sexta-feira, agosto 17, 2018

Os novos adjectivos


Já não são assim tão novos e vieram substituir o famigerado 'fascista', um insulto caído em desuso! Surgiram então uma série de rótulos, ditos em catadupa, e que deixam o visado confuso e a maior parte das vezes paralisado.

A sequência é habitualmente a seguinte: - racista, xenófobo, nazi - e se a vítima ainda estrebucha - leva com o resto do reportório: - homofóbico, sexista e promotor de violências várias! Aliás este pacote já deve fazer parte do ensino obrigatório, das várias comissões de censura, e está presente na linha editorial de qualquer pasquim que se preze! E com nuances de redacção que o próprio Kafka não podia imaginar! 

Começa normalmente assim - não serão publicados artigos de índole racista, xenófoba, homofóbica ou que de qualquer forma promovam a violência! As palavras chave são obviamente - índole e promovam - suficientemente vagas para discriminarem quem muito bem entenderem. Atenção que 'discriminar' também pode ser perigoso. O melhor mesmo é não escrever. Melhor ainda, não ler.


Saudações monárquicas   

domingo, agosto 12, 2018

Comunicado de S. A. R. o Senhor Duque de Bragança


É com grande tristeza que mais uma vez os portugueses assistem ao flagelo dos fogos durante os meses de Verão. Mais uma vez as populações sofrem fisicamente e economicamente as consequências de fogos que são cada vez mais frequentes e de maior intensidade no nosso país.

Este ano tem sido a Serra de Monchique, que está a arder há vários dias, criando um rastro de destruição e desespero nas populações que aí vivem, às quais gostaria de transmitir a minha solidariedade e da minha família.

Não é compreensível que apenas um ano depois da tragédia de Pedrógão a situação se mantenha e que as populações do interior do país continuem desprotegidas. Passou apenas um ano de uma tragédia que matou muitos portugueses e causou grandes perdas económicas e um desastre ambiental.

Os nossos governantes prometeram preparação, mas o que temos vindo a assistir são sistemáticas situações de descoordenação de entidades com responsabilidades na protecção. Depois da repetição de uma situação com esta gravidade, é importante retirar as devidas consequências - políticas e operacionais. É o que os portugueses esperam e merecem depois de uma situação desta gravidade.

É definitivamente necessária uma séria reorganização do espaço florestal que reduza a probabilidade e gravidade deste tipo de situações. Essa reorganização deve partir do Estado e não dos particulares, que em geral não têm capacidade económica para fazer face ao que é necessário. Aliás, no ano passado, um dos piores incêndios aconteceu numa mata propriedade do Estado, o Pinhal d’El-Rei, plantada há sete séculos na região de Leiria.

Quanto aos meios aéreos e terrestres disponíveis, estão longe de ser os mais adequados, segundo as opiniões dos especialistas nacionais e estrangeiros. Não faz sentido por em risco as vidas de quantos combatem no terreno, e não lhes dar as armas necessárias!

Apelo também a uma mobilização dos jovens, que devem ser sensibilizados para esta grave questão e que poderiam dar o seu contributo. Na ausência do serviço militar obrigatório, os jovens deveriam ser incentivados para uma maior participação cívica sendo preparados para ajudar os que combatem estas catástrofes, e outras que poderão acontecer. A generosidade e coragem dos jovens levá-los-á a participar com entusiasmo em iniciativas destas.

Considero a bem dos portugueses e de Portugal que esta situação seja definitivamente encarada como uma das prioridades do país.

D. Duarte, Duque de Bragança

Santar (Nelas), 9 de Agosto de 2018

quinta-feira, agosto 09, 2018

Fogo na serra de Monchique



Quem te viu arder do alto da Fóia
Tem olhos cansados perdidos chorados
E da fresca serra não guarda memória
Mas isso é outra história
São águas passadas nasciam rebanhos
Havia pastores, moiras encantadas
de muitos amores
Hoje é um deserto, verde, vegetal
Pronto a ser queimado, sem qualquer pudor
Ao menor sinal, basta haver calor
Tudo planeado, destino traçado
E se alguém resiste é evacuado
Escurecem os ares, há nuvens de fumo
Gente a discursar e um país sem rumo!

terça-feira, agosto 07, 2018

Acompanhar os fogos!

Acompanhar os fogos é decididamente a nova estratégia para combater os incêndios e fazer política ao mesmo tempo. Tomemos como exemplo o fogo interminável que lavra na serra de Monchique e que tem sido acompanhado, ao segundo, por todas as corporações de bombeiros, ao minuto, por todos os técnicos e protectores civis de que dispomos, e de hora a hora, em cada telejornal, ficamos a saber que quer o primeiro-ministro quer o presidente da república também acompanham. E o português médio fica acabrunhado e interroga-se sobre a inevitabilidade do seu destino! Mas isto vai ser sempre assim?! Metade do ano a preparar a estação dos fogos e a seguir fazemos o respectivo acompanhamento?!

sexta-feira, agosto 03, 2018

Põe gelo nisso...

O interregno precisa de férias. Férias grandes. Não, não vou para a praia com este calor. Os meus antepassados algarvios fugiam do Algarve no mês de Agosto. Como eu os compreendo. Bem, hoje não dá para fugir para lado nenhum... Isto está a piorar. 

quarta-feira, agosto 01, 2018

Um cão de família

Quem nasceu um dia numa Vila de lobos para além do Castro onde corre o rio Laboreiro, reconhece fácilmente um companheiro antepassado. Depois caminhámos para sul e deixámos para trás algumas raízes que hoje nos fazem falta. Aconteceu agora, por feliz coincidência, este feliz reencontro.

quarta-feira, julho 25, 2018

República bananal


Já não sou só eu que se incomoda com as ligações perigosas entre os deputados e os clubes de futebol. Para sermos mais rigorosos estamos a falar dos três clubes chamados 'grandes' e não de nenhum dos outros que pelos vistos ainda não têm assento parlamentar!

Assim e com a responsabilidade que lhe advém de ser o principal opinador do jornal Público, João Miguel Tavares escandalizou-se (ontem) com a prática, creio que única no mundo civilizado, que consiste em criar dentro da assembleia da república ´núcleos de adeptos' dos tais três clubes de futebol! A actividade destes núcleos ainda não é totalmente conhecida mas sabemos que recebem candidatos em campanha para além do almoço (ou jantar) anual onde os 'deputados adeptos' (passe a sugestão regimental) confraternizam com os respectivos presidentes em exercício. Presidentes dos clubes, já se vê. 

Mas vale a pena transcrever a síntese de João Miguel Tavares: - "É preciso não ter nada na cabeça para achar que em 2018 o Parlamento é o lugar certo para promover núcleos futebolísticos e ouvir candidatos de clubes em campanha eleitoral".*

Concordo.

Saudações monárquicas

*(Jornal Público de 24/07/2018)