sexta-feira, junho 05, 2020

'Luís Filipe Vieira arrasou equipa no balneário'!


Este é um dos títulos do Jornal A Bola, edição digital de hoje, a que se seguem imagens do autocarro do Benfica após o apedrejamento. Ataque ocorrido depois do empate frente ao Tondela. Um incidente gravíssimo, mais um envolvendo adeptos encarnados, e que provávelmente terá o mesmo destino dos outros. O alheamento por parte das autoridades.
Entretanto há dois jogadores feridos, que necessitaram de tratamento hospitalar, e aquilo que me ocorre perguntar comparando com o que aconteceu em Alcochete é o seguinte: - Quais são as diferenças?!
E até poderia especular: - se tivesse sido o Bruno de Carvalho a 'arrasar' a equipa no balneário, o que diria a comunicação social sobre o assunto! Se calhar estaríamos à procura de um autor moral para o apedrejamento!

Nota final: - Já tinha avisado que este torneio dos quarenta milhões tem tudo para acabar mal. E também já sabemos que enquanto o governo não acabar com estas 'claques', que não são mais que guardas pretorianas que mantém ou destituem presidentes, não vamos a lado nenhum.

quarta-feira, junho 03, 2020

Pontapé de saída


Mais logo a bola irá começar a rolar e por isso, com pensamento positivo, vamos olhar em frente. O Belenenses só joga sexta-feira e o que eu espero é que a equipa, que na altura da interrupção atravessava um bom momento, consiga aguentar-se no balanço. Mas nada de ilusões, isto é uma lotaria, ninguém sabe como se comportarão os jogadores, e os mecanismos de conjunto, depois de uma interrupçâo muito mais longa que qualquer pré-época conhecida! E sem ter havido os essenciais jogos de preparação. Eu sei que é igual para todos. O que não é igual para todos são as cinco substituições previstas, que posso compreender, mas que acabam por ser mais uma descontinuidade em relação aos vinte e quatro jogos anteriores. E aqui sim, favorecendo claramente os plantéis mais numerosos e homogéneos em termos de qualidade.

Dito isto, falemos então dos enormes constrangimentos que por certo irão rodear estas dez últimas jornadas. Para tal basta ter ouvido ou lido as recentes entrevistas dos presidentes do FC Porto e Benfica, amplamente difundidas, e perceber qual o clima que está instalado. Uma profunda desconfiança, uma profunda hipocrisia e desunião, que aliás tenho vindo a sinalizar nos meus postais. E agora 'ouvimos, vimos e lemos' que está tudo teso e a única preocupação não é salvar o futebol, mas o 'salve-se quem puder'! Soubemos por exemplo que o FC Porto teve que pedir dois milhões á banca (com aval da Federação!) para pagar salários! E o Benfica que tenta fazer figura de rico, através de uma comunicação social cartilheira, também não deve estar melhor. Vai portanto começar mesmo o 'torneio dos quarenta milhões'! Como vai acabar não faço ideia.

Uma última observação sobre a tentativa de furar os 'estádios á porta fechada' comparando o tema com outros espectáculos que têm acontecido com público. Em primeiro lugar vamos ver daqui por algumas semanas qual será o efeito deste desconfinamento apressado; em segundo lugar o futebol não é um espectáculo qualquer, tem uma vertente desportiva, baseada numa relação de rivalidade. Não é o mesmo que ir ao cinema. Em terceiro lugar, em época de excepção e com medidas de excepção, permitir que alguns estádios, porque têm capacidade para isso possam receber uns milhares de espectadores afectos á equipa da casa, enquanto outros, devido às reduzidas dimensões, só lá possam ter meia dúzia, é aprofundar as desigualdades, subvertendo mais uma vez a filosofia de que nesta emergência...'estamos todos no mesmo barco'.


Saudações azuis

segunda-feira, junho 01, 2020

Expectativas


'De volta ao condado' é o título do meu próximo livro. O enredo?! Uma mistura de 'small is beautiful' que nunca li, mas sem consequências ambientalistas, com 'El-Rei no Porto', com as consequências que se adivinham. Da cidade e das serras terá algumas ressonâncias, mas só das primeiras páginas miguelistas, que ainda me comovem. Ou nos antípodas, do episódio picante da madame Colombe, que ainda me faz sorrir. De Lisboa, a Junqueira que já não existe e um postal a preto e branco do Chiado. O resto passa-se no Portugal covid, com o herói a envelhecer confinado, e o mundo a dar-lhe alguma razão. Uma pequena vitória moral, sem qualquer benefício ou efeito prático, destruídos que foram todos os seus sonhos. Se daqui fizerem um filme, as últimas palavras serão duas perguntas angustiadas: - Sair de casa?! Mas para ir aonde... e de máscara?!

sábado, maio 30, 2020

O desconfinamento eleitoral


Há tanto tempo confinado perdi a noção do tempo. Guio-me então pelas estrelas e o sol é a maior que conheço. Um sol que ilumina e aquece e permite aos portugueses sonharem com a praia como última fronteira da felicidade!
Esta obsessão nacional é relativamente recente já que antigamente a população preferia um picnic no campo debaixo de uma sombra que a protegesse da canícula. Outros tempos e outras imagens. Hoje o que temos é um presidente da república a mergulhar em Cascais e um primeiro ministro a bronzear-se na Caparica. Sem luta de classes.
Porém uma nuvem negra ameaça o desconfinamento eleitoral. Em Lisboa e Vale do Tejo, capital e arredores, o contágio agrava-se e fica provado que a pronúncia do norte não tem a ver com o vírus. Há outros factores. O mais provável é ter que ver com o facto de cerca de três milhões de portugueses habitarem na área metropolitana de Lisboa e ainda com um pormenor que tem escapado à maioria dos opinadores – o coronavírus não está em campanha eleitoral!

sexta-feira, maio 22, 2020

Os lobos


Escrevo sabendo que não existe hoje um pensamento monárquico, uma proposta nesse sentido, e por isso seria muito difícil que houvesse um meio de comunicação social que reflectisse aquilo que não existe. E não há, cumprindo-se assim o que disse Marcelo Caetano há mais de meio século: – que não existe um problema de regime em Portugal! Frase que lhe valeu uma reprimenda de Salazar, não pela frase em si mas porque não se podia dizer isso naquela altura, pois frustrava o apoio que os monárquicos de então concediam à segunda república.

Como se vê o país não mudou muito, tornou-se apenas mais pequeno ao ponto de já não haver monárquicos, não havendo portanto quem se ofenda com frases daquele género. O que verdadeiramente temos hoje é uma república tribal, espécie de alcateia dependente da mesma gamela mas principalmente de quem lá põe a ração. Como o dono é estrangeiro as únicas lutas pelo poder resumem-se a quem fica com os melhores nacos e isso obedece às leis ancestrais das alcateias. Está tudo na constituição, só é preciso saber ler. 

Mas para quem não saiba pode verificar que a realidade não mente - os partidos são iguais no essencial, haver um ou mais que um vai dar no mesmo, ter duzentos e cinquenta deputados ou não ter nenhum também não muda nada, até porque o regime se implantou como verdade irrevogável. A única esperança, para quem possa ainda ter esperança, reside na certeza, ditada pela natureza das coisas, que quando o dono estrangeiro muda (ou morre) também podem mudar as relações de poder na alcateia. E o macho alfa pode vir a ser substituído por outro mais do agrado do novo dono.

Concluindo, sem oposição ao regime, a nossa organização política é afinal bem simples de decifrar. Como diria o Eça – às vezes mudam as moscas, outras vezes nem tanto.

Saudações monárquicas


quarta-feira, maio 20, 2020

Portugal antigo e moderno



O presidente da república aparece num supermercado de máscara e calções e a imagem torna-se viral! Somos todos iguais pensará o povoléu! Eu não penso nada mas acho isto tão pobrezinho como criar galinhas em São Bento. Ou ir à Brasileira desconfinar o Chiado sabendo que tem um batalhão de microfones atrás. É teatro puro à conta da pandemia que ambos aproveitam para garantirem espaço televisivo e votos. Temos aquilo que merecemos... e gostamos tendo em conta a popularidade dos personagens.

Noutra vertente o país está quase todo nacionalizado faltava apenas apertar a coleira à comunicação social. Não era preciso porque ela já conhecia a voz do dono mas assim é mais seguro. Uns milhões tornam tudo cor de rosa. O mote já tinha sido dado pelo presidente quando sugeriu uma ajuda excepcional para compensar os media pela perda de publicidade. O governo concordou e distribuiu o bolo de acordo com o seu alto critério.
Coincidência ou não, alguns programas mais desagradáveis de investigação jornalística foram entretanto suspensos. E até o Ventura foi despedido! Critérios editoriais, dizem.

Saudações monárquicas


Nota básica: No caso do André Ventura fizeram-lhe um favor, sem querer. Isto se ele souber aproveitar o ensejo. O programa 'Pé em riste' em que participava na CMTV não presta para nada. Mas é ele que tem que perceber isso. 

sexta-feira, maio 15, 2020

Um incidente eleitoral


Enquanto regimes políticos, a grande e decisiva diferença entre a monarquia e a república, é a lógica republicana de estar sempre em campanha eleitoral. Daqui resulta que as repúblicas raramente tomam as medidas necessárias mas sim aquelas que lhes podem render mais votos. E nesta luta diária pelo poder, uma novela que o povo já não dispensa, vão gastando as energias da nação.

Foi assim que numa oficina de automóveis o presidente republicano aproveitou a oportunidade para recuperar alguns votos perdidos no 25 de abril e no primeiro de maio, ensaiando aquele número de ser contra os (novos) bancos! Número que o Costa já havia ensaiado no parlamento mas que ninguém levou a sério. O réu desta história, ronaldo para uns e tio centeno patinhas para outros, não se ficou e ía arranjando um sarilho. Entretanto telefonemas nocturnos, reuniões tardias, juras de amor, promessas de lugares e no dia seguinte regressámos todos ao covid. É a república portuguesa concerteza.


Saudações monárquicas


Já agora ouvimos a Amália!

https://www.youtube.com/watch?v=RU-Z0SiQKgU