terça-feira, março 20, 2018

Quinas de Ouro

Não sou muito dado a este tipo de acontecimentos, cheiram-me sempre a propaganda política misturada com as negociatas da bola. Este ano então a hipocrisia esteve em alta! Toda a gente a sorrir e a elogiar o futebol português como se de repente o mar de lama se transformasse em água cristalina! Igual a isto só o Sócrates ser convidado para ir a uma universidade discursar sobre economia! Da banca rota, só pode! Mas tirando isto e as graçolas do Ronaldo sobre recordes e filhos de aluguer, é justo que se diga bem de alguma coisa. E digo. Gostei de saber que Peyroteo, o grande goleador leonino do passado, ganhou o prémio de carreira! Ainda que não conheça o regulamento nem quais foram até à data os anteriores galardoados, parece-me um prémio que faz sentido. Mas daqui, e porque não sou inocente, posso também concluir que afinal a Federação cedeu às reivindicações do Sporting no sentido de colocar Peyroteo no mesmo plano de Eusébio. E ao mesmo tempo valorizar os campeões do passado. Não estou a fazer juízos de valor estou apenas a constatar um facto. E este facto interessa-me e interessa ao Belenenses. Daqui à equiparação dos campeonatos de Portugal aos campeonatos nacionais vai um pequeno passo. É bom que seja dado.  E então talvez o próximo nomeado para o prémio de carreira seja Artur José Pereira que curiosamente também jogou no Benfica e no Sporting... antes de fundar o Belenenses! Faz todo o sentido.


Saudações azuis   

sexta-feira, março 16, 2018

‘Clube querido’

Os portugueses ouviram o diálogo entre Negrão, actual chefe de fila do PSD, e o chefe do governo António Costa, sobre a violação do sistema informático da Justiça. Um diálogo sobre o ‘clube querido’, como ambos fizeram questão de salientar! Em plena assembleia da república, note-se. Também repararam na bonomia com que Costa desvalorizou o assunto, prática aliás em que é useiro e vezeiro! E o remate irónico com que se congratulou com a descoberta dos autores - foi a primeira vez, disse - tem qualquer coisa de socrático! O resto é tudo natural. Usar a palavra passe de uma alta magistrada, por acaso assessora de Maria José Morgado, a grande justiceira do apito dourado, tudo isso é normal. Inclusivé os fortes indícios de corrupção! Pois a dita violação só é inteligível, se for a benefício do ‘clube querido’! Normal também.

Que diferença para Passos Coelho que nunca vi em camarotes do futebol e que ainda hoje não sei qual é o seu ‘clube querido’. Que diferença entre um estadista e um… Deixo o adjectivo ao vosso alto critério.


Saudações monárquicas  

quarta-feira, março 14, 2018

A nacionalização do tempo!

Morreu um cientista, um homem muito considerado pela sua inteligência e, porque não dizê-lo, pela sua condição de enfermo de uma longa doença degenerativa. Com uma fé inabalável na ciência explicou que Deus não existe. Ou só existe enquanto a ciência não conseguir decifrar todos os seus mistérios. E o mundo que ouviu a revelação irá durante algum tempo discutir o assunto e depois continuará a girar sem uma explicação mais convincente.


Relacionei este acontecimento com as tempestades que são hoje propriedade do estado e obedecem cegamente ao diário da república. Hoje estamos em alerta amarelo, amanhã de outra cor, e a vida organiza-se em função deste espectro mas onde falta sempre o arco iris. Que não é milagre uma vez que já foi apropriado pela ciência. Mais tarde seremos nós. Na ciência não há milagres.

sábado, março 10, 2018

‘Georges, anda ver o meu país…’

De toupeiras!
E de repente, no meio das trevas, descobrimos que Portugal ameaça ruir!
Há fissuras na ponte, os sinos de Mafra podem calar-se e a própria catedral da Luz, matriz do regime, onde se ordenam árbitros e se papam almoços, parece estar cheia de toupeiras! Que escavam buracos, túneis, galerias imensas que abalam o subsolo da justiça! E os subterrâneos do poder.

António Nobre! Perdoa-me a ousadia e o mau gosto de ter usado os teus versos… para descrever o indescritível! Foi o que me ocorreu de repente. Por contraste, aqui ficam as primeiras estrofes do teu lindo poema:

‘Georges! Anda ver o meu país de marinheiros
O meu país das naus, de esquadras e de frotas!
Oh as lanchas dos poveiros
A saírem da barra, entre ondas de gaivotas…’



Saudações monárquicas   

quinta-feira, março 08, 2018

O estado da nação

Ele há coincidências que não enganam e como tal reclamam a devida publicidade. Não sei se já repararam mas desde que o assessor jurídico do Benfica foi detido, os canais de televisão foram imediatamente invadidos pela mesma fauna que nos habituámos a ver quando o antigo primeiro-ministro José Sócrates foi também ele detido! Sintoma de que a situação é gravíssima. Gravíssima para os interesses do regime e de um dos seus principais fundamentos – a batota, em todas as suas dimensões, e o espirito de seita. É por isso que eu me rio quando oiço desvalorizar as contrapartidas (bilhetes e camisolas) que sustentam o presumível crime de corrupção. De facto, e tal como nos bilhetes do Centeno, o que pode estar aqui em causa é um crime diferente e mais grave do que a corrupção. Não exige contrapartidas, é concebido e executado por fanatismo, amor à causa, ou à camisola, e os seus autores não medem consequências. Ou porque não têm escrúpulos ou porque pensam ter as costas quentes.

Ora bem, este perfil assemelha-se mais a associação de malfeitores e costuma estar na base dos movimentos terroristas. Se a isto juntarmos a impunidade das claques e a fragilidade dos governos temos o caldo de cultura que o procurador de Aveiro antecipou no processo face oculta. Estamos indefesos perante atentados ao estado de direito. Ninguém o diz, mas todos sabem que isto foi longe demais. E agora… Marcelo?!


Saudações monárquicas

terça-feira, março 06, 2018

O Benfica é inimputável?!

Na república portuguesa há um conjunto de entidades que estão acima de qualquer suspeita para não dizer que estão acima da lei! Uma espécie de intocáveis, pilares da nação, etc. Vem isto a propósito da detenção do assessor jurídico do Benfica suspeito de ter subornado funcionários judiciais no âmbito do 'processo dos emails'. Processo em fase de investigação e onde o Benfica está indiciado por corrupção desportiva, na forma activa e passiva. 

Pois bem, mal se soube da notícia da detenção, começaram de imediato as operações de lavagem tentando retirar o Benfica do centro dos acontecimentos! Como se não tivesse nada a ver com o assunto e o assunto, um presumível crime de corrupção, não tivesse sido (alegadamente) praticado em seu benefício! Foi assim que, incrédulo, ouvi na TV a explicação de um reputado jurista: - o Benfica não pode ficar manchado porque se trata de uma enorme instituição nacional. E acrescentou ao rol dos inimputáveis o Porto e o Sporting! Ao mesmo tempo que se apressava a excluir a corrupção desportiva'! Ou seja, a haver corrupção, seria a outra. Com a verdade me enganas, pensei.

Mas a lavandaria república não pára e no próximo programa (de lavagem) vão tentar convencer o pagode que o dito assessor exorbitou das suas funções e nessa medida será ele o único responsável pelo alegado crime! O Benfica está assim inocente muito embora quem tenha ganho os campeonatos (sob suspeita) tenha sido o Benfica!

Resumindo e concluindo pergunta-se: - haverá melhor sítio para se praticar um crime do que o abrigo seguro da inimputabilidade dos grandes clubes portugueses?! Se houver, avisem.


Saudações monárquicas

sexta-feira, março 02, 2018

União ibérica em marcha…

Na fotografia, de mãos dadas e muitos sorrisos, estão o presidente da fundação bancária ‘La Caixa’, o presidente honorário do BPI, e António Costa primeiro ministro de Portugal. Nada de novo, La Caixa é dona do BPI, o país não tem dono, é mais um episódio da influência de nuestros hermanos entre nós. A razão dos sorrisos nacionais é a mesma de sempre: - vai entrar dinheiro! Em perspectiva uma resma de projectos de solidariedade, tudo devidamente acolitado e aplaudido pelos republicanos portugueses. Quem é Artur Santos Silva para além do BPI?! Foi o personagem que comandou os festejos do centenário da república! Quem é o Costa para além de primeiro-ministro?! Um filho do império cuja ascensão política diz muito sobre o poder a qualquer preço! Quem vier atrás que feche a porta.



Saudações monárquicas

sábado, fevereiro 24, 2018

Perguntas sem resposta

Depois da resignação os acontecimentos passam à nossa frente como um filme sem legendas. O sentido torna-se compreensível porque as imagens se repetem e os actores são os mesmos. E já lhes conhecemos as manhas. Vou dar alguns exemplos:

Manuela Ferreira Leite explicava qual é o espaço político do PSD – ‘vai do centro esquerda ao centro direita’!
Pergunto: Não seria melhor a senhora confirmar aquilo que já todos percebemos. Que a união nacional nunca acabou!

Outra curiosidade: Rui Rio escolheu a ex-bastonária Elina Fraga para a sua comissão política. Deu-lhe uma vice-presidência! E também ficámos a saber que a dita Fraga, que era do CDS e agora do PSD, anda horrorizada com o facto de sermos governados pela esquerda!
Pergunto: - Não seria melhor a senhora da voz grossa esclarecer os portugueses porque é tão apoiada por tudo quanto é jacobino /maçon?!

O governo Costa, pela mão da autoridade tributária, anda a ameaçar os contribuintes que não cortarem as árvores e os arbustos que possam arder! E enumera distâncias e coimas.

Resposta: Pois bem, considerando que foram os governos da república que expulsaram os portugueses das suas terras e rebanhos para aí plantarem pinheiros e eucaliptos, não é justo obrigar esses portugueses (ou os seus descendentes), forçados a habitarem nos dormitórios de Lisboa e Porto, a irem á santa terrinha cortar a meia dúzia de pinheiros que lá deixaram.

O meu caso é um pouco diferente. Habito numa casa antiga com algum terreno à volta e no pátio existe um plátano centenário que é maior do que a casa. Não fiz ainda as necessárias medições, mas estou mais preocupado com o vento do que com o fogo. Seja como for esclareço as finanças que prefiro demolir a casa a eliminar a árvore. Embora na primavera o respectivo pólen me cause algumas alergias. Mas há alergias e alergias.



Saudações monárquicas

segunda-feira, fevereiro 19, 2018

Resignação

Resignação é um dia
Em que os braços ficam lassos
E a cabeça rodopia…

É altura de parar
Correr o pano, fechar
Inventar outra mania

Adeus pátria desalmada
Minha triste namorada
Vim dizer-te o que sobrou:

Portugal dos pequeninos
Terra de muitos reizinhos
O interregno acabou!

Republicano de alcunha
Vou partir prá Catalunha
Levo a mesma fantasia

Levo Deus e a sua lei
A liberdade da grei
Levo toda a monarquia!

E se um dia houver um dia
Grande milagre, magia,
A primavera chegar...

Seja em Outubro ou Setembro,
Num primeiro de Dezembro


Eu conto ainda voltar!



(Nota: Os versos nunca estão prontos. Estes estão ainda em obras.
 Acabamentos, porque a essência não muda.)



Folha de obra

Foi com alguma dificuldade que terminei a ‘resignação’ sendo que ainda é possível fechar a varanda ou pôr uma escada interior. Trabalho feito em três dias, á vista de todos. Arquitecto em rimas, prosa às tirinhas, poemas, o maior obstáculo consistiu em meter num terceto a essência do regime monárquico e o prejuízo da perda. No caso português, como é óbvio. A deriva catalã explica-se porque o príncipe é condição necessária para a independência. Embora possa não ser suficiente. Considerar Deus e a sua lei uma fantasia também não é fácil. A palavra utopia é uma alternativa possível. Espero no entanto que a contradição do discurso possa transformar ou inverter tudo isso. É uma questão de leitura. O mais importante é que a ideia e o ritmo se mantenham. 

sexta-feira, fevereiro 09, 2018

Pausa para o almoço!

A justiça em Portugal é um mistério que só alguns conseguem decifrar. Estava eu à espera de saber alguma coisa sobre os depoimentos do ex-casal Rui Rangel e Fátima Galante, dois juízes desembargadores indiciados por crimes que devem estar habituados a  absolver ou condenar, e qual não é o meu espanto quando à saída do tribunal o advogado de Rangel explicava que o seu cliente se manteve em silêncio usando uma prerrogativa que a lei lhe concede. O silêncio, disse o advogado, prende-se com a necessidade do arguido estudar melhor o processo preparando-se assim para as possíveis perguntas que lhe serão feitas! 

Confesso a minha ignorância sobre a lei processual e se esta 'manobra' se aplica a todos os arguidos, ou se é só para juízes! Mas que é estranho alguém ser convocado para prestar declarações e ficar calado o tempo todo, lá isso é. E como o 'depoimento' se prolongou para a parte da tarde, houve o indispensável intervalo para o almoço!

Conclusão: - 'Viver é almoçar, morrer é ser almoçado'!


Saudações monárquicas

quinta-feira, fevereiro 01, 2018

Submarino ao fundo!

Está difícil de aceitar que o presidente do Benfica em exercício seja constituído arguido. Os jornais hesitam, as televisões tentam separar o Benfica do homem, do grande empresário, do grande líder, e o seu advogado joga ás palavras cruzadas com quem o interpela. Eu percebo o problema. Normalmente os presidentes do Benfica só são constituídos arguidos quando abandonam o cargo. Em pleno exercício de funções nunca aconteceu. Não faço ideia o que diz a constituição! Mas uma vez que aconteceu, que alguma coisa rebentou e os respectivos estilhaços atingiram o nacional benfiquismo, uma âncora do regime, há que ter esperança, pois alguma coisa está a mudar! Para o serviço ser completo falta agora que se efective a propalada candidatura de Sócrates à presidência da república. Seria um tiro no porta aviões! Um tiro abençoado, diga-se! Sócrates, não hesites, avança!


Saudações monárquicas



Memória - Cumpre-se hoje mais um ano sobre o Regicídio (1 de Fevereiro de 1908), uma data triste para Portugal, vergonhosa para os portugueses, prenúncio do assalto republicano ao poder e de uma irreversível decadência.

quarta-feira, janeiro 31, 2018

Eu trafico, tu corrompes, ele branqueia… e ela investiga!

Verbo frequente nesta terceira república, sofreu agora um pequeno revés ou acrescento desde que a Procuradoria-Geral da república está entregue a Joana Marques Vidal. Procuradora que a nomenclatura pretende ver pelas costas no fim do respectivo mandato. E percebe-se porquê. Habituados à impunidade, à queima das escutas e a outros artifícios processuais os arguidos confrontam-se agora com outra atitude por parte da Procuradoria que, imagine-se, quer levar os processos até ao fim!

É dentro desta linha de actuação que chega até nós a ‘Rota do Atlântico’, nome de código de uma investigação que apanhou nas suas redes, peixe graúdo. Estamos a falar de juízes desembargadores, da Relação, e do incontornável presidente do Benfica! Aliás a maior parte dos arguidos tem ou teve fortes ligações ao Benfica. Um clube, pelos vistos, demasiado grande para o pequeno país que somos pois não existe investigação que não termine em buscas ao estádio da Luz! Isto dá que pensar! Mas faz um certo sentido e se conjugarmos este processo com o dos emails verificamos que a paixão é a mesma: - tudo o que seja árbitro, desde o juiz do Supremo ao fiscal de linha, o Benfica está na jogada!

Outra conclusão, esta mais séria, que o governo deveria tirar, seria proibir os clubes de futebol profissional, de se espraiarem por outras actividades que nada têm a ver com a indústria do futebol. Fundações, colégios, creches, universidades, rendas disto e daquilo, tudo isso só serve para mais tarde dar trabalho à polícia e aos tribunais. Em Inglaterra não me consta que o Arsenal ou o Manchester United tenham fundações ou pensem abrir universidades. Pelo contrário, concentram-se na indústria do futebol, que é pujante e todos os clubes ganham com isso.


Saudações monárquicas  

quinta-feira, janeiro 25, 2018

A república de Sócrates

Vou iniciar hoje um romance, uma história, um conto do vigário, como que lhe queiram chamar, onde se relatam as aventuras de um falsário, falso engenheiro e falso filósofo, que vindo do nada, conseguiu meter um país no bolso! O país estava obviamente organizado em república, única fórmula política que, não só permite, como encoraja a chegada ao poder deste tipo de aventureiros. A condição é que mate a fome e a sede àqueles que o ajudaram a trepar tão alto. A esses e a mais alguns adesivos, que no seu conjunto a ciência política designa por ‘nomenclatura’.

Uma vez no poder, o nosso herói faz aquilo que vem nos livros. Silencia todo e qualquer ruído incómodo à sua pessoa e ao seu esplendoroso magistério. Isto faz-se rápidamente através da polícia se a república já chegou á fase da ditadura. Se ainda está na fase democrática usa-se a demagogia, a fragilidade humana, que inclui banqueiros e comunicação social. Dito e feito.

Depois de muito uso e abuso podem ocorrer reacções adversas dos mercados, falências de empresas importantes, de bancos do regime, ou a falência do próprio país. O nosso herói pode inclusivamente ser acusado pela justiça, mas a república reage e diz que não é nada com ela! Habituada a estes contratempos ensaia a fuga em frente e coloca um ‘maduro’ qualquer no seu lugar. No caso em apreço está lá toda a gente menos o ‘filósofo’!

Está feito o enquadramento do romance e a narrativa segue dentro de momentos. O primeiro episódio versa sobre o tema da moda e terá o seguinte título: – ‘O engenheiro e o polvo encarnado’!


Saudações monárquicas

segunda-feira, janeiro 22, 2018

Treinador da Catalunha!

De Portugal, tal como está, não vale a pena escrever nada. Para cumprir o triste destino que o futuro nos reserva, não é preciso fazer nada. Ele acontecerá naturalmente e será independente da nossa vontade. Recordemos apenas que faltam três ou quatro anos para completarmos mais um ciclo de quarenta e oito anos de decadência! Na altura falou-se em obscurantismo! O certo é que as repúblicas não costumam durar tanto. Aliás os sinais do fim são tão evidentes que qualquer pessoa os vislumbra. São escândalos atrás de escândalos, operações judiciais atrás umas das outras, e deste caos ninguém acredita que saia alguma coisa de positivo. As repúblicas não se regeneram por si e esta terceira república não será excepção. E já nem falo das cisões partidárias que se perfilam no horizonte e antecipam normalmente o fim dos regimes. Para os que gostam de imagens fortes eu diria que vivemos ligados à maquina do BCE. Uma vida aparente.

É melhor então falar dos vizinhos:

Pois se eu fosse treinador da Catalunha (não confundir com treinador do Barça) convocaria os republicanos catalães e indicava-lhes o caminho do banco. Assim, não podem calçar as chuteiras! Não podem jogar! São prejudiciais à causa da independência! As eleições dividem e prejudicam a equipa da Catalunha. E explicava-lhes (com um desenho) que enquanto proclamarem a república, mais não fazem que garantir que a Catalunha nunca será independente!
Convocaria de seguida todos os catalães e pedia-lhes que arranjassem um príncipe! Única forma de unir aqueles que querem falar castelhano àqueles que querem falar aquela outra língua esquisita. Eu sei que não é fácil arranjar um príncipe catalão quando ele não existe. Há que inventá-lo. Uma princesa proscrita também serve.



Saudações monárquicas

sexta-feira, janeiro 12, 2018

A monarquia e as repúblicas

No seguimento do último postal, e por contraposição, convinha explicitar a natureza da monarquia e já agora a qualidade do seu relacionamento com as repúblicas.

Sabendo que não existem regimes perfeitos, também sabemos que a monarquia surge na história política para solucionar os inconvenientes da república. E os inconvenientes da república têm a ver basicamente com a representação e com tudo o que daí decorre. Nomeadamente a sucessão e a arbitragem.

O problema maior resulta da óbvia incapacidade do chefe republicano para representar a raiz e o vínculo comunitário, que é o mesmo que dizer, o passado o presente e o futuro de determinada comunidade histórica. Os problemas menores, que não são tão menores como isso, são afinal o corolário do problema maior. O presidente eleito há-de puxar aos seus descendentes sanguíneos, favorecendo-os, porque é da natureza humana. E ainda que represente apenas uma parcela do eleitorado há-de favorecer quem o elegeu se não quiser ser apodado de traidor. Também por isto é incapaz de ser árbitro. Qualquer pessoa percebe.

No que toca ao relacionamento com os regimes republicanos, a monarquia por não ser uma religião mas um acto de inteligência, tem outra plasticidade e outro alcance. E pelo facto de assegurar ao chefe de estado, neste caso ao rei, uma representação muito superior a qualquer chefe de estado republicano, coloca-se noutro patamar. Isto também qualquer pessoa percebe. 

A título de exemplo recordemos uma célebre cimeira ibero americana e o ‘porque não te calas’ com que o rei de Espanha brindou o presidente da Venezuela! Parafraseando Bonaparte no Egipto, eram dez séculos de monarquia que mandavam calar cinco anos de xavismo. E todos perceberam as razões da autoridade de Juan Carlos. Incluindo o presidente da Venezuela.

No caso português que é o que mais nos interessa lembro a propósito uma frase do rei Dom Carlos – ‘Podemos estar de mal com todo o mundo, menos com a Inglaterra e com o Brasil’! Se Angola fosse nessa altura um estado independente o rei tê-la-ia incluído na excepção. E temos uma certeza: - à semelhança da relação que existe hoje entre a Inglaterra e os Estados Unidos, assim seria a nossa relação com Angola. Onde tudo se resolve, sem domínio ou submissão.


Saudações monárquicas

quinta-feira, janeiro 11, 2018

As repúblicas não se dão!

A república mais do que um sistema político é uma religião. Um acto de fé construído sobre bases teóricas que a realidade se vai encarregando de desmentir. E quando algum dos crentes quer dar um exemplo de sucesso republicano recua invariávelmente à cidade estado ateniense até porque a história de Roma está cheia de Césares e de percalços. Alguns mais ignorantes, não percebem o erro, e invocam a revolução francesa e o terror! É também por ser uma religião que o republicano é normalmente laico ou agnóstico, ou seja, não tem outra religião porque já tem uma.

Este introito para percebermos o tipo de relações que se podem estabelecer entre duas repúblicas! Ora bem, como professam o mesmo evangelho ou se transformam numa só ou então temos guerra. E a guerra acaba sempre da mesma maneira, em domínio ou submissão! Acaba numa só república (mascarada de muitas) comandada por um César ou por um comité central republicano. Sirvam de exemplo as duas grandes repúblicas do século XX - Estados Unidos e URSS.

É neste quadro que temos que analisar as dificuldades de relacionamento da república portuguesa com as ex-colónias. Hoje Angola, amanhã outra qualquer, o problema é o mesmo. impossibilidade e choque permanentes. Se quiserem outro exemplo reparem na (inexistência) da CPLP.

Concluindo, e olhando agora para o actual contencioso entre Portugal e Angola pergunta-se: - Como irá isto acabar?! Domínio ou submissão?! O preço da 'paz' já foi estabelecido - será a cabeça da procuradora geral da república. Mas não haverá paz verdadeira porque as repúblicas... não se dão!



Saudações monárquicas

domingo, janeiro 07, 2018

O ataque à Procuradora!

É um filme português, uma reprise naturalmente, candidato aos óscares que a república costuma distribuir pelos seus correlegionários. Digo que é uma reposição porque já vi este enredo a propósito da Casa Pia. Na altura versava sobre vícios privados e virtudes públicas! Ou seria o contrário?!

Mais tarde houve outro filme parecido, ‘face oculta’ se não me falha a memória. Era uma série de aventuras com um novo protagonista, grande actor por sinal, e que em poucos anos arrebatou todos os óscares! Os cinéfilos devem lembrar-se do trailer: - a acção começa com uma caixa de robalos oferecida por um sucateiro e termina com a queima das escutas! Um sucesso de bilheteira e com final feliz – o herói é absolvido perante uma plateia entusiasmada!

Agora o que se prepara é um género de emboscada a ver se conseguem derrubar uma procuradora geral da república que, contrariando os seus antecessores, conseguiu levar um processo até ao fim. E no fim há um ex-primeiro ministro que é acusado de três crimes! Não se sabe ainda se este filme verá a luz do dia ou se a emboscada conseguirá derrubar a procuradora. Há outros factores a ter em conta. Um desses factores está em Belém e relaciona-se com a intervenção que o presidente da república terá nesta emergência. Entretanto há um pacto de justiça em cima da mesa! O que é que isto quererá dizer?! Eu desconfio sempre dos filmes republicanos.



Saudações monárquicas



Nota: - Um dos indícios da tramóia é a tentativa de associar a procuradora às adopções da IURD. Na altura dos factos Joana Marques Vidal era coordenadora no tribunal de família. Estão a ver a jogada?! E muita atenção aos candidatos do PSD!  

domingo, dezembro 24, 2017

Postal de Boas Festas

Aos heróicos resistentes que visitam esta página o Interregno deseja um Bom Natal e um próspero Ano Novo. Perdido na imensidão mediática o que aqui se escreve pouco diz aos portugueses, no entanto a história é fértil em surpresas. A regra do pêndulo costuma cumprir-se enquanto o seu eixo não se partir. A Europa vai formosa e não segura e as divisões já tomam conta dela. E começam os castigos, não por causa do défice mas por causa da política. Fartos de esquerdismo e de esquerdistas os países do leste europeu não se hão-de conformar com as directrizes burocráticas de Bruxelas. O federalismo baseado apenas nos fundos europeus será a última estocada na união. Só as quadrilhas de malfeitores é que se unem à volta do dinheiro. Portugal como é seu timbre pretende passar entre os pingos da chuva mas haverá um momento em que terá de se definir! E aí é que vão ser elas! Não sei se o Interregno vai durar tanto tempo. Mas isso pouco interessa.


Saudações monárquicas

sexta-feira, dezembro 22, 2017

A Catalunha

Vi na televisão espanhola a comunicação que Mariano Rajoy fez hoje no Palácio da Moncloa a propósito das eleições da Catalunha. Assisti também à conferência de imprensa que se seguiu e assim fiquei elucidado sobre o acto eleitoral de ontem. Este objectivo, aparentemente tão simples, tornou-se impossível de alcançar através do visionamento da televisão portuguesa ainda que estivessem mobilizados para o efeito todos os canais noticiosos de que dispomos!

Portanto, e para memória futura, convém fixar que quem venceu as eleições foi um partido constitucionalista (Ciudadanos) o que acontece pela primeira vez na vigência da actual constituição espanhola! Pois bem e apesar deste facto relevante os imensos especialistas que temos sobre a Catalunha garantiam a pés juntos que os independentistas tinham ganho e que Rajoy deveria convocar eleições gerais porque o PP catalão havia ficado em último lugar! É a democracia portuguesa a funcionar, sempre à procura de uma geringonça que impeça o partido mais votado de governar. Quanto à confusão entre eleições regionais e nacionais até se compreende num país que já foi grande mas que em poucos anos se tornou numa pequena região peninsular.


Saudações monárquicas


Nota básica: Este momento particularmente difícil que a Europa atravessa, e com ela as nações peninsulares, tem sobretudo a ver com os graves problemas de identidade que herdámos e vamos cultivando, muitas vezes sem darmos por isso. Desde a tatuagem cavernícula, à preferência por um dialecto local (em prejuízo de um idioma universal, que no caso da Catalunha, milhões de catalães também ajudaram a difundir), passando pela negação dos pilares fundadores (Deus, Pátria, Rei), tudo se resume a uma pergunta – em que lugar escuso e em que hora obscura perdemos o nosso bilhete de identidade?!

sexta-feira, dezembro 15, 2017

A raiz do problema

"O que determina a qualidade do Estado que temos, é a classe política. E quem determina a classe política que temos, NÃO é o eleitorado - e esse é que é o problema.

O que determina a classe política que temos, é o sistema eleitoral.

A raiz do problema é este sistema eleitoral de "listas fechadas e bloqueadas", sem voto nominal, que está a matar a democracia portuguesa. Por causa deste sistema, votamos em listas cuja ordem já foi decidida... pelos próprios políticos! Na prática, elegem-se a si próprios e não é possível desalojá-los do parlamento pela via do voto.

Somos "governados" por gente filtrada por um punhado de partidos que são autênticas madrassas de falta de ética, como já tem sido documentado em múltiplas reportagens e livros.
Porém, os cidadãos estão impedidos de lhes fazer concorrência, pois não podem candidatar-se a lugares de deputado. Nem sequer podem escolher em quem estão a votar para os representar no parlamento, quando isso é prática habitual na maior parte dos Países europeus.

É por esta razão que a classe política é tão má. Porque pode."

Com a devida vénia seleccionei este comentário assinado por Jorge Tavares no Observador que explica bem a promiscuidade (incorrigível) da república.