segunda-feira, junho 26, 2017

Se calhar não merecemos ser independentes!

A independência é o bem mais precioso e por isso todos os países a defendem e valorizam. E também por isso fazem questão de a celebrar, seja na data da fundação seja em qualquer outra que simbolize a libertação do jugo estrangeiro. Mas Portugal e lembro-me que também a França não valorizam essa data e preferem comemorar guerras civis. Exemplos óbvios são a tomada da Bastilha em França e o cinco de Outubro ou o 25 de Abril em Portugal, golpes militares que significaram confrontos entre portugueses. A república ainda tentou mascarar a sua índole com o primeiro de Dezembro de 1640, data da libertação do jugo filipino, mas esse dia foi sempre mal amado pela maçonaria que advoga, como sabemos, a união ibérica. Foi assim que assistimos ao ping pong da sua remoção e reposição sucessivas, o que por si só indicia o pouco valor que o regime atribui à independência. E como os exemplos vêm de cima…

Um longo introito para curta conclusão tal é a evidência dos acontecimentos que vivemos! Um estado incapaz de proteger a população e por isso completamente dependente da generosa propaganda dos media. Um parlamento onde os deputados são completamente dependentes, não do voto nem dos eleitores, mas dos aparelhos partidários que os escolhem e impõem ao eleitorado. Um governo sem política e sem economia completamente dependente da generosidade europeia. Uma justiça atolada em incidentes e garantias, incapaz de condenar alguém que faça parte da nomenclatura!

Um país destes não tem condições para ser independente e por aí talvez se perceba a relutância em celebrarmos a data.



Saudações monárquicas

sexta-feira, junho 23, 2017

Paraísos!

A expressão offshore é para o vulgo um local onde o dinheiro passa férias e faz aquilo que lhe apetece. Um paraíso portanto. Em Portugal esta ideia de paraíso tem muitos entusiastas e à falta de melhor temos vindo a avançar para outras áreas e produtos mais de acordo com a complexidade das leis, a lentidão dos processos e a distracção das autoridades. Não vamos enumerar agora esses novos produtos até porque normalmente aparecem juntos, em pacote, sendo mais fácil designá-los pelo genérico de – corrupção!

Um exemplo da excelência do nosso paraíso pode depreender-se da seguinte notícia: - cartel espanhol de combate a incêndios por meios aéreos está a contas com a justiça, há inquéritos concluídos, investigações em curso e já prenderam pessoas. Soube-se entretanto que este cartel também actuou em Portugal, ganhou concursos e pelos serviços prestados cobrava o triplo do que devia cobrar. Conclusão: se não acontecer nada em Espanha, em Portugal também não acontece.

Isto vem a propósito de outra questão que tem tirado o sono a muita gente: - em Espanha o fisco anda a incomodar pessoas importantes, princesas, futebolistas, etc. por causa de supostos crimes de colarinho branco! Por cá levanta-se um clamor contra as leis e reclama-se a inocência geral! Falta apenas o convite: - mudem-se para aqui, porque aqui podem estar descansados. Afinal isto é um paraíso e a gente ainda se queixa!



Saudações monárquicas 

quarta-feira, junho 21, 2017

Quem é a protecção civil?!

Passado o luto nacional começam a surgir as perguntas inevitáveis. A primeira das quais, e que tarda em ser formulada, é a seguinte:- Quem é o rosto da protecção civil naquela região, naquele distrito, naqueles concelhos, onde o fogo lavrou e lavra sem dó nem piedade?! Quem foi a voz de comando no terreno, o personagem principal, aquele que nos países normais costuma assumir e coordenar todas as operações?! Sinceramente e apesar das inúmeras transmissões televisivas ainda não consegui fixar-lhe a cara ou o nome!

De facto vimos lá o comandante nacional dos Bombeiros, vimos um secretário de estado a tentar desempenhar um papel que não era o dele, vimos depois o primeiro-ministro, a seguir o presidente da república, e a partir de agora vamos ver as mesas redondas com os vários especialistas a falarem sobre o que aconteceu e não devia ter acontecido. Um filme gasto.


Na resenha dos políticos omiti os presidentes das Câmaras envolvidas no incêndio de Pedrogão mas na verdade devem ser eles, por inerência do cargo, os responsáveis pela protecção civil nos respectivos concelhos. Devem ser, mas não tenho a certeza. E se forem já se percebeu que há qualquer coisa de errado nesta organização, muito mais teórica do que prática. É evidente que nesta incerteza de tarefas e protagonistas o natural é que os políticos apareçam e tomem conta do discurso. Mas sem resultados práticos em termos de incêndio. Em minha opinião só atrapalham. 

sexta-feira, junho 16, 2017

Desígnios nacionais!

Está muito calor, Portugal saiu do procedimento de défice excessivo e todos nos rendemos às políticas deste governo que, sem fazer quaisquer reformas, antes acentuando o peso do estado na economia, conseguiu aquilo que nenhum governo de Abril havia conseguido, reduzir o défice. Fica provado que afinal não há vida para além do défice novíssimo descobrimento do socialista Costa que assim contraria a tese de outro eminente socialista, Sampaio de seu nome. Isto merece comemoração e medalhas e para isso temos cá o nosso afectivo presidente.

Outro desígnio nacional é o futebol, esteja ele ou não eivado de batota. Nessa conformidade Marcelo despediu-se da nossa selecção que está de partida para a Rússia, aproveitando ainda para condecorar o presidente do dito futebol! Podia tê-lo feito numa altura mais propícia, esperar que tudo se esclarecesse, mas não, a pressa é muita e as medalhas não podem esperar.

Conjugado com o anterior temos ainda outro desígnio nacional que é a reputação de Cristiano Ronaldo, faça ele o que fizer. Em nome dos golos marcados a Ronaldo tudo é permitido e perdoado – noivas a fingir, filhos sem mãe, indícios de fuga fiscal, etc. etc. etc. Quanto a medalhas já não há peito que aguente.


Deixei para o fim o último grande desígnio nacional, quase uma ideologia, herança da segunda república – o nacional benfiquismo. Para esta ideologia (ou será religião!) o Benfica é o bem, e quem contraria o Benfica é o mal. Como se comprova neste caso dos e.mail! Afinal o que aconteceu?! Piratas do ar, submarinos sem vergonha atacaram os documentos onde pode existir matéria para desconfiar que algo de errado se passa na arbitragem deste país. Prendam pois os piratas e deixem-nos continuar a 'trabalhar'.



Saudações monárquicas

terça-feira, junho 13, 2017

O Napoleão lá de casa!

O bonapartismo é uma doença da república, no caso da república francesa. Como sistema político descende directamente do cesarismo romano, e reaparece sempre que a representação política é precária ou insuficiente. Pode dizer-se que é a última fase de qualquer regime republicano. Uma fase em que os partidos tradicionais se afundam e com eles a democracia que representam. Para ser mais específico estamos a falar de uma democracia clientelar muito parecida com a portuguesa.
Em termos operacionais o cesarismo traduz-se, como o nome de césar indica, numa política intervencionista, de cariz militar, comandada pela necessidade de unir por fora aquilo que está desunido por dentro. Bonaparte não precisa de parlamento para discutir seja o que for, governa por decreto a partir do Eliseu, apoiado numa espécie de união nacional que vai referendando tudo o que Napoleão propõe. Esta aventura não costuma durar muito e acaba quando acabam as vitórias militares. Waterloo é a imagem que me ocorre.
Mas os tempos são outros e as circunstâncias também e por isso vejamos quem é e donde surgiu este novíssimo candidato a Bonaparte!

Em Fevereiro de 2015 podia ler-se que Hollande e o seu primeiro ministro Manuel Valls para não correrem o risco de ver chumbada determinada legislação no parlamento francês optaram pela via do decreto presidencial, uma excepção antidemocrática que a democrática constituição francesa permite, mas que raramente tem sido utilizada pelos presidentes franceses. Mas desta vez foi, o que provocou ondas de choque no sistema partidário nomeadamente no partido socialista que então governava. A dita lei chamava-se – Lei Macron – e tinha sido fabricada pelo ministro da economia de Hollande, um tal Emanuel Macron! Legislação restritiva, que tocava em direitos adquiridos, se calhar necessária, mas não a vamos discutir neste momento. O que nos interessa é o retrato, vá lá, o esboço deste napoleãozinho. O que sabemos hoje é que com alguma surpresa é o actual presidente da França e neste fim de semana ganhou as legislativas com grande facilidade e grande abstenção. E também sabemos que criticou Putin por causa dos homossexuais e que apertou a mão de Trump com tal energia que os Estados Unidos deram um grito de dor! Ora bem, esta energia é perigosa imaginando que o homem se vê a marchar à frente dos canhões e a disparar para tudo o que mexe! Perigosa para a Europa, para a senhora Merkel e para o mundo. Mas há quem aprecie, e eu também aprecio, os grandes génios militares. Os grandes cabos de guerra! Só que Macron não é militar e segundo consta o general lá em casa não é ele.


Saudações monárquicas

segunda-feira, junho 12, 2017

O dia do rafeiro

Em Portugal até os rafeiros têm raça! Ou se não têm arranjam uma, um pedigree qualquer, afinal somos todos filhos de Adão e Eva. Há repartições que registam o facto, paga-se qualquer coisa, e vem-se de lá com uma linhagem de se lhe tirar o chapéu.
E como há dias para tudo resolvemos hoje celebrar o rafeiro, o rafeiro em estado puro, espécie muito frequente nas nossas cidades e onde se reproduz fácilmente. Já não é assim no interior do país, menos acolhedor, desértico, com menos oportunidades para abanar a cauda, gesto de sociabilidade e louvor sem a qual não sobrevivem.
Mas a qualidade mais apreciada é indiscutivelmente a fidelidade! A fidelidade a quem lhe dá a comidinha todos os dias! Também é bom guarda, ladra por tudo e por nada, não vá o prato fugir-lhe! Às vezes acontece mudar de dono e aí as suas qualidades de adaptação vêm mais uma vez ao de cima. Até que surge a frase inevitável – foi com rafeiros deste quilate que chegámos onde chegámos! Esta conclusão sempre me pareceu exagerada pois vejo-os sempre a dormitar e com pouca vontade para aventuras. Mas pronto, é o dia deles, vivam os rafeiros!


Saudações monárquicas


Nota básica: Para escrever este texto inspirei-me no rafeiro que tenho lá em casa, sempre disponível para comer e dormir. Neste sentido qualquer semelhança com outros rafeiros é pura coincidência.

sábado, junho 10, 2017

Eleições inglesas!

Não há como os portugueses para tomarem as dores alheias! As suas, ou não as sentem ou disfarçam, mas as dos outros, meu Deus! Depois de chorarem copiosamente o Brexit, como se Portugal tivesse abandonado a união, e a pouca sorte dos ingleses que assim se viam sozinhos no meio do oceano, voltaram ao divã do psiquiatra para criticarem o mau feitio de Teresa Maio, uma mulher perdida face aos resultados eleitorais que obteve! O psiquiatra aventou que tanta preocupação podia ser um reflexo condicionado, algum temor escondido e fez a prescrição habitual - pastilhas para o enjoo e muito exercício, muita natação porque o euro é uma aventura e a união europeia um Titanic que pode naufragar a qualquer momento.
E sobre a Inglaterra para não nos preocuparmos, que ela saiu por razões políticas e não económicas e quem assim abandona uma união está preparado para sofrer as consequências. E não volta atrás. E não volta porque a política da união não vai mudar. O soft ou o hard, isso ainda é conversa económica. São trocos.


Saudações monárquicas

terça-feira, junho 06, 2017

Assim vai o país…

Um viajante do espaço que caísse em Portugal por engano e por engano olhasse os cabeçalhos dos jornais, desportivos ou não, regressaria á sua galáxia com uma ideia inédita sobre a história de Portugal!

Assim: - os portugueses são benfiquistas desde pequeninos, transformam-se depois em castelhanos de segunda, Aljubarrota nunca existiu, o Condestável passou à história, e para cúmulo a águia napoleónica não foi esmagada pelo leão da Boavista. Mas sim o contrário!

Com efeito há Ronaldo e Real Madrid por todo o lado e quanto à águia, um pouco americanizada é certo, ela tende a ser confundida com a nação! Salazar neste aspecto ficou aquém de Sócrates. Porque não temos dúvidas que foi o filósofo primeiro-ministro o grande engenheiro de tamanha revolução! Sem meios próprios, vivendo de amigos o que ainda engrandece mais a sua obra!

O seu adjunto naquele inesquecível governo é quem dirige agora a nau lusitana! Ela navega sobre a dívida, entre os destroços de bancos falidos, não vai a caminho da India como seria de supor pela origem do comandante, mas sim de Bruxelas, em rios de pouco calado, de calças arregaçadas e água pelos joelhos. Mas que interessa isso se a tripulação anda extasiada e quando alguma nuvem se atravessa temos a bordo um psicólogo que põe toda a gente a sorrir!


Saudações monárquicas

sexta-feira, junho 02, 2017

Um emprego na Europa!

O sonho de qualquer político português é arranjar um emprego na Europa. Não podendo ser no Real Madrid o que vem logo a seguir é Bruxelas ou outro tacho qualquer que dependa do BCE. A razão explica-se em termos monetários e também se explica em termos ideológicos se nos lembrarmos que a esquerda faz tudo o que for preciso para se manter na área do poder. Daí estarmos agora a assistir em Portugal a uma verdadeira corrida aos lugares europeus por parte de Costa e do seu adjunto Centeno! O que não deixa de ser uma ironia face às críticas ferozes que se fizeram ao anterior governo acusado de seguidismo em relação à Europa e à Alemanha em particular! Se aquilo era seguidismo então isto não sei o que será!

Mas seja o que for o que vai acontecer à barcaça europeia, se vai mais depressa ao fundo com a chegada destes refugiados portugueses, o certo é que a memória aconselha cautelas e caldos de galinha! Com efeito, sem o travão inglês aos desvarios do continente, o que costuma acontecer é o povo alemão fartar-se do vizinho francês, que trabalha pouco para aquilo que ganha, e surgir a parelha de coices que vai acertar justamente nas outras repúblicas dependentes do BCE. E cujo nome todos sabemos de cór. Nessa altura a nossa velha aliada deve estar ao largo, de velas enfunadas, a deslizar em águas atlânticas. O que nos há-de restar então é puramente filipino.



Saudações monárquicas

terça-feira, maio 30, 2017

É fartar vilanagem!

Insaciáveis, os partidos mandam os seus deputados à província para recolherem, baseados na pura fama, os votos disponíveis nas próximas eleições autárquicas!

É esta a primeira conclusão a que chegamos quando nos informam que cinquenta deputados da assembleia da república se preparam para concorrer a tal evento!

A segunda conclusão é que vale tudo na guerra partidária! Desde câmaras municipais, juntas de freguesia, assembleias municipais, onde houver um tacho a conquistar, há um deputado para o rapar!

A terceira conclusão também me parece óbvia e pode até ajudar-nos a resolver um problema constitucional! Estes cinquenta deputados, ao disponibilizarem-se para ocupar um cargo numa autarquia é porque têm pouco trabalho para fazer na AR. São portanto dispensáveis, reduzindo-se assim e por esta bitola o número de deputados a eleger no futuro. Passávamos de duzentos e trinta para cento e oitenta, o que sendo muito, sempre seria melhor.

E temos uma quarta conclusão que é no fim de contas um corolário da anterior! Se o mesmo deputado tanto pode servir para resolver o saneamento básico de um concelho como para resolver o saneamento básico da nação, isso significa que podemos eliminar uma das eleições! E assim por portas travessas chegávamos à desejável eleição por círculos eleitorais, que seriam as autarquias, e toda a gente passava a conhecer os deputados que elege!

Infelizmente há uma última conclusão a retirar e que contraria todas as outras. Nem os partidos, nem os deputados, governo ou presidente, estão preocupados com este problema. Para eles nem sequer há problema pois quanto mais poder tiverem, melhor. E vem-me à memória o desabafo do herói de Alfarrobeira!



Saudações monárquicas 

segunda-feira, maio 29, 2017

Segurança contra o terrorismo!

Leio que o Japão está mais avançado do que nós ocidentais no que respeita a medidas de segurança contra emigrantes, nomeadamente muçulmanos. Precisam de autorização de residência e não sei que mais e assim têm conseguido combater eficazmente o terrorismo de origem islâmica!

Ora bem não duvido que o Japão esteja mais avançado que o actual ocidente em imensos aspectos mas não nas questões especificamente securitárias. Especialmente se pensarmos nos arsenais e outros meios que Estados Unidos e Europa gastam com a prevenção do terrorismo. Sem falar nas frentes de batalha. O problema na minha óptica é de outra ordem e deve colocar-se noutro plano.

No Japão não há cisões nem perdas de identidade como acontece hoje na Europa e em todo o Ocidente. Os japoneses gostam da sua cultura, do seu modo de vida, e ninguém no Japão questiona o imperador, símbolo dessa mesma cultura. No ocidente acontece o contrário, tudo é motivo de divisão e confronto. Pior, o cristianismo, outrora cimento da unidade, é hoje o alvo preferencial de jacobinos e laicistas. Neste terreno o Islão não precisa de vistos de entrada ou permanência. Entra e conquista.



Saudações monárquicas

sexta-feira, maio 26, 2017

O Ronaldo do Ecofin!

Voltemos pois aos consumos que a ressaca já aperta e esgotado o Mourinho de ontem temos agora o Centeno em doses de cavalo! Promovido a Ronaldo pelo ministro das finanças alemão, Centeno garante que não foi ele mas o povo português quem descobriu um novo caminho marítimo para a dívida. Ele, Centeno, só ía ao leme! E não disse mas percebeu-se que está disponível para ensinar a Europa a navegar! Quem está a adorar estas viagens psicotrópicas são os comandantes Marcelo e Costa que se calhar já antevêem, duas cadeiras no Olimpo, a estrear.

Noutro contexto mas sobre o mesmo assunto escrevi um comentário no Observador que dizia mais ou menos o seguinte: - Os cucos põem os ovos nos ninhos dos outros pássaros para que estes os choquem destruindo entretanto os ovos que lá estão. Em resultado disto nascem cucos. Este governo faz ao contrário, choca os ovos dos outros e quando nascem os passarinhos diz que são dele! A única dúvida que tenho é que não sei bem que nome é que se dá a estes passarões! Se alguém puder ajudar…



Saudações monárquicas 

quinta-feira, maio 25, 2017

Dom Sebastião sabia!

Quatrocentos anos é uma fagulha na era do universo e é muito pouco na história da humanidade. Por isso recuar a Alcácer Quibir é mais fácil do que parece para explicar a enorme gravidade da derrota e das razões, tantas vezes desvalorizadas, que levaram o rei português a combater os infiéis nas areias do Magrebe. O certo é que desde aí o flanco sul da Europa ficou definitivamente escancarado às investidas do Islão.

Hoje não restam dúvidas que aquilo a que chamamos terrorismo não é mais do que um episódio de uma longa luta entre duas maneiras diferentes de ver o mundo, ou porque não admiti-lo, entre duas religiões. Uma mais apelativa e que cresceu em progressão geométrica desde o ano 620! A outra mais verdadeira e por essa razão mais exigente e que vai regredindo em número de fiéis.

Pelo meio surgiu uma religião burguesa que tem muito a ver com o mercado e pouco a ver com os valores. E pior, encontra-se na última fase da degenerescência, que é aquela em que a gordura sobe do estômago e vai alojar-se no cérebro. É uma fase em que só contam os direitos e o prazer e corresponde normalmente ao colapso de qualquer civilização.

Uma última nota para verberar aqueles, e são tantos, que continuam sem perceber a grandeza do rei que morreu a lutar por uma Europa cristã que hoje não temos.



Saudações monárquicas


segunda-feira, maio 22, 2017

Bendita dívida, maldita cocaína!

A história é anedótica mas exemplificativa: - numa comunidade que se dedicava ao tratamento de toxicodependentes, o terapeuta de turno, novato naquelas andanças, quando no dia seguinte fazia o relatório dos acontecimentos da véspera, comunicou alegremente: - correu tudo bem, está tudo bem! O director da comunidade terapêutica ao ouvir aquilo, deu um salto na cadeira e retorquiu - pois se está tudo bem isso quer dizer que está tudo mal! Levantou-se e foi indagar o que se passava. E de facto estava tudo mal.

Vivemos hoje um pouco à imagem daquela comunidade terapêutica com uma pequena diferença – não conseguimos distinguir os pacientes dos terapeutas! São todos muito parecidos. É assim que qualquer notícia mais agradável, umas décimas no trimestre, vamos deixar de ser lixo, o tetra, tudo isso é imediatamente consumido como se fosse a melhor coisa do mundo! A única barreira, o único constrangimento à felicidade plena parece ser, como bem notava José António Saraiva no Sol, a enorme dívida que por ser enorme impede que possamos, para já, aumentá-la com o mesmo entusiasmo de antigamente. Mas isso é apenas uma pequena sombra no sol que ilumina este grande país de consumidores de felicidade a qualquer preço! Vistas bem as coisas não é bem a qualquer preço, é ao preço do voto e do poder.


Saudações monárquicas



* Bendita dívida – Jornal Sol de 20 de Maio 2017 

quinta-feira, maio 18, 2017

Fátima - visão de um poeta!

Levas e levas de peregrinos em direcção a Fátima. E estrebuchem no papel os livre-pensadores. Se não há sobrenatural, como eles afirmam, há pelo menos necessidade de transcendência. Elêusis, Delfos, Meca, Compostela, Lourdes e outros locais onde o céu e a terra se confundem são a mesma Cova da Iria renovada no tempo. O ar miraculoso que ali se respira, mesmo que fraudulento, vem ao encontro de apetências recônditas do nosso sub-consciente. O homem é um crédulo envergonhado quando tem de acreditar sozinho. Mas, se encontra companheiros de fé, desafia todas as críticas e absurdos. Apoiado no número, desinibido, faz de chavascais lugares santos, que visita sempre que pode, carregado das suas atribulações. E, em procissão, vai-as alijando pelo caminho, até que, despojado de todas as gangas mundanais, tem acesso disponível às nascentes sagradas que, parecendo manar do chão bendito que pisa, lhe brotam de dentro da própria alma.

Coimbra, 12 de Maio de 1975


Miguel Torga – Diário 

quarta-feira, maio 17, 2017

Credo!

Chegou a altura, descrente de mim, de acreditar em tudo aquilo em que nunca acreditei. Assim creio nos vários diários da república em circulação, escritos, falados, televistos, comentados, creio nos números do governo, como já tinha acreditado na conversão da república, creio no défice, no crescimento, na dívida, creio nos grandes clubes do estado, creio no Ronaldo, no Real Madrid, nos heróis nacionais cujo número não cessa de crescer, e creio acima de tudo em Marcelo, o presidente dos presidentes. Acredito que com Marcelo, Costa e companhia limitada, o futuro é nosso sem necessidade de fazer quaisquer reformas. Mantendo tudo na mesma. Por todos os séculos e séculos...


'Saudações republicanas'

domingo, maio 14, 2017

Terra de milagres!

Estamos no dia treze de Maio de 2017 e Portugal mudou. Eu também não. Mas para tratar deste assunto, como de todos os assuntos, há sempre duas perspectivas, dois caminhos à escolha. Quem do alto de um F16 tivesse contemplado o recinto de Fátima, diria que a república se rendeu à Virgem, que os republicanos se converteram em massa! E se focasse a objectiva no desvelo de Marcelo perante Sua Santidade, dando conselhos ao seu ouvido, quem sabe ensinando alguma catequese, concluiria que a separação entre a Igreja e o Estado foi definitivamente ultrapassada! Houve até um momento, depois daquela correria em direcção ao avião, em que muita gente pensou, e outra gente esperou, que Marcelo partisse também para o Vaticano! Mas não, Marcelo ficou em terra.

O segundo milagre deste dia de canonizações deve-se ao Papa Francisco e ao seu indiscutível magnetismo! O Santo Padre, enquanto cá esteve mobilizou todos os meios de comunicação social retardando ao máximo a mega operação Marquez que vem ameaçando o país! Com efeito, só depois da sua partida, cerca das quinze horas, é que se recomeçou a falar do Benfica. Isto para mim é um grande milagre!

Mas aconteceu um terceiro milagre, inesperado, e que envolveu a Europa inteira! Um rapaz cujo nome não engana, Salvador Sobral, converteu os europeus à sua música e poupou alguns portugueses ao massacre pombalino. Simples, talentoso e com graça, Salvador não quer ser herói nacional, quer apenas salvar a música. Um belo remate para o Éder das canções!


Saudações monárquicas

quarta-feira, maio 10, 2017

As fundações e o futebol!

Hoje fui ao Observador e mais uma vez tropecei na Fundação Benfica! Reclamei contra a propaganda clubística, reclamei contra a suposta independência do jornal, reclamei talvez sem razão contra uma série de coisas mas na verdade há aqui qualquer coisa que não bate certo. Eu sei que o Sporting também tem uma fundação e o FC Porto se não tem vai ter com certeza. Não duvido dos méritos de quem lá trabalha, nem dos objectivos, as criancinhas parecem felizes, admito tudo isso e admito naturalmente que cada um é livre de entregar uma parcela do seu imposto de IRS às instituições que bem entender. Está na lei!

O que não está na lei mas devia estar era a proibição expressa dos clubes de futebol profissional se intrometerem em áreas para as quais não estão vocacionados nem é essa a sua função. Os clubes citados, e porventura outros, já beneficiam do estatuto de utilidade pública pela formação e prática desportivas a que se dedicam e não vamos agora atribuir-lhes outros estatutos, outras funções e outros benefícios. Por este caminho qualquer dia temos a universidade Benfica e depois, quem sabe, o partido político! Vamos com calma.

Mas este é apenas o lado mais folclórico do problema porque há outros problemas e não são pequenos. Desde logo a concorrência desleal com as verdadeiras instituições de solidariedade social que se candidatam aos mesmo fundos que estas fundações ligadas aos grandes clubes de futebol. Como os fundos não dão para todos é fácil imaginar quem ganha os concursos. E sobre isto o governo populista que temos fica calado!

Mas o lado mais negro do problema tem mesmo a ver com as suspeições que lhes andam associadas. E mais uma vez não estou a suspeitar desta ou daquela fundação em particular. Estou a desconfiar do sistema como um todo, um sistema que espantou a tróica pelo número de fundações e pela opacidade das mesmas! Prometeram-se na altura reduções, fiscalizações, mas ficou tudo em águas de bacalhau. Isto quer dizer aquilo que todos sabemos, que é mais fácil fugir aos impostos ou branquear dinheiro se houver uma fundação por perto. Não preciso de provar nada, os indícios são esmagadores, a corrupção da república é um facto. Basta atentarmos na Operação Marquez.



Saudações monárquicas

terça-feira, maio 09, 2017

A Europa no seu labirinto!

Ficaram os ‘europeístas’ muito contentes com a eleição de Macron, garantia, dizem, que o projecto europeu vai continuar! Ora o problema é precisamente esse – o projecto continuar. Recordemos que este projecto sofreu o seu primeiro grande revés quando um europeísta francês, Giscard d’Estaing, quis impor uma constituição à Europa, uma espécie de código napoleónico mais actualizado. Código esse liminarmente rejeitado pelos países europeus que não queriam, nem querem, abdicar da sua soberania. Portugal estava entusiasmado com a dita constituição como tem estado entusiasmado com tudo o que lhe garanta o sustento sem necessitar de fazer reformas e sem perder mordomias. Aquilo a que em holandês foi traduzido para ‘mulheres e copos’!

Falhada a constituição avançou o plano B com o euro a funcionar como cimento de uma futura união política. E de novo vemos os franceses na linha da frente, à boleia da Alemanha, e vemos também o bom aluno português a querer entrar no clube dos ricos mas com smoking alugado! De então para cá a história do europeísmo e dos europeístas é conhecida, história para a qual se adivinha um final infeliz. Ou seja, o euro não vai conseguir fazer aquilo que a política não consegue. Dando razão a um velho doutrinador francês que gosto de citar – ‘politique d’abord’!

O que é que a Europa pode então esperar de Macron, presidente eleito, e tal como todos os presidentes franceses, laico, republicano e socialista?! Eu arrisco dizer face aos antecedentes históricos e àquilo que escrevi, que deve esperar problemas e conflitos. Vai confundir, como qualquer francês de raiz napoleónica, os interesses da França com os interesses da Europa, e à primeira dificuldade, e vão ser muitas, pede socorro à senhora Merkel.
Na oposição está uma senhora Le Pen que é soberanista mas não deixa de ser laica, republicana e socialista. Isto é muito socialista junto e não ajuda nada. Nem a França nem a Europa.


Saudações monárquicas


Nota: Muito socialista, muito laico e muito republicano junto!

sábado, maio 06, 2017

Só eu sei porque sou monárquico!

Aquele debate, como todos os debates do género, entre duas figurinhas, cada qual a fazer valer os seus argumentos, os seus gestos, a fotogenia imanente, cheios de conselheiros de imagem, como se fossem estrelas de televisão, com tempos marcados ao segundo, e a gente a ver, com dois jornalistas a fazerem as perguntas que não têm resposta, para além da propaganda, e no fim, como dois lutadores, duas misses simpatia, à espera de ganhar uns pontos na próxima sondagem! Um parágrafo longo para dizer quase tudo o que me vai na alma, e no espírito enfastiado que reclama: - é preciso ter pachorra e ser muito infantil para esperar alguma coisa deste sistema de escolha do futuro chefe de estado! E sorrindo para os meus botões digo baixinho: - ainda bem que sou monárquico!


Saudações