domingo, janeiro 31, 2010

Tripas à republicana!

A receita é a seguinte: como celebrar guerras civis em união nacional?!
Muito simples, aldraba-se a história, aldraba-se o povo, perdão, o cliente, e põe-se o Sócrates a discursar. Juntam-se foguetes, croquetes, idiotas úteis quanto baste, e as (nossas!) tripas estão prontas a servir, no Porto, porque nestas coisas, o Porto não quer ficar atrás de Lisboa!
Antigamente queria, e até tem no seu brasão o dragão dos Bragança, o azul e branco, mas isso foram outros tempos, agora é tudo igual, é tudo união nacional!
Unidos na tragédia, lá vamos cantando e rindo, à espera que alguém nos retire do abismo para onde este magnífico regime nos atirou.
Toca pois a celebrar, motivos não faltam…

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

“Supremo Tribunal é loja maçónica”

Sem novidade, sem que nada aconteça, um novo ano judicial que começa, os velhos discursos de circunstância, repetidos sem pestanejar, é o país que somos, que queremos ser, é a república que vamos celebrar, é a justiça a que temos direito, são as boas sentenças distribuídas entre ‘irmãos’, é a confraria secreta, discreta, é a ética republicana, palavra de passe, usada sem honra, é o que diz o jornal, de hoje, como foi possível chegar a semelhante notícia! E publicá-la! Sem uma réstia de pudor! Um horror.
Transcrevo na parte que interessa:

“O Supremo Tribunal Administrativo é uma loja maçónica criada, instalada, dirigida e presidida por maçons – como aliás, o Supremo Tribunal de Justiça é uma loja maçónica, criada e instalada por maçons”.
A afirmação é feita por José Costa Pimenta, juiz de Direito, que em 1998 foi alvo de um processo disciplinar que ditou a sua aposentação compulsiva e que desde essa data tem vindo a contestar o afastamento… Autor de uma vasta obra jurídica, vai mais longe nas suas considerações e fala em pactos secretos entre tribunais. “A verdade é que as lojas maçónicas, incluindo o Supremo Tribunal Administrativo e a Relação de Lisboa, deixaram-se infiltrar pelo jesuitismo e profanos de avental, que constituíram uma máfia que opera nos tribunais portugueses… e que distribuem sentenças entre si em benefício dos seus irmãos… Os juízes decidem não em função da lei mas sim dos compromissos que assumiram”.

Não podia ser mais claro, só que nada disto é novo, nem se esgota nos tribunais, é um vírus disseminado por todos os órgãos e cargos públicos, sementeira pombalina, estrume francês, colheita napoleónica, e sem registo de interesses. Por isso, quando o interesse da comunidade colide com o interesse da Loja, quem se lixa é Portugal.
Sem apelo nem agravo.
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Saudações monárquicas

Fonte: Correio da Manhã, de 29 de Janeiro de 2010 (o transcrito, são alegações, não desmentidas, que constam de um acórdão que anda semi-desaparecido).

terça-feira, janeiro 26, 2010

Sinais dos tempos

Os índios quando queriam comunicar à distância enviavam sinais de fumo, mas quando o interlocutor estava próximo falavam e diziam o que tinham a dizer. Os portugueses que vivem nos partidos não aprenderam nada com os índios! Tome-se como exemplo a recente discussão sobre o orçamento de estado: - sinais e mais sinais e ninguém se entende.
Pois bem, aquilo que a maioria dos portugueses entende é que este ‘patriotismo orçamental’ se reduz a um jogo de sinais a ver quem fica melhor na fotografia. E todos sorriem ao eleitorado – CDS e PSD disputam a direita sem se comprometerem com ela. O PS faz o mesmo mas sem perder de vista a esquerda. O PCP aproveita a ausência da direita, escondida algures, por estar proibida de existir. O Bloco tenta ocupar território mas confunde a inveja com a esquerda.
Princípios?! Leva-os o vento. A discussão é de meios, de meios que justificam os fins e de fins que justificam os meios. Uma enorme hipocrisia que deixa a política sem nobreza e sem sentido.
Esperanças?!

Saudações monárquicas


Nota: - Entretanto, o ‘prós e contras’ de ontem manteve-se igual a si próprio - “uma peça fundamental da propaganda governamental quanto aos temas, convidados e estratégia. Nunca se desceu tão baixo na sujeição ao poder político”. A opinião é de Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão no jornal Público, opinião que subscrevo.

domingo, janeiro 24, 2010

A história a vir ao de cima!

“Foi por um excesso de iluminismo que se produziu o obscurantismo” – a frase é de Rui Ramos, co-autor de uma História de Portugal (num só volume) que promete destruir alguns mitos regimentais e fazer vir à superfície algumas verdades convenientemente sepultadas.
Sobre a decadência atribuída à Monarquia e à Igreja (teorias importadas da Europa continental) esclarece que o país sempre foi pobre de recursos e que
“no momento decisivo do salto em frente no século XIX… também não tínhamos gente preparada, gente letrada em quantidade suficiente”.
Sobre as razões deste atraso em relação aos países que entretanto se desenvolveram, Rui Ramos diz o seguinte: -

“Há é uma outra explicação que nunca é referida: nenhum desses países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX o fez contra a Igreja; foi sempre em articulação com ela. Ora em Portugal, primeiro com os liberais, a partir de 1820, e depois com os republicanos, o estado não só tentou alfabetizar a população contra a Igreja, como entendia que a alfabetização era um veículo para substituir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa. As ordens religiosas, que em muitos países foram fundamentais para criar uma rede de escolas, em Portugal não podiam sequer ensinar a ler durante a Monarquia constitucional. Ou seja, tínhamos na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou.”

A entrevista continua interessante e arrasadora para o pensamento oficial. Que afinal continua a pensar (e a errar) da mesma maneira.


Saudações monárquicas (pouco liberais)
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.Fontes:
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- Entevista no 'ípsilon', caderno do Público de 22/Janeiro/2010, levada a cabo por José Manuel Fernandes.
- 'História de Portugal', da autoria de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal somos ricos

Em ano de centenário da República vale a pena meditar sobre o seguinte:

Porque é que uma Instituição concorrente, com os mesmos objectivos de representação, gasta muito menos (cerca de metade) em termos globais!
Façamos as contas – a Presidência da República Portuguesa gasta 16 milhões de euros para representar uma população de 10 milhões de portugueses;
A Monarquia Espanhola gasta 9 milhões de euros para representar 40,5 milhões de espanhóis;
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Simplesmente inconcebível! Se ao menos o serviço tivesse outro asseio... mas não tem. Sabemos que não pode ter. O rei representa a história inteira, o presidente representa uma maioria ocasional.

Talvez o banqueiro Santos Silva (presidente das comemorações do centenário da república) nos possa explicar o absurdo. Porque há-de haver uma explicação, nem que seja preciso recorrer (ou revisitar) a célebre ‘ética republicana’.
Entretanto… continuemos a sustentar este luxo. Porque afinal somos ricos.

Saudações monárquicas

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Referendar a república

Lembrou-se o PPM de referendar a monarquia! E para o efeito propõe-se iniciar a necessária recolha de assinaturas, inclusive através da internet.
Pois muito bem, o referendo do regime é um assunto recorrente neste interregno, foi uma promessa republicana, mas a verdade é que passados cem anos a república nunca foi plebiscitada.
Também tenho desenvolvido a teoria de que a haver referendo ele deve incidir em primeiro lugar sobre o regime que temos, se queremos ou não prosseguir nesta senda decadente e dependente. Para em seguida concluirmos pelo regresso ao regime que nos deu vida e grandeza, a monarquia. Penso até que tal tarefa incumbe prioritariamente aos republicanos, pelo menos aos mais conscientes, e isso tem lógica, pois como já em tempos escrevi - quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate.
Penso também que em qualquer circunstância, é sempre melhor haver um referendo clássico do que não haver. Entendo por referendo clássico perguntar a uma população intoxicada pela propaganda republicana se quer a república, que apesar de tudo conhece, ou se quer a monarquia (desprestigiada pela propaganda) e que não conhece. Um referendo nestas condições daria por certo a vitória à república mas tinha duas vantagens para Portugal, a saber: -
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Responsabilizava as pessoas pelo regime que escolheram; e ressuscitava a questão do regime com todas as suas consequências.
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Uma das consequências seria a de pôr as pessoas a pensarem, até porque estou convencido que os resultados obtidos pela monarquia seriam surpreendentes pela positiva.
Mas, (há sempre um mas) muito embora defenda tudo isto desconfio dos promotores da iniciativa, porque o PPM há muito que deixou de ser referência para monárquicos e não só.
Com uma direcção divisionista (e vaidosa), que não fala de monarquia nos locais próprios (assembleia da república), mas não perde uma oportunidade para afrontar o pretendente ao trono, (fazendo claramente o jogo jacobino), dificilmente vai conseguir mobilizar os portugueses para a tarefa ingente de mudar Portugal, para melhor.
Por isso, é com as maiores reservas que olho para esta proposta de referendo, que noutras circunstâncias (por certo) me haveria de entusiasmar.

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A conversa da ética…

Oh senhor presidente, com franqueza, nem no discurso de ano novo! Outra vez essa conversa da ética republicana! Mas quantas vezes é preciso explicar (para que não passe por ignorante) e quantas vezes tenho que o avisar (para que não caia no ridículo) que de cada vez que o senhor fala na ética republicana dá a ideia a quem o ouve (ainda há quem o oiça!) que vivemos oito séculos sem ética e que só nestes últimos cem anos é que descobrimos essa coisa, esse enigma sem representação na realidade, a não ser pelos piores motivos, a que vossa excelência chama ‘ética republicana’!
Já reparou no contra senso?! Que fazem afinal os seus conselheiros?!
Também não lhe explicaram que há pessoas com ética, com valores, e há outras que os não têm, afirmem-se elas monárquicas ou republicanas! Ou está-nos a dizer que temos uma história de oito séculos de independência e grandeza, sem ética, e que passámos para uma historieta de um século de pequenez e dependência, com ética?! Será assim?!
Eu sei que não, sei que diz isso sem convicção, a medo, porque não há mais nada para dizer, estamos em fim de festa, mas fica-lhe mal, é fracturante, deixe essas causas para o governo, e se já ninguém respeita ninguém, respeite ao menos a história portuguesa.

E depois aquilo que diz tem consequências, pegam-lhe na palavra, e temos agora o banqueiro Santos Silva (tinha que ser um banqueiro a presidir ao centenário da república) a repetir a mesma patetice! Com uma agravante, pois ameaça reduzir as comemorações, e vou citar, a ‘revisitar a ética republicana’! Mas como?! Aonde?! Faz parte de algum museu?! Vende-se nos centros comerciais?! Na loja dos chineses?!
E eu que pensava que iam celebrar os regicidas, os carbonários, o desastre da Flandres, a ditadura da segunda república, a descolonização exemplar da terceira, o estado da nação, da educação e da justiça, pilares de qualquer regime, ou o endividamento externo, e a previsível dependência que se avizinha. E a vizinha nunca é inocente. Mas não.

E quem pegou na deixa do banqueiro e ainda disse mais disparates foi a ministra Canavilhas da cultura: - “se mais não houvesse, bastava o sufrágio universal e a ética republicana para que se justificasse a celebração”!
Bem, o sufrágio universal da primeira república era mais redutor que o da monarquia constitucional, não é preciso ser ministra da cultura para saber isso. Quanto à ética republicana voltamos ao mesmo. E vai a senhora gastar dez milhões para celebrar a dita ética (obviamente contra a ética e contra a história) para assim, e volto a citar - “aproximar as várias camadas da população da história portuguesa”!
Com esta gente estamos perdidos.

Saudações monárquicas

terça-feira, janeiro 05, 2010

Com todas as palavras

Descobri Lhasa de Sela no dia da sua morte. Foi um encontro tardio, triste por ser triste, mas com a emoção própria da música que perdura. Pelas suas origens percebe-se o seu canto. Lhasa era mexicana pelo pai e americana pela mãe tendo estabelecido a sua vida no Canadá, pelo menos como ponto de referência, já que peregrinou pelo mundo deixando atrás de si o encanto da sua voz forte e arrastada. Noutro contexto as suas músicas fazem-me lembrar a chilena Violeta Parra ou as baladas de Leonard Cohen. Com a universalidade de se expressar em três línguas tocou por certo o coração de muita gente, daí o culto com que era seguida. Morreu cedo, aos trinta e sete anos.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

SMS de Ano Novo

Confesso que não vou ouvir as habituais mensagens de ano novo, quer do Cardeal Patriarca quer do Presidente da República. Não significa menos respeito por Sua Eminência, (um intelectual reconhecido, pouco dado a beatices mas que não recusa uma boa beata), nem tão pouco pelo supremo magistrado da nação, (pese a visível crise na magistratura), não é nada disso, não vou ouvir porque estou um bocadinho farto de discursos de submissão.
Uma Igreja que pactua com esta experiência europeia, profundamente anti-portuguesa, que visa reproduzir o sonho burocrático da extinta união soviética, usando para tal a tortura económica em lugar da tortura política! Ou então esse delírio jacobino com um imperador de tacão alto enquanto a alemã gorda estiver pelos ajustes! Não, para isso não contem comigo. Já demos essa matéria. E anda tudo doido, desde casamentos homossexuais, projectos de eutanásia, até os pacifistas de ontem reclamam legiões para hoje. Projectos de morte não faltam, basta agitar a sebenta da ‘discriminação’!
E que faz a Igreja?! Protesta, mas submete-se. Recorde-se que o estalinismo conseguiu o mesmo da igreja ortodoxa para prosseguir a sua política nefasta.
Pois bem, e que vai dizer o outro, o presidente (da junta) do desgoverno nacional, (não confundir com o primeiro-ministro que temos) – vai dizer que está comprometido com a política europeia, com o deficit, que vamos continuar a fechar os nossos portos* por causa do (novo) bloqueio continental e que vamos continuar a abrir as nossas fronteiras a todo o lixo que vier.
Para ouvir isto o melhor é mesmo não ouvir.
Se ao menos aparecesse a filha do Eduardo dos Santos a dar-nos alguma esperança e petróleo! Ou o filho do Lula a prometer o mesmo em vacas e zebus! E porque não em Cimpor, no que quiserem… ‘desde que seja nosso’!

Este é o tipo de mensagens que a cada dia que passa me agradam mais. Pelo menos percebo-as, e são em português.
Um Bom Ano
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.* Portugal quer dizer terra de muitos e bons portos.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

A irmandade protege-se

“O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça criticou o juiz de instrução de Aveiro que terá extrapolado das suas funções…” e a notícia segue os seus trâmites com o despacho e as razões do meritíssimo Noronha para considerar nulas as primeiras seis conversas entre Sócrates e o seu amigo Armando Vara, conversas, recorde-se, que levaram o juiz de instrução de Aveiro à presunção do crime de atentado ao estado de direito. Segundo Noronha do Nascimento o juiz de Aveiro ao retirar consequências de conversas interceptadas em que interveio o primeiro-ministro viola o artigo tal e a alínea tal, etc. etc.…

Hesitei no título, podia ter sido, reveillon com o procurador, ou então, trabalhos preparatórios, enquanto não chega a prometida comunicação de Pinto Monteiro sobre os fundamentos do seu despacho de nulidade relativamente às restantes 'conversas em família'. Ainda não é tarde, ainda falta um dia para o trinta e um, por isso aguardemos. Mas, se houver comunicação, não deve andar longe desta oportuna notícia e da não menos oportuna revelação sobre o despacho do presidente do Supremo – ponderosas razões adjectivas naturalmente. O juiz de Aveiro não podia ter ouvido aquilo que ouviu, ou seja, não podia ter ouvido o primeiro-ministro a relatar (ou combinar) um presumível crime, nem que fosse a confissão de um homicídio! Isso é para outros ouvidos, ouvidos superiores e superiormente treinados a ouvir. É assim que a lei deve ser interpretada.
Que rica irmandade, e que rico país!

Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Boas Festas

O Interregno deseja um Bom Natal a todos os que o visitam. E para o novo ano que se avizinha o mesmo voto de sempre: - que o verdadeiro interregno termine o mais rápidamente possível.
Saudações monárquicas.

domingo, dezembro 20, 2009

O arrefecimento lá em casa

Habito uma casa antiga e velha ao mesmo tempo, sinónimo de frinchas nas janelas, ventania pelos corredores, e quando chove, pingadeiras que os telhados já não resolvem! Uma casa onde o aquecimento global ainda não chegou! Então nestes dias frios como o gelo, que desmentem noticiários e conferências (com aquecimento central), eu queria vê-los aqui a rapar… Mas é precisamente nestas alturas que me dá para sonhar! Imagino a verdejante alegria dos vikings ancestrais na ancestral ‘greenland’, hoje glaciar Groenlândia, e não imagino que tenha sido o homem a produzir tais modificações no planeta. Nem me imagino com forças suficientes para interferir na galáxia onde haverá forças mais do que suficientes para esse efeito. Já não falo no plano de Deus para que não me julguem por heresia (ou terrorismo), pois bem sabemos que atrás de um democrata está sempre um déspota, mais ou menos iluminado.
Quem também não acredita nesta história da responsabilidade humana pelo clima em que vivemos é o nosso amigo venezuelano. Chavez já percebeu que lhe estão a ir ao bolso. Por causa dos muçulmanos (e dos longínquos poços, cada vez mais difíceis de defender e controlar) vão querer limitar o poder do petróleo e dos seus legítimos proprietários. É por aqui que entram as energias alternativas, ditas limpas, mas enquanto houver petróleo barato, impossíveis de explorar a um custo razoável. A guerra é esta apesar de reconhecermos que o tema ‘energias renováveis’ é sempre um bom início de conversa. Especialmente para Portugal, que só tem a ganhar com isso, uma vez que não somos produtores de petróleo. Mas éramos, lembrem-se lá…

Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Sequência sinistra

Pinto Monteiro hoje em Belém… Ontem, Cândida de Almeida, directora do DCIAP, reconheceu que o Freeport está “muito perto do fim”… A audiência com Cavaco fará com que Pinto Monteiro esteja ausente na cerimónia de (re)tomada de posse de Noronha do Nascimento, como Presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Uma notícia no jornal, em meia dúzia de linhas é difícil juntar personagens tão sinistras! Escolhidas a dedo, colocadas nos lugares certos, dão-nos a garantia que nenhuma eminência do regime será molestada pela justiça, com letra pequena.

Aceitam-se palpites - o que irá fazer Pinto Monteiro a Belém?!
Irá avisar o PR sobre os perigos de satisfazer o pedido da bancada do PSD, que como se sabe, requereu a publicidade dos despachos de arquivamento do PGR?!
Ou irá combinar uma nova dilação, uma troca de prisioneiros, e a possibilidade de fornecer à população, juntamente com a vacina da gripe, um elixir do esquecimento?!

Perante tais eminências até a natureza se revolta – pela calada da noite, desatenta ao que se passa em Copenhaga, a terra tremeu. Como se fora um golpe de vento… ía-me levando a empena!
Epicentro no Atlântico, fico mais descansado.

sábado, dezembro 12, 2009

Excessos dinásticos

Catarina, nome de imperatriz e de rainha, Castro pelo pai, deputado do PS, aparentada ou ligada às melhores famílias de Abril, não conseguiu ser eleita para o ‘tribunal constitucional’.
Indicada pelo partido socialista, com o acordo dos sociais-democratas, faltaram-lhe uns quantos votos para passar! Mas nada está perdido, vai à segunda chamada em Fevereiro, e se chumbar outra vez, aplica-se a norma europeia dos referendos (com excelentes resultados na Irlanda) – Catarina repetirá o exame até que os seus pares pronunciem o inevitável ‘sim’!
Nada disto tem a ver com Catarina, que será uma jurista de mérito, e perfeitamente capaz de desempenhar o cargo com a mesma eficiência que os outros designados. A questão, como já temos escrito, é de outra ordem, ou se quiserem, de outra desordem. Explico: - em primeiro lugar chamar ‘tribunal’ a um órgão maioritariamente ocupado por comissários políticos, ou seja, por pessoal designado pelos partidos, só pode servir para confundir os portugueses ou desprestigiar a independência de juízes e tribunais.
Em segundo lugar e consequência óbvia da desordem instalada é esta proliferação dinástica que enche e preenche lugares e cargos públicos a uma velocidade e com uma desfaçatez nunca antes vista! É a filha, é o primo, é a amiga do primo, o compadre, várias dinastias que se ajustam, que negoceiam, que trocam favores... e lá em baixo está o povo a olhar!
É também por isso que eu sou monárquico - uma dinastia de cada vez.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Malagrida, Pombal e Copenhaga!

Num artigo fantástico Helena Matos desmonta no Público de hoje o histerismo que se vive em Copenhaga (e no mundo) face às diabruras da natureza. Com a devida vénia transcrevo alguns excertos elucidativos: -
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" Nas Igrejas pode estar a diminuir o número de fiéis, mas nas ruas correm multidões de penitentes. Dizem que vão salvar o planeta e sobretudo comprazem-se em anunciar-lhe o fim... Àqueles que ousam questionar tal Apocalipse acusam de incredulidade e casos existem em que tentaram mesmo criminalizar a formulação destas dúvidas que vêem como uma heresia.
E assim, dois séculos e meio após ter sido escrito o 'Juízo da Verdadeira Causa do Terramoto Que Padeceu a Corte de Lisboa', no primeiro de Novembro de 1755, o padre Gabriel Malagrida tornou-se não só uma obra actual como global...
Nesse século XVIII em que Malagrida foi pregador, o terramoto de Lisboa foi visto como um sinal da ira divina. Cabe perguntar porque se teria zangado Deus em 1755 com esta cidade de Lisboa? Depende da fé dos acusadores. Para o jesuíta Malagrida a zanga de Deus provinha dos 'intoleráveis pecados', como a vaidade, praticados nesta cidade. Para os protestantes aquela catástrofe nascia do desagrado divino com esta Lisboa onde se adoravam imagens, existia a Inquisição e se dizia missa em latim, o que, segundo eles, impedia o conhecimento da palavra de Deus e gerava a sua consequente fúria.
O resto da história é razoávelmente conhecido: o padre Malagrida acabou queimado num auto-de-fé e o Marquez de Pombal reforçou os seus poderes...
Aquele espalhafato penitencial da pegada ecológica que esta semana anda por Copenhaga tem de facto muito do palavreado dos pregadores que, como o pobre Malagrida, aterrorizavam os nossos antepassados, associando os seus pecados aos tremores de terra, à perda de colheitas, às secas ou à fúria das águas. As alterações climáticas sempre aconteceram e a instabilidade do clima sempre reduziu os homens, sejam eles das cavernas ou dos arranha céus, à sua insignificância...
Mas não sejamos inocentes: Malagrida não existe sem Pombal. Por Copenhaga circulam os herdeiros do autoritarismo iluminista que em cada catástrofe, seja ela real ou anunciada, vêem uma possibilidade de aumentar o seu poder para níveis que, se não fosse a ambiência catastrófica, não se aceitariam...'

sexta-feira, dezembro 04, 2009

Escutas falsas na net

Ao que isto chegou! É verdade, houve quem se desse ao trabalho de forjar escutas falsas reproduzindo supostas conversas entre Sócrates e Vara tentando assim iludir os incautos. Via internet tive acesso a esses textos/documentos que logo me pareceram falsos como Judas. Mais tarde confirmei o facto no Público on line. Com efeito, o que aí se pretende (entre palavrões e injúrias para despistar) é nem mais nem menos do que ilibar Sócrates sustentando as desculpas de inocência com que se tem defendido. Nomeadamente a tese de que só soube do negócio entre a PT e a TVI pelos jornais.
Enfim, se dúvidas houvesse sobre a importância das escutas reais entre Vara e Sócrates e da importância que a sua destruição representa para os infractores, essas dúvidas ficam agora desfeitas. Como fica desfeita qualquer dúvida sobre a credibilidade deste regime. Estamos no ponto zero ou como afirmou o Duque de Bragança - Portugal está doente.
No meio da confusão tentam linchar Manuela Ferreira Leite (inclusivé dentro do seu próprio partido!) só porque se atreveu a dizer a verdade, que como já escrevi, é a única questão que interessa ao povo português: - saber se existe matéria crime nas escutas entre Vara e Sócrates?! Pergunta que podemos agora generalizar: -mas afinal quem é esta gente que nos governa?! Que manda no país vai fazer cem anos e conseguiu o feito de nos colocar nos últimos lugares da Europa?! Quem é esta cáfila?!
A resposta está nas escutas falsas que no fundo acabam por retratar os seus autores - um diálogo de labregos, imaginado por labregos, que pensam que Portugal é uma quinta onde podem tripudiar à vontade. Porque ninguém se revolta!
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Saudações monárquicas

quinta-feira, dezembro 03, 2009

Ordem do dia

(Manuela Ferreira Leite e a divulgação das escutas)
Goste-se ou não da senhora a verdade é que deu a única resposta que interessa ao povo português. Eu também quero saber das escutas, quero saber se o primeiro-ministro andou (ou anda) a conspirar no sentido de manipular os media. Sobre este tema, (silenciar a comunicação social adversa), o PM não tem conversas privadas especialmente quando fala com o responsável pelo crédito do BCP. Amigos, amigos, negócios à parte. Diz o povo e com razão.


(Vieira da Silva e a espionagem política)
Outro que tem duas caras e mil condições. Para a próxima seria melhor esclarecer (previamente) o jornalista que estava ali na qualidade de cidadão. Porque nessas circunstâncias não seria entrevistado. É que cidadãos há muitos.


(Projecto do Bloco contra a corrupção)
Ninguém de bom senso pode aprovar propostas do BE seja para o que for. Esta gente tem uma agenda própria e tem da democracia uma visão meramente utilitária. Os bloquistas não estão interessados em acabar com a corrupção mas apenas perseguir adversários selectivamente. Se estivessem preocupados em alterar alguma coisa na fonte do poder (e fonte da corrupção) propunham uma alteração constitucional e acabavam com a famigerada ‘forma republicana de governo’, expressão imutável e guardada a sete chaves pelos verdadeiros patrões (capos) do regime. O resto é conversa.

(Balsemão socialista)
Só agora é que Balsemão descobriu que os sociais democratas e socialistas (portugueses) fazem parte do mesmo partido. Que se sentam lado a lado no parlamento europeu. Não obstante diz-se mais inclinado a ser socialista! Enfim, um luxo de quem é rico e usa o nome enfeitado com brasão.

Saudações monárquicas

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Ó Portugal, se fosses só isto...

Se fosses só cenário
Comissário, celebração
Nome de rua, tratado
Bolha de ar e bola de sabão
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Se fosses só conversa
Papéis para assinar
Jantares de bricolage
Um lego em construção
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Sem pessoas lá dentro
Sem história lá dentro
Sem nada lá dentro
Apenas invenção!
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Se fosses só isto...
Que passa na televisão
Então já não insisto
Peço desculpa e perdão.
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(Inspirado num poema de Alexandre O'Neill)

terça-feira, dezembro 01, 2009

Outra cimeira

O Rei de Portugal entrou no areópago, disse ao Rei de Espanha que estava sentado no seu lugar, intimou Sócrates a meter os Magalhães no saco, pois não era local nem altura para vendedores ambulantes, e aconselhou o duplicado Cavaco Silva a não proferir banalidades. Já com toda a gente nos seus lugares, o Rei português aprestou-se para abrir a conferência ibero-americana, não sem antes sugerir que se houvesse por ali algum Miguel de Vasconcelos, este deveria retirar-se, de preferência pela janela. E discursou em seguida. Uma breve mas portentosa oração: - Estamos aqui pela graça de Deus e não podemos esquecer que o esforço colonizador dos dois países ibéricos levou sempre a Cruz na dianteira. E olhando para o Brasil reafirmou - a força e a importância de Portugal naquela conferência e no mundo actual, são as suas antigas colónias.
Estava aberta a cimeira e estava definida (e representada) a política externa portuguesa. O resto, inovação, conhecimento, Honduras, vêm por acréscimo.

Saudações monárquicas

sábado, novembro 28, 2009

Juízes não são sindicalizáveis

Assim como lhes assiste a razão quando reagem à instrumentalização da justiça pelo poder político (veja-se a composição do Conselho Superior de Magistratura cheio de comissários políticos designados pelos partidos) também é pertinente reafirmar que os juízes não são sindicalizáveis.
E não são sindicalizáveis porque têm um estatuto de independência que não é compatível com a representação por terceiros. A judicatura ou magistratura é por natureza um cargo singular sem vasos comunicantes. Só vai para juiz quem quer, quem aceita a regra, e neste sentido é uma espécie de sacerdócio.
Os problemas logísticos serão resolvidos pelo órgão hierárquico competente, o tal Conselho Superior de Magistratura, limpo de comissários políticos, e que deve endereçar as suas reivindicações à Assembleia da República, incluindo pareceres sobre a justeza das leis que têm que aplicar. A partir daqui o povo português deve responsabilizar a AR pelo estado da justiça, tendo em conta aqueles pareceres. E nas eleições deve premiar ou castigar os partidos políticos.
Não sendo assim, o melhor é voltarmos a pensar em juízes de fora!