sexta-feira, fevereiro 24, 2017

Portugal no fio da navalha!

Num cenário cada vez mais parecido com os finais da primeira república, ainda sem bombas nem revoluções diárias por que senão a mesada europeia acabava-se, a verdade é que o confronto político subiu de tom e o inquilino de Belém está cada vez mais enredado na teia dos seus afectos! Sendo assim e para variar vou transcrever alguns comentários que fiz no jornal Observador a propósito dos temas mais candentes da actualidade política.


(Porque somos uma sociedade atrasada)

Só uma sociedade atrasada é que ainda mantém partidos comunistas com alguma expressão eleitoral. Isto é uma verdade evidente. Está à vista de todos. Basta olharmos para os países mais desenvolvidos da Europa onde os partidos comunistas ou desapareceram ou não têm hoje qualquer relevância política. Mas há uma pergunta que não podemos deixar de fazer a nós próprios - mas onde é que nos atrasámos, melhor dito, o que é que nos atrasou?! E continua a atrasar?! Há quem afirme, e eu concordo, que os nossos políticos ainda estão no século dezanove, mas isso não é uma explicação, é um facto. Explicar as causas desse anacronismo é que interessa saber. Para corrigir. O resto é conversa fiada. Eu tenho um palpite mas não digo.


(As ilusões sobre o fim da crise)

Mas quem é que tem ilusões sobre o fim da crise?! Ninguém! E é precisamente por isso que o governo e os seus acólitos não param quietos e todos os dias tentam distrair a população com uma balela qualquer. Agora são os offshores e as fugas ao fisco no tempo do Passos Coelho! Não há pachorra.
Sobre o fim da crise a única verdade que conta é esta: - Quando houver um português com a confiança suficiente para assumir o risco de investir o seu dinheiro no seu o país, então sim, a crise acabou. E todos saberemos disso ao mesmo tempo. Até lá é tudo mentira.

(Um governo sob suspeita)

'As suspeitas se não chegam para derrubar um governo (em Portugal) chegam talvez para desacreditar um regime'! Uma previsão cada vez mais próxima. Tão impossível de acontecer como o fim da união soviética e já agora o fim da união europeia. Será aquilo a que chamamos uma surpresa esperada. O clima trauliteiro e de golpes baixos ainda não desceu à rua, por enquanto mantém-se e desenvolve-se nas altas esferas de uma nomenclatura cada vez mais dividida. Mas porque estamos completamente dependentes do exterior, à mínima falha que dali provenha, o país pode incendiar-se. E nessas circunstâncias Marcelo não tem condições para ser bombeiro. E nem vejo quem possa sê-lo!



Saudações monárquicas

quarta-feira, fevereiro 22, 2017

A caixa da Mariquinhas!

Não são cortinas de ferro nem há muros de silêncio, por enquanto são apenas umas tabuinhas, um resguardo discreto para evitar olhares indiscretos. Os portugueses podem estar sossegados, confiem em nós porque nós só queremos o bem da nação! A Caixa é do povo, as tabuinhas protegem a caixa, protegem o sistema financeiro, protegem os clientes. No fundo protegem o povo. Além do mais as tabuinhas estão na constituição, é a nossa privacidade que está em jogo! Já imaginaram o que seria a Caixa sem tabuinhas?! Era uma vergonha! Via-se tudo! Viam-se os créditos de favor, viam-se os beneficiários desses créditos, conheciam-se as imparidades, o enriquecimento sem causa, as causas da falência da Caixa, via-se a manjedoura da terceira república em todo o seu esplendor! Portanto as tabuinhas fazem falta. Já me esquecia, acabava-se a novela dos SMS, apanhavam-se os mentirosos e, muito importante, a mitologia da banca pública, a sua celebrada seriedade e transparência, caiam por terra! Mais uma razão para a esquerda defender as tabuinhas. É o nosso fado. Pobre Caixa, coitada da Mariquinhas.


Saudações monárquicas

sábado, fevereiro 18, 2017

Republicanos fiáveis...

Republicanos completamente fiáveis não há. E não há desde logo porque mantêm, consciente ou inconscientemente, aquele recalcamento, filho do egoísmo, e que se traduz na incapacidade de abdicarem do seu direito à chefia de estado em nome de um valor maior - a paz e a prosperidade da comunidade que dizem amar acima de tudo! Neste sentido também são mentirosos. E hipocritamente preferem participar (ou assistir) à luta de galos em que inevitávelmente se transforma qualquer eleição para a chefia de estado. Onde escrevi 'galos' pode ler-se, porque a acepção é mais verdadeira, luta de facções, de interesses, sempre obscuros, em suma,  uma luta que tem pouco a ver com a unidade que se pretende na representação do todo nacional. Por isso a ciência política ensina que as repúblicas passaram a monarquias como única solução para acabar com aquela guerra civil latente e assim manter a integridade das pátrias. O intróito acaba aqui e para quem visita estas páginas já não é novo. E vou repeti-lo sempre.

E é desta maneira que entramos nas 'quintas-feiras e nos outros dias' de Cavaco Silva, um dos republicanos mais fiáveis desta terceira república. É verdade que teve os seus pecados políticos, mas só o facto de ter aturado, às quintas feiras, o nosso conhecido engenheiro Sócrates, isso vai dar-lhe algumas indulgências na hora de enfrentar o juízo final. Mas para além de Sócrates aquelas páginas são a melhor legenda para o que acabei de escrever acima. A república é aquilo, é aquela guerra suja, permanente, sejam quais forem os protagonistas. E desta guerra ninguém sai incólume. Nem Cavaco.


Saudações monárquicas

quinta-feira, fevereiro 16, 2017

Henrique de Bragança

Morreu ontem o infante Dom Henrique, o irmão mais novo do Duque de Bragança. Morreu com a mesma discrição e simplicidade com que viveu! De porte pesado, dos três irmãos era o mais parecido com o seu trisavô, o rei Dom João VI, morreu ainda novo, tinha apenas sessenta e sete anos! Tal como os seus irmãos, nasceu no estrangeiro, mais própriamente na Suíça, no tempo em que os príncipes portugueses estavam proibidos de nascer em Portugal! O regresso à Pátria só foi possível durante a segunda república e terá sido negociado entre Salazar e os poderes ocultos desta terra que um dia já foi livre e nossa.
Dom Henrique teria desaprovado esta última farpa pois não gostaria que se aproveitasse a sua morte para invectivar seja quem for! Mas eu que não tenho a sua nobreza não consigo apagar isso da memória.

Em meu nome e por certo de quem me visita, o interregno apresenta á Família Real sentidas condolências.

quarta-feira, fevereiro 15, 2017

As mentiras do ministro ou a mentira do regime!

Pouco me importa que o ministro tenha mentido. E todos sabem que mentiu, excepto provávelmente o próprio! Importa-me mais a confiança, um ponto de apoio onde possa alicerçar o futuro e esse a república não o consegue construir. Sim, porque a confiança é de facto uma construção, bem morosa e difícil, seja entre pessoas seja numa comunidade que é suposto ser histórica! Mas ainda o será?! Histórica no único sentido possível, com uma identidade comum sendo que essa identidade se mede em valores que sobrelevam os séculos e nos distinguem de outras comunidades pois senão não haveria razão para seguirmos um caminho independente. E a pergunta repete-se - seremos ainda essa comunidade fundada por um rei que usava uma Cruz no escudo com que se protegia dos infiéis?! Ou somos apenas mais uma guerra civil democrática em processo acelerado de decomposição?! Ah, pois, já me esquecia, ainda temos o Ronaldo como prova de vida e camisolas para oferecer! Que pobreza! Que tristeza! E que futuro! Mas temos mais e temos tudo tão parecido com as repúblicas anteriores que até dói! O mesmo devorismo, o mesmo estado clientelar, a mesma corrupção, a mesma impunidade, a mesma injustiça. E muitos recordes a serem batidos! E que faz entretanto o governo e quem o apoia?! Faz de tudo para se manter... incluindo mentir!


Saudações monárquicas

terça-feira, janeiro 31, 2017

Histerismo anti-Trump!

A esquerda, e os seus companheiros de viagem, andam histéricos com a eleição de Donald Trump. Percebe-se que a esquerda não goste quando a direita ganha mas daí ao estado de histeria ainda vai alguma distância. A distância entre a saúde e a doença. Pensava-se que a histeria, misto de confusão e pânico, acometia sobretudo as mulheres mas, digo eu, em sociedades infantis e portanto muito dependentes, pode atingir vastas camadas da população. Principalmente aquelas que não pensam. E como não pensam julgavam (ou julgam) que as promessas eleitorais não são para cumprir. Seria assim: - Donald Trump prometeu reduzir os riscos do terrorismo e nesse sentido afirmou que levantaria os maiores obstáculos à entrada de pessoas oriundas daqueles países onde os Estados Unidos combatem (ou combateram) no terreno esse mesmo terrorismo. Entretanto foi eleito e, para os histéricos, não devia fazer nada ou então devia fazer aquilo que a candidata derrotada iria fazer se fosse eleita! Isto para um indivíduo infantil tem lógica, mas para um adulto não tem.

Mas há mais! Tem sido estranhamente silenciada uma das promessas de Trump e que também já cumpriu. Refiro-me ao corte de fundos públicos para financiar organizações estrangeiras que promovam o aborto. É, digo eu mais uma vez, um silêncio ensurdecedor! Ou será que todo este escarcéu contra Trump, e objectivamente a favor do terrorismo, não esconde a tremenda desilusão dos abortistas e eutanásicos, afinal os grandes promotores da morte… assistida?! Deixo a pergunta no ar.


Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Caixa suíça em Portugal!

Lido nos jornais* – “A Caixa Geral de Depósitos continua a recusar enviar ao Parlamento a lista com os maiores devedores, apesar de o Tribunal da Relação de Lisboa ter decidido que o banco público estaria obrigado a entregar a informação à Comissão de Inquérito”. E mais à frente também se pode ler a justificação para a recusa - “A Caixa não pode disponibilizar informação relativa a clientes”! O ponto de exclamação é meu.

Não conheço os pormenores deste caso, mas suspeito, também não conheço os finalmente, mas adivinho, e por isso estou convencido que este é, ou vai ser, o grande escândalo do regime, superando todas as casas pias, faces ocultas e operações marquês! É o maior desde logo porque os milhares de milhões de imparidades devem bater vários recordes incluindo espíritos santos e companhia! Mas é sem dúvida o maior porque a caixa tem sido a grande manjedoura desta terceira república! E só assim se percebe o argumento da confidencialidade suíça! Como se a Caixa fosse um qualquer banco privado, como se aos portugueses, através dos seus deputados, estivesse vedado o conhecimento da verdade! E a verdade aqui é muito simples: - ou foi má gestão anos a fio, o que é pouco provável atendendo às sumidades que passaram pela administração da Caixa, ou então existiram negócios de favor, naturalmente ilegais e ruinosos, e temos de saber o nome dos beneficiários. A comissão de inquérito está aí para esclarecer tudo isto. E eu também quero saber.

Saudações monárquicas


*CM de quarta-feira 25 de Janeiro 2017


Nota breve: Por momentos julgo estar num país civilizado, normal, e tenho esperanças lógicas, mas claramente desmedidas! Esqueço-me que em Portugal não há homens livres, ou se existem, andam desaparecidos. É por isso que a minha esperança nos deputados e na dita comissão de inquérito é simplesmente ridícula. Como se os dois partidos do centrão não tivessem sido os grandes beneficiários do regabofe em que a Caixa viveu nestes longos anos que já leva a república de Abril! E não é crível que tenham agora um remoque de consciência. Conclusão: - nunca saberemos nada.