domingo, outubro 24, 2010

Concordo, mas...

Concordo com o autor, concordo com as dez medidas e concordo com os respectivos fundamentos, com um senão que explicarei no fim…

"TENHAM VERGONHA - Carta aberta a Mário Soares e a todos os políticos"

Sr. Dr. Mário Soares,
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Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.
Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior.
Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:
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1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);
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2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);
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3. Reduzir o nº de deputados para 100;
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4. Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys";
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5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil € para os VIP's que nos visitarão);
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6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);
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7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);
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8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que o vencimento do PR;
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9. Acabar com o sigilo bancário;
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10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado, sendo que o critério para a escolha dos lugares passe a ser o mesmo que um ministro/político adopta na escolha de um médico para lhe tratar uma doença ou lhe fazer uma operação cirúrgica ( porque nesta situação eles não vão buscar os “boys” do partido, mas sim os mais competentes, pois é a “vidinha” deles que está em jogo e não o dinheiro do erário público ).
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Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas.
Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.
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Zé do Povo
Portugal

O ‘senão’ é o seguinte: - é que se estas dez medidas fossem implementadas eu também era republicano!

Saudações monárquicas

quinta-feira, outubro 21, 2010

Leite com chocolate

A criancinha fez uma birra, ameaçou os pais e a sociedade ajoelhou-se. Os partidos, empurrados por este súbito drama estão em vias de chegar a um acordo! Vendam-se os submarinos, gritam uns, outros, mais prudentes, andam à procura de uns trocos que salvem o leite com chocolate.
Os velhinhos têm menos sorte, as pensões ameaçadas, os remédios mais caros, há que ter paciência, logo que for possível e quando passar este aperto orçamental, o bloco vai pensar neles e desfraldar a bandeira da eutanázia!
Entretanto, segundo a televisão, os mercados reagem ao segundo às notícias sobre o leite com chocolate. E lá fora, os portugueses ilustres já se pronunciaram – a uma só voz, Barroso, Guterrez, Mourinho, Ronaldo avisam - cuidado com o leite com chocolate.
‘Que estranha forma de vida’ a deste país governado por criancinhas e portugueses de fora!

segunda-feira, outubro 18, 2010

“Sem rei, nem roque”

“ (…) Portugal está sem rei, nem roque. E sem a menor esperança de que eles por milagre apareçam.”

Vasco Pulido Valente
está cada vez mais lúcido! Com efeito, perante a celebração da violência que esta terceira república nos propõe, perante o desfilar dos ‘valores republicanos à la carte’, que não têm qualquer relação nem com a história nem com a realidade, e perante a questão do regime que a oligarquia tenta disfarçar com intermináveis discussões económicas e financeiras, a tudo isso se referiu VPV com pontaria e conhecimento de causa. Faltava apenas concluir e a conclusão lógica está na frase (desesperada) que encima este postal. Escrita por ele na sua penúltima crónica!

Pois bem, a questão é política, ou se quiserem, do foro psiquiátrico, e não tem nada a ver com a aprovação deste orçamento. Ainda que o orçamento fosse um instrumento construído com seriedade e bom senso, o problema seria sempre levá-lo à prática. E bem diz Medina Carreiracom estes actores políticos, com estes partidos, e com as forças clientelares (e ocultas) que os manobram, vamos continuar direitos ao abismo. E tem razão.

Uma última nota de humor para mais uma jogada do PS, mais uma politiquice eleitoral para distrair o pagode e ‘entalar’ o PSD - refiro-me ao pseudo-projecto de revisão constitucional onde brilha a consagração de mais um direito que nenhum governo sério pode garantir! Se o que temos que fazer é retirar os direitos absurdos que infestam a actual constituição, esta iniciativa do PS só pode ser para rir... ou chorar a triste sorte de sermos contemporâneos desta gente.

Saudações monárquicas

quarta-feira, outubro 13, 2010

Passos Coelho e o Zepelim

Um assunto tão sério só pode ser levado a brincar!
Antes de ontem foram os ex-presidentes da república, três tenores qual deles o mais vibrante, ontem foram os grandes empresários, qual deles o mais grave, hoje foi a romaria dos banqueiros, qual deles o mais off-shore! Mas todos estes dias, já se contam semanas, as preces sobem de tom e ameaçam – assina, Passos Coelho, viabiliza o orçamento, ‘você pode-nos salvar’!
Esta história lembra-me uma cantiga de Chico Buarque de Holanda sobre um Zepelim que ameaça destruir a cidade a não ser que... uma pobre rapariga se preste a violentar a sua natureza! Satisfeito o ultimatum, salva a cidade, tudo regressa ao mesmo.

Para lá das cantigas existe um orçamento ‘que não toca nem na gordura do estado nem nos interesses da oligarquia’ (palavras de um empresário socialista) e existe uma grande parte da população que não se sente mobilizada para fazer mais sacrifícios por este país. Ou será por este regime?! Seja como for, aconteça o que acontecer, Portugal há-de continuar.

terça-feira, outubro 12, 2010

Esperança de vida presidencial!

Estavam três presidentes mas tudo indica que num próximo programa (não muito longínquo) estejam mais, com mais mordomias, e mais despesa a recair sobre o orçamento de estado. Sem falar nos gastos com as eleições, que servem apenas para dividir os portugueses. Com efeito, e como também se verifica, os presidentes são considerados irresponsáveis pela situação a que chegámos (à boa maneira da realeza) pois todos são invariávelmente contemplados com palmas e sorrisos embevecidos!
Já ninguém se lembra que Ramalho Eanes protagonizou uma experiência partidária frustrada e frustrante, já ninguém se lembra que foi Sampaio quem entronizou José Sócrates, e já ninguém se lembra da descolonização apressada que Mário Soares incentivou para nos lançar nos braços de uma união europeia em que o próprio já não acredita!
Portanto se o assunto é reduzir despesa inútil por causa da dívida insustentável, talvez fosse melhor regressarmos à monarquia, fica mais barato, sustentamos só uma família, e é outro asseio. Sempre são oito centenários de experiência.. e alguns desses centenários até foram gloriosos. É uma sugestão.

Saudações monárquicas

sexta-feira, outubro 08, 2010

Notícias da quadratura

Às vezes apetece-me participar na ‘quadratura do circulo’, mas não posso, não me deixam, é melhor assim. A sentença que me obriga a escrever (para desabafar) é de António Costa: - já não existe uma questão de regime! A monarquia é assunto encerrado!
Baseia tal conclusão no facto de não ter havido nenhuma manifestação monárquica importante durante estes dias de Outubro! Ou seja, para António Costa o país é totalmente republicano e esta é mais uma das conquistas do centenário! Uma espécie de fim da história a verde rubro! À pergunta sobre quem tinha sido o autor de tal façanha, Costa inclinou-se para Mário Soares enquanto os seus parceiros (de programa) se inclinavam para Salazar… com mais tempo de casa!

Ora bem, em relação a isto tenho a dizer o seguinte:

1. O primeiro ‘republicano’ que afirmou (publicamente) que Portugal já não tinha uma questão de regime, foi Marcelo Caetano! Tendo sido de imediato repreendido por Salazar que lhe explicou que o estado novo (segunda república) devia a sua sobrevivência a um conjunto de expectativas e uma delas consistia em dar algumas esperanças aos monárquicos. Noutro contexto e muito antes disso já o Rei Dom Carlos tinha brincado com o assunto dizendo que era o único monárquico da freguesia de Alcântara. Na altura Dom Carlos vivia no Palácio das Necessidades.

2. Mas António Costa ao decretar o fim da ideia monárquica tomando como base a visível escassez de simpatizantes monárquicos também poderia ter reparado que no arraial republicano a situação não era melhor! Para além do desinteresse geral sobre a data, sobressaiu, e de que maneira, a ignorância sobre o assunto. E isto leva-nos ao terceiro ponto, leva-nos até à propaganda.

3. Na propaganda em favor da ignorância política o regime republicano foi de facto eficaz! E António Costa prolonga o embuste exercitando a quadratura do círculo: - para ele vivemos no melhor dos regimes, a nossa constituição é óptima, e os nossos problemas são outros – temos problemas financeiros, económicos, educativos, judiciais, políticos, etc., ou seja, temos problemas com tudo aquilo que define um regime!

Saudações monárquicas

quarta-feira, outubro 06, 2010

“A república que produziu Salazar”

(5 de Outubro de 2010 - Por José António Saraiva)

(Os republicanos não faziam a menor ideia do que era governar, criando todas as condições para o aparecimento de um Messias)
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As comemorações do primeiro centenário da República, em que esta é apresentada como a salvação de um país envolto no mais negro obscurantismo, criarão nos espíritos menos avisados a ideia de que I República foi um mar de rosas. Ora não pode haver ideia mais enganadora.
O regime republicano, em lugar de salvar Portugal, mergulhou-o numa crise profundíssima, criando todas as condições para o aparecimento de um Messias.

Os republicanos e os seus sucessores detestam Salazar. Ora Salazar não surgiu do nada. A subida de Salazar ao poder e o seu longuíssimo consulado explicam-se pelo estado desgraçado e caótico em que a I República deixou o país.
Do ponto de vista económico, do ponto de vista financeiro, do ponto de vista da ordem pública, do ponto de vista do prestígio do Estado, em suma, de quase todos os pontos de vista, a República foi uma autêntica calamidade.
Comecemos por um tema pouco abordado, até por ser incómodo: a violência.

A partir de meados do século XIX, a violência parecia definitivamente afastada da vida política portuguesa. Depois das desgraças da guerra civil e dos tumultos militares da primeira metade do século, Portugal parecia ter entrado na rota da acalmia e do progresso. Mas a República, de mãos dadas com a Maçonaria e a Carbonária, trouxe a violência de volta.
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A coisa começou em 1908, com o assassínio do Rei e do príncipe herdeiro. O 5 de Outubro nem foi violento - e a Monarquia caiu quase sem sangue. Mas a partir de 1915 é que foram elas. Nesse ano deu-se a revolta que depôs Pimenta de Castro e fez mais de 100 mortos, depois foi o atentado contra o chefe do Governo João Chagas, os assaltos aos estabelecimentos em Maio de 1917 que provocaram mais de 50 vítimas, a Leva da Morte, o assassínio de Sidónio Pais, a Noite Sangrenta com as suas rondas da morte e o massacre de alguns fundadores da República desiludidos com o regime como António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia - isto sem contar com um sem-número de revoltas que provocaram mortos e feridos e em certos períodos atingiram um ritmo semanal.

E, como ponto alto deste período marcado pela violência civil e militar, temos a famosa carnificina da Flandres, que custou ao país 15 mil mortos de jovens na flor da idade, mandados para a frente de combate pelo fervor ideológico de Afonso Costa e seus companheiros.

Perante este quadro negro, o movimento militar de 28 de Maio e a ocupação do poder pela tropa, e sobretudo a subida de Oliveira Salazar à chefia do Governo, seis anos depois, foram recebidos com um suspiro geral de alívio. Finalmente o país tinha paz!

A República fundou-se em duas ideias, ambas erradas: que as causas do atraso de Portugal estavam, em primeiro lugar, na existência de uma Monarquia, e em segundo lugar na influência da Igreja Católica.

Ora, que a existência de uma Monarquia não impedia o progresso, provava-o o facto de países avançados como a Inglaterra, a Bélgica ou a Holanda não precisarem de depor a Coroa para se desenvolverem.

Mas os republicanos só tinham olhos para França e acreditavam piamente que Portugal era atrasado porque tinha um Rei - o qual protegia os padres, que tinham uma influência nefasta sobre o povo.

Assim, a primeira coisa que os republicanos fizeram, depois de deporem a Monarquia, foi perseguir a Igreja, confiscar-lhe os bens, acabar com o ensino religioso e, de uma forma geral, afastar a Igreja Católica da área do poder e influência.

Só que, depois de terem feito tudo isso, os republicanos concluíram com angústia que o país não se desenvolvia, pelo contrário, definhava. Ou seja, verificaram que o país não era atrasado por causa do Rei e dos padres mas por outras razões.

A República fez com que Portugal se tornasse mais pobre porque o clima de instabilidade política e de violência assustou os industriais e os banqueiros, travando os investimentos e dizimando os poucos embriões de um Portugal moderno que existiam no princípio do século XX.

Na segunda metade do século anterior o país tinha conhecido efectivamente um certo desenvolvimento, tendo surgido um grupo de industriais e banqueiros com espírito capitalista - Alfredo da Silva, Burnay, Sotto Mayor, etc. - que prenunciava a entrada de Portugal nos tempos modernos. Ora estes embriões de um país desenvolvido foram dizimados no tempo da I República, levando o país a andar para trás.

Perante um quadro tão negro, Salazar, quando subiu ao poder, tinha tudo para vencer. Bastava-lhe fazer exactamente o contrário do que fizera a República, ou seja: restabelecer a ordem pública e a autoridade do Governo, equilibrar o Orçamento, normalizar as relações com a Igreja. Salazar só não restaurou a Monarquia porque, embora sendo monárquico, viu que isso não era decisivo e ia criar uma polémica desnecessária.

Além disso, Salazar percebeu que, à falta de uma classe empresarial, tinha de concentrar no Estado o desenvolvimento do país. Finalmente, substituiu o internacionalismo republicano, assente em ideias importadas de fora, por um nacionalismo intransigente.

Com estas ideias e uma grande eficácia na acção, Oliveira Salazar teve logo de início um apoio popular enorme. O que se percebe. No próprio ano em que assumiu a pasta das Finanças (1928) equilibrou as contas públicas e recusou um empréstimo da Sociedade das Nações, considerando as condições humilhantes para Portugal. Por isso foi designado o mago das Finanças .

E rapidamente restabeleceu a ordem pública, tornando Portugal de facto um país de brandos costumes . É certo que o fez à custa de uma Polícia política execrável, da proibição dos partidos, da censura à imprensa e do mais que sabemos. Mas, para termos uma ideia comparativa, durante o período que durou o Estado Novo foram mortos ou morreram na prisão 50 militantes do PCP (o partido mais fustigado pela PIDE). Isto, note-se, em 48 anos. Ora este número de mortos era frequentemente alcançado numa só noite, nas constantes revoltas que marcaram o tempo da I República.

O prestígio de Salazar ainda aumentaria quando, no princípio dos anos 40, evitou a entrada de Portugal na II Grande Guerra. Aí, tornou-se um Santo . E, mais uma vez, fez o contrário do que tinham feito os republicanos: onde estes tinham mandado os soldados para a Flandres, mal equipados e pior armados, para servirem de carne para canhão, ele seguiu o caminho oposto - e não só optou pela neutralidade como convenceu o vizinho Franco a fazer o mesmo. E em plena guerra na Europa ainda arranjou forças para organizar em Lisboa a grande Exposição do Mundo Português (1940).

Da fugaz I República ficaram pois, quase exclusivamente, as boas intenções. A intenção de educar o povo, de proteger o povo, de contar com o povo. Mas esse mesmo povo abandonou a República no primeiro momento, talvez pensando que de boas intenções está o Inferno cheio.

Isto também explica que a República tenha durado uns escassos 16 anos, enquanto o período seguinte (1926-74, dominado por Salazar entre 1928 e 1968) durou uns longos 48 anos, ou seja, três vezes mais.

Tudo somado, pode dizer-se que a I República não deixou saudades. E se hoje se comemora com tanto fervor é mais por razões ideológicas – e porque no poder está o partido que herdou a tradição republicana, o Partido Socialista - do que pelas virtudes que mostrou."

Comentário: - Um excelente resumo dos acontecimentos e acessível a todas as bolsas! Nem é preciso ter ido à escola. Contém como não poderia deixar de ser a impressão digital do autor, algumas opiniões são discutíveis, há aspectos de que discordo, mas as grandes verdades estão à vista de todos. Aliás, estas comemorações destinavam-se (destinam-se) a prolongar a propaganda da primeira república, porém, face à crise que atravessamos e à impossibilidade de ‘empastelar’ todos os jornais e todas as consciências, aconteceu aos ‘herdeiros do implante’ aquilo que às vezes acontece – ‘foram buscar lã e acabaram tosquiados’!

Mais dois palpites da minha autoria:
1 - Salazar enganou-se ao considerar que a monarquia não era decisiva (como diz JAS) para o sucesso de Portugal. Como se veio a demonstrar depois. A verdade é que somos hoje um dos países mais atrasados da Europa e não éramos em 1910.
2 – Não sabemos ainda hoje se Salazar era monárquico, nem tão pouco se era católico. O que sabemos é que estabeleceu vários pactos de sobrevivência e um deles foi com a maçonaria. Daí nunca ter tocado na bandeira republicana que leva as cores do ‘grande oriente lusitano’ e da carbonária. Se tivesse as mãos livres teria restaurado (pelo menos) as cores de Portugal.

terça-feira, outubro 05, 2010

Aconteceu em Outubro

Aconteceu propaganda
Não estava quente nem frio
Assomado a uma varanda
Eu vi um homem vazio!

Puxava por um cordel
Tinha na ponta um anzol
Era verde como o fel
Vermelho como um espanhol!

Cá em baixo no palanque
Todos se deixam pescar
São os filhos do implante
Que já não sabem nadar!

Cai a tarde no rossio
No arraial verde rubro
Perpassa um leve arrepio...
Aconteceu em Outubro!

domingo, outubro 03, 2010

Não erres o alvo

Desta vez tens que afinar a pontaria, não podes falhar, não podes passar a vida a dar tiros nos pés! Por exemplo, quando a Fundação Mário Soares se enfeita com a frase - “Enfim, a república” – tu tens que saber ler o que lá está escrito, não podes continuar a ser enganado, é preciso (é urgente) estabelecer algum nexo de causalidade entre o regime que temos e a situação a que chegámos.

O mesmo se passa quando te dizem que a ‘constituição dos trezentos artigos’ não tem nada a ver com as nossas actuais dificuldades! Ora isto é uma enorme mentira. Uma constituição (lei fundamental, como lhe chamam) que suspende a democracia por seis meses, que impede o povo de se pronunciar numa altura de crise como esta, é obviamente uma constituição que não interessa, que bloqueia o desenvolvimento do país, e que foi escrita (e revista) para salvaguardar (apenas) o poder de uma minoria. E daqui não podes sair.

Mas há mais, está convocada uma manifestação contra o pacote de austeridade, o que é razoável. Pois bem, em lugar de marcarem a dita manifestação para o 5 de Outubro, de forma a apanharem a ‘malta do palanque’ em flagrante delito, não, convocaram-na para o dia 24 de Novembro, data em que faz anos a minha irmã! Outro tiro em falso, mas não importa, sai tu à rua no 5 de Outubro e manifesta-te contra os verdadeiros responsáveis pela situação.

Para começar, não era de todo mal pensado manifestares-te contra o pai (e padrinho) do regime – o intangível Mário Soares! Que vem agora dizer que se não aprovamos o pacote ‘o país vai a pique’! Enquanto ele continua, alegremente, a celebrar o centenário!
O Sampaio é outro que tal! Outro que lamenta que ‘o país tenha perdido a esperança’! Mas foi ele que dissolveu um parlamento (onde havia uma maioria) para pôr lá o Sócrates com a desculpa das trapalhadas! Outra mentira. Nessa altura a Casa Pia falava mais alto e era preciso safar os amigalhaços!

E finalmente manifesta-te contra o Cavaco. Sim, contra o actual presidente da república e não tenhas medo que não te pode acontecer pior! Quando estiver a discursar sobre o ‘implante’, manda-o calar e explica-lhe que celebrar a suposta superioridade da república sobre a monarquia (monarquia que nunca comemorou centenários) é um disparate, mas é sobretudo uma ofensa ao passado. E é também um acto profundamente divisionista para quem se afirma presidente de todos os portugueses. Para além disso não é hora para celebrar coisa nenhuma. E esclarece-o de uma vez por todas que é ele, na qualidade de chefe de estado republicano, e não o governo, o primeiro responsável pela situação em que vivemos. Se não perceber, paciência, tu é que não podes continuar a errar o alvo.


Nota sobre o concerto dos U2: - 42 mil a assistir! Tudo a preços ‘baratinhos’! Dinheiro que não custa a ganhar só pode vir do orçamento de estado. Quer dizer que ainda há muita folga para aumentar impostos e reduzir despesa. É só isso, de resto, divirtam-se. Os U2 são bons músicos, nada a objectar, quanto à mensagem, teríamos que conversar.

quinta-feira, setembro 30, 2010

O lugar da direita

Havia muitos títulos para o postal de hoje, mas era preciso escolher um e escolhi este – o lugar da direita! Os outros títulos possíveis seriam: - ‘a queda de um anjo’, e não era verdade, ou ‘Sócrates desce à terra’, que talvez fosse mais justo!
Mas o ‘lugar da direita’ é o título mais responsável por ser aquele que pode ter futuro!
Sócrates não disse tudo, ficaram de fora despesas decisivas e escandalosas – tudo aquilo que se esconde (e derrapa) nas parcerias público-privadas, e todos aqueles que não sendo funcionários públicos fazem a sua (bela) vida agarrados ao orçamento de estado! Sim, ficaram de fora pareceres e assessorias, as incontáveis excepções e mordomias que em trinta anos abriram um enorme fosso entre os ricos e os pobres deste país. E estamos a falar do "país mais atrasado da união europeia” conforme titulava hoje um jornal alemão, referindo-se a Portugal, a propósito do pacote de austeridade proposto por Sócrates!
Então foi para isto que abraçámos o ‘projecto europeu’?! Ao ponto de nos endividarmos desta maneira?!Se foi para isto não valeu a pena.
Sempre fomos pobres mas com uma diferença, gastávamos o que podíamos e eramos independentes. E essa diferença faz toda a diferença. O lugar da direita é aqui, movimento ou partido que se demarque da situação actual, que deixe de fazer fretes e concessões a quem nos desgoverna há mais de trinta anos!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Amanhã há eleições?!

Parece que sim, tais são as jogadas de bastidores, cada um a ver se o outro se espalha ao comprido, e neste divertido jogo de interesses o interesse nacional é carta fora do baralho. Aqui não há inocentes, está tudo em campanha eleitoral, incluindo o presidente da república. E os candidatos ao cargo também. É por isso que eu sou monárquico. Nas monarquias há pelo menos uma pessoa que não está em campanha eleitoral. E aí talvez o interesse nacional prevaleça. Mas voltemos ao jogo, pois a parada subiu, já mete parceiros de fora, a dar palpites, joga a dama, joga o valete, faz bluff, diz que vem aí o FMI, ou então, passa, não vás a jogo.
Mas há aqui um problema, a bendita da constituição que temos, a tal que pode continuar como está porque não interfere com a vida de ninguém, não permite eleições neste momento! Ela tem prazos e ela é que manda! A razão da proibição deve ser ponderosa ao ponto de impedir a clarificação da situação política (através de eleições), ao ponto de suspender a democracia! É caso único na Europa democrática mas a verdade é que ninguém se importa com isso, os jogadores querem é jogar, estão viciados no jogo.

Mas pegando na sagrada constituição, sim a nossa, aquela que tem trezentos artigos, parece que António Barreto já percebeu que aquilo não funciona. Louve-se a lucidez tardia! Mas é preciso ir mais longe e denunciar a verdadeira razão porque ao fim de tantas revisões (inúteis) a constituição permanece tal como está. Ela serve de facto uma minoria (uma maçonaria) que se apoderou do poder e não o larga. Eu explico - trezentos artigos são uma maravilha para um tribunal constitucional partidário que assim pode manobrar todas as leis e decretos pois nada lhe escapa, porque nada escapa à ‘sagrada constituição’.
A verdade é esta e a armadilha é esta.

Saudações monárquicas

terça-feira, setembro 28, 2010

Programa alternativo

Levanta-te cedo e vai festejar a tua república no desemprego! Leva a faixa até São Bento, agradece a IVG que te deixou nesse estado, e quem sabe, talvez te cruzes (em sentido figurado) com um parzinho de noivos do mesmo sexo, de visita à residência oficial! Lembra-te que antigamente era pior, criavam-se ali galinhas que acabavam por pôr ovo! Passa a seguir por Belém (mas não chateies o Belenenses) e pergunta ao Cavaco, que afinal gosta do mar (sem ser para ir a banhos), porque é que mandou abater a frota de pesca e deu cabo da marinha mercante portuguesa?! Se ele respigar, atira-lhe uma última pergunta – porque é que fez questão em ser o melhor e o mais obediente aluno de Bruxelas?! Vai depois às fundações republicanas, Soares e Rosas para começar, e manifesta-te a favor desses comilões de impostos, que tu pagas, estúpido e complexado republicano. Tens inveja do Rei, não é?! Devias ter sido tu o assassinado, assim já aprendias. Dizes mal do passado?! Querias uma IVG desde o Afonsinho?! Trata-te enquanto tens medicamentos de borla, minto, pagos pela Sra. Merkel enquanto ela te aturar.

Saudações monárquicas

Nota: Realce para um artigo de opinião da autoria de Octávio dos Santos escrito no Jornal Público em 27/09/2010, e que versa sobre a falta de sentido das comemorações do centenário da república. Ali se coloca uma questão incómoda e crucial: - “ Para a República Portuguesa é mais condenável o Ultimato Inglês do que as Invasões Francesas?”

sexta-feira, setembro 24, 2010

Prepara-te para o centenário

Faltam poucos dias para a festa, o cinco de Outubro está à porta, falta pouco para os sinos tocarem, não os da Igreja proibida, perseguida, espero eu, mas não hão-de faltar guizos e chocalhos, que as bestas são muitas e fazem muito barulho.
Tudo se conjuga para que a celebração seja um êxito! Senão vejamos: - Eliminada (num passe de mágica) a incomodativa ditadura, o resto são só alegrias - vivemos a crédito com juro alto, insuportável, e a república tem a suprema esperança de viver da caridade internacional! Porque não tem vergonha e sobrevive pela propaganda, não arrisca uma medida impopular, muito menos se arrisca a tocar na nomenclatura, prefere pedir socorro ao paizinho FMI para que nos venha dar uns açoites e tome ele conta de nós! Mas há mais para celebrar, por exemplo, os duzentos nomes que constam do acórdão da Casa Pia! Não fui eu que inventei o número, foi um dos sentenciados. Provávelmente serão ilustres republicanos que faziam da instituição um hiper-mercado do prazer, mas que a investigação poupou, por falta de tempo, de meios, ou prescrição. Mas os nomes estão lá e tenho a certeza que muitos estarão na primeira fila das comemorações. E hão-de dar vivas à dita cuja! Mas ela está morta e o que aí se vê são os últimos capítulos de um pesadelo. Prestes a terminar mal esteja pronta a ligação Madrid-Poceirão. Sim, palpita-me que o próximo Filipe já não vem a cavalo, há-de vir em alta velocidade! Cumprindo aliás um velho sonho carbonário – a república ibérica. Só que não será república.

segunda-feira, setembro 20, 2010

A oligarquia

Foi mesmo agora, num desses programas da televisão (onde a opinião pública se manifesta) que eu ouvi a denúncia por parte do convidado de serviço, rapaz novo, sem papas na língua, advogado ou coisa que o valha – Tiago Caiado Guerreiro! O tema versava sobre a fiscalização do estado aos apoios sociais!
Não há fiscalização possível quando é no topo da pirâmide que se praticam os maiores abusos, isto quanto ao exemplo, pois quanto aos abusos, eles nunca serão fiscalizados enquanto a fiscalização não for independente da oligarquia. Isto é tão verdade como eu dar vivas à república.
Neste interregno, a dita oligarquia já foi identificada, já definimos a sua origem, conhecemos os seus tiques, os seus pontos de contacto, e um deles é indiscutivelmente o amor que nutrem por esta república desigual e éticamente adjectivada!
Porém algo está a mudar, até na televisão! Pois não é normal ouvir um jovem e bem sucedido advogado dizer que Portugal está nas mãos de uma oligarquia exploradora. Isso é novidade e seria até um sinal de esperança se alguém se importasse com isso. Mas ninguém se importa com isso. O povo (e a revolução cultural de Abril) contentam-se com um novo seleccionador nacional.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Reaccionários

Os que reagem ao projecto de revisão constitucional do PSD, porque reagem a qualquer projecto que seja apresentado, são naturalmente reaccionários. Falam em ricos e pobres, reivindicam o estado social, mas esquecem-se que foi à sombra da actual constituição que construímos o maior fosso entre ricos e pobres da UE. Sim, é o nosso, e não me digam que a constituição não é para aqui chamada! Porque se a constituição não conta, se não serve para nada, então pode (e deve) ser revista de alto a baixo, todos os dias, até servir para alguma coisa. Mas eu acho que serve para alguma coisa, serve para manter privilégios, serve para manter uma nomenclatura inamovível, e serve para afundar o país. Se é isto que os reaccionários pretendem, não sabemos, mas que é este o resultado, não temos dúvidas.
Por isso qualquer proposta de revisão é bem-vinda, é um começo, e é preciso começar por algum lado. Desde logo expurgar a constituição dos seus estigmas. Estamos a falar da inspiração soviética e dos tiques terceiro-mundistas. Depois é preciso reduzi-la ao essencial. Na verdade, para que a constituição seja um máximo denominador comum, uma plataforma de entendimento entre os portugueses, deve ser uma fotografia de família e não uma fonte de controvérsia. Por outro lado, se aspira a alguma longevidade, deve reflectir as grandes linhas que enformam a casa portuguesa. Nada de programas de governo, nada de aventuras ideológicas, os primeiros porque atrapalham os governos, as segundas porque passam rápidamente de moda.
Já perdemos tempo demais, está na hora de mudar, está na hora de deixarmos de ser reaccionários.

Saudações monárquicas

terça-feira, setembro 14, 2010

Agitam-se as cadeiras

A escolha do próximo presidente da federação portuguesa de futebol já começou, e falei em escolha porque nas ‘democracias’ de inspiração soviética (como a nossa) é disso que se trata. O processo é obtuso, são lançados uns nomes para a ribalta, a ver se pegam, faz-se uma ou duas rodadas de ‘prós e contras’ para que o povo tenha a sensação que participa na escolha, de seguida recolhe tudo a penates, entramos na fase dos conciliábulos mais ou menos secretos, para surgir finalmente o candidato invencível!
Determinante na decisão é o perfil do candidato: - tem que ser republicano, maçon ou equiparado, pode acumular alguma crença religiosa (benzer-se antes dos jogos mais importantes) e tem de sujeitar-se às regras do governo e dos grandes clubes, o que vai dar no mesmo. No seu mandato deve concentrar-se na propaganda do regime usando para o efeito a selecção e concorrendo à organização de grandes eventos (campeonatos do mundo ou inter-galácticos) seja à boleia de quem for, gaste-se o que se gastar. Aliás os gastos serão sempre compreendidos (e aprovados) desde que dêem dinheiro a ganhar aos três clubes do estado.
Este é o perfil necessário e dos nomes que se apontam há gente que se enquadra.
Pelo contrário, entendo que o próximo presidente da federação deveria ser um antigo futebolista, com prestígio internacional, e nem me importo que tenha sido jogador do Benfica! Pode ser o Simões, o Carlos Manuel ou o Toni. Um homem do futebol para credibilizar o futebol.

Saudações desportivas

segunda-feira, setembro 13, 2010

A profissão das penas

Ser motorista é perigoso em tratando-se de avaliação das penas. O acto de conduzir já de si perigoso pode tornar-se ainda mais perigoso se conduzimos para onde nos mandam, que é o que acontece se somos motoristas de alguém. Os perigos aumentam se distribuimos mercadoria de luxo e caímos na tentação de provar desse luxo. Às tantas, se falta alguma coisa, somos incriminados como se tudo aquilo fosse nosso ou existisse para nós. Para cúmulo, se confessamos a verdade a profissão de motorista pode tornar-se fatal! Dezoito anos de prisão maior. E já com atenuantes.
Não queiram ser motoristas.

quinta-feira, setembro 09, 2010

"Foi por ela"

Foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Madrid Paris Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas
foi por ela

foi por ela que me enfeito de agasalhos
em vez daquela manga curta colorida
se vais sair minha nação nos cabeçalhos
ainda a tiritar de frio acometida
mas o calor que era dantes também farta
e esvai-se o tropical sentido na lapela
foi por ela que eu vesti fato e gravata
que o sol até nem me fez falta
foi por ela

foi por ela que eu passo por coisas graves
e passei passando as passas dos algarves
com tanto santo milagreiro todo o ano
foi por milagre que eu até nasci profano
e venho assim como um tritão subindo os rios
que dão forma como um deus ao rosto dela
foi por ela que deixei de ser quem era
sem saber o que me espera
foi por ela

foi por ela que amanhã me vou embora
ontem mesmo hoje e sempre ainda agora
sempre o mesmo em frente ao mar também me cansa
diz Paris Berlim Bruxelas quem me alcança
em Lisboa fica o Tejo a ver navios
dos rossios de guitarras à janela
foi por ela que eu já danço a valsa em pontas
que eu passei das minhas contas
foi por ela

Fausto Bordalo Dias (Para além das cordilheiras)

Nota do Interregno: - Para percebermos hoje o que os poetas adivinharam ontem – o enorme equívoco que foi (é) para nós a união europeia.

quarta-feira, setembro 01, 2010

Adultério

A hipocrisia ocidental comandada pelos sionistas sediados em toda a parte mas especialmente na Casa Branca (Obama é inquilino, não conta) está comovida e indignada perante a hipótese de uma iraniana poder vir a ser morta por apedrejamento (lapidada), dentro da melhor tradição judaica. Tradição que entretanto se reciclou, preferindo hoje os corredores de uma morte silenciosa e injectável.
Não está em causa a crueldade da medida, somos contra a pena de morte em qualquer circunstância, mas como não gostamos de comer gato por lebre, nunca gostei, é preciso esclarecer que o que verdadeiramente incomoda tanto pacifista de encomenda, é que o adultério seja punido, muito menos com a pena de morte. E percebe-se a reacção ocidental atendendo a que o adultério é prática corrente, é inclusivamente incentivado pelos poderes públicos, e não tardará o dia em que será premiado. Eu, como acima referi, sou contra a pena de morte, acho que as penas devem ser equilibradas, e como também se destinam a desincentivar determinadas práticas, sou contra o prémio neste caso. Dir-me-ão que não é caso para fazer humor numa altura destas e concordo. Mas curiosamente (ou talvez não) tem ficado na penumbra, pelo menos ninguém o comenta, o homicídio perpetrado pela iraniana (e seu amante) na pessoa do marido! Nos Estados Unidos, em quase todos os estados, daria pena de morte. Disto já não interessa falar, o marido que se lixe, o adultério também.
São as boas práticas (e os bons exemplos) ocidentais
.

Queiroz em fogo lento

Desde que temos um presidente da federação que começa invariávelmente qualquer frase pela palavra ‘não’, está tudo dito, não é preciso acrescentar mais nada. Perceberam?! Eu também não. Mas são estes os personagens que duram nos cargos, cargos para onde são eleitos através de ‘laboriosos processos democráticos’ (as aspas são minhas), processos que lembram o antigo regime soviético, muito embora este sistema já venha do estado novo. Também não perceberam?! Eu explico: - nos ‘laboriosos processos democráticos’ vão sendo sucessivamente cooptados 'os melhores, os mais aptos, os que têm por missão salvar a humanidade de si própria’. As aspas voltam a ser minhas. O certo é que só chega ao topo da pirâmide quem der plenas garantias de cumprir os objectivos previamente traçados, mas não por ele. E agora, fiz-me entender?! Pois claro que fiz e estou a pensar em todos os dirigentes que flutuam de acordo com o princípio sagrado da cortiça. Esses em que estão a pensar.
Mas Queiroz ainda acredita que a federação e o seu presidente se atravessem para o salvar! Só por esta ingenuidade tem todo o meu apoio.

sábado, agosto 28, 2010

Vídeo vigilância

Precisamos de vídeo vigilância, eu pelo menos preciso, preciso que alguém vigie os meus passos, alguém que se antecipe aos meus erros, que me evite a casca de banana, preciso de um berço, com grades, porque senão eu salto, e faço asneira, sou irresponsável, incontinente em tudo, menos nas fraldas, tenho uma inclinação para o mal, fui expulso do paraíso, lembram-se!
Quem me vigiará?! O Estado, e não há melhor vigia, não me conhece, será portanto imparcial, terei notas de desempenho, mensais ou semanais, consoante, e no fim do ano serei premiado ou castigado, também consoante. O pior castigo será o degredo, deixar de ser vigiado, o Estado desinteressa-se de mim. Deixa-me em paz, em liberdade, deixa de me olhar como um número, uma estatística, um perigo, um gasto desnecessário, não foi para isso que criei o Estado.
Se calhar, prefiro o degredo.

domingo, agosto 22, 2010

Rosas em Agosto!

Nasci entre rosas
Uma floriu depressa,
Murchou depressa,
Sem eu saber…
Outra, rosa perene,
Flor do meu sangue,
Há-de florir
Se Deus quiser…

quarta-feira, agosto 18, 2010

O Zé a arder...

Sobre fogos e como venho dizendo, não sendo possível colocar um guarda-florestal, um bombeiro, ou mesmo um soldado atrás de cada pinheiro/eucalipto, pelo menos durante o Verão, (recordemos que segundo a protecção civil mais de 90% das ignições têm origem humana), e não sendo também possível continuarmos a gastar neste combate inglório cerca de 200 milhões de euros/ano, um número que vale o que vale pois estamos perante gastos que escapam completamente ao controle governamental, concluímos que a solução terá que passar pela redução da floresta para fins industriais, um investimento que não faz qualquer sentido num pequeno país como Portugal. Os argumentos invocados para o florestamento, orografia e pobreza dos solos, esqueceram que o país já levava muitos séculos de vida nessas condições, esqueceram que o Douro vinícola tinha sido obra humana, e só se lembraram do negócio mais fácil e lucrativo. No fundo, lembraram-se apenas do dinheiro. Pois agora está na altura de não se esqueceram desse pormenor – do dinheiro. Não temos dinheiro para este ‘apaga-acende’ anual, a não ser que debitemos os custos aos grandes beneficiários deste esforço inútil – à indústria da pasta de papel, à indústria dos parques naturais e às cadeias de televisão, cujos noticiários se mantêm em permanente rescaldo. Sem esquecer obviamente a indústria aeronáutica. Eu é que não quero pagar mais este filme repetitivo, que tudo leva a crer (com tantos beneficiários) é filme de longa-metragem.

quinta-feira, agosto 12, 2010

Temos que decidir

Ou pinheiros ou gente! Quando no lugar dos pinheiros havia gente, a gente cuidava das matas, quando os rebanhos pastavam pelas serras não podia haver pinheiros, mais tarde eucaliptos, quando os pastores tentaram contrariar a política de florestação governamental, incendiando as plantações, para salvar os rebanhos, eles sabiam que era isso ou abandonar a aldeia serrana onde viviam (ou sobreviviam) e emigrar para a cidade. Viver num dormitório, trabalhar por conta de outrém e ser proprietário de meia dúzia de pinheiros, numa cedência final ao negócio de madeireiros e celuloses. E é a estes milhares de proprietários pobretanas que o governo (e os emigrantes em ‘vacanças’) exigem a limpeza de matas e pinhais?! Com que dinheiro?! Com o que sobra do subsídio de desemprego?!
Portanto, temos que decidir, ou pinheiros ou gente. Ou então o regresso daqueles reis povoadores que em lugar de enxotar as pessoas para o litoral as fixavam no interior do país, na altura desértico, como hoje!
É uma ideia.

terça-feira, agosto 10, 2010

O New York Times fala de nós...

Notícia encomendada ou não, a verdade é que aquele conceituado jornal americano faz eco da aposta portuguesa nas energias renováveis. E vai mais longe, afirma que o exemplo é para levar a sério. Ora bem, não sendo um especialista na matéria não me parece difícil argumentar que o constante aumento do preço do petróleo (bem escasso e arma de arremesso dos países produtores) acabará por viabilizar a opção pelas energias renováveis. Depois estamos a falar de energias limpas com todas as vantagens inerentes, podemos portanto concluir que o governo de Sócrates andou bem quando deu prioridade a estes investimentos. O problema surge depois, na incapacidade de unir a população em torno das boas ideias e dos bons projectos. Porque todos desconfiam de todos, e isto é assim porque a república nasceu da mentira e vive da propaganda. Daí eu ter iniciado o texto com uma dúvida: – notícia encomendada ou não...
Ou seja, não se discute o mérito da coisa mas a ideia de que a coisa já vem inquinada.
Nas sociedades em que tudo depende do voto (ou em que nada depende do voto, o que é práticamente o mesmo) não há outra saída a não ser esta guerra civil permanente.

quinta-feira, agosto 05, 2010

A nossa rainha de Inglaterra!

Veio das berças, com os complexos do costume e as comparações são dramáticas, dizem tudo sobre aquilo que somos, identificam-nos. Primeiro, a rainha de Inglaterra não é nomeada pelo Cavaco por proposta de Sócrates, se assim fosse, não seria rainha de Inglaterra, não teria o infinito poder de ser livre, livre de dependências, livre de nomeações e livre de proponentes. Se o Dr. Fernandinho não percebe isto, paciência.
Mas quer mais poderes! Tudo bem, e isso até percebemos. Seria uma maneira de ficar tudo em família, de não haver processos incómodos para a família! Evitavam-se a destruição de provas, a eternização da justiça, uma série de coisas. Só que para isso acontecer temos que mexer na bendita da constituição! O que segundo ouvi dizer é tarefa muito complicada. A não ser que de repente, sem mais nem menos, tudo se tenha tornado mais fácil!
Se calhar tocou a reunir…

quarta-feira, julho 28, 2010

Ah, grande Cabral!

Apesar das asneiras, dos iberismos bacocos, apesar de termos desembarcado a Telefónica em plena praia de Copacabana, apesar de tudo isso, o ‘achamento’ ainda prevalece, pelo menos enquanto os brasileiros falarem português. Isso mesmo entendeu Lula da Silva que na emergência estendeu a mão à PT e a Portugal. Mas que sirva de lição. Oito séculos de precaução contra o leão castelhano e parece que não aprendemos nada! Nem mesmo este 'suão' ardente... 'que enche o sono de pavores, faz febre, esfarela os ossos, dói nos peitos sufocados...' consegue acordar esta gente! Mas eu não desisto, vá, repitam comigo, todos - ‘de Espanha nem bom vento, nem bom casamento’!
Não custa nada.

Não percam tempo

Já estou como o outro, neste regime em que os partidos dominam completamente a situação, incluindo a chefia de estado, é praticamente impossível sentar um membro da ‘nomenclatura’ no banco dos réus. De vez em quando aparecem umas ameaças, saem umas notícias nos jornais, mas decorrido o tempo necessário, acaba tudo em bem. Eu até acho melhor acabar com isto à nascença, poupava-se muito, e escondíamos um pouco esta vergonha de haver vítimas de pedofilia mas não haver pedófilos, de haver corrupção mas não haver corruptos, ou a novidade que nos chega do Freeport de ter havido subornos, mas ninguém foi subornado! Que o dinheiro desapareceu, isso ninguém tem dúvidas.
Por isso insisto, está na forja outro caso mediático, desta vez com os banqueiros do BCP, arquivem já o processo por favor. O país precisa de reunir todos os meios possíveis para enfrentar a crise, não é altura de dissipar tempo, dinheiro e energia com mais brincadeiras. A não ser que… os advogados, os escritórios dos mesmos, toda aquela tralha dos magistrados, procuradores, juízes, tribunais, secretarias (por um lado), e
jornais, jornalistas e telejornais (por outro), precisem de viver mais cinco anos à conta do orçamento! Se for para isso, então está bem, está justificada a farsa da justiça.

E viva o centenário!

Adenda: Sem falar nas indemnizações por ofensa à honra e bom nome!

terça-feira, julho 27, 2010

Momentos Freeport

Segundo consta o Instituto de Conservação da Natureza terá chumbado a construção de um cemitério no local onde mais tarde licenciou o Freeport. O chumbo deveu-se ao ’aumento da densidade humana’ que o referido cemitério poderia trazer ao local, incomodando flamingos e outras espécies protegidas. Mais tarde, consultadas as espécies, estas mudaram de opinião face à perspectiva, bem mais divertida, de meio milhão de visitantes só no primeiro ano!

Um segundo momento Freeport é o cumprimento de uma promessa – o caso Freeport ficará esclarecido em termos processuais antes das férias grandes, cinco anos depois. E cumpre-se outro fadário – Sócrates não será arguido. Com esta certeza, o primeiro-ministro arrisca-se a passar à história com o cognome de Sócrates, o ilibado! Ou Sócrates, o inocente, como queiram.

Um terceiro momento Freeport prende-se directamente com a investigação. Sabemos que ouve escutas aos principais suspeitos, mas ficámos a saber que houve uma avaria na central telefónica que procedia àquela investigação. Essa avaria (alguma manivela que se encravou!) poderá ter inutilizado alguns desses meios de prova. A dúvida que sempre permanece nestes casos, é se as conversas avariadas eram do ‘filho do meu tio’, do primo ou do tio, e mencionavam o ilibado! Se mencionavam, também não se perde nada, eram conversas privadas, de escuta não autorizada, e estas já se sabe são para destruir, em qualquer caso.

E viva o centenário!

quinta-feira, julho 22, 2010

Cabe lá tudo menos…

Nasceu torta, a caminho do socialismo, mas o muro caiu e o socialismo fechou para obras. Endireitou-se, deslumbrou-se com o mercado e quis ter tudo, mais estado e menos estado ao mesmo tempo! Depois vieram os filhos, quis ser moderna, universal, tão avançada que o país ficou para trás! E cabe lá tudo, direitos e mais direitos, despesas e mais despesas, e não há norma ou postura municipal que não a possa invocar! Aliás todos a invocam, e de cada vez que a invocam, ela engorda e nós emagrecemos!
Cabe lá tudo... não é bem assim, mantém o ferrete original, protege quem protege, cabem lá o aborto, o casamento entre homossexuais, mas não cabem nem a Cruz do fundador nem a monarquia que nos deu identidade.
Afinal cabe lá tudo menos Portugal!

terça-feira, julho 20, 2010

A constituição e a minha vesícula

A constituição é um assunto sério que me faz rir, a revisão constitucional é uma brincadeira que me faz mal à vesícula! E quando assim é, a bílis solta-se e aí vai ela: - Pois bem, se querem de facto rever a constituição estabeleçam desde logo uma condição prévia - proíbam os ‘pais da constituição’ (o Miranda dos perdigotos, o Vital ex-comunista, etc.) de dar palpites sobre a revisão da criatura. De seguida, limitem a partidocracia, eliminando listas, responsabilizando individualmente os deputados perante os seus eleitores. Os círculos, lembram-se?! Limpem as coligações obrigando, por exemplo, os verdes (ou melancias) a irem a votos. Temos curiosidade em saber qual o respectivo peso eleitoral!
E agora a justiça: - aqui, é tempo de acabar com os tribunais superiores armados em lojas maçónicas. Como?! Se aquilo é secreto?! Não sei, mas façam um esforço em nome da credibilidade das instituições. Muita atenção às nomeações partidárias, ao registo de interesses, às incompatibilidades, ah, já me esquecia, atenção ao tribunal constitucional – mudem-lhe o nome, porque aquilo de tribunal tem pouco. Voltando ao processo judicial, reduzam-no, rasguem folhas ao acaso, especialmente no capítulo dos incidentes, recursos e garantias, no fim, não pode pesar mais do que oitocentas gramas. E já é muito. Dentro do mesmo assunto - a produção legislativa anda a engordar advogados, escritórios e pareceres. Toca a fazer dieta.
Eu sou monárquico, não quero por isso limitações materiais à mudança de regime, não quero uma república transformada em mandamento caído do céu… num país de ateus! Mudem já isso, incluindo as frases obscuras (estilo - forma republicana de governo!) que só a confraria entende.
E não é preciso mexer nos poderes do presidente. Pois se o Sampaio até fez cair um governo que tinha uma maioria a sustentá-lo na assembleia! O problema do chefe de estado não é uma questão de poderes, mas de independência dos poderes.
Pronto, já estou melhor da vesícula.

Saudações monárquicas

segunda-feira, julho 19, 2010

18 de Julho!

Que mal tem se me esqueci!
Se quis dar esta alegria!
Que mal tem se adormeci!
E tinha passado um dia!

Nascer depois é melhor
Faz melhor à mocidade
Nascer antes é pior
Quando chega certa idade

.
Nascer na data convém
Sem parabéns atrasados
Poupa desculpas também
Como estes versos coitados

Os parabéns são precisos
Trazem mais vida ao viver
Muitos anos e sorrisos
E a vida como Deus quer!

sexta-feira, julho 16, 2010

Cândida e os submarinos

Quando o Freeport mergulhou numa gaveta e por lá se manteve sem dar sinais de vida, Cândida veio à superfície e explicou, como só ela sabe explicar, que a investigação jaz submersa numa profunda falta de meios! Contráriamente, desta vez, com os submarinos transformados em barcos do amor, Cândida evita, Cândida foge e não explica o que se está a passar! Nesta batalha naval amorosa, em que investigador e investigado se entrelaçam (se Cândida não explica) ficamos sem saber quem foi ao fundo - se o submarino, se a própria credibilidade da investigação!
Etiqueta: o estado da nação.

O estado da nação

Sócrates pegou nos resultados de um inquérito (dados de 2008) que apontavam para uma diminuição da pobreza e concluíu que a política seguida pelo seu governo estava no rumo certo. Números são números, números são factos, e assim, desta maneira ardilosa, silenciou a esquerda recalcitrante. Virando-se então para a direita, valorizou a perfomance da economia portuguesa face à crise, enquanto acusava o PSD de tentativa de destruição do estado social. A direita reagiu, mas reagiu mal.
E foi mais um debate ganho por Sócrates... contra a nação.

Este debate poderia ter sido diferente se por um acaso houvesse ali, naquela assembleia de cativos, um político corajoso que contestasse Sócrates no seu próprio terreno. Dou um exemplo - quando o primeiro-ministro elogiava o comportamento da economia portuguesa face às suas congéneres europeias, poderíamos concluir, ao contrário do próprio, que essa é a maior prova da nossa persistente posição periférica. Portanto esse elogio deveria ser antes motivo de preocupação. O mesmo se diga quando Assis se agarra à Europa com unhas e dentes, numa clara demonstração de falta de alternativa política. Aqui era preciso lembrar-lhe a frase de outro socialista – há vida para além (dos subsídios) da união europeia!
E finalmente que dizer das reticências socialistas em alterar a constituição impedindo por essa via que os governos portugueses (sejam de direita ou de esquerda) tenham as mesmas armas para combater a crise que os nossos parceiros europeus! Será a nossa constituição um texto sagrado?!

Saudações monárquicas

quinta-feira, julho 15, 2010

Apesar do Bosco...

Apesar do Bosco e de outros pesos pesados desta república maçónica, a comissão de inquérito ao caso PT/TVI lá conseguiu produzir um relatório menos mau, ou seja, relativamente próximo dos acontecimentos. Bosco diz-se de consciência tranquila o que significa que conseguiu empatar a comissão ao máximo, e por tê-lo feito será devidamente compensado pela confraria. Melhor seria que a montanha tivesse parido um rato, esse sim, o habitual nestas comissões de inquérito, mas não podendo ser, jogar para o empate já deixa as consciências tranquilas. Aliás, o empate é o resultado por excelência deste país ensimesmado. O resto, as escutas (que horror!), a separação de poderes (nunca estiveram tão juntos), a constituição (que apenas serve quem a fabricou) é conversa fiada para enganar pacóvios. Que somos nós!

quarta-feira, julho 14, 2010

O tempo que for preciso...

Nada de pressas, vamos com calma, que a boa justiça é lenta, muito lenta, de acordo com uma conhecida receita nacional. Este prato começou a ser cozinhado com a libertação de Pedroso, com as ausências de outros prováveis praticantes de pedofilia, e agora restam o Silvino e uns poucos de personagens... que sabem muito! Que fazer?! Pergunta o revolucionário de modo vário! Resposta - deixa isso prescrever.
Vem agora o Carlos Silvino a querer acelerar o processo! Mas está tudo doido? Era o que mais faltava. Então e os recursos, as garantias, o contraditório, os incidentes?! E os direitos dos outros arguidos?! As férias judiciais?! Este Silvino, mais o seu advogado, devem pensar que fazer justiça é coisa fácil!
Um bocadinho de paciência nunca fez mal a ninguém.

terça-feira, julho 13, 2010

A desunião exemplar!

É só um palpite, não, não sou o polvo que adivinha os resultados da bola, mas palpita-me que era melhor começarmos a fazer as malas e zarpar desta união soviética economicista onde os nossos interesses estratégicos estão proibidos ou não se podem defender - vidé caso golden share/PT, independentemente das culpas próprias. Mas voltando ao polvo, lembremo-nos como foi triste e atabalhoada a nossa 'descolonização exemplar' e para que não se repita, apesar da pouca importância que haveremos de ter na desagregação europeia, seria sensato pensar no assunto. Por isso não dêem ouvidos aos 'irreversíveis', sempre apostados no fim da história e que nos dizem sempre... que não há alternativa!
Há sempre alternativa, especialmente a esses apóstolos da religião europeia!

quarta-feira, julho 07, 2010

As duras coincidências

Uma coisa é aquilo que gostávamos que acontecesse, e por isso anunciei (de Marte) que a Espanha haveria de encalhar mal visse a armada lusitana. Era um sonho planetário, um sonho de outros tempos, um sonho que a dura realidade desmente todos os dias - nuestros hermanos passaram por nós, sufocaram a Alemanha, e estão na final.
Mudo de linha para me distanciar dos palpites dos nossos técnicos de televisão – primeiro ganhava a Argentina (para valorizar o Di Maria); depois era o Brasil (não se sabe porquê); torceram pelo Paraguai contra a Espanha, e em desespero de causa elegeram a Alemanha como a selecção maravilha. Mas a Alemanha, como venho dizendo, não era assim tão forte. Paulatinamente a Holanda foi vencendo os seus jogos e a Espanha, apesar da má forma de alguns jogadores, é a melhor selecção deste campeonato do mundo. Pode até não ganhar à Holanda, mas há-de dominar o jogo.

Curiosidades e coincidências: - em ano de centenário da nossa ridícula república, são duas monarquias que chegam à final! A Espanha e uma sua antiga colónia! Alba e Orange frente a frente! Quem irá vencer desta vez?! Aliás a Espanha está por todo o lado, o Nadal ganhou em Wimbledon, são os actuais campeões da Europa de futebol, arriscam-se a ser campeões do mundo, dão ordens de compra sobre as empresas portuguesas a operar no Brasil, obrigam-nos a andar de TGV do Poceirão até Madrid, eu sei lá, parece que conduzem o mundo!
.
Para o fim, uma pergunta desagradável - não haverá uma relação entre o regime espanhol e a sua promissora grandeza?! Pondo a questão ao contrário – não haverá uma relação entre o regime português e a nossa 'apagada e vil tristeza'?!
Se não quiserem responder, não respondam.

Saudações monárquicas

terça-feira, julho 06, 2010

No tempo em que eu nasci...

Julgo ser um poema do Ary dos Santos - "no tempo em que eu nasci havia um 'S'..." - mas hoje existem outros 'S' bem mais perniciosos, é uma questão de os desfilarmos - Soares, Sócrates, Saramago, Salgado, etc, e todos eles deram e dão palpites que irão influenciar o nosso futuro colectivo. Simplesmente, todos eles são piores que o 'S' original porque pelos vistos não têm nenhuma ideia para Portugal a não ser preocupações de natureza privada ou ideológica, bem longe das necessidades perenes da Pátria. Passe o vocábulo fora de moda. Vem isto a propósito da bagunça estabelecida em torno da PT, empresa que o estado privatizou mas pretende que continue a ser pública! Isto só pode ser brincadeira. E depois ouvem-se comentários do tipo - estamos como em 1580 em que só o povo defendeu a soberania nacional! É mentira, porque a união dos reinos de Portugal e Espanha só se efectivou porque os procuradores do dito povo votaram a favor da união, com a honrosa excepção do procurador de Lisboa, de seu nome Febo Moniz. Quem de facto garantia a soberania nacional era o Rei, infelizmente morto em Alcácer Quibir e sem deixar descendentes. Filipe II, de acordo com a lei da época tinha direitos dinásticos sobre a coroa portuguesa mas só os exerceu por vontade do povo português, leia-se dos seus representantes. Pior estamos agora em que sem lei que nos condicione, nos entregamos à dependência com a maior das facilidades. Basta ouvir ou ler o que dizem os 'S' que nos representam.
.
.Saudações monárquicas

quarta-feira, junho 30, 2010

Portugal na gaveta!

O pai da república falou e disse: - ‘temos de ganhar peso na Europa’!
Daí à necessidade de uma política ibérica vai um salto de pulga e Mário Soares não se fez rogado, saltou para um futuro conselho de ministros luso-castelhano!
Eu gostava de me lembrar, mas já foi há tanto tempo... qual teria sido a argumentação de Cristóvão de Moura para convencer as Côrtes a votarem a união entre os reinos de Portugal e Espanha! Teria sido também por uma questão de peso?!
O que eu sei, e me lembro bem, é que a primeira preocupação da política lusitana foi tornar-se independente de Castela, e a segunda, foi ganhar peso no mundo para ter peso na Europa. Precisamente o contrário do que pensa e diz o pai da república! Outros tempos, dirão os que pretendem agora elevá-lo à condição de deus vivo neste portugal dos pequeninos. Pois sim, pois não, digo eu.
Afinal donde provém esta mania das grandezas?! Um sonho napoleónico ou uma noite mal dormida?! Nunca lhe explicaram que foi a duras penas que aqui chegámos?! Que de Espanha nem bom vento nem bom casamento?! Outros tempos, repetem os fiéis. Cala-te boca.
Há uma hipótese de trabalho que ainda não foi explorada – terá Mário Soares aderido à monarquia?! Só pode, e sendo assim bate tudo certo. Porque de uma coisa ninguém tem duvidas - a Espanha continuará a ter Rei, porque a Espanha sabe que é aí que reside a sua força. Não é por acaso que não se ouvem propostas de adesão ibérica vindas de Madrid. No máximo podem vir propostas de anexação... ou compra, como podemos observar ao vivo, nesta história da Vivo!

Saudações monárquicas com rei português

terça-feira, junho 29, 2010

Os imbecis

É para isto que serve um blog, para descarregar raivas e frustrações, minhas naturalmente, quem não gosta não lê, mas fica registado. Daqui a alguns anos pode ser que este texto desconexo ganhe algum sentido! Acontece muito.
Perdemos quando não podíamos perder, contra uma selecção que faz bilros o tempo todo. Perdemos a jogar práticamente em casa, e quando se joga em casa enfrenta-se o adversário olhos nos olhos, não ficamos à espera dele, recuados, dando-lhe esse suplemento vitamínico que ele à partida não tinha. Perdemos porque não podemos depender de um jogador, por mais credenciado que seja, alimentando ilusões e expectativas que a realidade se encarregou de desfazer. Cristiano Ronaldo bem quis corresponder mas tudo lhe saía mal, ao ponto de parecer um principiante a jogar à bola!
E não foi só neste jogo, foi em todos.
Perdemos porque não houve a coragem de denunciar o exibicionismo dos livres tipo play station, lances que poderiam ter sido melhor aproveitados já que dispomos de grandes especialistas no jogo aéreo. Especialistas que íam lá à frente... em vão! E depois aqueles locutores enervantes mais preocupados em ‘vender’ o ‘benfiquista’ Coentrão do que em valorizar a selecção portuguesa. É também por aqui que perdemos, e é por aqui que nos tornamos minúsculos.
Ilacções positivas, duas, o que já não é mau: - evitamos que a propaganda republicana (mais o seu centenário) contamine o que resta da unidade nacional; e espero eu, esperamos todos, que durante uns tempos o Ronaldo nos poupe aos saltinhos de calcanhar e outras imbecilidades semelhantes. Se jogar à bola, simples, pode ser que para a próxima... venha a ser útil à equipa portuguesa.

sábado, junho 26, 2010

Visto de Marte

Visto de longe, com a nitidez que só a distância consente, este campeonato do mundo revela coisas curiosas! Evidências que escapam aos analistas politicamente correctos.

Se começarmos pelos que ultrapassaram a fase de grupos, reparamos em três selecções siamesas, separadas à nascença pelas fracturas continentais. Estamos a falar da Coreia do Sul, do Japão e do Chile! Tão parecidas na maneira de jogar, a mesma rapidez no intuito de superarem a falta de robustez física, um colectivismo feroz, e mesmo assim, as mesmas dificuldades para se apurarem! Recorde-se que apesar do seu futebol electrizante, a equipa dos Andes esteve sempre à mercê do ferrolho suíço. Mas o ferrolho é isso mesmo, é um ‘relógio’ que não serve para atacar.

Seguem-se as colónias ibéricas, uma mistura de habilidade e força, temperada pela manha do colonizador. Ficaram confortavelmente instaladas nos primeiros lugares e são favoritas. Umas mais que as outras.

Um capítulo para os europeus e aqui temos que clarificar o que se vê de Marte: - vemos claramente a Inglaterra e a Holanda, os donos das minas, e vemos a Alemanha, que sempre quis meter o pé em África. O duelo que se avizinha tem ressonâncias que nem as vuvuzelas conseguem silenciar. A Alemanha, menos forte que o costume, tudo indica que será de novo vencida em terras africanas.
Ah, claro, falta a Espanha! Mas em África, castelhano... só em Ceuta! Que era nossa! A gente trata do assunto.

E chegámos finalmente a África!
Aqui cabe distinguir a única selecção africana que se apurou, e com grande naturalidade – Portugal! É certo que o Ghana também conseguiu passar mas o Ghana não é uma selecção que represente África, é apenas uma selecção de africanos, neste caso ‘ashantis’ do golfo da Guiné. O que é substancialmente diferente. As restantes selecções de africanos foram todas afastadas, como era previsível, incluindo o misto franco-guineense que representava a França!
Aliás, isto é tão verdade que o próprio Mandela não teve dúvidas em receber os portugueses num gesto carregado de simbolismo! Foi como se dissesse – vá, joguem e ganhem que é a única maneira de África ganhar!

Não posso terminar sem uma palavra para o madeirense Ronaldo – eh pá, passa a bola!

Saudações desportivas

quinta-feira, junho 10, 2010

Portas abertas!

Neste dia vale a pena reler o prólogo que Amaro Monteiro escreveu em – “Portas Fechadas. Balada Para Um Capitão Executado”. Amaro Monteiro era (é) monárquico, e só quem viveu antes e depois do tempo, pode compreender a intensidade patriótica destas linhas: -


"(…) Fecho o “Prólogo” com advertência para mim importantíssima: mau grado acontecimentos em que comparticipei há cerca de 30 anos, não me considero “resistente anti-fascista”… Não consegui ser herói.
Meditando, de 1960 em diante, sobre eventos e pessoas que conheci ou vislumbrei na fase do meu militantismo anti-salazarista, nisso me achei deveras deslocado…
O rebentamento de Angola 61 deu o impulso final para que as energias se me concentrassem na defesa de Portugal pluri-continental e pluri-racial. De 1962 a 1974, em Moçambique, lutei quanto pude pela Ideia morta. “Aderi” ao antigo regime? Não. Mantive reservas que nunca desapareceram. Todavia, em África, a minha actuação operou naturalmente uma colagem que, nas opiniões comuns, me identificou com aquele. Não a rejeitei nem procurei fugir-lhe após o “ 25 de Abril”; pelo contrário, assumi-a com orgulho e arrogância. A colagem continua, em certos aspectos, a orgulhar-me treze anos volvidos; noutros é-me indiferente. A minha Pátria morreu. Sinto-me apenas nacional deste país.

Lisboa, 23 de Setembro de 1987"

terça-feira, junho 08, 2010

Qual das três?!

Cheguei tarde (à polémica) onde se fazia a pergunta que com a devida vénia recupero – afinal qual das três repúblicas que já levamos foi (ou é) a pior?!
Descontado o facto de, em minha opinião, já estarmos a entrar numa curiosa quarta república, aliás muito semelhante à segunda, a minha resposta foi (mais ou menos) a seguinte:

Parafraseando a cantiga de uma geração sem esperança - a república é sempre a perder. Por isso a pior é sempre a última porque é a inevitável consequência das outras duas. A primeira república era apesar de tudo mais ingénua, numa linguagem tauromáquica poderia dizer-se que marrava de frente; a segunda era manhosa, cultivou a mentira, e deu cabo da herança ao tentar apropriar-se (ilegitimamente) da história; esta terceira é a pior porque mantém todos os defeitos da primeira e acrescenta-lhes a matreirice da segunda. Senão vejamos: - anti-clerical quanto baste, não descansa enquanto não banir os símbolos católicos do espaço público. Não perde uma oportunidade para afrontar a moral cristã.
É criminosa – lembremos apenas Sá Carneiro. E impune - porque tem a justiça no bolso e a comunicação social na sua dependência. Nenhum dos seus próceres será alguma vez julgado. Neste aspecto ultrapassa o estado novo! Basta ver os processos que não chegam ao fim.
E finalmente é a pior porque foi ela que feriu de morte a nossa independência política. A descolonização desastrada seguida de uma união apressada foi o pior que nos podia acontecer.
É esta a minha resposta, excessivamente extensa para uma pergunta tão simples. Poderia ter dito apenas que as três são uma e a mesma república.


Saudações monárquicas

quinta-feira, junho 03, 2010

Patriotismo tem preço

Afinal há outros assuntos para além da selecção! E o assunto é... a PT!
Ultrapassado o quadro de Aljubarrota, já aqui referenciado em anterior postal, entramos directamente no período filipino. Ou seja, vivemos aquela fase em que o Cristóvão de Moura besuntava as mãos dos patriotas indígenas no intuito de os transferir para o partido castelhano. Com uma diferença – na altura a soberania não estava cotada nem era vendida na bolsa. A negociação tinha (e teve) uma apreciável dimensão política, foi discutida em Cortes e até houve quem votasse vencido! Também é verdade, e a história conta-nos isso, que Filipe II esteve quase para desistir da aventura lusitana, assustado com a pedinchice nacional! A Telefónica que se cuide.
Mas houve outra diferença – Cristóvão de Moura foi considerado traidor e desde 1640 que o seu palácio jaz em ruínas!
Mas nós não temos que nos preocupar, temos a selecção, que mais havemos de querer?!

Saudações monárquicas

domingo, maio 30, 2010

Eles não votam no mar

Assistir à votação do euro festival é divertido e esclarecedor! É como tirar um curso acelerado de história da Europa e de geopolítica! Era bom que os nossos governantes tivessem assistido para perceberem (finalmente) o alcance da frase de Salazar – ‘Portugal não é só uma nação europeia e tende cada vez mais a sê-lo cada vez menos’! Isto sabia ele, embora não tivesse tomado as devidas providências a tempo e horas.
Então o que é que se passou?! Eliminada a barreira da língua quase toda a gente cantou em inglês, uns melhor outros pior, uns mais modernaços outros menos, e no fim ganhou a Alemanha. Sintomático.
Portugal, obrigado a defender a língua colonizadora, tal como a Espanha e a França, ficou-se pela segunda metade da tabela. Nem mesmo o Reino Unido (afinal o dono da língua) conseguiu impor-se face à continentalidade dominante e seus regionalismos. Chegou-se a ouvir falar em ‘mãe Rússia’!
Não nos podemos queixar, é tudo uma questão de centralidade e nós há muito que tivemos que construir a nossa. E construímos, ela existe, só que não é a caminho de Madrid mas do Atlântico.
Sobre as canções, qualquer delas podia ter ganho, obedecem a uma receita estudada, mesmo assim gostei da Roménia e a Arménia ficou-me na retina. A portuguesa soluçante era excessivamente portuguesa. Mesmo que não fosse...

sexta-feira, maio 28, 2010

Aljubarrota golden share

Hesitei na data, mas lembrei-me dos apartes horrorizados do João Bosco quando por mero acaso se falou num dia 28 de Maio qualquer – estávamos a ver a comissão de inquérito, o depoente entrou em amnésia, e Mota Amaral só lhe faltou dar um gritinho e benzer-se! Parecia que tinha visto (ouvido) o diabo! Ridículo. Detesto os grandes democratas e sei porquê - à primeira oportunidade aplicam-nos a lei da rolha – vidé decisão sobre as escutas.
E assim como detesto os grandes democratas começo a compreender a necessidade de algumas datas quanto mais não seja para conter o histerismo liberal.

E por falar em histerismo, uma das conquistas de Abril, largamente papagueada por tudo o que é canto, é a ambição extrema de terminar a carreira (e a vida) no Real Madrid! Se não for possível no Real, ao menos em Madrid. E isto vale para qualquer profissão ou obra pública. Foi assim com Figo, é assim com Ronaldo, vai ser assim com Mourinho, e até o TGV tem que chegar a Madrid de qualquer maneira, nem que seja a partir do Poceirão!
Mas este namoro castelhano também tem os seus arrufos como parece ser agora o caso entre a Telefónica e a Portugal Telecom… com o Brasil pelo meio. E aqui não há Tordesilhas que nos valha. Isto é mais grave, e anterior, é mesmo Aljubarrota.
Oportunidade que Sócrates não desperdiça para fazer o seu número patriótico! Encheu o peito, formou em quadrado, e ameaçou com a golden share. E desta vez disse a verdade aos portugueses – a PT é uma empresa estratégica, tal como o Tagus Park poderia ter sido!
Desde que se calem as Manuelas…

quarta-feira, maio 26, 2010

Empobrecer

No meio das medidas punitivas a declaração de Cavaco Silva - espero que poupem os mais desfavorecidos - soa a propaganda eleitoral. Aliás a conversa dos pobrezinhos já enjoa.
Mas quem são afinal os pobres deste país, senhor Presidente?!
Para sua orientação os pobres deste país são os portugueses que trabalham e descontam, sem possibilidades de fugir aos impostos, que têm o dinheiro à justa para sustentar a casa, educar os filhos decentemente, e porque têm vergonha na cara não passam a vida na pedinchice. Mais, estes pobres não andam atrás da selecção, têm mais o que fazer, não lhes sobra verba para viajar, ficam em casa, vêem televisão, e talvez sonhem com uma vida melhor!
Estes portugueses não vão ser poupados, vão ter que pagar mais impostos, vão empobrecer ainda mais, até ao ponto de desistirem de construir seja o que for, até ao ponto de desistirem deste país.
Não era nestes pobres que o senhor Presidente estava a pensar, pois não?!
Há gente mais pobre concerteza, e penso em todos os idosos que sobrevivem, quantas vezes sozinhos, com pensões de miséria. Mas estes já nem precisam de impostos para empobrecer.

terça-feira, maio 25, 2010

Um rei para a crise

A esquerda adora gastar o dinheiro dos contribuintes e adora a função pública, e percebe-se porquê – não tem patrão e se não trabalhar não vai para o desemprego. Por isso a esquerda não faz contas, gasta, e enquanto gasta, gosta de falar nos pobrezinhos. Esta introdução vem a propósito da aturada demanda do partido socialista em busca do seu candidato presidencial.
Se dependesse de Sócrates seria Cavaco mas com Alegre na disputa essa escolha poderia dividir a esquerda de forma irremediável. Nada que preocupe o actual primeiro-ministro que em nome das aparências vai empurrando o assunto com a barriga. Cavaco Silva, por sua vez, embalado pelo casamento gay teria a oportunidade de trair (novamente) o seu eleitorado em nome dos superiores interesses do crédito e do défice. A traição no segundo mandato é um costume arreigado e faz parte daquilo a que se convencionou chamar… ética republicana!
Mas em tempo de crise existe um bom argumento, talvez o único, a favor da escolha de Cavaco para candidato do sistema: - sai mais barato ao erário público.
Recordemos que os portugueses já sustentam o estatuto e as mordomias de três ex-presidentes (Mário Soares, Eanes e Sampaio) e se Cavaco não for reeleito passaríamos a sustentar quatro, além do próximo efectivo!
E se não tivesse havido reeleições (Soares e Sampaio), contrariando aliás o espírito fracturante da república, pior seria!
Pensar que a rainha de Inglaterra chegou a conhecer, imagine-se, o Craveiro Lopes!
Mas nós somos ricos e inteligentes, não há nada a fazer.

Saudações monárquicas

domingo, maio 23, 2010

Rir ou chorar!

Se eu escrevesse um diário (para mais tarde recordar) na página reservada ao dia de hoje teria de mencionar alguns factos incontornáveis, por exemplo: - abro a televisão à hora do jantar para saber das notícias, percorro os canais portugueses e só existem três assuntos – a selecção, Mourinho, e uma entrevista com o treinador do Benfica! Insisto no zaping e ainda apanho o Marcelo a falar do Mourinho e a aconselhar os portugueses a aceitarem tudo, incluindo Sócrates, em nome do défice!
Decido ir ler qualquer coisa e enquanto pego e não pego num livro oiço o desenvolvimento das notícias. Aqui fica o essencial:

A selecção e o seleccionador foram assobiados na Covilhã porque o numeroso público que acorreu àquela cidade serrana queria que a selecção treinasse mais tempo. Alguns espectadores (e espectadoras) visivelmente revoltados disseram, e cito – que aquilo não era treino nem era nada, e que Queiroz não se compara com Alcochete e com o Scolari! Explicaram que Scolari treinava com a selecção a pensar no povo!
Mas o povo está com a selecção e a prova é que amanhã (dia de trabalho) se espera nova enchente na Covilhã pois estarão frente a frente Ronaldo e companhia e a perigosíssima selecção de Cabo Verde.

A outra notícia é Mourinho porque Mourinho é o herói do momento! É o português que ganha num país que está sempre a perder, e ainda por cima ganhou à senhora Merkel! Sim, ganhou à nossa patroa, àquela alemã (de leste) que nos aumentou o IVA e o IRS! Só por estes meandros, que o coração explica mas a razão desconhece, se podem compreender os elogios e a exaltação nacional.

Jorge Jesus e o nacional benfiquismo tinham que fazer a sua aparição para de certo modo unir o êxito de Mourinho aos seis milhões, ao governo de Sócrates, ao Xanana, a Santa Comba, perdão, à Covilhã, eu sei lá…

E falta o Marcelo mas eu já disse tudo, melhor dito, o Marcelo é que disse tudo – tal como o nosso presidente o discurso do professor segue pela mesma via economicista reduzindo tudo á necessidade de obter crédito! Qualquer dia…

Saudações monárquicas

quinta-feira, maio 20, 2010

O circulo a fechar-se

Tal como no processo da Casa Pia, e quando está em risco um dos seus, a irmandade cerra fileiras e acontecem coisas misteriosas como esta - Mota Amaral decidiu que as escutas enviadas pelo juiz de Aveiro para a comissão de inquérito podem ser consultadas mas não podem ser utilizadas como meios de prova! Invoca em seu benefício um artigo qualquer da constituição que defende o sigilo e a inviolabilidade da correspondência! E ficamos assim, meio aparvalhados, a pensar se o João Bosco não fará parte da frota dos submarinos que andam a torpedear este país!
Porque ocorre desde logo uma pergunta: - se as escutas não servem para nada então para que foram requisitadas?! Gabinete de leitura?!
Mas é claro que servem, servem sobretudo para o esclarecimento da verdade e esse é que é o problema. Problema que não deve ser pequeno atendendo ao adjectivo utilizado por quem já as consultou - Pacheco Pereira admitiu que eram ‘devastadoras’!´
Percebe-se portanto o empenho de Mota Amaral em reduzir danos, como já tinhamos percebido a atrapalhação do procurador geral da república e a pressa do presidente do supremo em destruir as escutas que envolvessem Sócrates.
Aqui chegados, com tudo percebido, podemos adivinhar qual será o destino desta comissão de inquérito: - Pacheco Pereira que ainda tem um pingo de vergonha há-de bater com a porta; João Oliveira é combativo mas o partido está primeiro que a verdade; os imberbes do CDS não querem ouvir falar em escutas o que é no mínimo estranho! Terão rabos de palha?! Ou também têm submarinos?! Quem é que resta?? Resta o relator, que parece um político sério, mas foi reduzido nas suas capacidades graças à intervenção do Anacleto Louçã; e resta o PS com a Catarina do Pedroso e o Rodrigues dos gravadores! Convenhamos que nestas circunstâncias o futuro da comissão de inquérito não vai ser brilhante. E já nem falo do casamento do Sócrates com o Passos perdidos. Não tarda e temos aí o primeiro rebento - a união nacional... do défice.

terça-feira, maio 18, 2010

Estado não defende a família

Com a promulgação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, Cavaco Silva não defendeu nem o casamento nem a família. Ao contrário, entre considerandos desajustados, relativizou conceitos, o que nos leva a pensar que também não percebeu (ou não quis perceber) a mensagem do Papa!
A partir de agora, o casamento, enquanto instituição prevalecente para a constituição da família, perdeu identidade, e perdeu por isso protecção, uma vez que passou a albergar uma série de situações e uniões que pouco têm a ver com pai, mãe, filhos, avós, netos e bisnetos.
As desculpas de Cavaco não convencem: - a crise económica e as dificuldades de crédito misturadas com valores e princípios fundadores de uma sociedade ou de um país, não me parecem um bom argumento, especialmente para quem tem a obrigação de saber distinguir entre o efémero e o permanente. A crise portuguesa deve ter causas mais fundas que a economia e as finanças.
A segunda desculpa é um tratado de descrença política - com efeito, dizer que o poder de veto é inútil quando existe a convicção que o diploma será de novo aprovado no parlamento e que nessas circunstâncias acabaria por ser promulgado, (agitando outra vez o argumento economicista que tempo é dinheiro), é desvalorizar o cargo que ocupa, os poderes que lhe foram confiados e, mais grave que tudo isso, transmite um sinal de rendição a todos os portugueses. Especialmente àqueles que nesta hora esperavam ter em Belém alguém que pensasse (e sentisse) como eles.
Não foi assim e não será assim, infelizmente.

segunda-feira, maio 17, 2010

Em nome do euro!

Primeiro foi a fuga desajeitada, como quem foge ao destino. Depois fugimos às nossas responsabilidades e interesses - para trás ficou o mar da nossa independência e ficaram guerras civis intermináveis. Fomos aceites em nome da democracia (!) e de uma série de condições que nunca discutimos ou negociámos. Por via disso escondemos as consequências e evitámos submeter a realidade ao veredicto popular. Não havia alternativa, diziam! Como se uma nação com oito séculos de história não tivesse alternativa! A fuga em frente foi portanto a solução e para a justificar tornámo-nos mais europeus que a Europa! Aderimos a tudo, entusiasticamente, criámos uma nomenclatura bem nutrida, e a propaganda falava de fartura a todas as horas.

Até que chegou a hora da verdade. E o primeiro-ministro anunciou sorumbaticamente que acabou o crédito para pedintes profissionais! Os pedintes somos nós, e a jangada de Abril afunda-se lentamente. Ainda há quem acredite que descobrimos outra vez a Índia ou a China! Infelizmente é ao contrário, porque desta vez foram eles que nos descobriram! E descobrem-nos todos os dias, mas por terra, pois é através da união europeia que aqui chegam os produtos que arruínam as nossas empresas e lançam no desemprego milhares de portugueses.

Afinal onde está a união que nos protegia de tudo, até de nós próprios?!
E agora?! Com quem podemos contar?! Com a solidariedade externa?! Como?! Se não a praticamos internamente!
Mais obras públicas?!
Recorde-se que a única obra pública que consolidámos foi o enorme fosso entre ricos e pobres! No futuro será essa a obra emblemática do regime.

Por outro lado, o que sabemos do presente não é bom augúrio:

Sabemos que o estado não desemprega ninguém e continua a empregar compadres e comadres; sabemos que o governo, que os governos, continuarão a ser eleitos pelo funcionalismo público e pela legião de subsidiados; e sabemos que embora protestem irão defender com unhas e dentes a sua situação de privilégio; sabemos também, mas é como se não soubéssemos, que o império está debaixo do tapete, e por lá há-de continuar sem solução à vista; sabemos por fim que o regime é incapaz de se regenerar por dentro;

E sabemos, porque é notícia, que a estátua de Salazar vai ser reerguida em Santa Comba. E que o nacional-benfiquismo está com o Xanana!
A república repete-se, sem solução, e desta vez é que emigro.


Nota básica: - Cavaco Silva tem hoje a suprema hipótese de usar os poderes que a constituição lhe confere para vetar o casamento entre homossexuais. Só promulgará a lei se quiser. Tem também a suprema hipótese de ficar na história de Portugal (e da Europa) como alguém que olhou para a defesa dos princípios que construíram este país, princípios que enformam o sentir da esmagadora maioria dos portugueses. Tem essa hipótese, essa responsabilidade e esse poder. E se vetar a lei terá ainda a hipótese, menos importante, é certo, de ser reeleito com maioria absoluta.
Eu tenho dúvidas sobre a sua coragem, mas retratar-me-ei se estiver enganado.

quinta-feira, maio 13, 2010

Bento XVI e o implante

O Papa não comete gaffes e a sua referência ao centenário da república, que é uma realidade, só pode ser interpretada como uma chamada de atenção para os riscos que correu o catolicismo com a implantação da república. Recordemos que Afonso Costa preconizava o aniquilamento da religião católica em duas gerações.
Daí o implante, e reconheça-se que ao menos na expressão encontrada os republicanos não mentiram! É de facto um corpo estranho introduzido na alma nacional, um postiço de origem francesa, tanto quanto possível contra a Igreja de Roma, tanto quanto possível contra a raiz cristã da população, tanto quanto possível a favor de uma europa napoleónica.
E assim tem funcionado, mas porque as dores sejam muitas, e enorme o perigo de rejeição, somos pontualmente anestesiados com doses cavalares de propaganda.
É evidente que eu podia ter evitado o assunto, podia fingir que não ouvi, mas perante o Mensageiro da Verdade e da Esperança, sinto-me obrigado a escrever estas linhas.

terça-feira, maio 11, 2010

Bodas de prata!

Ouvi agora Senhores
Uma história de pasmar
De um homem e uma mulher
Que resolveram casar!

Foi há vinte e cinco anos
E estão hoje a celebrar
São felizes, têm filhos
São crentes, sabem rezar!

O governo desconfia
Diz que o caso é passageiro
É a notícia do dia
Até o Papa cá veio!

Indiferente ao burburinho
Que esta história contém
Já meto os pés ao caminho
Para lhes dar os parabéns!

(Ao Duarte e Mariana)

sexta-feira, maio 07, 2010

Louçã nunca me enganou

Um bom título para a interferência que pretende fazer sobre a comissão de inquérito. Afinal não lhe interessa saber a verdade mas apenas a verdade que lhe interessa! Pois se é o próprio juiz do caso que considera aquelas escutas indispensáveis para se perceber o negócio que é objecto da comissão, não se entendem os pruridos de Louçã! Ou entendem-se, mas noutra perspectiva...
Facto é que ficam diminuídas as capacidades do relator (que como se sabe é do seu partido) e afectadas as suas conclusões.
E não vale a pena tentar confundir as pessoas com a separação de poderes. Os meios de prova são os meios de prova, e se forem legais, tanto servem para os tribunais julgarem como para as comissões politicas concluirem. A diferença é que os tribunais produzem sentenças a que correspondem penas ou absolvições, enquanto nas comissões os factos servem para retirar ilacções de natureza política. Aqui não há sentença, nem pena, nem absolvição. Explico melhor, se este postal fosse uma comissão de inquérito podíamos concluir... que Francisco Louçã deixou cair a máscara.

quinta-feira, maio 06, 2010

A representação a que temos direito!

Um dia, prevejo que não muito distante, aquela casa será encerrada! Dizem que é a casa da democracia! Dizem que ali trabalham os nossos representantes! Mas eu não me sinto representado. E não devo estar sozinho neste sentimento.
Com efeito, depois de assistirmos ao patético episódio do ‘carteirista’ de gravadores, com tantas semelhanças com o episódio Pedroso (!), ficamos com sérias dúvidas sobre a representatividade quer da assembleia quer das leis ali aprovadas!
Mas se temos dúvidas também temos certezas. Assim, admito que se sintam representados alguns indivíduos e interesses, minoritários por enquanto - estou a pensar em abortistas e pedófilos, em carteiristas ou burlões. Tenham ou não colarinho branco. Outro grupo bem representado são
os iberistas, pessoal que aprecia a dependência e renega a raiz! Isto também não é novidade.
Haverá excepções?! Há concerteza, para confirmar a regra.
Por isso, podem fazer os PEC’s que quiserem, planos para isto e para aquilo, que nunca serão cumpridos. Para serem cumpridos era preciso que tivéssemos confiança neste regime e nestes políticos. E não temos. E sem confiança não há produtividade nem investimento.

terça-feira, maio 04, 2010

Subsídios para o centenário

Com a devida vénia transcrevo alguns estados de alma que nos podem ajudar a compreender os festejos que se anunciam para o centenário da república:

- “Portugal parece cada vez mais um Titanic ibérico. (…) Será que há vida para além do défice? Não, não há.”
Paulo Pinto Mascarenhas – jornal (i)

- “Se é exagero dizer que nos encontramos economicamente falidos, é para aí que caminhamos politicamente e é aí que já estamos eticamente. Sim, somos um país eticamente falido.”
Vicente Jorge Silva – semanário Sol

- “O português comum vive na incerteza de um conflito social de consequências imprevisíveis.”
Baptista Bastos – Jornal de Negócios

- “O cinto que Mário Soares um dia pediu que apertássemos (…) já não tem mais furos.”
Pedro Santos Guerreiro – Jornal de Negócios

Como se vê optimismo não falta mas curiosamente (ou talvez não) nem uma palavra sobre o regime político! Parece ser tudo uma questão de economia e finanças! Verdade que já se ouvem vozes apontando para a deficiente instrução (educação é outra coisa), para a inexistente justiça, mas na televisão só aparecem sábios a recitarem estatísticas, percentagens e juros!
Mas eu juro que há uma questão política por resolver. E suporto a minha crença na célebre frase de Maurras – ‘Politique d’abord'.

Saudações monárquicas


Fonte das transcrições – jornal Público de 24/04/2010.

terça-feira, abril 27, 2010

O preço de uma mentira

Está em funcionamento na AR uma comissão de inquérito para averiguar aquilo que todo o país sabe – que o primeiro-ministro mentiu no parlamento quando disse que desconhecia o negócio sobre a compra da TVI pela Portugal Telecom! Uma mentira que as circunstâncias do negócio e as escutas (destruídas ou não) se encarregaram de provar. Pois bem, perante este cenário, o mais lógico seria admitir o erro e assumir as consequências, que poderiam passar por um conjunto de explicações ao parlamento, e no limite, por um pedido de demissão. Pelo menos era isto que aconteceria num país normal e com um primeiro-ministro também normal.
Mas não, em Portugal sobrepõem-se outros interesses, e o que interessa é esconder a verdade aos portugueses mesmo contra todas as evidências!
É mais ou menos isto o que se está a passar na comissão de inquérito onde um conjunto de deputados tenta esclarecer o assunto enquanto o partido do governo faz os impossíveis para calar os depoentes!
E nós, que assistimos a tudo, não podemos deixar de estabelecer duas conclusões: - em primeiro lugar, só num país muito rico é que se pode perder tanto tempo (e dinheiro) com uma mentira; em segundo lugar só num país muito pobre é que uma mentira é tão importante para a defesa do governo e do regime!
Este é o meu depoimento.

domingo, abril 25, 2010

Maioria silenciosa, quem te representa?

Li algures que Cavaco Silva se prepara para vetar o ‘casamento gay’ - um mero título de jornal cujo conteúdo não fui averiguar. Mas foi o suficiente para imaginar uma série de coisas que se iam arrumando na minha cabeça: - em primeiro lugar e dependendo dos motivos que invocasse para o veto, se esses motivos revelassem a firmeza de defender os princípios em que assenta o velho Portugal, admiti desde logo que teria garantida a sua reeleição. E de forma esmagadora. Digo isto porque o ruído que as ‘vanguardas’ produzem sobre este assunto, (ruído que a comunicação social amplifica), não corresponde ao pensar da generalidade da população. O povo é conservador no verdadeiro sentido do termo, ou seja, conserva os valores e os princípios que garantem a sua sobrevivência como comunidade. É uma atitude natural, instintiva. Sucede que esta grande maioria silenciosa há muito que perdeu qualquer ilusão sobre a classe política e sobre aqueles que a dizem representar. Por isso se abstém nas eleições ou mesmo nos referendos. Aliás, como poderia acreditar em pessoas que propõem e aprovam leis que atingem a dignidade humana (no caso da legalização do aborto) ou desqualificam a família (como o dito casamento gay)?! Que garantias de representação e sobrevivência pode dar um regime destes e gente desta?! Obviamente nenhumas.

Houve tempos em que a garantia de sobrevivência (contra as ambições externas e desvarios internos) assentava na aliança histórica entre o povo e o rei. E porquê com o rei?! Porque este era o aliado natural, ‘a figura humana da pátria’, representava a sua continuidade e perenidade. Melhor representante, melhor e mais seguro aliado, não podia existir.
Essa aliança foi entretanto destruída por aqueles que ocupam hoje o poder. São eles que lançam os foguetes, são eles que celebram o dia, são os mesmos que festejam o centenário da república! Já agora, aproveitem e perguntem-lhes porque é que estão contentes?! Será por sermos o país mais desigual da Europa?! O mais dependente?! O mais falido, juntamente com a Grécia?! Vão lá, dirijam-se à assembleia da república, interrompam a sessão solene, e perguntem-lhes.

quinta-feira, abril 22, 2010

Hoje, o insólito!

Isto pode tornar-se um vício mas ontem ainda tive coragem para assistir à segunda sessão do canal parlamento. O guião era o mesmo mas com protagonista espanhol. Ongoing para a frente, ongoing para trás, eram pérolas de alta gestão que saiam da boca de nuestro hermano! Jurava que com seiscentos milhões lá metidos nunca cederia às pressões do governo fosse para o que fosse. Devia essa lealdade aos accionistas. Eu ouvia e pensava com os meus botões… como é diferente o negócio em Portugal! Aqui, os empresários (e os conselhos de administração) não só admitem como gostam que o governo interfira nas suas empresas. Vão até ao ponto de não poderem viver sem os favores e as contrapartidas do estado. Mas o filme prosseguia quando um dos comissários mais impertinente lhe fez a seguinte pergunta: - se o senhor diz que a administração de que o senhor faz parte, não aceita interferências do governo nos seus negócios, mas acatou a ‘recomendação’ do ministro para acabar com o negócio… pergunto-lhe… e se o ministro ‘recomendasse’ a continuação (ou o reinicio) do negócio… o conselho de administração continuava a obedecer?! A questão ficou a pairar e o espanhol perdeu um pouco o salero.

Hoje, na matinée, aconteceu o insólito: - Em lugar da longa-metragem prometida saiu-nos o cinema mudo! O jovem gestor, inesquecível benemérito de dragões, águias e leões, e grande revelação da última série sobre a ética, não estava nos seus dias! Fez-se de vítima e remeteu-se ao mais profundo silêncio! Ninguém lhe conseguiu arrancar uma palavra.
Se isto pega, acabam-se os filmes, acabam-se as comissões, acaba-se a assembleia… enfim, uma tristeza.

quarta-feira, abril 21, 2010

Canal Parlamento – os melhores filmes!

Excelente iniciativa do canal parlamento, uma temática que se repete, basicamente ligada ao tráfico de influências e associação de malfeitores, sempre interessante de ver e com óptimos actores! Em síntese, uma semana ou quinzena que promete, e se arrisca a ganhar a guerra das audiências.
Hoje vi em reprise – ‘Ele sabe mas não pode’, filme que nos conta a odisseia de um jovem e talentoso advogado impedido de falar por força do segredo de justiça e dos códigos deontológicos!
Nascido para a política no aviário das juventudes partidárias, o nosso herói vive um drama singular – é consultor jurídico de uma empresa que quer comprar outra para calar uma jornalista incómoda. Só que a empresa compradora detém capitais públicos importantes e isso leva à suspeita de um golpe para controlar a comunicação social. Inocente, enredado numa trama da qual não consegue libertar-se, cai nas mãos dos comissários políticos que o interrogam até à exaustão. Em sua defesa só tem o seu partido, que por acaso está no governo.
Um filme a não perder, muito realista, onde se fica com a noção de que nestas grandes empresas ninguém fala com ninguém, e portanto, ninguém sabe nada dos negócios uns dos outros! Nem o estado, quando devia saber.