quinta-feira, julho 24, 2014

Gulosos

Estou em obras, canos, esgotos, obra triste e feia, sem brilho, com muito pó, mas oportunidade única para não ler jornais, nem abrir a televisão.Oiço apenas alguns sound bites a que nem ligo. Mas se quisesse fazer a ligação seria uma coisa deste género: - Putin é o lobo mau de uma história americana. Um grave acidente aéreo numa zona de conflito abre todos os noticiários deixando na penumbra o massacre israelita na faixa de Gaza. A taça de honra da associação de futebol de Lisboa foi transmitida em exclusivo pelo canal Benfica e só a muito custo consegui saber o resultado dos jogos em que interveio o Belenenses No meio da confusão prenderam um banqueiro conhecido. Enfim, foi o que me ficou no ouvido. E  assim, de repente, acho que todas estas notícias (acontecimentos) se relacionam. Mas o melhor é voltar às obras... que nunca mais acabam.

Saudações monárquicas

segunda-feira, julho 07, 2014

Eu vi, mas não publiquei…

Já ninguém refila, estão todos de acordo, no limite a questão resume-se a comparar benesses atribuídas a cada uma das capelinhas republicanas! Como sucedeu agora com a incrível intervenção do estado nos chamados bancos privados! BES, pois claro.

Escrevi em tempos um pequeno postal que acabei por não publicar. Ao lê-lo, hoje, reparo que nada mudou, e que tudo piorou!

“A Constituição e os filhotes” era o título. Rezava assim:

A tróica esforçou-se, o plano parece bom, e ao que tudo indica vai ser assinado pelos partidos políticos do arco governamental. Depois haverá eleições e neste capítulo também não deve haver novidade - hão-de ganhar todos, se Deus quiser. O pior vem a seguir, digo eu.
Vou explicar os meus receios: - Quem manda em Portugal e tem impedido que as reformas estruturais cheguem a bom termo são outros poderes, poderes mais ou menos ocultos, mais ou menos corporativos, a que por facilidade de expressão vou chamar ‘os partidos do estado’. São eles que decidem o leilão eleitoral, umas vezes a favor do PS, outras vezes a favor do PSD, consoante quem dá mais!
Exemplos de ‘partidos de estado’: – o partido da saúde pública (inclui o partido das farmácias), o partido da educação pública (inclui a propaganda de esquerda), o partido das empresas públicas, (são tantas), das semi-públicas, (outras tantas), o partido das obras públicas, (inclui o trânsito entre o cadeirão do ministério e o cadeirão das grandes construtoras), o partido da justiça, (inclui a prescrição de processos incómodos), o partido autárquico, (inclui rotundas, estádios, e empresas municipais), e ainda, é bom não esquecer, o partido dos compadres, dos banqueiros amigos, do centenário da república, etc., e quanto a partidos de estado é melhor ficar por aqui.


Saudações monárquicas 

quinta-feira, julho 03, 2014

As contas que ninguém quer fazer

É tabu do regime. Quantos funcionários públicos (ou equiparados) existem?! Qual a proporção dos mesmos em relação à população em geral?! Qual a comparação que podemos fazer com outros países da união europeia?! Tendo em conta, nomeadamente, a nossa capacidade para suportar essa despesa, paga como sabemos pelos impostos de todos os portugueses!
Tudo perguntas incómodas que ninguém quer responder ou sequer abordar!

Por exemplo, corre por aí a informação que temos 238 generais na folha de vencimentos! Será verdade?! A mesma fonte indica que a Espanha tem apenas 28! A França 55 e a Alemanha 189! Perguntamos de novo, será verdade?! Relembremos entretanto que a guerra de África acabou há quarenta anos!

E o que se passa com os professores! Será que vamos continuar a sustentar uma instrução pública improdutiva, ideológicamente marcada, e financeiramente insustentável?!
E os funcionários da Saúde?! E da Segurança Social?! Será que temos dinheiro para alimentar esse estendal interminável?!

Já nem falo dos juízes, que se movem na obscuridade das leis, dos deputados e governantes, que fabricam a teia legal que os protege, ou da rede de funcionários e empresas autárquicas!
São estas as verdadeiras gorduras do estado, que ninguém quer combater porque todos, ou quase todos, vivem delas.

Conclusão: - no início do século XXI persiste na Europa um pequeno país ‘soviético’, com uma economia de mercado a fingir, completamente dependente do estado, desde a ideologia ao futebol.
E viva a república.


Saudações monárquicas

quarta-feira, junho 25, 2014

Estar (ou não estar) á altura

Renunciar à herança, ceder, mudar para parecer, ou simplesmente mudar por não perceber, são atitudes que não qualificam ninguém.

Dizem-me que Filipe VI (bastante alto, por sinal) não quis seguir a tradição, leia-se, o saber acumulado por gerações, o património que os seus antepassados preservaram a muito custo. É mau sinal. Se pensa que o homem, por mais poderoso que seja, e não é o caso, pode zombar da tradição, está redondamente enganado. Muitos o fizeram antes dele, e deles não reza a história. Amanhã ou depois, numa curva da estrada, num momento inesperado, todos esses delírios de grandeza ruirão fragorosamente.

É uma lei inexorável, que se aplica a tudo, menos á humildade, menos à coragem de aceitar aquilo que recebemos por herança.

Meia herança não chega.



Saudações monárquicas

segunda-feira, junho 16, 2014

Fardo demasiado pesado

Não é fácil carregar aos  ombros a orfandade de dez milhões de pessoas! Dez milhões de deserdados cuja herança se resume a uma selecção de futebol! Dez jogadores comandados por um génio obrigado a fazer milagres em todos os jogos! Depois, para piorar a situação, existem à volta da selecção uma infinidade de interesses, uns mais legítimos que os outros, mas que todos juntos ainda tornam mais difícil, e mais pesado, aquele fardo. Falemos um pouco disto tudo:

Sobre a orfandade, já falámos - perdida a identidade com o assassinato do rei, sem remorso, e perdida a com-propriedade com a perda do império, com fortes sinais de cobardia e traição, pouco temos em comum, para além da língua, que aliás estamos em vias de hipotecar.

Sobre os símbolos - a bandeira verde e encarnada e o hino das brumas da memória - são símbolos de um regime, não são símbolos de Portugal. Portugal é maior e mais antigo que a republica maçónica portuguesa. A população, intoxicada com a propaganda, não percebe e, ingénuamente, consome tudo o que lhe impingem. E o futebol, desporto de massas, é o palco ideal para essa mesma propaganda. Por isso não me espanta, quer o endeusamento dos jogadores, quer a comemoração esquizofrénica das derrotas! Como se de vitórias se tratassem!!!

Portanto, a coisa não está fácil. O único conselho que me atrevo a dar é o seguinte: vejam o futebol, mas aquilo é só futebol. E no futebol, a Alemanha é sempre a Alemanha. Mesmo na Baía onde chegámos há quinhentos anos!

Saudações monárquicas 

sexta-feira, junho 06, 2014

O fim do princípio

Li a crónica de VPV (o princípio do fim) e concordo com o título, se for ao contrário: - o fim do princípio. Ou seja, o fim do princípio em que assenta toda esta caranguejola constitucional. Assim mesmo.

VPV (Vasco Pulido Valente) centra-se como sempre no século XIX, único século que admite e conhece, e a partir daí engana-se porque afunila as questões. Fala das árvores mas não repara na floresta que entretanto cresceu! Cresceu e dá sombra a muita gente! Incluindo VPV. 
Liberdade, igualdade e fraternidade, eis os cânones da religião que infesta a terra, e que tem em Portugal inúmeros fiéis. Curioso é que muitos daqueles que protestam, e são explorados pela situação, sem perceberem, continuam a aclamar aqueles princípios!

Já nem falo no TC, onde abundam os sacerdotes da dita religião, nem no PC, leia-se Passos Coelho, seu aparente adversário, mas que inexplicávelmente recuou no intuito inicial de rever a constituição! Falo dessa gente ignara, que se acha igual aos de cima mas diferente dos de baixo, que quer a liberdade sem limites mesmo que isso implique a privação dos outros e quanto a fraternidade estamos conversados. Só se for para gritar em uníssono os golos da selecção!

Mas voltando um pouco atrás, pergunto, porque terá Passos Coelho recuado na intenção de rever a constituição?! A razão invocada não nos diz nada: - 'o PS nunca estaria de acordo'. 
Pois bem, sendo assim, a conclusão é simples: - a paralisia constitucional não se deve a razões económicas, de justiça social ou outras que caibam na inteligência ou no bem comum dos portugueses. Somos irreformáveis, muito simplesmente, para não ofender a religião que o velho partido republicano professa. Partido esse que nunca morreu, está bem vivo por detrás da partidocracia que nos subjuga.

Por isso hão-de subir os impostos, até ao limite, há-de empobrecer o país até à exaustão, para manter intocável a ideia de que o Estado, é o deus que temos que adorar e sustentar! Tenha a dimensão que tiver, tenha o peso que tiver, porque isso de peso e dimensão, em se tratando de um deus, só a ele cabe decidir!
Até rebentarmos de vez... ou enterrarmos de vez aquela trindade.


Saudações monárquicas

terça-feira, junho 03, 2014

A república das bananas comenta a monarquia espanhola!

Incapazes de engolir a supremacia espanhola, em todos os domínios, supremacia que tem na expansão da língua castelhana o seu melhor barómetro, os portuguesinhos da silva, da comunicação social, etc., fazem tudo para apoucar o regime que 'nuestros hermanos' mantém! O pretexto foi a recente abdicação do rei Juan Carlos.

Mais, não querem perceber que partindo ambos os países de uma ditadura, onde em muitos aspectos estavam em pé de igualdade, bastou que a Espanha restabelecesse a monarquia plena (relembremos que Franco soube manter essa possibilidade!), bastou isso, dizia, para que o fosso se abrisse, e não mais parasse de se aprofundar!

E a pergunta é: - onde estaríamos nós, se por um acto de inteligência e humildade, regressássemos ao regime que nos deu grandeza e glória?! Pior do que estamos, (intervencionados, subsídio dependentes) não estaríamos com certeza.

Outra pergunta: - e qual é o nosso futuro?! Que cimento nos une?! Quem nos mobiliza?! O hino das brumas da memória?! A selecção?! O Ronaldo?!

Portanto, caros comentadores, ‘porque não se calam?!’



Saudações monárquicas

segunda-feira, junho 02, 2014

Alienação em alto grau

A vida quanto mais pobre, mais medíocre, menos vida, gera sempre deslocações de interesses, actos falhados, fugas à realidade, e todo um cardápio de reacções humanas, legítimas sem dúvida, até certo ponto compreensivas, isso está estudado, a ciência conhece, o observador comum repara... mas o que é demais, é demais.
Já perceberam que estou a referir-me ao manifesto exagero que rodeia a chamada… ‘selecção’! Pus entre aspas porque a própria designação me arrepia! Assusta-me!
Fico com a sensação que só temos isto para nos agarrar, para nos justificar como povo, como nação, como Pátria! Pior ainda, se calhar é verdade!
Eu bem sei que há muito dinheiro em jogo, muita gente a ganhar com a seleção, e sendo assim, não será ‘assim’ tão importante do ponto de vista cultural, mas mesmo ‘assim’…
De manhã à noite, a selecção está no hotel, sai do hotel, vai fazer um treino, o país desloca-se, a TV desloca-se, o Ronaldo constipa-se, o governo espirra, a presidência tosse, os canais disponíveis (todos) discutem em mesa redonda, como sair desta constipação! E a dita selecção ainda nem sequer partiu para o Brasil! Entretanto, vigiam-se os aeroportos, as brigadas de trânsito multiplicam-se, os batedores seguem-nos, os repórteres, sempre os repórteres, por todo o lado…
É certo que eu podia desligar a televisão, é o que quase sempre faço. Acontece que às vezes também me apetece ver um bocado de futebol! Mas é precisamente isso que não acontece! Futebol jogado, não. Só conversado. Quando muito um treino a fingir contra a Grécia, com bilhetes pagos e enchente. E a malta vai nisso e paga! E gosta! Não há nada a fazer. Dizem-me que no resto do (terceiro) mundo também é assim…

Saudações desportivas


Nota: Antigamente éramos conhecidos pela pátria dos três 'efes'. Agora, é só um ‘F’ grande, descomunal ao pé dos outros dois.

segunda-feira, maio 26, 2014

As eleições Marinho!

Antes do mais vamos situar-mo-nos: estamos num país onde não existe um único partido politico que advogue a saída da união europeia! Um caso único que diz tudo sobre a população do respectivo. Mesmo aqueles partidos, como o partido comunista, que era contra a entrada na união europeia, ou o CDS, que tinha alguns tiques de euro-cepticismo, já ninguém quer sair de lá. Nesse como noutros aspectos continua a vigorar a união nacional. Se fosse possível arranjar um nome ou um apelido para nos identificar na Europa eu propunha o título de 'euro-dependentes'.

Nestas circunstâncias, perante umas eleições completamente inúteis do ponto de vista europeu, a única coisa que os escassos eleitores podiam fazer seria, em primeiro lugar esquecer os partidos, e em seguida procurar uma figura mais ou menos mediática em quem votar. Foi o que fizeram. Uns votaram no Marinho e outros votaram no dissidente do Bloco.

Portanto para analisar estas eleições basta analisar os personagens. Dispenso-me de comentar o 'livre' do Bloco de Esquerda - detesto o sujeito, detesto o seu europeísmo, detesto tudo aquilo que ele representa, e pelos vistos os votos que teve a mais correspondem exactamente aos votos que o seu ex-partido teve a menos. Ainda bem.

Já Marinho Pinto merece algumas linhas. Não porque o aprecie, não aprecio e já aqui escrevi diversas 'catilinárias' contra ele - a propósito das suas intervenções aquando do processo da Casa Pia, sempre a defender a inocência dos correlegionários, a propósito do seu jacobinismo, e eu detesto os jacobinos tanto como eles detestam os monárquicos, etc. etc. Mas também já o elogiei quando fez frente, em nome da decência, a uma conhecida 'chefe de fila das causas fracturantes'. Portanto, nada a opor à eleição. A não ser a leve sensação de que o MPT fez de barriga de aluguer de alguém que também não quer saber da Europa para nada e que almeja mais alto. Não acho isso bonito.

E termino com uma pergunta: - e se o Marinho Pinto, em vez de ser de esquerda, fosse de direita, acham que a comunicação social o tratava com a mesma compreensão?! Ou já andava toda a gente a gritar que o homem era um perigo para a democracia, um fascista, e outras coisas piores?! 
É só para pensar.

Saudações monárquicas

sexta-feira, maio 23, 2014

A minha união europeia

A Europa, para mim, e julgo que para mais alguns, não é um conceito geográfico, aliás só começámos a falar de Europa quando ela deixou de o ser. Explico: - para não irmos mais atrás, por exemplo, na vigência do império romano, a europa era uma palavra inútil, que não tinha significado. Só passou a existir e a ter conteúdo quando ficou associada a um espaço onde vigoravam determinados valores. Foram esses valores que lhe deram sentido e unidade. Mas são precisamente esses valores que estão em profunda crise no momento actual. E sem esses valores não vale a pena falar em Europa, e muito menos em união europeia. Os valores, que todos conhecem, embora muitos os recusem, são os valores da cristandade. Ou seja, falar em Europa sem falar em cristianismo, pior, negando os seus princípios, é uma perversão que só serve para confundir os espíritos fracos.

Dito isto, concluímos que o chamado projecto europeu, consubstanciado na actual união europeia, é um embuste, pois no seu cerne existe a vontade de eliminar o cristianismo. Eliminar o cristianismo dos códigos e das leis, da vida e da cultura, para no fim o substituir por uma religião laica, republicana e socialista. E ponto final.

Portanto, se quisermos construir uma verdadeira união europeia teremos de procurar alianças com quem partilhe os mesmos valores. E se tiver que ser com povos e nações a quem ensinámos aquilo que, infelizmente, já nos esquecemos, não há qualquer problema. Faremos uma europa fora da europa e uma união europeia que seja, de facto, uma união.


Saudações monárquicas

quinta-feira, maio 22, 2014

Europeu, mas pouco

Estava a faltar uma palavrinha sobre as eleições europeias, acontecimento, imagino eu, que num futuro próximo fará rir os vindouros. Então no caso português, a matéria tem mais a ver com pinóquios e mentiras do que com outra coisa. 
Assim, e para memória futura (pode ser que os vindouros leiam esta página!) vamos lá reafirmar duas ou três verdades que andam por aí silenciadas para que se continue a desconversar sobre economia e finanças! 
Diga-se então alto e bom som que nós aderimos quer à união europeia, quer posteriormente ao euro, por razões exclusivamente políticas. Nunca foi por razões económicas ou financeiras. Portanto, repito, parem de falar em dinheiro. Porque se tivesse sido por razões puramente materiais, a ideia luminosa não teria passado disso mesmo, uma ideia luminosa. De facto não cabe na cabeça de pessoas adultas pensar que se pode viver permanentemente à conta dos outros ou então que ao fim de tantos séculos tínhamos finalmente chegado ao paraíso terreal, onde deixavam de existir países ricos e países pobres! Éramos todos ricos!
Mas descansem que não foi nada disso que aconteceu. O paraíso não é aqui. 
A história há-de um dia revelar que as colónias serviram de moeda de troca para podermos participar no tal projecto europeu, sonho napoleónico que a nossa jacobinagem, com Mário Soares à cabeça, tanto acalenta! Isto apesar dos revezes entretanto sofridos - constituição europeia chumbada, etc, etc.
Na subsequente adesão ao euro também pesaram os argumentos políticos, numa táctica de pequenos avanços, de factos consumados, à revelia da vontade dos povos que compõem as diversas nações europeias. Os portugueses que o digam. A gente a ver que aquilo era tudo uma fantasia, a gente a querer referendos e os comissários e os burocratas a dizerem para termos juízo porque senão vinha aí o fim do mundo! 
Resumindo e concluindo, chega de lamuria contra os mercados, contra as troicas, por este caminho, inevitáveis e duradouras, chega de conversa sobre economês. Quem nos meteu nesta aventura europeia, contrariando aliás o sentido da nossa visão histórica, ou seja, dos nossos interesses estratégicos, sabia muito bem o que estava a fazer. E sabe muito bem para onde quer ir. Portanto, peçam-lhes responsabilidades. Obriguem os políticos a definirem-se. Obriguem os políticos a discutirem uma alternativa fora desta união europeia. Porque esta união europeia (ao melhor estilo napoleónico/soviético) não nos interessa.

Saudações monárquicas     

quinta-feira, maio 15, 2014

Um dia mais agradável…

Mesmo com a gripe a afectar-me, atendi várias mensagens e telefonemas, de amigos obviamente, um deles, sevilhano, mas adepto do Bétis, estava seriamente revoltado com os portugueses por não o terem poupado a mais uma festa dos rivais, infernal como de costume. Expliquei-lhe que compreendia perfeitamente o seu drama mas pedi-lhe que compreendesse o meu, farto de nacional benfiquismo até à ponta dos cabelos. É claro que também recebi mensagens de regozijo, de solidariedade, especialmente por este intervalo de silêncio (e paz) em que amanhecemos. Refira-se que um desses telefonemas veio do próprio Marquez, que não sendo meu amigo, achou por bem desabafar! Com efeito pode hoje passear tranquilamente pelo Parque, e pastorear o seu leãozinho sem o perigo de ser surpreendido pelas mais recentes invasões napoleónicas. Porque nisto de símbolos, a águia não engana! 
Já a minha colega de trabalho, Rute de seu nome e belenense como eu, descaiu-se com um lamento vagamente caritativo: - coitados, estou com pena deles! Respondi-lhe de imediato: - Rute, atenção, são tantos que não podem ser coitados. Ela, felizmente, percebeu.
De quem tenho realmente pena é do Jesus pois assim já não se vai embora! E se não se vai embora continuará a ser uma mina para o Benfica, qual Midas que transforma em oiro qualquer jogador vulgar.
Mas pronto, há que desfrutar até domingo, pois não acredito que o Rio Ave possa prolongar este oásis. Não se pode ter tudo. Até porque cá, é a terra dos penalties a favor dos grandes.



Saudações desportivas

quarta-feira, abril 30, 2014

Dia do funcionário e do desempregado!

O primeiro de Maio inscreve-se na luta de classes tal como o sindicalismo e demais conquistas do socialismo triunfante. O tempo, porém, grande juiz, encarregou-se de desfazer quer a história oficial, quer a mitologia a ela associada. Parece até que voltámos ao princípio, antes das proclamadas revoluções industriais, que fomos obrigados a estudar como se o homem, o ser humano, tivesse nascido por aquela altura! Como se a revolução, a liberdade, o progresso, etc., fossem verdades inabaláveis! Neste passo, não faltarão gritos e desmaios, esgares ameaçadores pelo desrespeito, pela ignorância, pela luta de tantos trabalhadores, para chegarmos afinal ao ponto a que chegámos, ao preciso momento em que escrevo estas linhas!
A conclusão óbvia é que ninguém quer ser patrão, muito em especial aqueles que se manifestam contra os ditos. Se por sorte ou azar lhes saísse o euro milhões podemos estar certos que a última coisa que lhes passaria pela cabeça seria fazer uma empresa! Aliás, para o pessoal que amanhã vai encher as ruas (e aparecer na  televisão) a palavra 'empresa' quer dizer ’empresa pública’, de preferência não lucrativa e sustentada pelos impostos!
Resumindo, não havendo patrões, nem candidatos a tal, o dia do trabalhador tende a ser o dia do funcionalismo público, a que haveremos de juntar, infelizmente, os desempregados. Quase todos oriundos do sector privado, como se sabe. Mas a culpa não é do sector privado, ou seja, a culpa não é dos patrões. Culpar os patrões, neste caso, seria o mesmo que culpar o lince da Malcata, espécie em vias de extinção, pela sua própria extinção. Desculpem lá, mas isso não é possível.


Saudações monárquicas

sábado, abril 26, 2014

'Inconseguir' e outras maleitas

Que trágica doença terá acometido a pobre república, que terrível mal-estar andará a corroer as entranhas da Pátria, para ouvirmos por estes dias sibilinos discursos, frases incompreensíveis, tão abstractas e tão difusas que o povo dificilmente entende!
Eça, não tenho dúvidas, saberia glosar o tema como ninguém! Pessoa, com outra profundidade, reconheceria nele, fácilmente, a síndroma do provincianismo português! Freud talvez conseguisse ajudar a infeliz criatura, presidente da assembleia, e quem sabe, todo o hemiciclo, receitando a ambos, o necessário e urgente repouso!
Pela minha parte fica apenas a preocupação ‘inconseguida’ pela saúde dos nossos representantes, isto sem qualquer antipatia pessoal para com a dita senhora, que terá os seus méritos, e terá um dia nome de rua (ou praceta) na sua terra natal. Se é que já não tem!


Saudações monárquicas

quarta-feira, abril 23, 2014

O anti-país

Para definir o que é um país, no caso o que é  (ou deveria ser) Portugal, o melhor é começarmos por dizer o que não é. Assim, local, terra, vila, cidade, que comemore guerras civis, triunfo de uns quantos portugueses sobre outros portugueses, não é, não pode ser um país! Não é que não se façam revoluções, que não existam lutas fratricidas, porque elas hão-de existir sempre, não, o problema está na comemoração! Um acto acintoso, para além de ser uma idiotice convocar os vencidos de ontem para festejar os vencedores de hoje!
É por isso que o 25 de Abril, sendo como é, uma vitória da esquerda internacionalista, sobre a direita nacionalista, nunca reunirá consenso, por mais que se esforcem as vizinhas, por mais votos democráticos que se contem, por mais negro que se trace o quadro antigo.
É também por isso que a propaganda  já não cola, que o grafite já não pega, que a balada já chateia. E assim, cantando e rindo, desembocámos na geração mais despolitizada de sempre, que apenas sonha com emprego certo no funcionalismo público, com o rock in rio e com o futebol!
E por falar em futebol o país fica diminuído quando as vitórias do Benfica são celebradas em todas as cidades do anti-país como se não houvesse nessas cidades adeptos do emblema local! Como se não houvesse emblema local!
Uma campina rasa, um partido único, um clube único, tudo fardado à coreana, de bandeirinha na mão, eis o sonho ( socialista) que Abril realizou. Completamente dependentes, claro.

Saudações monárquicas  

sexta-feira, abril 04, 2014

Hollande claro e simples!

Mais um revés eleitoral, mais uma remodelação ministerial. E com toda a normalidade o presidente francês despachou a comunicação social com duas ou três frases – ‘a remodelação foi muito clara e muito simples'. E pronto. Mais tarde os jornalistas afectos falaram num governo curto, de combate!
Novidades?! A inclusão de uma ex-namorada de Hollande no elenco governativo. Para melhorar o ambiente, diz-se.
E se a memória não me falha, este pequeno presidente socialista conseguiu num curto espaço de tempo abrigar sob o mesmo tecto três amores da sua vida! É bonito! Senão vejamos: - a Ségolene, ex-candidata presidencial; a jornalista que vivia com ele no Eliseu; e a actual primeira-dama, uma actriz que gosta de pizzas! 
Quem paga?! A França, laica, republicana e socialista. Acho bem. Pois se eles gostam assim, quem sou eu para discordar!


Saudações monárquicas

domingo, março 30, 2014

Esclarecimento!

Dizia ontem o leader da oposição: " Atenção, nós não queremos que sejam os outros estados europeus a pagar aquilo que devemos. O que nós dizemos é que a dimensão da nossa dívida exige uma resposta global, europeia, porque não sendo assim, não a conseguiremos pagar". Se não foi isto que Seguro disse, andou lá perto. E eu, se fosse credor de um país onde a oposição faz uma afirmação destas, ficava por certo de pé trás.

Mas este discurso é no fundo igual ao que anima o já famoso grupo dos 'setenta signatários'! São aliás mais de setenta, são muitos, e estão agora muito aflitos com o futuro das suas 'abastadas vidas europeias'! Das suas, e dos amigos, obviamente. Eu já explico o que quer dizer 'abastadas' e 'europeias'.

Em primeiro lugar, abastadas, porque correspondem a um nível de vida que não tem, nem nunca teve nada a ver com aquilo que produzimos, com aquilo que podemos distribuir. Entrámos alegremente para um clube de países ricos, sem dinheiro sequer para pagar as quotas, e (secretamente) baseámos a nossa política naquele slogan que os comunistas escreveram nas paredes: - 'os ricos que paguem a crise'. Foi assim, mas eles cansaram-se de pagar.

E agora o europeísmo, ideário de afrancesados sempre prontos a abrirem as portas da cidade a um qualquer Napoleão! Hoje a coisa é mais prosaica: - a quem esteja disposto a pagar a conta. E assim, com este estado de espírito, vá de esperar tudo de uma Europa mítica, solidária, igualitária, libertária. Laica, republicana e socialista, de preferência.  
Ora bem, este europeísmo, falso como Judas, é subscrito hoje, é discurso eleitoral, e se calhar ganha votos, num país que tem mais de quinhentos anos de história atlântica e ultramarina. Ridículo, se não fosse trágico.

Saudações monárquicas  

sexta-feira, março 21, 2014

Kiev, berço da Rússia

Fronteira cristã, que deu Santos e Czares à Rússia, mil vezes devastada por turcos e tártaros, alvo de cobiça do ocidente, é hoje uma terra onde ninguém se entende!
A ignorância e a estupidez podem, por uns tempos, baralhar as consciências, mas não podem enganar a história. Nem as almas se deixam enganar por ideologias. Tão pouco por euros, ou dólares. Mais tarde ou mais cedo a situação voltará ao princípio. E o princípio, aquele que ainda é relevante, essencial, é o choque entre civilizações. Religiões diferentes, diferente perspectiva sobre o homem. O resto é política curta e baixa.
Mas haja esperança! Porque uma cidade onde persiste a estátua de um Dolgoruky, Volodar (Príncipe) da Ucrânia, e uma universidade com o nome de São Vladimir, tem que saber qual é o seu destino.



Saudações monárquicas

quarta-feira, março 12, 2014

Setenta… mais um!

Se não gostam de papagaios, se acham ofensivo, altera-se a coisa para: - setenta republicanos à conquista do poder. Falta um! Esse agora não interessa, fica para o fim.

É claro, que como em todas as grandes jogadas, valem aqui os mesmos princípios e as mesmas leis que Orwell tão bem descreveu no ‘Triunfo dos porcos’. Existem os espertos que ficam na sombra a comandar, e não assinam, existem os que assinam tudo, embora não saibam escrever, e existem os célebres ‘companheiros de jornada’, tão úteis para compor o ramalhete, ou seja, para dar um ar de seriedade ao dito movimento. Incluem-se nesta rubrica figuras transversais, como agora se diz, mas que comungam do mesmo ódio ao actual governo e esperam, quiçá, um lugarzinho no próximo.

O que sabemos de ciência certa é que se por qualquer motivo ascenderem ao poder, via propaganda da renegociação da dívida, irão fazer o mesmo que este governo tem que fazer: - ter juizinho, tratar bem os credores, porque senão acabam-se os euros. E isso é o que menos interessa aos setenta. E a nós também.

Falemos agora do tal ‘setenta e um’! Muito embora não faça parte daquele grupo, também anda à procura de protagonismo. Presidente de um clube subsidiado pelos bancos (e nisso não é original) grita como se toda a gente lhe devesse dinheiro! Se o seu clube perde ou empata, gesticula com os árbitros, diz-se roubado, contabiliza hipotéticos prejuízos, apaga benefícios descarados e, curiosamente, tem o tempo de antena que os seus alvos preferidos nunca têm!

Se fosse só ridículo, não haveria grande problema. O problema é que estas coisas às vezes dão para o torto.
O mesmo se diga a propósito da 'jogada' dos setenta.


Saudações monárquicas

quarta-feira, fevereiro 26, 2014

Portugal futebol clube!

Bem, a gente adapta-se a tudo. Eu até gosto de futebol, mas isto assim parece-me exagerado, doentio. Ou será antes sinal de pujança e vitalidade?! 
Vejamos: - a pátria, para as novas gerações, resume-se à selecção de futebol! Os nossos vultos são os futebolistas. Se morrem queremos imortalizá-los no Panteão nacional! O regime é uma espécie de nacional-benfiquismo! Os clubes estão práticamente nacionalizados, atendendo às dívidas que têm! E ninguém se incomoda com isso! Os nossos dois únicos heróis, sem sombra de contestação , um é avançado , outro é treinador! E quanto a este quase o comparamos a um Condestável! Aquele que conquista Madrid e humilha os castelhanos! E para maior semelhança aliado dos ingleses!
O que é que sobra?! Sobra pouco e não admira esta alienação, esta deslocação de interesses, pois se olharmos para outros aspectos da nossa realidade, menos lúdicos entenda-se, só vemos maus exemplos. Por exemplo, esta história da reforma antecipada e em segredo, de uma alta patente militar convenhamos que não é um feito brilhante! Eu percebo que os portugueses fujam aos sacrifícios desproporcionados que esta república (o fisco em especial) vai impondo alegremente. Mas um militar nomeado pelo regime?! Com franqueza.

Saudações monárquicas