação a que chegámos é conhecida, e não podia ser outra: - salários médios muito baixos, salários baixos aquém do nível de subsistência e para a grande maioria, pensões de reforma miseráveis.
A tudo isto podemos juntar o desemprego e a vasta população de subsidiados.

No outro lado fica outro país, o país da ‘nomenclatura’, aqueles que vivem com salários e mordomias que nada têm a ver com o mercado português nem com a realidade da nossa economia.
Quem são?!
Todos sabemos quem são, fazem as leis que os favorecem, julgam os fracos e poupam os fortes, advogam em causa própria, rodam entre a política e as empresas; institutos, comissões e fundações são palavras familiares, intervêm nos bancos, passeiam-se por Bruxelas, são vistos nos camarotes do futebol. Estão próximos do orçamento de estado. São uma minoria insaciável.
Atrás deles, às migalhas, um séquito de pareceres, opinadores e artistas convidados.
Em comum, todos festejam o regime e a Europa.
Pudera!

quinta-feira, março 04, 2010

Se é bom para os privados...

Porque é que Cabora Bassa não é bom para o estado... a que isto chegou?!
Ah, já percebi, negócios para os amigos, aqueles grandes empresários e banqueiros que fazem figura de ricos (sem risco) porque só sabem enriquecer à sombra do estado.
Lembrei-me da lição de Abril - cada república que chega é sempre pior que a que nos deixou, ou seja, a próxima vai ser pior que esta. E já percebemos o enredo - fala-me da Grécia, esquece a Acrópole, fala-me dos gregos sacrifícios, diz-me, repete-me, que não tenho nada a ver com a Grécia, mas à cautela aperta-me bem o cinto, sem folgas, que este povo imbecil gosta de votar em ti!
Conheces a música?! Pode ser assim - Sócrates, atira-te à barragem e diz que te empurrarem...

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Digam que é mentira!

Hoje, dia 26 de Fevereiro de 2010, declaro que não existe liberdade de expressão em Portugal.
Provas?!
Imensas, e o meu testemunho, a saber – ao contrário do que tem acontecido com outros convidados pela Comissão de Ética da Assembleia da República, cuja audição tem sido objecto de ampla divulgação, com transmissões directas e integrais nos vários canais noticiosos, públicos e privados, hoje, a anunciada e importante intervenção do director do jornal ‘SOL’ junto daquele órgão de soberania, não mereceu o mesmo tratamento e a mesma atenção por parte dos mesmos órgãos de comunicação social!
Reafirmo 'anunciada' para que se perceba que não foi surpresa, não interferindo assim com a programação; e reafirmo 'importante' para o esclarecimento da opinião pública, lembrando que o 'SOL' é um dos queixosos contra os abusos do poder.
Pois bem, não houve n
enhuma transmissão directa e integral, apenas a RTPN se prestou a um curto directo. De resto, nada!
O próprio Canal Parlamento esteve hoje ocupado com a 'comissão de economia e finanças'.
E se neste último caso podemos compreender a opção, já é muito difícil entender os critérios editoriais dos restantes operadores – RTP2 (transmitia o 'zig-zag'); SIC-Notícias; TVI-Notícias; e RTPN, todas elas tinham a agenda demasiado preenchida!
Se isto não é suspeito, não há suspeitos em Portugal!
Que é afinal o que se passa sempre que existe uma leve suspeita de haver um suspeito… laico, republicano e socialista!
E não passamos disto.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Leis à la carte!

A república dos segredos quer fechar o país em segredo de justiça! Acossados, aflitos, os socialistas tomam a iniciativa de mais uma lei para responder às necessidades imediatas - a partir de agora, o ministério público pode sobrepor-se (e substituir-se) a qualquer juiz para decretar o segredo de justiça nos processos que o justifiquem. A justificação fica obviamente ao critério do ministério público e a 'ratio legis' desta norma é básicamente a mesma que acompanha todas as leis deste país - a bem da justiça!
Caminho perigoso este que vimos seguindo, não contribui para a confiança interna, afasta o investimento externo, pois ninguém está disposto a aplicar o seu dinheiro num sítio onde as leis podem mudar a qualquer momento e sempre que algum compadre (ou confrade) estiver em maus lençóis! Se não é assim, é essa a sensação com que ficamos.
Portugal não precisa de valorizar o segredo de justiça, precisa, isso sim, de mais transparência na justiça.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Notas à margem

Vivemos tempos de tragédia. Tragédia provocada pelos elementos, chuva e vento que se abateu sobre a Madeira, tragédia que se alimenta de um país pobre e de pobre gente.
Não foi sempre assim, a história portuguesa regista momentos mais virtuosos, onde a nobreza era critério, ainda não se falava de ‘ética republicana’, felizmente, momentos em que a justiça funcionava, porque o árbitro supremo não era troféu eleitoral de ninguém.

Mas a tragédia, como disse, não se resume à Madeira, inclui a actual classe dirigente (em geral) e o primeiro-ministro em particular! Ontem mesmo, naquele programa de ‘prós e prós’, um bom exemplo de condicionamento político sobre a comunicação social, procedia-se a mais uma operação de salvamento de Sócrates! Presentes, alguns personagens para encher programa, peões de brega que preparam a faena do ‘diestro, e este a defender Sócrates de forma exaltada, face às reticências de Vicente Jorge Silva e Rui Machete.

Falou-se de tudo, de revolução francesa, de guerra civil permanente, sentiu-se a falta de um governo mundial, em livro, mas nunca ninguém questionou o actual regime político!
É assim a república, um dogma irresponsável, sem nada a ver com o estado da nação, com as desigualdades, com a justiça, que todos concordam que não existe, mas repito, nem uma palavra sobre o regime!
Afinal está tudo bem, anunciam-se sacrifícios, sabemos quem serão os penitentes, e lá fora uma algazarra de sombras (e candidatos) para ver quem controla o próximo chefe de estado.


Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Faltam os cromos mais difíceis

Estou a escrever este postal e estou a olhar para o polvo a espernear ao ‘Sol’. Gosto dele assado com batatinhas, vejo as fotografias dos figurões (já as tinha recitado há tanto tempo…) mas há qualquer coisa que não me deixa escrever a direito, um zumbido nos ouvidos… Ah, já me lembro, era a caderneta dos cromos, dos bonecos da bola, os que faltam, os mais difíceis de encontrar, e não há para a troca, mas era preciso completar a caderneta. São jogadores discretos, de clubes modestos, tipo Oriental ou Lusitano de Évora, clubes que na altura habitavam na primeira divisão.
Olho outra vez para o polvo e lá estão eles, fotogénicos, reconheço alguns que não paravam de aparecer na televisão no auge da Casa Pia. Depois do Intendente.
À época, estavam ralados com os arguidos de pedofilia, coitados, tão indefesos, a precisarem de mais garantias processuais. Para ver se o processo chegava ao ano três mil! Está quase.
Agora passam a vida a defender o Sócrates, não vá espirrar qualquer coisa para o centenário, para os tais cromos mais difíceis, aqueles que aparecem com falinhas mansas, redondas, como se fosse a primeira vez! Palavras convergentes…
Aqui saltou-me a tampa da caneta, convergência é com o Marcelo das escolhas. Este filho de Baltazar, ministro de Salazar, afilhado de Caetano, munícipe em terras de Basto, sabe-a toda. É ele e o pai Soares, que o Vitorino não leva ninguém atrás. Sabem muito, é o que é.
Mas vamos lá ver: - em que é que o Marcelo estava a pensar quando se saiu com a convergência, leia-se bloco central, ou para encurtar razões, união nacional?!
A coisa foi pronunciada onde devia ser - Espanha, Câmara de Comércio e Indústria, com aquele cheiro a avental tão característico. Marcelo pedia a mão de Vitorino!
Senadores! Disse ele, sabendo perfeitamente que o problema dos senadores é sobreviverem do mesmo tacho que o comum dos deputados. Pares do reino (Lordes) em Inglaterra é outra coisa. Esses só têm assento se tiverem sustento fora do Orçamento de Estado. Outras contas para outra ocasião.
Voltemos à manobra de diversão marcelista para salvar o PS (e o PSD) de uma grande enrascada – o PS agradece naturalmente este habeas corpus milagroso! Com Sócrates em plena fase gonçalvista (falta só o comício de Almada), a balbuciar frases incompreensíveis, sem direito a manifestação de desagravo das mães de Portugal (com o aborto e o casamento gay não podia ser, não é), este gesto de Marcelo só pode ser recebido com enorme regozijo no seio socialista. Seio e o que mais houvesse.
Quando toca a unir os bons espíritos entendem-se. O regime sufoca, logo, a divisa está lançada – a honra pelo deficit!
E coloca-se a questão: - Será que o homem se prepara para se fazer a Belém… com o apoio tácito do bloco central?! Se for assim, o Alegre já foi. E o Cavaco aproveita para ir a banhos até Boliqueime.
Ainda temos o pai Soares e esta estranha candidatura do Nobre! Reedição Pintassilgo para dividir votos?!
Ena pá, tantas jogadas ao mesmo tempo!
Trabalhos de parto, a quarta república vem por aí, silenciosa e para impor o silêncio.
Próprio da Quaresma.

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Quem protege Sócrates?!

Nunca o Sol brilhou tanto em dia de chuva! Até a tabacaria do costume me falhou – ‘já não temos, mais houvesse’!
Tive que o desencantar noutro sítio, não para ler aquilo que já todos conhecemos, mas para me certificar que as notícias estavam lá, escarrapachadas, como era suposto estarem. Ou talvez fosse o prazer de andar com elas, as escutas, debaixo do braço, e ser interpelado, como fui – ‘onde é que conseguiu descobrir o jornal!’

Mas deixemos o Sol e olhemos para o título do postal: - Afinal, quem protege Sócrates?!
Ou dito de outra maneira – Quem manda em Sócrates?! Que incumbências lhe destinaram?!
Posta assim a questão, a resposta pode ser académica – quem manda em Sócrates são os eleitores, são eles que o protegem, e foram eles que o incumbiram de governar.
Um aluno mais afoito, daqueles que acabam o curso com vinte valores, poderia até acrescentar que este tipo de perguntas se pode colocar a propósito de qualquer primeiro-ministro. O que é verdade.
Porém, o que não é verdade, e não me lembro de ocorrência semelhante, é esta ‘trapalhada’ imensa onde jaz submerso o governo… e os restantes órgãos de soberania!
A que não escapa o próprio regime!
E digo isto face à desorientação geral e perante a incapacidade de encontrar uma resposta à altura das circunstâncias.
É como se não estivesse a acontecer nada de importante!
A gravidade da situação é precisamente essa.

Aqui d’el Rei!
.
.
Nota pertinente: - Já depois de publicado este postal tomei conhecimento de uma iniciativa do Bloco de Esquerda para fiscalizar a liberdade de expressão na Madeira! Nada mais a propósito para desviar as atenções do primeiro-ministro!
Não me vou entreter com estas manobras de diversão, mas não deixa de ser curiosa a actuação do Bloco nas matérias relacionadas com a 'Face Oculta'. Pressurosos a solicitar uma comissão de inquérito (para estarem presentes e comandarem as operações) a verdade é que Louçã veio dar uma mãozinha a Sócrates por alturas da discussão do Orçamento. Disse ele dirigindo-se a Sócrates, e cito - 'se as escutas não serviram para a justiça também não servem para o Parlamento'! Uma tirada absurda, que o primeiro-ministro agradeceu naturalmente, mas que espelha duas coisas - a primeira é a eterna confusão entre justiça e política, a mesma confusão que Sócrates e o PS andam a fazer, e que as escutas acabam de provar; em segundo lugar prova-se mais uma vez que o Bloco ainda não deixou de ser o velho aliado (carbonário) do PS e do velho partido republicano... que a maçonaria controlava.
Clarinho como água.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Diógenes de esperança

Eu sou Diógenes
Nesta agonia
Uso lanterna
Em pleno dia!

Eu sou Diógenes
Nesta aflição
Neste país
Sem solução!

Procuro alguém
Que nos liberte
Que seja alguém
Que nos desperte!

Eu sou Diógenes
Mas tenho esperança
Na sua Fé
Na sua lança!

(Refrão)

Já oiço ao longe
O seu galope
Já oiço ao longe
O seu tropel
Já vejo ao longe
O seu estandarte
Azul e branco
Branco corcel!

Cingindo a fronte
Coroa Real
Já vejo ao longe
O seu sinal
Já não está longe
A sua lei
Aqui d’el Rei
Por Portugal!

sábado, fevereiro 06, 2010

A fragilidade republicana

Oiço um som cavo e profundo, como se fora o anúncio de um terramoto, vejo muita a gente a refugiar-se nas ombreiras das portas, dizem que é mais seguro, entendo o silêncio dos partidos, comprometidos com o sistema, e vejo a chefia de estado republicana paralisada, chantageada, é o próprio retrato do regime que se vai celebrando!
Quem se salva?! Em quem confiar?!
Chamo-me Diógenes em pleno dia com a lanterna na mão - Há por aí alguém?! Alguém que nos livre deste cativeiro! Deste pesadelo!
Perguntas devolvidas pelo eco da frustração, uma vida a falar sozinho, as fragilidades do regime expostas no jornal e mesmo assim ninguém percebe ou não quer perceber! Estão todos na ombreira da porta, à espera…
Curioso país este onde se cumprem as revoluções dos outros! Revoluções fora de prazo, que falharam no local de origem, encontram aqui campo para germinar. Neste quintal tudo cresce, tudo medra, à nossa escala, em pequenino, mas cresce.
Parece que é assim desde os ‘afrancesados’. Capturaram o estado, mataram o Rei e substituíram-no por um presidente da república, um alvo fácil de manipular e silenciar. Desde então andamos às voltas, e voltas, mas sempre para baixo.
Aguardemos pelas próximas baixezas…

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Saiam sem fazer barulho

Depois do que vem hoje publicado no 'Sol', ao primeiro-ministro José Socrates e ao seu governo não restam outras alternativas a não ser a demissão. Esta é a opinião do director daquele semanário e penso que deve ser a opinião de qualquer pessoa bem formada.
Mas não chega.
Já sabemos que foi tudo arquivado, destruído, e que no plano da estrita legalidade haverá mil argumentos para ficar tudo como está. Ou não fossem as nossas leis a escapatória ideal para quem tem poder e dinheiro e ao mesmo tempo um euro-milhões para uma elite de juristas que as fez e sabe bem o que fez.
Mas não chega porque na 'face oculta' é o país político que se revela, pois são os políticos que fazem as leis, são eles que organizam o poder, não há mais desculpas.
É por isso que a demissão do governo não chega, e não adianta agitar as bandeiras do costume. Patriotismo, união nacional, etc! Elas já não convencem ninguém. Destruidos os valores onde se alicerçava a comunidade só chega uma coisa... que há-de ser escrita nos muros da cidade: - os políticos que paguem a crise.
.
Saudações monárquicas

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Num hotel de Lisboa...

Mesas próximas, feliz coincidência, uma barbie a servir de pau de cabeleira, um cafézinho ensemble para falar do que interessa, e vamos a isto - oh pá, não sejas mau para mim, porque eu tenho aqui o orçamento, vocês comem muito, há letras a vencer, e eu só quero ajudar os privados a serem cada vez menos privados... daquilo que precisam. Resolve-me o problema e eu resolvo-te os problemas. E voltando-se para os caniches de estimação - meninos, rosnem baixinho que está gente a olhar.
Estas cenas passam-se no terceiro mundo e fazem parte de um filme gasto mas que continua a ser visto e apreciado em Portugal.
Do nosso enviado especial no exilio...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

A lição da república – o crime compensa

Ninguém sabe (até hoje) quem mandou matar o Rei e o Príncipe;
Conhecem-se os autores dos disparos, os jagunços, mas ninguém se responsabiliza pelo crime;

Ninguém sabe quem mandou matar Machado dos Santos, herói da rotunda e da república;
Conhecem-se os carrascos, cabo Olímpio, de alcunha ‘dente de ouro’, mais a sua trupe de marinheiros, mas nenhum órgão político, nenhuma organização ou confraria reivindicou o crime;

O mesmo aconteceu com Carlos da Maia e António Granjo, ministros da república e que também foram assassinados às mãos do ‘dente de ouro’;

Ninguém sabe quem mandou matar Sidónio Pais, presidente da república;
Conhece-se o autor, Júlio Costa, mas não se conhece o mandante;

Ninguém sabe quem mandou matar Humberto Delgado;
Num processo duvidoso e acintoso que visava atingir a segunda república ou justificar a terceira, apenas foi possível acusar e julgar à revelia um agente da polícia política, entretanto desaparecido, e que sabemos agora estará provávelmente inocente. É que a pistola incriminatória não foi afinal a arma do crime. O general Humberto Delgado e a sua secretária foram mortos à paulada, de acordo com o relatório forense; o estranho da situação é mais uma vez a ocultação da verdade e o silêncio;

Ninguém sabe quem mandou matar Sá Carneiro;
Sobre este assunto tudo se tem feito ao longo dos anos para manter a dúvida e a irresponsabilidade;

Este é o processo da república e das forças mais ou menos ocultas que a sustentam. Um centenário (cento e dois anos, para sermos precisos) em que foram assassinados dois chefes de estado, o príncipe herdeiro, um candidato à chefia de estado, dois primeiros-ministros, entre outras figuras, maiores ou menores, que têm algo em comum: - tornaram-se um empecilho aos desígnios de quem comanda esta marcha gloriosa para o abismo.

Mais recentemente, e a propósito de outros crimes, como os relatados no processo da Casa Pia, e por estarem indiciadas altas figuras do regime, o figurino é o mesmo - sabe-se que um funcionário da Instituição (o Bibi) praticou esses crimes mas não se sabe (e provávelmente não se vai saber) mais nada.

Publique-se e mande-se celebrar.

domingo, janeiro 31, 2010

Tripas à republicana!

A receita é a seguinte: como celebrar guerras civis em união nacional?!
Muito simples, aldraba-se a história, aldraba-se o povo, perdão, o cliente, e põe-se o Sócrates a discursar. Juntam-se foguetes, croquetes, idiotas úteis quanto baste, e as (nossas!) tripas estão prontas a servir, no Porto, porque nestas coisas, o Porto não quer ficar atrás de Lisboa!
Antigamente queria, e até tem no seu brasão o dragão dos Bragança, o azul e branco, mas isso foram outros tempos, agora é tudo igual, é tudo união nacional!
Unidos na tragédia, lá vamos cantando e rindo, à espera que alguém nos retire do abismo para onde este magnífico regime nos atirou.
Toca pois a celebrar, motivos não faltam…

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

“Supremo Tribunal é loja maçónica”

Sem novidade, sem que nada aconteça, um novo ano judicial que começa, os velhos discursos de circunstância, repetidos sem pestanejar, é o país que somos, que queremos ser, é a república que vamos celebrar, é a justiça a que temos direito, são as boas sentenças distribuídas entre ‘irmãos’, é a confraria secreta, discreta, é a ética republicana, palavra de passe, usada sem honra, é o que diz o jornal, de hoje, como foi possível chegar a semelhante notícia! E publicá-la! Sem uma réstia de pudor! Um horror.
Transcrevo na parte que interessa:

“O Supremo Tribunal Administrativo é uma loja maçónica criada, instalada, dirigida e presidida por maçons – como aliás, o Supremo Tribunal de Justiça é uma loja maçónica, criada e instalada por maçons”.
A afirmação é feita por José Costa Pimenta, juiz de Direito, que em 1998 foi alvo de um processo disciplinar que ditou a sua aposentação compulsiva e que desde essa data tem vindo a contestar o afastamento… Autor de uma vasta obra jurídica, vai mais longe nas suas considerações e fala em pactos secretos entre tribunais. “A verdade é que as lojas maçónicas, incluindo o Supremo Tribunal Administrativo e a Relação de Lisboa, deixaram-se infiltrar pelo jesuitismo e profanos de avental, que constituíram uma máfia que opera nos tribunais portugueses… e que distribuem sentenças entre si em benefício dos seus irmãos… Os juízes decidem não em função da lei mas sim dos compromissos que assumiram”.

Não podia ser mais claro, só que nada disto é novo, nem se esgota nos tribunais, é um vírus disseminado por todos os órgãos e cargos públicos, sementeira pombalina, estrume francês, colheita napoleónica, e sem registo de interesses. Por isso, quando o interesse da comunidade colide com o interesse da Loja, quem se lixa é Portugal.
Sem apelo nem agravo.
.
Saudações monárquicas

Fonte: Correio da Manhã, de 29 de Janeiro de 2010 (o transcrito, são alegações, não desmentidas, que constam de um acórdão que anda semi-desaparecido).

terça-feira, janeiro 26, 2010

Sinais dos tempos

Os índios quando queriam comunicar à distância enviavam sinais de fumo, mas quando o interlocutor estava próximo falavam e diziam o que tinham a dizer. Os portugueses que vivem nos partidos não aprenderam nada com os índios! Tome-se como exemplo a recente discussão sobre o orçamento de estado: - sinais e mais sinais e ninguém se entende.
Pois bem, aquilo que a maioria dos portugueses entende é que este ‘patriotismo orçamental’ se reduz a um jogo de sinais a ver quem fica melhor na fotografia. E todos sorriem ao eleitorado – CDS e PSD disputam a direita sem se comprometerem com ela. O PS faz o mesmo mas sem perder de vista a esquerda. O PCP aproveita a ausência da direita, escondida algures, por estar proibida de existir. O Bloco tenta ocupar território mas confunde a inveja com a esquerda.
Princípios?! Leva-os o vento. A discussão é de meios, de meios que justificam os fins e de fins que justificam os meios. Uma enorme hipocrisia que deixa a política sem nobreza e sem sentido.
Esperanças?!

Saudações monárquicas


Nota: - Entretanto, o ‘prós e contras’ de ontem manteve-se igual a si próprio - “uma peça fundamental da propaganda governamental quanto aos temas, convidados e estratégia. Nunca se desceu tão baixo na sujeição ao poder político”. A opinião é de Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão no jornal Público, opinião que subscrevo.

domingo, janeiro 24, 2010

A história a vir ao de cima!

“Foi por um excesso de iluminismo que se produziu o obscurantismo” – a frase é de Rui Ramos, co-autor de uma História de Portugal (num só volume) que promete destruir alguns mitos regimentais e fazer vir à superfície algumas verdades convenientemente sepultadas.
Sobre a decadência atribuída à Monarquia e à Igreja (teorias importadas da Europa continental) esclarece que o país sempre foi pobre de recursos e que
“no momento decisivo do salto em frente no século XIX… também não tínhamos gente preparada, gente letrada em quantidade suficiente”.
Sobre as razões deste atraso em relação aos países que entretanto se desenvolveram, Rui Ramos diz o seguinte: -

“Há é uma outra explicação que nunca é referida: nenhum desses países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX o fez contra a Igreja; foi sempre em articulação com ela. Ora em Portugal, primeiro com os liberais, a partir de 1820, e depois com os republicanos, o estado não só tentou alfabetizar a população contra a Igreja, como entendia que a alfabetização era um veículo para substituir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa. As ordens religiosas, que em muitos países foram fundamentais para criar uma rede de escolas, em Portugal não podiam sequer ensinar a ler durante a Monarquia constitucional. Ou seja, tínhamos na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou.”

A entrevista continua interessante e arrasadora para o pensamento oficial. Que afinal continua a pensar (e a errar) da mesma maneira.


Saudações monárquicas (pouco liberais)
.
.
.Fontes:
.
- Entevista no 'ípsilon', caderno do Público de 22/Janeiro/2010, levada a cabo por José Manuel Fernandes.
- 'História de Portugal', da autoria de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal somos ricos

Em ano de centenário da República vale a pena meditar sobre o seguinte:

Porque é que uma Instituição concorrente, com os mesmos objectivos de representação, gasta muito menos (cerca de metade) em termos globais!
Façamos as contas – a Presidência da República Portuguesa gasta 16 milhões de euros para representar uma população de 10 milhões de portugueses;
A Monarquia Espanhola gasta 9 milhões de euros para representar 40,5 milhões de espanhóis;
.
Simplesmente inconcebível! Se ao menos o serviço tivesse outro asseio... mas não tem. Sabemos que não pode ter. O rei representa a história inteira, o presidente representa uma maioria ocasional.

Talvez o banqueiro Santos Silva (presidente das comemorações do centenário da república) nos possa explicar o absurdo. Porque há-de haver uma explicação, nem que seja preciso recorrer (ou revisitar) a célebre ‘ética republicana’.
Entretanto… continuemos a sustentar este luxo. Porque afinal somos ricos.

Saudações monárquicas

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Referendar a república

Lembrou-se o PPM de referendar a monarquia! E para o efeito propõe-se iniciar a necessária recolha de assinaturas, inclusive através da internet.
Pois muito bem, o referendo do regime é um assunto recorrente neste interregno, foi uma promessa republicana, mas a verdade é que passados cem anos a república nunca foi plebiscitada.
Também tenho desenvolvido a teoria de que a haver referendo ele deve incidir em primeiro lugar sobre o regime que temos, se queremos ou não prosseguir nesta senda decadente e dependente. Para em seguida concluirmos pelo regresso ao regime que nos deu vida e grandeza, a monarquia. Penso até que tal tarefa incumbe prioritariamente aos republicanos, pelo menos aos mais conscientes, e isso tem lógica, pois como já em tempos escrevi - quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate.
Penso também que em qualquer circunstância, é sempre melhor haver um referendo clássico do que não haver. Entendo por referendo clássico perguntar a uma população intoxicada pela propaganda republicana se quer a república, que apesar de tudo conhece, ou se quer a monarquia (desprestigiada pela propaganda) e que não conhece. Um referendo nestas condições daria por certo a vitória à república mas tinha duas vantagens para Portugal, a saber: -
.
Responsabilizava as pessoas pelo regime que escolheram; e ressuscitava a questão do regime com todas as suas consequências.
.
Uma das consequências seria a de pôr as pessoas a pensarem, até porque estou convencido que os resultados obtidos pela monarquia seriam surpreendentes pela positiva.
Mas, (há sempre um mas) muito embora defenda tudo isto desconfio dos promotores da iniciativa, porque o PPM há muito que deixou de ser referência para monárquicos e não só.
Com uma direcção divisionista (e vaidosa), que não fala de monarquia nos locais próprios (assembleia da república), mas não perde uma oportunidade para afrontar o pretendente ao trono, (fazendo claramente o jogo jacobino), dificilmente vai conseguir mobilizar os portugueses para a tarefa ingente de mudar Portugal, para melhor.
Por isso, é com as maiores reservas que olho para esta proposta de referendo, que noutras circunstâncias (por certo) me haveria de entusiasmar.

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A conversa da ética…

Oh senhor presidente, com franqueza, nem no discurso de ano novo! Outra vez essa conversa da ética republicana! Mas quantas vezes é preciso explicar (para que não passe por ignorante) e quantas vezes tenho que o avisar (para que não caia no ridículo) que de cada vez que o senhor fala na ética republicana dá a ideia a quem o ouve (ainda há quem o oiça!) que vivemos oito séculos sem ética e que só nestes últimos cem anos é que descobrimos essa coisa, esse enigma sem representação na realidade, a não ser pelos piores motivos, a que vossa excelência chama ‘ética republicana’!
Já reparou no contra senso?! Que fazem afinal os seus conselheiros?!
Também não lhe explicaram que há pessoas com ética, com valores, e há outras que os não têm, afirmem-se elas monárquicas ou republicanas! Ou está-nos a dizer que temos uma história de oito séculos de independência e grandeza, sem ética, e que passámos para uma historieta de um século de pequenez e dependência, com ética?! Será assim?!
Eu sei que não, sei que diz isso sem convicção, a medo, porque não há mais nada para dizer, estamos em fim de festa, mas fica-lhe mal, é fracturante, deixe essas causas para o governo, e se já ninguém respeita ninguém, respeite ao menos a história portuguesa.

E depois aquilo que diz tem consequências, pegam-lhe na palavra, e temos agora o banqueiro Santos Silva (tinha que ser um banqueiro a presidir ao centenário da república) a repetir a mesma patetice! Com uma agravante, pois ameaça reduzir as comemorações, e vou citar, a ‘revisitar a ética republicana’! Mas como?! Aonde?! Faz parte de algum museu?! Vende-se nos centros comerciais?! Na loja dos chineses?!
E eu que pensava que iam celebrar os regicidas, os carbonários, o desastre da Flandres, a ditadura da segunda república, a descolonização exemplar da terceira, o estado da nação, da educação e da justiça, pilares de qualquer regime, ou o endividamento externo, e a previsível dependência que se avizinha. E a vizinha nunca é inocente. Mas não.

E quem pegou na deixa do banqueiro e ainda disse mais disparates foi a ministra Canavilhas da cultura: - “se mais não houvesse, bastava o sufrágio universal e a ética republicana para que se justificasse a celebração”!
Bem, o sufrágio universal da primeira república era mais redutor que o da monarquia constitucional, não é preciso ser ministra da cultura para saber isso. Quanto à ética republicana voltamos ao mesmo. E vai a senhora gastar dez milhões para celebrar a dita ética (obviamente contra a ética e contra a história) para assim, e volto a citar - “aproximar as várias camadas da população da história portuguesa”!
Com esta gente estamos perdidos.

Saudações monárquicas

terça-feira, janeiro 05, 2010

Com todas as palavras

Descobri Lhasa de Sela no dia da sua morte. Foi um encontro tardio, triste por ser triste, mas com a emoção própria da música que perdura. Pelas suas origens percebe-se o seu canto. Lhasa era mexicana pelo pai e americana pela mãe tendo estabelecido a sua vida no Canadá, pelo menos como ponto de referência, já que peregrinou pelo mundo deixando atrás de si o encanto da sua voz forte e arrastada. Noutro contexto as suas músicas fazem-me lembrar a chilena Violeta Parra ou as baladas de Leonard Cohen. Com a universalidade de se expressar em três línguas tocou por certo o coração de muita gente, daí o culto com que era seguida. Morreu cedo, aos trinta e sete anos.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

SMS de Ano Novo

Confesso que não vou ouvir as habituais mensagens de ano novo, quer do Cardeal Patriarca quer do Presidente da República. Não significa menos respeito por Sua Eminência, (um intelectual reconhecido, pouco dado a beatices mas que não recusa uma boa beata), nem tão pouco pelo supremo magistrado da nação, (pese a visível crise na magistratura), não é nada disso, não vou ouvir porque estou um bocadinho farto de discursos de submissão.
Uma Igreja que pactua com esta experiência europeia, profundamente anti-portuguesa, que visa reproduzir o sonho burocrático da extinta união soviética, usando para tal a tortura económica em lugar da tortura política! Ou então esse delírio jacobino com um imperador de tacão alto enquanto a alemã gorda estiver pelos ajustes! Não, para isso não contem comigo. Já demos essa matéria. E anda tudo doido, desde casamentos homossexuais, projectos de eutanásia, até os pacifistas de ontem reclamam legiões para hoje. Projectos de morte não faltam, basta agitar a sebenta da ‘discriminação’!
E que faz a Igreja?! Protesta, mas submete-se. Recorde-se que o estalinismo conseguiu o mesmo da igreja ortodoxa para prosseguir a sua política nefasta.
Pois bem, e que vai dizer o outro, o presidente (da junta) do desgoverno nacional, (não confundir com o primeiro-ministro que temos) – vai dizer que está comprometido com a política europeia, com o deficit, que vamos continuar a fechar os nossos portos* por causa do (novo) bloqueio continental e que vamos continuar a abrir as nossas fronteiras a todo o lixo que vier.
Para ouvir isto o melhor é mesmo não ouvir.
Se ao menos aparecesse a filha do Eduardo dos Santos a dar-nos alguma esperança e petróleo! Ou o filho do Lula a prometer o mesmo em vacas e zebus! E porque não em Cimpor, no que quiserem… ‘desde que seja nosso’!

Este é o tipo de mensagens que a cada dia que passa me agradam mais. Pelo menos percebo-as, e são em português.
Um Bom Ano
.
.* Portugal quer dizer terra de muitos e bons portos.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

A irmandade protege-se

“O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça criticou o juiz de instrução de Aveiro que terá extrapolado das suas funções…” e a notícia segue os seus trâmites com o despacho e as razões do meritíssimo Noronha para considerar nulas as primeiras seis conversas entre Sócrates e o seu amigo Armando Vara, conversas, recorde-se, que levaram o juiz de instrução de Aveiro à presunção do crime de atentado ao estado de direito. Segundo Noronha do Nascimento o juiz de Aveiro ao retirar consequências de conversas interceptadas em que interveio o primeiro-ministro viola o artigo tal e a alínea tal, etc. etc.…

Hesitei no título, podia ter sido, reveillon com o procurador, ou então, trabalhos preparatórios, enquanto não chega a prometida comunicação de Pinto Monteiro sobre os fundamentos do seu despacho de nulidade relativamente às restantes 'conversas em família'. Ainda não é tarde, ainda falta um dia para o trinta e um, por isso aguardemos. Mas, se houver comunicação, não deve andar longe desta oportuna notícia e da não menos oportuna revelação sobre o despacho do presidente do Supremo – ponderosas razões adjectivas naturalmente. O juiz de Aveiro não podia ter ouvido aquilo que ouviu, ou seja, não podia ter ouvido o primeiro-ministro a relatar (ou combinar) um presumível crime, nem que fosse a confissão de um homicídio! Isso é para outros ouvidos, ouvidos superiores e superiormente treinados a ouvir. É assim que a lei deve ser interpretada.
Que rica irmandade, e que rico país!

Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Boas Festas

O Interregno deseja um Bom Natal a todos os que o visitam. E para o novo ano que se avizinha o mesmo voto de sempre: - que o verdadeiro interregno termine o mais rápidamente possível.
Saudações monárquicas.

domingo, dezembro 20, 2009

O arrefecimento lá em casa

Habito uma casa antiga e velha ao mesmo tempo, sinónimo de frinchas nas janelas, ventania pelos corredores, e quando chove, pingadeiras que os telhados já não resolvem! Uma casa onde o aquecimento global ainda não chegou! Então nestes dias frios como o gelo, que desmentem noticiários e conferências (com aquecimento central), eu queria vê-los aqui a rapar… Mas é precisamente nestas alturas que me dá para sonhar! Imagino a verdejante alegria dos vikings ancestrais na ancestral ‘greenland’, hoje glaciar Groenlândia, e não imagino que tenha sido o homem a produzir tais modificações no planeta. Nem me imagino com forças suficientes para interferir na galáxia onde haverá forças mais do que suficientes para esse efeito. Já não falo no plano de Deus para que não me julguem por heresia (ou terrorismo), pois bem sabemos que atrás de um democrata está sempre um déspota, mais ou menos iluminado.
Quem também não acredita nesta história da responsabilidade humana pelo clima em que vivemos é o nosso amigo venezuelano. Chavez já percebeu que lhe estão a ir ao bolso. Por causa dos muçulmanos (e dos longínquos poços, cada vez mais difíceis de defender e controlar) vão querer limitar o poder do petróleo e dos seus legítimos proprietários. É por aqui que entram as energias alternativas, ditas limpas, mas enquanto houver petróleo barato, impossíveis de explorar a um custo razoável. A guerra é esta apesar de reconhecermos que o tema ‘energias renováveis’ é sempre um bom início de conversa. Especialmente para Portugal, que só tem a ganhar com isso, uma vez que não somos produtores de petróleo. Mas éramos, lembrem-se lá…

Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Sequência sinistra

Pinto Monteiro hoje em Belém… Ontem, Cândida de Almeida, directora do DCIAP, reconheceu que o Freeport está “muito perto do fim”… A audiência com Cavaco fará com que Pinto Monteiro esteja ausente na cerimónia de (re)tomada de posse de Noronha do Nascimento, como Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Uma notícia no jornal, em meia dúzia de linhas é difícil juntar personagens tão sinistras! Escolhidas a dedo, colocadas nos lugares certos, dão-nos a garantia que nenhuma eminência do regime será molestada pela justiça, com letra pequena.

Aceitam-se palpites - o que irá fazer Pinto Monteiro a Belém?!
Irá avisar o PR sobre os perigos de satisfazer o pedido da bancada do PSD, que como se sabe, requereu a publicidade dos despachos de arquivamento do PGR?!
Ou irá combinar uma nova dilação, uma troca de prisioneiros, e a possibilidade de fornecer à população, juntamente com a vacina da gripe, um elixir do esquecimento?!

Perante tais eminências até a natureza se revolta – pela calada da noite, desatenta ao que se passa em Copenhaga, a terra tremeu. Como se fora um golpe de vento… ía-me levando a empena!
Epicentro no Atlântico, fico mais descansado.

sábado, dezembro 12, 2009

Excessos dinásticos

Catarina, nome de imperatriz e de rainha, Castro pelo pai, deputado do PS, aparentada ou ligada às melhores famílias de Abril, não conseguiu ser eleita para o ‘tribunal constitucional’.
Indicada pelo partido socialista, com o acordo dos sociais-democratas, faltaram-lhe uns quantos votos para passar! Mas nada está perdido, vai à segunda chamada em Fevereiro, e se chumbar outra vez, aplica-se a norma europeia dos referendos (com excelentes resultados na Irlanda) – Catarina repetirá o exame até que os seus pares pronunciem o inevitável ‘sim’!
Nada disto tem a ver com Catarina, que será uma jurista de mérito, e perfeitamente capaz de desempenhar o cargo com a mesma eficiência que os outros designados. A questão, como já temos escrito, é de outra ordem, ou se quiserem, de outra desordem. Explico: - em primeiro lugar chamar ‘tribunal’ a um órgão maioritariamente ocupado por comissários políticos, ou seja, por pessoal designado pelos partidos, só pode servir para confundir os portugueses ou desprestigiar a independência de juízes e tribunais.
Em segundo lugar e consequência óbvia da desordem instalada é esta proliferação dinástica que enche e preenche lugares e cargos públicos a uma velocidade e com uma desfaçatez nunca antes vista! É a filha, é o primo, é a amiga do primo, o compadre, várias dinastias que se ajustam, que negoceiam, que trocam favores... e lá em baixo está o povo a olhar!
É também por isso que eu sou monárquico - uma dinastia de cada vez.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Malagrida, Pombal e Copenhaga!

Num artigo fantástico Helena Matos desmonta no Público de hoje o histerismo que se vive em Copenhaga (e no mundo) face às diabruras da natureza. Com a devida vénia transcrevo alguns excertos elucidativos: -
.
" Nas Igrejas pode estar a diminuir o número de fiéis, mas nas ruas correm multidões de penitentes. Dizem que vão salvar o planeta e sobretudo comprazem-se em anunciar-lhe o fim... Àqueles que ousam questionar tal Apocalipse acusam de incredulidade e casos existem em que tentaram mesmo criminalizar a formulação destas dúvidas que vêem como uma heresia.
E assim, dois séculos e meio após ter sido escrito o 'Juízo da Verdadeira Causa do Terramoto Que Padeceu a Corte de Lisboa', no primeiro de Novembro de 1755, o padre Gabriel Malagrida tornou-se não só uma obra actual como global...
Nesse século XVIII em que Malagrida foi pregador, o terramoto de Lisboa foi visto como um sinal da ira divina. Cabe perguntar porque se teria zangado Deus em 1755 com esta cidade de Lisboa? Depende da fé dos acusadores. Para o jesuíta Malagrida a zanga de Deus provinha dos 'intoleráveis pecados', como a vaidade, praticados nesta cidade. Para os protestantes aquela catástrofe nascia do desagrado divino com esta Lisboa onde se adoravam imagens, existia a Inquisição e se dizia missa em latim, o que, segundo eles, impedia o conhecimento da palavra de Deus e gerava a sua consequente fúria.
O resto da história é razoávelmente conhecido: o padre Malagrida acabou queimado num auto-de-fé e o Marquez de Pombal reforçou os seus poderes...
Aquele espalhafato penitencial da pegada ecológica que esta semana anda por Copenhaga tem de facto muito do palavreado dos pregadores que, como o pobre Malagrida, aterrorizavam os nossos antepassados, associando os seus pecados aos tremores de terra, à perda de colheitas, às secas ou à fúria das águas. As alterações climáticas sempre aconteceram e a instabilidade do clima sempre reduziu os homens, sejam eles das cavernas ou dos arranha céus, à sua insignificância...
Mas não sejamos inocentes: Malagrida não existe sem Pombal. Por Copenhaga circulam os herdeiros do autoritarismo iluminista que em cada catástrofe, seja ela real ou anunciada, vêem uma possibilidade de aumentar o seu poder para níveis que, se não fosse a ambiência catastrófica, não se aceitariam...'

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Escutas falsas na net

Ao que isto chegou! É verdade, houve quem se desse ao trabalho de forjar escutas falsas reproduzindo supostas conversas entre Sócrates e Vara tentando assim iludir os incautos. Via internet tive acesso a esses textos/documentos que logo me pareceram falsos como Judas. Mais tarde confirmei o facto no Público on line. Com efeito, o que aí se pretende (entre palavrões e injúrias para despistar) é nem mais nem menos do que ilibar Sócrates sustentando as desculpas de inocência com que se tem defendido. Nomeadamente a tese de que só soube do negócio entre a PT e a TVI pelos jornais.
Enfim, se dúvidas houvesse sobre a importância das escutas reais entre Vara e Sócrates e da importância que a sua destruição representa para os infractores, essas dúvidas ficam agora desfeitas. Como fica desfeita qualquer dúvida sobre a credibilidade deste regime. Estamos no ponto zero ou como afirmou o Duque de Bragança - Portugal está doente.
No meio da confusão tentam linchar Manuela Ferreira Leite (inclusivé dentro do seu próprio partido!) só porque se atreveu a dizer a verdade, que como já escrevi, é a única questão que interessa ao povo português: - saber se existe matéria crime nas escutas entre Vara e Sócrates?! Pergunta que podemos agora generalizar: -mas afinal quem é esta gente que nos governa?! Que manda no país vai fazer cem anos e conseguiu o feito de nos colocar nos últimos lugares da Europa?! Quem é esta cáfila?!
A resposta está nas escutas falsas que no fundo acabam por retratar os seus autores - um diálogo de labregos, imaginado por labregos, que pensam que Portugal é uma quinta onde podem tripudiar à vontade. Porque ninguém se revolta!
.
Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Ordem do dia

(Manuela Ferreira Leite e a divulgação das escutas)
Goste-se ou não da senhora a verdade é que deu a única resposta que interessa ao povo português. Eu também quero saber das escutas, quero saber se o primeiro-ministro andou (ou anda) a conspirar no sentido de manipular os media. Sobre este tema, (silenciar a comunicação social adversa), o PM não tem conversas privadas especialmente quando fala com o responsável pelo crédito do BCP. Amigos, amigos, negócios à parte. Diz o povo e com razão.


(Vieira da Silva e a espionagem política)
Outro que tem duas caras e mil condições. Para a próxima seria melhor esclarecer (previamente) o jornalista que estava ali na qualidade de cidadão. Porque nessas circunstâncias não seria entrevistado. É que cidadãos há muitos.


(Projecto do Bloco contra a corrupção)
Ninguém de bom senso pode aprovar propostas do BE seja para o que for. Esta gente tem uma agenda própria e tem da democracia uma visão meramente utilitária. Os bloquistas não estão interessados em acabar com a corrupção mas apenas perseguir adversários selectivamente. Se estivessem preocupados em alterar alguma coisa na fonte do poder (e fonte da corrupção) propunham uma alteração constitucional e acabavam com a famigerada ‘forma republicana de governo’, expressão imutável e guardada a sete chaves pelos verdadeiros patrões (capos) do regime. O resto é conversa.

(Balsemão socialista)
Só agora é que Balsemão descobriu que os sociais democratas e socialistas (portugueses) fazem parte do mesmo partido. Que se sentam lado a lado no parlamento europeu. Não obstante diz-se mais inclinado a ser socialista! Enfim, um luxo de quem é rico e usa o nome enfeitado com brasão.

Saudações monárquicas

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Ó Portugal, se fosses só isto...

Se fosses só cenário
Comissário, celebração
Nome de rua, tratado
Bolha de ar e bola de sabão
.
Se fosses só conversa
Papéis para assinar
Jantares de bricolage
Um lego em construção
.
Sem pessoas lá dentro
Sem história lá dentro
Sem nada lá dentro
Apenas invenção!
.
Se fosses só isto...
Que passa na televisão
Então já não insisto
Peço desculpa e perdão.
.
.
(Inspirado num poema de Alexandre O'Neill)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Outra cimeira

O Rei de Portugal entrou no areópago, disse ao Rei de Espanha que estava sentado no seu lugar, intimou Sócrates a meter os Magalhães no saco, pois não era local nem altura para vendedores ambulantes, e aconselhou o duplicado Cavaco Silva a não proferir banalidades. Já com toda a gente nos seus lugares, o Rei português aprestou-se para abrir a conferência ibero-americana, não sem antes sugerir que se houvesse por ali algum Miguel de Vasconcelos, este deveria retirar-se, de preferência pela janela. E discursou em seguida. Uma breve mas portentosa oração: - Estamos aqui pela graça de Deus e não podemos esquecer que o esforço colonizador dos dois países ibéricos levou sempre a Cruz na dianteira. E olhando para o Brasil reafirmou - a força e a importância de Portugal naquela conferência e no mundo actual, são as suas antigas colónias.
Estava aberta a cimeira e estava definida (e representada) a política externa portuguesa. O resto, inovação, conhecimento, Honduras, vêm por acréscimo.

Saudações monárquicas

sábado, novembro 28, 2009

Juízes não são sindicalizáveis

Assim como lhes assiste a razão quando reagem à instrumentalização da justiça pelo poder político (veja-se a composição do Conselho Superior de Magistratura cheio de comissários políticos designados pelos partidos) também é pertinente reafirmar que os juízes não são sindicalizáveis.
E não são sindicalizáveis porque têm um estatuto de independência que não é compatível com a representação por terceiros. A judicatura ou magistratura é por natureza um cargo singular sem vasos comunicantes. Só vai para juiz quem quer, quem aceita a regra, e neste sentido é uma espécie de sacerdócio.
Os problemas logísticos serão resolvidos pelo órgão hierárquico competente, o tal Conselho Superior de Magistratura, limpo de comissários políticos, e que deve endereçar as suas reivindicações à Assembleia da República, incluindo pareceres sobre a justeza das leis que têm que aplicar. A partir daqui o povo português deve responsabilizar a AR pelo estado da justiça, tendo em conta aqueles pareceres. E nas eleições deve premiar ou castigar os partidos políticos.
Não sendo assim, o melhor é voltarmos a pensar em juízes de fora!

quinta-feira, novembro 26, 2009

Moeda de troca?!

As notícias rolam sobre as cabeças do centrão, enquanto advogados de peso desafiam abertamente as decisões do juiz de Aveiro. Noutra vertente, Mário Soares, pai e padrinho do regime, propôe namoro ao PSD, tudo se conjuga portanto para que o caso BPN sirva de dote e moeda de troca entre esponsais - escutas ao primeiro-ministro destruídas e BPN em banho maria. Veremos se casam ou não.
O discurso inaugural de Manuela Ferreira Leite prometia abrir as hostilidades, mas a frieza que se seguiu, e as intervenções fora do alvo de Aguiar Branco, deixaram um vazio que a proposta 'comissão de acompanhamento' não preencheu. Comissões de acompanhamento soam-me sempre a namoro com pau de cabeleira por perto. Talvez me engane, ou talvez não!

quarta-feira, novembro 25, 2009

Quem são os responsáveis?!

Os verdadeiros responsáveis pelo descrédito do país são obviamente os pais do regime. E quem são os pais do regime?!
Pais e padrastos reconhecem-se pelo fio condutor, pelos objectivos que professam: – a palavra de ordem é desconstruir Portugal. Como?! Pedra a pedra, tábua a tábua, a desagregação seguiu os seus passos - importaram o ideário da revolução francesa, extinguiram as Ordens Religiosas num país fundado por Cruzados, destronaram e liquidaram o Rei, árbitro acima das facções, garantia da nossa independência e liberdade, e não contentes, entregaram a riqueza nacional ao estrangeiro, constituindo-se como os pedintes da Europa!
Foram cento e oitenta anos sempre a perder! Os sucessores desta dinastia obscura prosseguem o seu trabalho de sapa, e Portugal é hoje um estado inviável, sem importância, enquanto eles estão cada vez mais ricos e importantes!
Nesta etapa final houve necessidade de efectivar algumas depurações, afastar alguns descontentes, e celebram-se por isso algumas datas: - o 25 de Novembro de 1975, é uma dessas datas. Vivido com esperança pela grande maioria dos portugueses acabou em desilusão: - o partido comunista, um dos responsáveis pela instabilidade, mentor da ‘descolonização exemplar’, foi poupado e reconhecido como garante da democracia!
A partir daqui a história é conhecida – lenta mas seguramente o regime foi posto nos eixos, a justiça acabou no bolso dos partidos, e a liberdade de imprensa depende dos favores do estado! O estado é por sua vez uma password – serve de cenário às manobras das corporações que se agitam nos bastidores.
A república soviética portuguesa caminha assim alegremente para outra data, outra celebração – o seu centenário! Que há-de coincidir um dia destes (se nada de anormal acontecer) com a anexação pelo reino de Leão e Castela!
Um filme que chegou ao... princípio!

Saudações monárquicas

terça-feira, novembro 24, 2009

Enquanto houver juízes em Aveiro…

Enquanto houver juízes em Aveiro… Sócrates vai continuar no fio da navalha.
Aliás, ao programa de ontem dos prós e contras da televisão pública teria sido mais correcto chamar-lhe – a justiça por um fio. Com efeito não fossem as corajosas intervenções, quer do juiz Graça Cardoso (que literalmente silenciou a falta de educação do bastonário socialista), quer do penalista Pinto Albuquerque (que cilindrou a argumentação soviética do vetusto professor Germano Silva), não fora isso, repito, e o programazinho de encomenda teria redundado em mais um comício de propaganda a favor do governo. Do governo e da nomenclatura que, por trás do biombo, vai ensaiando a marcha fúnebre deste país… por um fio.
Sem argumentos, agarram-se à forma das leis, fabricam leis à medida, e não aceitam ser julgados por ninguém. E cúmulo da desfaçatez, exigem uma justiça independente do poder político e ao mesmo tempo enchem os órgãos judiciais de comissários políticos!
Mas ontem a noite correu mal aos defensores da destruição de provas, e correu mal à própria apresentadora incapaz de perceber aquilo que é elementar: - os portugueses têm o direito a uma explicação sobre as razões que levaram dois magistrados a indiciarem o primeiro-ministro pela prática de crime grave contra o estado de direito. Têm esse direito e o procurador-geral tem esse dever. Tão simples como isso.
Tem a palavra o procurador-geral da república.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Portugal arquivado

Assis quer arquivar Portugal. Assis quer pôr o país em segredo de justiça! Assis pensa que arquivar é o mesmo que julgar, que o arquivo é uma certidão de inocência, imagina que assim arruma a questão!
Está obviamente enganado. Mas Assis revela-se, e revela-nos que afinal não acredita na justiça mas apenas no segredo de justiça!
Se acreditasse na justiça, se acreditasse na inocência do primeiro-ministro seria o primeiro a incentivá-lo a defender a sua honra em tribunal. Os tribunais servem para isso, para condenar mas também para absolver.
Mas Assis não arrisca, prefere que Sócrates seja ilibado pela porta do cavalo, sem inquérito, sem investigação, no segredo dos gabinetes, e por decisão exclusiva de um procurador nomeado… por proposta do primeiro-ministro!
E quer que os portugueses acreditem nisto!

Outro que quer fazer batota é o Jerónimo do PCP. Quer as escutas guardadas, em segredo (será de justiça!), longe portanto das vistas e dos ouvidos dos portugueses… para poderem ser utilizadas quando for oportuno!
Não me parece boa ideia. Estou a lembrar-me do que aconteceu com os arquivos da antiga polícia política logo a seguir ao 25 de Abril de 1974. Foram devassados e postos ao serviço da esquerda emergente.

Quem entrou definitivamente em segredo de justiça foi o nosso Presidente! E já não pode sequer contactar com os portugueses. Diz ele que 'está impedido'!
Qualquer dia é arquivado.

Saudações monárquicas

sexta-feira, novembro 20, 2009

Poema em segredo de justiça

Meu barquinho moliceiro
Que fainas trazes na rede?
Trago moliço imprevisto
Um tubarão nunca visto
Em toda a ria de Aveiro!

Ai que bela pescaria!
Uma excelente notícia
Num qualquer país normal
Mas estamos em Portugal
Em segredo de justiça

Por isso toma cuidado
Antes que venha o fiscal
E o juiz procurador
Vai soltar o animal
Pois não é peixe, é doutor.

.
.
.Refrão:
.
Ria acima valentão
Ria abaixo moliceiro
Foste atrás de um tubarão
E pescaste um engenheiro!