sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Digam que é mentira!

Hoje, dia 26 de Fevereiro de 2010, declaro que não existe liberdade de expressão em Portugal.
Provas?!
Imensas, e o meu testemunho, a saber – ao contrário do que tem acontecido com outros convidados pela Comissão de Ética da Assembleia da República, cuja audição tem sido objecto de ampla divulgação, com transmissões directas e integrais nos vários canais noticiosos, públicos e privados, hoje, a anunciada e importante intervenção do director do jornal ‘SOL’ junto daquele órgão de soberania, não mereceu o mesmo tratamento e a mesma atenção por parte dos mesmos órgãos de comunicação social!
Reafirmo 'anunciada' para que se perceba que não foi surpresa, não interferindo assim com a programação; e reafirmo 'importante' para o esclarecimento da opinião pública, lembrando que o 'SOL' é um dos queixosos contra os abusos do poder.
Pois bem, não houve n
enhuma transmissão directa e integral, apenas a RTPN se prestou a um curto directo. De resto, nada!
O próprio Canal Parlamento esteve hoje ocupado com a 'comissão de economia e finanças'.
E se neste último caso podemos compreender a opção, já é muito difícil entender os critérios editoriais dos restantes operadores – RTP2 (transmitia o 'zig-zag'); SIC-Notícias; TVI-Notícias; e RTPN, todas elas tinham a agenda demasiado preenchida!
Se isto não é suspeito, não há suspeitos em Portugal!
Que é afinal o que se passa sempre que existe uma leve suspeita de haver um suspeito… laico, republicano e socialista!
E não passamos disto.

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Leis à la carte!

A república dos segredos quer fechar o país em segredo de justiça! Acossados, aflitos, os socialistas tomam a iniciativa de mais uma lei para responder às necessidades imediatas - a partir de agora, o ministério público pode sobrepor-se (e substituir-se) a qualquer juiz para decretar o segredo de justiça nos processos que o justifiquem. A justificação fica obviamente ao critério do ministério público e a 'ratio legis' desta norma é básicamente a mesma que acompanha todas as leis deste país - a bem da justiça!
Caminho perigoso este que vimos seguindo, não contribui para a confiança interna, afasta o investimento externo, pois ninguém está disposto a aplicar o seu dinheiro num sítio onde as leis podem mudar a qualquer momento e sempre que algum compadre (ou confrade) estiver em maus lençóis! Se não é assim, é essa a sensação com que ficamos.
Portugal não precisa de valorizar o segredo de justiça, precisa, isso sim, de mais transparência na justiça.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Notas à margem

Vivemos tempos de tragédia. Tragédia provocada pelos elementos, chuva e vento que se abateu sobre a Madeira, tragédia que se alimenta de um país pobre e de pobre gente.
Não foi sempre assim, a história portuguesa regista momentos mais virtuosos, onde a nobreza era critério, ainda não se falava de ‘ética republicana’, felizmente, momentos em que a justiça funcionava, porque o árbitro supremo não era troféu eleitoral de ninguém.

Mas a tragédia, como disse, não se resume à Madeira, inclui a actual classe dirigente (em geral) e o primeiro-ministro em particular! Ontem mesmo, naquele programa de ‘prós e prós’, um bom exemplo de condicionamento político sobre a comunicação social, procedia-se a mais uma operação de salvamento de Sócrates! Presentes, alguns personagens para encher programa, peões de brega que preparam a faena do ‘diestro, e este a defender Sócrates de forma exaltada, face às reticências de Vicente Jorge Silva e Rui Machete.

Falou-se de tudo, de revolução francesa, de guerra civil permanente, sentiu-se a falta de um governo mundial, em livro, mas nunca ninguém questionou o actual regime político!
É assim a república, um dogma irresponsável, sem nada a ver com o estado da nação, com as desigualdades, com a justiça, que todos concordam que não existe, mas repito, nem uma palavra sobre o regime!
Afinal está tudo bem, anunciam-se sacrifícios, sabemos quem serão os penitentes, e lá fora uma algazarra de sombras (e candidatos) para ver quem controla o próximo chefe de estado.


Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Faltam os cromos mais difíceis

Estou a escrever este postal e estou a olhar para o polvo a espernear ao ‘Sol’. Gosto dele assado com batatinhas, vejo as fotografias dos figurões (já as tinha recitado há tanto tempo…) mas há qualquer coisa que não me deixa escrever a direito, um zumbido nos ouvidos… Ah, já me lembro, era a caderneta dos cromos, dos bonecos da bola, os que faltam, os mais difíceis de encontrar, e não há para a troca, mas era preciso completar a caderneta. São jogadores discretos, de clubes modestos, tipo Oriental ou Lusitano de Évora, clubes que na altura habitavam na primeira divisão.
Olho outra vez para o polvo e lá estão eles, fotogénicos, reconheço alguns que não paravam de aparecer na televisão no auge da Casa Pia. Depois do Intendente.
À época, estavam ralados com os arguidos de pedofilia, coitados, tão indefesos, a precisarem de mais garantias processuais. Para ver se o processo chegava ao ano três mil! Está quase.
Agora passam a vida a defender o Sócrates, não vá espirrar qualquer coisa para o centenário, para os tais cromos mais difíceis, aqueles que aparecem com falinhas mansas, redondas, como se fosse a primeira vez! Palavras convergentes…
Aqui saltou-me a tampa da caneta, convergência é com o Marcelo das escolhas. Este filho de Baltazar, ministro de Salazar, afilhado de Caetano, munícipe em terras de Basto, sabe-a toda. É ele e o pai Soares, que o Vitorino não leva ninguém atrás. Sabem muito, é o que é.
Mas vamos lá ver: - em que é que o Marcelo estava a pensar quando se saiu com a convergência, leia-se bloco central, ou para encurtar razões, união nacional?!
A coisa foi pronunciada onde devia ser - Espanha, Câmara de Comércio e Indústria, com aquele cheiro a avental tão característico. Marcelo pedia a mão de Vitorino!
Senadores! Disse ele, sabendo perfeitamente que o problema dos senadores é sobreviverem do mesmo tacho que o comum dos deputados. Pares do reino (Lordes) em Inglaterra é outra coisa. Esses só têm assento se tiverem sustento fora do Orçamento de Estado. Outras contas para outra ocasião.
Voltemos à manobra de diversão marcelista para salvar o PS (e o PSD) de uma grande enrascada – o PS agradece naturalmente este habeas corpus milagroso! Com Sócrates em plena fase gonçalvista (falta só o comício de Almada), a balbuciar frases incompreensíveis, sem direito a manifestação de desagravo das mães de Portugal (com o aborto e o casamento gay não podia ser, não é), este gesto de Marcelo só pode ser recebido com enorme regozijo no seio socialista. Seio e o que mais houvesse.
Quando toca a unir os bons espíritos entendem-se. O regime sufoca, logo, a divisa está lançada – a honra pelo deficit!
E coloca-se a questão: - Será que o homem se prepara para se fazer a Belém… com o apoio tácito do bloco central?! Se for assim, o Alegre já foi. E o Cavaco aproveita para ir a banhos até Boliqueime.
Ainda temos o pai Soares e esta estranha candidatura do Nobre! Reedição Pintassilgo para dividir votos?!
Ena pá, tantas jogadas ao mesmo tempo!
Trabalhos de parto, a quarta república vem por aí, silenciosa e para impor o silêncio.
Próprio da Quaresma.

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Quem protege Sócrates?!

Nunca o Sol brilhou tanto em dia de chuva! Até a tabacaria do costume me falhou – ‘já não temos, mais houvesse’!
Tive que o desencantar noutro sítio, não para ler aquilo que já todos conhecemos, mas para me certificar que as notícias estavam lá, escarrapachadas, como era suposto estarem. Ou talvez fosse o prazer de andar com elas, as escutas, debaixo do braço, e ser interpelado, como fui – ‘onde é que conseguiu descobrir o jornal!’

Mas deixemos o Sol e olhemos para o título do postal: - Afinal, quem protege Sócrates?!
Ou dito de outra maneira – Quem manda em Sócrates?! Que incumbências lhe destinaram?!
Posta assim a questão, a resposta pode ser académica – quem manda em Sócrates são os eleitores, são eles que o protegem, e foram eles que o incumbiram de governar.
Um aluno mais afoito, daqueles que acabam o curso com vinte valores, poderia até acrescentar que este tipo de perguntas se pode colocar a propósito de qualquer primeiro-ministro. O que é verdade.
Porém, o que não é verdade, e não me lembro de ocorrência semelhante, é esta ‘trapalhada’ imensa onde jaz submerso o governo… e os restantes órgãos de soberania!
A que não escapa o próprio regime!
E digo isto face à desorientação geral e perante a incapacidade de encontrar uma resposta à altura das circunstâncias.
É como se não estivesse a acontecer nada de importante!
A gravidade da situação é precisamente essa.

Aqui d’el Rei!
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Nota pertinente: - Já depois de publicado este postal tomei conhecimento de uma iniciativa do Bloco de Esquerda para fiscalizar a liberdade de expressão na Madeira! Nada mais a propósito para desviar as atenções do primeiro-ministro!
Não me vou entreter com estas manobras de diversão, mas não deixa de ser curiosa a actuação do Bloco nas matérias relacionadas com a 'Face Oculta'. Pressurosos a solicitar uma comissão de inquérito (para estarem presentes e comandarem as operações) a verdade é que Louçã veio dar uma mãozinha a Sócrates por alturas da discussão do Orçamento. Disse ele dirigindo-se a Sócrates, e cito - 'se as escutas não serviram para a justiça também não servem para o Parlamento'! Uma tirada absurda, que o primeiro-ministro agradeceu naturalmente, mas que espelha duas coisas - a primeira é a eterna confusão entre justiça e política, a mesma confusão que Sócrates e o PS andam a fazer, e que as escutas acabam de provar; em segundo lugar prova-se mais uma vez que o Bloco ainda não deixou de ser o velho aliado (carbonário) do PS e do velho partido republicano... que a maçonaria controlava.
Clarinho como água.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Diógenes de esperança

Eu sou Diógenes
Nesta agonia
Uso lanterna
Em pleno dia!

Eu sou Diógenes
Nesta aflição
Neste país
Sem solução!

Procuro alguém
Que nos liberte
Que seja alguém
Que nos desperte!

Eu sou Diógenes
Mas tenho esperança
Na sua Fé
Na sua lança!

(Refrão)

Já oiço ao longe
O seu galope
Já oiço ao longe
O seu tropel
Já vejo ao longe
O seu estandarte
Azul e branco
Branco corcel!

Cingindo a fronte
Coroa Real
Já vejo ao longe
O seu sinal
Já não está longe
A sua lei
Aqui d’el Rei
Por Portugal!

sábado, fevereiro 06, 2010

A fragilidade republicana

Oiço um som cavo e profundo, como se fora o anúncio de um terramoto, vejo muita a gente a refugiar-se nas ombreiras das portas, dizem que é mais seguro, entendo o silêncio dos partidos, comprometidos com o sistema, e vejo a chefia de estado republicana paralisada, chantageada, é o próprio retrato do regime que se vai celebrando!
Quem se salva?! Em quem confiar?!
Chamo-me Diógenes em pleno dia com a lanterna na mão - Há por aí alguém?! Alguém que nos livre deste cativeiro! Deste pesadelo!
Perguntas devolvidas pelo eco da frustração, uma vida a falar sozinho, as fragilidades do regime expostas no jornal e mesmo assim ninguém percebe ou não quer perceber! Estão todos na ombreira da porta, à espera…
Curioso país este onde se cumprem as revoluções dos outros! Revoluções fora de prazo, que falharam no local de origem, encontram aqui campo para germinar. Neste quintal tudo cresce, tudo medra, à nossa escala, em pequenino, mas cresce.
Parece que é assim desde os ‘afrancesados’. Capturaram o estado, mataram o Rei e substituíram-no por um presidente da república, um alvo fácil de manipular e silenciar. Desde então andamos às voltas, e voltas, mas sempre para baixo.
Aguardemos pelas próximas baixezas…

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Saiam sem fazer barulho

Depois do que vem hoje publicado no 'Sol', ao primeiro-ministro José Socrates e ao seu governo não restam outras alternativas a não ser a demissão. Esta é a opinião do director daquele semanário e penso que deve ser a opinião de qualquer pessoa bem formada.
Mas não chega.
Já sabemos que foi tudo arquivado, destruído, e que no plano da estrita legalidade haverá mil argumentos para ficar tudo como está. Ou não fossem as nossas leis a escapatória ideal para quem tem poder e dinheiro e ao mesmo tempo um euro-milhões para uma elite de juristas que as fez e sabe bem o que fez.
Mas não chega porque na 'face oculta' é o país político que se revela, pois são os políticos que fazem as leis, são eles que organizam o poder, não há mais desculpas.
É por isso que a demissão do governo não chega, e não adianta agitar as bandeiras do costume. Patriotismo, união nacional, etc! Elas já não convencem ninguém. Destruidos os valores onde se alicerçava a comunidade só chega uma coisa... que há-de ser escrita nos muros da cidade: - os políticos que paguem a crise.
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Saudações monárquicas

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Num hotel de Lisboa...

Mesas próximas, feliz coincidência, uma barbie a servir de pau de cabeleira, um cafézinho ensemble para falar do que interessa, e vamos a isto - oh pá, não sejas mau para mim, porque eu tenho aqui o orçamento, vocês comem muito, há letras a vencer, e eu só quero ajudar os privados a serem cada vez menos privados... daquilo que precisam. Resolve-me o problema e eu resolvo-te os problemas. E voltando-se para os caniches de estimação - meninos, rosnem baixinho que está gente a olhar.
Estas cenas passam-se no terceiro mundo e fazem parte de um filme gasto mas que continua a ser visto e apreciado em Portugal.
Do nosso enviado especial no exilio...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

A lição da república – o crime compensa

Ninguém sabe (até hoje) quem mandou matar o Rei e o Príncipe;
Conhecem-se os autores dos disparos, os jagunços, mas ninguém se responsabiliza pelo crime;

Ninguém sabe quem mandou matar Machado dos Santos, herói da rotunda e da república;
Conhecem-se os carrascos, cabo Olímpio, de alcunha ‘dente de ouro’, mais a sua trupe de marinheiros, mas nenhum órgão político, nenhuma organização ou confraria reivindicou o crime;

O mesmo aconteceu com Carlos da Maia e António Granjo, ministros da república e que também foram assassinados às mãos do ‘dente de ouro’;

Ninguém sabe quem mandou matar Sidónio Pais, presidente da república;
Conhece-se o autor, Júlio Costa, mas não se conhece o mandante;

Ninguém sabe quem mandou matar Humberto Delgado;
Num processo duvidoso e acintoso que visava atingir a segunda república ou justificar a terceira, apenas foi possível acusar e julgar à revelia um agente da polícia política, entretanto desaparecido, e que sabemos agora estará provávelmente inocente. É que a pistola incriminatória não foi afinal a arma do crime. O general Humberto Delgado e a sua secretária foram mortos à paulada, de acordo com o relatório forense; o estranho da situação é mais uma vez a ocultação da verdade e o silêncio;

Ninguém sabe quem mandou matar Sá Carneiro;
Sobre este assunto tudo se tem feito ao longo dos anos para manter a dúvida e a irresponsabilidade;

Este é o processo da república e das forças mais ou menos ocultas que a sustentam. Um centenário (cento e dois anos, para sermos precisos) em que foram assassinados dois chefes de estado, o príncipe herdeiro, um candidato à chefia de estado, dois primeiros-ministros, entre outras figuras, maiores ou menores, que têm algo em comum: - tornaram-se um empecilho aos desígnios de quem comanda esta marcha gloriosa para o abismo.

Mais recentemente, e a propósito de outros crimes, como os relatados no processo da Casa Pia, e por estarem indiciadas altas figuras do regime, o figurino é o mesmo - sabe-se que um funcionário da Instituição (o Bibi) praticou esses crimes mas não se sabe (e provávelmente não se vai saber) mais nada.

Publique-se e mande-se celebrar.

domingo, janeiro 31, 2010

Tripas à republicana!

A receita é a seguinte: como celebrar guerras civis em união nacional?!
Muito simples, aldraba-se a história, aldraba-se o povo, perdão, o cliente, e põe-se o Sócrates a discursar. Juntam-se foguetes, croquetes, idiotas úteis quanto baste, e as (nossas!) tripas estão prontas a servir, no Porto, porque nestas coisas, o Porto não quer ficar atrás de Lisboa!
Antigamente queria, e até tem no seu brasão o dragão dos Bragança, o azul e branco, mas isso foram outros tempos, agora é tudo igual, é tudo união nacional!
Unidos na tragédia, lá vamos cantando e rindo, à espera que alguém nos retire do abismo para onde este magnífico regime nos atirou.
Toca pois a celebrar, motivos não faltam…

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 29, 2010

“Supremo Tribunal é loja maçónica”

Sem novidade, sem que nada aconteça, um novo ano judicial que começa, os velhos discursos de circunstância, repetidos sem pestanejar, é o país que somos, que queremos ser, é a república que vamos celebrar, é a justiça a que temos direito, são as boas sentenças distribuídas entre ‘irmãos’, é a confraria secreta, discreta, é a ética republicana, palavra de passe, usada sem honra, é o que diz o jornal, de hoje, como foi possível chegar a semelhante notícia! E publicá-la! Sem uma réstia de pudor! Um horror.
Transcrevo na parte que interessa:

“O Supremo Tribunal Administrativo é uma loja maçónica criada, instalada, dirigida e presidida por maçons – como aliás, o Supremo Tribunal de Justiça é uma loja maçónica, criada e instalada por maçons”.
A afirmação é feita por José Costa Pimenta, juiz de Direito, que em 1998 foi alvo de um processo disciplinar que ditou a sua aposentação compulsiva e que desde essa data tem vindo a contestar o afastamento… Autor de uma vasta obra jurídica, vai mais longe nas suas considerações e fala em pactos secretos entre tribunais. “A verdade é que as lojas maçónicas, incluindo o Supremo Tribunal Administrativo e a Relação de Lisboa, deixaram-se infiltrar pelo jesuitismo e profanos de avental, que constituíram uma máfia que opera nos tribunais portugueses… e que distribuem sentenças entre si em benefício dos seus irmãos… Os juízes decidem não em função da lei mas sim dos compromissos que assumiram”.

Não podia ser mais claro, só que nada disto é novo, nem se esgota nos tribunais, é um vírus disseminado por todos os órgãos e cargos públicos, sementeira pombalina, estrume francês, colheita napoleónica, e sem registo de interesses. Por isso, quando o interesse da comunidade colide com o interesse da Loja, quem se lixa é Portugal.
Sem apelo nem agravo.
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Saudações monárquicas

Fonte: Correio da Manhã, de 29 de Janeiro de 2010 (o transcrito, são alegações, não desmentidas, que constam de um acórdão que anda semi-desaparecido).

terça-feira, janeiro 26, 2010

Sinais dos tempos

Os índios quando queriam comunicar à distância enviavam sinais de fumo, mas quando o interlocutor estava próximo falavam e diziam o que tinham a dizer. Os portugueses que vivem nos partidos não aprenderam nada com os índios! Tome-se como exemplo a recente discussão sobre o orçamento de estado: - sinais e mais sinais e ninguém se entende.
Pois bem, aquilo que a maioria dos portugueses entende é que este ‘patriotismo orçamental’ se reduz a um jogo de sinais a ver quem fica melhor na fotografia. E todos sorriem ao eleitorado – CDS e PSD disputam a direita sem se comprometerem com ela. O PS faz o mesmo mas sem perder de vista a esquerda. O PCP aproveita a ausência da direita, escondida algures, por estar proibida de existir. O Bloco tenta ocupar território mas confunde a inveja com a esquerda.
Princípios?! Leva-os o vento. A discussão é de meios, de meios que justificam os fins e de fins que justificam os meios. Uma enorme hipocrisia que deixa a política sem nobreza e sem sentido.
Esperanças?!

Saudações monárquicas


Nota: - Entretanto, o ‘prós e contras’ de ontem manteve-se igual a si próprio - “uma peça fundamental da propaganda governamental quanto aos temas, convidados e estratégia. Nunca se desceu tão baixo na sujeição ao poder político”. A opinião é de Eduardo Cintra Torres, crítico de televisão no jornal Público, opinião que subscrevo.

domingo, janeiro 24, 2010

A história a vir ao de cima!

“Foi por um excesso de iluminismo que se produziu o obscurantismo” – a frase é de Rui Ramos, co-autor de uma História de Portugal (num só volume) que promete destruir alguns mitos regimentais e fazer vir à superfície algumas verdades convenientemente sepultadas.
Sobre a decadência atribuída à Monarquia e à Igreja (teorias importadas da Europa continental) esclarece que o país sempre foi pobre de recursos e que
“no momento decisivo do salto em frente no século XIX… também não tínhamos gente preparada, gente letrada em quantidade suficiente”.
Sobre as razões deste atraso em relação aos países que entretanto se desenvolveram, Rui Ramos diz o seguinte: -

“Há é uma outra explicação que nunca é referida: nenhum desses países que conseguiram uma alfabetização de massas durante o século XIX o fez contra a Igreja; foi sempre em articulação com ela. Ora em Portugal, primeiro com os liberais, a partir de 1820, e depois com os republicanos, o estado não só tentou alfabetizar a população contra a Igreja, como entendia que a alfabetização era um veículo para substituir a educação religiosa por uma educação cívica formatada em Lisboa. As ordens religiosas, que em muitos países foram fundamentais para criar uma rede de escolas, em Portugal não podiam sequer ensinar a ler durante a Monarquia constitucional. Ou seja, tínhamos na Igreja uma instituição que podia ter sido fundamental para a alfabetização da população e preferimos chamar tudo para a alçada do Estado, que não tinha recursos e, portanto, falhou.”

A entrevista continua interessante e arrasadora para o pensamento oficial. Que afinal continua a pensar (e a errar) da mesma maneira.


Saudações monárquicas (pouco liberais)
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.Fontes:
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- Entevista no 'ípsilon', caderno do Público de 22/Janeiro/2010, levada a cabo por José Manuel Fernandes.
- 'História de Portugal', da autoria de Rui Ramos, Bernardo Vasconcelos e Sousa e Nuno Gonçalo Monteiro.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

Afinal somos ricos

Em ano de centenário da República vale a pena meditar sobre o seguinte:

Porque é que uma Instituição concorrente, com os mesmos objectivos de representação, gasta muito menos (cerca de metade) em termos globais!
Façamos as contas – a Presidência da República Portuguesa gasta 16 milhões de euros para representar uma população de 10 milhões de portugueses;
A Monarquia Espanhola gasta 9 milhões de euros para representar 40,5 milhões de espanhóis;
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Simplesmente inconcebível! Se ao menos o serviço tivesse outro asseio... mas não tem. Sabemos que não pode ter. O rei representa a história inteira, o presidente representa uma maioria ocasional.

Talvez o banqueiro Santos Silva (presidente das comemorações do centenário da república) nos possa explicar o absurdo. Porque há-de haver uma explicação, nem que seja preciso recorrer (ou revisitar) a célebre ‘ética republicana’.
Entretanto… continuemos a sustentar este luxo. Porque afinal somos ricos.

Saudações monárquicas

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Referendar a república

Lembrou-se o PPM de referendar a monarquia! E para o efeito propõe-se iniciar a necessária recolha de assinaturas, inclusive através da internet.
Pois muito bem, o referendo do regime é um assunto recorrente neste interregno, foi uma promessa republicana, mas a verdade é que passados cem anos a república nunca foi plebiscitada.
Também tenho desenvolvido a teoria de que a haver referendo ele deve incidir em primeiro lugar sobre o regime que temos, se queremos ou não prosseguir nesta senda decadente e dependente. Para em seguida concluirmos pelo regresso ao regime que nos deu vida e grandeza, a monarquia. Penso até que tal tarefa incumbe prioritariamente aos republicanos, pelo menos aos mais conscientes, e isso tem lógica, pois como já em tempos escrevi - quem fez o nó que nos aperta a garganta, que o desate.
Penso também que em qualquer circunstância, é sempre melhor haver um referendo clássico do que não haver. Entendo por referendo clássico perguntar a uma população intoxicada pela propaganda republicana se quer a república, que apesar de tudo conhece, ou se quer a monarquia (desprestigiada pela propaganda) e que não conhece. Um referendo nestas condições daria por certo a vitória à república mas tinha duas vantagens para Portugal, a saber: -
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Responsabilizava as pessoas pelo regime que escolheram; e ressuscitava a questão do regime com todas as suas consequências.
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Uma das consequências seria a de pôr as pessoas a pensarem, até porque estou convencido que os resultados obtidos pela monarquia seriam surpreendentes pela positiva.
Mas, (há sempre um mas) muito embora defenda tudo isto desconfio dos promotores da iniciativa, porque o PPM há muito que deixou de ser referência para monárquicos e não só.
Com uma direcção divisionista (e vaidosa), que não fala de monarquia nos locais próprios (assembleia da república), mas não perde uma oportunidade para afrontar o pretendente ao trono, (fazendo claramente o jogo jacobino), dificilmente vai conseguir mobilizar os portugueses para a tarefa ingente de mudar Portugal, para melhor.
Por isso, é com as maiores reservas que olho para esta proposta de referendo, que noutras circunstâncias (por certo) me haveria de entusiasmar.

Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A conversa da ética…

Oh senhor presidente, com franqueza, nem no discurso de ano novo! Outra vez essa conversa da ética republicana! Mas quantas vezes é preciso explicar (para que não passe por ignorante) e quantas vezes tenho que o avisar (para que não caia no ridículo) que de cada vez que o senhor fala na ética republicana dá a ideia a quem o ouve (ainda há quem o oiça!) que vivemos oito séculos sem ética e que só nestes últimos cem anos é que descobrimos essa coisa, esse enigma sem representação na realidade, a não ser pelos piores motivos, a que vossa excelência chama ‘ética republicana’!
Já reparou no contra senso?! Que fazem afinal os seus conselheiros?!
Também não lhe explicaram que há pessoas com ética, com valores, e há outras que os não têm, afirmem-se elas monárquicas ou republicanas! Ou está-nos a dizer que temos uma história de oito séculos de independência e grandeza, sem ética, e que passámos para uma historieta de um século de pequenez e dependência, com ética?! Será assim?!
Eu sei que não, sei que diz isso sem convicção, a medo, porque não há mais nada para dizer, estamos em fim de festa, mas fica-lhe mal, é fracturante, deixe essas causas para o governo, e se já ninguém respeita ninguém, respeite ao menos a história portuguesa.

E depois aquilo que diz tem consequências, pegam-lhe na palavra, e temos agora o banqueiro Santos Silva (tinha que ser um banqueiro a presidir ao centenário da república) a repetir a mesma patetice! Com uma agravante, pois ameaça reduzir as comemorações, e vou citar, a ‘revisitar a ética republicana’! Mas como?! Aonde?! Faz parte de algum museu?! Vende-se nos centros comerciais?! Na loja dos chineses?!
E eu que pensava que iam celebrar os regicidas, os carbonários, o desastre da Flandres, a ditadura da segunda república, a descolonização exemplar da terceira, o estado da nação, da educação e da justiça, pilares de qualquer regime, ou o endividamento externo, e a previsível dependência que se avizinha. E a vizinha nunca é inocente. Mas não.

E quem pegou na deixa do banqueiro e ainda disse mais disparates foi a ministra Canavilhas da cultura: - “se mais não houvesse, bastava o sufrágio universal e a ética republicana para que se justificasse a celebração”!
Bem, o sufrágio universal da primeira república era mais redutor que o da monarquia constitucional, não é preciso ser ministra da cultura para saber isso. Quanto à ética republicana voltamos ao mesmo. E vai a senhora gastar dez milhões para celebrar a dita ética (obviamente contra a ética e contra a história) para assim, e volto a citar - “aproximar as várias camadas da população da história portuguesa”!
Com esta gente estamos perdidos.

Saudações monárquicas

terça-feira, janeiro 05, 2010

Com todas as palavras

Descobri Lhasa de Sela no dia da sua morte. Foi um encontro tardio, triste por ser triste, mas com a emoção própria da música que perdura. Pelas suas origens percebe-se o seu canto. Lhasa era mexicana pelo pai e americana pela mãe tendo estabelecido a sua vida no Canadá, pelo menos como ponto de referência, já que peregrinou pelo mundo deixando atrás de si o encanto da sua voz forte e arrastada. Noutro contexto as suas músicas fazem-me lembrar a chilena Violeta Parra ou as baladas de Leonard Cohen. Com a universalidade de se expressar em três línguas tocou por certo o coração de muita gente, daí o culto com que era seguida. Morreu cedo, aos trinta e sete anos.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

SMS de Ano Novo

Confesso que não vou ouvir as habituais mensagens de ano novo, quer do Cardeal Patriarca quer do Presidente da República. Não significa menos respeito por Sua Eminência, (um intelectual reconhecido, pouco dado a beatices mas que não recusa uma boa beata), nem tão pouco pelo supremo magistrado da nação, (pese a visível crise na magistratura), não é nada disso, não vou ouvir porque estou um bocadinho farto de discursos de submissão.
Uma Igreja que pactua com esta experiência europeia, profundamente anti-portuguesa, que visa reproduzir o sonho burocrático da extinta união soviética, usando para tal a tortura económica em lugar da tortura política! Ou então esse delírio jacobino com um imperador de tacão alto enquanto a alemã gorda estiver pelos ajustes! Não, para isso não contem comigo. Já demos essa matéria. E anda tudo doido, desde casamentos homossexuais, projectos de eutanásia, até os pacifistas de ontem reclamam legiões para hoje. Projectos de morte não faltam, basta agitar a sebenta da ‘discriminação’!
E que faz a Igreja?! Protesta, mas submete-se. Recorde-se que o estalinismo conseguiu o mesmo da igreja ortodoxa para prosseguir a sua política nefasta.
Pois bem, e que vai dizer o outro, o presidente (da junta) do desgoverno nacional, (não confundir com o primeiro-ministro que temos) – vai dizer que está comprometido com a política europeia, com o deficit, que vamos continuar a fechar os nossos portos* por causa do (novo) bloqueio continental e que vamos continuar a abrir as nossas fronteiras a todo o lixo que vier.
Para ouvir isto o melhor é mesmo não ouvir.
Se ao menos aparecesse a filha do Eduardo dos Santos a dar-nos alguma esperança e petróleo! Ou o filho do Lula a prometer o mesmo em vacas e zebus! E porque não em Cimpor, no que quiserem… ‘desde que seja nosso’!

Este é o tipo de mensagens que a cada dia que passa me agradam mais. Pelo menos percebo-as, e são em português.
Um Bom Ano
.
.* Portugal quer dizer terra de muitos e bons portos.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

A irmandade protege-se

“O Presidente do Supremo Tribunal de Justiça criticou o juiz de instrução de Aveiro que terá extrapolado das suas funções…” e a notícia segue os seus trâmites com o despacho e as razões do meritíssimo Noronha para considerar nulas as primeiras seis conversas entre Sócrates e o seu amigo Armando Vara, conversas, recorde-se, que levaram o juiz de instrução de Aveiro à presunção do crime de atentado ao estado de direito. Segundo Noronha do Nascimento o juiz de Aveiro ao retirar consequências de conversas interceptadas em que interveio o primeiro-ministro viola o artigo tal e a alínea tal, etc. etc.…

Hesitei no título, podia ter sido, reveillon com o procurador, ou então, trabalhos preparatórios, enquanto não chega a prometida comunicação de Pinto Monteiro sobre os fundamentos do seu despacho de nulidade relativamente às restantes 'conversas em família'. Ainda não é tarde, ainda falta um dia para o trinta e um, por isso aguardemos. Mas, se houver comunicação, não deve andar longe desta oportuna notícia e da não menos oportuna revelação sobre o despacho do presidente do Supremo – ponderosas razões adjectivas naturalmente. O juiz de Aveiro não podia ter ouvido aquilo que ouviu, ou seja, não podia ter ouvido o primeiro-ministro a relatar (ou combinar) um presumível crime, nem que fosse a confissão de um homicídio! Isso é para outros ouvidos, ouvidos superiores e superiormente treinados a ouvir. É assim que a lei deve ser interpretada.
Que rica irmandade, e que rico país!

Saudações monárquicas