domingo, setembro 30, 2012

A minha remodelação

De acordo com o que se ouve e escreve parece imperiosa uma remodelação governamental! Fala-se em remodelação de caras e aumento de ministérios. De caras no sentido de serem afastados os ministros que incomodam alguns interesses corporativos. Aumento de ministérios porque essa é a psicose socialista de aumentar permanentemente o estado e as suas funções.


Não vou por aí, a remodelação que proponho é mais profunda, dói mais, mas custa menos à nação.


Antes porém, recordemos o ponto de partida. Se bem se lembram defini, alguns postais atrás, quem eram de facto os verdadeiros governantes deste país. E também se lembram que nessa altura estabeleci a respectiva hierarquia por ordem decrescente de importância. Vinha em primeiro lugar a troika, seguindo-se o longo cortejo dos vários poderes fácticos: - o poder oculto das maçonarias, os órgãos onde estes figurões se aninham, os tribunais superiores, o poder da rua, e finalmente o governo eleito. A este conjunto riquíssimo de governantes há que acrescentar a preciosa colaboração da comunicação social que amplifica as diversas intervenções consoante a análise que faz do seu próprio serviço público!


Remodelemos então:


Não sendo possível remodelar a troika, por ser estrangeira, comecemos pelo poder oculto.


Sei que é tarefa complexa, por ser oculto, mas podemos fazer um esforço, quanto mais não seja, em nome da transparência que se exige aos governantes. Nesse sentido, a obrigatoriedade do registo de interesses já seria um passo importante. Ou seja, o candidato, ou candidata, a cargo público relevante (refiro-me fundamentalmente aos órgãos de soberania) teria que dizer se pertence ou não a organizações discretas, de obediência secreta, para que todos saibamos, em caso de conflito de interesses, para que lado pende o seu coração. Claro que o candidato pode sempre mentir, mas esse já é outro problema. E fica registada a hipotética mentira.



Clarificados os homens, ficam clarificados os órgãos, tornando possível remodelar em nome da equidade e da decência. Assim, talvez fosse necessário ponderar a influência de determinadas ‘irmandades’ em determinados órgãos. Em especial no que toca aos tribunais superiores. É o problema da desconfiança na justiça! Noutra vertente, a duplicação de cargos e a sobreposição de entidades, com as mesmas pessoas, ao melhor estilo leninista, é algo que também necessita de remodelação urgente.


Curiosamente, na assembleia da república, passa-se um pouco o contrário! Aí, existem imensas pessoas que os portugueses desconhecem! Não votaram nelas, nem fazem ideia de como lá foram parar! Isto acontece por causa da lei eleitoral, devido ao sistema de listas, que coloca o poder representativo nas mãos dos chefes partidários! Mudar este sistema (o sistema de listas) é uma prioridade na minha remodelação.



Mas também precisamos de quotas, não de quotas por sexo, mas de quotas de independência e mérito. Por exemplo, todos desconfiamos que há um excesso de advogados na assembleia da república, um excesso corporativo que transformou o parlamento numa fábrica de leis! Também aqui é preciso remodelar. Remodelar para diversificar. Para além disso, temos que chamar para o parlamento pessoas com experiência de vida, pessoas bem sucedidas na sua profissão, sobretudo pessoas que não dependiam do orçamento de estado.


Se calhar, se esta condição fosse hoje aplicada, a actual assembleia da república esvaziava-se rápidamente. Ficavam lá meia dúzia!


Por isso é preciso fazer qualquer coisa. É que se não fizermos nada corremos o risco de estar a alimentar um hemiciclo que funciona em circuito fechado. E assim não é de admirar que as leis que dali emanam sirvam interesses que não coincidem com os interesses da população.



A remodelação já vai longa mas não posso terminar sem uma remodelaçãozinha na comunicação social, em especial nas televisões. Como bem sabem cabe-lhes satisfazer um caderno de encargos bastante exigente, uma vez que operam (todas elas) em regime de concessão. Entre os encargos sobressai a obrigação de serviço público, coisa que raramente cumprem, quando não se transformam elas próprias em agentes de sabotagem desse mesmo serviço!


Ora eu não conheço melhor serviço público do que ter em conta a vontade soberana do povo português, vontade essa que se exprime nas urnas em cada eleição. Por conseguinte a remodelação passa por obrigar as televisões a respeitarem em termos informação política (e de comentário político) os resultados eleitorais. Sem prejuizo naturalmente de algum contraditório mais pertinente. Explico: se o governo diz ‘sim’ e a oposição diz ‘não’ o que devia acontecer no final de cada dia informativo (e de comentário) seria um número de minutos (dedicados à controvérsia) que se assemelhasse à contabilidade eleitoral. Mas não é nada disso que se passa. Os microfones estendem-se generosamente a todos quantos discordam de determinada medida do governo, e os que concordam, que são naturalmente a maioria absoluta, acabam práticamente silenciados! Isto é o quê?! Liberdade de informação?! Serviço anti-público?!


Mas tudo na vida tem remédio. E a solução passa mais uma vez por uma remodelação (corajosa) que pode chegar à suspensão da licença ao concessionário prevaricador.



Como vêm, não custa nada.





Saudações monárquicas

sábado, setembro 29, 2012

Palavra de ordem intersindical

Dá rédea livre à inveja

Todo o vapor ao teu ódio

Morde na língua e rasteja

O teu lugar é no pódio!



A estupidez que comandas

Albarda o burro que és

É contra ti que tu clamas

Tens a cabeça nos pés!



Se mesmo assim achas pouco

Se vês no espelho um anão

Põe-te a gritar como um louco

Pede desculpa ao patrão!

sexta-feira, setembro 28, 2012

Versos de um tempo que nunca existiu!

Guerra civil




Era a vida ou era a morte

Era o velho pelo novo

O velho sempre mais forte

O novo sempre mais novo



Vinham de todos os lados

Ocuparam a cidade

Havia muitos soldados

Não havia liberdade



Ninguém se deu por vencido

Lutaram até ao fim

Ouviu-se um longo gemido

Vais ter saudades de mim



Era a vida ou era a morte

Ou foi o tempo perdido…

Se soubesse que era a morte

Nem sequer tinha nascido!

quarta-feira, setembro 26, 2012

Passos trocados...

Mais um que recua perante o monstro! Mais um que não afronta o partido do estado, o partido do bloco central. Seria aliás muito difícil acontecer outra coisa. Seria uma traição a quem o elegeu. Bem pode Passos dizer que se marimba para as eleições porque haverá sempre quem lhe lembre que há uma factura a pagar. Por isso Passos agradece o chumbo do tribunal constitucional, chumbo que lhe dá um alibi para poupar na função pública e assestar baterias sobre os mais fracos, os que podem ser despedidos, os que têm reformas de uma maneira geral mais pequenas, fruto de carreiras contributivas sujeitas ao sobressalto do mercado de emprego. Nada que se compare com o sossego das carreiras contributivas de quem tem o vínculo público.

Porque é preciso que se repita, as vezes que forem precisas, que o desemprego existente em Portugal, a tal taxa de 16% que enche a boca dos partidos e sindicatos de esquerda, corresponde na realidade a desemprego no sector privado. Não no sector público. E também é preciso esclarecer que os sindicatos que temos só estão verdadeiramente preocupados com a redução do monstro, que a acontecer lhes retiraria a sua tropa de choque, aquela que pode fazer greves sem receio de perder o seu posto de trabalho. E lá estamos nós a falar novamente dos... funcionários públicos.

Resumindo e concluindo, Passos seguiu o caminho mais fácil, o que todos têm seguido, recuou. E recuou por medo. Medo do monstro, que se torna cada vez mais perigoso, à medida que se aproxima o seu inexorável fim. Mas uma coisa é certa - se Passos não o derrubou, já nasceu quem o irá derrubar. Pois não é possível sobreviver com o actual nivel de despesa pública. Serão tempos difíceis, incertos, perigosos para a Europa, e para nós, pedintes profissionais, ainda mais aviltantes. Estamos em saldos. Vendemo-nos ao primeiro que nos oferecer uma ilusão, a esperança de continuarmos com a nossa vidinha! Não é por acaso que o programa ‘prós e contras’ do serviço público já foi (parcialmente) falado em… catalão!


Se calhar vamos ser todos monárquicos, e não sabemos. Ou então vamos ser todos republicanos e também não sabemos como é que isso vai acabar!


Uma coisa é certa, a hipótese de uma perigosa (e parcial) federação de repúblicas laicas na península, com um imperador europeu (francês ou alemão), uma espécie de regresso ao passado, é sempre um cenário trágico para nós. Obrigados a naipe, ou seja, a alinhar no euro, e por conseguinte a alinhar do lado das potências continentais, contra a Inglaterra e Estados Unidos, vai ser o cabo dos trabalhos outra vez! Já demos essa matéria, o dilema resolve-se sempre a favor do mar. O mesmo mar que rejeitámos e esquecemos, entretanto.

Saudações monárquicas 

terça-feira, setembro 25, 2012

Passos perdidos…

Portugal só sairá do estado de menoridade em que se encontra há muitas, muitas décadas, quando se libertar da síndroma dos vários socialismos que lhe intoxicaram a mente. Para já não falar do resto. Socialismos de direita e de esquerda, que lhe retiraram, e retiram, quer a liberdade quer a ideia de responsabilidade individual. Ora é precisamente a responsabilidade individual que nos define como adultos. Pelo contrário, a procura da culpa nos outros é o maior sintoma de menoridade mental. É clássica a expressão dos bancos da escola: - não fui eu, senhor professor, foi aquele menino! Nós estamos ainda nesta fase. Aliás, já nem damos por isso, já nem damos que a propósito de tudo e de nada, clamamos pelo estado, que consideramos responsável por tudo o que de mal nos acontece. Por exemplo, cai uma arriba na (extensíssima) costa portuguesa, bate na cabeça de alguém, e todos pedem responsabilidades ao estado, ao governo, porque não fez nada para o evitar! Com os incêndios é a mesma coisa. Com os partidos que escolhemos para governar e que depois já não queremos porque nos retiram direitos que achamos inalienáveis, é o mesmo. Haja ou não dinheiro para os sustentar. Tal como os miúdos que choram e berram se o ‘papá’ não lhes dá o brinquedo que eles querem.

Ora bem, nestas circunstâncias, só alguém de fora, com força, nem que seja a força do cheque, será capaz de impor alguma ordem e racionalidade, duas condições indispensáveis ao crescimento, primeiro das mentalidades, e só depois da economia. O problema é que não há ninguém de fora disposto a isso. Somos nós que nos temos que educar. Como?! Em primeiro lugar tomando consciência da nossa menoridade cultural.

Dou outro exemplo: - não é possível continuar a alimentar o pão e circo, próprio de um povo alienado, que se chama futebol! Não é possível continuar a alimentar o nacional-benfiquismo (que inclui o Sporting) como o fez durante quarenta anos o estado novo! Isto não ajuda nada ao crescimento. Porque são os mesmos que infantilmente se entretêm no ‘fora o árbitro’ que governam ou estão posicionados em altos cargos neste país! Um péssimo exemplo para a população que naturalmente segue e imita aqueles disparates.

Querem maior prova de infantilidade que aqueles programas de segunda-feira, nos três canais de televisão, um deles dito de serviço público, onde não se discutem os problemas de fundo do nosso caricato campeonato nacional mas apenas os problemas causados pelos árbitros ao Benfica, Sporting e Porto!

E ninguém acaba com isto?! E ninguém se revolta com isto?!

Claro que não. Esta é a droga indispensável para manter a população no estado de embrutecimento que convém à nomenclatura que assaltou e despojou o país. Com a bandeira do socialismo!

Eu sei que poucos aceitam ouvir isto. Porque são sempre poucos os que gostam de ouvir a verdade, principalmente quando ela lhes toca de perto.



Saudações monárquicas

segunda-feira, setembro 24, 2012

Tudo governa minha gente!

Assim gosto, uma democracia autêntica, toda a gente a governar, tenha ido a votos ou não, de preferência alguém que a comunicação social aprecie e goste. Todos botam faladura, opinião, as medidas que não podem ser tomadas, aquelas que devem ser tomadas, enfim, o tal país de cigarras que a fábula inventou a pensar em Portugal!


Mas vamos por partes, analisemos (por ordem de importância) os mais destacados e assumidos governantes deste país:


Em primeiro lugar e como todos sabemos governa a troika e enquanto for ela a decidir se manda ou não manda o cheque, é ela que tem efectivamente a última palavra.


Em segundo lugar governa o poder oculto, jacobino, com algumas nuances, agrupado nas várias corporações de interesses, também ocultos. Os seus representantes multiplicam-se em aparições na comunicação social e reconhecem-se fácilmente pelo seu amor entranhado à constituição da república! E de tal maneira a amam e defendem que tudo leva a crer que sem ela (constituição) deixariam de governar! Se a deixavam de amar entretanto e passavam de armas e bagagens para a próxima constituição/situação… é uma incógnita, mas não é nada que já não tenha ocorrido.


Em terceiro lugar governam alguns órgãos ocupados pelos personagens que já governavam… em segundo lugar. Refiro-me à chefia de estado, ao secretismo do seu Conselho, ao ruído que emana da assembleia da república, e aos tribunais superiores. Neste capítulo sobressai naturalmente o tribunal constitucional que espera silenciosamente pelas decisões do governo para as aprovar ou chumbar consoante os interesses que defende.


Em quarto lugar temos as manifestações espontâneas, devidamente organizadas, e as vigílias, cuja função é orientar a política do governo.


Por último, governa o governo eleito, e quer tenha maioria absoluta ou não terá que se sujeitar a quem de facto governa!


É claro que se poderia perguntar para que servem as eleições?! Mas não vale a pena.




Saudações monárquicas

quarta-feira, setembro 19, 2012

Trova popular

O povo, só oiço… o povo, o povo, o povo…


Democracia

Porque és tão fria
E tão distante
Sei que és brilhante
Nunca te vejo
Mando-te um beijo
Vê se apareces
Se não te esqueces
Do meu quintal
Dou-te a morada
É Portugal!


O povo…


Bela palavra

Tão prometida
Tão badalada
E tão esquecida
Neste tormento
Eu só lamento
A dívida
Quem a criou
Quem a gastou
Não vai pagar
Já se escapou!


O povo…


Mas que agonia

Que nostalgia
Estamos nas lonas
Tu não funcionas
Democracia!
Tanta voragem
Não há coragem
Sai sempre aos mesmos
A lotaria!
O povo, o povo,
Nada de novo!




Saudações monárquicas


sábado, setembro 15, 2012

“Que se lixe a troika” ou que se lixe o cheque?!

Convinha esclarecer o propósito dos organizadores de manifestações (e slogans), antes de participarmos em algum dos já anunciados protestos. Por mim, se for, ‘que se lixe o cheque’, talvez encarasse a situação. Não sou rico, é certo que arriscaria a minha pensão de reforma, que entretanto o estado nacionalizou sem eu saber porquê, mas como digo, se o meu protesto servisse para encontrar uma fórmula patriótica de resolver a situação, talvez saísse à rua para dizer ao governo que é preciso algum sentido prático da vida para se governar um país.


Mas as manifestações destinam-se apenas a fazer barulho, desde que o cheque não esteja em causa. Cheque, que todos sabemos, serve fundamentalmente para alimentar o gigantismo de um estado ‘pós- soviético’. No caso, pós-salazarista, ou seja, com todos os defeitos da segunda república (estado novo) e todos os defeitos da primeira! Lindo, ninguém conseguiria melhor!


Ora bem, para este peditório, não dou. Não dou para a ‘educação pública’, não acredito neste mito, prefiro os jesuítas. Na altura, ensinavam melhor, não se conseguia ser oficial de nenhum ofício sem a necessária prática, ou seja, sem provar (primeiro) competência. E já agora pergunto: - porque é que um jovem serralheiro mecânico, por exemplo, tem que se fazer à vida para arranjar trabalho e outro jovem que resolveu ser professor tem que ter emprego certo no estado?! Aceitam-se respostas inteligentes.


Mas também não dou para a ‘saúde pública’, aquela em que uma pessoa tem uma dor, precisa de um médico, o médico não existe, não se consegue, a não ser depois de uma estadia (mais ou menos prolongada) no banco de um daqueles hospitais monstruosos, cheios de corredores, a fazer lembrar mais uma vez a ‘saúde soviética’!


E também não dou para o actual regime partidário continuar a grasnar em economês em lugar de falar em política.


Por último, nestas ocasiões, em que vejo os ratos a abandonar (apressadamente) o navio, apetece-me ficar, talvez por ser do contra, ou (vaidade minha) por causa de algum cromossoma aristocrático, mais resistente!




Saudações monárquicas

quinta-feira, setembro 13, 2012

Tempo de antena desproporcionado!

Desigual, longe da equidade, antidemocrático, para usar as expressões em voga, é o mínimo que se pode dizer do tempo de antena concedido à oposição sempre que o governo produz qualquer acto de governança! Seja um gesto, seja uma sílaba mal pronunciada!

Já o referi várias vezes, é um dos pecados da nossa incipiente democracia, sintoma de pequenez, perigoso para as instituições, perigoso para todos nós, incluindo aqueles que acham ‘muito bem’!


Dá ideia que a propósito de tudo e de nada se forma uma gigantesca ‘frente nacional’ contra o governo, uma onda de contestação liderada pelos órgãos de comunicação social, nomeadamente pelas televisões, como se a população inteira estivesse ali a ser representada. Um absurdo e um engano. Um engano que é tudo menos ingénuo.


Eu bem sei que os canais noticiosos têm que dar notícias, têm que se justificar, e apagados os incêndios, esgotadas as importantes notícias sobre o Benfica, os acidentes de viação no Burkina Faso, há que encontrar novas (velhas) opiniões dos partidos de esquerda, da intersindical, que se multiplica em intervenções, e de uma maneira geral de todas aquelas pessoas que desde a primeira hora declararam guerra a este governo!

Mas nem tanto ao mar…


E surgem as inevitáveis perguntas: - Será que temos notícias a mais?! Será que temos canais de televisão a mais?! Ou vamos continuar a merecer (a má) fama que já havia impressionado os romanos: - ‘não se governam, nem se deixam governar’!




Saudações monárquicas

quarta-feira, setembro 12, 2012

Com esta oposição…

Pode o ministro das Finanças dormir descansado.


A começar pelo PCP, relíquia arqueológica com direito a Guiness, um partido oscilante entre um nacionalismo (!) de trazer por casa e uma secreta admiração pela Coreia do Norte! Continuando com a verde Elisa Apolónio, outro case study, nunca foi a votos, por isso não sabemos qual o seu verdadeiro peso eleitoral! Desconfiamos que é nenhum. A seguir, descendo até ao Bloco, verificamos que é agora dirigido por uma regateira, aos gritos! O que pretende?! Também não sabemos. E chegamos finalmente ao inseguro PS cuja alternativa consiste em ir fazer queixinhas ao presidente da república!

Portanto, e por consequência, só a ambição e a vaidade desmedidas de Portas poderão causar algum embaraço a Vítor Gaspar.


Mas quer isto dizer que concordo com a actual política do governo?! Claro que não. Limito-me a verificar que não existe oposição em Portugal, só isso. Há muita discussão, muita gritaria, mas no essencial estão todos de acordo. Por exemplo, ninguém quer fazer reformas estruturais, especialmente a reforma das reformas, ou seja, mudar a constituição! E a partir daqui mudar a lei eleitoral, para que haja alguma relação entre eleitores e eleitos, para que as leis e os tribunais funcionem, para enfim reduzir o peso das corporações, o peso da nomenclatura na máquina do estado. Sem esquecer o fardo que os partidos representam no poder autárquico. Mas destas reformas os partidos não querem ouvir falar, porque isso seria reduzir o seu poder, o poder dos aparelhos partidários.


Nestas circunstâncias Vítor Gaspar (e Passos Coelho) vão continuar a fazer as tais ’cócegas’ que todos criticam mas que no fundo todos aceitam para continuar tudo na mesma. É assim a república que amamos.



Saudações monárquicas



Nota básica: Ontem, no mesmo dia em que soubemos dos apertos que nos esperam, mais própriamente à noite, em Braga, estava um estádio cheio, para ver o Azerbaijão jogar contra a selecção. Conclusão: Vítor Gaspar ainda tem muita folga para cortar na despesa.

domingo, setembro 09, 2012

Pinheiros, eucaliptos, fogos (postos) e bombeiros…

E lá se vai o nosso dinheiro!

O pateta e o esperto andam sempre juntos, são amigos, não passam um sem o outro. O pateta diz, temos uma enorme riqueza florestal! O esperto reclama imediatamente a sua defesa. Com meios aéreos, pondo um funcionário (público) atrás de cada árvore, para a proteger e guardar, enquanto vão exigindo (os dois) responsabilidades aos governos de ‘direita! Como se houvesse algum governo de direita neste país coxo, como se fosse possível, nas actuais circunstâncias, evitar a vaga anual de incêndios. Vaga de incêndios que já faz parte do programa político da oposição, no que toca a dividendos, e do programa do governo, no que toca a custos!


Mas desenganem-se. Mesmo que não fosse arma de arremesso político, o problema dos fogos (postos ou não) mantinha-se, e mantém-se. É uma questão estrutural, chegámos a este ponto por decisão política e só daqui sairemos através de outras decisões políticas.


Já escrevi sobre isto e não me parece que haja volta a dar: - ou queremos continuar a ser ‘ricos’, mantendo os pinheiros e os eucaliptos onde antes havia pessoas e rebanhos; ou preferimos voltar a ser ‘pobres’, e damos nova vida ao interior do país! É uma questão de escolha.

Por mim, entregaria a decisão a pessoas menos patetas, e sobretudo, menos espertas.





Saudações monárquicas

quarta-feira, setembro 05, 2012

A cidade do futebol!

Li a notícia, e compreendi perfeitamente - o país do futebol precisava de uma cidade do futebol. Por isso o presidente da respectiva federação decidiu-se a apresentar, hoje, ‘na tribuna de honra do estádio nacional’, o projecto da futura metrópole, a erigir no mesmo local. Convidadas as mais altas individualidades, desde logo o ministro Relvas, a incomparável corte que acompanha as selecções, e por certo uma série de empreiteiros a esfregarem as mãos de contentes.


Portanto, obras públicas em perspectiva, absolutamente necessárias para levantarem o ânimo da nação. Oh não fosse o futebol, a avaliar pela propaganda, o grande motor da economia. Milhões para a esquerda, milhões para a direita, milhões que entram, milhões que saem, recordes de transferências, e mesmo assim, os clubes, os portugueses, o estado, em falência técnica! E mesmo assim, os subsídios a voarem dos bolsos de quem trabalha, e dos reformados, para o bolso do ministério das finanças. Vá lá perceber-se este futebol! Vá lá perceber-se este país!


Nota básica:


A notícia refere que no Jamor serão construídas imensas infra estruturas desportivas, desde hotéis de cinco estrelas a pavilhões multiusos, mas não se refere à esperada (pelo menos, eu espero) reabilitação do estádio nacional, como lugar de eleição para os jogos da selecção nacional. Ou pretende-se continuar a encher os bolsos de Benfica, Sporting e Porto com o aluguer dos respectivos estádios, de cada vez que a selecção lá vai jogar?!

É que se for assim, eu como contribuinte, reajo. Como português, também.

Saudações monárquicas

segunda-feira, setembro 03, 2012

Privatizar o quê?!

Sou suspeito, sou do Belenenses, e noutro ângulo, (feroz) opositor ao regime vigente, portanto, eu pergunto: - em caso de alteração do actual estatuto da ‘televisão pública’ (e da ‘rádio pública’) será que consigo saber (em tempo útil e horário normal) os resultados dominicais do meu clube?
Devo confessar que actualmente, a coisa não está fácil! Com três canais ‘públicos’ (rtp1, rtp2, e rtpn), em produção contínua, só conseguimos a informação desejada (e de forma aleatória) depois de termos engolido Benfica, Sporting e Porto em doses industriais! Sem esquecer o Real Madrid!


Por isso renovo a pergunta: - em concessão privada será que tenho direito a uma nesga (diz-se ‘janela’) informativa, a hora certa, como acontecia por exemplo com o antigo programa Domingo Desportivo na rtp1?


Eu sei que o ‘serviço público’ é uma coisa muito séria e atrás dele andam uma série de entidades, muito sérias também. O melhor exemplo é este: - ontem, Domingo, três da tarde, a rtp1 transmitia o Benfica num jogo qualquer de futsal. Às quatro da tarde era a rtp2 que transmitia o Benfica contra o Sporting em andebol. A rtpn por essa hora e nas horas seguintes, a cada noticiário, repetia os problemas do Benfica, misturados com o economês do costume. À noite, o espaço radio-eléctrico (um bem escasso) prolongava o ‘serviço público’ de que tanto gostamos: - debates, normalmente a três, sobre o Benfica e os dois restantes comparsas desta farsa.


Alvíssaras! Entretanto consegui saber (via internet) que o Belenenses tinha ganho à Naval por uma bola a zero.



Saudações azuis

sexta-feira, agosto 31, 2012

Um acto colonial

O mandinga não me larga, quer contar-me o seu drama, o problema dos papéis, uma autorização, uma dificuldade, Bissau não responde, sem isso não consegue viver! A cuanhama simpatiza comigo, o sul de Angola ficou para trás, e com ele, as inúmeras cabeças de gado que apascentava. O problema é o mesmo, os papéis, o bilhete de identidade perdido nos confins da descolonização exemplar! O mestiço indiano, que um dia aportou a Moçambique para fazer negócio, idem, idem, aspas, aspas! E eu não tenho nada para lhes dar, nem uma esperança de vida melhor. Verdade se diga que às vezes me irrito e atiro-lhes à cara a frase mortífera: - então não queriam ser independentes?! E agora querem papéis para serem portugueses?!


Estou a ser injusto, a culpa maior é nossa, fomos nós que fugimos às nossas responsabilidades, fomos nós que nos resignámos à filosofia da moda! Tão triunfante quão mentirosa! Mentirosa, sim, e o mandinga bem poderia confrontar-nos com o paradoxo: - então, vossemecês andaram a descolonizar-nos à viva força, entregaram-nos a uns quantos chefes tribais, em guerra, e agora passam a vida a implorar que alguém (o eixo franco-alemão, por exemplo) vos colonize 'rápidamente e em força'! Seja com euro-bonds, seja em federação, seja de que maneira for!


Mas o mandinga não irá tão longe. Ele quer apenas os papéis para ter uma oportunidade de vida fora do ‘seu país’. ‘Seu país’! Que tragédia para ele! Que mentira para todos nós!




Saudações monárquicas

quinta-feira, agosto 30, 2012

Porquê, João?!

Recomeço onde terminei o último postal. O Vicente não me respondeu, nem sabe sequer da pergunta. E como diria o poeta – ‘mesmo que soubesse, o que saberia?!’ Nada. Aliás, nem lhe convém saber. Poderia pôr o seu lugar em risco. Em privado talvez respondesse que nós somos assim desde os afonsinhos, um fado. E ele é apenas mais um fadista. Não está ali para mudar absolutamente nada. Um barco, uma vela, e seja o que o vento quiser. O Vicente é assim.
Vamos esquecer o Vicente.


Mas tu João, o que tens a acrescentar a este final de Agosto? Já é tempo de dares uma satisfação aos mais fiéis dos teus leitores. Àqueles que te lêem mesmo quando não acreditam!
Pois bem, escrevo, e ao porquê João, respondo em verso: - por causa da constituição!
Velha resposta desta casa mas ao que parece novíssima descoberta dos génios caseiros! É verdade! Pires de Lima, ontem à noite na televisão, só lhe faltou confessar que tem um novo guru, a saber: - este Vosso criado!


Descobriu ele (agora) que o programa que os partidos do ‘arco do poder’ assinaram com a troika é um sofisma. Um programa de faz de conta, impossível de cumprir, uma vez que a constituição de Abril, (um compromisso entre o ‘grande oriente lusitano’ e o ‘partido comunista português’) pode a qualquer altura intervir e desfazer as contas do governo! Como bem demonstra a telenovela do corte dos subsídios.
Surpresa?! Só para quem anda distraído.


Então, e agora?! O costume. A terceira república vai cair por si, irreformável, logo que a caranguejola da união europeia der sinais de que já não nos quer sustentar.



Saudações monárquicas




Nota básica:


Reparei, já no fim do texto, que voltei a responsabilizar a ‘franco-maçonaria’ pelo estado da nação. Também responsabilizei os ‘súbditos’ do partido comunista da união soviética, Cunhal e companhia, pelos belos resultados da revolução de Abril. Troika incluída.

Não é fixação, trata-se de um exercício de lógica, eu diria, linear. Basta verificar quem são os donos da bola, quem ocupa o poder. No caso da maçonaria, pelo menos desde 1820. Até já existem aguardentes com essa data!
Quando for um bispo, ou uma ordem religiosa católica, a definir a lei e o tribunal que a interpreta, cá estarei para os responsabilizar (também) pelos êxitos e fracassos da pátria lusitana.

segunda-feira, agosto 13, 2012

Uma palavra olímpica

‘Não há desporto escolar, nem desporto universitário dignos de nota. Somos caso único na Europa’.

Estas foram as palavras olímpicas de Vicente Moura, presidente do respectivo comité, há séculos, depois de mais uns ‘jogos’ para esquecer.

Mas Vicente Moura disse aquilo com ar compungido, como se não tivesse nada a ver com o assunto! Logo ele, indefectível sportinguista, que já deve ter repetido um milhão de vezes (pelo menos) que o seu clube é um bastião do desporto nacional! Do atletismo à ginástica, da natação ao andebol, da churrasqueira ao berlinde, e futebol, claro.

Está bem Vicente, não te vou contrariar. Mas se calhar, Vicente, é por isso que não temos desporto escolar em condições. Pois se o dinheiro, e a atenção, vão direitinhas para os clubes de futebol profissional (os três do costume), diz-me lá Vicente, como é que querias que houvesse investimento no desporto escolar! E aqui, sim, somos de facto caso único na Europa. E os (maus) resultados estão à vista.

Soluções?!

Passam pelo incentivo aos ‘clubes/modalidade’, em lugar de andar a fomentar o ecletismo ridículo de Benfica, Sporting e Porto. No fundo trata-se de trocar uma medalha de ouro quando o rei faz anos, pelas medalhas que surgem naturalmente por serem fruto de trabalho e investimento contínuos. Trabalho e investimento independentes dos resultados da bola. É assim que funciona o resto da Europa. Os países que ganham medalhas com regularidade funcionam assim. Não há aqui mistério nenhum. O único mistério é porque é que não é assim em Portugal!

Porquê, Vicente?




Saudações monárquicas

quarta-feira, agosto 08, 2012

Não há inocentes

A massacrante crise informativa, mais massacrante que a crise real, levou-nos ao jardim de infância, aquele lugar onde os reformados matam o tempo a jogar às cartas ou a responder às perguntas das nossas televisões. Um deles, exaltado, queixava-se do aumento dos preços nos transportes públicos. Um exagero, um roubo, dizia, atirando culpas ao governo. De facto, é um roubo, mas a culpa não é só deste governo. Se formos justos, se desenterrarmos um pouco o passado, poderíamos parafrasear (em sentido oposto) um jornalista/escritor que todos conhecem: - afinal, onde é que estavas quando 'Abril' nacionalizou os transportes?! Lembras-te quando gritaste bem alto, de punho fechado, que tudo o que existe é do povo?! E não és tu que não perdes uma oportunidade para dar vivas à república que tens?!
Pois bem, não te queixes, engole os aumentos, e assume de uma vez que és tu o patrão desta desgraça. Portanto, a culpa também é tua. Se fosse a ti, continuava a jogar às cartas, mas calado.

Saudações monárquicas

domingo, julho 29, 2012

Um texto à luz do dia

O lugar onde escrevia era escuro, postado diante de uma parede onde se elevavam as figuras austeras dos trisavós maternos, foi aí que compuz aqueles textos que Vocês conhecem. A luz ía buscá-la a alguma inspiração passageira. Agora mudei de sítio, tenho um pequeno escritório, com estantes e prateleiras, está relativamente arrumado, o sol entra pela janela, mas a inspiração ficou no quarto escuro. E não me apetece escrever. Ainda tive um rebate quando a filha do Adriano Moreira subiu ao púlpito parlamentar, mas contive-me. Era para dizer mal da rapariga, coitada, coitado do pai. Temos que aguentar, afinal são sempre os mesmos a dar ordens neste país, seja por via sanguínea, seja por via maçónica, ordináriamente por ambas, venham eles mascarados de socialistas nacionais, venham elas tatuadas pelo socialismo internacional. É preciso que se diga: - terra desigual (a mais desigual da Europa!) onde para singrar é indispensável ter o carimbo ‘socialista’. De esquerda ou direita, não interessa. Já dizia o Churchill (ou seria o Guerra Junqueiro!): - ‘cães de trela, cães de fila, cães de caça, tudo cães’!
Afinal sempre escrevi alguma coisa!

Passemos aos jogos olímpicos. Também gostava de escrever sobre o tema, mas era (também) para dizer mal – do barrete verde e encarnado, sem toiros, sem sol e sem moscas, mas com a presença incontornável do Cavaco e da Maria! Mesmo intervencionados e tesos, lá foram eles (incansáveis) dar uma forcinha aos nossos rapazes e raparigas. É bonito! O problema é que os nossos atletas quando chega a hora da verdade... já estão cansados! E termino com Vasco Santana - 'Chapéus (boinas, barretes, etc.) há muitos'. Medalhas há poucas. 


Saudações monárquicas









quinta-feira, julho 19, 2012

Eles não sabem, nem sonham…

Passe o Gedeão, que aliás conheci no velho liceu Pedro Nunes, a recente declaração do secretário dos impostos foi mais uma peça dolorosa da política… ‘à portuguesa’. O medo, o compadrio, a incapacidade, a esperteza saloia (que ainda funciona!), até alguma ingenuidade (que se confunde com cretinice), tudo isso faz parte do novo pacote contra a evasão fiscal!

Meu rico, meu pobre Portugal! O país martirizado com impostos e estes secretários doutorados, fechados nos gabinetes, a cogitar golpes de mão contra os desgraçados do costume! Só visto! Ou seja, mais uma medida para facilitar a vida ao contribuinte graúdo, aquele que faz grandes despesas, grandes compras, as suas, pessoais e familiares, as da empresa, e arranja artifícios contabilísticos para bater o record dos abatimentos no IVA, no IRS, seja onde for!

E que tal seguir a sugestão de Medina Carreira: – baixar drasticamente os impostos, eliminar a maior parte deles, simplificando ao máximo o respectivo processo?! Querem apostar que a receita aumentava?!

E (digo eu) que tal avançar para o ‘imposto por cabeça’, em lugar de andar a tributar a actividade económica?! Seria uma revolução tributária, não tenho dúvidas, e de uma penada, reduzia-se a evasão e aumentava a justiça fiscal.

A outra solução, já inventada pelos gregos, há muitos séculos, corresponde basicamente ao slogan da esquerda invejosa e preguiçosa – ‘os ricos que paguem a crise’! Mas com a variante, também grega - os ricos pagam a crise mas são eles a gerir a crise. Como não podia deixar de ser. Aqui, a esquerda já não gosta, porque gosta de ser ela a gerir (leia-se, gastar) o dinheiro dos outros!



Saudações monárquicas











quarta-feira, julho 18, 2012

Luta de classes

O que era povo
Está na minha voz
O que é burguês
Está no meu dinheiro
O ser fidalgo
Vem antes de nós
E queira ou não queira
Vem sempre primeiro!


São três verdades
Que não aceitamos
Ao escolher uma
Duas rejeitamos
Na nossa vida
Há três passageiros
E se quisermos
Bons companheiros!


Abaixo o povo
Ninguém vai dizer
Viva a burguesia
O melhor é esquecer
E a fidalguia,
Sem medo e sem espanto,
Com muita alegria
Só eu é que canto!


O que era povo
Está na minha voz…




(dedicado ao primogénito… neste dia)

segunda-feira, julho 16, 2012

Uma tarde nos Zagallos

‘O palácio é do povo’, enfatizou o vereador da cultura!

Era uma tarde de Verão, os salões estavam cheios como vem sendo habitual. Para quem não sabe, o solar dos Zagallos é o local escolhido (aliás muito bem escolhido) pela Câmara de Almada para premiar as melhores quadras de São João, o Santo Padroeiro da cidade. E assim foi este ano.

A poetiza de serviço declamou entretanto as quadras que se evidenciaram e se a última palavra é da Senhora presidente, as primeiras palavras são do Senhor vereador. E aquela insistência, a emoção do evento, a própria lembrança das datas (14 de Julho/tomada da Bastilha), levaram-me a outra quadra, a outra verdade histórica, dentro do mote do concurso (‘Almada’ e ‘brilho’).
Ei-la:

Sem o nosso São João
Sem o brilho, sem nobreza,
Não haveria salão
Nem Almada concerteza!

Como se adivinha, a ordem dos factores não é arbitrária, mas confesso que fui tentado a substituir a palavra ‘brilho’ pela palavra ‘povo’. Seria um erro. A quadra, perdendo o brilho, acabaria naturalmente desclassificada.

O palácio não é do povo. Mandado construir pelos Zagallos, ainda no século XVIII, foi casa de família, e aqueles salões doirados testemunharam vida, alegrias e tristezas. Arruinaram-se, como tudo se arruina, e a quinta terá sido comprada pela burguesia emergente, por aqueles que celebraram (e celebram) a Bastilha!

O solar dos Zagallos é hoje administrado pela Câmara de Almada, em nome dos munícipes, os que elegeram a actual edilidade e os que não a elegeram, e só é do povo nesse sentido. Sentido que a história se encarregará de negar. Não vem longe o tempo em que será de novo adquirido pela aristocracia do poder, que atendendo ao rumo dos acontecimentos será da casta dos banqueiros e outros liberais de nomeada.

Resta saber em que circunstâncias o solar dos Zagallos melhor serve os interesses da comunidade! Se casa de família e de linhagem! Se casa de burgueses sujeita às leis do mercado! Se casa do povo que não existe a não ser na propaganda!

De qualquer modo não poderia terminar sem transcrever a quadra vencedora, atribuída a um poeta da Sobreda, e que tanto emocionou a Senhora presidente:

Em dia alegre de festa
Em noite escura de breu
És a joia que nos resta!
Almada! Que brilho o teu!

Saudações monárquicas





















sexta-feira, julho 13, 2012

Muita conversa e pouca política

O sinal dos tempos é meter a política na gaveta e desatar a falar de dinheiro, economia, finanças, como se isso resolvesse aquilo que de facto não queremos resolver. E não queremos resolver por razões que situam no plano ideológico, da teimosia, da ignorância, ou talvez da esperteza, razões, que no fim de contas, pouco têm a ver com as contas, que devemos e temos que pagar. Não mudamos de vida porque não queremos. No fundo, por razões políticas. E ninguém quer dizer isto.

Ninguém, não é bem assim, de vez em quando aparece alguém a pôr o dedo na ferida, como ontem aconteceu com Eduardo Catroga em entrevista televisiva. E o que disse este antigo ministro das finanças, da economia, negociador de planos de resgate, etc. etc.?! Falou de política, disse que a reforma das reformas, a base de todas as reformas, é a reforma da (intocável!) constituição da república. Sem essa reforma, sem a esvaziar definitivamente do seu conteúdo soviético, sem acabar com as barreiras (e alçapões) que protegem a casta dominante, sem isso, o país não resolve nenhum dos problemas que tem para resolver. Pelo menos de forma mais ou menos pacífica.

Quem é a casta dominante?! Bem, se lerem o que venho escrevendo há alguns anos, descobrem concerteza. Se não leem, e fazem muito bem, tentem descobrir quem comemorou efusivamente o centenário da república. Depois é só seguir o guião.



Saudações monárquicas







quinta-feira, julho 05, 2012

Se queres saber onde moro...




Se queres saber onde moro!
Vivo sempre ao pé do mar!
Dentro de mim sopram velas
Nascem ventos, caravelas,
O cais inteiro a zarpar!


Guardo sinais marinheiros
Agulhas de marear
Procuro rumos certeiros
Em céus de estrelas, veleiros
Que não deixei naufragar!


Se ainda assim queres saber!
Para ninguém duvidar!
Pergunta às ilhas distantes
Se éramos nós, como dantes,
No outro lado do mar!

quinta-feira, junho 28, 2012

Portugal mais, Portugal assim, assim, Portugal menos

Portugal mais, no espírito de equipa, na coragem de fazer pressão alta, de correr riscos, destruindo as famosas triangulações adversárias, lançando o pânico na área espanhola, ao ponto de levantar Del Bosque do seu sossego habitual! Faltou um golo que coroasse uma bela exibição durante os noventa minutos.

Veio o prolongamento e com ele vieram algumas substituições, veio o Portugal à espera da Espanha, que entretanto alargara o campo com dois extremos velozes, começaram a faltar pernas, e capacidade para manter a posse de bola. Aguentámos até às grandes penalidades. O treinador de bancada, sem responsabilidades, diria que Nani foi mal aproveitado nesse período, pois era o jogador com mais potencial. Talvez mais recuado, no meio, a segurar a bola (ninguém a segura como ele!) lançando então alguns contra golpes, quem sabe! Agora já não interessa.

O Portugal menos veio ao de cima nas grandes penalidades. Deixou de ser Portugal para passar a ser a ‘selecção’ da república portuguesa. Alguma confusão, e pior do que isso, o inconcebível posicionamento de Ronaldo na ordem de marcação das grandes penalidades! Então o capitão de equipa, consumado goleador, especialista em bolas paradas, seria o quinto a marcar o penalty?!
Quinta grande penalidade que em jogos destes, de grande tensão, corre o risco de já não servir para nada?! Como não serviu.

Bem sei que as grandes penalidades são uma lotaria, mas ainda assim gostava de saber qual foi a ideia que presidiu a tal opção?!
Terá sido para poupar Ronaldo?! Expondo os outros a maiores responsabilidades?! Em prejuizo dos interesses da ‘selecção’?!

A qualquer destas questões Paulo Bento… atirou para canto.



Saudações desportivas

terça-feira, junho 26, 2012

Prós e contras do costume!

Mais um, menos um, nada de novo, do lado dos ‘bons’, um indivíduo razoável, funcionário público como admitiu, a explicar aos funcionários públicos que uma coisa é ficar sem os subsídios, mas ter emprego certo, outra coisa é ficar sem emprego, ou ter emprego incerto. Portanto nada de comparações, nem de extrapolações. Nem tentações… senhor Cavaco. Eu bem sei que quem elege os políticos, Cavaco inclusivé, é o ’partido do estado’, mas vamos lá ter calma.

Ainda do lado dos ‘bons’ uma Margarida (qualquer coisa) Pinto. O discurso europeísta habitual, os mesmos fantasmas, e a frase decidida – união política… já! A tradicional fuga para a frente, a orfandade contumaz! E fico sempre a pensar que quem clama pela unidade política europeia é quem afinal não a consegue realizar no seu próprio espaço nacional! É afinal quem tem medo dos referendos e quer ‘construir a Europa’ (que frase mais estúpida!) à revelia da população!

Do lado dos ‘maus’, um fiscalista lúcido, mas sem soluções, e um historiador que teve o mérito de identificar a evolução da classe política de Abril! Aquela que nos governa. Esquerda radical nos primórdios, dogmatismo liberal de seguida, para se constituírem actualmente em ferozes neoliberais. Eu diria, ultraconservadores. Característica comum: - um completo desconhecimento da realidade.

Porém, se acertou nos personagens, não quis acertar na ‘mouche’. Falou nas desigualdades que esta democracia construiu, mas passou cuidadosamente ao lado do regime e da respectiva constituição. Sintomático.

Ou será que pensa que isto é um problema de pessoas?!



Saudações monárquicas

Post scriptum: Não me referi obviamente à indignidade da nacionalização das reformas, para aqueles, como eu, que só receberam do Estado durante o serviço militar obrigatório. Nem tão pouco fiz menção ao cálculo final das mesmas, cálculo que incide sobre 14 meses de descontos anuais, não existindo assim qualquer justificação para o corte de subsídios em se tratando de pensões de reforma. Outra indignidade contra quem já não se pode defender. Mas sobre este assunto ninguém falou.











quarta-feira, junho 20, 2012

As reformas impossíveis

Apetece plagiar uma graçola que fez carreira: - ‘eles falam, falam, mas não os vejo fazer nada…’! Medina Carreira, por outras palavras, repetiu isso mesmo em recente reunião. Disse ele: - ‘as reformas estruturais continuam por fazer e assim não vamos a lado nenhum’. E não vamos. Entretanto, e para mal dos nossos pecados, o ambiente que nos rodeia também não é famoso! Ou seja, a famosa ‘união europeia’, para onde alguns ‘iluminados’ (e muitos oportunistas) nos empurraram, vem mostrando à saciedade aquilo que de facto é: - um sonho napoleónico, acentuadamente soviético, delícia de burocratas, sugadouro de recursos, enfim, uma organização destinada a centralizar, uniformizar, desfazer nações, vontades, e crenças.

Porém, nada disto serve de desculpa ou alibi, para não fazermos o trabalho de casa. Trabalho de casa que não tem nada a ver com as intermináveis ‘mesas redondas’ sobre a Grécia, sobre os mercados, sobre as secretas, ou sobre os problemas psicológicos do Cristiano Ronaldo! Apesar da importância das matérias. Porque o que interessava era atacarmos as causas profundas (estruturais) das nossas actuais dificuldades. ‘Problemas que de longe vêm’.

Mas o problema é precisamente esse. E pergunto: - como é que os nossos distintos governantes se propõem efectivar reformas estruturais sem tocar: - No regime que temos! Na constituição que o suporta! Nas maçonarias que o controlam! Nas leis que as defendem! Nos tribunais que as ilibam!

Assim, nestas condições, talvez seja possível fazer cócegas aqui e ali, mas reformas estruturais, não.


Saudações monárquicas

quarta-feira, junho 13, 2012

Inimputáveis

  1. Existem em Portugal várias pessoas e organizações intocáveis, melhor dito, inimputáveis, ou seja, façam o que fizerem, aconteça o que acontecer, nunca serão responsabilizadas. E no fim de contas, tudo cairá num esquecimento redentor!
  2. Entre essas organizações, por certo pilares da república, incluem-se alguns clubes de futebol, com Benfica e Sporting à cabeça. Explico, o que venho explicando, sem sucesso, há um bom par de anos: -
  3. Primeiro foi o Benfica, lembram-se, na era Vale e Azevedo, completamente envolvido em dúvidas e suspeitas de toda a ordem, e das quais beneficiou concerteza. Pois bem, de toda aquela confusão emergiu afinal um único culpado – Vale e Azevedo! O Benfica não foi responsabilizado, estava inocente, a pátria aplaudiu, o governo sossegou. De tempos a tempos, o assunto surge na ribalta e é oportunidade para atirar mais algumas pedradas ao bode expiatório. Em contraponto, o Benfica mantém-se virgem ofendida, e continua a surgir aos olhos da opinião pública como a grande vítima dos abusos de quem afinal elegeu para conduzir os seus destinos. Maior farsa não existe!
  4.  Foi agora a vez do Sporting experimentar algumas dificuldades, através de suspeitas pouco abonatórias para o clube e seus dirigentes. A ‘coisa’ entrou em banho-maria, como é costume, até que hoje, no noticiário, todos os indícios apontam para a descoberta de um novo bode expiatória! A receita é a mesma, o Sporting está inocente, e o seu dirigente é acusado de tudo e mais alguma coisa. Ainda que o Sporting tenha beneficiado das supostas malfeitorias!
  5. Vamos ver como isto termina mas aposto que ainda não é desta que a centenária república maçónica vai deixar que os seus símbolos (os seus clubes) sofram as consequências das suas escolhas.
  6. É por isso que a troika tem razão: - reformas estruturais?! Reformas na justiça?! Nem vê-las!
  7. E eu acrescento: - se isto é na bola, imagine-se o resto!
  8.  Saudações monárquicas

terça-feira, junho 05, 2012

Um país pobre

Reduzido à selecção
Em promoção na TV
Reduzido ao alcatrão
Que é aquilo que se vê
O ‘portuga’ vai sorrindo
Não se sabe bem porquê!

sexta-feira, junho 01, 2012

Nem por uma vez!

Uma vez que fosse, mas não, o ministro Relvas nunca pronunciou a palavra… maçonaria! Palavra proibida, também para os restantes perguntadores da comissão de inquérito! A excepção, uma deputada do bloco de esquerda que esperou em vão pela resposta. Que resposta?! A resposta que se esperava, a verdade, mas que ninguém, fora a notável bloquista, queria ouvir! E como se diz na na gíria a resposta seria: - sim, é verdade que a maçonaria, melhor dito, as maçonarias, interferem (secretamente) na condução política da república, nas nomeações para os cargos públicos mais relevantes, nomeadamente tribunais superiores, e não fugindo à questão, condicionam, como é patente, o desempenho dos serviços secretos do estado português.
E se houvesse outra curiosidade por parte dos inquiridores, o ministro Relvas estaria (talvez) em condições de explicar aos portugueses que isto funciona assim há muito tempo e que todo este aparato só acontece porque existe uma guerra surda entre algumas lojas (ou alguns ramos) da maçonaria, guerra que acontece por razões bastante compreensíveis: – ‘casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão’. E então: - ‘zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades’.
Mais, se Relvas fosse de facto ministro e não apenas Relvas, poderia ainda ter acrescentado que esta é uma situação lamentável que não interessa nada ao povo português, que como se sabe não é maçon, atendendo a que a maçonaria é apenas reservada a alguns. Ou seja, são poucos a comer o que é de todos.


Saudações monárquicas

quarta-feira, maio 09, 2012

Anedota da semana

'Vive la France'... dividida
Foi eleito um presidente
Quem chega, está de partida
Para o caso é indiferente!

Viva o povo.. inocente
Há discurso na Bastilha
O passado bem presente
Cuidado com a gargantilha!

Viva a doce... fantasia
Repetida tantas vezes
Agora sou presidente
Do canário e da Maria...

E de todos os franceses!

quarta-feira, maio 02, 2012

O jacobino

Em estado puro, a marselhesa a rebentar-lhe nos tímpanos, a saga napoleónica a animar-lhe o rosto, bastonário contestado, incontestável, ex-jornalista, omnipresente em qualquer canal televisivo, justiceiro de trazer por casa, diz que não é maçon mas parece, estamos a falar de Marinho Pinto. Outros atributos reconhecidos, a ignorância histórica, a idade média obscura, o anticlericalismo típico, as frases estafadas, pouco cortês, desancou a ministra da justiça (a quem faço um rasgado elogio) e por isso teve que ouvir reprimenda de amigos e inimigos. Não há problema, ziguezagueante, hábito antigo de demagogos, há-de continuar a iludir os tolos, mas a mim não me engana.



Saudações monárquicas

quarta-feira, abril 25, 2012

Como se queria demonstrar!

Nem feriado
Nem poema
Nem foguetes
Pelo ar!

Grândola, vila morena
É cantiga de embalar!

Não é o povo que ordena
São as ‘lojas’ a mandar!

Portanto…
Canta baixinho
Pode a ‘criança’ acordar!

domingo, abril 22, 2012

A justiça partidária

Chamam-lhe pomposamente tribunal constitucional, paira acima de todas as coisas visíveis e invisíveis, uma espécie de juiz na terra, e vai-se a ver é mais um embuste parido pela constituição de abril. São treze ‘juizes’, escolhidos pelo centrão partidário, PSD e PS, partidos gémeos que se abastecem nas mesmas ‘lojas’, juizes esses, logicamente maçons!
Admirados com este resultado surgem agora algumas pessoas (que deviam andar a dormir!) a reclamar outra transparência e outra isenção ao dito tribunal! Até o Jorge Miranda, imagine-se, um dos pais da lei fundamental!
Enfim, vamos fazer de conta que está tudo bem, e vamos fazer de conta que acreditamos, e aceitamos, esta solução que passa por nomear mulheres juízas, afastando assim o fantasma da maçonaria!
Com a verdade me enganas, ou tapar o sol com a peneira, são juízos populares que se aplicam neste caso.

Três notas:
1. Não é o facto de pertencer à maçonaria que deve inviabilizar a escolha para o cargo, mas sim o facto de se omitir tal pertença.
2. Também causa algum desconforto a sensação (e mais do que a sensação) de que a grande maioria dos juizes (deste e de outros tribunais superiores) pertencem à maçonaria.
3. Mais do que a reforma da legislação do trabalho, e outras reformas, sem dúvida importantes, é a reforma da justiça aquela que poderá melhorar, quer a coesão nacional, quer a qualidade de vida dos portugueses. Com uma justiça partidária nunca haverá investimento.



Saudações monárquicas

sexta-feira, abril 20, 2012

Uma quota para os católicos!

Isto passa-se em Portugal, outrora terras de Santa Maria, hoje pequena união soviética da europa, enquistada em jacobinismo, aqui dizia, chegámos ao ponto de (práticamente) não existirem católicos, ou que se afirmem como tal, na assembleia da república! Pejada de maçons, não católicos portanto, para não dizer anticatólicos, o órgão representativo (e legislativo) por excelência não representa afinal a grande maioria do povo português. E não representa naquilo que lhe é inerente, naquilo que é mais profundo, ou seja, nos princípios que resultam de uma determinada crença, de uma determinada cultura, de uma determinada ética. Princípios que deveriam moldar as leis que ali se produzem mas que na maior parte dos casos não moldam. Antes pelo contrário. E não haverá mudança enquanto a lei eleitoral continuar a enviesar a representação, enquanto for um túnel de acesso a ateus e agnósticos de todos os géneros, enquanto a lei e o tribunal forem propriedade da maçonaria. E não vale a pena invocar o sofisma da separação entre a Igreja e o Estado. Porque a separação não existe, pelo menos no que à obediência maçónica diz respeito.
Para bom entendedor…

Saudações monárquicas

quarta-feira, abril 18, 2012

Tectos, sim.

Moreira e Nazaré debatiam a crise, a crise em geral, e fui ouvindo, a conversa estava interessante, mas chegámos ao concreto, à realidade, à reforma da segurança social, e como de costume ambos ‘borregaram’. Que não, que essa história do plafonamento é ideia (antiga) sem pernas para andar, que era preciso fazer contas, e para resultar, só daqui a muito tempo! Desliguei o televisor, não vale a pena, fui-me deitar. Mas no caminho, cogitei: - mas não é isso que acontece com todas as reformas de fundo?! Levam tempo para dar frutos?! Era melhor terem dito que não querem reformas! Ou então, que o país é irreformável!
Pois eu, que não percebo nada de economia (nem de segurança social), entendo que é fundamental estabelecer tectos para as reformas a pagar pelo Estado. Salvaguardando evidentemente os direitos adquiridos pelos descontos já efectuados. A razão que invoco para a introdução de tectos é de outra ordem. É uma questão de decoro. O estado não pode pagar reformas de quatrocentos e tal euros (80% do salário médio mínimo, para quarenta anos de descontos) a uns portugueses, e pagar ao mesmo tempo reformas de cinco mil e mais euros (80% do salário médio para os mesmos quarenta anos de descontos) a outros portugueses!
Dir-me-ão que se limitam a receber o correspondente àquilo que descontaram. Eu sei, mas daqui para a frente não pode ser assim. Ganhem o que ganharem descontam apenas até um determinado limite. E neste aspecto concordo com o ministro: - o estado não serve para gestor de poupanças. E acrescento: - o estado se serve para alguma coisa é para estabelecer princípios mínimos de justiça social. O estado social é este, não é o que temos. E que apregoam.

Saudações monárquicas

terça-feira, abril 17, 2012

A república dos cágados

De Espanha ‘nem bom vento nem bom casamento’, mas não vamos exagerar. Hoje, pela manhã, uma colega de trabalho (que aprecio e estimo), sabendo-me monárquico, invectivava (fortemente) o rei de Espanha pelo facto de ter participado numa caçada aos elefantes. A crítica tinha sobretudo a ver com os elefantes, e por ser uma espécie em extinção. Respondi-lhe que os reis também são uma espécie ameaçada e que a sua reacção era a prova disso mesmo. Ou seja, tentei explicar-lhe que o rigor com que se julgam as Altezas (e já agora, os sacerdotes da Igreja Católica) não tem qualquer comparação com outros juízos ou julgamentos. E fui mais longe: - se me chamasse Freud atrever-me-ia a concluir que todo esse empolgamento poderia esconder o desencanto de uma paixão recalcada. Como se os reis, ou as rainhas, não pertencessem ao género humano, e estivessem condenados à perfeição!
Mas a verdade é que são seres humanos, que nos representam, a nós, seres humanos também. Com os nossos defeitos e qualidades.
Aliás, a crítica maior, a que veio de Espanha, não tinha a ver com os elefantes, mas com o recato, com a austeridade, esse conceito ‘beatífico’ que passou a ser a medida de tudo e de todas as coisas. Especialmente para julgar os outros.
Sendo assim, admito perfeitamente que não estamos em época de caçadas aos elefantes, e que o melhor é seguir a agenda da ‘alta autoridade para a austeridade’. Se não conhecem eu dou-vos alguns detalhes: - é laica, republicana e socialista, é muito económica, e deixa os países por onde passa em situação de banca rota.

Saudações monárquicas

sexta-feira, abril 13, 2012

A república sem árbitro

O problema da república é o árbitro, sempre foi. Daí que o pensamento político tenha evoluído para a monarquia, sistema onde o chefe de estado, neste caso o Rei, não sendo escolhido por nenhuma das partes, pode assim decidir com razoável imparcialidade. Por essa razão, os países monárquicos têm uma melhor justiça, e também por essa razão as pessoas desses países desconfiam menos (umas das outras) e do poder político. Nas repúblicas acontece precisamente o contrário.
Neste particular, o futebol português é um verdadeiro espelho da nação. Por ele, através dele, das suas inumeráveis batotas, imaginamos tudo o resto. Os conluios, os partidos, os compadres, as lojas, as jogadas por debaixo da mesa, a lei que as protege, a corrupção permanente, tão vulgar que parece coisa normal. Um bem colectivo! Que talvez sacie, quem sabe, outras injustiças! Da vida, do amor, e do ódio.

Literatura aparte, este ‘caso Cardinal’, define a república: - nas primeiras notícias, a vítima era o Sporting. Os grandes são, por natureza, as grandes vítimas. O Marítimo era o suspeito. O árbitro assistente era o corrupto. Depois, afinal, terá sido uma armadilha que um dirigente do Sporting (e antigo inspector da policia judiciária!) armou contra o bandeirinha, que afinal estava inocente. Perante o escândalo, os jornais (e as televisões) apressaram-se a sossegar a opinião pública: - o Sporting não pode ser castigado! Os especialistas de serviço repetiram o mesmo. O povo leonino apoia.
Quem sou eu para os contrariar?!

Saudações monárquicas