Quarta-feira, Julho 15, 2009

Almada, Tejo e depois…

Almada, Tejo e agora
Canto o que falta cantar
Canto a cidade encantada
Numa quadra popular!

Arraial por São João
É festa rija em Almada
O Tejo salta o pontão
Numa onda apaixonada!

Tenho Almada à minha espera
O Tejo faz-me esperar
Eu hei-de ir ao São João
Nem que tenha que nadar!

O Tejo namoradeiro
Traz Almada no beicinho
São João que é padroeiro
Faz questão em ser padrinho!

Almada atira-se ao Tejo
São João está-se a afogar
Ou vamos ficar sem festa
Ou sou eu a delirar!

São João tem dois desejos
Num manjerico dos seus
Almada com mil festejos
O Tejo da cor do céu!

Vou até à outra banda
Com o Tejo folgazão
Almada anda e ciranda
Nas marchas de São João!

Há canções ao desafio
Vai São João a passar
Almada toda é um rio
E o Tejo parece o mar!

Almada, Tejo e agora!
O São João acabou
O povo já foi embora
Só a saudade ficou!

Almada, Tejo e depois
Um sentimento profundo
As festas da nossa terra
São sempre as melhores do mundo!

Quarta-feira, Julho 08, 2009

A casa verde e encarnada

É provável que os cem anos se festejem com uma longa amnistia onde caibam todos os crimes. Desde a pedofilia de estado ao favorecimento político, passando pelo enriquecimento ilícito. Grandes beneficiários serão os partidos do arco do poder mas comunistas e afins também serão contemplados.
O pacto de regime tentará calar o descontentamento popular com medidas avulsas, segurando até ao limite cargos e mordomias. Serão os treze anos de guerra desta terceira república! Se a Europa aguentar, obviamente.
A corroer os fundamentos subsistem todos os vícios conhecidos, o escândalo diário, a justiça que não existe, e o risco eminente de fracturas partidárias.
‘Zangam-se as comadres…’, diz o povo, foi assim que acabou a monarquia constitucional.
É assim quando os regimes deixam de ser representativos.

Saudações monárquicas

Segunda-feira, Julho 06, 2009

O Belenenses nunca desce?!

Esta é a pergunta que me acompanha desde que saio até que entro outra vez em casa. Entre sorrisos de escárnio e mal dizer, quem me pergunta, não quer ouvir a resposta, só quer fazer a pergunta. Por isso e para os interessados tenho que lavrar a presente acta que vai conforme a resposta original, a saber:

O Belenenses, na sua qualidade de único clube que ainda não é satélite de nenhum dos ‘três clubes do estado’, está condenado a ser sempre convidado para participar neste campeonato a fingir. Porque seja sueca ou bridge, falta claramente um parceiro, nem que seja para fazer de ‘morto’.
Os clubes suportados pelas regiões autónomas seriam uma hipótese a considerar, desde que alguém estivesse disponível para pagar as passagens.
Quanto aos restantes, nada feito! Ou gravitam na órbita de Benfica e Sporting, ou são satélites do Porto. Não vale portanto a pena perder tempo com clones ou duplicados. Sujeitos a desaparecerem mal se esgote o interesse do respectivo protector.
Por isso, por mais secretarias que inventem, por mais descidas que aconteçam, a realidade é mais forte – o Belenenses existe. E existe por si.

Saudações azuis.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Cortesias em São Bento!

Eu sou do tempo em que Portugal e o mundo se confundiam. Tenho portanto quinhentos anos! Nesse tempo corriam-se touros a sério, as touradas eram um espectáculo divertido, e o povo dava por bem empregue o seu tempo!
Bons tempos que não voltam mais…
Agora estamos reduzidos a animais de pequeno porte que nem para garraiadas servem! Ensaiam gestos, fazem umas cócegas uns aos outros e correm a refugiar-se nas tábuas.
Foi o que aconteceu ontem durante as cortesias em São Bento. Um ministro acabou corrido e um dos ‘inteligentes’ ficou-se a rir! Cenas tristes.
E o povo ainda tem que pagar para ver isto!

Sexta-feira, Junho 26, 2009

E que tal falar de política?!

É admissível que um monárquico convicto se dedique a fazer quadras para o São João enquanto o país está mergulhado numa crise política profunda?! Uma crise que (de acordo com os analistas) pode levar à substituição de Sócrates por Manuela Ferreira Leite?!
A resposta é óbvia: - sim, um monárquico pode continuar a brincar ao São João, deve aliás distrair-se como puder, se essa eventualidade vier a acontecer.
Porquê?!
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Passo a explicar: - ser monárquico, aqui e agora, só tem um significado – é alguém que acredita que os problemas decisivos do País não se resolvem, sem resolver primeiro a questão do regime. Dito de outra forma – Portugal não tem um problema de governo mas um problema de regime. Problema, no sentido que este regime (republicano) não serve.
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Se isto for verdade, e eu estou convencido que sim, a mera substituição de Sócrates pela Manuela não serve para nada. Aliás, se a alternância servisse para alguma coisa, os trinta anos de rotativismo social-democrata já tinham resolvido os nossos problemas. E a verdade é que não resolveram. Pior, agravaram a situação, endividaram os portugueses, estamos cada vez mais dependentes e perdemos horizontes!
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Mas o melhor argumento para as quadras do São João (e que define bem a perversão do regime) é o seguinte: - Sócrates não está no poder por ser socialista ou social-democrata, por ser mais favorável aos grandes investimentos públicos ou aos pequenos investimentos privados, ele está no poder porque tem sido até agora quem melhor serve a estratégia dos donos do regime. Por isso concita apoios em sectores aparentemente contraditórios, desde a banca aos grandes escritórios de advogados, desde as grandes empresas privadas às corporações mais influentes!
Alguns e algumas fazem-lhe oposição em público mas não deixam de o apoiar no essencial.
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No caso da Ferreira Leite seria a mesma coisa. Também por isso, ela só será eleita se (e quando) servir melhor que Sócrates aqueles interesses específicos. É esta a lógica do regime. É esta a lógica nos regimes onde os árbitros são eleitos e por isso também jogam. Com esta lógica percebe-se que os indigitados pouca influência tenham no desempenho dos seus cargos.
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E esta é uma razão decisiva para eu continuar a ser monárquico – é que os tais ‘interesses específicos’ não correspondem aos interesses dos portugueses nem de Portugal. Se correspondessem, não permaneceríamos, como um estigma, na cauda de todas as europas!
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Estão justificadas as quadras e está justificado o alheamento.

Saudações monárquicas

Noite de São João

Uma noite como esta
Feita com arco e balão
Lancei foguetes na festa
Deixei lá o coração!

Um coração que perdi
Um coração que era meu
Ninguém sabe o que perdi
Ninguém sabe o que perdeu!

Manjerico dos desejos
Cada qual tem o seu
Quando será que te vejo
Quando será tu e eu!

Ando tonto na cidade
Corri tudo e tudo em vão
Onde estão os olhos verdes
Que não vi no São João!

Quarta-feira, Junho 10, 2009

Dez de Junho

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!
Se cumprisse o seu destino
Que poema nos dizia?

Seriam versos de pranto!
De desgosto e desencanto!
Ou acordes de alegria!

Se por acaso passasse
E por aqui se perdesse
Que diriam os seus olhos
Se visitasse o País?

Veriam cravos e rosas!
Ou uma árvore sem raiz!

E dou por mim neste enleio
Que alimenta o receio
Que dá força à fantasia…

O que diria o poeta
Se visitasse este dia!

Segunda-feira, Junho 08, 2009

‘O jogo das escondidas’

Quando éramos miúdos era um jogo obrigatório, a gente fingia que se escondia, havia um ‘coito’, e o respectivo guardião só tinha que evitar que os ‘escondidos’ chegassem até lá sãos e salvos. Este jogo tem outros nomes e em Portugal, como as pessoas têm dificuldade em crescer, continua a ser praticado em todas as idades, e em todas as circunstâncias! É assim na política, nas escolhas partidárias, os portugueses escondem-se (ou abrigam-se) em locais inverosímeis, mas isso não importa, o que é preciso é que a brincadeira continue.
Por isso temos dois partidos sociais-democratas que fazem oposição um ao outro! Por isso a direita anda em bolandas, escondida há trinta anos onde lhe dá jeito, por isso temos um partido centrista apenas de nome, um partido comunista que passa por nacionalista, e temos ainda, em contra ciclo universal, esse fenómeno mediático chamado ‘bloco de esquerda’! Um núcleo de trotskistas fora de prazo, sem projecto de poder, que arregimenta a parolice nacional contra o governo, seja ele qual for!
Por isso foram eles que ganharam as eleições, como é óbvio.
E é por tudo isto que não fazemos parte da Europa.
Basta consultar os jornais de hoje para provar o que afirmo: - na Europa, a direita ganhou em toda a linha. Em Portugal, exceptuando o governo, a ‘esquerda’ reforçou-se em toda a linha!
E para o espectáculo ser mais infantil, a direita canta vitória escondida na esquerda a fingir!
Um jogo das escondidas que promete durar os quarenta e oito anos da praxe.

Saudações monárquicas