sexta-feira, março 18, 2011

As fragilidades republicanas

Sabe-se como é, lá como cá, em França, seja onde for, sempre que um chefe de estado é eleito, quem o elege, quem paga a campanha eleitoral, tem tendência a cobrar a factura da eleição. É humano, e por ser humano, é que os humanos perceberam que se tornava necessário encontrar um regime onde o chefe de estado fosse eleito, sim, mas não por uma maioria conjuntural, efémera e sobretudo ‘interessada’. E assim se chegou à monarquia, regime onde o chefe de estado é eleito pela história, sem depender de nenhuma facção, de nenhuma maioria (ou minoria), sem dever favores a ninguém. Livre portanto para representar tudo e todos, antes e depois. O Rei é, numa imagem feliz, ‘a figura humana da Pátria’.

O mesmo não acontece com o chefe de estado republicano, que raramente se livra de apuros ou comentários quando alguém, como o filho de Khadafi, insinua que a Líbia terá pago a campanha eleitoral de Sarkozy, e exige agora o dinheiro de volta. Dir-se-á que se trata de vingança líbia, atendendo ao protagonismo do presidente francês, empenhado em depor Khadafi! Pode ser, como pode ser o contrário.
Enfim, fragilidades republicanas, que neste caso fragilizam a França.

Saudações monárquicas

quinta-feira, março 17, 2011

Três momentos marcantes

Comecemos pela entrevista de Sócrates à televisão, pelo seu discurso recorrente: - as dívidas são solidárias, os nossos parceiros têm que as pagar também (ainda que por norma não tenham dívidas), para isso fazemos parte da união. Por conseguinte é a união que tem a responsabilidade de encontrar uma solução conjunta para este problema. Problema que como sabem resulta de um ataque sem precedentes dos mercados, mercados que não gostam de dívidas (insolúveis), mercados que não gostam da dívida portuguesa. Entretanto, e continuo a seguir o raciocínio da esquerda, o direito a contrair dívidas é pessoal e intransmissível, é soberano, mal acomparado, tal como o meu corpo, que é meu, podendo fazer dele o que quiser: - abortar, drogar-me, casar com uma alimária. E haja alguém que pague e seja solidário com isto! Sem falar no mau exemplo.

Outro momento inesquecível aconteceu na abertura do ano judicial: - o discurso a duas vozes do bastonário Marinho Pinto!
Na primeira voz, sem surpresa, atirou-se aos magistrados, com especial pontaria na direcção do juiz Carlos Alexandre que teve a ousadia de levar a julgamento aquela rapaziada do ‘face oculta’. Irritando sobremaneira, como se viu, o eterno defensor de inocentes próximos de Sócrates.
Na segunda parte, completamente distinta, Marinho assume-se como o grande justiceiro, alma imaculada da república, denunciando sem contemplações a corrupção que se abate sobre as colunas do estado. Termina (surpreendentemente) com rasgados elogios à obra da Igreja Católica, apesar de se confessar laico e sem religião aparente. Bonito! Quem não o conhecer, que o compre, diz o povo e digo eu.
Subsistem duas perguntas: - porque será que num país dito católico, os cargos de relevância judiciária estão (na sua totalidade) entregues a laicos, para não dizer maçons?!
Segunda pergunta: - não haverá ligação entre o estado da justiça e o compadrio que naturalmente resulta destas sociedades secretas?!
As perguntas ficam no ar.

Terceiro momento marcante: - a televisão pública é do Real Madrid! Só assim se explica que tenha transmitido (em horário nobre) um jogo entre castelhanos e uma equipa francesa. Bem sei que o treinador é o Mourinho, bem sei que jogava o Cristiano Ronaldo, bem sei que o povo gosta de ver. Mas há limites para o divertimento e para a propaganda.
Isto faz-me recuar no tempo, e a um tema já por mim glosado, sobre os gladiadores que eram recrutados aqui na península ibérica para abastecer e satisfazer as necessidades do circo romano. Também eles, os gladiadores, eram apreciados pela sua força e destreza. Os romanos pelo menos gostavam. Estou até convencido que se houvesse televisão nesse tempo, e se o regime em Portugal fosse igualmente pacóvio e subserviente, que os combates também seriam transmitidos, para todos vermos os nossos heróis lutar e morrer consoante o polegar de César.
Uma pergunta: - existe ao menos alguma reciprocidade? A TVE também transmite jogos do Porto ou do Benfica?

Saudações monárquicas

terça-feira, março 15, 2011

A guerra do Ultramar

A guerra ganha e perdida, perdida aqui, na metrópole, a guerra que separa o trigo do joio, a coragem da cobardia, que podia ter sido evitada, é verdade, mas não foi, portanto havia que fazer a guerra, guerra defensiva, guerra contra o terrorismo, guerra contra as potências que provocaram a guerra, que fomentaram o ódio racial, e outros interesses, para haver guerra, guerra inútil para os africanos, que ficaram sem nada, sem futuro. Se Angola é nossa?! Angola só existe na imaginação portuguesa, as fronteiras são as que marcámos, os povos de Angola são os que decidiram viver connosco dentro dessas fronteiras. Não sendo assim, emigram diáriamente para Portugal para continuarem a viver connosco nas mesmas fronteiras! Emigrariam (quase) todos se pudessem. Ficariam apenas os que a guerra fria lá deixou. Falei de Angola porque Angola é hoje o retrato da nossa frustração, da nossa hipocrisia, da fuga às responsabilidades assumidas em séculos e séculos. É também o contraponto da europa onde empobrecemos a juro alto.
Por isso, por tudo, e muito mais que tudo, que não cabe neste texto, inclino-me perante os combatentes que não se negaram a cumprir o que a Pátria deles esperava.

Tributo à memória

http://www.youtube.com/watch?v=6N5rFJWLbsk

domingo, março 13, 2011

Então e o regime, pá?!

Nem uma palavra sobre o regime!
Então o regime REPUBLICANO não tem nada a ver com o estado a que chegámos?! De certeza, pá?! Então pá, das duas, uma: se não tem, não serve para nada; se tem, mudem-no.

Mas não, os pequerruchos não querem mudar, querem apenas que o estado lhes dê emprego. Querem ser funcionários públicos, não é? Querem que o ‘monstro’ engorde mais um bocadinho!
São estes os filhos da nação - aos vinte anos já pensam em segurança! Imaginem quando chegarem aos sessenta!
Se não é assim, se estou enganado, para a próxima façam uma manifestação a favor dos empresários, para que nasçam e proliferem nesta terra, para que surjam mais empresas, firmes, e postos de trabalho ainda mais firmes. Mas atenção, empresários com sentido de risco. Nada de ‘empresários’ encostados ao estado. Desses já temos muitos.

Muito bem, a manifestação era laica! Uma palavra que me irrita, lembra-me ‘laico, republicano e socialista’! O que é que querem? Lembra-me. Mas eu percebo, a religião não era para ali chamada. Só que eu não consigo dividir-me. Além de que a memória prega partidas à gente! Pois não é que me lembrei do Afonso Costa, um grande laico por sinal, o tal que se propunha acabar com a Igreja Católica em duas gerações! Desculpem lá, mas lembrei-me.
Se não querem que eu me lembre destas coisas, para a próxima não digam nada, evitem a expressão. Está bem?!

A manifestação era apartidária! Porém, as palavras de ordem íam do ‘povo unido…’, que nos trouxe até aqui, às cantiguinhas revolucionárias do Zeca Afonso, sem falar na excitação dos rapazes da luta. Até o Tordo veio cantar a tourada! Meu Deus, que revivalismo! Que fósseis!
Quanto aos promotores, o curriculum anunciado na televisão não é famoso, acaba sempre na esquerda! Ela é do Bloco de Esquerda, ele foi comunista (já com o muro a cair!), e é agora bolseiro. O outro, o terceiro, mais magrito, não sei.
Então e a direita, pá? Esqueceu-se de ir à manifestação? Não me digas que a direita são os sociais-democratas e os centristas?! Oh pá, só se for em Portugal.

Finalmente o que se aproveita desta manifestação: - um sentimento de perca, de paraíso perdido, de desastre mental, de beco sem saída, que ameaça terminar em total dependência, dependência de tudo e de todos. E há aqui um engano, não é o emprego que é precário, somos nós, nós é que somos precários, e vamos continuar assim enquanto não mudarmos de mentalidade. Deixaremos de ser precários quando houver vontade para sermos independentes. E nestas coisas, como noutras, o exemplo vem de cima.

Saudações monárquicas

quinta-feira, março 10, 2011

Não escrevas

Eh pá, não escrevas, está quieto, larga a caneta, o computador, estás velho, só dizes mal, não escrevas isso, vai dar uma volta, entretêm-te, experimenta namorar, ou então não namores, vai ver o mar, não andas sempre com essa conversa do mar?! Pois então aproveita, espreita o horizonte, quem sabe se não vislumbras a tal armada invencível que nos virá salvar! Mas se for apenas poeira, ilusão, não te chateies, a vida é assim, senta-te numa esplanada, passa os olhos pelo jornal, lê as gordas, em diagonal, e ri-te, faz bem rir, podem pensar que és maluco, não importa, ri-te na mesma. E se os jornais de hoje trazem coisas para rir!

Por exemplo, Cavaco Silva embarcado na Sagres com criancinhas! O homem das auto-estradas, em direcção à Europa, o aluno mais obediente da UE, que mandou abater a frota de pesca, a mercante, que deixou envelhecer a marinha de guerra, ele aí está, após a posse, reconvertido ao mar! Um milagre! Como é que uma cerimónia chatérrima, sem liturgia, cheia de apertos de mão, sem significado, pode transformar o cinzento em azul marinho! Milagre, repito.

Também para rir, o puxão de orelhas a Sócrates, ao governo, à década, como se ele, Cavaco Silva, não estivesse por cá, ou fosse habitante de outro planeta! Como se nos últimos cinco anos não houvesse promulgado todas as ideias fracturantes, em nome do rigoroso cumprimento da bendita constituição! Temos sorte que a constituição ainda não se lembrou de nenhuma tropelia maior. Que a promulgação, essa, não havia de falhar.

Bem, mas vamos lá rir a bem, benzinho, que este segundo mandato está cheio de promessas de intervenção, afastado o calculismo que presidiu (preside sempre) ao primeiro mandato, tendo em vista a reeleição. Um pouco mais a sério aqui fica uma sugestão (de um ilustre correligionário) com a qual concordo inteiramente: - se os presidentes em Portugal só são activos e intervenientes no segundo mandato, (uma vez que não podem candidatar-se a um terceiro), porque não reduzir o assunto (leia-se calculismo) a um mandato apenas?! Assim mostravam logo o que valem, ou não valem, e não se perdiam cinco anos. Se calhar, meio mandato bastava.

Saudações monárquicas

quarta-feira, março 09, 2011

A posse

Ele jura sobre a Bíblia? Não.
Jura sobre o Evangelho? Não.
Jura sobre o Corão? Também não.
Jura apenas defender a constituição!
Mas qual constituição?
A última?
A do Miranda?
Profeta perdigoto!
E do outro?
Comunista reciclado!
A mais recente revista?
O PS consagrado?!
Com o PSD ao lado?!
É essa?
Posso ficar descansado?
Depende
Se fores parvo
Ou atrasado.

Da posse com os melhores cumprimentos…
Que ele cumpre.
O quê?


Saudações monárquicas

segunda-feira, março 07, 2011

O Palácio presidente

Não há coisa mais inapropriada que ver presidentes em palácios, galinhas em São Bento ou peixinhos fora de água.
Dei por mim a tirar estas brilhantes conclusões enquanto ouvia um mordomo-mor (ou coisa parecida) que muito compenetrado nos introduzia na intimidade do palácio de Belém. Por estes dias residência oficial do presidente Cavaco.
Eu sei que o palácio é do povo mas as casas do povo não são assim; sei também que ele é o eleito mas o sufrágio não nos pergunta se o eleito deve habitar em palácios, nem tão pouco que se devam construir palácios para o efeito. Além disso, não me parece boa ideia utilizar a casa, o lar, onde viviam as régias pessoas para lá meter os seus adversários políticos, quando não inimigos. Acho um abuso.
Entretanto, a visita guiada prosseguiu até à sala de audiências. Aqui chegados, o nosso cicerone anuncia solene: - esta é a divisão mais importante do palácio!
Esperei ver um trono, mas não. Imaginei um manto, uma coroa, também não. Descansei, a novidade resumia-se a uma mesa redonda, com duas cadeiras, uma mesa de trabalho para as habituais reuniões com Sócrates!
Não vou discutir a utilidade das reuniões, mas se é para trabalhar, um palácio parece-me um exagero. Se não é para trabalhar, se o palácio serve apenas para receber outros chefes de estado, não havia necessidade.
Explico: - se os ilustres convidados forem presidentes de repúblicas continua a não fazer sentido andarem a pavonear-se em palácios; se por outro lado forem reis (ou rainhas) não vale a pena aparentar aquilo que não se é. Os reis compreendem perfeitamente e até ficam aliviados.
Uma sugestão: sejam criativos, recebam as altas individualidades na doca seca, junto às gravuras rupestres de Foz Côa, na bancada VIP do estádio da Luz, eu sei lá, ele há tanto sítio representativo do Portugal republicano.

Saudações monárquicas

quarta-feira, março 02, 2011

A ridícula situação

Quando hoje nos lembramos das várias motivações que acompanharam a construção desta caranguejola europeia vimos com nitidez a série de embustes e manobras que presidiram à sua concepção. E nunca a palavra ‘presidiram’ foi tão bem achada! Também vimos angélicas intenções, em que muitos acreditaram, mas a conclusão final só podia ser esta: - um impasse.
Pois se os Soares da vida (um dos entusiastas da ideia) e as várias maçonarias republicanas querem uma Europa laicista, federal, com presidente, se possível com um César, à moda de Napoleão, a impor calendários e toponímias anti-católicas… é natural que a Igreja Católica pretenda outra Europa diametralmente oposta. Depois existem aquelas pessoas e grupos que apenas sonharam com uma Europa de negócios, enquanto outros apenas a utilizaram para fugir às suas responsabilidades históricas.
Porém, agora estamos todos no mesmo barco, só que não é barco, para nós portugueses, é uma casa de penhores onde buscamos avidamente, a troco de nada, umas migalhas para continuarmos na mesma. Ou seja, para continuarmos nesta ridícula situação.


Saudações monárquicas

Post-Scriptum: Na altura em que escrevo estará o primeiro-ministro português a receber instruções e reprimendas da patroa Merkel, e ainda não sabe se vai ser despedido com justa causa. Ele e nós.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

A vitória do povo!

Era este o título do jornal ‘A Bola’ como se o povo fosse o Benfica e o Benfica fosse o povo! Se calhar é verdade e no outro lado estava o Marítimo, um clube que não é do povo, pertencerá possivelmente ao clero ou à nobreza, adjacente, se seguirmos o alto raciocínio daquele popular jornal.
Pela mesma ordem de ideias os fiscais de linha também eram do povo atendendo aos ‘empurrões’ que iam dando ao povo equipado de encarnado. Empurrões importantes na reviravolta do resultado. Mas acabou tudo em bem, o Benfica lá ganhou e se tudo continuar como até aqui será (para o jornal ‘A Bola’) campeão nacional ainda que fique em segundo lugar e a uns quantos pontos do primeiro. Quem é o primeiro? Um usurpador qualquer, inimigo do povo, a precisar de ser severamente punido... imagino eu.
Porque o povo unido jamais será vencido, aqui, nesta soviética praia à beira mar plantada.

domingo, fevereiro 27, 2011

É sempre assim…

Já sabíamos que após a queda do muro de Berlim o que iria suceder na Europa não tinha a ver com a democratização da Rússia, dos tártaros, dos mongóis, etc., de todos esses povos submetidos naquilo a que se chamou união soviética. Bem pelo contrário: o comunismo galgou o muro e instalou-se em Bruxelas, servido pelos jovens, agora adultos, ex-maoístas, ex-trotzkistas, estalinistas adocicados, todos eles reciclados, com fato cinzento, amicíssimos de milionários com vela de iate. Em suma, uma série de burocratas provincianos que vivem à grande e à francesa e vão cavando a desgraça da Europa. Dois objectivos já foram alcançados: - acarneirar a população europeia, e abrir um fosso cada vez mais profundo entre pobres e ricos, ou se quiserem, entre aqueles que podem tudo e aqueles que não podem nada.
Dito isto, resta Portugal, onde o desespero pelo TGV (que nos ligue à Europa) só é comparável à realidade cada vez mais periférica em que habitamos. Isto, depois de termos destruído (metódicamente) a centralidade com que ‘demos novos mundos ao mundo’! Destruição que tem nome, chama-se traição, e tem caras, responsáveis que andam por aí e, imagine-se, passam por heróis!
Boa imagem do nosso deserto, do espirito dependente e mendicante, é essa (aplaudida!) ‘Deolinda’ (a cacarejar) implorando que o Estado tome conta de nós, logo à saída da maternidade!
Nem Estaline (ou a revolução francesa), nos seus melhores sonhos, foram tão longe!

Saudações monárquicas

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

A febre islâmica

De onde vem?
A guerra fria acabou (por falta de comparência da união soviética) e como era previsível as novas gerações islâmicas deram-se conta que eram governadas por uns monos, coronéis, etc., que construíram o seu poder (e a sua gordura) umas vezes aliando-se a Moscovo, outras vezes aliando-se a Washington. O petróleo e a chantagem israelita constituíam a areia dessas alianças. O cimento era pouco. Cimento esse, que começou a abrir rachas por todos os lados.

E o que é que as novas gerações islâmicas pretendem?

Em primeiro lugar pretendem uma política de verdade, sem monos, e quando se fala em verdade, a palavra que surge a seguir chama-se… legitimidade. Daí que os manifestantes ergam, para surpresa geral, cartazes com as figuras do rei ou dos príncipes das dinastias entretanto afastadas do trono. A televisão portuguesa esconde esse facto, ou deturpa-o por ‘conveniência de serviço’, mas ele está lá, visível, para quem o entenda.

Patéticos, os Barrosos da união europeia, mais os seus altifalantes, bolçam palavras antigas… democracia, ‘eleições à maneira’, como se as jovens gerações islâmicas estivessem à beira da conversão ao estado laico, ao ateísmo ou a qualquer outra religião sem Deus.
Desenganem-se, o Islão não pretende deixar de ser Islão, pretende apenas firmar a sua verdadeira identidade, a sua cultura, e para isso procura os seus representantes legítimos. Estão fartos dos ‘monos’ que representam outros interesses que não são os seus. Sabem também que a legitimidade não se alcança através da fórmula ‘um homem, um voto’. Já descobriram a fraude que se esconde nesse simplismo. Porque é muito mais do que isso o respeito que devemos à vontade (ao voto) dos que nos antecederam. Para que posteriormente também sejamos respeitados.
Será assim tão difícil de perceber?

Saudações monárquicas


Post- Scriptum: Admito que pode passar pela cabeça de algum leitor a célebre frase de Winston Churchill (que os republicanos gostam de repetir) e que se resume no seguinte: - apesar de todos os defeitos ainda não foi encontrado melhor (e mais justo) sistema que a ‘democracia’.
Ora bem, como tenho também repetido, essa frase tem que ser entendida no contexto de uma monarquia (a inglesa) onde por via do rei e da sucessão já se encontram assegurados aqueles interesses que um eleito ocasional (por cinco ou dez anos) nunca poderá assegurar. Nem é para isso que é eleito.

domingo, fevereiro 13, 2011

Egipto e preconceito

Deixemos por agora o romance de Jane Austen e fixemo-nos, como todo o mundo, no Egipto. E porquê no Egipto?!
No Egipto porque… ‘estavas linda (Cleópatra) posta em sossego, de teus anos colhendo doce fruto’… quando, vinda dos lados da Tunísia, uma febre islâmica te apanhou de surpresa! A ti e a nós, americanos europeus ocidentais. E então descobrimos, de repente, que o Egipto vivia debaixo de uma maléfica ditadura, ditadura que era preciso exterminar, apesar de a termos apoiado, desde sempre, por causa dos nossos interesses e dos interesses de Israel.
E eis que surge, na televisão, a palavra-chave que nos habituámos a pronunciar (e a exportar) em caso de necessidade, e para salvar (de novo) os nossos interesses – a democracia!
A ideia é capturar o futuro líder egípcio para a causa ocidental, leia-se de Israel, haja ou não prejuizo, por esse facto, para a população egípcia! É assim que funcionamos e as eleições nestes países servem precisamente para isso.
Duas questões podem no entanto arrefecer a gula ocidental:
- Em primeiro lugar não me parece que o Egipto esteja cheio de democratas, como não me parece que as irmandades muçulmanas (naturais herdeiras do regime) adormeçam e acordem a sonhar com a tal democracia!
- Em segundo lugar, é preciso lembrar, a comunicação global tem dois sentidos, ou seja, os egípcios também vêem televisão e também se dão conta que o paraíso ocidental já não é o que era. Explico: ateu, apologista do aborto, da homossexualidade, e de outras perversões, o ocidente já não é exemplo. Não é portanto deste paraíso democrático que os egípcios andam á procura. Nem os egípcios nem ninguém.

Saudações monárquicas


PS: Curiosamente (ou talvez não) o Ocidente silenciou a hipótese do regresso da monarquia ao Egipto! Porque será?! Seria a melhor solução, a mais estável, aquela que melhor poderia controlar o radicalismo islâmico. Mas eu percebo o incómodo. Essa seria uma opção benéfica para os egípcios em prejuizo de alguns 'interesses' do ocidente. Além de que poderia questionar a bondade de alguns regimes republicanos europeus. Sim, esses em que estão a pensar, onde uma minoria engorda e a maioria emagrece.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Os heróis esquecidos

Hoje, não sei se para celebrar alguma data ou por mero acaso, a SIC Notícias abriu o seu programa ‘opinião pública’ a um debate sobre a situação dos ex-combatentes, e a forma (miserável) como têm sido tratados após o 25 de Abril de 1974. Convidado, nem de propósito, Fernando Dacosta, ele que foi um dos mais tenazes defensores da descolonização (tal como aconteceu) mas que, como outros, encetou nos últimos tempos vertiginosa reciclagem, ao ponto de se tornar num íntimo biógrafo de Salazar, provávelmente contra a vontade do morto. Mas como dizia, este Fernando Dacosta metia dó! Um ar lacrimejante, piedoso mesmo, face aos testemunhos (tremendos!) de alguns dos que combateram em defesa de uma ideia de Pátria que lhes foi transmitida por pais, avós, os ‘egrégios avós’ de que nos fala o hino.
As justificações de Dacosta eram as do costume, destruturantes, sem lógica, naquela linha de que devíamos ter evitado a guerra colonial, que a guerra é um horror, etc., até ficarmos com a sensação de que nunca devíamos bater-nos por aquilo que consideramos serem os nossos interesses vitais, por aquilo que achamos que nos pertence, que nos foi legado, ou que simplesmente nos comprometemos a guardar?! Será isso?!
Nem se esqueceu de esgrimir o esfarrapado argumento de que aquela guerra não era nossa, mas sim das grandes potências, e que portanto o melhor seria não nos metermos nisso!
O que apetecia perguntar a este Dacosta e a outros, com ou sem costas, era se amanhã aparecer (e já esteve mais longe) uma ‘frente de libertação do algarve’ com sotaque mourisco, se começarem a rebentar bombas e minas, se devemos defender-nos ou será melhor sentarmo-nos à mesa das negociações e ceder tudo e mais alguma coisa?! Não vá haver baixas ou os ‘horrores da guerrra’.
De facto, com Dacostas destes, até o Condado Portucalense pode estar em causa!

Saudações monárquicas

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Alentejo adiante…

Alentejo adiante
Quis saber se existia
Arredio e errante
Um vestígio presente
Uma ideia remota
Que houvesse ficado…
O meu ser sepultado
No meu ser mais distante

A herança jacente
De algum antepassado
A lavoura imponente
Com parelhas e gado
A planície gigante
Um sol de brancuras
A ermida inocente
Gaviões nas alturas

Corri montes maiores
Sofri danos menores
Perguntei pelo pão
Ao suor do ganhão
À ceifeira que havia
Ao cão que latia
Inquiri lavradores
Perguntava e seguia

Os ouvidos à escuta
Ao sinal dos sentidos
Aos sobreiros despidos
Perguntei se sabiam
Ou se alguém me chamou…
Mas ninguém me chamou...
Nem um ai, nem um grito
A dizer… aqui estou!

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

‘São tantos… que não podem ser tantos’

Fernando Pessoa imortalizou a expressão aludindo à impossibilidade de sermos todos iguais, pese a fraqueza geral que nos leva a querer ser todos iguais, ou seja, iguais a zero. A doença piora quando nos damos conta que esta fraqueza aparece disfarçada de força, sempre que pode e quando convém! A verdade (verdadinha) é que bastou abrir a televisão, meia dúzia de segundos, se tanto, para surpreender os três canais noticiosos enfiados num hotel de Vila Nova de Gaia onde se hospeda, imagine-se, o Benfica! Mais, uma locutora, visivelmente emocionada, para não dizer outra coisa, virou-se na cadeira com tanto entusiasmo que vi jeitos da senhora partir também para o dito hotel!
Mas o que é isto? É só alienação? Ou é mais qualquer coisa?
Enfim, fico espantado com tanta anormalidade, e eu, que sempre frequentei o futebol (que fui praticante federado na minha juventude) começo afastar-me deste fenómeno verdadeiramente doentio, que não tem nada a ver com futebol e com quem o entende numa óptica de normalidade desportiva.
Lá está… “são tantos, que não podem ser tantos”!

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Pobre país…

Hoje
Um dia que é noite
De homens honrados
Amigos
Mesmo inimigos
Sacodem culpados
Não escondem a culpa
Que é de todos nós
Mas não
É tudo ao contrário
Estridentes desculpas
Repousam nas arcas
Em arcas fechadas
Onde o crime é herói
E o herói do crime
É herói do regime!

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Tinta no dedo!

Uns ganham outros perdem, mas aqui ganham todos ou quase todos, quem ganhou de facto (com isto) queixa-se dos outros candidatos, meninos feios e maus, que não o deixam ser alto e sério, humilde, o melhor aluno da Europa em tempo de auto estradas… mas voltemos aos resultados, aos analistas, também sou analista, sem as quotas em dia, mas afinal em que ficamos, qual é o valor real da abstenção?!
Não pergunto por perguntar, pergunto porque já se percebeu que a abstenção é grande inimiga da situação, do regime que insiste em legitimar-se através do voto. Porém, na guerra dos números, chegam-nos notícias dos cadernos eleitorais, imaginem que ainda por lá sobrevivem um milhão e duzentos e cinquenta mil mortos, incluindo emigrantes… neste mundo! Sabemos também que houve problemas com os cartões de eleitor, tudo somado, quem nos garante que o resto dos cadernos eleitorais está certo? Quem nos garante que estas (e outras) eleições são válidas?
Ninguém.

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Porque não voto

Porque não voto
Passo a explicar
Não vai em prosa
Que a prosa cansa
Fiz estes versos
Podem cantar

Já vos contei
Esta eleição
De nada serve
Não muda nada
Nada promete
É uma ilusão

Pelo que sei
O problema
Está na raiz
Mas ninguém fala
Faz falta um rei
Mas ninguém diz!

Que desperdício!
Que brincadeira!
Gastar dinheiro
Num duplicado
E pôr dois galos
Na capoeira!

Vamos ao fundo
Nulos ou brancos
Votar ou não
Só alimenta
Quem se alimenta
Da situação

Por isso mesmo
Eu voto não.

terça-feira, janeiro 18, 2011

É o mar, estúpidos!

É o mar, pois sim
É o mar, pois não
É o mar que temos
Aqui mesmo à mão
.
É o mar falado
Em cada eleição
É o mar calado
Passada a função
.
É o mar, pois é
Nossa salvação
É o mar, pois sim
Europa é que não
.
É o mar, pois não
É o mar de vez
É o mar que um dia...
Já foi português
.
É um mar de gente
Que não sabe olhar
Tem o mar em frente
E não vê o mar!
.
É o mar... estúpidos!




segunda-feira, janeiro 03, 2011

Sobreviver

Ao correr da pena as coisas boas dediquei-me à poesia trovadoresca para esquecer para lembrar sem pontuação com a música ao correr da pena.

As coisas más sem vírgulas o pequeno dislate do novo ano na voz do chefe de estado dos republicanos. A mesma conversa do soviete supremo existe crise profunda mas não existe uma questão de regime a culpa é da economia e finanças a culpa morre sempre solteira. Falou do centenário comparou épocas incomparáveis falou das décadas em que perdemos a independência - votada em Côrtes pela nação – numa ligeira concessão à gramática mas não falou da actual perda de independência em favor de Bruxelas etc. – Nunca votada em Côrtes por ninguém. Perceberam a diferença?

As coisas péssimas aquele programa de fim de ano da RTP as mesmas graças repetidas sem graça as repetidas imitações também sem graça no pior da revista à portuguesa um revivalismo asfixiante a impotência de criar seja o que for a ideia de que isto está por dias que a civilização está por horas!

As coisas óptimas, com pontuação e com devida vénia, a Mensagem de Natal dos Arautos D’El-Rei:




MENSAGEM DE NATAL
.
As grandes transformações sociais que se têm verificado no nosso País e no Ocidente em geral, conduzidas sob a capa de democracia e liberdade, não são senão uma etapa para minar os alicerces da Civilização Cristã, para corromper as Nações e para enfraquecer a vontade e a razão de cada ser humano, com o derradeiro objectivo de impor um socialismo total, sem Deus, sem Religião, sem Família, sem Liberdade, em suma, sem os Valores que nos regeram durante tantos séculos.
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Assim, pois, se formos alheios a essas transformações, de nada nos vale tentarmos construir o edifício da Monarquia sobre o terreno pantanoso e fétido em que já estamos a viver, sob um regime que manifesta abertamente a sua afinidade com os sistemas totalitários, ateus e confiscatórios.
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A restauração da Monarquia, portanto, tem necessariamente que passar por uma restauração da Sociedade e dos nossos Valores cristãos. É fácil compreender que, sem isso, ela nunca poderá ser autêntica nem sustentável.
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Neste Natal pedimos, pois, ao Divino Infante por intermédio de Sua Mãe Santíssima que a todos os nossos colaboradores, amigos simpatizantes, conceda a coragem, a confiança e a abnegação necessárias para nos empenharmos convictamente na defesa da nossa Fé e na Restauração de Portugal pela Monarquia.
.
Arautos d'El-Rei - Natal de 2010

sexta-feira, dezembro 24, 2010

É Natal e nevou…

É Natal e nevou...
Quem será que nasceu!
Quem será que chegou!

Este frio não se sente
Chegou tão de repente
Quem será que chegou!

Oiço sinos no Céu
Quem será que nasceu!
Quem será que me diz
O que aconteceu!
Nesta noite feliz
Uma estrela brilhou
Quem será que nasceu!
Quem será que chegou!

Dizem que é um menino
Que nasceu pobrezinho
É Natal e nevou…

Dizem que é Salvador
Que é Deus Nosso Senhor
É Natal e chegou

quarta-feira, dezembro 22, 2010

A vontade popular!

Usurpar é uma palavra difícil, as novas gerações não a entendem, talvez a confundam com urso polar! A ilegitimidade também é difícil de entender, porque não se aplica, uma vez que tudo é legítimo em nome da vontade popular! Que quero eu dizer com isto?! Apenas isto: - se fosse presidente da república teria sempre aquela sensação estranha de estar a mais nalgumas situações e a menos noutras, ou seja, estaria sempre desconfortável. A mais, naquelas cimeiras em que os reis falam com os reis, no mesmo plano, enquanto os presidentes surgem equiparados aos primeiros-ministros, numa duplicação inútil e dispendiosa. A menos, quando o presidente eleito por uma maioria momentânea, datada, tenta representar a raiz e a história de um povo que só um vínculo com a mesma idade (e da mesma natureza) poderia representar. É este absurdo que nos reconduz à usurpação e à ilegitimidade, as tais palavras difíceis, que apesar de difíceis, põem em causa com toda a facilidade esse outro conceito (simplex) a que chamamos… ‘vontade popular’!


Saudações monárquicas

segunda-feira, dezembro 20, 2010

Notícias da dependência

Dizia Medina Carreira que a pergunta que (actualmente) deve ser colocada aos portugueses não é – ‘o que fazer?!’ – mas sim – ‘quem vai fazer?!’
Destruía assim, de uma penada, as teses fantasistas do convidado de serviço ao ‘plano inclinado’, o jornalista Vicente Jorge Silva. E destruía bem, pois o ‘estado de dependência’ é uma doença que deve ser assumida sem embustes, para então nos podermos tratar convenientemente. Sem esse primeiro passo, não conseguimos dar o segundo, e ficaremos eternamente entretidos a contar mentiras uns aos outros. Que é o que temos feito.
E mentirosos há muitos, já nos habituámos a identificar alguns, por serem mais evidentes, compulsivos, mas não são esses os mais perigosos. Verdadeiramente nefastos são aqueles que tomamos por sérios, que aparecem (agora e sempre) como não tendo qualquer responsabilidade na crise em que vivemos, não apenas crise económica e financeira, mas na outra, anterior e bem mais grave, uma crise de valores, de que resultaram opções e caminhos errados que nos trouxeram até aqui. Esses, que gostamos de ouvir na TV, que reconhecemos como reserva da república, esses nunca estiveram na reserva, estiveram sempre no activo, foram eles, aliás, que tomaram as decisões de fundo… que nos atiraram ao fundo!
Mas não importa, repetiremos o erro, (somos assim!), terão outra oportunidade, serão de novo depositários da nossa confiança e dos nossos votos, como um mal menor!
Só que um mal menor não responde à pergunta – ‘quem vai fazer?!’ – pela simples razão de que já lá estiveram (muitos anos) e não fizeram.

Saudações monárquicas

terça-feira, dezembro 14, 2010

Aviões de sentido único!

Não temos dúvidas, os americanos andam desesperados e pediram ajuda a Portugal! Já perceberam que o fenómeno Wikileaks só pode ser esconjurado através de equipas especializadas na destruição de informação (com particular relevo para escutas em cassetes) e essas equipas estão hoje localizadas no nosso país! Com efeito, possuímos um amplo sistema normativo (um dos maiores do mundo), inversamente proporcional à exiguidade do actual território, sistema esse que permite tudo e não permite nada, consoante pessoas e casos. Para além disso (e voltamos aos especialistas) a procuradoria geral da república, bem apoiada pelo meretíssimo do supremo, desenvolve teorias de investigação extremamente avançadas que não dão quaisquer hipóteses aos divulgadores de mentiras em segredo de estado. Temos o exemplo da procuradora Cândida (que anda a ler notícias) e já descobriu que podem existir aviões de sentido único, ou seja, de Guantanamo para o resto do mundo (com passagem pelas Lajes) mas quando regressam (com ou sem 'bagagem') vão dar uma grande volta ou então não regressam mais!
É uma teoria que ameaça fazer escola e que destrói inclusivé a lógica dos 'torna viagem', as caravelas que faziam a rota das Índias... da nossa grandeza.
Em suma, a solução do caso Wikileaks passa definitivamente por Portugal.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

O que faz falta...

Ontem vi uma cabra
Hoje li um conceito

Estou portanto desfeito
Vou pôr a cabra a rimar!
Mas qual será o efeito
Se ela só sabe pastar!
Sem jeito para sair desta
Sem repetir o conceito
Mudo de verso a preceito
E desta história funesta
Hei-de sair a cantar!
A cabra há-de rimar!
Quem se atreve a duvidar?!
Tenho alarde e fantasia…
Só me falta a poesia!

terça-feira, dezembro 07, 2010

Um Rei em Timor

Quando lhe for concedida a nacionalidade timorense o Duque de Bragança, herdeiro dos reis de Portugal, não será um cidadão comum naqueles confins da Oceania! Bem pelo contrário, será o símbolo vivo de uma unidade política que vem do passado e que muitos timorenses quererão perpetuar no futuro. Aquele povo sempre reconheceu os sinais da sua identidade, sinais que Dom Duarte em recente entrevista definiu magistralmente – ‘o que distingue um timorense de um indonésio é aquele espírito cristão, de caridade e de respeito pelos outros que não existe na Indonésia’. Os timorenses gostam da sua cultura e querem mantê-la.
E nós aqui no rectângulo, o que esperamos para reconquistar a nossa identidade, actualmente desfigurada por falsos valores que nos envergonham?!
Talvez seja necessário requerermos (todos) também a dupla nacionalidade para reconstruir a partir de Timor tudo aquilo que perdemos. Um novo reino de que nos possamos orgulhar!
Talvez que Timor seja o exemplo que esperávamos! O país mais exíguo, o mais pobre da comunidade lusíada, o último a aceder à independência, mas o primeiro que se prontificou a ajudar-nos!
Quem sabe se não passa por Timor o regresso ‘à lusitana antiga liberdade’!

Saudações monárquicas

Os ibéricos

Os ibéricos são gente curiosa e paradoxal! Falam do mar mas pensam em praias e piscinas, escrevem sobre a pátria mas gostam de viver noutro sítio, e no futebol, sugerem ligas ibéricas ou similares. Vão avançando, a medo, mas sempre com a convicção peregrina que descobriram a pólvora do futuro!
Mas vamos à parte paradoxal do assunto: - sempre que idealizam realizações ibéricas, seja uma candidatura comum (a qualquer coisa) seja um campeonato de berlinde, os ditos ‘ibéricos’ partem do princípio que a Espanha é una e indivisível o que convenhamos não é bem verdade! Acresce que estamos a falar de pessoas que fazem questão em ser republicanas e não percebem (ou não querem perceber!) que a unidade espanhola só existe porque existe a monarquia, pois de contrário o mais certo seria a fragmentação do país vizinho. E lá se íam as candidaturas e os campeonatos de berlinde por água abaixo!
Aliás, e para quem tem alguma noção histórica, o cenário fragmentado (de reinos e condados) foi precisamente de onde viemos nos alvores medievais. Foi a partir daí que se foram construindo (a duras penas) duas realidades históricas distintas, dois países que ainda permanecem – Portugal e Espanha.
Portanto, até aqui nada de novo.
Agora o que me parece novo (nestes ibéricos) é este desejo de dependência, esta febre para se atirarem (de novo) para o regaço de Castela!
Será assim?!


Saudações monárquicas

segunda-feira, dezembro 06, 2010

Reformas... o exemplo vem da Suíça!

Curiosamente ou talvez não esta reportagem passou apenas na RTP 2! Os outros canais noticiosos (que repetem tudo até á exaustão) esqueceram-se!
Porque será?

domingo, dezembro 05, 2010

POBRES DOS NOSSOS RICOS...

A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.


Mas ricos sem riqueza.

Na realidade, melhor seria chamá-los não de ricos mas de endinheirados.

Rico é quem possui meios de produção.

Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.

Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro. ou que pensa que tem.

Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiado pobres os nossos "ricos".

Aquilo que têm, não detêm.

Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.

É produto de roubo e de negociatas.

Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade de tudo quanto roubaram.

Vivem na obsessão de poderem ser roubados.

Necessitavam de forças policiais à altura.

Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.

Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.

Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (...)

MIA COUTO (escritor moçambicano)

sexta-feira, dezembro 03, 2010

Tempos e resultados

Elegeram o Marinho! Os socretinos esfregaram as mãos de contentes, e para fazerem o pleno faltava apenas que a candidatura ibérica ganhasse! Azar, mas foi a nossa sorte. Os fifas pensaram melhor no assunto, tiveram medo da imprensa do Reino Unido (que é livre), e despacharam a bola para longe, para a Rússia, clima onde as luvas são vulgares, indispensáveis até, e ninguém repara nelas.

Mas elegeram o Marinho! O tal que mata e esfola mas é um simples serventuário do poder… laico, republicano e socialista. Os advogados que votaram nele, coitados, é que não são, aliás não são nada, e se são alguma coisa, não aspiram ao socialismo. Nem os socialistas aspiram. Neste jogo de enganos, enganaram-se outra vez! É normal.

Pois é, calhava tão bem este mundial! Empurrávamos tudo para a frente, com a barriga, e durante mais seis ou sete aninhos viveríamos novo conto de fadas! O TGV, o aeroporto, tornavam-se de repente, não só viáveis, como prioritários, as construtoras do regime entravam em ebulição, os políticos do regime em delírio, os bancos amigos financiavam tudo outra vez, os estádios do regime tinham que ser aumentados, os outros voltavam a justificar-se durante quinze dias, e quando a festa acabasse, quando o último foguete estoirasse, estávamos no mesmo sítio onde hoje estamos e com os mesmos problemas que hoje temos. Não vale a pena explicar porque a explicação para o ‘provincianismo português’ já tem autor. A título de adenda bastam duas perguntas que talvez espelhem a doença:

- Porque é que na altura não se construiu apenas um estádio na segunda circular com a possibilidade de ser utilizado por dois clubes e com uma lotação que permitisse receber meias-finais e finais de um mundial de futebol?!
- Porque é que, por exemplo, a população de Leiria e arredores não frequenta o clube da sua terra e em vez disso prefere ir a Alvalade ou ao estádio da Luz?!

Enquanto não pudermos dar uma resposta satisfatória a estas duas questões, deixemo-nos de fantasias. Qualquer investimento será sempre um pseudo-investimento para engordar os mesmos e emagrecer o país.

Saudações monárquicas

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Sob o signo do D

Celebramos hoje no centro comercial mais próximo a dependência. Dependência absoluta, consumista, compulsiva, o ter (no lugar do ser) como único horizonte de vida!
Em nome da dependência celebramos a dívida. Dívida crescente, galopante, dívida lógica numa sociedade que apregoa direitos e esquece os deveres!
Celebramos também a desistência. Desistência de um projecto histórico que levou séculos a construir!
E tudo isto me ocorre num primeiro dia de Dezembro!
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terça-feira, novembro 30, 2010

Fado corrido

Sonho sexagenário

Que a gôta não me apoquente
Que o coração não me enfarte
Que a tentação não me tente
E o juízo não me falte!

Que o tempo corra sem pressa
Porque eu assim não me canso
Que o meu amor não me esqueça
Para manter o balanço!

Que a discussão seja amena
Se perdermos outra vez
E a reforma que é pequena
Chegue até ao fim do mês!

Mas se acham que exagero
Retiro tudo o que disse
Porque afinal o que eu quero
É ter tudo na velhice!

sexta-feira, novembro 26, 2010

Antes do terramoto

Sempre nos fizeram crer que Lisboa antes do terramoto de 1755 era feia, suja, antiquada, e que a reconstrução operada pelo Marquez de Pombal a transformou numa das mais belas cidades da Europa. Nada mais falso. Lisboa sempre foi elogiada pela sua beleza e as imagens virtuais que a tecnologia consegue revelar mostram-nos aquilo que era óbvio: - uma cidade harmoniosa, virada para o rio, respeitando a história e o sentido de praças, ruas e lugares.
Pelo contrário, Sebastião Carvalho e Melo, homem sem dúvida determinado, privilegiou uma arquitectura (a régua e esquadro), sem diversidade, fortemente igualitária, onde nada nem ninguém se podia destacar, incluindo as Igrejas! Esta Lisboa pombalina tem a sua apoteose numa praça bonita (o sítio também ajuda) com um senão: - chama-se do Comércio mas não tem comércio, chama-se Terreiro do Paço, mas não tem Paço!
Está hoje infestada de ministérios e é apenas cruzada por quem se dirige à outra banda. Neste sentido tem razão o poeta que acusou Pombal de plantar barrotes em lugar de árvores.
Mas a obra de Pombal também pode ser acusada de afastar a população do rio. Em vez de construir segundo a antiga traça, pondo a cidade à beira do Tejo, preferiu continentalizá-la apontando na perpendicular em direcção às avenidas novas e ao Campo Grande! Onde a maresia não se sente e os barquinhos que existem são os do respectivo lago. Há patinhos… mas não há oriente.


Saudações monárquicas

terça-feira, novembro 23, 2010

“O maior fracasso da democracia”!

Clara Ferreira Alves faz parte do ‘eixo do mal’ e escreve no Expresso. Nos seus mais recentes escritos tem vindo a denunciar uma série de anomalias que vicejam neste ‘quintal’ à beira mar plantado! Diz ela, em resumo: -

“Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.”

Já sabíamos, mas alvíssaras para a senhora, porque descobriu finalmente que o Portugal democrático nunca deixou de ser uma mistificação. Aliás a palavra democracia é ela própria uma mistificação, já que é utilizada por gentes e hábitos políticos tão diversos. Foi útil (é útil) para atacar a Igreja Católica e os seus princípios, foi útil (é útil) para atacar a trilogia Deus, Pátria, Rei, tradição constituinte de um povo, e como consequência tornou-se útil para atacar as bases da família. Com a inversão de valores (e ausência de referências) que o facto comporta.
Mas isso a senhora (tão esperta, tão culta) não percebe.
E não percebe, porque a democracia (ou seja lá o que isso for) não é um fim mas apenas um instrumento político para aperfeiçoamento da vida comunitária. E o que começamos a perceber é que tal instrumento só funciona razoavelmente quando estão reunidas determinadas condições prévias… adivinhem quais?!
Eu ajudo – se lerem o postal ao contrário, do fim para o princípio, chegam lá concerteza. Se calhar até a Clarinha lá chega!

Saudações monárquicas

domingo, novembro 21, 2010

Lisboa babilónia

Diz-se que na antiga Babilónia construíram uma torre para chegar ao Céu, mas Deus, incomodado com tanta proximidade, pôs os atrevidos a falar línguas diferentes e logo se desentenderam. E a torre caiu.
Em Lisboa passou-se mais ou menos o mesmo com uma diferença, não foi necessária a intervenção divina para percebermos que falavam línguas diferentes quando se referiam ao futuro da velha torre de Babel. A confirmar esta dificuldade um batalhão de analistas e estrategas esforçou-se (durante três dias) por descobrir nas entrelinhas, nas vírgulas e nas palavras mais repetidas, algum indício… que chegasse ao céu. Tarefa vã uma vez que a unanimidade se escondeu numa única frase – ‘cimeira histórica’!

Histórias à parte, é bem possível que a verdadeira agenda não tenha sido revelada ao público, ou por ser inconveniente, ou por ser redundante! Redundante, porque se tratava de arrumar (e arquivar) a ‘tralha’ que havia sobrado da guerra fria; inconveniente, porque o que se pretendia era encontrar um consenso alargado para (mais dia, menos dia) abater o Irão, tal como Bush pai e filho, já haviam feito para liquidar o Iraque com a historieta das armas de destruição massiva. Percebe-se que estas coisas tenham que ser (bem) manobradas para que não venha à baila o arsenal nuclear de Israel, da Índia ou do Paquistão, considerados 'nuclear amigo'! E claro, também seria desagradável mencionar a Coreia do Norte, por causa da China. Estes e outros assuntos ficaram convenientemente na gaveta.

Reservo um último capítulo para a participação portuguesa nesta cimeira! À semelhança do que aconteceu com o tratado de Lisboa os portugueses dominaram mais uma vez os acontecimentos melhorando inclusive na serenidade da linguagem, evitando pás e porreiros! É claro que tudo isto tem duas leituras e admito que os mais cépticos estejam a pensar nas consequências do Tratado de Lisboa e por aqui concluam que quando os portugueses chegam ao topo… pode vir aí borrasca da grossa! Pode ser que não, vamos ser positivos, não esqueçamos que Sócrates recebeu um elogio de Obama (!), o que augura uma próxima futura aposentação só para organizar cimeiras pelo planeta! E deve levar consigo o seu ministro da administração interna, um verdadeiro especialista em bloquear e imobilizar cidades inteiras em nome da segurança dos altos interesses, das altas individualidades! Amanhã continua a vidinha dos portugueses, com todos os seus problemas, e todas as suas (ridículas) inseguranças.

Saudações monárquicas

quinta-feira, novembro 18, 2010

Selecção republicana 4 – Espanha 0

A crónica podia começar assim:
A selecção escalada para celebrar a implantação da república e o resto do ‘brilhante’ centenário (48 anos de ditadura incluídos) esmagou hoje a Espanha, actuais campeões do mundo, por quatro bolas a zero! A equipa que trajava de branco com lista vertical verde encarnada (cores da carbonária e da projectada união ibérica), realizou excelente exibição, bastante diferente da efectuada na África do Sul por ocasião do campeonato do mundo. Desta vez os jogadores honraram os seus pergaminhos (e vencimentos) já que na sua grande maioria alinham nos melhores clubes do planeta.

Ou podia começar assim:
O jogo amigável entre Portugal e Espanha (incluído na promoção da candidatura ibérica ao campeonato do mundo de 2018) acabou com a vitória, inteiramente justa da equipa portuguesa que desta vez não se inferiorizou perante a estatura do adversário.

Ou então assim:
A instrumentalização do desporto por parte dos regimes republicanos para fins exclusivamente propagandísticos é pecha antiga a que não escapam mesmo aquelas repúblicas que se dizem ‘democráticas’! Era assim na União Soviética e na Alemanha de Hitler, foi assim na ditadura de Salazar, e de um modo geral é assim por todo o terceiro mundo. Portugal está portanto bem acompanhado nesta ‘Taça’ do centenário com um único senão – aquela não era ‘a equipa de todos nós’. Mas isso é de somenos para quem instrumentaliza, assim como é de somenos para a populaça que gosta de ‘pão e circo’, embora haja cada vez menos pão e haja cada vez mais circo!

Nota da redacção: A monarquia nunca comemorou centenários. E foram sete.

Saudações monárquicas

terça-feira, novembro 16, 2010

Refrão

Quem mais?!

Quem mais!
Poderia ajudar este velho gaiteiro
Que aprendeu na Europa a ser caloteiro
E esqueceu na Europa que nasceu marinheiro!

Quem mais!
Poderia ajudar este velho guerreiro
Que chegou pelo mar e foi o primeiro
Mil quatrocentos e tal, para ser verdadeiro!

Quem mais… a não ser…
As antigas colónias presentes
Memórias de outros orientes
Macau, Dili ou a Índia concani!

Quem mais… a não ser…
O irmão de Maputo, o guarani resoluto
A saudade angolana, toda a Taprobana
Quem mais para te comprar a dívida soberana?!

Quem mais?!

segunda-feira, novembro 15, 2010

Quem mais?!

Sim, quem mais poderia ajudar este velho cavaleiro endividado (reformado) sem dinheiro, sem cavalo, sem futuro que é coisa que nunca falo! Quem mais senão a família, as antigas colónias presentes, as memórias de antigos orientes, desde a longínqua Díli, que fica mesmo ali, passando pela China ou a Índia concani! Quem mais senão os nossos irmãos de Maputo ou Lourenço Marques tanto faz, de São Paulo ou São Paulo de Luanda! Pobres e menos pobres dispõem-se a comprar a dívida do nosso descontentamento! A dívida que contraímos para mudar de destino, plástica mal sucedida na Europa! Silicone a mais para esconder as rugas do passado… Coisa de velho gaiteiro.
Agradecido, envergonhado, aceito a ajuda familiar, sem precisar de estender a mão porque não se estende a mão a quem nos pega ao colo. Em nome da história comum, subscrevo-me,

Saudações monárquicas

quinta-feira, novembro 11, 2010

Posta restante

Chegou hoje um telegrama
‘FMI a caminho’
A dívida é soberana
Ai chora, chora, baixinho!

São contas do centenário
São juros do carbonário
A república falida
E Portugal foi à vida!

Acabaram-se os segredos
Companheiro, põe-te a pau
Vão-se os anéis e os dedos
Vai Sines atrás de Macau!

Se há um pingo de vergonha
Para salvar o que resta
Pátria, outrora risonha,
Ergue-te, luta, protesta!
.

(Trova para canto e assobio junto ao Palácio de Belém, no logradouro de São Bento e nas escadarias da assembleia da república, com amplificador.)

terça-feira, novembro 09, 2010

Telegrama

União ibérica a caminho república centenário carbonário casa pia perjuro dívida vendida china mandaretes murchos cinco a zero vítor pereira desculpas então e o Paços, pá?!
Sem virgulas acentos bolas de golfe para substituir as que faltam escrito ao abrigo do acordo ortográfico selecção lusa vai jogar próximo dia dezassete com castelhana para celebrar obra acabada oito séculos (menos sessenta anos) mandados às urtigas ninguém repara. Falta TGV, inaugurações, figurões, de lá para cá e de cá para lá benfica madrid sempre! Então e o mar, pá?!
Estamos feitos.

segunda-feira, novembro 08, 2010

Public party

Reduzido no seu objecto social a dar sustento à sua própria máquina trituradora, o estado português bem pode esperar por melhores dias! De facto, o país é hoje propriedade indiscutível da enorme massa humana que se senta à mesa do orçamento e que, directa ou indirectamente, com lugares sentados ou em pé, com mais ou menos talheres, tudo gasta e tudo consome de forma insaciável. Nem sequer ficam de fora os bancos e as grandes empresas, antes pelo contrário, têm lugar cativo, negócios certos, confundem-se com o próprio estado!
É este o maior partido português, é ele que decide as eleições, é ele que alimenta o parlamento, é ele que consome os impostos, é por ele que nos endividamos todos os dias, é por causa dele que todos os dias perdemos a independência.

Dito isto, assaltam-me várias conclusões e algumas perguntas:
A primeira conclusão é que um país destes é ingovernável.
Segunda conclusão: - É impossível derrubar por meios pacíficos a ditadura deste ‘public party’.
E surge a primeira pergunta: - Como regressar ao objecto social desta grande empresa chamada Portugal, ao único admissível, que passa obrigatóriamente por tratar todos os seus filhos de forma equitativa, sem pôr em risco o futuro da comunidade?!
Segunda pergunta: Porque não aceitar a inevitabilidade de um país que terá sempre muitos funcionários públicos, muitos negócios dependentes do estado, mas onde o leque de remunerações terá de ser obrigatóriamente baixo, e os negócios parcos e muito bem pensados?!
Salazar funcionava assim e o estado funcionava bem e sem dívidas.
Até me custa dar este exemplo… de quem traiu a monarquia e hipotecou com isso o futuro de Portugal. Como agora e todos os dias se demonstra.

Saudações monárquicas

terça-feira, novembro 02, 2010

Notícia do Achamento

Nunca fui ao Brasil (devo ter sido o único da família!) mas em compensação tive (em épocas diferentes!) duas namoradas brasileiras. Uma da favela, outra do Leblon e assim acabei por conhecer o país por dentro. Não todo, evidentemente, o possível.
E do que conheci, confesso, não me impressionou! Especialmente aquela parte em que eu falava do Dom Pedro (ou da Leopoldina) e me respondiam com um encolher de ombros ou com uma escola de samba! No máximo dos máximos, o império ficava-se pela princesa Isabel e a abolição da escravatura e nisso coincidiam quer a favela quer a nata de Ipanema. Às vezes, na minha ignorância, arriscava dizer-lhes que no tempo do Império (monarquia) o Brasil tinha outra cotação (para melhor) no ranking das nações civilizadas. Elas sorriam condescendentes e diziam que isso de monarquia era ‘coisa antiga de porr-tu-guês’! E eu mudava de assunto até porque vinha sempre à conversa, para eu não me esquecer – ‘Portugal é um ponto no mapa’! Essa era a parte em que eu me zangava, ameaçava acabar com o namoro, enquanto remoía… ‘Vós, poderoso Rei cujo alto Império, o sol logo nascendo vê primeiro, vê-o também no meio do hemisfério, e quando desce o deixa derradeiro…’ Bem sei, outros tempos…
Mas pergunta-se: – era só isso, não namoravam?! Namorávamos.

Ora bem, feito o registo de interesses, mergulhemos nas eleições brasileiras e por consequência na Dilma Roussef. Para já não gosto do nome. Embora eu próprio tenha costela russa (pré-bolchevique) o nome de Roussef lembra-me precisamente o contrário – bolchevique! Reciclada por conveniência de serviço, não deixa de ser um atentado à inteligência (e à fraqueza de espírito) ter alguma vez militado numa espécie de organização comunista! Se não é verdade, retiro tudo o que disse, menos a impressão, e essa é no fundo a que fica. Pelo sim pelo não, Dilma não seria minha namorada.

Saudações monárquicas

segunda-feira, novembro 01, 2010

Todos os Santos em Bogotá

Todos os Santos
Todas as preces
Todos os prantos
Para ficar!

Todos os dias
Todos os mares
Todos os ventos
Para zarpar!

Todas as vezes
Todas as voltas
Que o mundo dá…
Acordei hoje em Bogotá!


(refrão)

.
Todas as festas
Toda a alegria
Todos os anos
Por este dia!

domingo, outubro 31, 2010

Orçamento ao Domingo

Quanto é que orça não sei
Orças tu e orço eu
Ando no vira e virei
Não sei quantos orçamentos
São dez milhões de jumentos
Mais os trocos que te dei
Quanto é que orça não sei
Nem isso me importa agora
Qualquer dia vou-me embora
É sempre a mesma cantiga
E haverá sempre quem diga
Que mil saudades deixei!

quarta-feira, outubro 27, 2010

Semicúpio

Quando o semi presidente chegou ao Centro Cultural de Belém eu vi logo que ele se ía semi recandidatar. Bastou-me ver o cortejo, a ansiedade popular, e todas aquelas figuras que aparecem nestas ocasiões! Acertei, vamos ter novo semi presidente!
Estava lá a Beleza da Fundação que Cavaco inaugurou no cinco de Outubro! Podia lá esquecer-me de obra tão republicana, tão Afonso Costa! Estava um Lobo Antunes, famosa dinastia desta terceira república! Estavam fadistas e a Manuela não podia faltar. Qual Manuela?! A das acções benfiquistas! Não estava o Marcelo que deu a notícia! Nem estava o fiel amigo e conselheiro ex-BPN! E estava a família, bastante mais complexa que as famílias reais! Porque mete compadres e comadres. Estava tudo a condizer, até o discurso, auto (semi) elogioso: - ‘onde estaria Portugal se eu não fosse o (semi) presidente da república?!’
Nem melhor, nem pior, na mesma!

Saudações monárquicas

terça-feira, outubro 26, 2010

O ‘suspense’ e o suspensório!

Esta história
Repetida,
Dividida,
Requentada
É chacota,
É batota,
Mal contada
O problema
Do dilema
É acessório
Já não sinto
Já não penso,
Estou suspenso
Aperto o cinto?!
Ou o suspensório?!

E convenhamos…
O candidato
Recandidato
É mesmo chato!

domingo, outubro 24, 2010

Concordo, mas...

Concordo com o autor, concordo com as dez medidas e concordo com os respectivos fundamentos, com um senão que explicarei no fim…

"TENHAM VERGONHA - Carta aberta a Mário Soares e a todos os políticos"

Sr. Dr. Mário Soares,
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Sou um cidadão que trabalha, paga impostos, para que o Sr. e todos os restantes políticos de Portugal andem na boa vida.
Há dias, ouvi o Sr., doutamente, nas TV's, a avisar o povo português para que não se pusesse com greves, porque ainda ia ser pior.
Ouvi o Sr. perguntar onde estava a alternativa ao aumento de impostos, aqui estou eu para lhe dar a alternativa. Aqui lhe deixo 10 medidas que me vieram à mente assim, de repente:
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1. Acabar com as pensões vitalícias e restantes mordomias de todos os ex-presidentes da República (os senhores foram PR's, receberam os seus salários pelo serviço prestado à Pátria, não têm de ter benesses por esse facto);
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2. Acabar com as pensões vitalícias e / ou pensões em vigor dos primeiros-ministros, ministros, deputados e outros quadros (os Srs deputados receberam o seu ordenado aquando da sua actividade como deputado, não têm nada que ter pensões vitalícias nem serem reformados ao fim de 12 anos; quando muito recebem uma percentagem na reforma, mas aos 65 anos de idade como os restantes portugueses - veja-se o caso do Sr. António Seguro que na casa dos 40 anos de idade já tem direito a reforma da Assembleia da República);
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3. Reduzir o nº de deputados para 100;
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4. Reduzir o nº de ministérios e secretarias de estado, institutos e outras entidades criadas artificialmente, algumas desnecessárias e muitas vezes até redundantes, apenas para dar emprego aos "boys";
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5. Acabar com as mordomias na Assembleia da República e no Governo, e ao invés de andarem em carros de luxo, andarem em viaturas mais baratas, ou de transportes públicos, como nos países ricos do Norte da Europa (no dia em que se anunciou o aumento dos impostos por falta de dinheiro, o Estado adquiriu uma viatura na ordem dos 140 mil € para os VIP's que nos visitarão);
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6. Acabar com os subsídios de reintegração social atribuídos aos vereadores, aos presidentes de Câmara, e outras entidades (multiplique-se o número de vereadores existentes pelo número de municípios e veja-se a enormidade e imoralidade que por aí grassa);
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7. Acabar com as reformas múltiplas, sendo que um cidadão só poderá ter uma única reforma (ao invés de duas e três, como muitos têm);
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8. Criar um tecto para as reformas, sendo que nenhuma poderá ser maior que o vencimento do PR;
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9. Acabar com o sigilo bancário;
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10. Criar um quadro da administração do Estado, de modo a que quando um governo mude, não mudem centenas de lugares na administração do Estado, sendo que o critério para a escolha dos lugares passe a ser o mesmo que um ministro/político adopta na escolha de um médico para lhe tratar uma doença ou lhe fazer uma operação cirúrgica ( porque nesta situação eles não vão buscar os “boys” do partido, mas sim os mais competentes, pois é a “vidinha” deles que está em jogo e não o dinheiro do erário público ).
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Com estas simples 10 medidas, a classe política que vai desgraçando o nosso amado Portugal, daria o exemplo e deixaria um sinal inequívoco de que afinal, vale a pena fazer sacrifícios e que o dinheiro dos portugueses não é esbanjado em Fundações duvidosas e em obras de fachada sumptuosas.
Enquanto isso não acontecer, eu não acredito no Sr. Mário Soares e não acredito em nenhum político desde o Bloco de Esquerda ao CDS, nem lhes reconheço autoridade moral para dizerem ao povo o que deve fazer.
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Zé do Povo
Portugal

O ‘senão’ é o seguinte: - é que se estas dez medidas fossem implementadas eu também era republicano!

Saudações monárquicas

quinta-feira, outubro 21, 2010

Leite com chocolate

A criancinha fez uma birra, ameaçou os pais e a sociedade ajoelhou-se. Os partidos, empurrados por este súbito drama estão em vias de chegar a um acordo! Vendam-se os submarinos, gritam uns, outros, mais prudentes, andam à procura de uns trocos que salvem o leite com chocolate.
Os velhinhos têm menos sorte, as pensões ameaçadas, os remédios mais caros, há que ter paciência, logo que for possível e quando passar este aperto orçamental, o bloco vai pensar neles e desfraldar a bandeira da eutanázia!
Entretanto, segundo a televisão, os mercados reagem ao segundo às notícias sobre o leite com chocolate. E lá fora, os portugueses ilustres já se pronunciaram – a uma só voz, Barroso, Guterrez, Mourinho, Ronaldo avisam - cuidado com o leite com chocolate.
‘Que estranha forma de vida’ a deste país governado por criancinhas e portugueses de fora!

segunda-feira, outubro 18, 2010

“Sem rei, nem roque”

“ (…) Portugal está sem rei, nem roque. E sem a menor esperança de que eles por milagre apareçam.”

Vasco Pulido Valente
está cada vez mais lúcido! Com efeito, perante a celebração da violência que esta terceira república nos propõe, perante o desfilar dos ‘valores republicanos à la carte’, que não têm qualquer relação nem com a história nem com a realidade, e perante a questão do regime que a oligarquia tenta disfarçar com intermináveis discussões económicas e financeiras, a tudo isso se referiu VPV com pontaria e conhecimento de causa. Faltava apenas concluir e a conclusão lógica está na frase (desesperada) que encima este postal. Escrita por ele na sua penúltima crónica!

Pois bem, a questão é política, ou se quiserem, do foro psiquiátrico, e não tem nada a ver com a aprovação deste orçamento. Ainda que o orçamento fosse um instrumento construído com seriedade e bom senso, o problema seria sempre levá-lo à prática. E bem diz Medina Carreiracom estes actores políticos, com estes partidos, e com as forças clientelares (e ocultas) que os manobram, vamos continuar direitos ao abismo. E tem razão.

Uma última nota de humor para mais uma jogada do PS, mais uma politiquice eleitoral para distrair o pagode e ‘entalar’ o PSD - refiro-me ao pseudo-projecto de revisão constitucional onde brilha a consagração de mais um direito que nenhum governo sério pode garantir! Se o que temos que fazer é retirar os direitos absurdos que infestam a actual constituição, esta iniciativa do PS só pode ser para rir... ou chorar a triste sorte de sermos contemporâneos desta gente.

Saudações monárquicas

quarta-feira, outubro 13, 2010

Passos Coelho e o Zepelim

Um assunto tão sério só pode ser levado a brincar!
Antes de ontem foram os ex-presidentes da república, três tenores qual deles o mais vibrante, ontem foram os grandes empresários, qual deles o mais grave, hoje foi a romaria dos banqueiros, qual deles o mais off-shore! Mas todos estes dias, já se contam semanas, as preces sobem de tom e ameaçam – assina, Passos Coelho, viabiliza o orçamento, ‘você pode-nos salvar’!
Esta história lembra-me uma cantiga de Chico Buarque de Holanda sobre um Zepelim que ameaça destruir a cidade a não ser que... uma pobre rapariga se preste a violentar a sua natureza! Satisfeito o ultimatum, salva a cidade, tudo regressa ao mesmo.

Para lá das cantigas existe um orçamento ‘que não toca nem na gordura do estado nem nos interesses da oligarquia’ (palavras de um empresário socialista) e existe uma grande parte da população que não se sente mobilizada para fazer mais sacrifícios por este país. Ou será por este regime?! Seja como for, aconteça o que acontecer, Portugal há-de continuar.

terça-feira, outubro 12, 2010

Esperança de vida presidencial!

Estavam três presidentes mas tudo indica que num próximo programa (não muito longínquo) estejam mais, com mais mordomias, e mais despesa a recair sobre o orçamento de estado. Sem falar nos gastos com as eleições, que servem apenas para dividir os portugueses. Com efeito, e como também se verifica, os presidentes são considerados irresponsáveis pela situação a que chegámos (à boa maneira da realeza) pois todos são invariávelmente contemplados com palmas e sorrisos embevecidos!
Já ninguém se lembra que Ramalho Eanes protagonizou uma experiência partidária frustrada e frustrante, já ninguém se lembra que foi Sampaio quem entronizou José Sócrates, e já ninguém se lembra da descolonização apressada que Mário Soares incentivou para nos lançar nos braços de uma união europeia em que o próprio já não acredita!
Portanto se o assunto é reduzir despesa inútil por causa da dívida insustentável, talvez fosse melhor regressarmos à monarquia, fica mais barato, sustentamos só uma família, e é outro asseio. Sempre são oito centenários de experiência.. e alguns desses centenários até foram gloriosos. É uma sugestão.

Saudações monárquicas

sexta-feira, outubro 08, 2010

Notícias da quadratura

Às vezes apetece-me participar na ‘quadratura do circulo’, mas não posso, não me deixam, é melhor assim. A sentença que me obriga a escrever (para desabafar) é de António Costa: - já não existe uma questão de regime! A monarquia é assunto encerrado!
Baseia tal conclusão no facto de não ter havido nenhuma manifestação monárquica importante durante estes dias de Outubro! Ou seja, para António Costa o país é totalmente republicano e esta é mais uma das conquistas do centenário! Uma espécie de fim da história a verde rubro! À pergunta sobre quem tinha sido o autor de tal façanha, Costa inclinou-se para Mário Soares enquanto os seus parceiros (de programa) se inclinavam para Salazar… com mais tempo de casa!

Ora bem, em relação a isto tenho a dizer o seguinte:

1. O primeiro ‘republicano’ que afirmou (publicamente) que Portugal já não tinha uma questão de regime, foi Marcelo Caetano! Tendo sido de imediato repreendido por Salazar que lhe explicou que o estado novo (segunda república) devia a sua sobrevivência a um conjunto de expectativas e uma delas consistia em dar algumas esperanças aos monárquicos. Noutro contexto e muito antes disso já o Rei Dom Carlos tinha brincado com o assunto dizendo que era o único monárquico da freguesia de Alcântara. Na altura Dom Carlos vivia no Palácio das Necessidades.

2. Mas António Costa ao decretar o fim da ideia monárquica tomando como base a visível escassez de simpatizantes monárquicos também poderia ter reparado que no arraial republicano a situação não era melhor! Para além do desinteresse geral sobre a data, sobressaiu, e de que maneira, a ignorância sobre o assunto. E isto leva-nos ao terceiro ponto, leva-nos até à propaganda.

3. Na propaganda em favor da ignorância política o regime republicano foi de facto eficaz! E António Costa prolonga o embuste exercitando a quadratura do círculo: - para ele vivemos no melhor dos regimes, a nossa constituição é óptima, e os nossos problemas são outros – temos problemas financeiros, económicos, educativos, judiciais, políticos, etc., ou seja, temos problemas com tudo aquilo que define um regime!

Saudações monárquicas

quarta-feira, outubro 06, 2010

“A república que produziu Salazar”

(5 de Outubro de 2010 - Por José António Saraiva)

(Os republicanos não faziam a menor ideia do que era governar, criando todas as condições para o aparecimento de um Messias)
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As comemorações do primeiro centenário da República, em que esta é apresentada como a salvação de um país envolto no mais negro obscurantismo, criarão nos espíritos menos avisados a ideia de que I República foi um mar de rosas. Ora não pode haver ideia mais enganadora.
O regime republicano, em lugar de salvar Portugal, mergulhou-o numa crise profundíssima, criando todas as condições para o aparecimento de um Messias.

Os republicanos e os seus sucessores detestam Salazar. Ora Salazar não surgiu do nada. A subida de Salazar ao poder e o seu longuíssimo consulado explicam-se pelo estado desgraçado e caótico em que a I República deixou o país.
Do ponto de vista económico, do ponto de vista financeiro, do ponto de vista da ordem pública, do ponto de vista do prestígio do Estado, em suma, de quase todos os pontos de vista, a República foi uma autêntica calamidade.
Comecemos por um tema pouco abordado, até por ser incómodo: a violência.

A partir de meados do século XIX, a violência parecia definitivamente afastada da vida política portuguesa. Depois das desgraças da guerra civil e dos tumultos militares da primeira metade do século, Portugal parecia ter entrado na rota da acalmia e do progresso. Mas a República, de mãos dadas com a Maçonaria e a Carbonária, trouxe a violência de volta.
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A coisa começou em 1908, com o assassínio do Rei e do príncipe herdeiro. O 5 de Outubro nem foi violento - e a Monarquia caiu quase sem sangue. Mas a partir de 1915 é que foram elas. Nesse ano deu-se a revolta que depôs Pimenta de Castro e fez mais de 100 mortos, depois foi o atentado contra o chefe do Governo João Chagas, os assaltos aos estabelecimentos em Maio de 1917 que provocaram mais de 50 vítimas, a Leva da Morte, o assassínio de Sidónio Pais, a Noite Sangrenta com as suas rondas da morte e o massacre de alguns fundadores da República desiludidos com o regime como António Granjo, Machado Santos e Carlos da Maia - isto sem contar com um sem-número de revoltas que provocaram mortos e feridos e em certos períodos atingiram um ritmo semanal.

E, como ponto alto deste período marcado pela violência civil e militar, temos a famosa carnificina da Flandres, que custou ao país 15 mil mortos de jovens na flor da idade, mandados para a frente de combate pelo fervor ideológico de Afonso Costa e seus companheiros.

Perante este quadro negro, o movimento militar de 28 de Maio e a ocupação do poder pela tropa, e sobretudo a subida de Oliveira Salazar à chefia do Governo, seis anos depois, foram recebidos com um suspiro geral de alívio. Finalmente o país tinha paz!

A República fundou-se em duas ideias, ambas erradas: que as causas do atraso de Portugal estavam, em primeiro lugar, na existência de uma Monarquia, e em segundo lugar na influência da Igreja Católica.

Ora, que a existência de uma Monarquia não impedia o progresso, provava-o o facto de países avançados como a Inglaterra, a Bélgica ou a Holanda não precisarem de depor a Coroa para se desenvolverem.

Mas os republicanos só tinham olhos para França e acreditavam piamente que Portugal era atrasado porque tinha um Rei - o qual protegia os padres, que tinham uma influência nefasta sobre o povo.

Assim, a primeira coisa que os republicanos fizeram, depois de deporem a Monarquia, foi perseguir a Igreja, confiscar-lhe os bens, acabar com o ensino religioso e, de uma forma geral, afastar a Igreja Católica da área do poder e influência.

Só que, depois de terem feito tudo isso, os republicanos concluíram com angústia que o país não se desenvolvia, pelo contrário, definhava. Ou seja, verificaram que o país não era atrasado por causa do Rei e dos padres mas por outras razões.

A República fez com que Portugal se tornasse mais pobre porque o clima de instabilidade política e de violência assustou os industriais e os banqueiros, travando os investimentos e dizimando os poucos embriões de um Portugal moderno que existiam no princípio do século XX.

Na segunda metade do século anterior o país tinha conhecido efectivamente um certo desenvolvimento, tendo surgido um grupo de industriais e banqueiros com espírito capitalista - Alfredo da Silva, Burnay, Sotto Mayor, etc. - que prenunciava a entrada de Portugal nos tempos modernos. Ora estes embriões de um país desenvolvido foram dizimados no tempo da I República, levando o país a andar para trás.

Perante um quadro tão negro, Salazar, quando subiu ao poder, tinha tudo para vencer. Bastava-lhe fazer exactamente o contrário do que fizera a República, ou seja: restabelecer a ordem pública e a autoridade do Governo, equilibrar o Orçamento, normalizar as relações com a Igreja. Salazar só não restaurou a Monarquia porque, embora sendo monárquico, viu que isso não era decisivo e ia criar uma polémica desnecessária.

Além disso, Salazar percebeu que, à falta de uma classe empresarial, tinha de concentrar no Estado o desenvolvimento do país. Finalmente, substituiu o internacionalismo republicano, assente em ideias importadas de fora, por um nacionalismo intransigente.

Com estas ideias e uma grande eficácia na acção, Oliveira Salazar teve logo de início um apoio popular enorme. O que se percebe. No próprio ano em que assumiu a pasta das Finanças (1928) equilibrou as contas públicas e recusou um empréstimo da Sociedade das Nações, considerando as condições humilhantes para Portugal. Por isso foi designado o mago das Finanças .

E rapidamente restabeleceu a ordem pública, tornando Portugal de facto um país de brandos costumes . É certo que o fez à custa de uma Polícia política execrável, da proibição dos partidos, da censura à imprensa e do mais que sabemos. Mas, para termos uma ideia comparativa, durante o período que durou o Estado Novo foram mortos ou morreram na prisão 50 militantes do PCP (o partido mais fustigado pela PIDE). Isto, note-se, em 48 anos. Ora este número de mortos era frequentemente alcançado numa só noite, nas constantes revoltas que marcaram o tempo da I República.

O prestígio de Salazar ainda aumentaria quando, no princípio dos anos 40, evitou a entrada de Portugal na II Grande Guerra. Aí, tornou-se um Santo . E, mais uma vez, fez o contrário do que tinham feito os republicanos: onde estes tinham mandado os soldados para a Flandres, mal equipados e pior armados, para servirem de carne para canhão, ele seguiu o caminho oposto - e não só optou pela neutralidade como convenceu o vizinho Franco a fazer o mesmo. E em plena guerra na Europa ainda arranjou forças para organizar em Lisboa a grande Exposição do Mundo Português (1940).

Da fugaz I República ficaram pois, quase exclusivamente, as boas intenções. A intenção de educar o povo, de proteger o povo, de contar com o povo. Mas esse mesmo povo abandonou a República no primeiro momento, talvez pensando que de boas intenções está o Inferno cheio.

Isto também explica que a República tenha durado uns escassos 16 anos, enquanto o período seguinte (1926-74, dominado por Salazar entre 1928 e 1968) durou uns longos 48 anos, ou seja, três vezes mais.

Tudo somado, pode dizer-se que a I República não deixou saudades. E se hoje se comemora com tanto fervor é mais por razões ideológicas – e porque no poder está o partido que herdou a tradição republicana, o Partido Socialista - do que pelas virtudes que mostrou."

Comentário: - Um excelente resumo dos acontecimentos e acessível a todas as bolsas! Nem é preciso ter ido à escola. Contém como não poderia deixar de ser a impressão digital do autor, algumas opiniões são discutíveis, há aspectos de que discordo, mas as grandes verdades estão à vista de todos. Aliás, estas comemorações destinavam-se (destinam-se) a prolongar a propaganda da primeira república, porém, face à crise que atravessamos e à impossibilidade de ‘empastelar’ todos os jornais e todas as consciências, aconteceu aos ‘herdeiros do implante’ aquilo que às vezes acontece – ‘foram buscar lã e acabaram tosquiados’!

Mais dois palpites da minha autoria:
1 - Salazar enganou-se ao considerar que a monarquia não era decisiva (como diz JAS) para o sucesso de Portugal. Como se veio a demonstrar depois. A verdade é que somos hoje um dos países mais atrasados da Europa e não éramos em 1910.
2 – Não sabemos ainda hoje se Salazar era monárquico, nem tão pouco se era católico. O que sabemos é que estabeleceu vários pactos de sobrevivência e um deles foi com a maçonaria. Daí nunca ter tocado na bandeira republicana que leva as cores do ‘grande oriente lusitano’ e da carbonária. Se tivesse as mãos livres teria restaurado (pelo menos) as cores de Portugal.

terça-feira, outubro 05, 2010

Aconteceu em Outubro

Aconteceu propaganda
Não estava quente nem frio
Assomado a uma varanda
Eu vi um homem vazio!

Puxava por um cordel
Tinha na ponta um anzol
Era verde como o fel
Vermelho como um espanhol!

Cá em baixo no palanque
Todos se deixam pescar
São os filhos do implante
Que já não sabem nadar!

Cai a tarde no rossio
No arraial verde rubro
Perpassa um leve arrepio...
Aconteceu em Outubro!

domingo, outubro 03, 2010

Não erres o alvo

Desta vez tens que afinar a pontaria, não podes falhar, não podes passar a vida a dar tiros nos pés! Por exemplo, quando a Fundação Mário Soares se enfeita com a frase - “Enfim, a república” – tu tens que saber ler o que lá está escrito, não podes continuar a ser enganado, é preciso (é urgente) estabelecer algum nexo de causalidade entre o regime que temos e a situação a que chegámos.

O mesmo se passa quando te dizem que a ‘constituição dos trezentos artigos’ não tem nada a ver com as nossas actuais dificuldades! Ora isto é uma enorme mentira. Uma constituição (lei fundamental, como lhe chamam) que suspende a democracia por seis meses, que impede o povo de se pronunciar numa altura de crise como esta, é obviamente uma constituição que não interessa, que bloqueia o desenvolvimento do país, e que foi escrita (e revista) para salvaguardar (apenas) o poder de uma minoria. E daqui não podes sair.

Mas há mais, está convocada uma manifestação contra o pacote de austeridade, o que é razoável. Pois bem, em lugar de marcarem a dita manifestação para o 5 de Outubro, de forma a apanharem a ‘malta do palanque’ em flagrante delito, não, convocaram-na para o dia 24 de Novembro, data em que faz anos a minha irmã! Outro tiro em falso, mas não importa, sai tu à rua no 5 de Outubro e manifesta-te contra os verdadeiros responsáveis pela situação.

Para começar, não era de todo mal pensado manifestares-te contra o pai (e padrinho) do regime – o intangível Mário Soares! Que vem agora dizer que se não aprovamos o pacote ‘o país vai a pique’! Enquanto ele continua, alegremente, a celebrar o centenário!
O Sampaio é outro que tal! Outro que lamenta que ‘o país tenha perdido a esperança’! Mas foi ele que dissolveu um parlamento (onde havia uma maioria) para pôr lá o Sócrates com a desculpa das trapalhadas! Outra mentira. Nessa altura a Casa Pia falava mais alto e era preciso safar os amigalhaços!

E finalmente manifesta-te contra o Cavaco. Sim, contra o actual presidente da república e não tenhas medo que não te pode acontecer pior! Quando estiver a discursar sobre o ‘implante’, manda-o calar e explica-lhe que celebrar a suposta superioridade da república sobre a monarquia (monarquia que nunca comemorou centenários) é um disparate, mas é sobretudo uma ofensa ao passado. E é também um acto profundamente divisionista para quem se afirma presidente de todos os portugueses. Para além disso não é hora para celebrar coisa nenhuma. E esclarece-o de uma vez por todas que é ele, na qualidade de chefe de estado republicano, e não o governo, o primeiro responsável pela situação em que vivemos. Se não perceber, paciência, tu é que não podes continuar a errar o alvo.


Nota sobre o concerto dos U2: - 42 mil a assistir! Tudo a preços ‘baratinhos’! Dinheiro que não custa a ganhar só pode vir do orçamento de estado. Quer dizer que ainda há muita folga para aumentar impostos e reduzir despesa. É só isso, de resto, divirtam-se. Os U2 são bons músicos, nada a objectar, quanto à mensagem, teríamos que conversar.

quinta-feira, setembro 30, 2010

O lugar da direita

Havia muitos títulos para o postal de hoje, mas era preciso escolher um e escolhi este – o lugar da direita! Os outros títulos possíveis seriam: - ‘a queda de um anjo’, e não era verdade, ou ‘Sócrates desce à terra’, que talvez fosse mais justo!
Mas o ‘lugar da direita’ é o título mais responsável por ser aquele que pode ter futuro!
Sócrates não disse tudo, ficaram de fora despesas decisivas e escandalosas – tudo aquilo que se esconde (e derrapa) nas parcerias público-privadas, e todos aqueles que não sendo funcionários públicos fazem a sua (bela) vida agarrados ao orçamento de estado! Sim, ficaram de fora pareceres e assessorias, as incontáveis excepções e mordomias que em trinta anos abriram um enorme fosso entre os ricos e os pobres deste país. E estamos a falar do "país mais atrasado da união europeia” conforme titulava hoje um jornal alemão, referindo-se a Portugal, a propósito do pacote de austeridade proposto por Sócrates!
Então foi para isto que abraçámos o ‘projecto europeu’?! Ao ponto de nos endividarmos desta maneira?!Se foi para isto não valeu a pena.
Sempre fomos pobres mas com uma diferença, gastávamos o que podíamos e eramos independentes. E essa diferença faz toda a diferença. O lugar da direita é aqui, movimento ou partido que se demarque da situação actual, que deixe de fazer fretes e concessões a quem nos desgoverna há mais de trinta anos!

quarta-feira, setembro 29, 2010

Amanhã há eleições?!

Parece que sim, tais são as jogadas de bastidores, cada um a ver se o outro se espalha ao comprido, e neste divertido jogo de interesses o interesse nacional é carta fora do baralho. Aqui não há inocentes, está tudo em campanha eleitoral, incluindo o presidente da república. E os candidatos ao cargo também. É por isso que eu sou monárquico. Nas monarquias há pelo menos uma pessoa que não está em campanha eleitoral. E aí talvez o interesse nacional prevaleça. Mas voltemos ao jogo, pois a parada subiu, já mete parceiros de fora, a dar palpites, joga a dama, joga o valete, faz bluff, diz que vem aí o FMI, ou então, passa, não vás a jogo.
Mas há aqui um problema, a bendita da constituição que temos, a tal que pode continuar como está porque não interfere com a vida de ninguém, não permite eleições neste momento! Ela tem prazos e ela é que manda! A razão da proibição deve ser ponderosa ao ponto de impedir a clarificação da situação política (através de eleições), ao ponto de suspender a democracia! É caso único na Europa democrática mas a verdade é que ninguém se importa com isso, os jogadores querem é jogar, estão viciados no jogo.

Mas pegando na sagrada constituição, sim a nossa, aquela que tem trezentos artigos, parece que António Barreto já percebeu que aquilo não funciona. Louve-se a lucidez tardia! Mas é preciso ir mais longe e denunciar a verdadeira razão porque ao fim de tantas revisões (inúteis) a constituição permanece tal como está. Ela serve de facto uma minoria (uma maçonaria) que se apoderou do poder e não o larga. Eu explico - trezentos artigos são uma maravilha para um tribunal constitucional partidário que assim pode manobrar todas as leis e decretos pois nada lhe escapa, porque nada escapa à ‘sagrada constituição’.
A verdade é esta e a armadilha é esta.

Saudações monárquicas

terça-feira, setembro 28, 2010

Programa alternativo

Levanta-te cedo e vai festejar a tua república no desemprego! Leva a faixa até São Bento, agradece a IVG que te deixou nesse estado, e quem sabe, talvez te cruzes (em sentido figurado) com um parzinho de noivos do mesmo sexo, de visita à residência oficial! Lembra-te que antigamente era pior, criavam-se ali galinhas que acabavam por pôr ovo! Passa a seguir por Belém (mas não chateies o Belenenses) e pergunta ao Cavaco, que afinal gosta do mar (sem ser para ir a banhos), porque é que mandou abater a frota de pesca e deu cabo da marinha mercante portuguesa?! Se ele respigar, atira-lhe uma última pergunta – porque é que fez questão em ser o melhor e o mais obediente aluno de Bruxelas?! Vai depois às fundações republicanas, Soares e Rosas para começar, e manifesta-te a favor desses comilões de impostos, que tu pagas, estúpido e complexado republicano. Tens inveja do Rei, não é?! Devias ter sido tu o assassinado, assim já aprendias. Dizes mal do passado?! Querias uma IVG desde o Afonsinho?! Trata-te enquanto tens medicamentos de borla, minto, pagos pela Sra. Merkel enquanto ela te aturar.

Saudações monárquicas

Nota: Realce para um artigo de opinião da autoria de Octávio dos Santos escrito no Jornal Público em 27/09/2010, e que versa sobre a falta de sentido das comemorações do centenário da república. Ali se coloca uma questão incómoda e crucial: - “ Para a República Portuguesa é mais condenável o Ultimato Inglês do que as Invasões Francesas?”

sexta-feira, setembro 24, 2010

Prepara-te para o centenário

Faltam poucos dias para a festa, o cinco de Outubro está à porta, falta pouco para os sinos tocarem, não os da Igreja proibida, perseguida, espero eu, mas não hão-de faltar guizos e chocalhos, que as bestas são muitas e fazem muito barulho.
Tudo se conjuga para que a celebração seja um êxito! Senão vejamos: - Eliminada (num passe de mágica) a incomodativa ditadura, o resto são só alegrias - vivemos a crédito com juro alto, insuportável, e a república tem a suprema esperança de viver da caridade internacional! Porque não tem vergonha e sobrevive pela propaganda, não arrisca uma medida impopular, muito menos se arrisca a tocar na nomenclatura, prefere pedir socorro ao paizinho FMI para que nos venha dar uns açoites e tome ele conta de nós! Mas há mais para celebrar, por exemplo, os duzentos nomes que constam do acórdão da Casa Pia! Não fui eu que inventei o número, foi um dos sentenciados. Provávelmente serão ilustres republicanos que faziam da instituição um hiper-mercado do prazer, mas que a investigação poupou, por falta de tempo, de meios, ou prescrição. Mas os nomes estão lá e tenho a certeza que muitos estarão na primeira fila das comemorações. E hão-de dar vivas à dita cuja! Mas ela está morta e o que aí se vê são os últimos capítulos de um pesadelo. Prestes a terminar mal esteja pronta a ligação Madrid-Poceirão. Sim, palpita-me que o próximo Filipe já não vem a cavalo, há-de vir em alta velocidade! Cumprindo aliás um velho sonho carbonário – a república ibérica. Só que não será república.

segunda-feira, setembro 20, 2010

A oligarquia

Foi mesmo agora, num desses programas da televisão (onde a opinião pública se manifesta) que eu ouvi a denúncia por parte do convidado de serviço, rapaz novo, sem papas na língua, advogado ou coisa que o valha – Tiago Caiado Guerreiro! O tema versava sobre a fiscalização do estado aos apoios sociais!
Não há fiscalização possível quando é no topo da pirâmide que se praticam os maiores abusos, isto quanto ao exemplo, pois quanto aos abusos, eles nunca serão fiscalizados enquanto a fiscalização não for independente da oligarquia. Isto é tão verdade como eu dar vivas à república.
Neste interregno, a dita oligarquia já foi identificada, já definimos a sua origem, conhecemos os seus tiques, os seus pontos de contacto, e um deles é indiscutivelmente o amor que nutrem por esta república desigual e éticamente adjectivada!
Porém algo está a mudar, até na televisão! Pois não é normal ouvir um jovem e bem sucedido advogado dizer que Portugal está nas mãos de uma oligarquia exploradora. Isso é novidade e seria até um sinal de esperança se alguém se importasse com isso. Mas ninguém se importa com isso. O povo (e a revolução cultural de Abril) contentam-se com um novo seleccionador nacional.

quarta-feira, setembro 15, 2010

Reaccionários

Os que reagem ao projecto de revisão constitucional do PSD, porque reagem a qualquer projecto que seja apresentado, são naturalmente reaccionários. Falam em ricos e pobres, reivindicam o estado social, mas esquecem-se que foi à sombra da actual constituição que construímos o maior fosso entre ricos e pobres da UE. Sim, é o nosso, e não me digam que a constituição não é para aqui chamada! Porque se a constituição não conta, se não serve para nada, então pode (e deve) ser revista de alto a baixo, todos os dias, até servir para alguma coisa. Mas eu acho que serve para alguma coisa, serve para manter privilégios, serve para manter uma nomenclatura inamovível, e serve para afundar o país. Se é isto que os reaccionários pretendem, não sabemos, mas que é este o resultado, não temos dúvidas.
Por isso qualquer proposta de revisão é bem-vinda, é um começo, e é preciso começar por algum lado. Desde logo expurgar a constituição dos seus estigmas. Estamos a falar da inspiração soviética e dos tiques terceiro-mundistas. Depois é preciso reduzi-la ao essencial. Na verdade, para que a constituição seja um máximo denominador comum, uma plataforma de entendimento entre os portugueses, deve ser uma fotografia de família e não uma fonte de controvérsia. Por outro lado, se aspira a alguma longevidade, deve reflectir as grandes linhas que enformam a casa portuguesa. Nada de programas de governo, nada de aventuras ideológicas, os primeiros porque atrapalham os governos, as segundas porque passam rápidamente de moda.
Já perdemos tempo demais, está na hora de mudar, está na hora de deixarmos de ser reaccionários.

Saudações monárquicas