Segunda-feira, Fevereiro 06, 2012

SIC-Notícias: Opinião pública

Deixa cá ver isto, pensei, é sobre o ‘manifesto - instaurar a democracia, restaurar a monarquia’, mas confesso, a expectativa era pouca. Por um lado os apresentadores navegam no politicamente correcto, por outro, Gonçalo Ribeiro Telles, o convidado de serviço e um dos subscritores do ‘manifesto’, na ânsia de explicar muito, costuma atrapalhar-se. Por fim, sobre os intervenientes, as esperanças eram nenhumas. Enganei-me. A apresentadora fez algumas perguntas interessantes, Ribeiro Telles foi claro e escorreito, até convincente, e quanto aos intervenientes admito que me surpreenderam! Alguns não eram monárquicos, confundiam por vezes o papel reservado ao rei, mas em quase todas as intervenções sobressaíu o esgotamento do regime, a república sem futuro.
Quanto ao ‘manifesto’, a proposta é simples: - vamos falar sobre o nosso futuro, o futuro de Portugal, o que queremos para nós e para os nossos filhos. Em suma, instauremos primeiro a democracia, ou seja, discutamos abertamente o regime que temos, sem tabus, sem constituições intangíveis, sem limites materiais, sem sofismas.
Depois dessa discussão, os subscritores do manifesto estão convencidos que a população se inclinará para a restauração da monarquia. Eu tenho a mesma convicção.

Saudações monárquicas

Nota: As perguntas e os telefonemas valem o que valem mas a verdade é que no fim do programa o resultado a favor da monarquia foi esmagador – 88% dos tele-espectadores 'disseram' preferir a monarquia à república!

Quinta-feira, Fevereiro 02, 2012

O pacto social e os direitos adquiridos!

Vem o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, mais que certo seguidor de Rousseau e pelo que sabemos, indiscutível apagador de provas que pudessem incriminar o nosso engenheiro Sócrates, vem, dizia, falar-nos de direitos adquiridos! Para além disso, o meritíssimo também leu Camilo e, reconheça-se, é ilustrado, razão suficiente para sermos prudentes. Diz ele que direitos adquiridos são todos os que decorrem do pacto social estabelecido (algures) entre o indivíduo e o estado. Talvez seja verdade mas pergunta-se: esse indivíduo na hora de assinar era laico, republicano ou socialista?! Tinha abjurado de Deus, da Pátria ou do Rei?! Tinha adoptado em vez disso a liberdade, a igualdade e a fraternidade jacobinas?!
E o estado que compareceu no tabelião, era este?! Um estado desigual, que cavou um enorme fosso entre ricos e pobres?! Um estado onde todos querem ser funcionários públicos, não para servir, mas para adquirir direitos! Um estado que não quer ser independente, que apaga memórias, que destrói os traços da sua existência e perenidade?!
Foi com este estado que eu assinei o contracto social? Um estado que inclusivé, e sem me perguntar, já suprimiu (ou rasurou) o ‘c’ do contracto que assinámos! E da gramática que estudámos!
Se é este o estado, meritíssimo, não tem que se admirar que a maioria não se reconheça nele.

Saudações monárquicas

Terça-feira, Janeiro 31, 2012

Um centenário de vida!

A vida dos príncipes não lhes pertence, confunde-se com a história pátria e nesse sentido pode dizer-se que cada aniversário da família real corresponde a mais um aniversário da comunidade, uma alegria que em condições normais seria partilhada por todos. Acontece que existem povos que traíram a sua matriz, que se perderam na caminhada e em resultado, empobreceram a tal ponto que já não se lembram da sua identidade, daquilo que os torna especiais e diferentes de todos os outros povos. É triste que isso suceda em Portugal, é triste que o país tenha sido ocupado por ideias estranhas à sua própria cultura, é triste e não prenuncia nada de bom.
Mas para quem ainda mantenha a memória, o dia de hoje é um dia especial. Faz anos uma Infanta de Portugal, e só por isso estamos todos de parabéns. Acresce que Sua Alteza, a Senhora Dona Maria Adelaide, fez da sua vida uma dádiva aos outros, foi solidária antes da solidariedade instituída, foi social antes do estado social decretado, e esse é mais um motivo de reconhecimento e admiração.
O interregno, espaço de afirmação monárquica, deseja a Sua Alteza, no dia em que completa cem anos, as maiores felicidades.

Sexta-feira, Janeiro 27, 2012

Por outras palavras

Vai confusa a discussão sobre a possível eliminação do feriado do ‘cinco de Outubro’, e refiro-me apenas a este, porque é deste que decorre tudo o resto.
Do ‘cinco de Outubro’ decorre em primeiro lugar o persistente ataque à Igreja Católica, em nome de um laicismo postiço e intolerante. Ataque devidamente camuflado naquilo a que se convencionou chamar ‘separação entre a Igreja e o Estado’. Estranho, tanta separação num país que se diz católico!
Do ‘cinco de Outubro’ decorreu (e decorre) o ataque à Realeza enquanto representante dos valores que fundaram (e já agora, justificaram) Portugal!
Do ‘cinco de Outubro’ decorre portanto, e por consequência, a crise de identidade latente, a desorientação geral patente, o divisionismo presente, a mentalidade dependente, a falência evidente, num país doente.
Dito isto (em rima) pergunta-se: - Quer o governo e o ministro da economia acabar com o feriado do ‘cinco de Outubro’ apenas por razões de produtividade?!
Se é só por isso, não vale a pena.

Saudações monárquicas

Quinta-feira, Janeiro 26, 2012

Cem anos depois

No dia em que se aboliu o ‘cinco de outubro’ (dia da implantação da república) não houve qualquer consternação no país. Nem na provincia, que à época tomou conhecimento do facto pelo telégrafo, nem tão pouco entre a população citadina, que há muito não celebrava a data. Se é que alguma vez a celebrou genuinamente. O que podemos garantir é que os mais jovens, fazendo jus à instrução republicana, não sabem do que se trata! Mas eu explico: - foram três repúblicas, cem anos de decadência, que a segunda tentou minorar, cabendo a esta terceira (provávelmente a última) a tarefa ‘gloriosa’ de transformar Portugal num protectorado europeu! Dito isto, compreende-se a simultânea abolição do dia da independência. Deixou de fazer sentido. A partir de agora temos a Casa Real de Espanha para nos empolgar (o 'pacote' inclui o Real Madrid) e Sua Majestade Britânica para nos emocionar. A alternativa, que muitos já praticam, seria assumir de vez o papel de colónia angolana ou brasileira. Desde que entre dinheiro, afinal o único valor em circulação. Eu talvez prefira.

Saudações monárquicas

Terça-feira, Janeiro 24, 2012

Serviço público

A propósito de pensões de reforma e das dificuldades em sobreviver, a notícia importante é a seguinte: - a pensão média do regime geral anda à volta dos 409 euros enquanto que a pensão média dos aposentados do Estado se situa nos 1.200 euros! O triplo, portanto! Ou seja, e grosso modo, quem paga os vencimentos da função pública acaba por ter uma reforma que é um terço da dos seus 'subordinados'. Estamos a falar de reformados, pessoas que em princípio se equivalem nas necessidades. É caso para dizer - bonito serviço!




Noutro quadrante, o embaixador americano em Pequim terá alertado o governo dos Estados Unidos para a 'delicada' situação política da China. A expressão utilizada foi o superlativo - 'very delicate'. Portanto, para quem tenha feito extrapolações geo-estratégicas a contar com uma China imutável, una e indivisivel, e eternamente controlada pelo partido comunista chinês, pode tirar o cavalinho da chuva e começar a rasgar os 'planos da pólvora'. Porque é pólvora seca.




E agora o assunto do momento e devidamente tratado nos canais televisivos de serviço público: - estou a referir-me ao caso 'Bojinov' e ao drama sportinguista! Mete deputados e tudo! Mais um retrato lamentável do regime.





Saudações monárquicas

Quarta-feira, Janeiro 11, 2012

Em que ficamos, Eminência?!

Em matéria de obrigações, o melhor é começar pelo princípio: - e o princípio diz-nos que ninguém é obrigado a candidatar-se a cargos públicos. Mas fazendo-o, todos aceitamos que não deve ser discriminado por razões de crença, ou não crença. Porém (não nos esqueçamos) os eleitores também têm os seus direitos. E o primeiro é concerteza o conhecimento dos candidatos, não apenas do programa político com que se apresentam, mas sobretudo das capacidades pessoais para o levar à prática. E aqui, todas (ou quase todas) as dúvidas são legítimas. E não vamos escamotear o assunto, pois por muito que negue, a Maçonaria não é mais do que um conjunto de regras que sustentam uma crença, uma concepção do mundo e do universo, e nesse sentido, assemelha-se a uma qualquer religião.
Portanto, o que os eleitores precisam de saber, é se o putativo candidato, em caso de conflito de consciência, defende primeiro (e intransigentemente) os interesses de quem o há-de eleger, ou se pelo contrário, irá obedecer, antes do mais, aos preceitos da ‘ordem’ a que pertence. ‘Ordem’ que no caso da Maçonaria é secreta, não sendo por isso acessível aos ‘profanos’. E ‘profanos’ são afinal a esmagadora maioria dos eleitores!
Por isso pergunto – em que ficamos, Eminência?!

Este aspecto é essencial e distingue a Maçonaria de todas as religiões (ou obediências) conhecidas. Explico: - por exemplo, e se por hipótese um sacerdote da religião católica decidisse candidatar-se a um cargo público, todos e cada um dos eleitores saberia que em caso de conflito de consciência, o sacerdote seguiria sempre e em primeiro lugar o Evangelho. Não haveria fraude e ninguém se sentiria defraudado. É esta clareza e transparência que a vida pública exige e não é certo que aconteça se o candidato for maçon e omitir essa filiação.
Por isso volto a perguntar – em que ficamos, Eminência?!

Entretanto e para que conste, também acho abusiva a obrigatoriedade de confessar a religião que cada candidato professa. Além de que essa obrigatoriedade estaria sempre condenada ao insucesso em se tratando de uma sociedade secreta. Outra coisa, bem diferente, é o direito que assiste a qualquer eleitor de questionar (directa e livremente) o candidato sobre aquilo que (ao menos em teoria) possa vir a condicionar o respectivo mandato político. E uma dessas questões passa indiscutivelmente pela pergunta se é ou não maçon. Este responderá se quiser. Não pode é argumentar que a pergunta é ilegítima ou ‘inconstitucional’. Era o que mais faltava!
Assim e aparentemente o assunto estaria resolvido e com honra para todas as partes. Mas então porque é que não está, indagará Vossa Eminência?!

Eu respondo – não está porque os eleitores nunca têm a oportunidade de escrutinar os eleitos. Para que isso aconteça temos que mudar a actual lei eleitoral (por certo fabricada pela Maçonaria) introduzindo circulos eleitorais uninominais por forma a que os candidatos a cargos públicos possam ser efectivamente escrutinados. Em suma, para que os eleitores os conheçam e votem neles em consciência, tal como diz a lei! Temos portanto que abandonar (de vez) o sistema de listas e nomeações partidárias que transformaram a terceira república (se a árvore se conhece pelos seus frutos) numa ‘partidocracia monitorizada pela maçonaria’! Pois que outra designação lhe havemos de dar quando mais de 90% dos deputados da actual assembleia da república são maçons!

Saudações 'profanas'