sexta-feira, setembro 29, 2017

A república de Oeiras!

Esta é talvez a maior fragilidade republicana! Totalmente dependente do voto, o regime deixa-se fácilmente enlear pelos grupos mais fortes, os que lhe podem assegurar a eleição, e com ela a manutenção do poder. Por aqui passa, e passou, o congelamento das rendas nem que isso possa hipotecar (e hipotecou) definitivamente o mercado de arrendamento! E por aqui passam, de uma maneira geral, todas as iniciativas popularuchas que apenas visam efeitos de curto prazo. O prazo das eleições!

Mas não se fica por aqui a gula republicana! O desporto e os seus protagonistas sempre foram alvo das benesses para efeitos de propaganda política. O futebol, desporto rei não escapa a essa tentação. No entanto nesta matéria a segunda república sempre manteve alguma reserva sabendo que as paixões clubísticas são difíceis de conciliar. Uma lição que a república de Abril não aprendeu. E agora já é tarde.

É assim que surgem na comunicação social os denominados ‘deputados do Benfica’ a que já me referi neste espaço! Como se essa associação de interesses estivesse prevista na lei, ou não estando prevista, fosse benéfica para a assembleia da república, para os próprios deputados ou para o país! Pensávamos nós que tínhamos atingido um limite de despudor! Puro engano! Imaginem que nas próximas eleições autárquicas existe um candidato que promete oferecer, caso ganhe as eleições, terrenos e outras facilidades para o Benfica construir em Oeiras (!) uma obra de regime! Para as modalidades! *

Governo, tribunais, comissão nacional de eleições, e demais órgãos da república, não se ouvem! Silêncio, que se vai cantar o fado!

Saudações monárquicas


·    * Para lá da promiscuidade, e do oportunismo político que a situação revela, existiria ainda outra razão para o governo intervir! Como assim?! Proibindo os clubes de futebol profissional de ‘frequentarem’ outras modalidades. Para ver se elas se desenvolvem e conseguimos ganhar alguma medalhita. Sem ofensa aos ‘baluartes’ do nosso desporto, o tempo do ecletismo já passou só que em Portugal o tempo não passa.

terça-feira, setembro 26, 2017

Caixa negra

Apesar de ser o banco português que mais custos impôs ao contribuinte, foi contra a vontade do governo e dos partidos que o apoiam que se iniciou a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos. Iniciada a comissão, os partidos da Geringonça fizeram os possíveis para limitar o período e o âmbito da análise. Um dos elementos fundamentais da Comissão Parlamentar de inquérito teria sido perceber onde é que a Caixa perdeu os tais 5 mil milhões de Euros que agora serão suportados pelos contribuintes. Importava saber a quem tinha sido emprestado este dinheiro no período anterior a 2011 e porquê que foi emprestado. No mínimo estaríamos perante incompetência e falta de cuidado. No máximo, perante um enorme esquema de corrupção que desviou dinheiro da Caixa para empresas amigas do regime.

O que aconteceu exactamente nunca saberemos. E não saberemos porque quando foi pedida a lista destes devedores, a CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para os tribunais para a esconder. O tribunal deu razão aos deputados do PSD e CDS e obrigou a CGD a divulgar a lista de devedores. A CGD, o governo e o Banco de Portugal recorreram para o supremo tribunal de forma a ganhar tempo. Correu bem. Antes da decisão do Supremo obrigar a CGD a divulgar a lista de devedores, os partidos da Geringonça trataram de encerrar a Comissão Parlamentar de Inquérito sem sequer ter o relatório final aprovado e antes da decisão do supremo. A decisão do Supremo veio hoje: o processo foi arquivado porque a Comissão parlamentar de inquérito foi encerrada. Jamais saberemos para onde foram os 5 mil milhões de Euros que agora os contribuintes irão pagar. E sabemos a quem podemos agradecer por isso.

Carlos Guimarães Pinto

Nota: Transcrevo,  com a devida vénia, e tal como o recebi, um texto que diz tudo sobre o regime em que vivemos. JSM


quinta-feira, setembro 14, 2017

Liga Ibérica!

Dizem os alquimistas que o que está em cima é igual ao que está em baixo e uma das interpretações possíveis da frase pode ser esta: - falar do futebol português é o mesmo que falar da nossa política. Eu sei que muita gente torce o nariz ao futebol, e aos seus frequentadores, mas meter a cabeça na areia não resolve nada.

Ora bem, foi agora a vez de Proença, presidente da liga portuguesa de futebol, anunciar com pompa e circunstãncia que o campeonato ibérico é uma realidade cada vez mais próxima!
Se juntarmos esta notícia a outra que dá conta da eleição de um alto dirigente do Benfica para a ECA* (associação dos grandes clubes da Europa em prol de um campeonato europeu) ficamos com a ideia de três coisas ao mesmo tempo:

Em primeiro lugar que estamos dispostos a tudo para emigrarmos para qualquer campeonato que não seja o nosso! Em segundo lugar que entrámos na fase delirante dos fidalgos falidos! Em terceiro lugar fica agora claro que quer a Liga quer a Federação pouco lhes interessa o campeonato doméstico ou as suas escandalosas desigualdades. Eles estão noutra!

Haveria uma quarta conclusão a tirar e essa prende-se com a ignorância e a estupidez de quem nos dirige! Era evidente que a união europeia seria para nós, mais tarde ou mais cedo, uma mera união ibérica, cenário que já vivemos no período filipino. Pensar agora que sem rei nem roque podemos integrar (ou liderar!) qualquer organização supra nacional sem pormos em causa a nossa própria independência e identidade, só os idiotas é que podem pensar assim! Os idiotas e os traidores, obviamente.

Saudações patrióticas


*O portista Fernando Gomes, actual presidente da Federação, também já foi dirigente da ECA.

segunda-feira, setembro 11, 2017

Fases…

‘Tenho fases como a lua, fases de andar escondida, fases de vir para a rua, perdição da minha vida, perdição da vida minha, tenho fases de ser tua, tenho outras de ser sozinha …’, lua adversa da poetisa Cecília Meireles e como eu a compreendo! Mesmo no masculino, azul-bebé, Porto Editora! Sem querer excitar obviamente a opinião pública. Mas estou naquela fase em que até o interregno começa a perder sentido! O tempo é de ameaças! A Espanha ameaça desfazer-se, Trump ameaça a Coreia, um furacão ameaça as Caraíbas, Kim ameaça o mundo! Portugal ameaça tornar-se um estado pária, e apesar da sorte grande do turismo o futuro é incerto e por isso ninguém poupa. A dívida aumenta. Neste dilema jogamos à batota e discutimos o árbitro. O árbitro que não existe! Porque o único árbitro é o rei.


Saudações monárquicas

segunda-feira, setembro 04, 2017

A democracia é isto?!

A democracia é ter trinta jornais e todos repetirem a mesma coisa?! E dizem a mesma coisa porque são todos controlados pelas mesmas cliques, grupos organizados, maçonarias, como lhes queiram chamar. O que se diz dos jornais pode dizer-se da televisão e ainda com mais rigor! Basta para tanto assistir ao que ali se debita e desligar rápidamente o aparelho. Mas há quem veja e goste, dirão uns, porque senão os respectivos canais já tinham falido. Ora aqui está uma grande mentira! Na verdade uma das particularidades das ‘ditaduras democráticas’ é continuarem a funcionar independentemente das leis do mercado! Sirva de prova número um o facto de países como Portugal, Grécia, etc, continuarem a viver alegremente com uma dívida monstruosa! E chegamos ao nó do problema ‘democrático’, a saber: - é que, aparentemente, tanto faz votar na esquerda como na direita, porque afinal quem governa são sempre os mesmos! Veja-se mais uma vez o caso de Portugal que tem um primeiro-ministro que perdeu as eleições, tem um governo de índole comunista, que é duvidoso que corresponda à vontade da maioria dos portugueses, e digo isto porque uma das justificações para aderirmos à união europeia foi precisamente evitar que em Portugal, a seguir ao 25 de Abril, se instalasse uma ditadura comunista! Pois agora é o próprio BCE, espécie de super estrutura soviética, que patrocina este ou qualquer governo desde que lhe paguem as quotas! E a quota é hoje como se sabe um défice abaixo dos 3%!
Concluindo e esta conclusão não é nova, já a enunciou Bukovsky quando comparou a união soviética à união europeia. As suas palavras são elucidativas – ‘Eu já vivi o vosso futuro’!


Saudações monárquicas



Nota: O professor Cavaco Silva na sua mais recente intervenção veio mais uma vez defender a união e o euro agitando a imagem do caos para quem se atreva a sair do sistema! Não concordo e explico: em primeiro lugar a Inglaterra, embora não pertença ao euro, está a sair da união e não me consta que os ingleses sejam estúpidos. Em segundo lugar, e como referi acima, o pressuposto de nos livrarmos das ditaduras socialistas caiu por terra desde que Tsipras governa a Grécia e a geringonça governa Portugal! Diz-se que cumprem o requisito do défice, mas então e o resto?! Onde é que pagar as quotas garante a salubridade de alguma coisa?! Seja pessoa, seja país?! Quando dermos por ela, talvez seja tarde.

quarta-feira, agosto 23, 2017

Ontem

Saía da praia, uma experiência cada vez menos recomendável, quando um grupo de rapazolas me fez sinal na berma da estrada, queriam boleia, provávelmente até à portagem que dá acesso às praias de São João da Caparica. Eram quatro ou cinco e achei que não cabiam no carro, tão velhinho quanto eu, e disse que não com a cabeça. Ainda ouvi um princípio de insulto e logo a seguir uma explicação – é um velho! Segui caminho a pensar naquilo e, como diria o poeta - ´’o universo reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu”. 

quinta-feira, agosto 17, 2017

Portugal debaixo de fogo!

Em tempos sugeri, e usando uma ironia hoje ultrapassada, que o governo deveria assumir a direcção dos incêndios em lugar de andar sempre a correr atrás do prejuízo! Era uma ideia lógica, prática, bastando dividir o país em quadrícula e ir incendiando metodicamente a floresta nacional. Não haveria riscos para as populações, que devidamente avisadas evacuariam o local e os bombeiros fariam o seu trabalho com outra limpeza e segurança. Ficava também feito o tantas vezes prometido reordenamento do território e verdadeiramente a única prejudicada seria a comunicação social. Nomeadamente as televisões que teriam que substituir o relato dos fogos por mais relatos de futebol.

Não sendo assim, vamos ter disto por muitos anos. A fazer lembrar a guerra insolúvel entre o gato e o rato. Em que os ratos, como o nome indica, ganham sempre.

quinta-feira, agosto 10, 2017

Nódoas difíceis...

Por esta hora anda a ministra dos fogos às voltas com a lavandaria república a ver se os relatórios batem certo com o detergente! Não é fácil. No programa de lavagem existem pessoas e instituições acima de qualquer suspeita e que por essa razão não podem ser responsabilizadas. Casos do governo, amigos e parentes do mesmo, ou simples apoiantes. Aqui a situação parece mais ou menos controlada e a velha máquina republicana faz o que costuma fazer. Responsabiliza as condições climatéricas ou entidades do tipo SIRESP, suficientemente abstractas e sem bilhete de identidade.

O problema surge com a GNR, guarda pretoriana do regime, logo, instituição que não convém hostilizar. Mas na verdade mesmo abusando do detergente existem testemunhos vivos que referem dois guardas-republicanos a encaminhar os carros para a estrada fatídica. Que fazemos então?! A lavandaria encravou.

É claro que ninguém quer culpar dois soldados da GNR que no meio da confusão total, sem comunicações e sem comando, tentaram dar o seu melhor. O que nós queríamos e esperávamos é que a ministra se demitisse assumindo assim a responsabilidade total pelos acontecimentos. É o que costuma acontecer nos países a sério, que não perdem tempo com relatórios cirúrgicos a ver se ninguém se chamusca. ´


Saudações monárquicas

sexta-feira, agosto 04, 2017

A histeria do dinheiro!

Eh pá, já não posso ouvir falar em dinheiro, é demais! Vomito Neymar em todos os telejornais, em todas as lojas em todos os comentários, e verdade se diga que sempre enjoei Ronaldo e os seus exorbitantes (e lamentáveis) sinais exteriores de fortuna. Vomito a parolice nacional de joelhos em adoração a tudo o que soe a vil metal! Marcelo por amor de Deus não vás ao Porto condecorar o Neymar, ele foi só fazer exames médicos, está em trânsito para Paris, e aí sim será recebido com todas as honras pela república da bastilha! A torre Eiffel iluminada, e o incontornável Macron na fotografia com o pessoal do Catar! O que é que aconteceu?! Uma transferência milionária que por certo salvará a França! Quarenta séculos de provincianismo vos contemplam! Já perceberam porque é que sou monárquico?!
Até os americanos que inventaram a febre do dólar foram mais comedidos! E no mesmo dólar inscreveram a frase libertadora – in God we trust!
Isto aqui na Europa está do piorio. Volta Moisés, volta para a montanha, e leva contigo as tábuas da lei. Com tanto bezerro de ouro, o melhor é trazeres uma arma de destruição maciça. Mas das verdadeiras.


Saudações monárquicas   

segunda-feira, julho 31, 2017

Uma fotografia republicana

A república portuguesa tal como a francesa ou a russa, para não ir mais longe, assentam no crime. Todas elas assassinaram o rei, um rei inocente, eleito pela história e pela tradição. A partir daí e para esconderem esse pecado original começaram a mentir. Começou a propaganda. Diga-se em abono da verdade e para sermos justos que dos três países visados, nem todos mentiram (ou mentem) da mesma maneira.

Enquanto a Rússia já pediu desculpa pelo acto e canonizou a família real martirizada pelos bolcheviques, a França prossegue impune na sua propaganda e celebra todos os anos, com pompa e circunstância, a data que simboliza a guerra civil e o crime. Portugal neste aspecto fica-se pelo ‘nim’! Nem assume o crime nem pede desculpa! Disfarça! E por conseguinte mente a dobrar! A provar o que afirmo basta tirar uma selfie ao país que temos hoje:

O governo é uma mentira, quem escolheu o primeiro-ministro foi o parlamento contrariando a vontade expressa nas urnas pelos portugueses. É constitucional?! É porque a constituição é também ela uma mentira, vai a caminho do socialismo… quando lhe convém.

O presidente da república se não é uma mentira é a quadratura do círculo! Filho de um ministro da ditadura, e afilhado do último primeiro-ministro da mesma, não lhe fica bem dizer mal da ditadura onde medrou nem da família que o educou. Mas disse.

A assembleia da república é uma Câmara Corporativa onde têm assento predominante os representantes do funcionalismo público. As chamadas profissões liberais, estão organizadas em matilhas, e trabalham para o estado que lhes encomenda tudo, incluindo as leis.
A actividade privada em Portugal é um mistério sendo difícil encontrar alguém que sobreviva sem uma ligação pecuniária ao mesmo estado.

Os tribunais normalmente não funcionam e quando funcionam é para protegerem a nomenclatura republicana.

Finalmente a população, o povo, atendendo ao que foi dito no capítulo da actividade privada, continua a viver como dantes: - ou emigra ou fica por cá, dependente, sem correr riscos, e com a única ambição de ser funcionário público. Se possível nascer já com um vínculo ao estado. Nesta perspectiva podemos dizer que é monárquico por natureza!

Não termino sem uma palavrinha sobre o futebol, fundamental para a propaganda do regime, e para dizer que está práticamente nacionalizado. Os clubes estão em falência técnica e só não acabam porque os bancos entretanto nacionalizados não deixam.

Há aí alguém que não esteja na fotografia?! Respostas a este apartado.



Saudações monárquicas   

sexta-feira, julho 28, 2017

Políticos ou comentadores de futebol?!

Sou insuspeito porque sempre gostei de futebol e quem gosta de futebol, fala e discute futebol com os amigos. Até podia ir à televisão dar uns palpites, nomeadamente sobre o Belenenses que é o meu clube. Único clube, nada de confusões. Mas ninguém me convida e pela anormalidade dos comentadores que frequentam aqueles espaços acho que é mais por ser do Belenenses que por causa das minhas hipotéticas opiniões.

Dito isto e se por acaso fosse chamado a desempenhar cargo de estado, seja por nomeação seja por eleição, nunca mais me passaria pela cabeça vir a público comentar ou opinar sobre futebol. Poderia, se os afazeres me permitissem ir ver algum jogo ao Restelo (onde mantenho lugar cativo) mas sempre com a descrição aconselhável. E se questionado, mais uma vez em público, sobre algum caso concreto, abster-me-ia de dar opinião. É assim que eu entendo os direitos, os deveres e as limitações dos políticos.

Ora não é nada disto que se passa hoje em dia em Portugal, antes pelo contrário! Já me referi em anterior postal ao jantar dos ‘deputados do Benfica’ com o respectivo presidente, não o da assembleia da república, o que seria em todo o caso um absurdo, mas com o Vieira, presidente do Benfica! Estranhíssimo grupo, diga-se, composto por deputados de todos os partidos com excepção, talvez, dos animais.

Também já vimos, porque vem noticiado em todos os jornais, as vergonhas por que passam membros do governo (e outros políticos) para irem ver (à borla) jogos de futebol no estrangeiro!

E vemos tantas vezes, eu diria vezes de mais, figuras de estado a passearem-se nos camarotes dos principais estádios do país.

E vou repetir-me: - nada disto dignifica a política e o futebol.

Mas ainda não tínhamos visto tudo!

Ontem ao sintonizar os canais de notícias, que nesta época só dão fogos ou futebol, qual não é o meu espanto quando vejo que aquilo estava repleto de políticos a falarem de bola! Ainda conferi se era o canal Parlamento, mas não, eram mesmo os deputados a discutirem os plantéis dos seus clubes! Dos três grandes clubes que os outros não contam.

Na RTP 3 peroravam Frasquilho, Diogo Feio e o Nuno Magalhães; na CMTV e à mesma hora estavam o Telmo Correia e o Hélder Amaral! Feitas as contas o CDS estava em maioria absoluta, aqui, na bola, porque na realidade um partido que ainda não percebeu que não é para falar de bola que os portugueses elegem os deputados, um partido assim, nunca vai perceber porque é que não cresce!


Mas o problema é geral. E alguém tem que pôr mão nisto. E acabar com mais esta promiscuidade.


Saudações monárquicas

terça-feira, julho 25, 2017

Ciganos, multiculturalismo e outros equívocos…

Antes do mais uma afirmação categórica: - quem fabricou o Brasil tem pouco a aprender seja com quem for sobre ‘multiculturalismo’ ou outro palavrão do género. Com efeito, o Brasil terá muitos problemas para resolver mas nenhum tem a ver com a integração cultural. Dito isto convém acrescentar que o ‘milagre’ só foi possível porque nele participaram duas forças que são integradoras por natureza: - a monarquia e o catolicismo. Aliás toda a herança colonial portuguesa beneficia desses dois factores e é por isso que (ainda) não sofremos nas nossas cidades e vilas aquilo que outros povos colonizadores já vão sofrendo.

Mas o tempo passou e hoje vivemos em pleno período laico, republicano e socialista, trilogia fatal que nega a tradição e onde sobrelevam os aspectos impositivos e desagregadores. E podíamos começar pela França e pela incapacidade que revela para integrar os seus descolonizados islamitas, mas fico-me pelo exemplo mais comezinho dos ciganos que sempre aqui existiram e viveram!

E a pergunta é: - o que mudou afinal para os ciganos serem hoje um problema que não eram?! Ou dito de outra forma, porque é que o estado de direito não consegue (hoje) aplicar a lei aos ciganos?!

As respostas são todas elas más e nem o Ventura se salva! Explico: - o problema da integração só resulta se concorrerem duas situações: - a cultura da comunidade dominante (ou acolhedora, se preferirem) é suficientemente forte e clara em termos de princípios e valores partilhados e nesse sentido fácilmente assimilável por quem pretende integrar-se; e como segunda condição, porque é forte, resiste à tentação de liquidar a outra cultura, respeitando nela aqueles aspectos que identificam a diferença.

Ora não é nada disto que se passa em relação à nossa cultura onde a moda é aprovar leis fracturantes cujo nome diz tudo em termos de acolhimento geral. Portanto não se espere que comunidades que ainda respeitam as suas tradições se disponibilizem para se suicidarem colectivamente. Se nós estamos disponíveis para isso eles não estão. Daí também a atitude de contemporização do estado em relação ao incumprimento destas leis cada vez mais discutíveis e cada vez mais fracturantes. Sabendo disso, dessa fragilidade do estado, o cigano abusa ainda mais do incumprimento. E é nisto que estamos.

Aliás e porque o artigo vai mais longo do que eu queria termino com uma espécie de anedota que talvez nos faça pensar nos caminhos que queremos percorrer no futuro: - num dos dez mandamentos, Deus proíbe o homem de cobiçar a mulher do próximo. Mas tal mandamento só é possível de cumprir se a mulher do próximo não aparecer permanentemente semi despida (embora dentro da lei) à nossa frente!
Esta é a lógica da vestimenta das mulheres do Islão e também de muitas outras etnias entre elas a cigana.
E de novo a pergunta: - queremos cumprir o mandamento ou não queremos?! 


Saudações monárquicas

sexta-feira, julho 21, 2017

O caso Ventura!

André Ventura é um jovem advogado e pode ser visto na CMTV a comentar quase tudo incluindo futebol. Fluente como deve ser um advogado tem um defeito de origem que o prejudica mas que ele não sabe. Vou deixar o defeito para o fim porque entretanto Ventura ocupou o espaço mediático com a sua candidatura à Câmara de Loures!

O que fez e o que disse o candidato para de repente ser assim catapultado aos píncaros da fama?! Para o melhor e para o pior. Pois bem André Ventura fez referência aos possíveis abusos em matéria de subsídios camarários que acabam por beneficiar sempre os mesmos, no caso a comunidade cigana. Uma verdade que por temor de represálias ninguém quer admitir.

Tanto bastou para ser comparado a Hitler, o CDS retirou-lhe o apoio e os barões (e as baronesas) do PSD criticam Passos Coelho por não ter feito o mesmo! E como se não bastasse até o Costa primeiro-ministro lhe chamou racista! Ventura reagiu e sem papas na língua disse de Costa o que Mafoma não disse do toucinho!

A partir daqui é natural que eu tenha esquecido o defeito original do Ventura e tenha começado a simpatizar com a sua maneira de estar na política! Desde logo por falar verdade aos eleitores e em segundo lugar por não se ter agachado perante a onda politicamente correcta que ameaça afogá-lo.

É aqui que estamos e se o rapaz não vacilar pode até contribuir para o necessário desmantelamento da velha estrutura partidária em que assenta a terceira república, a saber: - dois partidos socialistas , um de esquerda (PS) e outro a fingir que não é (PSD), esquema a que se junta o partido do táxi que também não sabe virar à direita! PCP e Bloco completam o museu republicano.

Só por isto a sua candidatura já valeu. Assim Passos Coelho o mantenha e lhe siga o exemplo.


Saudações monárquicas



Nota básica: O defeito do Ventura afinal não o vou revelar. Mas posso dar-lhe umas dicas: - se quiser ter uma carreira política afaste-se rápidamente do comentário futebolístico e guarde para si os estados de alma. Tome especial cuidado com polvo e com os emails. E em vez da cartilha, leia o Interregno.  

domingo, julho 16, 2017

O octogenário que disse duas verdades!

A corja, filhos e netos da ditadura, ouviu da boca de um octogenário ilustre, o professor Gentil Martins, duas verdades cristalinas mas que nenhum outro ilustre teve a coragem de as dizer até agora! Que a homossexualidade é uma ‘anormalidade’ e que Cristiano Ronaldo, sendo um excelente atleta ‘é um estupor moral’! Dois factos irrefutáveis que dispensam prova, ambos extraídos directamente da natureza onde o normal é nascermos quando há um pai e uma mãe, e depois de nascermos o normal é ter mãe! Caiu o Carmo e a Trindade! A religião do nosso tempo, dizem, pode ter sido atingida. As sacerdotisas agitam-se, há inquéritos a correr!

Noutro registo – A esquerda gosta de falar de Galileu e dos preconceitos que enfrentou a propósito de verdades que entram pelos olhos dentro! Mas há verdades que a esquerda não vê nem quer ver.



Saudações monárquicas    

domingo, julho 09, 2017

O movimento das espadas…

Esteve para acontecer mas não aconteceu! Uma oportuna notícia sobre um caso de corrupção nas messes da Força Aérea, ou outro motivo qualquer, terão desmobilizado o intento inicial. Mas faz lembrar o princípio do fim da primeira república!

Estávamos em 1915, nos alvores do novo regime, e o partido democrático de Afonso Costa interferia antidemocraticamente em tudo! Uma dessas interferências, a transferência abusiva de um major, situação aparentemente sem importância, acabou por despoletar um movimento de solidariedade protagonizado pelos oficiais do Regimento de Cavalaria da Ajuda que dirigindo-se ao Palácio de Belém, entregaram as suas espadas ao presidente Manuel Arriaga. Esta acção ficou na altura conhecida pelo ‘Movimento das Espadas’!

Os oficiais intervenientes foram presos sob a acusação de pretenderem o regresso da monarquia e só foram libertados porque entretanto o comandante Machado dos Santos, o herói da Rotunda, também foi entregar a sua espada a Belém!* A espada que cingiu em 1910!  
A partir daqui a primeira república e o partido democrático nunca mais tiveram o benefício da dúvida por parte da instituição militar. Nomeadamente do Exército.

Veremos então o que acontece com esta terceira república atendendo à forma de actuação do governo que nos caiu em sorte! Lá que existem parecenças entre o partido democrático de Afonso Costa e este partido socialista de António Costa, disso ninguém tem dúvidas. O mesmo apego ao poder, a mesma deriva jacobina, a mesma propaganda, o mesmo oportunismo em relação à Europa! E ainda dizem que a história não se repete…


Saudações monárquicas



*Não será abusivo concluir que as forças ocultas que dominavam o partido democrático nunca terão perdoado a nobreza do gesto de Machado dos Santos que acabou barbaramente assassinado na noite sangrenta de 1921. 

quinta-feira, julho 06, 2017

Inimputáveis e mentirosos!

É próprio das crianças serem inimputáveis e compreendemos as razões – o cérebro ainda não se desenvolveu o suficiente e por isso as respectivas funções estão diminuídas. O sentido crítico e tudo o que envolva juízos morais de conduta são as facetas mais visíveis dessa vulnerabilidade, daí que as crianças quando apanhadas a fazer disparates tenham tendência para mentir e culpar o menino do lado! Ou então fogem e escondem-se. As coisas entretanto complicam-se quando, pela aparência, julgamos estar perante um adulto e afinal não estamos! Um erro frequente em sociedades cujo regime político prefere infantilizar as pessoas em lugar de estimular as funções mais nobres do cérebro humano! E isto tem consequências. Nomeadamente nas escolhas. Não é pois de admirar que uma população infantil escolha para seu desgoverno e distracção, políticos também infantis e por consequência inimputáveis. É o mais natural.


Saudações monárquicas

terça-feira, julho 04, 2017

Governo de férias!

Em circunstâncias normais este governo ir de férias seria sempre uma boa notícia para os portugueses! Acontece que as circunstâncias não podem ser piores: - o país ainda vivia a tragédia de Pedrogão quando foi surpreendido por um assalto aos paióis nacionais com as consequências que se imaginam! É portanto neste contexto que o primeiro-ministro resolve ir a banhos deixando no ar uma série de interrogações sobre tão insólito comportamento! Mas este comportamento só é insólito para quem acreditou que um homem que perdeu as eleições e mesmo assim quis governar pode ser um primeiro-ministro confiável! Não, não pode. E não é.

E voltamos à velha questão da deficiente representação política que glosei no meu último postal. Este é um bom exemplo de como os deputados que não escolhemos* podem manipular a nossa vontade. A vontade popular.


Saudações monárquicas


*Que não escolhemos e a quem não podemos pedir contas sobre esta 'geringonça' inventada no Parlamento. Porque se bem se lembram tratou-se de uma traição ao eleitorado que na altura pensava que estava a escolher o futuro primeiro-ministro! Santa ingenuidade! A lei eleitoral foi feita para os partidos do sistema mandarem (eternamente) no país. Nós, os eleitores, somos os idiotas úteis.
















domingo, julho 02, 2017

Depois da irresponsabilidade…

Depois do caos, depois da irresponsabilidade, talvez fosse bom aprender algumas lições que vão para além dos incêndios, dos assaltos aos paióis nacionais, e da miserável propaganda do governo. Na base do falhanço português está como sempre esteve a deficiente representação política e com ela a irresponsabilidade. A irresponsabilidade política começa, como tudo na vida, pela base. E a base é a assembleia da república para onde elegemos ‘deputados’ a quem não podemos pedir responsabilidades no fim de cada mandato! Nós, eleitores, não elegemos pessoas que nos representem, elegemos listas de pseudo representantes que não conhecemos, que não escrutinámos e que façam o que fizerem se perpetuam no parlamento de acordo com a vontade do chefe partidário. Pois é ele que aprova as listas. Isto é o grau zero da democracia, o grau zero da representação! A partir daqui o resto do edifício democrático está inquinado, está ferido de morte. De vez em quando fala-se na mudança da lei eleitoral, fala-se, porque na realidade ninguém a quer mudar. Ninguém quer assumir responsabilidades.


Saudações monárquicas



Nota: Aquele lamentável ‘grupo inter parlamentar do Benfica’ só existe porque aqueles deputados sabem que aquela jantarada não vai ter consequências políticas. Na próxima legislatura lá estarão, se Deus quiser, e se for essa a vontade do chefe partidário. Quanto aos eleitores que ficaram desagradados com aquele espectáculo, esses não têm forma de mostrar o seu desagrado! Podem abster-se e facilitar ainda mais a vida à partidocracia vigente.

sexta-feira, junho 30, 2017

'Deputados do Benfica'

Com o país mergulhado num clima de suspeição de que não há memória, suspeição que não poupa nenhuma área ou actividade, por mais nobre que seja, só faltava assistirmos a um jantar de 'deputados do Benfica', jantar patrocinado pelo respectivo presidente! Repasto amplamente difundido por toda a comunicação social!
Eu sei que o Futebol Clube do Porto, tal como o Sporting também patrocinam reuniões deste género, mas isso são mais duas razões para condenarmos esta promiscuidade entre o futebol e a política, porque não faz bem nem ao futebol nem à política. Apetece até concluir que os outros clubes, os pobres coitados, e são a maioria, estão em desvantagem pois não têm deputados (destes) que os representem no órgão legislativo nacional! Será assim ou estão a pensar em estabelecer umas quotas de representação para acudir a esta absurda desigualdade?! Pois é, a partir daqui isto é tão triste e tão caricato que mete nojo e dó ao mesmo tempo!
Mas cá se fazem e cá se pagam, diz o povo e tem razão. Em próximas eleições saberemos distinguir quem merece ser deputado pela nação, e como tal se comporta, e quem não merece.


Saudações monárquicas

quinta-feira, junho 29, 2017

Diário da idolatria!

Terra de bezerros de ouro, que relincham nas arenas onde o povo enlouquecido também urra, terra onde todos os dias se inaugura uma estátua a qualquer vivente, como se fora uma divindade, é nesta terra que eu vivo, e permaneço, temente a Deus que conhece bem o barro de que sou feito.

Hoje o diário das divindades, multiplicado por muitos, diz o seguinte: - Ronaldo, o melhor goleador do mundo não teve oportunidade de brilhar na marcação das grandes penalidades pois entregou generosamente essa tarefa aos seus colegas mortais e estes falharam. Não é a primeira vez que isto acontece.
Já o Chile, onde não existem divindades, mandou avançar o seu capitão Arturo Vidal responsabilizando-o pela marcação da primeira grande penalidade.
O diário continua e acrescenta que nenhum jornalista português questionou o facto nem o vai questionar porque isso poderia incomodar a divindade.

E por falar em divindade Ronaldo já anunciou que não vai alinhar no próximo jogo para apuramento do terceiro e quarto lugar pois está com saudades dos filhos que entretanto nasceram. Se fosse para o primeiro lugar não estamos em condições de garantir que faria o mesmo.

Noutra página desta vez dedicada à política podemos ler que o primeiro-ministro António Costa anda preocupado com a sua imagem e encomendou um estudo sobre o assunto. Segundo consta os resultados já se conhecem e assim a reputação de Costa continua intacta apesar dos incêndios e das respectivas vítimas.


Por fim e na coluna social ficámos a saber que muitos portugueses acham que a macumba e a bruxaria são indispensáveis ao bom sucesso dos negócios, seja no comércio, seja na indústria, seja no futebol. Dos testemunhos recolhidos não ficou claro se esta actividade para normal deveria ou não ser apoiada pelo governo!