Terça-feira, Julho 08, 2008

Conversas em família

Sempre foi assim, dirão os resignados! É verdade mas tem vindo a piorar como aliás era inevitável que acontecesse – só existem adeptos de três clubes, a comunicação social só fala de três clubes, o bolo das receitas televisivas vai quase todo para os três clubes, o poder público e o orçamento de estado apoiam escandalosamente estes três clubes e como o campeonato português, reduzido a três clubes, só pode dar prejuízo, a única salvação é o dinheiro da UEFA. Mas como cada vez temos menos hipóteses (e menos lugares de acesso) às competições europeias o dinheiro já não dá para os três, se calhar nem chega para dois, vai daí a guerra tremenda de sobrevivência, em que vale tudo e envolve todos. Uns por querer, outros sem querer.
A corrupção começa e acaba aqui.
Alguém está interessado em mudar isto?! Se estivesse… mudava primeiro o resto.

Segunda-feira, Julho 07, 2008

É a monarquia…

Não quero ofender ninguém mas afinal qual é a diferença entre Elvas e Badajoz, entre o Nadal e os tenistas que não temos, entre os Ronaldos que vamos tendo mas que só conseguem evoluir fora do país! Directos ao assunto, qual foi a diferença entre a ditadura de Franco e a ditadura de Salazar! E a diferença no salário mínimo…! Porque será que em cada dia que passa nos atrasamos em relação aos nossos vizinhos! Vizinhos que partiram para a normalização constitucional depois de nós! Vizinhos que deram um impulso decisivo na importância da cultura e da língua espanholas! Vizinhos que conseguiram impor o castelhano (sem acordos ortográficos) em todo o mundo!
E nós?! Porque estamos sempre de cócoras, divididos, irreconciliáveis, incapazes de nos organizarmos e progredirmos! Quem pode afinal mobilizar este país! E de onde vem esta desconfiança, esta baixa auto-estima que vai corroendo os melhores e só encontra saída… na emigração! Andamos a dar respostas vazias a estas questões há tempo de mais. O discurso dos ‘coitadinhos’ já só engana quem gosta de ser enganado, na minha opinião é um mero expediente para fugir à realidade, para não fazer nada, para manter uma cultura (e uma política) de irresponsabilidade.
O tamanho da Espanha também não serve de explicação porque a Espanha já tem esta dimensão na Europa há muitos séculos e a diferença de tamanho nunca foi embaraço para os portugueses, ao contrário, foi sempre motivo e incentivo para nos superarmos.
Qual é a diferença afinal? Porque correu Nadal a abraçar os seus pais e logo de seguida o Príncipe das Astúrias!
Porque sentem eles este calor, esta força! Porque os espanhóis têm algo em comum, que os une e mobiliza, chame-se a isso monarquia, rei ou dinastia, que é de todos… porque não é de nenhum.
É essa a diferença.

Terça-feira, Julho 01, 2008

‘Menino de ouro’

Foi lançada uma biografia de Sócrates (não confundir com o curriculum) escrita pela jornalista Eduarda Maio e estiveram na apresentação o ex-comissário Vitorino e o ex-ministro Dias Loureiro, que não pouparam elogios ao biografado. Fala-se que outras biografias se seguirão completando a vida e a obra do actual primeiro-ministro.
Não sei quando começaram as biografias de Salazar vivo, mas parece-me que já levava uns anos de chefe do Governo e alguma obra feita. Sei que a sociedade sem eternidade reclama a estátua em vida, não vá a eternidade esquecer-se e sabemos que para a celebridade hoje, basta ser célebre e depois logo se vê! Apesar de tudo continuo a achar um exagero tanta celebridade e prefiro que seja o tempo a encarregar-se de biografias e celebridades.
Feitios.

Domingo, Junho 29, 2008

Câncio sequestrada!

Leio Fernanda Câncio quando me quero fustigar inutilmente! Talvez porque estes dias de calor torturante convidassem ao sacrifício, confesso que li Fernanda Câncio. A ideia que tenho de Câncio atemoriza-me – penso que ela não me deixaria nascer, mas se conseguisse nascer, quando fosse muito velhinho, poderia decretar que o meu tempo expirou! Mas Câncio surpreende, Câncio compreende o drama dos senhorios que foram empobrecendo enquanto os inquilinos prosperavam. Câncio descobriu que a expressão proprietário tem no nosso país uma conotação pejorativa, que a lei acompanha e penaliza. Câncio contra a corrente condena o congelamento das rendas, o que é um bom princípio.
É sempre assim, quando esperamos o pior de alguém, enganamo-nos, e pode haver salvação. Por isso subscrevo Câncio:

“(…) Quando uma pessoa que paga 50 euros por uma casa onde pagou durante quase cinquenta anos uma renda ínfima se acha no direito de exigir/sugerir a realização de uma obra que custa pelo menos o equivalente a dez anos de rendas futuras e corresponde a práticamente todo o ‘bolo’ das rendas que pagou desde o início, surge óbvia a conclusão de que, para essa pessoa o senhorio é um serviçal. Condenado a servi-lo em penitência eterna por ter alguma vez sonhado que um investimento podia ter proveito, que ser proprietário podia ser rentável. O mais grave, porém, é que este delírio não pertence a um excêntrico isolado, mas a uma cultura generalizada e autorizada pela lei. Uma cultura que arruinou o centro das cidades e empobreceu milhares de famílias. Pudessem elas tombar os prédios nas estradas e paralisar o País, outro galo cantaria. Assim, resta-lhes servir a pena – e ter sentido de humor.”

Nem mais.

Fonte: “O sequestro dos senhorios” de Fernanda Câncio in DN de 27/06/08.

Sexta-feira, Junho 27, 2008

A dignidade da justiça

A dignidade dos tribunais é outra coisa. A segurança nos tribunais, outra coisa é. A justiça de fachada, os palácios da justiça, mesmo pronunciados em latim, são coisas deste género. Portanto, se percebi o alarido que por aí vai, é necessário proteger os juizes das cadeiradas dos réus, mas também é preciso proteger os portugueses da justiça que temos!
Neste ponto suscita-se um incidente para que o poder judicial possa endossar responsabilidades ao poder executivo, que naturalmente as endossará ao poder legislativo. O presidente da república fará então um discurso arbitral e apaziguador!
Mas nada disto tem a ver com a dignidade da justiça, essa conquista-se com outras armas, está no subconsciente dos cidadãos, é independente, e por isso não tem órgãos de recurso político-pártidários; é responsável, e por isso não se enreda num processualismo kafkiano; é rápida, e por isso vai a tempo de fazer justiça.
Sem justiça (ou com justiça à portuguesa) nenhuma sociedade pode evoluir e desenvolver-se. E se queremos realmente sair deste atoleiro precisamos de reformular todo o sistema político. Numa palavra, mudar de regime.
Aproveitem o centenário.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Moda de vanguarda

De vez em quando aparece um Antunes na televisão, são as elites que temos, aquelas que conquistaram o poder às outras, que o perderam, onde eu me revia, provávelmente pelas mesmas razões que levam agora os Antunes à televisão.
A história das sociedades humanas é assim, o mérito existe apenas na memória, no mais é luta pelo poder e a violência que isso custa.
Este preâmbulo tem a ver com a actual vanguarda europeia e com a sua indiferença pela vontade dos povos! Aliás a palavra ‘povo’ adquire neste contexto o seu verdadeiro significado: povo sou eu, porque não conheço nenhum Antunes e não tenho, por isso, qualquer possibilidade de alterar o que quer que seja. E mesmo que me deixem votar, hão-de obrigar-me a votar as vezes que forem necessárias até eu pronunciar um exausto sim!
De que vale então este escrito? Para quê resistir à inevitável ‘construção europeia’, processo aristocrático por excelência, como todos os processos históricos conhecidos?!
Vendo o meu peixe ao melhor preço: a sensação que tenho é que estas elites não fazem caminho para ninguém, estão deslumbradas pelo poder, não arriscam nada. As outras, ao menos arriscaram a cabeça! E perderam-na.

Nota Básica: Nada contra a família Antunes. O apelido é um mero exemplo.

Segunda-feira, Junho 23, 2008

O brilho da política

“Falhei, falhámos… há-que dizê-lo” e estas palavras ecoaram na sala de congressos com a grandeza das coisas simples! Angelo Correia ressuscitava a política e eu que olhava distraídamente para o televisor fixei-me no discurso de despedida do velho tribuno social democrata: “Saio de palco… mas não saio da política… continuo no PSD… ‘não viro casacas’… e se nos próximos combates precisarem de mim… chamem-me que eu vou… é disso que eu gosto”!
O congresso emocionado, eu também, a política sem emoção não é política.