domingo, novembro 19, 2017

Os troca-tintas!

Por ocasião do badalado jantar oferecido aos ‘deputados do Benfica’, polvo na brasa, presumo, reparei que havia muitos adeptos do CDS entre os comensais! Ora bem, habituado a identificar o encarnado com a esquerda e o azul com a direita, esta troca faz-me alguma confusão. Até porque as cores do CDS são de facto o azul e, julgo eu, ninguém se lembraria de o baptizar com o encarnado. Acresce que o emblema do Benfica é uma águia à qual associamos naturalmente quer o Bonaparte quer a revolução francesa, indiscutível matriz cultural da esquerda. Eu sei que nada disto tem importância, são coisas diferentes, mas é esquisito. 

E a esquisitice não se fica por aqui quando percebemos que em matéria de troca-tintas o PCP caminha em sentido contrário! Ou seja, eles que são vermelhos de origem, começaram a usar o azul (CDU) para se identificarem! E o discurso da quarta internacional passou a ser nacionalista! Muito mais nacionalista do que o CDS, que ao princípio, se bem se recordam, era bastante reticente em relação à união europeia. Hoje, parece um aderente da primeira hora! Eu sei que as cores procedem todas da mesma cor, mas insisto, continua a ser esquisito! Só falta agora a Cristas ser do Benfica e querer prolongar o metro até Belém! Se for assim a união nacional, perdão, a união das cores está próxima.



Saudações monárquicas

5 comentários:

Pedro Sousa disse...

Isso de emblemas, a Águia (Embora prefira a que deu origem ao nosso Dragão, a Serpe Real alada nacional - que Garrett fez a Rainha D. Maria II dar ao Porto também) nada tema a ver com a revolução francesa - que é um símbolo de Impérios e até "conservador" - Os Estados Unidos é que vão busca-la a Roma e Napoleão Bonaparte, na ideia de simbolizar um Império em novos moldes de direitos adquiridos de cidadania da revolução (mas mais conservadores), faz o mesmo, depois, em 1805, relativamente a Roma (para significar Império). Curiosamente, as cores dominantes na Era Manuelina (e até depois com D. João II e D. Sebastião (nestes já era mais só o carmesim), eram o vermelho e branco de D. Manuel, bandeiras e listas bi-colores que dominavam as bandeiras nas Armadas da Índia, com a esfera armilar ao centro- Além das bandeiras a bordo, reforçadas pela mesma tonalidade das Cruzes de Cristo nas velas e em outros estandartes. Aliás devia ser uma das razões dessa adopção como cores do Rei, já que ele era o primeiro Rei Grão Mestre da Ordem. Da Internacional Socialista é que não eram de certeza ahahah.

Pedro Sousa disse...

O CDS, à semelhança da partiocracia lusitana, é uma coisa divertida. As derivas Europeístas e Patrióticas em sentidos inversos são ironias interessantes, mas naturais, das próprias posições (e isso já não é tão cómico e é até interessante). Faz todo o sentido que a maioria seja do Benfica. A candidata Assunção Christas saudou uma vez só os grandes clubes nacionais sediados em Lisboa (o que deu polémica) - Sporting, e Lisboa e Benfica - mas estava municipalizada, por isso natural então. Também defendeu milhões em estações de metro que sabia que era completa fantasia - e se aplivácel, derivaria em bancarrota e desinvestimento total fora da região de Lisboa (no resto do país). Agora vai ter que se descentralizar novamente, como o Super-Homem que volta a ser Clark Kent (não sei o que dirá, quando for confrontada com o que defendeu). E para além disso, são todos tidos como "betos" e "bem" (Bem-fica). Se bem que as "claques" da luz não são muito isso, há que admitir.

Pedro Sousa disse...

Outra coisa que me espantou foi conotar mais a esquerda com a Revolução Francesa. Quando esquerda e direita são conceitos que não existiam antes e forma inventados pela revolução francesa e nasceram da posição ocupada na primeira Assembleia nacional saída da Revolução (que quis reproduzir as cortes inicialmente, mas que acabou por se transformar). Ora, atribui um conceito a uma revolução que inventou os dois, é curioso. Como sabe após a época de Terror (da ala esquerda, a esquerda ainda pela posição física na primeira assembleia, mais tarde adoptado como conceito, por essa origem, como mais revolucionário, do poder popular e de maior radicalidade na transformação social), os Girondinos (a direita inventada e saída da revolução Francesa, inicialmente pela sua posição na Asembleia) tormaram o poder e elegeram Consules. No final um Cônsul assumiu o poder só - e mais tarde Imperador. Como era Imperador adoptou a Águia Romana, Grega Bizantina e descendentes (Santo Império Romano Germãnico etc.) No caso, como vê a Águia saíu da Direita. São dois filhos inventados pela revolução (que não existiam antes), o caro enganou-se um pouco (tirando uma das duas invenções à sua criadora, e atribuindo o outro irmão ou invenção como exclusivo e característica da criadora de ambas as duas; e o símbolo em concreto, que não é da revolução propriamente, ao irmão e lado errado - porque teve origem na ala direita).

Pedro Sousa disse...

Os Girondinos sobreviventes então.

Pedro Sousa disse...

Embora o Napoleão Bonaparte tenha lutado, mas como militar, de Cabo a General pela República no poder de uns e depois dos outros, contra todos os inimigos (casas Reais) que cercavam a França (brava e heroicamente) e nas guerras civis internas contra o Povo realista algumas vezes, como militar (brutalmente por vezes).