segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Os heróis esquecidos

Hoje, não sei se para celebrar alguma data ou por mero acaso, a SIC Notícias abriu o seu programa ‘opinião pública’ a um debate sobre a situação dos ex-combatentes, e a forma (miserável) como têm sido tratados após o 25 de Abril de 1974. Convidado, nem de propósito, Fernando Dacosta, ele que foi um dos mais tenazes defensores da descolonização (tal como aconteceu) mas que, como outros, encetou nos últimos tempos vertiginosa reciclagem, ao ponto de se tornar num íntimo biógrafo de Salazar, provávelmente contra a vontade do morto. Mas como dizia, este Fernando Dacosta metia dó! Um ar lacrimejante, piedoso mesmo, face aos testemunhos (tremendos!) de alguns dos que combateram em defesa de uma ideia de Pátria que lhes foi transmitida por pais, avós, os ‘egrégios avós’ de que nos fala o hino.
As justificações de Dacosta eram as do costume, destruturantes, sem lógica, naquela linha de que devíamos ter evitado a guerra colonial, que a guerra é um horror, etc., até ficarmos com a sensação de que nunca devíamos bater-nos por aquilo que consideramos serem os nossos interesses vitais, por aquilo que achamos que nos pertence, que nos foi legado, ou que simplesmente nos comprometemos a guardar?! Será isso?!
Nem se esqueceu de esgrimir o esfarrapado argumento de que aquela guerra não era nossa, mas sim das grandes potências, e que portanto o melhor seria não nos metermos nisso!
O que apetecia perguntar a este Dacosta e a outros, com ou sem costas, era se amanhã aparecer (e já esteve mais longe) uma ‘frente de libertação do algarve’ com sotaque mourisco, se começarem a rebentar bombas e minas, se devemos defender-nos ou será melhor sentarmo-nos à mesa das negociações e ceder tudo e mais alguma coisa?! Não vá haver baixas ou os ‘horrores da guerrra’.
De facto, com Dacostas destes, até o Condado Portucalense pode estar em causa!

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Alentejo adiante…

Alentejo adiante
Quis saber se existia
Arredio e errante
Um vestígio presente
Uma ideia remota
Que houvesse ficado…
O meu ser sepultado
No meu ser mais distante

A herança jacente
De algum antepassado
A lavoura imponente
Com parelhas e gado
A planície gigante
Um sol de brancuras
A ermida inocente
Gaviões nas alturas

Corri montes maiores
Sofri danos menores
Perguntei pelo pão
Ao suor do ganhão
À ceifeira que havia
Ao cão que latia
Inquiri lavradores
Perguntava e seguia

Os ouvidos à escuta
Ao sinal dos sentidos
Aos sobreiros despidos
Perguntei se sabiam
Ou se alguém me chamou…
Mas ninguém me chamou...
Nem um ai, nem um grito
A dizer… aqui estou!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

‘São tantos… que não podem ser tantos’

Fernando Pessoa imortalizou a expressão aludindo à impossibilidade de sermos todos iguais, pese a fraqueza geral que nos leva a querer ser todos iguais, ou seja, iguais a zero. A doença piora quando nos damos conta que esta fraqueza aparece disfarçada de força, sempre que pode e quando convém! A verdade (verdadinha) é que bastou abrir a televisão, meia dúzia de segundos, se tanto, para surpreender os três canais noticiosos enfiados num hotel de Vila Nova de Gaia onde se hospeda, imagine-se, o Benfica! Mais, uma locutora, visivelmente emocionada, para não dizer outra coisa, virou-se na cadeira com tanto entusiasmo que vi jeitos da senhora partir também para o dito hotel!
Mas o que é isto? É só alienação? Ou é mais qualquer coisa?
Enfim, fico espantado com tanta anormalidade, e eu, que sempre frequentei o futebol (que fui praticante federado na minha juventude) começo afastar-me deste fenómeno verdadeiramente doentio, que não tem nada a ver com futebol e com quem o entende numa óptica de normalidade desportiva.
Lá está… “são tantos, que não podem ser tantos”!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Pobre país…

Hoje
Um dia que é noite
De homens honrados
Amigos
Mesmo inimigos
Sacodem culpados
Não escondem a culpa
Que é de todos nós
Mas não
É tudo ao contrário
Estridentes desculpas
Repousam nas arcas
Em arcas fechadas
Onde o crime é herói
E o herói do crime
É herói do regime!

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Tinta no dedo!

Uns ganham outros perdem, mas aqui ganham todos ou quase todos, quem ganhou de facto (com isto) queixa-se dos outros candidatos, meninos feios e maus, que não o deixam ser alto e sério, humilde, o melhor aluno da Europa em tempo de auto estradas… mas voltemos aos resultados, aos analistas, também sou analista, sem as quotas em dia, mas afinal em que ficamos, qual é o valor real da abstenção?!
Não pergunto por perguntar, pergunto porque já se percebeu que a abstenção é grande inimiga da situação, do regime que insiste em legitimar-se através do voto. Porém, na guerra dos números, chegam-nos notícias dos cadernos eleitorais, imaginem que ainda por lá sobrevivem um milhão e duzentos e cinquenta mil mortos, incluindo emigrantes… neste mundo! Sabemos também que houve problemas com os cartões de eleitor, tudo somado, quem nos garante que o resto dos cadernos eleitorais está certo? Quem nos garante que estas (e outras) eleições são válidas?
Ninguém.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Porque não voto

Porque não voto
Passo a explicar
Não vai em prosa
Que a prosa cansa
Fiz estes versos
Podem cantar

Já vos contei
Esta eleição
De nada serve
Não muda nada
Nada promete
É uma ilusão

Pelo que sei
O problema
Está na raiz
Mas ninguém fala
Faz falta um rei
Mas ninguém diz!

Que desperdício!
Que brincadeira!
Gastar dinheiro
Num duplicado
E pôr dois galos
Na capoeira!

Vamos ao fundo
Nulos ou brancos
Votar ou não
Só alimenta
Quem se alimenta
Da situação

Por isso mesmo
Eu voto não.

terça-feira, janeiro 18, 2011

É o mar, estúpidos!

É o mar, pois sim
É o mar, pois não
É o mar que temos
Aqui mesmo à mão
.
É o mar falado
Em cada eleição
É o mar calado
Passada a função
.
É o mar, pois é
Nossa salvação
É o mar, pois sim
Europa é que não
.
É o mar, pois não
É o mar de vez
É o mar que um dia...
Já foi português
.
É um mar de gente
Que não sabe olhar
Tem o mar em frente
E não vê o mar!
.
É o mar... estúpidos!




segunda-feira, janeiro 03, 2011

Sobreviver

Ao correr da pena as coisas boas dediquei-me à poesia trovadoresca para esquecer para lembrar sem pontuação com a música ao correr da pena.

As coisas más sem vírgulas o pequeno dislate do novo ano na voz do chefe de estado dos republicanos. A mesma conversa do soviete supremo existe crise profunda mas não existe uma questão de regime a culpa é da economia e finanças a culpa morre sempre solteira. Falou do centenário comparou épocas incomparáveis falou das décadas em que perdemos a independência - votada em Côrtes pela nação – numa ligeira concessão à gramática mas não falou da actual perda de independência em favor de Bruxelas etc. – Nunca votada em Côrtes por ninguém. Perceberam a diferença?

As coisas péssimas aquele programa de fim de ano da RTP as mesmas graças repetidas sem graça as repetidas imitações também sem graça no pior da revista à portuguesa um revivalismo asfixiante a impotência de criar seja o que for a ideia de que isto está por dias que a civilização está por horas!

As coisas óptimas, com pontuação e com devida vénia, a Mensagem de Natal dos Arautos D’El-Rei:




MENSAGEM DE NATAL
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As grandes transformações sociais que se têm verificado no nosso País e no Ocidente em geral, conduzidas sob a capa de democracia e liberdade, não são senão uma etapa para minar os alicerces da Civilização Cristã, para corromper as Nações e para enfraquecer a vontade e a razão de cada ser humano, com o derradeiro objectivo de impor um socialismo total, sem Deus, sem Religião, sem Família, sem Liberdade, em suma, sem os Valores que nos regeram durante tantos séculos.
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Assim, pois, se formos alheios a essas transformações, de nada nos vale tentarmos construir o edifício da Monarquia sobre o terreno pantanoso e fétido em que já estamos a viver, sob um regime que manifesta abertamente a sua afinidade com os sistemas totalitários, ateus e confiscatórios.
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A restauração da Monarquia, portanto, tem necessariamente que passar por uma restauração da Sociedade e dos nossos Valores cristãos. É fácil compreender que, sem isso, ela nunca poderá ser autêntica nem sustentável.
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Neste Natal pedimos, pois, ao Divino Infante por intermédio de Sua Mãe Santíssima que a todos os nossos colaboradores, amigos simpatizantes, conceda a coragem, a confiança e a abnegação necessárias para nos empenharmos convictamente na defesa da nossa Fé e na Restauração de Portugal pela Monarquia.
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Arautos d'El-Rei - Natal de 2010

sexta-feira, dezembro 24, 2010

É Natal e nevou…

É Natal e nevou...
Quem será que nasceu!
Quem será que chegou!

Este frio não se sente
Chegou tão de repente
Quem será que chegou!

Oiço sinos no Céu
Quem será que nasceu!
Quem será que me diz
O que aconteceu!
Nesta noite feliz
Uma estrela brilhou
Quem será que nasceu!
Quem será que chegou!

Dizem que é um menino
Que nasceu pobrezinho
É Natal e nevou…

Dizem que é Salvador
Que é Deus Nosso Senhor
É Natal e chegou

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A vontade popular!

Usurpar é uma palavra difícil, as novas gerações não a entendem, talvez a confundam com urso polar! A ilegitimidade também é difícil de entender, porque não se aplica, uma vez que tudo é legítimo em nome da vontade popular! Que quero eu dizer com isto?! Apenas isto: - se fosse presidente da república teria sempre aquela sensação estranha de estar a mais nalgumas situações e a menos noutras, ou seja, estaria sempre desconfortável. A mais, naquelas cimeiras em que os reis falam com os reis, no mesmo plano, enquanto os presidentes surgem equiparados aos primeiros-ministros, numa duplicação inútil e dispendiosa. A menos, quando o presidente eleito por uma maioria momentânea, datada, tenta representar a raiz e a história de um povo que só um vínculo com a mesma idade (e da mesma natureza) poderia representar. É este absurdo que nos reconduz à usurpação e à ilegitimidade, as tais palavras difíceis, que apesar de difíceis, põem em causa com toda a facilidade esse outro conceito (simplex) a que chamamos… ‘vontade popular’!


Saudações monárquicas

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Notícias da dependência

Dizia Medina Carreira que a pergunta que (actualmente) deve ser colocada aos portugueses não é – ‘o que fazer?!’ – mas sim – ‘quem vai fazer?!’
Destruía assim, de uma penada, as teses fantasistas do convidado de serviço ao ‘plano inclinado’, o jornalista Vicente Jorge Silva. E destruía bem, pois o ‘estado de dependência’ é uma doença que deve ser assumida sem embustes, para então nos podermos tratar convenientemente. Sem esse primeiro passo, não conseguimos dar o segundo, e ficaremos eternamente entretidos a contar mentiras uns aos outros. Que é o que temos feito.
E mentirosos há muitos, já nos habituámos a identificar alguns, por serem mais evidentes, compulsivos, mas não são esses os mais perigosos. Verdadeiramente nefastos são aqueles que tomamos por sérios, que aparecem (agora e sempre) como não tendo qualquer responsabilidade na crise em que vivemos, não apenas crise económica e financeira, mas na outra, anterior e bem mais grave, uma crise de valores, de que resultaram opções e caminhos errados que nos trouxeram até aqui. Esses, que gostamos de ouvir na TV, que reconhecemos como reserva da república, esses nunca estiveram na reserva, estiveram sempre no activo, foram eles, aliás, que tomaram as decisões de fundo… que nos atiraram ao fundo!
Mas não importa, repetiremos o erro, (somos assim!), terão outra oportunidade, serão de novo depositários da nossa confiança e dos nossos votos, como um mal menor!
Só que um mal menor não responde à pergunta – ‘quem vai fazer?!’ – pela simples razão de que já lá estiveram (muitos anos) e não fizeram.

Saudações monárquicas

terça-feira, dezembro 14, 2010

Aviões de sentido único!

Não temos dúvidas, os americanos andam desesperados e pediram ajuda a Portugal! Já perceberam que o fenómeno Wikileaks só pode ser esconjurado através de equipas especializadas na destruição de informação (com particular relevo para escutas em cassetes) e essas equipas estão hoje localizadas no nosso país! Com efeito, possuímos um amplo sistema normativo (um dos maiores do mundo), inversamente proporcional à exiguidade do actual território, sistema esse que permite tudo e não permite nada, consoante pessoas e casos. Para além disso (e voltamos aos especialistas) a procuradoria geral da república, bem apoiada pelo meretíssimo do supremo, desenvolve teorias de investigação extremamente avançadas que não dão quaisquer hipóteses aos divulgadores de mentiras em segredo de estado. Temos o exemplo da procuradora Cândida (que anda a ler notícias) e já descobriu que podem existir aviões de sentido único, ou seja, de Guantanamo para o resto do mundo (com passagem pelas Lajes) mas quando regressam (com ou sem 'bagagem') vão dar uma grande volta ou então não regressam mais!
É uma teoria que ameaça fazer escola e que destrói inclusivé a lógica dos 'torna viagem', as caravelas que faziam a rota das Índias... da nossa grandeza.
Em suma, a solução do caso Wikileaks passa definitivamente por Portugal.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

O que faz falta...

Ontem vi uma cabra
Hoje li um conceito

Estou portanto desfeito
Vou pôr a cabra a rimar!
Mas qual será o efeito
Se ela só sabe pastar!
Sem jeito para sair desta
Sem repetir o conceito
Mudo de verso a preceito
E desta história funesta
Hei-de sair a cantar!
A cabra há-de rimar!
Quem se atreve a duvidar?!
Tenho alarde e fantasia…
Só me falta a poesia!

terça-feira, dezembro 07, 2010

Um Rei em Timor

Quando lhe for concedida a nacionalidade timorense o Duque de Bragança, herdeiro dos reis de Portugal, não será um cidadão comum naqueles confins da Oceania! Bem pelo contrário, será o símbolo vivo de uma unidade política que vem do passado e que muitos timorenses quererão perpetuar no futuro. Aquele povo sempre reconheceu os sinais da sua identidade, sinais que Dom Duarte em recente entrevista definiu magistralmente – ‘o que distingue um timorense de um indonésio é aquele espírito cristão, de caridade e de respeito pelos outros que não existe na Indonésia’. Os timorenses gostam da sua cultura e querem mantê-la.
E nós aqui no rectângulo, o que esperamos para reconquistar a nossa identidade, actualmente desfigurada por falsos valores que nos envergonham?!
Talvez seja necessário requerermos (todos) também a dupla nacionalidade para reconstruir a partir de Timor tudo aquilo que perdemos. Um novo reino de que nos possamos orgulhar!
Talvez que Timor seja o exemplo que esperávamos! O país mais exíguo, o mais pobre da comunidade lusíada, o último a aceder à independência, mas o primeiro que se prontificou a ajudar-nos!
Quem sabe se não passa por Timor o regresso ‘à lusitana antiga liberdade’!

Saudações monárquicas

Os ibéricos

Os ibéricos são gente curiosa e paradoxal! Falam do mar mas pensam em praias e piscinas, escrevem sobre a pátria mas gostam de viver noutro sítio, e no futebol, sugerem ligas ibéricas ou similares. Vão avançando, a medo, mas sempre com a convicção peregrina que descobriram a pólvora do futuro!
Mas vamos à parte paradoxal do assunto: - sempre que idealizam realizações ibéricas, seja uma candidatura comum (a qualquer coisa) seja um campeonato de berlinde, os ditos ‘ibéricos’ partem do princípio que a Espanha é una e indivisível o que convenhamos não é bem verdade! Acresce que estamos a falar de pessoas que fazem questão em ser republicanas e não percebem (ou não querem perceber!) que a unidade espanhola só existe porque existe a monarquia, pois de contrário o mais certo seria a fragmentação do país vizinho. E lá se íam as candidaturas e os campeonatos de berlinde por água abaixo!
Aliás, e para quem tem alguma noção histórica, o cenário fragmentado (de reinos e condados) foi precisamente de onde viemos nos alvores medievais. Foi a partir daí que se foram construindo (a duras penas) duas realidades históricas distintas, dois países que ainda permanecem – Portugal e Espanha.
Portanto, até aqui nada de novo.
Agora o que me parece novo (nestes ibéricos) é este desejo de dependência, esta febre para se atirarem (de novo) para o regaço de Castela!
Será assim?!


Saudações monárquicas

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Reformas... o exemplo vem da Suíça!

Curiosamente ou talvez não esta reportagem passou apenas na RTP 2! Os outros canais noticiosos (que repetem tudo até á exaustão) esqueceram-se!
Porque será?

domingo, dezembro 05, 2010

POBRES DOS NOSSOS RICOS...

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.


Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)

MIA COUTO (escritor moçambicano)

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Tempos e resultados

Elegeram o Marinho! Os socretinos esfregaram as mãos de contentes, e para fazerem o pleno faltava apenas que a candidatura ibérica ganhasse! Azar, mas foi a nossa sorte. Os fifas pensaram melhor no assunto, tiveram medo da imprensa do Reino Unido (que é livre), e despacharam a bola para longe, para a Rússia, clima onde as luvas são vulgares, indispensáveis até, e ninguém repara nelas.

Mas elegeram o Marinho! O tal que mata e esfola mas é um simples serventuário do poder… laico, republicano e socialista. Os advogados que votaram nele, coitados, é que não são, aliás não são nada, e se são alguma coisa, não aspiram ao socialismo. Nem os socialistas aspiram. Neste jogo de enganos, enganaram-se outra vez! É normal.

Pois é, calhava tão bem este mundial! Empurrávamos tudo para a frente, com a barriga, e durante mais seis ou sete aninhos viveríamos novo conto de fadas! O TGV, o aeroporto, tornavam-se de repente, não só viáveis, como prioritários, as construtoras do regime entravam em ebulição, os políticos do regime em delírio, os bancos amigos financiavam tudo outra vez, os estádios do regime tinham que ser aumentados, os outros voltavam a justificar-se durante quinze dias, e quando a festa acabasse, quando o último foguete estoirasse, estávamos no mesmo sítio onde hoje estamos e com os mesmos problemas que hoje temos. Não vale a pena explicar porque a explicação para o ‘provincianismo português’ já tem autor. A título de adenda bastam duas perguntas que talvez espelhem a doença:

- Porque é que na altura não se construiu apenas um estádio na segunda circular com a possibilidade de ser utilizado por dois clubes e com uma lotação que permitisse receber meias-finais e finais de um mundial de futebol?!
- Porque é que, por exemplo, a população de Leiria e arredores não frequenta o clube da sua terra e em vez disso prefere ir a Alvalade ou ao estádio da Luz?!

Enquanto não pudermos dar uma resposta satisfatória a estas duas questões, deixemo-nos de fantasias. Qualquer investimento será sempre um pseudo-investimento para engordar os mesmos e emagrecer o país.

Saudações monárquicas

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Sob o signo do D

Celebramos hoje no centro comercial mais próximo a dependência. Dependência absoluta, consumista, compulsiva, o ter (no lugar do ser) como único horizonte de vida!
Em nome da dependência celebramos a dívida. Dívida crescente, galopante, dívida lógica numa sociedade que apregoa direitos e esquece os deveres!
Celebramos também a desistência. Desistência de um projecto histórico que levou séculos a construir!
E tudo isto me ocorre num primeiro dia de Dezembro!
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