domingo, dezembro 16, 2018

Causas perdidas


'Senhor, já que a dor é nossa e a fraqueza que ela tem
Dá-nos ao menos a força de a não mostrar a ninguém.'

Fernando Pessoa

O interregno, e particularmente este, já se viu que é uma causa perdida. O tema tem vindo a perder interesse e o autor não consegue dar-lhe o brilho que merece. Se me perguntarem se ainda acredito num Portugal monárquico eu respondo que sim, com a convicção da primeira hora. A convicção de quem gosta de ser independente. Sinto no entanto que será preciso acontecer muita coisa para que os portugueses se apercebam do logro em que caíram. E isso talvez ainda demore. Um nó górdio que terão de desatar sozinhos. É tarefa para outras gerações, gente mais nova, gente preparada para responder ao estado de decomposição a que chegámos. A que chegou o mundo em que vivemos.


Saudações monárquicas


segunda-feira, dezembro 10, 2018

A PROPÓSITO DO 1º DE DEZEMBRO: OLIVENÇA!


Na questão de Olivença a Espanha não tem defesa”
D. Federico Trillo-Figueroa
S. Maria de Aguiar (Castelo Rodrigo), 12/09/1997.1

1 Figueroa era, na altura, Ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha e fez estas declarações perante muita gente, em que se encontravam o Dr. Almeida Santos e o Dr. António Vitorino, que desempenharam altos cargos na estrutura do Estado. E também um distinto elemento do GAO que tem difundido esta importante declaração e que tem passado despercebida na opinião pública e publicada.

2 O texto do Artigo 5º,3 da actual CR diz: “O Estado não aliena qualquer parte do território português ou dos direitos de soberania que sobre ele exerce, sem prejuízo da rectificação de fronteiras”. O que tem sido ligado objectivamente a Olivença. Não “Olivenza”
.
3 Lamentavelmente, numa conduta que tem sido constante, a generalidade dos meios de comunicação social ignoraram o evento e uma televisão que entrevistou o Ministro da Defesa, presente no mesmo, não foi para o inquirir sobre a cerimónia…

Em todas as Constituições Portuguesas, desde 1822, apenas existe um artigo que se mantém comum até hoje, apesar de a sua redacção não ser idêntica, embora tenha sempre o mesmo significado.
É aquele que refere - e transcrevemos a redacção do Artigo 27 da Constituição de 1822 - que “A Nação não renuncia o direito que tenha a qualquer porção de território não compreendida no presente artigo”.2

Se mais não houvera, bastava este artigo para, legal e moralmente, a Nação dos Portugueses através das suas organizações e instituições civis e por maioria de razão, dos órgãos do Estado que a devem representar, não poderem renunciar e deixar de reivindicar o retorno à sua Pátria da mui portuguesa Vila de Olivença e seu termo, ilegalmente ocupada pela Espanha, desde 1807, seguramente, desde 1815 (Tratado de Viena).

Por isso foi um prazer ver, nas últimas comemorações do 378º aniversário da data luminosa do 1º de Dezembro de 1640, a banda filarmónica de Olivença, desfilar Avenida da Liberdade abaixo, bem como ouvir o Presidente da Sociedade Histórica para a Independência de Portugal – entidade promotora destas comemorações desde o seu início (como da iniciativa de erguer o monumento aos Restauradores, que dá o nome à Praça onde foi erigido), saudar Olivença Portuguesa.

Na tribuna de honra também estiveram elementos da direcção do (GAO) Grupo dos Amigos de Olivença, perseverante instituição da sociedade civil, fundada em 1932 e que sempre se associou a estas comemorações, depositando uma coroa de flores na base do monumento que evoca todos os heróis da longa luta que restaurou a completa soberania portuguesa, terminando com a Coroa Dual e inaugurando uma nova Dinastia de raiz exclusivamente nacional.3

Recorda-se que os habitantes de Olivença estiveram sempre na linha da frente dessa luta e pagaram um preço elevado pela mesma.
Mas sem sacrifícios, jamais Portugal preservará.
Mais extraordinário foi ainda a presença de vários elementos da Associação Além-Guadiana (além do próprio Presidente do Ayuntamiento), fundada em Olivença, em 2008, e que desde então tem desenvolvido um notável trabalho de preservação da cultura e identidade lusíada em Olivença e seu termo (cerca de 450 km2), tendo inclusive (2) conseguido um acordo para que os habitantes de Olivença que o requeressem obtivessem a nacionalidade portuguesa. E já cerca de 800 o fizeram.

Os convites terão sido feitos pela Câmara de Lisboa, através do Dr. Ribeiro e Castro, grande dinamizador do restabelecimento do feriado do 1º de Dezembro (em má hora extinto por um anterior governo) e que tem sido um elemento de ligação (se assim se pode dizer) com aquela Associação.
De salientar ainda que já por dois anos consecutivos, o “Além-Guadiana” promove a comemoração do feriado do 10 de Junho, naquela vila transtagana.

Os principais órgãos do Estado Português, porém, têm ignorado a questão de Olivença e mostram até, algum embaraço, quando não, enfado, quando são confrontados com as suas responsabilidades neste âmbito.

O Estado assume (na prática) que Olivença é um “território português sob administração espanhola”, mas para além de não reconhecer “de jure” a soberania espanhola, em simples declaração de princípios; de manter os marcos de fronteira interrompidos na porção de fronteira comum existente (e apenas as cartas militares reflectem tal “status quo”), nada mais faz para repor a legalidade da situação, ao contrário da posição da Espanha, por exemplo, sobre Gibraltar, as cidades e enclaves que mantêm em Marrocos e até algumas acções menos próprias que vai tendo relativamente às nossas Ilhas Selvagens.

Apesar do actual regime político português ter assumido (no nosso entendimento mal), os territórios de Macau e Timor (este último depois de invadido pela Indonésia), como territórios não portugueses, mas sob administração portuguesa, teve para com estes atitudes díspares relativamente ao que tem sobre Olivença.
Para já não falar no triste reconhecimento “de jure”, da inclusão do Estado Português da Índia, nos idos de 1974/5, depois da escabrosa invasão militar de Goa, Damão e Diu, pela União Indiana.4

4 Situação, aliás, muito mais gravosa do que aquela ocorrida com a Indonésia relativamente a Timor.

5 Este escrito veicula apenas a opinião do autor.

Esperemos que este último opróbrio não seja lançado também um dia, sobre Olivença…
Sendo o artigo invocado tido origem na Constituição de 1822, o conteúdo do mesmo tinha sido sempre seguido e assumido (mesmo sem estar escrito) desde Afonso Henriques; impõe-se que a tradição, a lei e o direito continuem a ser preservados.

Se quisermos, é apenas uma questão de Dignidade. De Dignidade Nacional.5

João José Brandão Ferreira
Membro da Instituição Patriótica
Amigos de Olivença

quarta-feira, dezembro 05, 2018

A república em alerta amarelo!


A doença republicana é conhecida, Aristóteles falou dela há mais de dois mil anos e mais recentemente Otão de Habsburgo pôs o dedo na ferida. Mas o ser humano é incorrigível e continua a idolatrá-la tomando como exemplo maior a república jacobina que saiu da revolução francesa. Os seus mais dilectos seguidores ainda se emocionam quando ouvem a Marselhesa e trazem na ponta da língua a célebre trilogia - liberdade, igualdade e fraternidade. Muito embora, verdade seja dita, estejam a sonhar com o Napoleão e suas façanhas. Macron, o último cromo napoleónico, pensava que podia reviver Versalhes com o dinheiro dos contribuintes franceses e ao mesmo tempo armar um grande exército europeu com o dinheiro dos contribuintes alemães.

Saíram-lhe mal as contas e a prometida carga fiscal teve que ser substituída à pressa por uma série de cargas policiais que até hoje não conseguiram suster a fúria dos 'coletes amarelos'! E quem são estes 'coletes amarelos'?! São aquela minoria que nos regimes republicanos sustenta o estado e os seus inúmeros funcionários para além dos incontáveis dependentes que vivem à conta do orçamento. Um sacrifício inútil, insustentável, num regime que não faz reformas, e que por isso não tem futuro. A fazer lembrar outras repúblicas como a portuguesa. Para já são coletes amarelos. Amanhã poderão ser de outra cor.


Saudações monárquicas

domingo, dezembro 02, 2018

Esqueci-me do primeiro de Dezembro!


É verdade, nunca tinha acontecido, mas esqueci-me. A data da independência é um marco que todos os povos fazem questão de celebrar e essa celebração quando é genuína dispensa gestos oficiais ou paradas militares. Infelizmente o povo português preza pouco a sua independência seguindo aliás os exemplos que vêm de cima. Não é por acaso que temos um ex-primeiro ministro que acha natural viver de amigos e também não é por acaso que a juventude ambiciona viver à conta do orçamento geral do estado. De resto a pedinchice nacional a que assistimos diáriamente não é mais que um sintoma dessa mesma dependência. O estado, para os portugueses, é como se fosse um pai com a obrigação de lhes resolver todos os problemas e é esta ideia que transmitem aos filhos. E assim, de dependência em dependência, não admira que tenhamos consentido que no nosso dia da independência seja celebrado o dia mundial das dependências!

sexta-feira, novembro 30, 2018

Isto já mete nojo aos cães!


Um país onde a grande notícia que invade as televisões e os jornais é uma conferência de imprensa onde aparece o presidente do Benfica a dizer que mantém o treinador, não pode ser um país a sério! Ainda por cima com a aparência de ser um desfecho que a central de informações da república andou a cozinhar durante a semana! Repito, o país onde isto acontece, e pelos vistos com vasta audiência, nem com mil anos de democracia consegue civilizar-se!

É afinal o mesmo país da ditadura e que a revolução dos cravos não quis destruir. Antes pelo contrário, aprofundou-lhe os vícios e deu-lhes contornos sicilianos. A união soviética, guia mental da intelectualidade lusa, com o advento da perestroika, conseguiu acabar com os 'clubes do estado' – clubes que mantinham prerrogativas especiais sobre os outros competidores. Em Portugal a vergonha mantém-se. 

Não admira pois que a outra notícia de relevo seja a nova casa do ex-primeiro ministro José Sócrates! Cujo proprietário é obviamente o primo. 'O filho meu tio' na inesquecível expressão do contemplado.


Saudações monárquicas

segunda-feira, novembro 26, 2018

Justiça - um teste à terceira república!

Em termos de justiça a terceira república fica marcada pelo processo da Casa Pia. Como bem se recordam e contra todas as expectativas (ou indícios) ninguém da classe política foi a julgamento. Como se a pedofilia não os atingisse. Decorrem entretanto vários processos bastante mediáticos e dois deles, pelo menos, entraram na fase de instrução. Fase em que ficamos a saber quem vai ou não ser pronunciado. Num desses processos está acusado um ex-primeiro-ministro, no outro o Benfica. Em ambos, entre outros crimes, destaca-se a corrupção. Existe portanto a curiosidade em saber se desta vez a rede da justiça consegue levar a julgamento peixe graúdo! Ou se vai ser como o costume, sardinha e carapau de gato! Este cenário, a verificar-se, indicia pelo menos um crime - o tráfico de influências. Sob a forma continuada e sem pudor.

Saudações monárquicas 

segunda-feira, novembro 19, 2018

Prós e Contras - um programa encomendado!

Houve um tempo, nos primórdios do programa, em que me deixei enganar, e assisti, pensando que na televisão pública talvez fosse possível realizar um debate sério sobre alguma coisa, um debate que contribuísse para o esclarecimento geral. Puro engano, pois rápidamente se percebeu, pela agenda, que o programa tinha apenas o intuito de alisar o caminho aos vários governos socialistas (que é o que temos tido) naquelas matérias em que pudesse existir alguma resistência popular. As famosas causas fracturantes foram e continuam a ser o ponto alto do programa e a táctica é sempre a mesma: - parte-se do princípio que a questão é premente e nacional, e que o país é uma campina rasa dividida ao meio. Foi assim quando se discutiu o aborto, o casamento entre pessoas do mesmo sexo e vai ser assim com a 'agenda' de um partido super minoritário (PAN) em relação às touradas. Criada esta aparente equivalência inverte-se a realidade e passa-se a ideia que a tradição é coisa de mentecaptos em vias de extinção. Só que o país real não é esta caricatura. É felizmente bastante mais complexo. Podem por isso fazer os referendos que entenderem que o sentimento popular não muda com duas cantigas. Nem com prós e contras de encomenda.


Saudações monárquicas


Nota. Em última análise pode e deve-se levantar de novo a questão do regionalismo. Autonomia para o Ribatejo, para os Açores, para Barrancos, para todas aquelas regiões que quiserem manter as suas tradições. E sem IVA.