quinta-feira, março 23, 2017

Mais a sério

O que o presidente do euro grupo veio realmente dizer é muito importante para o futuro da união europeia. Se é que ela vai ter algum futuro. A julgar pela unanimidade das condenações não me parece. E não me parece quando vejo tanta gente a mentir atrás de uma frase retirada do seu contexto! O holandês, para quem leu toda a entrevista, estava falar de uma coisa muito simples e que qualquer pessoa percebe. Disse ele que a solidariedade, seja entre pessoas ou nações, pressupõe sempre uma relação de confiança. E quando essa confiança é quebrada a solidariedade também se quebra! Qual é a dúvida?! A única dúvida só pode ser o desplante de algum mentiroso que, apanhado a mentir, continua a acusar os outros de mentirosos! Dou o exemplo da Grécia com quem nos vamos parecendo cada vez mais, mas para pior. Os gregos martelaram as suas contas anos a fio para continuarem a beneficiar da solidariedade dos outros países da união. Descoberta a marosca, quebrada a confiança, ainda protestaram durante algum tempo. Depois calaram-se e aceitaram um programa de recuperação que já não é de solidariedade, é terapêutico. Para curar as contas e as mentalidades. Se calhar é o que nós precisamos. E se o tratamento correr bem, agradeçam ao holandês.


Saudações monárquicas

quarta-feira, março 22, 2017

Os cágados!

Os cágados, maridos das tartarugas, mas muito mais cágados, gritaram a sua indignação porque o presidente do euro grupo, um holandês com nome difícil, disse que havia gente a gastar mais do que devia. E deu dois exemplos de dinheiro mal gasto. Álcool e mulheres! Foi o suficiente para pedirmos a imediata destituição do homem.

Os protestos começaram na zona do Alvarinho, apanharam toda a região demarcada do Douro, chegaram ao Porto, voltaram-se para a Bairrada, o carrascão exaltou-se, juntaram-se ao moscatel, ultrapassaram o Alentejo e só não embarcaram em Lagos porque o protesto já era muito e não deram com as caravelas!

Mas aquilo que mais destemperou o ânimo lusitano foi a insinuação de que gastávamos dinheiro com mulheres! Que não, que isso era dantes, os marialvas, agora não somos sexistas, é tudo igual, o holandês é um malandro xenófobo, e que isto é uma desculpa para não nos emprestar mais dinheiro. E pronto, por hoje é tudo.


Saudações monárquicas

sábado, março 18, 2017

A lista da terceira república!

Os ‘peregrinos de Évora’ e todos os que beneficiaram dos favores de César, incluindo aqueles que fecharam os olhos às suas diatribes, andam irrequietos. Dói-lhes a previsível acusação porque sabem que a presunção de inocência é, neste caso, uma mera figura de retórica. E escrevem livros a justificar condutas, álibis de trazer por casa, ou debruçam-se sobre os prazos, que acham exagerados, sugerindo que se devia arquivar o processo para sermos todos felizes como dantes. E há ainda quem proteste por estarem em causa os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos! Entre estes está Pacheco Pereira mas a sua preocupação maior parece ser outra e por isso sugere a partição do processo em vários! Pacheco tem medo que a ‘operação Marquez' se transforme no processo da terceira república, e isso ele não aguenta. Mesmo que seja verdade como tudo indica que será atendendo à teia de cumplicidades que todos os dias se vão descobrindo!



Saudações monárquicas

sexta-feira, março 17, 2017

Insultos do século passado!

Quando a expressão ‘comunista’ for um insulto igual ao de ‘fascista’, então os pratos da balança estarão equilibrados e podemos começar a falar de política. Até lá convém fazer uma desintoxicação semelhante à que se utiliza para as drogas pesadas ou para o alcoolismo. Em ambos os casos há esperança mas não há garantia de cura.

Eu fui de certo modo bafejado pela sorte, não bebo nem fumo e vacinei-me desde tenra idade contra a propaganda oficial. Leio pouco, evito os best-sellers, no cinema evito os óscares e na televisão vejo o Belenenses sem comentários. É uma receita caseira, útil e acessível a todas as bolsas.

Feito este preâmbulo podemos concluir que estamos muito longe de atingir aquele nirvana. O comunismo continua a ser tolerado e até bem visto enquanto fascismo e fascista continuam a ser ofensas que fazem mossa.

Pois bem, e a terapia começa aqui, a pergunta que nos fazemos é esta: - mas qual é a diferença (para quem insulta) entre um comunista e um fascista?! Dito de outra maneira: - o que é que há de bom ou mau num comunista que não se encontre num fascista?! 

Da resposta a esta questão depende muito o estado de saúde mental em que nos encontramos. É uma espécie de termómetro que mede os avanços da cura ou pelo contrário as recaídas na doença.



Saudações monárquicas


Nota básica: Nesta terapia ajudava muito se a Constituição tratasse de igual modo a direita e a esquerda, a extrema-direita e a extrema-esquerda.

quinta-feira, março 16, 2017

Factos históricos!

Sampaio dissolveu o parlamento onde havia uma maioria que suportava o governo e fez cair Santana Lopes. Um facto histórico. Escreveu agora um livro onde justifica tal decisão, dizendo que o país estava à deriva! Santana responde desafiando o antigo presidente para um debate público, civilizado, sobre a matéria. E vai acrescentando, com a evidência dos factos pelo seu lado, que se o país com ele estava à deriva, o seu substituto José Sócrates (apoiado no PS) encarregou-se de o meter no fundo. A pique. Outro facto histórico.

Mas há mais factos históricos para lembrar! Por exemplo, foi no consulado de Sócrates que o processo da Casa Pia se libertou dos políticos e da política, numa interpretação literal e muito curiosa da separação de poderes! Todos nos lembramos de quem foi a julgamento e de quem não foi.

Mas os grandes (e desastrosos) factos históricos que se seguiram à dissolução de Sampaio estão hoje na ordem do dia e não há nenhum português que não os conheça. Ou que não os adivinhe. Está tudo no 'processo do Marquez'. Até lá vão-se escrevendo livros…



Saudações monárquicas

segunda-feira, março 13, 2017

Todos os caminhos vão dar ao Marquez!

Há bancos desfalcados, há caloteiros e calotes por pagar, há transferências para offshores que desaparecem, outras que aparecem, há apagões fiscais selectivos e há grandes empresas mortas mas que ainda há pouco tempo pareciam gozar de excelente saúde! Há políticos suspeitos, gestores suspeitos, advogados suspeitos e até juízes suspeitos! A comunicação social independente não existe e há uma população embasbacada, amorfa, a olhar para tudo isto como se estivesse a ver um programa de televisão! E temos o futebol como droga de eleição, e biombo perfeito onde se escondem trafulhices e euros!

O país é pequeno e já se percebeu que há um fio condutor que liga muitos daqueles acontecimentos à operação Marquez e ao ex-primeiro ministro José Sócrates. E se puxarmos a ponta do novelo é bem capaz de vir tudo atrás – o regime republicano e a tralha que o mantém. Será essa a razão do nervosismo geral e da crispação que entretanto se vive. Convém não esquecer que o actual primeiro-ministro era o número dois no governo de Sócrates e por mais hábil que seja vai ser muito difícil passar nos intervalos da tempestade que se anuncia. Pois vem aí a provável acusação aos arguidos da ‘Operação Marquez’! Veremos, depois disso, o que sobra dos afectos de Marcelo e do optimismo do Costa.

Saudações monárquicas



Nota básica: Também não descarto um longo impasse, com muitos recursos, seguido de uma grande amnistia. Estamos em Portugal, vivemos em república, onde a justiça tem dois pesos e duas medidas. E todos concordam com isso.

quinta-feira, março 09, 2017

Fechem as universidades!

Os meus impostos não podem servir para fabricar ‘doutores’ que limitam a liberdade de expressão a quem não pensa como eles! E também não podem servir para fabricar reitores que têm medo dos alunos, nem ministros que têm medo dos reitores, etc! E não servem porque não precisamos de formar mais gente para reproduzir o pensamento único, o partido único, e todas essas ‘amplas liberdades’ de inspiração soviética! O que temos já é mais do que suficiente como os recentes atentados à liberdade de expressão amplamente comprovam! E não me refiro apenas ao episódio dos alunos que não queriam ouvir Jaime Nogueira Pinto, nem ao reitor que teve medo dos alunos, estou a pensar num conjunto de proibições ‘constitucionais’ que vedam ao comum dos portugueses o conhecimento da verdade, ou pior ainda, limitam as suas liberdades políticas. Só para dar dois exemplos - a proibição de mudar o regime republicano, incrível atestado de menoridade aos portugueses actuais e vindouros, ou a impossibilidade de sabermos quem são os caloteiros da Caixa ainda que tenhamos que pagar o respectivo calote!

Pois é, verdadeiramente o PREC ('processo revolucionário em curso') nunca acabou. Como já tenho escrito vivemos numa ditadura constitucional de esquerda, sendo que a dita constituição, e nas várias revisões que sofreu, nunca perdeu a matriz original. Foram truques de cosmética, nada mais. É uma constituição antidemocrática ao melhor estilo soviético. Veja-se aliás quem a defende com unhas e dentes! Acresce que a miríade dos seus artigos (mais de trezentos!) não é inocente. Permite que os tribunais superiores, todos eles dominados pela nomenclatura, mantenham tudo como está. Assim, e sem grande alarido, estamos a construir uma sociedade acéfala, monolítica e medrosa. Para não dizer merdosa. 


Saudações monárquicas